segunda-feira, 12 de outubro de 2020

O dia em que Nossa Senhora Aparecida visitou o espaço


Quando o primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes, chegou ao espaço em 2006, junto com ele estava também Nossa Senhora Aparecida, não só na devoção que tem pela Padroeira do Brasil, mas também em um pequeno broche que fez questão de levar.

Na época, Pontes podia levar consigo para a missão de dez dias um quilo em bagagem. Entre os itens que carregou estavam fotos da família, um MP3 com música e, como sempre carrega uma imagem de Aparecida, ela não poderia faltar no espaço. Assim, decidiu levar o broche da Virgem com um terço ao seu redor.

Ao participar da festa da Padroeira no Santuário Nacional de Aparecida em 2009, o astronauta contou que ter consigo a imagem de Aparecida no espaço “passou uma sensação de segurança. É algo que transcende o corpo”.

A devoção à Nossa Senhora Aparecida foi herdada de sua mãe, Zuleica, que o incentivava nas orações e o levava ao Santuário Nacional. Ela foi também a grande incentivadora do sonho de Pontes de ser astronauta.

E esta lembrança materna também esteve com ele quando olhou a Terra do espaço e recordou os olhos azuis de dona Zuleica, falecida em 2002, e como conseguiu realizar seu sonho com o incentivo dela.

O astronauta ainda garante que a experiência de ver o planeta teve grande significado para sua fé. “Para mim, ir ao espaço, ver o planeta lá de cima, imaginar o que somos, isso aumentou muito meu relacionamento com Deus”, disse no Santuário, em 2009.

Atualmente, o broche de Nossa Senhora Aparecida que visitou o espaço está exposto na sala das promessas do Santuário Nacional, junto com uma carta que Pontes escreveu durante a viagem.

Além disso, sempre que pode, diz que vai ao Santuário de Aparecida para agradecer à Virgem.

Em 2016, quando foi inaugurado o Museu de Cera do Santuário, entre as várias estátuas, estava a do astronauta Marcos Pontes, que se disse grato por esta homenagem.

Na época, ressaltou que a sua estátua de cera expressava o quanto é importante “estudar para poder chegar onde você quer na vida e, segundo, acreditar que é possível. A religião é muito importante para que você acredite que vai superar os desafios”.

Oração para antes da Missa

 


Para participar melhor da Santa Eucaristia é necessário estar em clima de oração

É na Santa Missa que participamos da Sagrada Eucaristia: corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, é importante participar bem dela, com ardor, vontade e devoção. A Missa não é simplesmente uma oração devocional, ou uma celebração a mais da Igreja; é o ato supremo da nossa fé.

A Missa, ou celebração da Eucaristia, é a presentificação do imenso Sacrifício do Calvário, onde este se torna presente no altar; não é mera representação ou apenas lembrança do Sacrifício do Senhor; é muito mais, é sua atualização, isto é, o mesmo e único sacrifício de Jesus na cruz se torna presente, vivo e verdadeiro. Não é uma multiplicação do sacrifício do Calvário e nem mesmo uma repetição. É o mesmo e único Calvário.

Para participarmos melhor da Santa Eucaristia, é necessário estarmos em clima de oração. Não é algo obrigatório, mas é sempre bom chegarmos com um certo tempo de antecedência, dentro de nossas possibilidades, para preparamos melhor nosso coração para “estar com Cristo”. Neste tempinho que antecede o início da Santa Missa, podemos fazer um bom exame de consciência, silenciar nossa alma, fazer nossas orações espontâneas, ou ainda, nos aprofundarmos em orações feitas pelos santos como estas:

Oração de Santo Ambrósio

Senhor Jesus Cristo, eu, pecador, não presumindo dos meus próprios méritos, mas confiando na vossa bondade e misericórdia, temo entretanto e hesito em aproximar-me da mesa do vosso doce convívio. Pois meu corpo e meu coração estão manchados por muitas faltas, e não guardei com cuidado o meu espírito e a minha língua.

Por isso, ó bondade divina e temível majestade, na minha miséria recorro a Vós, fonte de misericórdia; corro para junto de Vós a fim de ser curado, refugio-me na vossa proteção, e anseio ter como Salvador Aquele que não posso suportar como Juiz. Senhor, eu Vos mostro as minhas chagas e vos revelo a minha vergonha. Sei que são grandes e muitos os meus pecados, e temo por causa deles, mas espero na vossa infinita misericórdia.

Salve, Vítima salvadora, oferecida no patíbulo da Cruz por mim e por todos os homens. Salve, nobre e precioso Sangue, que brotas das chagas do meu Senhor Jesus Cristo crucificado e lavas os pecados do mundo inteiro.

Olhai-me com os olhos da vossa misericórdia, Senhor Jesus Cristo, Rei eterno, Deus e homem, crucificado por todos os homens. Ouvi-me, pois espero em Vós; Vós que sois fonte inesgotável de perdão, tende piedade das minhas misérias e pecados.

Lembrai-Vos, Senhor, da vossa criatura resgatada por vosso Sangue. Arrependo-me de ter pecado, desejo reparar o que fiz.

Livrai-me, ó Pai clementíssimo, de todas as minhas iniquidades e pecados, para que, inteiramente purificado, mereça participar dos Santos Mistérios. E concedei que o vosso Corpo e o vosso Sangue, que eu, embora indigno, me preparo para receber, sejam perdão para os meus pecados e completa purificação de minhas faltas.

Que eles afastem de mim os maus pensamentos e despertem os bons sentimentos; tornem eficazes as obras que Vos agradam, e protejam meu corpo e minha alma contra as ciladas dos meus inimigos.

Amém.

Oração de São Tomás de Aquino

Deus eterno e todo-poderoso, eis que me aproximo do sacramento do vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo. Impuro, venho à fonte da misericórdia; cego, à luz da eterna claridade; pobre e indigente, ao Senhor do céu e da terra. Imploro, pois, a abundância da vossa liberalidade, para que Vos digneis curar a minha fraqueza, lavar as minhas manchas, iluminar a minha cegueira, enriquecer a minha pobreza, vestir a minha nudez.

Que eu receba o Pão dos Anjos, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, com o respeito e a humildade, a contrição e a devoção, a pureza e a fé, o propósito e a intenção que convêm à salvação da minha alma.

Dai-me que receba não só o sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, mas também o seu efeito e a sua força. Ó Deus de mansidão, fazei-me acolher com tais disposições o Corpo que o vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo, recebeu da Virgem Maria, que seja incorporado ao seu Corpo Místico e contado entre os seus membros. Ó Pai cheio de amor, fazei que, recebendo agora o vosso Filho sob o véu do sacramento, possa na eternidade contemplá-la face a face.

Vós, que viveis e reinais na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Amém.


domingo, 11 de outubro de 2020

Como atividades comuns podem levar à perfeição na vida espiritual

 


Philip Kosloski - publicado em 09/10/20

Entenda por que a perfeição não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em fazê-las de forma extraordinária

É tentador pensar que a perfeição na vida espiritual consiste em se tornar um eremita no deserto, resignando-se a uma dieta de gafanhotos e mel.

No entanto, para a maioria de nós, isso está muito longe da perfeição! A perfeição não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em fazer coisas comuns de uma maneira extraordinária.

São John Henry Newman explicou esse conceito em uma de suas meditações, intitulada A Short Road to Perfection (“Um curto caminho para a perfeição”).

Ele, portanto, começa escrevendo:

“Se quisermos ser perfeitos, não temos mais nada a fazer do que cumprir bem os deveres comuns do dia. [Há]um caminho curto para a perfeição – curto, não porque fácil, mas porque pertinente e inteligível.”

Na verdade, a coisa mais heróica que podemos fazer durante o dia é lavar a louça! De fato, essa tarefa pode significar renunciar à nossa vontade egoísta. Além disso, ela pode ser encarada, por exemplo, como uma ação de caridade a um membro da família.

Perfeição e santidade

Aliás, frequentemente procuramos algo “santo” para fazer. Porém, na realidade, podemos nos tornar santos exatamente onde e como estamos.

Newman, portanto, afirma essa verdade central e nos encoraja a olhar para nossas tarefas diárias em busca de maneiras de nos tornarmos santos:

“Se você me perguntar o que deve fazer para ser perfeito, eu digo: em primeiro lugar não deite na cama após a hora de levantar. Após isso, dê seus primeiros pensamentos a Deus; faça uma boa visita ao Santíssimo Sacramento; reze o Angelus com devoção; coma e beba para a glória de Deus; reze bem o Rosário; afaste os pensamentos ruins; faça bem a sua meditação noturna; examine-se diariamente; vá para a cama na hora certa. E [assim] você já será perfeito.”

Simples, não é? Trata-se, pois, de um caminho “curto” para a perfeição na vida espiritual. Porém, essa estrada não deixa de ter cruzes e sofrimentos.

Conclusão: se quisermos nos tornar santos, não precisamos nos afastar de todo contato humano. Tornar-se um santo significa realizar todas as tarefas com grande amor e devoção.


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Missa chata? Pense nisso na próxima vez que ficar aborrecido na igreja

 


Acontece com você de ficar aborrecido na missa de domingo? Aqui estão algumas dicas para aprender a lidar com esse aborrecimento e viver a missa como um momento que realmente liga sua vida à de Jesus

Para aquelas pessoas que dizem que a missa é chata, eu adoraria responder que a sabedoria só vem para aqueles que aprenderam a perseverar no aborrecimento, a entrar pacientemente na densidade das coisas sem ver imediatamente o fruto de seu trabalho.

De fato, o sábio tem a virtude do agricultor que trabalha incansavelmente em sua terra. Mas o homem não foi feito para pecar de flor em flor numa “insustentável leveza do ser”, de acordo com o título do romance de Milan Kundera. No entanto, ele foi feito para ser amarrado à sua rosa, para cultivá-la, para ficar enchido com ela. É essencial aprender a aceitar o tédio, a monotonia dos dias que passam, a recusar-se a medir a vida de acordo com o imediatismo narcisista do prazer consumível.

Domingo é a âncora do tempo

Mas qual é o sentido da missa? Eu respondo com as palavras do escritor Georges Bernanos: “O demônio em nosso coração se chama ‘Para que serve …?'” Acima de tudo, respondo com Cristo à outra pergunta: “Qual é a utilidade …?” que converteu São Francisco Xavier: “De que adianta um homem ganhar o mundo inteiro, se ele se perde?”. O homem é uma lâmina de “palha que o vento sopra e leva ela” (Salmo 1).

Assim, se não colocarmos nossa âncora para pegar o vôo do tempo, nossa vida se derramará como sangue de uma ferida. Nesse sentido, o domingo é a âncora do tempo onde o homem aprende a morrer no visível para cultivar o invisível.

Nunca se vai a uma missa chata

Devemos “viver de acordo com o domingo”, de acordo com a expressão dos Padres, porque o homem não pode viver sem memória e sem esperança. Sem se lembrar da salvação de Deus alcançada pela Cruz, sem já entrar na luz do Ressuscitado.

A memória permite-nos habitar o presente, a esperança permite-nos caminhar para Jesus Cristo, o Oriente das nossas vidas. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a Vida eterna” (Jo 6,54).

Nesse sentido, o filósofo francês Gabriel Marcel costumava dizer: “Amar alguém é dizer-lhe: ‘você nunca morrerá'”. Mas só Deus pode dizer isso. No entanto, a missa, através da escuta da Palavra eterna, através da comunhão efetiva ou, pelo menos, do desejo, porque Deus não é mesquinho com sua gratidão ao corpo ressuscitado do Senhor, dá ao nosso corpo de morte a promessa da imortalidade. A eucaristia é a garantia da nossa ressurreição que nos permite “antecipar as vigílias da noite” (Salmo 119).

A missa nos tira da transitoriedade das coisas

A missa dominical marca o ritmo da vida cristã em virtude do rito. O rito ordena a existência, dá controle sobre o tempo que passa. “Mas se vier a qualquer hora, nunca saberei a que horas preparar meu coração … É bom que existam ritos. O que é um rito?, disse o principezinho. Também é algo esquecido demais, disse a raposa. –É o que diferencia um dia dos outros dias”.

Se vamos à missa todos os domingos, não é porque a missa é legal ou chata, mas é para “vestir” o corpo e a alma, afastar-nos da transitoriedade das coisas e fazer-nos resistir, dizia a beata Isabel de la Trinidad, “imóveis e pacíficos, como se [os nossos corações] estivessem já na eternidade”.


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