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sábado, 8 de agosto de 2020

O que acontece quando o homem se torna pai?

OJCIEC Z SYNEM

Paternidade ativa: você não se torna um pai somente quando seu filho nasce. A paternidade se desenvolve ao longo da vida de um homem

Henri admite: ele soltou uma lágrima na frente do ultra-som que permitiu adivinhar a silhueta do seu menino. Desavergonhado, mas simplesmente humilde diante do grande mistério da vida, consciente de sua responsabilidade como pai a ponto de se torná-lo.

“Eu me preparei para ser pai no momento do casamento. Mas era mais um conceito, antes de minha esposa engravidar. O tempo de espera não representa para o homem todo o transtorno vivido pela mulher. Você apenas projeta a imagem que tem da criança que virá e do pai que gostaria de ser”.

O sentimento difuso de paternidade toma corpo no dia do nascimento, “diante da imensidão do encontro”. Mas ainda está tudo por fazer.

Para a mulher, a passagem é biológica, para o homem, é inevitavelmente mais complexa”, explica o Padre Denis Metzinger. “Ele tem que fazer uma dupla passagem: de homem para marido, depois de marido para pai.”

A descoberta da paternidade

Se a gravidez de uma mulher é suficiente para despertar esta paternidade “natural” em um homem, “descobrir-se como pai é a história de uma vida”, diz o Padre Alexis Leproux. Desde a infância e a adolescência, os meninos podem se imaginar como pais.

“E a idade adulta leva, através das responsabilidades assumidas e dos serviços realizados, ao desenvolvimento deste sentimento: sou capaz de servir à vida e protegê-la. E para transmiti-la”.

Quando a criança nasce, muitos pais jovens descobrem esta relação muito especial, que não só inclui questões de autoridade, valores, transmissão, mas acima de tudo um amor pleno.

“Estarei disposto a dar minha vida instantaneamente por cada um dos meus filhos, diz Jean-François, pai de seis filhos. Coloco este amor no centro da comunicação com meus filhos, ele ilumina tudo, suaviza tudo.”

Desde o início da relação, o jovem pai já é capaz de sentir, às vezes mais agudamente do que a mãe, que seu filho é um “outro”.

Alain, que tem três filhos, lembra-se da emoção inesperada que sentiu quando declarou seu primogênito na prefeitura: “Aqui está Mathilde, filha de…, neta de… O que era uma formalidade me fez perceber que minha filha não me pertencia, mas que ela fazia parte de nossa linhagem”.

Assim, para o Padre Alexis Leproux, “o amor paterno tem a especificidade de associar de forma muito atada o sentimento de intimidade e alteridade. Ser pai é reconhecer que seu filho ou filha é verdadeiramente diferente de você, é reconhecer ao mesmo tempo que este ser permanece irrevogavelmente ligado a você.

A paternidade é alimentada durante toda a vida de um homem

Profundamente enraizado neste amor especial, a paternidade não é automática. Ela se desenvolve ao longo da vida de um homem. Na verdade, é muito mais uma missão e um dom do que um sentimento, demasiado efêmero.

“Recebemos esta paternidade do caminho de nossa vida, conduzida pela Providência, que nos associa à obra criativa e redentora de Deus. É apropriado cultivar este dom que, se ele tem certas características espontâneas, também requer um longo aprendizado”, diz o Padre Alexis Leproux.

Para o Padre Denis Metzinger, “os pais precisam redescobrir um senso de gratuidade, humildade e paciência a fim de cumprir esta vocação”. E é no casal que o dom da paternidade – como o da maternidade – é cultivado.

O Padre Alexis Leproux afirma sem rodeios: “O principal processo de aprendizado do pai consiste em basear sua relação paterna no pacto conjugal. A segunda é renunciar a qualquer projeção ou expectativa de reciprocidade”.

A fim de fazer crescer esta paternidade sob o olhar de Deus, muitos pais participam nas peregrinações.

“Ao ouvir Cristo, ao olhar para ele, o pai da família descobre o Pai, ele vê o Pai. Isto esclarece nossa maneira de estar na presença de nossos filhos. Abençoado é o homem cujo pai é um adorador do Pai, de quem toda paternidade tira seu nome”, assegura o Padre Alexis Leproux.

O pai se encontra no olhar de sua esposa  

Para o Padre Alexis Leproux, “a porta mais bela da paternidade é o coração da esposa, que coloca a criança nos braços de seu pai. Ela o encoraja a falar, brincar e rezar com ele. Esta porta pode ser aberta de mil maneiras durante toda a infância”. A partir do intercâmbio entre mãe, pai e filho, a família cresce.

Fora do círculo familiar, o significado da paternidade tem uma dimensão universal. Sacerdotes, pessoas solteiras, professores, educadores… recebem “este dom que Deus dá ao homem para contribuir, por sua palavra e por sua ação, para despertar as pessoas para o que realmente são”.

O nascimento de uma criança é o evento por excelência da paternidade, mas o despertar das consciências e a educação para a liberdade são lugares muito profundos onde todo homem é chamado a vivê-lo”. 

Ariane Lecointre-Cloix 


https://pt.aleteia.org/cp1/2020/08/06/o-que-acontece-quando-o-homem-se-torna-pai/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Meu marido é viciado em pornografia, o que devo fazer?

 

A pornografia despreza o valor humano da sexualidade ordenada ao casamento, perverte os relacionamentos entre as pessoas, explora indivíduos, especialmente mulheres e crianças

Testemunho da mulher:

No início, eu não percebi que o comportamento do meu marido era era como um câncer que o invadiu, que o deixou física e espiritualmente doente a tal ponto de mudar toda a sua personalidade.

Quando pedi conselhos a um parente, disseram-me que eu estava exagerando, que era coisa de um homem adulto de trinta e oito anos e que nada estava errado. Na realidade, era algo totalmente destrutivo.

Seu mundo angustiante foi revelado para mim.

Ele negligenciou e não encerrou suas sessões na internet, o que me levou a entrar naquele mundo sombrio de aberrações tentando entender o que estava acontecendo.

Então eu descobri que ele não só consumia pornografia gratuita, mas havia diferentes modalidades, cobradas no cartão de crédito, isso apesar da família estar passando por dificuldades financeiras.

Seu problema começou a se tornar muito evidente em coisas que eu tenho vergonha de descrever. Coisas que me convenceram de que havia uma grande anormalidade no comportamento dele.

Eu o amo e quero ajudá-lo. Sugeri que ele aceitasse a ajuda de um profissional, mas, negando tudo, ele me disse para eu não me preocupar, que tudo mudaria para melhor. Eu gostaria de acreditar.

Mas não era esse o caso, pois se tratava de um problema que ele não conseguia escapar por conta própria e continuava no abismo. Metástases de sua doença maligna começaram a aparecer.

No início, ele continuava até altas horas da madrugada, trancado em um quarto da casa, em frente ao computador.

Chegou um momento em que, mesmo exaurido, ele ia para a cama, mas não adormecia, e então levantava para a mesma coisa, enquanto eu permanecia em vigília angustiada.

Ele passou a acordar cansado, parou de se exercitar e de conviver com a família, deixou de nos acompanhar nas caminhadas e foi mergulhando num profundo isolamento que refletia indiferença a tudo e a todos.

O câncer continuou a se espalhar, então abrangendo o horário de trabalho na empresa em que ele trabalhava. Ele começou a apresentar sérios problemas de desempenho devido à falta de concentração em suas atividades profissionais. Até que foi demitido, ficando deprimido e zangado.

Depois ele passou a pular de trabalho em trabalho, sempre procurando aquele que lhe permitisse viajar para ficar em hotéis ou fazer de casa.

Atualmente, ele está subempregado, não pode mais sustentar a família.

Meu marido é um homem triste e sem esperança. Sua autoestima, sua alegria, sua espontaneidade, sua confiança para tomar decisões e se relacionar: tantas qualidades de caráter que ele tinha foram arruinadas.

Meu casamento está despedaçado.

Palavra da terapeuta:

Aqueles que estrelam, produzem ou consomem pornografia estão violando o direito do corpo humano à privacidade em sua natureza masculina ou feminina, reduzindo-o a um objeto anônimo destinado à perversão.

O que está em jogo é a oferta para obter uma gratificação sensual que excita os instintos humanos fundamentais, o que leva a cometer atos contrários à natureza e à dignidade da pessoa.

Uma das consequências é uma séria perda da autoestima por assumir atitudes patológicas, que, não sendo reconhecidas, induz os envolvidos a se justificarem com “razões irracionais”.

Para o viciado em pornografia, ela é uma droga que requer cada vez mais doses, o que interfere diretamente no seu desenvolvimento psicológico e moral, fazendo com que perca o senso de bondade ou maldade de suas ações.

Ele está seriamente impedido de desenvolver laços profundos de verdadeira entrega e compromisso no autêntico amor humano, pois é um ser desintegrado.

A pornografia despreza o valor humano da sexualidade ordenada ao casamento, perverte os relacionamentos entre as pessoas, explora indivíduos, especialmente mulheres e crianças.

É um câncer que danifica a fibra da sociedade, enfraquecendo gradualmente as consciências que a aceitam.

A grande proliferação desse câncer se deve a um tipo de negócio em que os fins justificam os meios; trata-se de meios pervertidos que usam as pessoas, independentemente do dano que causam a elas.

Aqui está o negócio das máfias desse mal: obter despersonalização e produzir uma massa de consumo que toma decisões de baixa qualidade. Uma massa escravizada por poderes econômicos cujo egoísmo material é incapaz de medir a extensão do dano.


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terça-feira, 14 de julho de 2020

O médico que, com o terço em mãos, reza pelos pacientes

NESTOR RAMIREZ


No meio da pandemia, um exemplo de fé e solidariedade que nos enche de esperança

Em meio aos seus longos plantões, o médico anestesiologista Néstor Ramírez Arrieta aproveita qualquer oportunidade para rezar o Rosário, como foi “flagrado” em uma clínica na cidade de Cartagena, Colômbia.

“Ele, como muitos médicos, aguenta turnos intermináveis e uma pressão emocional muito forte que muitos de nós não seríamos capazes de resistir. Mesmo assim, em momentos curtos de descanso, tira seu rosário e se entrega à oração. Embora diferimos na maneira de adorar e orar, alguém dúvida que Deus ouve esta oração?”

Foi com essa legenda que o pastor evangélico Luis Alberto Gallego publicou nas redes sociais uma foto do doutor Ramírez. A publicação foi compartilhada e comentada por milhares de pessoas.

 “Não tenho dúvida: Deus ouve nossas orações, o que ele mais gosta é curar os enfermos e eu sou testemunho da sua presença diariamente. Ele age através das minha mãos, peço que Ele utilize meu ministério de cura, ainda mais agora que atravessamos uma situação tão difícil”, disse Ramírez à Aleteia. Ramírez é um entre tantos profissionais que lutam para salvar vidas em um país em que a crise do sistema de saúde se agravou muito com a Covid-19.

A situação não é nada fácil porque os recursos hospitalares no país se mostram insuficientes e a pobreza obriga muitos de seus habitantes a sair de casa para conseguir o sustento da família, negligenciando, muitas vezes, as medidas de prevenção.

Médicos, enfermeiros e todos os profissionais da saúde são um grupo muito vulnerável, não só por causa dos riscos de contágio, mas também por causa das condições precárias de trabalho e pela incompreensão dos cidadãos que, frequentemente, chegam ao extremo de ameaçá-los de morte e agredi-los.

Consciente da situação, o Dr. Ramírez sai para trabalhar todos os dias na Cínica Madre Bernarda – da comunidade das Irmãs Franciscanas – com a tranquilidade de estar protegido pelas melhores armas: a oração, a Eucaristia, o Rosário, o Sangue de Cristo e os Sacramentais. Seus dias transcorrem entre tensões, lutas pela vida, pacientes recuperados e a oração permanente.

“Há alguns dias, tive que realizar uma traqueostomia em um paciente com Covid. Foi a segunda vez que senti um grande temor nesta pandemia, mas também uma enorme esperança. Depois de entrar por um labirinto, ser vestido por duas pessoas, colocar dois macacões, máscaras e luvas, fizemos o procedimento – um dos que têm mais riscos de contágio para a equipe médica. Se as pessoas tivessem a oportunidade de ver esses quadros, não saíram às ruas, não acelerariam a reabertura dos setores econômicos e teriam mais cuidado”, desabafou o médico.

Cada intervalo no turno de 24 horas e todo tempo de descanso entre as cirurgias são oportunidades de oração para o Dr. Ramírez. “Muitos pacientes, apesar da anestesia geral, têm manifestado que sentiram algo espiritual, uma sensação difícil de descrever. Quando eu os vejo vulneráveis, rezo por eles e eles sentem. É Deus agindo através das minhas mãos”, explica. 

Ele já foi testemunho de vários milagre em suas salas de cirurgia, como por exemplo, o caso de um bebê de quatro meses com malformação congênita no crânio. “É uma cirurgia pouco comum, em que os especialistas abrem o crânio e o paciente sangra muito. As únicas coisas que pude fazer antes da operação foram revisar um artigo sobre esse tipo de cirurgia e ir até o Santíssimo pedir que Deus tomasse o controle. O menino não sangrou, acordou e me deu um sorriso angelical. Naquela hora, soube mais uma vez que Deus tinha passado por aquele lugar”. 

O Rosário, companheiro fiel

A vida de Néstor Ramírez se divide em duas: antes e depois de conhecer Cristo. Seu caminhar espiritual há 18 anos lhe permite evangelizar enquanto aplica a ciência. Não tem sido fácil. A princípio, ele enfrentou piadas. Mas, pouco a pouco, seus companheiro de trabalho perceberam que ele é um homem de fé.

“Depois de uma crise familiar e uma vida mundana, tive a oportunidade de ver Deus, cara a cara comigo em um dia de solidão. Comecei a participar de grupos de oração, voltei à Eucaristia, comecei a estudar a vida da Vigem Maria e fui pegando amor no Rosário, companheiro fiel em minha vida profissional, o qual rezo várias vezes todos os dias”, assegura o médico.

“Apesar das dificuldades para exercer minha profissão, seguirei ajudando tantos enfermos que imploram misericórdia, porque eu trabalho para Deus, não para os homens”, conclui o Dr. Ramírez.


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sexta-feira, 22 de maio de 2020

Não vamos permitir que o vírus transforme vizinhos em inimigos

QUARANTINE

Mesmo quando nos sentimos preocupados, podemos fazer um esforço para tratar as pessoas ao nosso redor com compaixão

Para todos nós, viver uma pandemia é algo inédito. E isso nos traz as emoções que surgem perante experiências desconhecidas: medo, incerteza, agitação, nervosismo.

O fato de recebermos informações confusas – dependendo de quem você ouve e de quais decisões as autoridades estão tomando – também não nos ajuda a nos adaptar ao que está acontecendo.

Uma das consequências mais preocupantes para nós, no entanto, é que a desconfiança dos outros está se tornando um novo modo de vida.

Isso pode ser visto em muitas situações, e é importante observar nossa atitude ao enfrentar a realidade atual, para não cair na desumanização dos outros ou justificar o comportamento egoísta.

A que tipo de comportamento a desconfiança pode levar?

Egoísmo: diante do medo de uma escassez de necessidades básicas, nas primeiras semanas de confinamento, parecia que algumas pessoas estavam envolvidas em uma espécie de competição para garantir sua própria sobrevivência, comprando grandes quantidades de produtos essenciais, mesmo aqueles que eles já tinha em suas casas.

Embora, em princípio, seja saudável ter um instinto de sobrevivência, se não tomarmos cuidado, ele pode se transformar em uma atitude generalizada de egoísmo que não leva em conta as necessidades de outros. Se caímos nesse tipo de atitude egoísta, podemos tirar proveito da reabertura de mais negócios e atividades para reabrir nossos corações também.

Suspeita: podemos ver tudo e todos como uma ameaça. Encontrar um vizinho no elevador tornou-se uma experiência indesejável. Embora nosso instinto de autopreservação possa fazer seu trabalho e possamos tomar a precaução de manter distância e usar o elevador em turnos, não podemos permitir que essas medidas práticas nos levem a ver as pessoas ao nosso redor como um perigo. Elas não são inimigas a serem evitadas, mas pessoas de quem nós podemos cuidar tomando precauções.

Falta de empatia e violência verbal: todos nós vimos pessoas nas ruas, mesmo durante o lockdown, nos lugares onde houve. Geralmente, não sabemos por que elas estão lá: podem precisar sair por um motivo importante, como comprar alimentos ou remédios, trabalhar como cuidadores de idosos ou na área da saúde etc.

Mas algumas pessoas extrapolaram ao ponto de ofender quem estava na rua. Embora seja verdade que nem todos respeitaram as regras, recorrer a insultos não nos ajuda a manter o equilíbrio psicológico necessário para lidar com a pandemia da melhor maneira possível.

Desconfiança versus respeito

É importante lembrar que, tendo em vista as precauções que tomamos para impedir a propagação do vírus – e continuaremos a tomar em vários graus à medida que muitos locais reabrirem – não estamos agindo apenas em nosso próprio nome , mas em nome de todos.

Em vez de desconfiar de nossos vizinhos e pessoas ao nosso redor, é muito mais construtivo e saudável pensar na melhor maneira de amá-los nessas circunstâncias. Embora possa parecer uma pequena mudança de atitude, a maneira como reagimos será completamente diferente.

Quando nossas ações se baseiam na suspeita de que outras pessoas “possam me infectar”, é mais fácil para o nosso distanciamento social ser acompanhado por olhares desagradáveis, repulsa, egoísmo, desprezo etc.

Por outro lado, quando optamos por tomar medidas para “proteger a nós mesmos e aos outros”, nosso comportamento é mais calmo. Estamos mais dispostos a dar preferência aos outros, olhamos para os outros sob uma luz diferente e nos tratamos como pessoas que se cuidam.

A situação não é fácil e todos estamos em um processo de aprendizado contínuo, ainda em quarentena ou em transição para um “novo normal”.

Vale a pena, no entanto, revisar as atitudes que adotamos e por que as adotamos. Lembremos que o que realmente fornece estabilidade emocional e psicológica é colocar amor e respeito pelos outros e por si mesmo acima das emoções exageradas e às vezes irracionais que sentimos.


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sábado, 23 de março de 2019

O valor da honestidade

STUDYING

A honestidade tornou-se um requisito desejado e desejável em todas as áreas vitais

À primeira vista, o conceito de honestidade parece bastante simples. Tudo o que você precisa fazer é dizer a verdade e agir com retidão em todas as situações. Então, por que pessoas sinceras justificam a distorção da verdade em certas situações?
Existem inúmeras situações que muito rapidamente testarão nossa determinação de ser completamente honestos.
Podemos nos recordar da nossa infância quando queríamos evitar ser punidosO medo leva as crianças a mentir em um esforço para evitar consequências que sejam consideradas negativas. Desta forma, a mentira é apresentada como menos dolorosa do que a honestidade, pelo menos aparentemente.
“Justificativas” da falta de honestidade
Além de evitar as consequências de nossas ações, existem mais razões pelas quais supostamente “valeria a pena” não ser inteiramente honesto:
  • Não prejudicar os sentimentos de alguém ou seu orgulho.
  • Evitar que outros pensem mal de nós.
  • Medo de que alguém possa roubar nosso reconhecimento.
  • Pensar que estamos protegendo alguém.
  • Proteger nosso ego ao evitar o constrangimento.
  • Evitar que nossa imagem ou reputação seja comprometida.
  • Quando não gostamos de alguém, mas não queremos que as pessoas saibam.
À primeira vista, você pode pensar que estes seriam motivos perfeitamente legítimos para desviar um pouco a verdade. Afinal, não é para o bem maior?
Pois bem, adotar este tipo de raciocínio distorcido é o mesmo que dizer que o fim sempre justifica os meios. Em outras palavras, é bom fazer algo ruim, desde que você obtenha os resultados desejados.
Ser honesto exige coragem e tato
Ser honesto exige coragem porque nos torna vulneráveis ​​e exige que sejamos responsáveis. Para evitar ferir os sentimentos dos outros com nossa honestidade, o tato também é necessário.
É claro que ser verdadeiramente honesto envolve mais do que dizer a verdade em cada situação, mas, para as pessoas com integridade, é a única opção aceitável.
A honestidade tornou-se um requisito desejado e desejável em todas as áreas vitais.
Permanecer honesto permite, acima de tudo, aumentar a autoconfiança.
Nessa linha fina que separa o que é certo e o que é errado, nossa honestidade pessoal pode nos mostrar o caminho do que realmente é certo.
Ser honesto nem sempre será o curso de ação mais simples ou mais conveniente, mas é o único caminho que lhe dará integridade. Pessoas com integridade sempre reconhecerão e apreciarão sua honestidade e coragem.

https://pt.aleteia.org/2019/03/22/o-valor-da-honestidade/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

sábado, 2 de março de 2019

Como saber quando sua raiva é saudável e o que fazer quando não é

ANGRY FIRST

No contexto certo, a raiva pode ter sua função, mas pode facilmente se tornar um veneno

Eu ouvi o som de um vidro quebrando na cozinha e sabia que um dos meus filhos havia deixado cair outro prato. Não tenho orgulho da minha primeira reação. Deveria ter sido preocupação com a segurança do meu filho, mas, em vez disso, foi a raiva.
Em nossa casa, as crianças ao longo dos anos quebraram um número desmedido de pratos e copos.  Toda vez que eu ouço um vidro quebrar, tenho vontade de soltar um grito. Não consigo entender por que isso continua acontecendo e isso me deixa irracionalmente irado.
A raiva chama a atenção. As manchetes dos artigos online são escritas em um estilo controverso para gerar cliques, e as controvérsias são alimentadas por vários políticos para garantir votos. Depois de um tempo, a raiva se torna um hábito e transborda para nossas vidas pessoais.
Estamos ameaçando uns aos outros em textos em mídias sociais, cortando amizades por causa de divergências, e geralmente fomentando a inquietação sobre quem nos prejudicou e que tipo de castigo eterno e doloroso ele realmente merece. Mesmo os eventos mais tolos podem causar raiva.
Estaríamos melhor se respirássemos fundo coletivamente.
Embora dar vazão à raiva possa parecer algo satisfatório, no final isso nos torna vítimas. Pessoas com raiva sentem-se impotentes, e é por isso que reagem com tanta força. Pense em como os monstros online são responsáveis ​​por culpar tal pessoa ou corporação por arruinar nossas vidas. Nós nos sentimos vitimados pela vida em geral e direcionar a raiva para causas externas é uma maneira de tentar recuperar o controle, mas isso nunca funciona. A raiva é estressante. Ela afasta amigos e cria uma sensação constante de ter sido injustiçado. Um estilo de vida de agressividade constante destrói nossa capacidade de ficar com raiva de uma forma saudável, quando ela seria realmente necessária.
A raiva, como uma emoção, é neutra. No contexto adequado, tem seus benefícios. Quando vemos injustiças ou intimidações, é apropriado ter uma reação emocional a isso. A raiva, no entanto, precisa ser saudável. A pergunta que eu faço a mim mesmo quando escuto um copo quebrar em casa é: será que esta raiva que estou sentindo neste caso é saudável?
Como sabemos quando a raiva é prejudicial e quando é saudável? Aqui estão alguns pontos.

Raiva dos outros

Se eu estou com raiva porque o cinema ficou sem pipoca e isso não é justo porque “eu sou incrível e mereço pipoca”, isso não é saudável. Se estou constantemente furioso com meus patrões, com o motorista à minha frente ou com meus filhos por me incomodarem enquanto estou lendo, isso é um sinal de que é necessário ampliar a perspectiva. O mundo não gira em torno de mim. E todas essas pequenas coisas me incomodando representam um sinal de que eu sou egocêntrico. No entanto, se estou com raiva em nome de outra pessoa que foi injustiçada, isso é um sinal de empatia e preocupação.

Tenha certeza de que não é direcionada a uma pessoa

A raiva saudável é direcionada para uma injustiça ou um problema sistemático. Não deve voltar-se para as pessoas. Isso não quer dizer que pessoas específicas não nos causem raiva, mas geralmente isso acontece se houver falta de comunicação, ou se elas tiveram um dia ruim, ou o que quer que seja. Isso não necessariamente desculpa a pessoa, mas fornece um pouco de contexto e uma base para o perdão. Raiva saudável não tem como alvo pessoas e nem busca vingança. Centra-se nas causas subjacentes dos problemas em curso.

Deve ser temporária

A raiva como estado emocional permanente é problemática. Emoções vêm e vão, não podemos evitar isso. Sempre que nos sentimos irritados, nossa primeira reação deve ser fazer uma pausa, deixar a emoção de lado por um momento e fazer um exame razoável da causa. A raiva pode exigir uma resposta, ou podemos achar que isso é injustificado e precisamos deixá-la ir embora. A raiva é saudável quando nos faz reexaminar crenças e problemas.

Ofereça uma solução positiva

A raiva saudável busca resolver-se através de uma mudança positiva. Se estou com raiva de mim mesmo, isso é motivação para realizar algumas mudanças no estilo de vida, seja em mim mesmo ou no meu ambiente. Se estou chateado com uma injustiça, a raiva pode ser a motivação para ter coragem, falar e propor uma solução. A emoção da raiva nunca é um fim em si mesmo. Isso sempre nos motiva a tornar o mundo um lugar melhor.

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sábado, 22 de dezembro de 2018

6 dicas para identificar o comportamento suicida – antes que seja tarde


Saiba como ajudar e ser ajudado - a necessidade pode estar embaixo do seu nariz

Mapa da Violência, um levantamento de dados sobre mortes não naturais, aponta que, entre 2004 e 2014, os casos de suicídio aumentaram 40% entre os adolescentes brasileiros de 10 a 14 anos e 33% entre os de 15 a 19 anos. Por dia, são em média 32 pessoas que tiram a própria vida no Brasil. Também na média, os suicidas cometem de 10 a 20 tentativas antes de conseguirem efetivamente se matar.
O suicídio já é uma das causas de morte mais comuns do mundo.
Durante muito tempo, por tabu e preconceito, esse tema gravíssimo foi muito pouco discutido pela opinião pública. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está agora incentivando os países a investirem mais em políticas públicas voltadas a conscientizar a população sobre os indícios de que alguém pode tentar se matar.
Estes 6 sinais podem identificar um possível suicida – e ajudar a salvá-lo:
* * *

1. Comportamentos que denotam sofrimento intenso
Pensamentos obsessivos, lamentos de que a vida não tem sentido, desesperança, incapacidade de mudar, falta de energia para tarefas básicas, muito tempo na cama, dificuldades para tomar decisões que antes eram tomadas normalmente, perda de interesse por atividades antes prazerosas. Diante de uma pessoa com estes sinais, converse em tom acolhedor, mostrando-se próximo e solidário, e auxilie na busca de ajuda profissional. Estes sinais coincidem com vários indicativos de depressão, uma doença cada vez mais comum e que exige atenção séria. Não significam necessariamente uma tendência ao suicídio, mas são um sinal de alerta que não deve ser desconsiderado.

2. Mudanças drásticas de humor
É natural ter variações de humor durante o dia: você pode se sentir ótimo e de repente ficar muito raivoso ou triste, como reação a certos acontecimentos. Mas há pessoas cujas alterações de humor são extremas, impulsivas e frequentes. Preste atenção às variações repentinas e exageradas – em casos de emergência, não hesite em ligar para o número 190 e solicitar ajuda.
Essas mudanças devem ser observadas com atenção também nos adolescentes. A adolescência é um período em que as alterações comportamentais são comuns e, precisamente por isso, a sua gravidade corre o risco passar despercebida. Se o adolescente se tranca no quarto sem querer conversa com ninguém e não sabe manifestar seu sofrimento com clareza, tente ouvi-lo sem julgamentos e se mostre compreensivo e amigo. Se a comunicação for complicada demais, procure ajuda especializada.

3. Acontecimentos chocantes ou traumáticos
Fatos muito dolorosos, principalmente quando inesperados, podem causar grande impacto negativo: a morte de uma pessoa querida, a perda de trabalho importante e bem remunerado, uma doença grave, casos de bullying intenso, tudo isso pode ser estopim para o suicídio. Quando esses acontecimentos provocam mudanças bruscas de rotina e comportamento, deixam a pessoa sem saber como reagir e a levam a parar de fazer coisas que antes ela considerava importantes, esteja bem próximo e a leve a um bom psicólogo ou psiquiatra.

4. Avisos verbais
A pessoa desesperada que pensa em acabar com a própria vida costuma dar sinais de que está interiormente gritando por socorro – ela chega a dizer frases como “Não aguento mais”, “Quero morrer”, “A vida não vale a pena”, “Vai ser melhor para todos sem mim”, “Era melhor nem ter nascido” etc. Pode ser apenas drama e exagero? Pode. Mas, na dúvida, fique bem atento a esses sinais e aos outros indícios que acompanham um comportamento depressivo suicida. Essas frases nunca devem ser ignoradas. Há quem ache que “uma pessoa que quer mesmo se matar não fica avisando”. Esta ideia é falsa. Quem quer se matar sempre dá uma série de indícios, verbais ou não. Lembre-se das estatísticas: para cada suicídio consumado, houve cerca de 10 a 20 tentativas prévias. Não ignore.

5. Transtornos psicológicos e de dependência
Os riscos aumentam quando a pessoa sofre doenças psicológicas como depressão grave, transtorno bipolar, personalidade borderline, esquizofrenia, estresse pós-traumático, assim como o trauma decorrente de abusos físicos e sexuais. Mais de 50% dos suicídios são cometidos por pessoas com depressão ou transtornos de humor, inclusive os ligados à dependência de drogas e de álcool. Remédios associados com bebida também formam um quadro bastante perigoso.
Fique atento a comportamentos irresponsáveis recorrentes, como o próprio abuso de álcool e drogas, a direção imprudente, a prática sexual inconsequente. Nem todo mundo que apresenta esses comportamentos tem pensamentos suicidas, mas, de qualquer forma, esses indícios requerem especial atenção, orientação e tratamento: eles indicam um grau bastante considerável de insatisfação interior que não pode ser ignorada.

6. Melhoras repentinas
Isso mesmo: quando uma pessoa muito triste e deprimida se mostra subitamente alegre, existe o risco de que ela esteja planejando o suicídio. A aparente melhora pode ser uma simulação. Observe, adicionalmente, se ela também parece estar resolvendo pendências, se despedindo de amigos e familiares, doando posses. Tais mudanças súbitas em alguém que estava há pouco tempo no fundo do poço devem ser encaradas com muita prudência. Informe ao médico e recorra também a serviços de orientação como os do Centro de Valorização da Vida (acesse aqui o site ou ligue para o 141).

Em todos esses cenários:
– Observe e, principalmente, ESCUTE a pessoa.
– Saiba ter paciência e acolher a angústia dela.
– Acompanhe-a nas consultas médicas.
– Mantenha os familiares mais próximos também atentos.

E se quem está pensando em suicídio é você mesmo:
Por favor, se dê uma chance e procure ajuda profissional agora mesmo. Abra-se! O que você está sentindo é uma doença perfeitamente tratável, que pode e vai ser curada. Mas você precisa de ajuda.

https://pt.aleteia.org/2016/11/09/6-dicas-para-identificar-o-comportamento-suicida-antes-que-seja-tarde/

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Mitos e verdades sobre o suicídio

ZMIANA, KARA ÅšMIERCI

Todo mundo que pensa em suicídio quer mesmo se matar? Se eu falar sobre o suicídio com a pessoa que quer se matar, poderia estar induzindo a isso? Existem suicídios que não podem ser prevenidos?

O Brasil é o 8º país do mundo onde há mais suicídios. São cerca de 12.000 cada ano. E uma das soluções para que este número diminua é precisamente conhecer mais sobre o tema, conversar mais sobre isso, saber identificar quando uma pessoa dá sinais de que pretende se matar – sim, a pessoa dá muitos sinais de que precisa de ajuda.
Apresentamos, a seguir, alguns mitos e verdades sobre o tema do suicídio, extraídos da Cartilha Informativa “Suicídio: conhecer para prevenir”. Vale a pena ler e compartilhar:
1. Quem pensa em cometer suicídio, realmente que se matar?
A maioria das pessoas que pensam em se matar, na verdade, têm sentimentos ambivalentes. Elas desejam por um fim a um sofrimento.

2. É verdade que as pessoas que querem se suicidar não avisam?
Não. Suicidas frequentemente dão ampla indicação de sua intenção.

3. Existem suicídios que não podem ser prevenidos?
Verdade, mas 90% podem ser prevenidos.

4. Uma vez suicida, sempre suicida?
Pensamentos suicidas podem retornar, mas eles não são permanentes e em algumas pessoas eles podem nunca mais retornar.

5. Se eu falar sobre o suicídio com a pessoa que quer se matar, poderia estar induzindo a isso?
Não. Falar sobre o suicídio e as ideias que está tendo, ajuda a pessoa a se sentir acolhida por alguém que se interessa por seu sofrimento. Vale ressaltar que buscar ajuda profissional é importante após esse momento.

6. A pessoa que ameaça suicídio deseja manipular os outros?
A ameaça de suicídio deve ser sempre lavada a sério. Isso indica que a pessoa está sofrendo e necessita de ajuda.

7. O suicídio é um ato de covardia ou de coragem?
Nenhum dos dois. Na verdade, o que dirige a ação de suicidar-se é uma dor psíquica insuportável.


“Conheço alguém que está pensando em cometer suicídio”
 Se você suspeita que alguém próximo a você pensa em cometer suicídio, tente se aproximar e:
• Pergunte se o pensamento existe e em que nível;
• Se já houve planejamento e como;
• Procure ouvi-lo atentamente;
• Tente compreender os sentimentos dessa pessoa;
• Expressar respeito pelas opiniões e pelos valores dela;
• Converse abertamente;
• Demonstre sua preocupação, seu cuidado e sua afeição para com ela;
• Procure conversar com a família, amigos ou rede de apoio dessa pessoa;
• Caso a pessoa tenha acesso a métodos suicidas, como armas e remédios, remova-os imediatamente.
• Oriente e ajude a buscar ajuda na rede de saúde mental de sua comunidade e/ou outros equipamentos e órgãos: CAPS, Postos de saúde, Clínicas-escolas, CVV, ONGs etc.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O vício nas redes sociais

SMARTPHONES SOCILA MEDIA

Facebook e Twitter foram criados intencionalmente para agir como “cocaína”, segundo documentário da BBC

Segundo um novo documentário da série “Panorama”, da BBC, as empresas de mídia social se esforçam para nos deixar viciadas em seus serviços.
A reportagem, que foi ao ar recentemente, tenta decifrar por que as pessoas estão cada vez mais grudadas em seus smartphones e consumidas pelas redes sociais.
Entrevistas com pessoas que trabalharam nesse setor revelam como as companhias desenvolveram deliberadamente tecnologia de formação de hábitos para atrair usuários, e investigam como a ciência comportamental tem sido usada para manter as pessoas sempre checando seus telefones.
Por exemplo, características como rolagem infinita e o botão “curtir” fazem com que os indivíduos permaneçam ligados nas redes sociais por mais tempo do que o necessário, bem como alimentam suas inseguranças.

Rolagem infinita

Um dos entrevistados é Aza Raskin, que já trabalhou para a Mozilla e a Jawbone, criador da “rolagem infinita”, recurso que permite que um usuário deslize pelo conteúdo infinitamente sem ter que clicar em nada.
“Se você não der tempo ao seu cérebro para ele alcançar seus impulsos, você continua rolando”, explicou à BBC.
Raskin não pretendia deixar as pessoas viciadas, mas se sente culpado pelo impacto de sua inovação. No entanto, esse é agora apenas um dos vários elementos que as plataformas de mídia social usam para atrair usuários.
“É como se [as plataformas] espalhassem cocaína comportamental por toda a sua interface, e é isso que faz você voltar e voltar e voltar – disse. Por trás de cada tela do seu telefone, geralmente há, literalmente, mil engenheiros que trabalharam nela para tentar torná-la mais viciante.”

Curtir sem curtir

Outra entrevistada do documentário é Leah Pearlman, cocriadora do botão “curtir”, do Facebook, ao lado de Justin Rosenstein.
Ela admitiu à BBC que, como outros usuários, também ficou viciada no serviço de mídia social ao buscar curtidas em suas postagens. “Quando eu preciso de validação, eu vou verificar o Facebook. Se estou me sentindo sozinha, vejo o meu telefone. Se estou me sentindo insegura, vou checar meu telefone”, contou.
No ano passado, Rosenstein declarou que o botão “curtir” levara a um aumento no “clickbait” (também chamado de “caça-clique”, esse termo se refere ao conteúdo da internet destinado à geração de receita de publicidade online, geralmente às custas da qualidade e precisão da informação).
Rosenstein fez ainda uma outra crítica ao recurso, insinuando que ele criou um problema de “distribuição” de tempo: “Mesmo que as pessoas ‘curtam’ coisas, não é necessariamente tempo bem gasto”, disse.

De propósito?

Enquanto algumas redes sociais se recusaram a fazer comentários, o Facebook e o Instagram negam que seus serviços sejam deliberadamente projetados para ser viciantes.
“As alegações que surgiram durante o processo de produção do Panorama da BBC são imprecisas. O Facebook e o Instagram foram projetados para aproximar as pessoas de seus amigos, familiares e das coisas de que gostam. Isso pode ser se conectar com pessoas queridas que moram longe, ou se juntar a uma comunidade de pessoas que compartilham seus interesses, ou apoiar as causas mais importantes para você. Esse propósito está no centro de todas as decisões de projeto que fazemos, e em nenhum momento queremos que algo seja um fator viciante nesse processo”, disse um porta-voz das mídias sociais.
No início de 2018, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, fez alterações na rede social para aumentar o “tempo bem gasto” no site, mas o próprio encarregado do “News Feed”, Adam Mosseri, já admitiu que a empresa ainda está “tentando entender” exatamente o que isso significa.

(Via Hypesciencie /Cnet)

domingo, 1 de julho de 2018

O adeus ao mundo



Esta é a famosa carta de Eugene (Pe. Seraphim) Rose a seus pais na qual comunica que abandonará a vida acadêmica para abraçar as coisas do Alto. É o testemunho contemporâneo de um ato exercido milhares e milhares de vezes no passado: homens que, respondendo ao chamado do Cristo, deixam para trás a glória e os prazeres ilusórios do mundo para abraçar a vida sublime e grandiosa do esforço ascético rumo à união com Deus.


A carta é de 14 de junho de 1961.

* * *

Liebe Eltern,


Faz calor hoje – parece até verão aqui em San Francisco. Finalmente consegui terminar minha dissertação de mestrado. Entreguei-a na sexta-feira passada, mas a nota só vai ser divulgada em setembro, não sei exatamente por quê. Enquanto isso, continuo me envolvendo com coisas chinesas. Nesse momento, estou ajudando meu ex-professor de chinês a traduzir (do chinês) um artigo sobre filosofia chinesa para publicação em um jornal de filosofia. A hipocrisia do mundo acadêmico é algo que se vê com muita clareza no caso dele. Ele provavelmente sabe mais de filosofia chinesa do que qualquer pessoa do país, estudou com filósofos e sábios chineses de verdade, na China, mas não consegue arrumar emprego em nenhuma faculdade porque ele não tem diplomas de faculdades americanas, e também porque ele não fala com muita fluência – ou seja, ele é autêntico demais.


Foi-se o tempo em que eu escolhia a vida acadêmica acima de tudo, pois Deus havia me dado inteligência para servi-Lo, e o mundo acadêmico seria em princípio o lugar onde a inteligência deveria ser utilizada. Mas, depois de oito ou nove anos, sei muito bem o que se passa nas universidades. A inteligência é respeitada somente por alguns poucos professores “das antigas”, os quais muito em breve estarão fora de combate. Quanto aos demais, a vida acadêmica é um trampolim para juntar dinheiro, conseguir um emprego estável e para usar a inteligência como se fosse um brinquedinho útil para fazer alguns truques e serem pagos por isso. Em suma, são palhaços de circo. O amor à verdade simplesmente desapareceu deles; as pessoas que têm alguma inteligência são obrigadas a se prostituírem para viver a vida. Quanto a mim, acho isso tudo difícil de aceitar, pois meu amor à verdade é muito grande. O mundo acadêmico não passa de um emprego para mim, mas não vou me deixar escravizar a ele. Não estou servindo a Deus no mundo acadêmico. Tenho um pouco de dinheiro guardado e mais algum está a caminho quando eu terminar um pequeno serviço, então eu acho que vou conseguir viver frugalmente por um ano fazendo o que minha consciência está me mandando fazer: escrever um livro sobre as condições espirituais do homem contemporâneo, sobre as quais, pela graça de Deus, tenho algum conhecimento. O livro provavelmente não vai vender nada, pois as pessoas preferem se esquecer das coisas sobre as quais versarei; elas preferem ganhar dinheiro do que adorar a Deus.


Sim, é verdade que esta é uma geração confusa. A única coisa de errado comigo é que não estou confuso. Sei muito bem qual o dever do homem: adorar a Deus e Seu Filho e preparar-se para a vida do século futuro sem explorar o próximo só para ter uma vida feliz e confortável e esquecer-se de Deus e Seu Reino.


Se Cristo estivesse por aqui, no mundo contemporâneo, sabem o que aconteceria com Ele? Seria internado num hospital psiquiátrico e lhe submeteriam a sessões de psicoterapia. Os santos não ficariam por menos. O mundo crucificaria o Cristo exatamente como há 2000 anos, pois esse mundo nada aprendeu, exceto formas mais sofisticadas de hipocrisia. E se eu dissesse a meus alunos que todo o conhecimento deste mundo não tem nenhuma importância, que o importante mesmo é adorar a Deus, aceitar o Deus-homem que morreu por nossos pecados e preparar-se para a vida do século futuro? Eles provavelmente ririam de mim, e os diretores da universidade, se descobrissem, me demitiriam – pois é contra a lei pregar a Verdade nas universidades. Dizem que vivemos numa sociedade cristã, mas é mentira: a sociedade atual é mais pagã, mais anticristã, do que a sociedade na qual Cristo nasceu. Recentemente, um padre católico da UCLA teve a audácia de dizer que o ambiente da UCLA era pagão. Os diretores da universidade o chamaram de “fanático” e “insano”. Mas o que ele disse era verdade; mas os homens odeiam a verdade, e é por isso que eles crucificariam Cristo de novo se Ele retornasse.


Sou cristão, e tentarei viver como um autêntico cristão. Cristo ensinou-nos a dar todo o dinheiro que tivéssemos e segui-Lo. Estou longe, muito longe, de fazer isso. Mas vou tentar não angariar mais dinheiro do que preciso para viver; se conseguir fazer isso trabalhando um ou dois anos na universidade, tudo bem. Mas no restante do meu tempo vou tentar servir a Deus com os talentos que Ele me deu. Neste ano terei a chance de fazer isso, então é isso que vou fazer. Meu professor, que é russo (a amor a Deus parece estar mais bem enraizado nos russos do que em outros povos), não tentou me convencer a abandonar minhas ideias; ele sabe muito bem que o amor à verdade, o amor a Deus, é infinitamente mais importante do que o amor à estabilidade, ao dinheiro e à fama.


Sou obrigado a seguir minha consciência. Não posso enganar a mim mesmo. E sei que estou fazendo a coisa certa. Se o que vou fazer parece tolice aos olhos do mundo, resta-me responder ao mundo com as palavras de São Paulo: Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. Eis algo que esquecemos muito facilmente.


Bem, deixem-me voltar à minha tradução de chinês. Mandem lembranças a Eileen [irmã de Eugene].


Liebe,


Eugene


Foto: Eugene Rose em foto oficial de graduação na Pomona College, 1956.


Fonte: Cathy Scott, Seraphim Rose: The True Story and Private Letters, Regina Orthodox Press, 2000.