OS SALMOS, NOSSO ESPELHO
13 – COMO UM CAVALO SEM FREIO NEM RÉDEAS ─ Não sejas como o cavalo ou o jumento sem inteligência, cujo brio precisa ser domado com freio e rédeas… Eu te instruirei e te indicarei o caminho que deves seguir; com os olhos sobre ti, te darei conselho (Salmo 32,9.8). Lembro-me De uma história real que me foi contada por um dos protagonistas. Aconteceu num acampamento, onde faziam o serviço militar, durante as férias, estudantes universitários. Um deles, que nunca tinha praticado equitação, decidiu arriscar-se e tentar. O cavalo escolhido, mal ele se encarapitou em cima da sela – sem dúvida o animal percebeu que carregava um “intruso” – desembestou sem rumo fixo. Na correria desgovernada, o cavalo com cavaleiro abraçado a seu pescoço, passou por um grupo de jovens oficiais que, morrendo de rir, perguntaram: “Aonde está indo com tanta pressa?” A resposta ofegante do mau cavaleiro foi: “Eu ia para tal lugar, mas não sei para onde é que este cavalo está me levando”. A nossa vida pode ser, com facilidade, como um cavalo ou um jumento desgovernados, que nos conduzem aonde não sabemos e não desejávamos ir. Meditemos um pouco no cavalo e no jumento.
Será que temos, nem que seja minimamente, uma escala ideal dos valores e prioridades da nossa vida? Pode ser que enxerguemos “teoricamente” que “isto” é o mais valioso, o mais importante; que “aquilo” outro é secundário; que a família deveria estar em primeiro lugar, acima do trabalho; que só com Deus se pode enxergar o autêntico sentido da vida e da morte… Na prática, porém, essa ordem de valores não significa nada. Aquilo que, na teoria, é primeiro fica sendo o último; o que é “mais” fica sendo o “menos”… Acontece que, mesmo com boa vontade, não conseguimos segurar as rédeas do cavalo da vida e dirigi-lo pelo caminho que deve seguir, como diz o Salmo. Não temos forças para segurar as rédeas por duas razões: – Primeiro, porque não temos convicções, apenas teorias, mais ocas que uma laranja chupada. – Segundo, porque temos a liberdade, ou seja, a capacidade de dominar o nosso “ querer”, prisioneira dos defeitos, caprichos e paixões que nos dominam. Somos escravos dos defeitos que nos amarram: estes são o cavalo enlouquecido, que nos leva para parte nenhuma e nos faz falhar e fracassar em quase tudo: na família, na formação dos filhos, na vida espiritual, na profissão, nas amizades… O cavalo sem freio pode se chamar preguiça, inconstância (incapacidade de sermos fiéis a nada, fora do time de futebol e dos vícios arraigados); pode se chamar ambição cega (que ofusca e não deixa ver nem Deus nem a família); pode se chamar intemperança na gula e na sensualidade… «Eu estava acorrentado – dizia Santo Agostinho –, não por ferros alheios a mim, mas pelos do meu egoísmo agrilhoado… Quando se obedece aos desejos da carne, estes tornam-se costume; quando não se quebra esse costume, torna-se necessidade… Com tais elos fizera eu a corrente com que o demônio me mantinha amarrado à mais dura escravidão». Você pede a Deus a graça de se libertar dessas correntes? Você se esforça por construir a estrutura sólida de todos os valores da vida, ou seja, das virtudes?[1].
Não vê que é asneira perdê-la, desperdiçá-la por falta de ordem, no sentido mais simples dessa palavra? Falta de horário, de previdência, falta de planejamento, falta da coragem de começar, falta de fortaleza para terminar. Quando uma pessoa, ao enfrentar-se com seus deveres, diz “não tenho tempo”, deveria ouvir na hora um sinal de alarme que lhe diz: “Falta-te tempo, porque te sobra jumento”. Qual jumento? –Primeiro, a falta de sinceridade no querer: sempre achamos tempo para as coisas que queremos “mesmo”; se não há tempo é porque não queremos. – Segundo, a preguiça de parar e se organizar, de preparar e anotar o que, em consciência, percebe que deve fazer em cada dia (desde assuntos profissionais e dedicação a problemas familiares, até a organização das horas em que vai abrir whats-apps e redes sociais, e da hora-limite em que o tablet, o celular e a tv “vão dormir”, porque você vai ter a firmeza do bom jerico para empacar e dizer não. Manter em dia a agenda e ter a determinação do jegue que finca as patas no chão, isso é que é uma “jumentalidade” sadia e santa. [rascunhos de um futuro livro] [1] Para maior aprofundamento, pode ser útil a leitura de dois livros: Autodomínio, elogio da temperança, Ed. Quadrante, 2ª edição; e A conquista das virtudes, Ed. Cultor de Livros, Cléofas, 2ª ed. |
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
COMO UM CAVALO SEM FREIO
domingo, 25 de novembro de 2018
Como praticar o silêncio na vida cotidiana

O principal meio para uma ida mais contemplativa não é ter mais tempo, mas mais propósito
Três anos atrás, tive a oportunidade de fazer um retiro silencioso de 24 horas e experimentar a beleza e a calma da solidão e do silêncio prolongados. Foi repousante, senti-me mais ligada a mim mesma e a Deus, e voltei pronta para viver todos os dias com mais propósito. Mais notavelmente nas semanas seguintes, eu tinha mais energia para estar presente para as pessoas da minha vida.
O silêncio nos permite passar o tempo com nós mesmos; isso nos abre espaço para que nossos pensamentos cresçam em criatividade e se conectem com nossas emoções. O silêncio nos ajuda a diminuir a velocidade e reconhecer o que está acontecendo internamente, ao invés de responder continuamente ao estímulo externo. Isso nos oferece uma ruptura com a entrada constante de informações que vêm com a vida moderna.
Os benefícios do silêncio e da contemplação
Pesquisas mostram que as práticas contemplativas têm vários benefícios. Um estudo mostrou que tais práticas aumentam a percepção precisa da taxa de batimentos cardíacos, que melhoram a habilidade de falar do próprio estado emocional. Quando podemos pausar em silêncio, podemos verificar o nosso corpo e nossas emoções, o que nos ajuda a cuidar melhor de nós mesmos, além de aumentar a conscientização sobre o que estamos trazendo em nossos relacionamentos.
Outro estudo mostrou que a prática contemplativa regular tem múltiplos impactos positivos em nossos cérebros. Pode melhorar a memória de trabalho, a função de manter informações no curto prazo, como lembrar instruções ou sobre o que você estava trabalhando antes de ser interrompido. Também apresentou aumentar o seu “filtro verbal” e sua capacidade de manter a tarefa em direção a seus objetivos. Também ajuda a regulação emocional, nos permitindo sentir emoções sem ser dominado por elas.
Praticando o silêncio num mundo ruidoso
Muitos de nós teríamos dificuldade em identificar um momento no nosso dia em que experimentamos mais do que alguns minutos de silêncio. Quando não estamos conversando com os outros, preenchemos nosso espaço sonoro com diferentes tipos de mídia e, com o advento dos podcasts, sempre podemos ter algo para ouvir. Para alguns de nós, a ausência de som é quase surpreendente, pois nos sentimos automaticamente obrigados a ligar a TV ou o rádio.
O principal meio para uma vida mais contemplativa não é ter mais tempo, mas mais propósito
Outros desejam o silêncio, mas parece difícil. Temos dias complicados, cheios de crianças barulhentas ou colegas de trabalho inquietos. Nós temos pessoas em nossas vidas que precisam de conexão e da nossa presença, e o tempo para si mesmo não parece se encaixar na mistura durante essa temporada de vida. Mesmo com tempo e oportunidade, parece que há outro item na lista de tarefas que precisa ser concluída antes de poder descansar na quietude.
Há momentos ao longo do dia que você pode integrar o silêncio no seu dia se você ficar de olho neles. Se você é um pai/mãe que fica em casa, você pode dedicar os primeiros 15 minutos de um descanso para silenciar. Se você trabalha, considere deixar seu telefone na sua mesa e dar um passeio na hora do almoço, ininterrupto. Tire cinco minutos durante o dia para olhar pela janela e fixar-se no instante presente.
As práticas de silêncio nem sempre devem ser estacionárias. Se você regularmente usa fones de ouvido na academia, considere deixá-los de lado uma vez por semana e preste atenção ao que está acontecendo dentro de você, incluindo pensamentos e emoções. Considere andar devagar durante a transição, como andar do seu carro até o prédio de escritórios, levando um momento para perceber seu próprio corpo e seus próprios sentimentos, antes de entrar no seu dia. Ou se você estiver em casa, encontre uma parte calma da sua casa para que você possa sentar-se por 2 a 10 minutos ininterruptos e, intencionalmente, ficar em silêncio.
Um simples começo para silenciar é desligar os aparelhos eletrônicos. Uma vez por semana, volto para casa do trabalho e faço o jantar enquanto o resto da minha família está fora. Enquanto antes eu costumava ouvir rádio, fiz uma prática de cozinhar em silêncio, permitindo que a quietude da casa crie espaço para meu próprio ser, pensamentos e emoções. Em primeiro lugar, o silêncio era desconfortável, pois me sentia aborrecida ou dominada por meus próprios pensamentos. No entanto, uma das chaves para o silêncio é reconhecer que, como a maioria das coisas que são boas para nós, é difícil no início, mas fica mais fácil com o tempo. Outros fizeram uma prática de dirigir sem o rádio, ao invés de preencher o tempo silencioso em seu carro.
Definir um temporizador pode ser uma boa maneira de se permitir estar presente sem se preocupar com o tempo. Passar pelo menos 20 minutos em silêncio produz muitos benefícios, simplesmente começar com dois a cinco minutos pode ter um impacto profundo no seu humor e consciência, especialmente se praticado ao longo do dia.
Definir um propósito
Se pensarmos em práticas contemplativas apenas em termos de visitar um mosteiro por um dia, nunca teremos tempo para praticar o silêncio. No entanto, mesmo os mais ocupados de nós pode tirar pequenos períodos de silêncio e decidir fazer uma pequena pausa na vida ocupada. O principal meio para uma vida mais contemplativa não é ter mais tempo, mas mais propósito. Usar o tempo que já estamos gastando – dirigindo, sentado em casa, lavando a louça – e decidindo praticar o silêncio, virando para dentro e ficando quieto.
https://pt.aleteia.org/2018/03/04/como-praticar-o-silencio-na-vida-cotidiana/2/
A beleza da vida cristã

E aí está a beleza da vida cristã. É uma vida suada, sofrida, lutada, mas é uma vida feliz
Os desejos do espírito se opõem aos desejos da carne. São Paulo diz que eles são contraditórios. E, muitas vezes, temos que dizer não a nós mesmos.
Na verdade, o nosso espírito quer o bem, não o mal. É como se houvesse duas pessoas dentro de nós: a nossa carne puxa para um lado e o nosso espírito para o outro.
Vida cristã é vida de cruz. Mas quem entra por este caminho, embora encontre dificuldades, pois exige luta, esforço e sofrimento, vai atingir a felicidade e encontrar a paz.
E aí está a beleza da vida cristã. É uma vida suada, sofrida, lutada, mas é uma vida feliz. Realmente, nós tocamos a alegria e a paz, apesar de todas as dificuldades que nós enfrentamos.
E quanta gente vai pelo caminho mais fácil, de ganhar dinheiro fácil, ter alegrias e prazeres fáceis, de subir na vida fácil, de conquistar posições e cargos. E essas pessoas, infelizmente, não são felizes. Talvez deem uma enganada, com aparência de serem felizes, até ostentem e esbanjem como se fossem felizes. Elas caricaturam algo que não são. E o pior, ainda vão perdendo a graça de Deus, os referenciais, o sentido da vida, pois só buscam a falsa alegria e a falsa felicidade.
A alegria que nós tanto aspiramos é fruto de muita dureza, luta e esforço. Aguenta firme! Você vai ser feliz! Continua, e você vai ver quanta felicidade virá, no tempo certo.
Seu irmão,
Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova, presidente da Fundação João Paulo II, mantenedora do Sistema Canção Nova de Comunicação, em Cachoeira Paulista (SP) e reitor do Santuário do Pai das Misericórdias. É um dos religiosos que mais se destacou utilizando os meios de comunicação na ação evangelizadora da Igreja Católica, na América Latina. Autor de 57 livros, CDs e DVDs, além de várias palestras em áudio e vídeo.
Ideias que mudaram totalmente a minha maneira de rezar

Para crescermos na vida de oração não é necessário termos excelentes técnicas ou lermos grandes livros de mestres espirituais
Acontece com todo mundo: às vezes, a oração vira rotina ou fica estancada em nosso interior, como um lago pantanoso, um lugar do qual não conseguimos sair e que não nos oferece nada de vida…
Mas eu gostaria de compartilhar com vocês algumas ideias que me ajudaram a ter uma oração mais profunda e melhor. Algumas descobertas que revolucionaram a minha forma de rezar.
Primeira coisa: oração é fonte de vida. Uma fonte que não tem motivo para ficar estancada. E por que afirmo isso? Porque a oração é um dom do Espírito. Rezamos não porque sabemos rezar ou porque temos técnicas boas de oração. Rezamos porque permitimos que o Espírito que vive em nós brote, tome consciência e se expresse.
Rezar é perceber nossa realidade mais profunda, o ponto preciso do nosso ser, pelo qual chegamos até Deus, O tocamos e onde recebemos um Deus que nos quer oferecer algo.
É uma tomada de consciência. Rezar implica fazer-se consciente de uma coisa que há muito tempo ficou inconsciente em nós. O lado divino que se torna consciente quer integrar-se à nossa vida.
E esse espaço de liberdade interior fica entre a regra e a liberdade: entre as orações que fazemos habitualmente e a presença de Deus. Neste sentido, se conhecermos nossa “fisionomia espiritual”, vai ajudar bastante.
Romano Guardini disse:
“A oração pessoal está submetida a determinadas normas. Tais normas estão expressas na mesma doutrina revelada, tal como na Sagrada Escritura, nas regras práticas que a experiência cristã formulou ao longo de seis séculos e nos conselhos da razão e da sabedoria humana que são válidos para toda a atividade espiritual e, portanto, para a oração.Apesar de tudo isso, a oração pessoal é fundamentalmente livre e a ordem só deve servir aqui para proteger essa liberdade. Quanto mais autêntica é a oração pessoal, menos podem ser ditadas normas sobre ela.Mas a oração deve brotar e desenvolver segundo o estado interior de cada pessoa, segundo as circunstâncias em que ela vive e segundo as suas experiências.Portanto, uma oração que em determinado período era aconselhável pode não ser em outro; assim como a mesma oração pode não ser apropriada para pessoas diferentes. Quando a oração não alcançou sua própria liberdade, ela se faz insegura, monótona e carente de vida. Daí a necessidade de educar a vida de oração para que ela seja espontânea e se apoie na interioridade pessoal do homem”.
Então, para crescer na vida de oração não é necessário ter excelentes técnicas ou ler grandes livros de mestres espirituais.
Trata-se, sobretudo, de aprender a ter uma oração cada vez mais autêntica, de proteger nosso espaço de liberdade interior para o encontro com Deus.
E como conseguimos fazer isso? Abrindo nosso coração para a liberdade de Deus. A oração é um cenário do encontro em que Deus se dá pra mim e eu o recebo.
Por isso, vale a pena se perguntar: “minha oração é um momento de busca a Deus ou de busca a mim mesma? Eu estou aberta para receber Deus toda vez que rezo?”
Neste caminho para encontrar nosso espaço de liberdade, podemos começar pela oração vocal ou pela mental. O importante é que a oração seja capaz de nos fazer meditar.
Depois, podemos fazer com que nossa oração seja recitada, cada vez mais, de dentro do coração. Uma oração que busque sua fonte e sua raiz no fundo do nosso ser, além do nosso espírito, de nossa vontade, de nossos afetos e das técnicas.
Através da oração que vem do coração, buscamos Deus ou as energias do Espírito nas profundezas de nosso ser. Deste modo, começaremos a contemplar.
E quando for difícil perseverar, quando você estiver em ponto morto, lembre que a oração é um dom. Não se desespere. Abra-se à graça e disponha-se para que algo aconteça.
Com certeza, esse ponto morto supõe uma sensação de deserto. E é precisamente no deserto que se tem sede.
Esse deserto nos obriga a buscar a fonte, aquela que está dentro de nós e que tinha um monte de pedras que não deixava a água escorrer.
Deixar-se levar pela água corrente da fonte, que é o Espírito Santo, fará que o impulso interior Dele brote em nós e nos arraste para a frente.
https://pt.aleteia.org/2018/11/19/ideias-que-mudaram-totalmente-a-minha-forma-de-rezar/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=weekly_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Escultura “Eu te absolvo” emociona devotos do Padre Pio

Confira as imagens dessa escultura comovente
Essa é uma das obra de arte produzidas pelo canadense Timothy P. Schmalz, o mesmo que fez a escultura “Jesus sem-teto”, presente do Papa Francisco à Arquidiocese do Rio de Janeiro.
O nome da escultura é “Eu te absolvo”, e retrata São Padre Pio e o verdadeiro poder do sacramento da confissão.











Leia também:
O artista
Por mais de 25 anos, Timothy tem esculpido esculturas em grande escala. Ele é um artista figurativo com suas peças instaladas em todo o mundo. Algumas de suas peças mais reputadas estão instaladas em igrejas históricas em Roma e no Vaticano.
Timóteo descreve seu trabalho mais importante como traduções visuais da Bíblia.
Embora a maior parte de seu trabalho seja baseada em um tema espiritual, ele também cria esculturas públicas grandes e complexas em bronze.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018
NUNCA TE APRESSES NAS TUAS ORAÇÕES

Jesus Cristo orou no horto por três vezes, dizendo: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice sem que o beba, mas faça-se a vossa vontade, e não a minha”. A oração de Jesus Cristo no horto foi muito breve; mas ainda que breve, ele a fez por três vezes, e cada vez por espaço de uma hora.
Atende a isto, alma apressada; tu que fazes muita oração, e tens pouco tempo de oração, ah! bem podes temer que sejam pecado, ou perdidas as tuas orações! Sobre o que deves saber, que a meditação é o fundamento, é a alma da oração; por isso quanto possa ser, não deve passar uma só palavra, que não seja acompanhada da meditação; se a tua oração assim fora feita, o teu coração se moveria, as tuas resoluções seriam fortes, os teus propósitos seriam firmes, os teus afetos para com Deus seriam grandes; finalmente, desprezarias o mundo com todas as suas vaidades, e de todo te entregarias a Deus: mas porque já fazes a oração há tantos anos, e ainda não tens colhido estes frutos, é sinal muito provável que não têm sido boas as tuas orações.
Portanto, nunca te apresses nas tuas orações; porque a pressa, diz um dos Santos Padres, é a peste da oração; e na verdade, onde há pressas, há sempre irreverências, faltas de atenção e de respeito. Todo aquele que se apressa nas suas orações, mostra claramente o pouco peso que dá às coisas santas; e ainda melhor mostra o que é, quando nas coisas do mundo é mais bem pronunciado e aperfeiçoado, do que nas conversas que tem com Deus na oração. E quanto há disto? Nas conversas do mundo muita atenção, muita gravidade e respeito; e vai-se a conversar com Deus na oração, já tudo são pressas, irreverências, faltas de atenção e de respeito, e muitas vezes sono; finalmente, tudo vai com fastio e aborrecimento!… E que significa tudo isto? É que já há muito pouca fé, ou não consideram com quem falam na oração, nem disso se lembram; não conhecem a Deus, nem formam a ideia que devem formar da sua grandeza e Majestade!…
Assim é, meus irmãos; reza-se muito mal, muito mal!! As orações vão quase todas perdidas por não serem feitas como devem ser; se todos fizessem boas orações, elas eram despachadas, a vida reformava-se, e todos seriam Santos. Ora pois, daqui por diante fazei as vossas orações o melhor que puderdes; ide considerando no que fordes rezando, para desta sorte serem ouvidas, e despachadas por Deus.
Texto retirado da Obra “Missão Abreviada”, do Padre Manoel José Gonçalves Couto
COMO DEVEM SER NOSSAS ORAÇÕES – ENSINA-NOS SÃO TOMÁS
As cinco qualidades requeridas para todas as orações
A Oração Dominical, entre todas, é a oração por excelência, pois possui as cinco qualidades requeridas para qualquer oração. A oração deve ser: confiante, reta, ordenada, devota e humilde.
Em primeiro lugar, a oração deve ser confiante.
Como São Paulo escreve aos Hebreus (4, 16): “Aproximemo-nos com confiança do trono da graça, a fim de alcançar a misericórdia e achar graça para sermos socorridos no tempo oportuno”.
A oração deve ser feita com fé e sem hesitação, segundo São Tiago (Tg 1,6): “Se algum de vós necessita de
sabedoria, peça-a a Deus… Mas peça-a com fé e sem hesitação”.
Por diversas razões, o Pai Nosso é a mais segura e confiante das orações. A Oração Dominical é obra de nosso advogado, do mais sábio dos pedintes, do possuidor de todos os tesouros de sabedoria (cf. Cl 2, 3), daquele de quem diz São João (I, 2, 1): Temos um advogado junto ao pai: Jesus Cristo, o Justo. São Cipriano escreveu em seu Tratado da Oração Dominical: “Já que temos o Cristo como advogado junto ao Pai, por nossos pecados, em nossos pedidos de perdão, por nossas faltas, apresentemos em nosso favor, as palavras de nosso advogado”.
A Oração Dominical parece-nos também que deve ser a mais ouvida porque aquele que com o Pai a escuta é o mesmo que no-la ensinou; como afirma o Salmo 90 (15): “Ele clamará por mim e eu o escutarei”. “É rezar uma prece amiga, familiar e piedosa dirigir-se ao Senhor com suas próprias palavras”, diz São Cipriano. Nunca se deixa de tirar algum fruto desta oração que, segundo Santo Agostinho, apaga os pecados veniais.
Em segundo lugar, nossa oração deve ser reta.
Quer dizer, devemos pedir a Deus os bens que nos sejam convenientes. “A oração é o pedido a Deus dos dons que convém pedir”, diz São João Damasceno.
Muitas vezes, a oração não é ouvida por termos implorado bens que verdadeiramente não nos convêm. “Pediste e não recebeste, porque pediste mal”, diz São Tiago (4,3).
É tão difícil saber com certeza o que devemos pedir, como saber o que devemos desejar. O Apóstolo reconhece, quando escreve aos Romanos (8, 26): “Não sabemos pedir como convém, mas (acrescenta), o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis”.
Mas não é o Cristo que é nosso doutor? Não foi ele que nos ensinou o que devemos pedir, quando seus discípulos disseram: Senhor, ensinai-nos a rezar? (Lc 11, 1).
Os bens que ele nos ensina a pedir, na oração, são os mais convenientes. “Se rezamos de maneira conveniente e justa, diz Santo Agostinho, quaisquer que sejam os termos que empregamos, não diremos nada mais do que o que está contido na Oração Dominical”.
Em terceiro lugar, a oração deve ser ordenada.
A oração deve ser ordenada como o próprio desejo que a prece interpreta. A ordem conveniente consiste em preferirmos, em nossos desejos e preces, os bens espirituais do que os bens materiais, as realidades celestes do que realidades terrenas, de acordo com a recomendação do Senhor (Mt, 6,33): “Procurai primeiro o reino de Deus e sua justiça e o resto — o comer, o beber e o vestir — ser-vos-á dado por acréscimo”.
Na Oração Dominical, o Senhor nos ensina a observar esta ordem: primeiro pedimos as realidades celestes e em seguida os bens terrestres.
Em quarto lugar, a oração deve ser devota.
A excelência da devoção torna o sacrifício da oração agradável a Deus. Em vosso nome, Senhor, elevarei minhas mãos, diz o Salmista, e minha alma é saciada como de fino manjar.
A prolixidade da oração, no mais das vezes, enfraquece a devoção; também o Senhor nos ensina a evitar essa prolixidade supérflua: “Em vossas orações não multipliqueis as palavras; como fazem os pagãos” (Mt 6,7). Santo Agostinho recomenda, escrevendo a Proba: “Tirai da oração a abundância de palavras; no entanto não deixeis de suplicar, se vossa atenção continua fervorosa”.
Esta é a razão pela qual o Senhor instituiu a breve oração do Pai Nosso.
A devoção provém da caridade, que é o amor de Deus e do próximo. O Pai Nosso é uma manifestação destes dois amores.
Para mostrar nosso amor a Deus, o chamamos «Pai» e para mostrar nosso amor ao próximo, pedimos por todos os homens justos, dizendo: «Pai nosso», e empurrados pelo mesmo amor, acrescentamos: «perdoai as nossas dívidas».
Em quinto lugar, nossa oração deve ser humilde.
Segundo o que diz o Salmista (Sl 101, 18): “Deus olhou para a prece dos humildes”.
Uma oração humilde é uma oração que certamente será ouvida, como nos mostra o Senhor, no evangelho do Fariseu e do Publicano (Lc 18, 9-15) e Judite, rogando ao Senhor, dizia: “Vós sempre tivestes por agradável a súplica dos humildes dos mansos”.
Esta humildade está presente na Oração Dominical, pois a verdadeira humildade está naquele que não confia em suas próprias forças, mas tudo espera do poder divino.
(Dos Sermões de São Tomás de Aquino)
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
Você sofre de ansiedade? Então veja este conselho de São Francisco de Sales

São Francisco de Sales acredita que, com a única exceção do pecado, a ansiedade é o maior mal que pode acometer uma alma
Às vezes, a gente não consegue evitar: a ansiedade se instala em nós. Pode ser uma ansiedade passageira causada por muito trabalho a fazer e pouco prazo. Mas pode ser também algo mais sério, que exige avaliação e assistência profissionais.
Entretanto, seja qual for o tipo de ansiedade que possamos estar vivenciando, é consolador saber que até os santos se sentem (ou se sentiram) ansiosos.
Veja o que São Francisco de Sales recomenda para evitar a ansiedade e encontrar a paz.
Não subestime o problema
São Francisco de Sales acredita que, com a única exceção do pecado, a ansiedade é o maior mal que pode acometer uma alma.
Você provavelmente já sabe que a ansiedade é um problema, mas você pode pensar que Deus não está interessado nisso, porque Ele se importa mais com o fato de você evangelizar, fazer o seu dever e orar. Afinal, você não deveria estar se preocupando com os outros, mas com você mesmo, né?
Não, São Francisco não concordaria com isso. Nem Deus.
Nosso Senhor ordenou que amássemos aos outros como amamos a nós mesmos. Quando você está ansioso, amar a si próprio significa fazer o que for possível para remediar a ansiedade. Não significa ignorá-la, na crença equivocada de que Deus se importa pouco com isso. Ele quer que tenhamos alegria em fazer a Sua vontade.
São Francisco de Sales escreve:
“Se nosso coração está perturbado internamente, ele perde tanto a força necessária para manter as virtudes adquiridas quanto os meios para resistir às tentações do inimigo.”
Entendendo a causa da ansiedade
Para São Francisco de Sales, a raiz da ansiedade é “um desejo desordenado de se libertar de um mal presente ou de adquirir um bem esperado”.
Em outras palavras, a ansiedade surge quando desejamos muito alguma coisa. Nossos desejos são bons, mas às vezes podem ser fortes demais, o que causa ansiedade. Este ponto é crucial, pois torna a ansiedade algo sobre o qual podemos ter algum controle, embora nem sempre a gente se sinta forte para isso.
Buscando a paz interior
São Francisco de Sales diz que, quando você começa a reconhecer que seu coração está ansioso, “ouça-o antes de fazer qualquer outra coisa e traga-o silenciosamente de volta à presença de Deus, submetendo todos os seus afetos e desejos à obediência e direção da vontade divina”.
Trazer seu coração para a presença de Deus não é uma fórmula mágica, é claro. Mas, se seguirmos estes quatro passos, a ansiedade diminuirá gradualmente.
1. Peça a ajuda de Deus;
2. “Resolva não fazer nada que seu desejo insista até que sua mente recupere a paz, a menos que seja algo que não possa ser adiado”;
3. “Você deve humildemente e calmamente tentar verificar a corrente de seus desejos”. Aceite-os como eles são e os avalie;
4. “Se você puder revelar a causa de sua ansiedade ao seu diretor espiritual, ou pelo menos a algum amigo fiel e devoto, pode ter certeza de que encontrará rapidamente o alívio.”
https://pt.aleteia.org/2018/11/13/voce-sofre-de-ansiedade-entao-veja-este-conselho-de-sao-francisco-de-sales/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt
sábado, 10 de novembro de 2018
Lar onde Deus deve Habitar

O lar é o ambiente sagrado da vida, morada, aconchego, ambiente sagrado. Lar da convivência, do acolhimento dos pais e filhos. Lar da partilha, do encontro de amigos familiares e amigos íntimos. Lar do apoio mútuo, do amor fraterno, do perdão. Lar, ambiente sagrado da oração familiar; onde Deus também habita; e derrama todas as bênçãos sobre todos, esse deve ser o nosso lar.
O lar é se assim o desejarmos um ambiente sagrado da oração familiar e, em quantos lugares é também cenáculo de oração, círculos Bíblicos, de planeamento e compromissos evangelizadores.Ambiente sagrado onde brota vida , alegria e esperanças, esperamos que volte a ser um dia o do morrer.
A bênção do lar hoje em dia é muito importante, e necessária, e faz parte da tradição católica, benzê-lo ao menos uma vez por ano. A bênção do lar é um sacramental, é bom que seja presidida por um sacerdote ou diácono. Na possibilidade de nossos ministros sagrados, a família pode convidar um leigo actuante na Igreja ou o próprio Pai de família presidir as orações com a fé e o amor conjugal. A ele caberá fazer as orações e aspergir a água benta. A água benta deve ser benta pelo sacerdote ou diácono.
A água benta é um poderoso sacramental, fonte de bens espirituais, que perdoa os pecados veniais, juntamente com as orações a ela conjugadas. A igreja recomenda encarecidamente a seus filhos o uso da água benta, especialmente quando nos ameaça algum perigo; todo os lugares católicos deveriam ter sempre a agua benta disponível. A água benta tem seu grande poder e eficácia em virtude das orações da Igreja que seu Divino Fundador sempre aceita com prontidão e complacência.
Estas orações se sobem ao céu cada vez que se toma água benta com a mão e aspergir sobre si mesmo, sobre os outros e as bênçãos de Deus descem sobre o corpo e alma.
O demónio, como disse Santa Teresa, odeia a água benta por este poder especial que tem sobre ele. Não podendo permanecer muito tempo perto das pessoa rodeadas com água benta.
A Igreja usa a água benta também para alivio das benditas almas do purgatório. Uma só gota lhes proporcionam grande alivio, podendo em alguns casos abrir-lhes as portas do céu, aquelas que estão para ir para a vida eterna.
A água benta por que é um sacramental da Igreja, perdoa os pecados veniais. Guardando pura a nossa alma, fazendo devotadamente o sinal da cruz, e dizendo a oração recomendada pela igreja: ”Oh Senhor faz que esta água benta nos dê saúde e vida!”
Bênção da Casa:
D. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
T. Amén.
D. O Senhor esteja convosco.
T. Ele está no meio de nós.
D. A paz esteja nesta casa.
T. E com todos os seus moradores.
D. Oremos.
A vós, Deus, Pai todo-poderoso, rogamos por esta casa, por todos os seus moradores e seus pertences, para que vos digneis abençoá-la, santificá-la e aumentá-la de todos os bens. Dai-lhes, Senhor, a abundância oriunda das chuvas do céu e os alimentos produzidos pela força da terra e levai a efeito, em vossa misericórdia, os seus desejos e votos. Dignai-vos abençoar e santificar esta casa, assim como abençoastes e santificastes a casa de Abraão, de Isaac e de Jacó, e entre as suas paredes habitem os anjos da vossa luz, para guardar esta casa e os seus moradores. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.
(aspersão da casa com água benta enquanto reza-se Pai Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)
D. Fiquemos em Paz e que o Senhor nos acompanhe.
T. Graças a Deus!
https://salubong.net/lar-onde-deus-deve-habitar/
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