Dos Tratados sobre João, de Santo Agostinho, bispo
(Tract. 26,4-6: CCL 36,261-263)
(Séc. V)
Eis que eu salvarei meu povo
Ninguém vem a mim a não ser que o Pai o atraia (Jo 6,44). Não penses ser atraído contra a vontade. A alma humana é atraída também pelo amor. Nem devemos temer que os homens que pesam as palavras e que estão muito longe da compreensão das coisas divinas nos venham talvez censurar por causa desta palavra evangélica da Escritura, e nos dizer: "Como é que creio por livre vontade, se sou atraído? Respondo eu: "Por livre vontade é pouco; és atraído também pelo prazer".
Que significa ser atraído pelo prazer? Busca tuas delícias no Senhor e ele atenderá aos pedidos de teu coração (Sl 36,4). Há um gozo do coração, seu pão delicioso é o celeste. Contudo se foi possível ao poeta dizer: "Cada um se deixa atrair por seu prazer , não pelo constrangimento, mas pelo prazer, não por obrigação, mas pelo deleite, com quanto mais força temos de dizer que o homem é atraído para Cristo. O homem que se deleita com a verdade, se deleita com a felicidade, se deleita com a justiça, se deleita com a vida sempiterna, com tudo isso que é Cristo.
Se têm os sentidos do corpo sua satisfação, estará o espírito privado de suas alegrias? Se o espírito não conhece delícias, como se disse então: Os filhos dos homens abrigam-se à sombra de tuas asas, inebriam-se com as riquezas de tua casa e tu lhes darás de beber da torrente de tuas delícias, porque em ti está a fonte da vida e à tua luz veremos a luz? (Sl 35,8-10)
Apresenta-me alguém que ame e entenderá o que falo. Mostra um desejoso, um faminto, um sedento peregrino deste deserto que suspira pela fonte da pátria eterna, mostra alguém assim e saberá de que falo. Se, porém, falo a um indiferente, não compreenderá o que digo.
Estendes um ramo verde a uma ovelha e a atrais. Mostram-se nozes a um menino, e é atraído. E corre para onde é atraído, amando, é atraído, é atraído sem violência corporal, é atraído pelo laço do coração. Se, entre as delícias e prazeres terrenos, aqueles que se apresentam aos seus apaixonados exercem forte atração sobre eles, pois é bem verdade que "cada um se deixa atrair por seu prazer , não atrairá o Cristo revelado pelo Pai? Que deseja a alma com mais veemência do que a verdade? Por isso, deve-se ter uma boca faminta. Para que deseja ele ter um paladar espiritual são, senão para discernir as coisas verdadeiras, para comer e beber a sabedoria, a justiça, a verdade, a eternidade?
Diz o Senhor: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, cá na terra, porque serão saciados (Mt 5,6), lá no céu. Eu lhe entregarei o que ama, entregarei o que espera. Verá aquilo em que acreditou ainda sem ver. Comerá aquilo de que tem fome, será saciado por aquilo de que tem sede. Quando? Na ressurreição dos mortos porque eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6,54).
Trata-se de uma história real que me foi contada por um dos protagonistas. Aconteceu num acampamento, onde alguns estudantes universitários faziam o serviço militar durante as férias. Um deles, que nunca tinha praticado equitação decidiu arriscar-se e tentar. O cavalo escolhido, mal ele se encarapitou em cima da sela – sem dúvida o animal percebeu que carregava um “intruso” – desembestou sem rumo fixo.
Na correria desgovernada, o cavalo com cavaleiro abraçado a seu pescoço, passou por um grupo de jovens oficiais que, morrendo de rir, perguntaram: “Aonde está indo com tanta pressa?” A resposta ofegante do mau cavaleiro foi: “Eu ia para tal lugar, mas não sei para onde é que este cavalo está me levando”.
Pense que – se não levarmos muito a sério a formação cristã e a vida espiritual – a nossa vida pode vir a ser como um cavalo desgovernado, que nos conduz aonde não sabemos e nos atira aonde não queremos.
Adaptação de um trecho do livro O espelho dos Salmos
Algumas pessoas podem, sem dúvida, ter o dom espontâneo da oração meditativa. Hoje em dia, isso é raro. A maior parte dos homens tem de aprender como meditar. Existem maneiras de meditar. Não devemos, entretanto, esperar encontrar métodos mágicos, sistemas que façam todas as dificuldades e obstáculos se dissolverem no ar. A meditação é, por vezes, muito difícil. Se sustentarmos com coragem as durezas na oração e esperarmos pacientemente a hora da graça, bem poderemos descobrir que a meditação e a oração são experiências que nos trazem grande alegria. Não devemos, porém, julgar o valor de nossa meditação partindo de “como nos sentimos”. Uma oração dura e aparentemente infrutífera pode, de fato, ter muito mais valor do que outra mais fácil, feliz, iluminada e que pareça bem-sucedida.
São Josemaria acabava de celebrar a Santa Missa no Centro de Estudos Universitários do Sumaré. Como de outras vezes, ficou ajoelhado num genuflexório, do lado esquerdo do presbitério, para fazer a ação de graças. Após alguns segundos de silêncio, sua oração pessoal começou a fluir em voz alta:
– «Temos de confessar o nosso nada. Senhor, eu não posso, não valho, não sei, não tenho, não sou nada. Mas Tu és tudo, e eu sou teu filho e teu irmão».
Sentia-se um pobre carente de tudo, mas um pobre agasalhado por aquele Amor generoso – Deus – que derrama em nós, por pura misericórdia, as riquezas espirituais da Comunhão dos Santos, o tesouro dos méritos e orações de Cristo e dos santos, que Ele põe à nossa disposição. E, por isso, continuava a dizer:
– «Mas posso tomar, Jesus, os teus méritos infinitos, os merecimentos de tua Mãe e os do Patriarca São José, meu Pai e Senhor; e as virtudes dos santos, e o ouro os meus filhos…»
“O ouro”… Queria apoiar-se nas virtudes dos seus filhos no Opus Dei, com as quais sentia-se rico e forte. E as dele? E ele? Nada reconhecia de bom em si? Algo via, sim, mas perecia-lhe tão pouco…:
– …«e as pequenas luzes que brilham na noite da minha vida, pela misericórdia infinita de Deus e a minha pouca correspondência».
Bem convencido disso, acrescentava, falando em linha direta com Jesus:
– «Aumenta-nos a fé, a esperança e o amor. Porque temos de viver de amor, e só Tu nos podes dar essas virtudes».
E concluía com um ato de humilde e candente confiança:
– «Senhor, ainda que a minha pobre vida seja tão miserável como a do filho pródigo…, eu volto, voltarei sempre, Senhor, porque te amo! Não me abandones!».
cf. livro de F. Faus São Joemaria Escrivá no Brasil
Está feliz? Triste? Sentindo medo? A Bíblia tem uma mensagem (e uma resposta) para as mais diversas situações da nossa vida
Existem várias formas de se ler a Bíblia. Pode ser do início ao fim, escolhendo determinado livros primeiro para depois acompanhar uma outra sequência. O importante é ler as Sagradas Escrituras todos os dias e ter em mente que a finalidade dos textos é anunciar Jesus e dar testemunho de sua pessoa.
Na Bíblia encontramos palavras que nos encorajam nos momentos de fraqueza, que nos fortalecem nas provações e que renovam a nossa esperança.
Selecionamos algumas situações e em quais leituras poderemos encontrar consolo para nossos corações:
Osso duro de roer, esse homem de Deus não era nada fácil!
Ele é conhecido como um dos santos mais irritadiços de toda a história do cristianismo!
O próprio São Jerônimo admitia as suas intolerâncias. Falava o que pensava e não usava meios termos, como numa carta em que escreveu que “aquele que não ama os mandamentos de Cristo é mais que um inimigo de Cristo: é o anticristo“!
Foram muitas as vezes em que se viu às voltas com sérios problemas por causa dos seus modos, digamos, explosivos. Na verdade, ele era grosso mesmo.
Mas Jerônimo, coitado, era bem consciente das suas limitações e levou uma vida de penitência. A este propósito, conta-se de certo bispo que, ao ver uma pintura do santo batendo no peito com uma pedra, declarou:
“Fazes muito bem em golpear-te com essa pedra. Do contrário, a Igreja nunca te teria canonizado” (cf. Vidas dos Santos, de Alban Butler).
Mas quem era essa figuraça arrepiante?
No ano 382, o padre Jerônimo foi chamado pelo Papa Dâmaso para ser seu secretário particular. Ele era tremendo, mas também muitíssimo culto e inteligente. Em Roma, o bombástico padre recebeu a incumbência de traduzir a Bíblia, do grego e do hebraico, para o latim. A esse trabalho descomunal ele dedicou praticamente o resto da existência. Ironias da vida: um dos mais nervosos de todos os santos recebeu uma das missões que mais paciência e delicadeza poderiam exigir!
O conjunto final da sua tradução da Bíblia foi chamado, em latim, de “Vulgata”, e se tornou o texto bíblico oficial da Igreja católica no Concílo de Trento.
Em 1947, o Dia da Bíblia passou a ser celebrado em 30 de setembro, a data de falecimento do santo. Nada mau para um rabugento de dimensões bíblicas!
Atenção, você que já estava botando as manguinhas de fora!
Se identificou, não é mesmo? E já estava esfregando as mãos e dizendo para os seus botões que agora tinha uma bela justificativa para a sua própria fúria! Pois pode ir tirando o cavalinho da chuva.
São Jerônimo tinha, sim, um temperamento que ninguém merece, mas espere aí: nada de usar isso como desculpa esfarrapada para sair gritando com as pessoas que caminham lerdamente pelas calçadas ou para explodir com a sua família quando algo não sai do jeito que sua excelência desejava!
Sua excelência até pode estar em boa companhia nessa fúria nervosa, mas não se esqueça de que a santidade de São Jerônimo (e de vários outros grandes ranzinzas dos altares) se deveu justamente ao enorme e sincero esforço que ele fez para controlar os seus instintos furibundos por amor a Deus e ao próximo.
Ele e todos os outros santos irados e furiosos lutaram com confiança e fé para superar os seus impulsos ferozes, sabendo que a alegria da misericórdia de Deus é muito maior do que os nossos pecados. Ou seja: trate de continuar na luta para se controlar, ok?
Diz a Bíblia
A Bíblia (aquela mesma que o próprio São Jerônimo ajudou a traduzir) nos afirma claramente:
“Um homem sábio sabe conter a sua cólera e tem por honra passar por cima de uma ofensa” (Provérbios 19,11).
“Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo” (Filipenses 2,14-15).
Além de buscar auxílio na Bíblia para dominar aquela fervura que faz sair fumaça das suas ventas, aproveite para pedir uma ajudinha de quem já lidou com esse desafio e venceu: “São Jerônimo, rogai por nós!”
Calma que tem mais!
Não é justo dizer apenas que São Jerônimo tinha um gênio do cão e conseguiu lutar bravamente para se domesticar. Ele era muito mais do que isso. E pasme: embora tivesse tanta tendência a ser um troglodita, São Jerônimo era um homem à frente do seu tempo em vários aspectos. E é agora que você vai gostar dele mais ainda do que já estava gostando!
Instruindo mulheres
Para começar, São Jerônimo dava instrução de alto nível para mulheres. Além de ser diretor espiritual (e dos bem exigentes), ele também lhes dava aulas nada menos que de grego, hebraico, latim e teologia. Várias das mulheres a quem ele orientava foram declaradas santas. Que tal?
Sempre aparece neste momento o mente suja que vai achar que São Jerônimo se aproveitava dessas mulheres, mas outra coisa que o tornou famoso, inclusive entre as muitas pessoas que não queriam vê-lo nem pintado de ouro, era a sua grande honestidade. E, em especial no respeito à dignidade sexual dele mesmo e das outras pessoas, o santo irado exercia um grande autodomínio. Aliás, ele chegava a andar por aí com a tal pedra que, lá no alto deste artigo, já dissemos que um Papa achou coisa boa que ele usasse para bater no próprio peito quando as coisas queriam sair de controle. Informação adicional: quando a tentação batia forte, São Jerônimo tinha um truque tiro-e-queda para se distrair: começava a estudar hebraico (!)
Acolhendo peregrinos e refugiados
Além de cavalheiresco e respeitoso com a mulherada, São Jerônimo foi exemplarmente solidário com os necessitados – inclusive com os refugiados.
Em dado momento da vida, ele tinha se mudado para Belém, na Terra Santa, onde abriu uma escola e uma casa para os peregrinos. Segundo um depoimento de Santa Paula, uma das mulheres a quem ele orientava, aquela casa devia ser sempre regida com tamanho esmero que “se Maria e José visitassem Belém de novo, teriam lá um lugar digno para ficar“.
Quando Roma foi invadida e saqueada por hordas bárbaras, uma grande onda de refugiados da Europa se dirigiu à Terra Santa (ironia chocante para quem vê os noticiários de hoje em dia, confesse!). Nesse contexto, São Jerônimo declarou:
“Interrompi o comentário que estou escrevendo sobre o livro de Ezequiel, bem como quase todos os meus estudos. Hoje devemos traduzir os mandamentos das Escrituras em fatos: em vez de dizer palavras sagradas, devemos colocá-las em prática”.
E se dedicou a ajudar e acolher os refugiados, conforme Cristo nos ordenou quando instituiu as obras de misericórdia.
O "santo nervosão" tem muito a ensinar para quem tem o pavio curto
Quando estou chateado, sinto nos meus dentes. Eu mordo, meu batimento cardíaco fica acelerado e minha pressão arterial dispara. Eu nunca tive um médico para verificar meus sinais vitais durante uma tensa discussão, mas tenho certeza de que é isso que acontece fisicamente comigo.
Eu sinto isso no aperto da minha mandíbula. Eu até acho que a pele ao redor dos meus olhos fica estranha por causa do conjunto dos meus músculos faciais. As pessoas que estão atentas provavelmente podem ler minhas emoções como um livro aberto, porque meu desconforto é grande e reflete na minha testa enrugada.
Estudos mostram que, quando estamos no meio de uma discussão, há muitos efeitos colaterais físicos. A raiva se espalha pelo nosso corpo e o estresse emocional ataca todos os sistemas físicos que temos. É típico o aumento da frequência cardíaca e da pressão sanguínea, mas há outros efeitos, como a respiração rápida e superficial devido ao aperto no peito. O próprio cérebro não funciona bem porque, quando nos sentimos ameaçados, ele libera um hormônio chamado cortisol, que induz ainda mais estresse, preparando-nos para uma luta intensa.
Esses fatores físicos criam um loop de feedback. A briga provoca raiva, que causa uma reação física que, por sua vez, nos deixa desconfortáveis, menos racionais e incapazes de resolver a situação. Penso que é por isso que, durante as discussões, falamos coisas sem pensar. Olhando para trás, me pergunto por que um certo ponto de discórdia era tão importante para mim quando, na verdade, nem me importo com ele? O problema é que não conseguimos enxergar isso durante uma discussão, pois, nesses momentos, somos incapazes de gerenciar nossas reações emocionais e físicas.
São Jerônimo sabia bem disso. Ele é um santo famoso por ter sido briguento. Sabendo que a raiva o estava afetando, ele decidiu viver sozinho no deserto por dois anos e recuperar um pouco de calma. A experiência não foi totalmente bem-sucedida. Quando retornou à vida ativa, sua pregação permaneceu muito aguçada. Ele substituía padres, monges e outros teólogos no púlpito – e não media as palavras contra ninguém. Ele foi criticado por suas opiniões, hipocrisia e até pelo jeito que sorria. Fez tantos inimigos que teve que deixar a cidade para sempre.
Jerônimo provavelmente não era uma pessoa mais agradável do que você ou eu, mas ele nunca fez as pazes com sua natureza briguenta – dizia-se que ele se batia com uma pedra para tentar se acalmar – e pensava muito na natureza da raiva, que, segundo ele, é a porta pela qual todos os outros vícios nos alcançam. Quando estamos com raiva, agimos de maneira que nunca agiríamos quando estamos calmos. Começamos a fofocar, trocar insultos e mentir. Perdemos nossa paciência, empatia e bondade. O orgulho e o egoísmo tomam conta de nós.
No entanto, desacordos vão sempre acontecer. E algumas lições a vida de São Jerônimo nos ensinam como manter a calma durante uma discussão:
1
DAR UM TEMPO
Ganhar uma discussão a todo custo não vale o dano emocional que isso provoca. A raiva persistente que resulta de uma briga não faz bem a ninguém. Jerônimo pode ter lutado contra sua incapacidade de manter a calma durante as discussões, mas ele tinha um bom plano para tentar superar isso. Quando ele estava no meio de uma discussão insustentável e sabia que havia perdido a calma, ele parava para descansar (lembra que ele foi para o deserto por causa disso?). Uma conversa sempre pode ser retomada posteriormente, com a cabeça mais fria.
2
OUVIR E FOCAR
As brigas ficam fora de controle quando, na verdade, só focamos no outro. Quando estamos simplesmente tentando provar que a outra pessoa está errada e forçar uma rendição, ela rapidamente percebe isso e retribui da mesma forma. As palavras esquentam e os insultos surgem a todo momento. Uma das grandes virtudes de Jerônimo era que ele se envolvia e pensava no que a outra pessoa estava tentando dizer em detalhes. Ele interagia bastante com seus adversários. À medida em que ele fazia isso, percebia que estava no caminho certo.
3
AUTOACUSAÇÃO
Jerônimo reconhecia que ele era o problema. Mesmo quando sua opinião estava correta, ele entendia – quando estava mais calmo – que seu método de comunicação não era eficaz. Ele achava que isso era uma grande falha pessoal, e é por isso que ele administraria a autopenitência ao se bater com uma pedra. Eu não recomendo seguir o exemplo dele de autoagressão, mas ele estava no caminho certo quando decidia se examinar primeiro.
Quatro hábitos para mantê-lo espiritualmente são e salvo
Quão boa é a sua memória? À medida que as pessoas envelhecem, elas podem se lembrar de sua música favorita no Ensino Médio ou da melodia alegre de um comercial de décadas atrás, mas não conseguem se lembrar do que comeram no café da manhã de ontem.
Agora vamos fazer uma pergunta mais difícil: quão boa é a sua memória quando você está sob estresse? Isso pode ser uma questão de vida ou morte. As pessoas que trabalham em áreas ondeerrosignificadesastre – por exemplo, pilotos de linhas aéreas, soldados, bombeiros, médicos – todos concordam: as pessoas não se erguem nessas ocasiões, elas caem no nível de seu treinamento. Nos momentos de crise, as pessoas fazem aquilo que treinaram muito.
Como esse fato pode ser aproveitado quando nos encontramos em tempos de desespero, tentação ou até escuridão espiritual?
Gostaria de recomendar quatro palavras para os momentos difíceis. Trata-se de palavras fáceis de ser compreendidas e usadas. Elas podem se tornar uma parte tão habitual de nós que podem nos guiar quando estivermos em tempos de sofrimento e perigo espiritual.
As quatro palavras são estas: prontidão, humildade, docilidade e generosidade.
PRONTIDÃO: William Shakespeare, em sua peça Ricardo III, falou de “vivacidade de espírito” (do latimalacer), que é uma disposição alegre. Diferente de uma cautela ou proteção orientada para a autopreservação, a prontidão é um alerta orientado a atender às necessidades dos outros ou atender ao chamado do dever do momento. E esse estado de alerta é mantido de bom grado, e não de má vontade ou ressentimento.
HUMILDADE: A prontidão é complementada pela humildade, que é realmente um tipo de veracidade, um hábito de dizer a verdade a respeito da superabundância de Deus e de nossa própria pobreza. Deus é todo bom, santo, sábio e amoroso – e nós não somos. Deus é totalmente autossuficiente – e nós não somos. Deus é sempre alegre e pleno – e nós não somos. O secularismo nos diz que não precisamos de Deus, e Satanás nos diz que podemos nos tornar semelhantes a Deus; já a humildade nos diz a verdade, uma verdade dolorosa que pode nos poupar muito dano e nos preparar para ainda mais.
DOCILIDADE: A humildade nos prepara para a docilidade de aprender. À luz da plenitude de Deus e do nosso próprio vazio, como não podemos estar ansiosos para aprender? Se nos acorrentarmos, como poderemos acolher a verdade que nos libertará?
GENEROSIDADE: A docilidade nos leva à alegria da generosidade (do latim:Do ut des– “Eu dou para que você possa dar”). Santo Inácio de Loyola nos ensina que aqueles que amam se alegram em trocar presentes, em dar o que têm às pessoas queridas.
Quando Deus nos dá um presente, ele também nos dá o dom de poder dar um presente. Ele nos dá o dom de nos tornarmos “presenteadores” também, imitando-o. Assim compreendida, a generosidade se torna uma oportunidade privilegiada de compartilhar o prazer de amar como Deus ama.
Qual é a moral dessa história? Simplesmente isto: com a graça de Deus, podemos nos treinar para sermos providentes, verdadeiros, sábios e generosos, imitando a Deus. Quando estamos abatidos, desesperados ou sob tentação, lembrar dessas quatro palavras – prontidão, humildade, docilidade, generosidade – pode ajudar-nos a encontrar luz.
Depois de 20 anos, 'Catholics Come Home' continua a inspirar católicos afastados a abraçar sua fé
Nos últimos 20 anos, o apostolado Catholics Come Home tem respondido ao chamado de João Paulo II por uma “nova evangelização”, realizando comerciais de TV inspiradores que convidam católicos inativos a voltar para casa.
De acordo com um artigo doNational Catholic Register, “com anos de experiência anterior em mídia profissional e publicidade, o fundador da CCH, Tom Peterson, rezou: ‘Como o Senhor quer usar minha vida, meu Deus?’ Então ele produziu um programa de mídia para a Diocese de Phoenix, resultando em 92.000 pessoas que retornaram à Igreja.”
O que diferencia o programa de mídia de Peterson é sua qualidade e capacidade de retratar a Igreja Católica de uma maneira positiva.
Como o site explica: “Inspirados pelos apelos de nossos Santos Padres a uma nova evangelização, o Catholics Come Homedirige-se a católicos afastados usando comerciais de TV inspiradores e um site interativo. Sem pressão ou obrigação, oCatholics Come Home.orgoferece uma oportunidade de aprender a verdade sobre a fé católica em um ambiente amoroso e sem julgamento. Oferecemos muitos recursos que ajudam a aprender mais sobre o retorno à Igreja Católica. Voltar para casa nunca foi tão fácil!”
Os resultados dos esforços de Peterson falam por si.
O arcebispo Carlson, de St. Louis, observou: “somos abençoados com aproximadamente 37.000 almas que retornaram à fé (aumento da participação em missas em 8,3% no Advento de 2011).” O bispo Michael Sheridan, de Colorado Springs, declarou que “esta campanha na televisão teve um impacto significativo em centenas de milhares de espectadores em nossa região.”
Em Sacramento, o bispo Jaime Soto revelou que houve “um aumento de 15% na participação na missa (20.800 almas retornaram à Igreja)”.