segunda-feira, 22 de junho de 2020

As três dimensões da obediência a Deus



A obediência a Deus não requer apenas a escuta atenta à palavra, mas também colocar em prática aquilo que ela nos pede. Para isso precisamos nos fortalecer em três aspectos: humildade, renúncia e viver o amor

Apalavra obediência vem do latim ‘oboedire’, escutar com atenção. O parágrafo 144 do Catecismo da Igreja Católica nos diz:
“obedecer na fé significa submeter-se livremente à palavra ouvida, visto que sua verdade é garantida por Deus, a própria verdade”.
Abraão é apresentado como o modelo de obediência, porque respondeu ao chamado de Deus e se dirigiu para a terra que deveria receber como herança (Genesis 12, 1-3).
A Virgem Maria realizou de forma mais perfeita a obediência na fé acolhendo o anúncio do anjo Gabriel e acreditando que “para Deus nada é impossível” (Lucas 1, 37).
Como vimos, a obediência a Deus não requer apenas a escuta atenta à palavra, mas também colocar em prática aquilo que ela nos pede.
Para isso precisamos nos fortalecer em três aspectos: humildade, renúncia e viver o amor. Temos que acreditar em Deus, ter a consciência de que não sabemos tudo. Quem pensa ter todas as respostas não aceita ouvir, não aceita obedecer e segue seus próprios caminhos.
Devemos ter humildade para reconhecer que sem Deus somos fracos, humildade para abrir espaço para a ação do Espírito Santo; temos que renunciar à nossa própria vontade para realizar aquilo que Deus nos pede, renunciar ao pecado para buscarmos uma vida santa; e é preciso viver o amor, fazer o bem sem esperar nada em troca, dar o melhor de si para o próximo.

Papa acrescenta três invocações à Ladainha de Nossa Senhora, uma para os migrantes




“Mater Misericordiae” (Mãe da Misericórdia), “Mater Spei” (Mãe da Esperança) e “Solacium migrantium” (Conforto ou Ajuda dos Migrantes): essas são as três novas invocações inseridas na Ladainha de Nossa Senhora, que tradicionalmente conclui a oração do Terço, por decisão do Papa Francisco. Dom Arthur Roche, secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos: são orações ligadas à atualidade da vida.

Alessandro De Carolis – Vatican News

A decisão do Papa Francisco foi comunicada pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, numa carta endereçada aos presidentes das Conferências Episcopais. “Inúmeros são os títulos e as invocações que a religiosidade popular cristã, no decorrer dos séculos, reservou à Virgem Maria, via privilegiada e segura do encontro com Cristo”, escrevem na carta o cardeal Robert Sarah e o arcebispo Arthur Roche, prefeito e secretário do dicastério vaticano.

“Mater Misericordiae” (Mãe da Misericórdia), “Mater Spei” (Mãe da Esperança) e “Solacium migrantium” (Conforto ou Ajuda dos Migrantes) são as três novas invocações inseridas na Ladainha de Nossa Senhora, que tradicionalmente conclui a oração do Terço. A primeira invocação será inserida depois de "Mater Ecclesiae", a segunda depois de "Mater divinae gratiae" e a terceira depois de "Refugium peccatorum”.

Orações que nasceram dos “desafios” da vida

Não obstante seja antiga, a ladainha – que se tornou célebre a partir do Santuário da Santa Casa de Loreto (e por isso também chamada de ‘ladainhas lauretanas’), não perde o contato com a realidade. “Vários Papas decidiram incluir invocações”, recordou o arcebispo Roche. São João Paulo II incluiu, por exemplo, “Mãe da família”.

“O Terço, o sabemos, é uma oração dotada de grande potência e, portanto, neste momento, as invocações à Virgem são muito importantes para quem está sofrendo com a Covid-19 e, entre eles, os migrantes que deixaram a sua terra”, concluiu o secretário do dicastério.


https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-06/papa-francisco-acrescenta-tres-invocacoes-ladainha-nossa-senhora.html

Um mês com o Sagrado coração de Jesus | 22º Dia com Padre Mario Sartori


segunda-feira, 15 de junho de 2020

Um mês com o Sagrado coração de Jesus | 15º Dia com Padre Mario Sartori

O que está fechando a porta da nossa fé?

open door


Nestes dias, fechados em casa por causa da pandemia, pensamos que Deus está distante, ausente. Mas não, Ele está no meio de nós

No segundo Domingo da Páscoa meditamos o evangelho de São João (20, 19-31). O autor, que também era discípulo, narra que eles se encontravam com as portas fechadas, por medo dos judeus. 

Foi neste cenário que Jesus se mostrou ao grupo. Trouxe consigo a paz que alegrou o coração de todos. E ainda enviou os discípulos em missão, dizendo:

“Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (v. 22-23).

Essa aparição de Jesus é como uma injeção de ânimo naquele grupo que certamente ainda não havia compreendido todos os acontecimentos dis últimos dias. 

Tomé, um dos apóstolos, não estava junto. Não acreditou naquilo que os companheiros relataram. E foi enfático:

“Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!” (v. 25).

A atitude de Tomé nos mostra que acreditar não é uma coisa simples. Afinal de contas, ele viu o que fizeram com Jesus e como acreditar que ele estava vivo?
Muitas vezes nós agimos assim, pedimos uma prova, um sinal para que possamos crer.

Para Tomé a resposta de Jesus veio numa situação bem semelhante. Os discípulos estavam novamente reunidos, a portas fechadas. E, pondo-se no meio deles, disse para que Tomé comprovadas que Ele estava vivo.

Pode ser que nestes dias, fechados em casa por causa da pandemia, pensamos que Deus está distante, ausente. Mas não, Ele está no meio de nós. Ele quer nos dar a sua paz. Para isso quer que acreditemos. Não fiquemos fechados em nosso medo, em nossas incertezas, em nossas inseguranças. 

Renovemos a nossa fé. Assim como Jesus falou a Tomé, Ele nos fala agora:

“Felizes os que crêem sem ter visto!” (v. 29).


https://pt.aleteia.org/2020/04/20/o-que-esta-fechando-a-porta-da-nossa-fe/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt 

sábado, 13 de junho de 2020

A vida de Santo Antônio - filme dublado completo

Um mês com o Sagrado coração de Jesus | 13º Dia com Padre Mario Sartori

A língua incorrupta e outras relíquias de Santo António em Pádua

A língua preservada do apodrecimento e parte do queixo de Santo António estão em relicário para ser exibidas

A língua preservada do apodrecimento e parte do queixo de Santo António estão em relicário para ser exibidas na Capela do Tesouro na Basílica de Pádua.

© D.R.



uando o caixão foi aberto viram algo de estranho na caveira: uma porção de carne com aspeto vermelho e fresco. Era a língua do santo, que foi encontrada perfeitamente preservada. Nesse momento, o chefe geral dos franciscanos, Bonaventure de Bagnoregio, que viria a ser também santificado, expressou a sua alegria e surpresa com palavras que foram incorporadas na oração da festa de 15 de fevereiro (a festa da língua): "Oh língua bendita, sempre louvaste o Senhor e levaste outros a adorá-lo! Agora vemos claramente quão grande foi o teu valor perante Deus"."

Frisando que "a língua é uma das partes mais frágeis do corpo", e que "é das primeiras a decompor-se", este franciscano, que dirigiu a Basílica de 2005 até à sua morte, em 2016, interpreta aquilo que crê um milagre

A descrição é da autoria de Enzo Poiana, então reitor da Basílica de Santo António em Pádua, numa entrevista em 2013, quando a cidade italiana celebrou os 750 anos da exumação de Fernando de Bulhões, aliás Santo António, e da descoberta da sua "língua milagrosa".

Frisando que "a língua é uma das partes mais frágeis do corpo", e que "é das primeiras a decompor-se", este franciscano, que dirigiu a Basílica de 2005 até à sua morte, em 2016, interpreta aquilo que crê um milagre: "Ao preservar a língua de Santo António do apodrecimento, Deus mostrou-nos que aprovou a missão dele e em particular a sua pregação, que ele levava a cabo através da língua e das cordas vocais."

A exumação terá ocorrido a 8 de abril de 1263, 32 anos após a morte do lisboeta Fernando de Bulhões, e ocorreu porque o corpo daquele que entretanto, e num tempo recorde até hoje inigualado - menos de um ano -, fora, a 30 de maio de 1232, proclamado santo pelo Papa Gregório IX estava sepultado numa pequena igreja (Santa Maria Mater Domine, ou Mãe de Deus) e entretanto fora construída uma basílica em sua honra - que terá sido completada pelo ano 1310 - para onde ia ser transladado.

A língua, assim como uma parte da queixada e do braço esquerdo, foi logo ali retirada para ser exibida em relicário; também uma parte da pele e do cabelo teriam o mesmo destino e um pedaço de um pé. O resto dos restos foi colocado num sarcófago de mármore, em sacos de seda escarlate bordada a ouro: um com os ossos, outro com as vísceras e outro com o hábito castanho de franciscano. O relicário original da queixada, datado de 1349, foi doado à basílica em 1350; a língua foi colocada num "tabernáculo" à parte, protegida por vidro.

É a data da colocação da língua no relicário e em exibição que é celebrada em Pádua na "festa da língua", que inclui procissão e cuja data é 15 de fevereiro, e não a da sua "descoberta", que foi em abril; a cidade dedica assim dois dias festivos ao santo, já que assinala também o 13 de junho - numa celebração que decorre ao longo de 13 dias, desde 31 de maio, e que é crismada de Tredicina (de 13 dias) e que atrai anualmente dezenas de milhares de peregrinos.

Um inventário de 1396 atesta que o relicário da queixada era já o que hoje está em exibição: construído como um busto, de prata e pedras preciosas, com a queixada colocada no local da boca; o rosto teria uma "máscara" amovível de prata que permitiria tapar e destapar a relíquia (essa máscara terá desaparecido rapidamente, sendo substituída mais tarde por outra; hoje, a queixada está protegida por uma "montra" convexa de material transparente).

Parte da ossada do braço esquerdo estava também incluída na peça; ao longo dos anos, porém, pedaços desses ossos foram sendo retirados para oferta (incluindo os que estão no museu antoniano em Lisboa, parte de um osso de um dedo e de um braço, oferecidos à cidade em 1968) e em 1672 o que restava foi colocado em relicários à parte.

Hoje, as relíquias de Santo António que ficaram em Pádua, e que serão visitadas anualmente por cerca de cinco milhões de pessoas, o que faz do templo um dos mais visitados da religião católica, estão em exibição na Capela do Tesouro da basílica, numa capela barroca construída no final do século XVII. Além da língua e da queixada, estão expostos uma parte do pé, pele e cabelo, e ainda as cordas vocais (retiradas do sarcófago em 1981, quando este foi aberto e os restos examinados por cientistas).

A língua roubada e o pão do santo

A história da língua de Il Santo, ou o Santo, como é referido Santo António na cidade mas também a sua basílica - que hoje, de acordo com as descrições, se assemelha a uma pedra escura e já correu mundo, tendo em 2013 feito um tour pelos EUA e depois pelo Sudeste Asiático -, inclui ainda um episódio bizarro, narrado pelo cronista franciscano Bartolomeu de Pisa (frade dominicano biógrafo de Francisco de Assis e cuja morte terá ocorrido em 1347). Este conta que um alto frade franciscano quis roubá-la, mas não conseguindo sair com ela da basílica a escondeu num altar. Teria revelado a sua localização a outro frade que por sua vez só no seu leito de morte, 34 anos depois dos factos, violaria o segredo. Esta segunda descoberta da relíquia foi igualmente considerada "um grande milagre".

"Milagres", aliás, de acordo com o que é proclamado, é o que não falta ao lisboeta. Além de um alegado tocar dos sinos em Pádua e Lisboa, "sem que ninguém os tangesse", no momento da sua morte, um dos mais celebrados é o que deu origem à tradição do "pão do santo", e que terá ocorrido em 1263, precisamente o ano em que foi exumado. Diz respeito a uma criança, que daria pelo nome de Tommasino e teria 20 meses, a qual, conforme as versões, se terá afogado num recipiente em casa ou num ribeiro.

A mãe teria pedido a Santo António que o ressuscitasse, prometendo que se assim fosse ofereceria o peso do filho em pão aos pobres. A criança voltou à vida e ela cumpriu a promessa; terá aí começado na cidade a tradição do "pão de Santo António", oferecido aos pobres em "pagamento" de favores concedidos pelo santo, e que ainda hoje faz parte das celebrações de Santo António, com cestos de pão a serem distribuídos após a missa nos dias que o celebram.

Sendo Fernando de Bulhões considerado um intelectual do seu tempo, admirado pela sua oratória e conhecimentos e um pregador dedicado à conversão - daí vem um dos seus cognomes ou alcunhas, a de "martelo dos heréticos", não deixa de ser curioso que a sua popularidade esteja sobretudo ligada a histórias de prodígios e a folclore. E que a sua ligação a Itália - e a Pádua - tenha sobrevindo, de acordo com o que é relatado, por acidentes: no primeiro caso, devido a uma tempestade que levou para as costas da Sicília a embarcação em que seguia de Marrocos, para onde se havia deslocado como missionário, a caminho de Lisboa; no segundo, porque Fernando de Bulhões, já sob o nome religioso de António, terá pregado tanto no norte de Itália como no sul de França, e só esteve na zona de Pádua no final da vida.

Terá, por exemplo, fundado a primeira escola da Ordem de Francisco de Assis (que conhecera na cidade do seu nome) em Bolonha; foi nomeado Custódio dos Frades Menores na região francesa de Limoges e em 1227 Superior Maior da província de Romagna (que correspondia a todo o norte da atual Itália), cargo que teria exercido até 1230. Só nesse ano terá seguido para Pádua, onde andaria a pregar nas igrejas da região até se acoitar, doente, no castelo de Camposampiero, a cerca de 25 quilómetros da cidade. Diz a lenda que sentindo-se mal durante uma refeição pediu para ser levado para Pádua, mas não chegou lá: morreu em Arcella, hoje um subúrbio de Pádua, num convento de freiras.

Este artigo foi originalmente publicado na edição do DN de 11 de junho de 2019

https://www.dn.pt/1864/a-lingua-incorrupta-e-outras-reliquias-de-santo-antonio-em-padua-10982514.html

Como confiar suas dores e tristezas ao Sagrado Coração de Jesus

HEART OF JESUS


Precisamos abrir nosso coração para Deus, contar tudo a Ele, até os segredos que não queremos que mais ninguém conheça. É o primeiro passo para a cura

Érelativamente fácil louvar a Deus pelas coisas boas que acontecem em nossas vidas. Nosso espírito imediatamente se alegra e dá graças a Deus pelas bênçãos recebidas.

Porém, muitas vezes é difícil confiar a Deus nossa dor e nossa tristeza. Nós tendemos a manter nossa dor profunda dentro de nós e, raramente, a externamos a alguém. Até mesmo nosso cônjuge ou membros da nossa família não conhecem todas as nossas dores.

No entanto, se quisermos experimentar a paz novamente em nossas vidas, precisamos confiar essa dor a Deus.

No livro do século XIX, Meditations on the Sacred Heart of Jesus Christ (“Meditações sobre o Sagrado Coração de Jesus Cristo”), o autor lembra que o mesmo amor que motivou Jesus a curar os doentes ainda está presente em seu Sagrado Coração:

“Quais foram seus sentimentos durante sua vida mortal, quando curou os enfermos, e para esse fim os procurou; quando restituiu a vista aos cegos, ressuscitou os mortos e conferiu seus inúmeros favores milagrosos? Todos esses sentimentos de piedade, ternura e misericórdia, estão no mesmo estado nesse momento, que é um compêndio de todas as suas maravilhas…Toda essa caridade e amor infinito continuam sendo renovados todos os dias no trabalho de nossa redenção.”

Muitas vezes esquecemos que Jesus nos ama e quer estar conosco! Infelizmente, não deixamos esse amor entrar em nossas vidas. Mas temos que confiar a Deus tudo o que está em nossa alma, como recomenda o livro:

“Você praticamente deve fazer deste coração divino o seu único refúgio em todas as necessidades do seu coração. Você não fez isso até agora, pois esse coração amoroso foi o último ao qual você recorreu.”

Acima de tudo, precisamos abrir nosso coração para Deus, contar tudo a Ele, até os segredos que não queremos que mais ninguém conheça. É o primeiro passo no caminho da cura:

“Abra todo o seu coração ao Coração de Jesus, relacione-o com suas dores, suas feridas, seus desejos. Ele não sabe como resistir a um coração que está aberto, confiante e ansioso.”

Comece a fazer isso hoje, reservando um tempo para uma oração em que você possa simplesmente falar com Deus. Fale em voz alta ou escreva seus pensamentos em um pedaço de papel. Deixe tudo fluir do seu coração para o Coração de Jesus.

https://pt.aleteia.org/2020/06/12/como-confiar-sua-dor-e-tristeza-ao-sagrado-coracao-de-jesus/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

A língua incorrupta de Santo Antônio de Pádua

Embora tenha nascido na cidade de Lisboa, em Portugal, Santo Antônio é normalmente referido com o nome do local em que morreu, a cidade de Pádua (Padova), na região nordeste da Itália. A sua morte se deu a 13 de junho de 1231, quando o santo contava com apenas 36 anos de idade.

A língua do santo que tinha proclamado com tanta eloquência a Palavra de Deus foi encontrada perfeitamente intacta.

Foi tão grande o luto que se mostrou por ocasião de seu falecimento, e tantos os milagres realizados, que o processo eclesiástico para verificar a sua santidade não chegou a durar sequer um ano: Santo Antônio de Pádua foi canonizado em 1232, por Gregório IX, o mesmo papa que o vira pregar e que lhe tinha dado o epíteto de "Arca do Testamento", pelo conhecimento notável que exibia das Sagradas Escrituras. "Se permitíssemos privar da devoção humana por mais tempo aquele que foi glorificado pelo Senhor, pareceria que de algum modo lhe tirávamos a honra e a glória que lhe eram devidas" [1], disse na ocasião o sucessor de São Pedro.

Nesse mesmo ano, os confrades do santo, ajudados pelos moradores de Pádua, começaram a erigir uma basílica em sua honra. Em 1263, seu corpo foi transferido para o lugar, na presença de São Boaventura, então superior dos franciscanos. Quando o sarcófago foi aberto, a língua do santo que tinha proclamado com tanta eloquência a Palavra de Deus foi encontrada perfeitamente intacta:

"Nessa altura, uma personalidade tão venerável como o senhor Boaventura [...] com todo o respeito pegou na língua do Santo em suas mãos, e comovido até às lágrimas, na presença de todos os circunstantes, dirigiu-se a essa relíquia com toda a devoção nestes termos: 'Ó língua bendita, que sempre glorificaste o Senhor e levaste os outros a glorificá-lo, agora nos é permitido avaliar como foram grandes os teus méritos perante Deus!' E beijando-a com ternura e piedade, determinou que fosse conservada à parte, com todas as honras, como era justo e conveniente." [2]

A língua do grande pregador foi então colocada em um relicário dourado, de onde até os dias de hoje recebe a veneração de inúmeros devotos e peregrinos.

Saiba o que a Igreja ensina a respeito da veneração de relíquias, assistindo a este episódio do programa "A Resposta Católica":

O corpo de Santo Antônio foi exumado ainda duas outras vezes: em 1350, quando o seu queixo e vários de seus ossos foram colocados em relicários próprios; e há poucos anos, em 1981, por ordem do Papa São João Paulo II, quando se descobriram incorruptas também as suas cordas vocais.

Mesmo reunindo em um só lugar uma multidão de 30 mil pessoas, "nem sequer se ouvia um sinal de clamor ou murmúrio" enquanto Santo Antônio falava.

A incorrupção dessas duas partes de seu corpo não deixa dúvidas sobre qual era a maior virtude de Santo Antônio: a dapregação. "Esta virtude era nele tão resplandecente que não havia olhos que não a vissem" [3], diz um de seus biógrafos. Tantas almas levaram a Deus aquela língua e aquelas cordas vocais que, certa Quaresma, que ele tinha decidido dedicar "à pregação quotidiana e ao confessionário" [4], "quando refazia com o benefício do sono os seus membros fatigados, atreveu-se o diabo a apertar com violência a garganta do homem de Deus e, depois de a apertar, tentou sufocá-lo" - uma clara amostra do perigo que o demônio vislumbrava no uso de sua voz. Antônio, por sua vez, "depois de invocar o nome da gloriosa Virgem, imprimiu na fronte o sinal da santa cruz e, afugentado o inimigo do gênero humano, imediatamente experimentou alívio" [5].

Para medir a qualidade da pregação de Santo Antônio, leve-se em conta o fato de que, às vezes, mesmo reunindo em um só lugar uma multidão de 30 mil pessoas, "nem sequer se ouvia um sinal de clamor ou murmúrio" enquanto ele falava. "Pelo contrário, num silêncio prolongado, como se fora um só homem, todos escutavam o orador com os ouvidos da mente e do corpo atentos" [6].

Mais importante do que isso, as palavras do frade realizavam na vida das pessoas o maior de todos os milagres, que é a conversão de coração. Depois que escutavam a sua pregação, eram tantos os homens e mulheres que corriam para o confessionário, que faltavam sacerdotes para atender tanta gente. Um frade franciscano anônimo, comentando os efeitos da pregação de Santo Antônio, diz o seguinte:

"Segundo a promessa de Cristo, os santos quase sempre dão dele testemunho duma forma muito mais sutil do que com a realização de prodígios visíveis. Por exemplo quando anunciam com convicção a Palavra de Deus, ou com a perfeição da própria vida mostram como se deve proceder, ou ainda quando, sem deixarem de atender as súplicas que lhes são dirigidas, realizam autênticos milagres noutra esfera mais elevada. Ao procederem assim, estão como a dar vista a cegos espirituais, permitindo-lhes descobrir a verdade; ou a desobstruir ouvidos de surdos, entupidos pela obstinação, possibilitando-lhes ouvir e obedecer aos mandamentos divinos. Da mesma forma estão a erguer às alturas das virtudes tantos trôpegos pela fatuidade de critérios e de ações; ou então a desembaraçar para uma salutar confissão certas bocas anteriormente caladas; ou a limpar leprosos da podridão contagiosa de algum mau hábito; ou a restituir tranquilidade e sossego a pessoas atormentadas pela crueldade diabólica; ou, enfim, a ressuscitar para uma vida espiritual presente e futura alguns a quem o veneno do pecado matara e fizera entrar em fétida putrefação.
Tudo isto são autênticos milagres, embora os descrentes e os materialistas não considerem tais eventos dignos de admiração em confronto com prodígios materiais. No entanto, se bem que para realizar quaisquer prodígios, tanto de ordem espiritual como material, tenha de intervir a mesma onipotência divina, aos olhos do Juiz misericordioso é muito mais importante converter um ímpio do seu pecado do que restituir-lhe a vida corporal." [7]

É isto o que se pode dizer, em resumo, da língua de Santo Antônio de Pádua: que operou milagres muito maiores que todos os outros que ele fez, seja em vida, seja depois de sua morte. Antônio, por certo, não pode ser tido como um santo "discreto": foi ele um verdadeiro taumaturgo, a ponto de haver nos livros relacionados à sua vida uma obra dedicada tão somente à narração de seus milagres. Mesmo assim, foram a sua língua e as suas cordas vocais, entre todos os membros de seu corpo, que experimentaram a incorrupção.

Com isso, Deus quer nos mostrar que, muito mais do que multiplicar pães, curar enfermos e ressuscitar defuntos, a grande obra dos santos, como Santo Antônio, é espiritual: levar as pessoas à conversão e à mudança de vida.

Fica para todos os devotos de Santo Antônio, portanto, esta importante lição deixada pelo próprio Cristo: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo" ( Mt 6, 33). Em nossas orações a este grande santo e doutor da Igreja, peçamos o que verdadeiramente nos convém, entregando a Deus a decisão última de tudo. Ele sabe o que é melhor para nós, não é virando uma imagem de cabeça para baixo que vamos mudar a Sua vontade para a nossa vida.

Para falar a verdade, a oração não foi feita para mudar a vontade de Deus, mas a nossa. O que precisa ser virada de ponta-cabeça não é a imagem de Santo Antônio, mas a nossa vida.

Santo Antônio de Lisboa e de Pádua,
rogai por nós!

Referências

  1. Papa Gregório IX. Bula da canonização Cum dicat Dominus, de 11 de junho de 1232 (trad. de Frei Henrique Pinto Rema, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 25.
  2. João Peckham. Legenda de Santo António intitulada Benignitas. Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 42.
  3. Frei Juliano de Espira. Vida de Santo António Confessor ou Vida Segunda (trad. de Frei José Afonso Lopes, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 128.
  4. Ibid., p. 131.
  5. Vida primeira de Santo António, também denominada Legenda Assidua, por um frade anónimo da ordem dos menores (trad. de Frei Manuel Luís Marques, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 46.
  6. Ibid., p. 47.
  7. Diálogo sobre as gestas de Santo António, por um Frade Menor anónimo (trad. de Frei José Maria da Fonseca Guimarães, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, pp. 190-191

Catecismo de Adultos - Aula 04 - A Criação em geral e os anjos

terça-feira, 9 de junho de 2020

Catecismo de Adultos - AULA 02 - O Modernismo, o problema atual na Igreja


Um mês com o Sagrado coração de Jesus | 9º Dia com Padre Mario Sartori


A imagem mais antiga de Jesus em mosaico

Esta obra de arte do século IV mostra Jesus Cristo sem barba
As discussões sobre a aparência de Jesus não desaparecem completamente. A cor da pele é uma questão secundária, mas a barba tem prevalecido na história da arte cristã e suas muitas representações.

Esta é a imagem mais antiga conhecida de Nosso Senhor Jesus em mosaico. Trata-se de uma imagem do século IV.

De todos os locais improváveis para essa enorme e muito sofisticada obra de arte, ela foi descoberta no sudoeste rural da Inglaterra.

O único elemento que parece autenticamente do Oriente Médio são as romãs ao lado da cabeça de Cristo. O artista parece ter tido uma ideia clara desse símbolo mediterrâneo da imortalidade e de como representá-lo junto à figura central do mosaico.


Photo by Lucien de Guise, courtesy of the British Museum


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Fé: palavras de Cristo para meditar nos grandes momentos de dúvida

STRESSED WOMAN


Algumas pessoas pensam que estar em dúvida é quase estar sob o domínio do mal. No entanto, grandes santos viveram esta provação. Hoje em dia, ouvir sobre a experiência deles e meditar com a Palavra de Deus ajuda muitos cristãos a perseverar na fé a pesar das dúvidas, das fraquezas e dos questionamentos que podem surgir

Apalavra “dúvida” pode significar duas coisas diferentes. Inicialmente, podemos duvidar de uma verdade. Como sugere a etimologia da palavra (dubius, duplo), quem duvida está na frente de uma estrada em forma de Y: não consegue saber se deve ir para a direita ou para a esquerda, dizer sim ou não a uma proposta. Hesitamos, somos céticos.

Mas a palavra também pode designar um questionamento que fazemos a nós mesmos sobre uma verdade à qual até agora aderimos sem hesitação. Como nos lembra o Catecismo da Igreja Católica: “A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir” (§ 157).

Quando, no dia do batismo, o catecúmeno proclama sua fé em Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – o seu “Eu creio” expressa uma certeza. Uma certeza que comumente se segue de muitas perguntas, contudo, se ele está pedindo o batismo, é porque conseguiu pôr um fim à sua hesitação. Ele crê!

Então, essa fé é chamada a desenvolver-se. Se ele continuar a estudar, encontrará muitas razões para crer as quais ele ainda não conhecia. Se ele reservar um tempo para rezar todos os dias, o Senhor revelará sua presença de forma ainda mais viva.

E se ele se encontra num momento de aridez, não há porque se preocupar, pois ele sabe que os iniciantes na fé recebem graças e consolações que o Senhor já não concede tanto para aqueles que alcançaram uma fé mais profunda.

Contudo, pode acontecer que, à ocasião de uma grande provação, ele seja questionado sobre algum aspecto da mensagem do Evangelho. Esses questionamentos não levam necessariamente o cristão a duvidar, e sempre há uma solução para remediá-los.

“Dez mil dificuldades não fazem uma única dúvida”

Alguns santos também experimentaram terríveis noites espirituais. Eles tinham a impressão de que Deus os havia abandonando, que eles não eram mais capazes de amar a Deus ou que estavam condenados. Eles precisaram implorar ao Senhor para não os deixar entrar em desespero.

O que os consolava era o fato de que eles tinham certeza de que, aceitando participar das agonias de Cristo, eles estavam junto a ele, salvando o mundo, lutando por todos aqueles que ainda são fechados à luz, para que obtivessem a graça de crer. 

Quando Santa Teresa de Lisieux, nos últimos meses de sua vida, foi terrivelmente tentada a duvidar da existência do Céu, ela continuou a acreditar firmemente, se apegando às palavras de Cristo: “Eu prepararei um lugar para você” (Jo 14, 2). Como disse o cardeal John Henry Newman, “dez mil dificuldades não fazem uma só dúvida”.

Padre Pierre Descouvemont


domingo, 7 de junho de 2020

Como o adolescente pode vencer o medo de se confessar?



Convencer os jovens a reconhecerem suas culpas não é uma tarefa fácil

Durante a Missa, ao rezarmos a oração “Confesso a Deus Todo-Poderoso…”, batemos em nosso peito, por três vezes, e afirmamos que nós pecamos “muitas vezes, em pensamentos, atos, obras e omissões”.

Vamos pensar nas palavras e no gesto de “bater o peito”. O peito é o símbolo do coração, origem das ações boas e más. De fato, Jesus disse: “É de dentro do coração do homem que saem as más intenções, como a imoralidade, os roubos, crimes e adultérios, as ambições sem limites, maldades e malícias, a devassidão, inveja e calúnia, o orgulho e a falta de juízo. Todas essas coisas saem de dentro da pessoa, e são elas que a tornam impura” (Marcos 7,21-23). Nesse sentido, “bater o peito” significa “quebrar” aquele coração do qual saiu o mal na nossa vida; naturalmente, isso é possível, para nós cristãos, com a ajuda da Graça de Deus. Se, no entanto, compararmos essas palavras e o gesto que acompanha a oração “Confesso a Deus Todo-Poderoso” com a nossa vida, perceberemos que fica mais fácil “bater o peito… dos outros”, reconhecer os pecados dos outros do que os nossos. A esse respeito, Jesus uma vez disse: “Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção à trave que está no seu próprio olho?” (Mateus 7,3). O apóstolo João escreve: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 Carta de João 1,8).

No fundo, nosso orgulho acaba nos tornando “cegos” diante das nossas faltas. E a confissão é um momento no qual recuperamos “a coragem da verdade”. Antes de tudo: “Confesso a Deus Todo-Poderoso”. Começamos a nos colocar diante d’Ele. Só Ele conhece, na mais profunda realidade, o bem e o mal que está dentro de nós. Nesse sentido, o apóstolo Paulo escrevia: “Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vocês ou por qualquer tribunal humano, nem eu julgo a mim mesmo. É verdade que a minha consciência de nada me acusa, mas isso não significa que eu seja inocente: quem me julga é o Senhor” (1 Carta aos Coríntios 4,3-4).

Começamos a dizer para Ele: “Pai Querido, Justo e Misericordioso, somente Vós conheceis o bem e o mal que está dentro de mim”. Mesmo assim, todos os homens distinguem entre “bem e mal”, “moral e imoral”, “ético e antiético”. Além disso, nós cristãos recebemos “luzes” da Palavra de Deus, proclamada na fé da Igreja, para que nossa consciência seja sempre mais iluminada.

Os adolescentes e a confissão

Até agora não falei nada dos “adolescentes”. Então, o que tem a ver a reflexão apresentada com os adolescentes?

Antes de tudo, a palavra “adolescente” provém do termo latino “adolescere”, que significa “crescer”. Adolescente é aquele que está crescendo. Não é mais criança e ainda não se tornou adulto. É chamado a responder, de maneira muito significativa, às duas perguntas fundamentais da vida humana: Quem sou eu? O que vou fazer da minha vida? Pelas respostas que forem dadas a essas duas perguntas, durante a adolescência, a vida inteira ficará marcada.

A procura de “quem sou eu” leva, frequentemente, o adolescente a desenvolver o espírito de independência e liberdade: ele não é mais uma criança que precisa ser continuamente guiada, mas ainda não é adulto, por isso, é imaturo e manifesta-se, frequentemente, com brusquidão e agressividade.

Nessa situação específica, a vontade de ser independente e livre, e a situação de uma maturidade ainda não atingida, poderia levar o adolescente a não reconhecer os próprios limites, os próprios erros e a ser extremamente crítico com as atitudes dos adultos: no fundo, dos outros.

Independência e liberdade

Se esse adolescente for um cristão-católico, cuja religião oferece a oportunidade de confessar-se, reconhecendo os próprios erros e os próprios limites, a atitude de  “independência e liberdade” com si mesmo e de crítica ao mundo dos adultos, como também a situação de imaturidade, podem se tornar uma dificuldade para conseguir “reconhecer os próprios erros” diante de um padre que, no fundo, acaba representando o “mundo dos adultos” que ele critica.

Não podemos nos esquecer, contudo, de que a adolescência é uma fase de crise e oportunidade ao mesmo tempo.

No fundo, o adolescente se encontra, nesse sentido, numa situação mais fácil que aquela do adulto que, na sua vida, particularmente na adolescência, não “cresceu”. Se ele não se acostumou, quando adolescente, a reconhecer os próprios erros, quando ele for adulto, será bem mais difícil chegar a tal atitude.

Mensagem do Papa Francisco

Na sua recente (dia 1º de outubro 2017) viagem a Bolonha (Itália), Papa Francisco assim se expressou: “É o arrependimento que permite não se enrijecer, a transformar os ‘nãos’ a Deus em ‘sim’, e o ‘sim’ ao pecado em ‘não’, por amor ao Senhor. A vontade do Pai, que a cada dia delicadamente fala à nossa consciência, realiza-se somente na forma de arrependimento e conversão contínua. Não são os raciocínios que justificam e tentam salvar as aparências, mas um coração que avança com o Senhor, luta a cada dia, arrepende-se e retorna para Ele, porque o Senhor busca os puros de coração”.

Papa Francisco falou assim para todo mundo: crianças, adolescentes, jovens e adultos. Mas o adolescente se encontra numa fase “oportuna” da vida, para, repetindo as palavras do Papa, “manifestar o arrependimento que permite não se enrijecer, transformar os ‘nãos’ a Deus em ‘sim’, e os ‘sim’ ao pecado em ‘não’, por amor ao Senhor”.

Por Lino Rampazzo, via Canção Nova 

3 dicas para quem quer se confessar mas tem vergonha dos pecados que cometeu

CONFESSIONAL


Não é ruim sentir vergonha de seus pecados. Mas não permita que essa vergonha se transforme em um bloqueio

Antes de tudo, reflita sobre uma passagem do Evangelho sobre a paixão de Jesus e considere que Ele quer, por sua misericórdia infinita, aplicar em você todas as graças que ele obteve na cruz. Ele quer te perdoar. Mas você tem que responder a ele. A vida passa muito rápido, e devemos nos preparar para a eternidade.

Não tenha medo. Deus ama você e vai estar com você na Confissão. Confie em Jesus e verá que paz e felicidade você vai receber.

Aqui, apresentamos três conselhos para ajudar quem quer se confessar, mas tem vergonha de seus pecados:

1.- Procure um padre que não conheça você  

Se você quiser, você pode se confessar em um lugar onde o padre não te conheça. As igrejas devem ter horários de Confissão estabelecidos e você também pode se confessar sem mostrar seu rosto.

Como padre, posso dizer que, quando alguém confessa um grande pecado, o que sinto é uma grande admiração por esta pessoa, por ela ter se atentado ao verdadeiro valor da Confissão.

Os padres sabem que decidir-se pela Confissão é uma graça e requer muita humildade. Quem se confessa, reconhece seu pecado e se humilha. Isso é admirável.

2.- Exame de consciência

Faça um exame de consciência com humildade. Uma lista de perguntas pode ajudar nessa tarefa.

Se você não conseguir se lembrar de todos os pecados na hora da confissão, mas se lembrou deles no exame de consciência, a Confissão é válida.

3.-. Vencer a tentação de adiar a Confissão

Decida-se hoje, pois amanhã pode ser muito tarde. Faça o exame de consciência, olhe para Jesus, que te ama e quer te perdoar. Depois, vá em frente. Se fizer muito tempo que você não se confessa, não tenha medo. Converse com o padre. Ele vai ajudar.

 

 Padre Jordi Rivero. Fonte: corazones.org. 

Artigo publicado em pildorasdefe.net, traduzido e adaptado ao português por Aleteia.

 

Posso “reconfessar” meus pecados?

CONFESSION


Saiba o que diz a Igreja sobre o assunto

Um pecado já confessado e perdoado pode ser novamente acusado no sacramento da Confissão?

Antes de respondermos à pergunta, observemos desde já que não se está pondo em questão aqui se a absolvição do pecado anteriormente confessado aconteceu ou não aconteceu. Que fique bem claro: se uma pessoa se aproximou do tribunal da Penitência, arrependida, acusou ao sacerdote seus pecados e ele, pelo poder das chaves, traçou sobre elas o sinal da Cruz, pronunciando a fórmula de absolvição, perdoados estão esses pecados dessa pessoa, e não há o que discutir.

Alguém até pode pensar ou dizer: “não consigo me livrar dessa culpa”, “não me sinto perdoada por Deus”, “estou condenada”, mas, nesse caso, é preciso pedir aos nossos fantasmas que se calem e ouçam a voz da Igreja. “Reconfessar” os próprios pecados por não se crer perdoado (e quando não há nada, é claro, que permita duvidar da validade da primeira confissão) seria um flagrante ultraje à misericórdia divina, pois pelas palavras do sacramento Deus realmente opera uma transformação na alma do penitente. Embora essa transformação interna reverbere muitas vezes no corpo, trazendo leveza e bons sentimentos, não é necessário sentir-se perdoado ao deixar o confessionário; basta que tenhamos fé

Muito bem, um pecado já confessado e perdoado não precisa ser acusado de novo no sacramento da Confissão, não é obrigatório fazê-lo e ponto final [1]. Mas nossa pergunta inicial não era quanto à necessidadedessa prática, senão quanto à sua possibilidade e conveniência.

A resposta talvez impressione alguns, mas sim, é perfeitamente possível repetir os pecados já confessados em uma confissão posterior, e não por “complexo de culpa” ou angústia parecida, mas para ganhar de Deus mais graças no caminho da santidade.

Compreendamos primeiro a ordem em que se dá a nossa reconciliação com Deus na Confissão. Não é que Ele esteja segurando uma “lista” de nossos pecados e, à medida que os vamos confessando, Ele os vai riscando um a um e… (passe de mágica!) estamos perdoados. Não, o sacramento apaga os pecados porque infunde a graça de Deus em quem o recebe; ele é sinal e realidade, opera o que significa (cf. STh III 62, 1): este é o efeito principal de todo sacramento. O da Penitência, porém, juntamente com o do Batismo, são chamados “sacramentos de mortos”, pois têm o poder de restituir completamente à alma a vida da graça que fôra perdida. (Os demais sacramentos chamam-se “de vivos”, pois devem ser recebidos sempre em estado de graça.)

Lembremo-nos agora, com o Catecismo da Igreja Católica (§ 1472), que

o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama “pena eterna” do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado “purgatório”. Esta purificação liberta da chamada “pena temporal” do pecado.

Perdoados então os pecados mortais, resta-nos expiar a “pena temporal” devida pelo pecado. Aqui na terra, ela pode ser eliminada de vários modos: ao se rezar uma oração indulgenciada, ao se realizar uma obra de caridade qualquer e, também — com o que voltamos a nossa questão inicial —, ao se receber com as devidas disposições os sacramentos da Igreja.

Portanto, para que “recontar” em confissão as faltas graves de que já nos acusamos, senão para ir eliminando esses resquícios que delas ficaram? (Ou seremos tão cegos a ponto de achar que nossos pecados passados não deixaram “marcas” em nossas vidas?) Dando-nos uma razão teológica para essa prática, Santo Tomás de Aquino explica ainda que:

Também na segunda absolvição o poder das chaves perdoa algo da pena, porque esta segunda absolvição aumenta a graça, e quanto mais graça se recebe, menos impureza do pecado anterior fica e menos pena a purificar. Disso resulta que também na primeira absolvição se perdoa a alguém mais ou menos pena, de acordo com sua disposição para receber as graças, podendo ser tão grande a disposição, que em virtude da contrição desapareça toda a pena […]. Igualmente, não há dificuldade em admitir que por sucessivas confissões desapareça toda a pena, de maneira que fique totalmente sem castigo um pecado pelo qual já satisfez a paixão de Cristo (Suppl. 18, 2 ad 4).

Que fique bem claro, portanto, mais uma vez: a acusação reiterada de um pecado não se faz aqui por desconfiança da misericórdia de Deus, mas sim para fortalecer no próprio coração o arrependimento das culpas passadas, ajudar-nos a evitá-las no futuro e, também, abreviar o nosso purgatório na outra vida.

Existe outra razão, ainda, por que essa prática é conveniente, e ela diz respeito às chamadas “confissões devocionais”, que as pessoas mais piedosas fazem frequentemente com vistas não tanto a acusar pecados mortais recentes (pois não mais os cometem), mas procurando livrar-se de suas faltas veniais e aumentar o fervor de sua devoção. O Pe. Antonio Royo Marín (Teología de la Perfección Cristiana, n. 309) explica que, nesses casos,

é mais fácil do que se crê a invalidade da absolvição por falta de verdadeiro arrependimento, ocasionado pela própria insignificância dessas culpas e pelo espírito de rotina com que são confessadas. Por isso, tendo em vista a validade das absolvições, é preferível não se acusar das faltas ligeiras das quais não haja vontade de livrar-se a todo custo — já que não é obrigatória a acusação das faltas veniais, e seria irreverência e grande abuso acusar-se sem arrependimento nem propósito de emenda —, fazendo recair a dor e o propósito sobre algum pecado grave da vida passada do qual a pessoa volte a se acusar ou sobre alguma falta atual pela qual exista dor de verdade e o sério propósito de não voltar a cometê-la.

Nessa situação, a nova confissão de um pecado passado funciona também como uma forma de “garantia”, para que não venhamos a receber invalidamente o sacramento da Confissão. Embora a falta em questão já tenha sido perdoada, a graça sacramental atua aqui sobre as sequelas que ela deixou, curando-as e dando forças à alma para seguir no combate contra o mal — que, como sabemos, dura até a morte.

(Cabe deixar um último conselho a respeito dessa prática: ao acusar-se de um pecado devidamente confessado e do qual já se recebeu o perdão, é preciso dizer expressamente que se trata de uma falta do passado já confessada, sob o risco de induzirmos em erro o sacerdote a respeito do tempo em que foi praticado o pecado.)

Existe outra razão, ainda, por que essa prática é conveniente, e ela diz respeito às chamadas “confissões devocionais”, que as pessoas mais piedosas fazem frequentemente com vistas não tanto a acusar pecados mortais recentes (pois não mais os cometem), mas procurando livrar-se de suas faltas veniais e aumentar o fervor de sua devoção. O Pe. Antonio Royo Marín (Teología de la Perfección Cristiana, n. 309) explica que, nesses casos,

é mais fácil do que se crê a invalidade da absolvição por falta de verdadeiro arrependimento, ocasionado pela própria insignificância dessas culpas e pelo espírito de rotina com que são confessadas. Por isso, tendo em vista a validade das absolvições, é preferível não se acusar das faltas ligeiras das quais não haja vontade de livrar-se a todo custo — já que não é obrigatória a acusação das faltas veniais, e seria irreverência e grande abuso acusar-se sem arrependimento nem propósito de emenda —, fazendo recair a dor e o propósito sobre algum pecado grave da vida passada do qual a pessoa volte a se acusar ou sobre alguma falta atual pela qual exista dor de verdade e o sério propósito de não voltar a cometê-la.

Publicado originalmente no site do Padre Paulo Ricardo 

Um mês com o Sagrado coração de Jesus | 7º Dia com Padre Mario Sartori

[Homilia Diária] Domingo - Santíssima Trindade

quarta-feira, 3 de junho de 2020

A crucial (e libertadora) diferença entre “solidão” e “solitude”

CATHOPIC

Sim, existe o termo “solitude” em português – e ele não significa o mesmo que “solidão”

Apalavra “solidão” não é novidade para ninguém, mas, em português, também existe o termo “solitude”, embora seja bem menos usual em nossa linguagem cotidiana. E o mais interessante: solidão e solitude parecem sinônimos, mas, na verdade, não significam a mesma coisa.

Vamos fazer a distinção entre eles a partir das reflexões do teólogo Paul Tillich sobre a diferença entre os dois conceitos que essas palavras tentam expressar.

A palavra “solidão” tem uma carga geralmente negativa, melancólica, triste: costuma referir-se à sensação dolorosa, sofrida, de estarmos sozinhos.

Já a palavra “solitude” não tem essa carga triste: ela simplesmente expressa o fato de estarmos a sós.

E não há nada de negativo nos sadios momentos vividos a sós. Pelo contrário: a solitude chega a ser um remédio para a solidão, porque é libertador saber estar a sós consigo mesmo, desfrutar serenamente da própria companhia, não sentir uma dependência exagerada da presença dos outros.

É desejável o sadio equilíbrio entre a solitude e a boa companhia. Certamente faz bem desfrutar de amizade, amor, proximidade, reciprocidade, mas também faz bem desfrutar de momentos de privacidade com a própria alma, o próprio silêncio. São momentos em que podemos ouvir melhor a voz do nosso eu, intrinsecamente aberto a procurar a Voz de Deus.


https://pt.aleteia.org/2020/03/03/a-crucial-e-libertadora-diferenca-entre-solidao-e-solitude/