Mostrando postagens com marcador Exemplos de vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Exemplos de vida. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de julho de 2020

O médico que, com o terço em mãos, reza pelos pacientes

NESTOR RAMIREZ


No meio da pandemia, um exemplo de fé e solidariedade que nos enche de esperança

Em meio aos seus longos plantões, o médico anestesiologista Néstor Ramírez Arrieta aproveita qualquer oportunidade para rezar o Rosário, como foi “flagrado” em uma clínica na cidade de Cartagena, Colômbia.

“Ele, como muitos médicos, aguenta turnos intermináveis e uma pressão emocional muito forte que muitos de nós não seríamos capazes de resistir. Mesmo assim, em momentos curtos de descanso, tira seu rosário e se entrega à oração. Embora diferimos na maneira de adorar e orar, alguém dúvida que Deus ouve esta oração?”

Foi com essa legenda que o pastor evangélico Luis Alberto Gallego publicou nas redes sociais uma foto do doutor Ramírez. A publicação foi compartilhada e comentada por milhares de pessoas.

 “Não tenho dúvida: Deus ouve nossas orações, o que ele mais gosta é curar os enfermos e eu sou testemunho da sua presença diariamente. Ele age através das minha mãos, peço que Ele utilize meu ministério de cura, ainda mais agora que atravessamos uma situação tão difícil”, disse Ramírez à Aleteia. Ramírez é um entre tantos profissionais que lutam para salvar vidas em um país em que a crise do sistema de saúde se agravou muito com a Covid-19.

A situação não é nada fácil porque os recursos hospitalares no país se mostram insuficientes e a pobreza obriga muitos de seus habitantes a sair de casa para conseguir o sustento da família, negligenciando, muitas vezes, as medidas de prevenção.

Médicos, enfermeiros e todos os profissionais da saúde são um grupo muito vulnerável, não só por causa dos riscos de contágio, mas também por causa das condições precárias de trabalho e pela incompreensão dos cidadãos que, frequentemente, chegam ao extremo de ameaçá-los de morte e agredi-los.

Consciente da situação, o Dr. Ramírez sai para trabalhar todos os dias na Cínica Madre Bernarda – da comunidade das Irmãs Franciscanas – com a tranquilidade de estar protegido pelas melhores armas: a oração, a Eucaristia, o Rosário, o Sangue de Cristo e os Sacramentais. Seus dias transcorrem entre tensões, lutas pela vida, pacientes recuperados e a oração permanente.

“Há alguns dias, tive que realizar uma traqueostomia em um paciente com Covid. Foi a segunda vez que senti um grande temor nesta pandemia, mas também uma enorme esperança. Depois de entrar por um labirinto, ser vestido por duas pessoas, colocar dois macacões, máscaras e luvas, fizemos o procedimento – um dos que têm mais riscos de contágio para a equipe médica. Se as pessoas tivessem a oportunidade de ver esses quadros, não saíram às ruas, não acelerariam a reabertura dos setores econômicos e teriam mais cuidado”, desabafou o médico.

Cada intervalo no turno de 24 horas e todo tempo de descanso entre as cirurgias são oportunidades de oração para o Dr. Ramírez. “Muitos pacientes, apesar da anestesia geral, têm manifestado que sentiram algo espiritual, uma sensação difícil de descrever. Quando eu os vejo vulneráveis, rezo por eles e eles sentem. É Deus agindo através das minhas mãos”, explica. 

Ele já foi testemunho de vários milagre em suas salas de cirurgia, como por exemplo, o caso de um bebê de quatro meses com malformação congênita no crânio. “É uma cirurgia pouco comum, em que os especialistas abrem o crânio e o paciente sangra muito. As únicas coisas que pude fazer antes da operação foram revisar um artigo sobre esse tipo de cirurgia e ir até o Santíssimo pedir que Deus tomasse o controle. O menino não sangrou, acordou e me deu um sorriso angelical. Naquela hora, soube mais uma vez que Deus tinha passado por aquele lugar”. 

O Rosário, companheiro fiel

A vida de Néstor Ramírez se divide em duas: antes e depois de conhecer Cristo. Seu caminhar espiritual há 18 anos lhe permite evangelizar enquanto aplica a ciência. Não tem sido fácil. A princípio, ele enfrentou piadas. Mas, pouco a pouco, seus companheiro de trabalho perceberam que ele é um homem de fé.

“Depois de uma crise familiar e uma vida mundana, tive a oportunidade de ver Deus, cara a cara comigo em um dia de solidão. Comecei a participar de grupos de oração, voltei à Eucaristia, comecei a estudar a vida da Vigem Maria e fui pegando amor no Rosário, companheiro fiel em minha vida profissional, o qual rezo várias vezes todos os dias”, assegura o médico.

“Apesar das dificuldades para exercer minha profissão, seguirei ajudando tantos enfermos que imploram misericórdia, porque eu trabalho para Deus, não para os homens”, conclui o Dr. Ramírez.


https://pt.aleteia.org/2020/07/06/o-medico-que-com-o-terco-em-maos-reza-pelos-pacientes/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=weekly_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A menina que consolou o coração de Deus após uma profanação da Eucaristia


Um dos testemunhos mais incríveis e emocionantes de amor a Jesus Eucarístico
IRAQ, BARTALA : An Iraqi Christian child rests on a phew inside the Church of the Virgin Mary in the town of Bartala, on June 15, 2012, east of the northern city of Mosul, as some Iraqi security remain in the town to protect the local churches and community. The exiled governor of Mosul, Iraq's second city which was seized by Islamist fighters last week, has called for US and Turkish air strikes against the militants. AFP PHOTO/KARIM SAHIB

Alguns meses antes de sua morte, o Bispo Fulton J. Sheen foi entrevistado pela rede nacional de televisão: “Bispo Sheen, milhares de pessoas em todo o mundo inspiram-se em você. Em quem você se inspirou? Foi por acaso em algum Papa?”.
O Bispo Sheen respondeu que sua maior inspiração não foi um Papa, um Cardeal, ou outro Bispo, sequer um sacerdote ou freira. Foi uma menina chinesa de onze anos de idade.
Explicou que quando os comunistas apoderaram-se da China, prenderam um sacerdote em sua própria reitoria, próximo à Igreja. O sacerdote observou assustado, de sua janela, como os comunistas invadiram o templo e dirigiram-se ao santuário. Cheios de ódio profanaram o tabernáculo, pegaram o cálice e, atirando-o ao chão, espalharam-se as hóstias consagradas.
Eram tempos de perseguição e o sacerdote sabia exatamente quantas hóstias havia no cálice: trinta e duas.
Quando os comunistas retiraram-se, talvez não tivessem percebido, ou não prestaram atenção, a uma menininha, que rezando na parte detrás da igreja, viu tudo o que ocorreu. À noite, a pequena regressou e, escapando da guarda posta na reitoria, entrou no templo. Ali, fez uma hora santa de oração, um ato de amor para reparar o ato de ódio. Depois de sua hora santa, entrou no santuário, ajoelhou-se, e inclinando-se para frente, com sua língua recebeu Jesus na Sagrada Comunhão. (Naquele tempo não era permitido aos leigos tocar a Eucaristia com suas mãos).
A pequena continuou regressando a cada noite, fazendo sua hora santa e recebendo Jesus Eucarístico na língua. Na trigésima segunda noite, depois de haver consumido a última hóstia, acidentalmente fez um barulho que despertou o guarda. Este correu atrás dela, agarrou-a, e golpeou-a até mata-la com a parte posterior de sua arma.
Este ato de martírio heroico foi presenciado pelo sacerdote enquanto, profundamente abatido, olhava da janela de seu quarto convertido em cela.
Quando o Bispo Sheen escutou o relato, inspirou-se de tal maneira que prometeu a Deus que faria uma hora santa de oração diante de Jesus Sacramentado todos os dias, pelo resto de sua vida. Se aquela pequena pôde dar testemunho com sua vida da real e bela Presença do seu Salvador no Santíssimo Sacramento então, o bispo via-se obrigado ao mesmo. Seu único desejo desde então seria atrair o mundo ao Coração ardente de Jesus no Santíssimo Sacramento.
A pequena ensinou ao Bispo o verdadeiro valor e zelo que se deve ter pela Eucaristia; como a fé pode sobrepor-se a todo medo e como o verdadeiro amor a Jesus na Eucaristia deve transcender a própria vida.
Uma sugestão…
ORAÇÃO PARA ANTES DA COMUNHÃO – ( São Tomás de Aquino)
Ó DEUS eterno e todo poderoso, eis que me aproximo do Sacramento de Vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Impuro, venho à fonte da misericórdia; cego, à luz da eterna claridade, pobre e indigente, ao Senhor do Céu e da terra.
Imploro pois a abundância de Vossa imensa liberalidade para que Vos digneis curar minha fraqueza, lavar minhas manchas, iluminar minha cegueira, enriquecer minha pobreza, e vestir minha nudez.
Que eu receba o Pão dos Anjos, o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores, com o respeito e a humildade, a pureza e a fé, o propósito e a intenção que convém à salvação de minha alma.
Dai-me receber não só o Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, mas também Seu efeito e sua força.
Ó Deus de mansidão, dai-me acolher com tais disposições o corpo que Vosso Filho único, Nosso Senhor JESUS CRISTO, recebeu da Virgem Maria, que eu seja incorporado a Seu corpo místico e contado entre seus membros.
Ó Pai cheio de amor, fazei que, recebendo agora o Vosso Filho sob o véu do sacramento, possa na eternidade contemplá-lo face a face. Ele que Convosco vive e reina na unidade do ESPIRITO SANTO. Amém.
ORAÇÃO PARA DEPOIS DA COMUNHÃO – (São Tomás de Aquino)
Eu Vos dou graças, ó Senhor Pai Santo, DEUS eterno e todo poderoso, porque sem mérito algum de minha parte, mas somente pela condescendência de Vossa misericórdia, Vos dignastes saciar-me a mim pecador, Vosso indigno servo, com o sagrado Corpo e precioso Sangue de Vosso Filho Nosso Senhor JESUS CRISTO.
E peço que esta santa comunhão não me seja motivo de castigo, mas salutar garantia de perdão.
Seja para mim armadura da fé, escudo de boa vontade e libertação dos meus vícios.
Extinga em mim a concupiscência e os maus desejos, aumente a caridade e a paciência, a humildade e a obediência e todas as virtudes.
Defenda-me eficazmente contra as ciladas dos inimigos, tanto visíveis como invisíveis.
Pacifique inteiramente todas as minhas paixões, unindo-me firmemente a Vós, DEUS uno e verdadeiro, feliz consumação de meu destino.
E peço que Vos digneis conduzir-me, a mim pecador, a aquele inefável convívio em que Vós com o Vosso FILHO e o ESPÍRITO SANTO, Sois para os Vossos Santos a luz verdadeira, a plena saciedade e a eterna alegria, a ventura completa e a felicidade perfeita.
Por CRISTO Nosso Senhor. Amém.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

ELIZABETH DA TRINDADE (1880-1906) SELEÇÃO DE FRASES DAS CARTAS DA BEATA ELISABETH DA TRINDADE



Seleção I
Eu sou “Elisabeth da Trindade”, ou seja, a Elisabeth que desaparece, que se perde nos Três e
se deixa invadir por eles.
Só nos resta esvaziar-nos, desapegarmo-nos de tudo, para que nada mais exista senão Ele, e só
Ele… É aos pés da cruz que a gente sente em profundidade todo esse vazio das criaturas, essa
sede infinita d´Ele.
Sim, nós lhe pertencemos totalmente, entreguemo-nos todas ao nosso predileto Jesus num
generoso abandono! Fazer a sua vontade é o que há de mais belo. Ofereçamos-lhe nosso exílio. É
tão doce sofrer por quem se ama…
Amemos, portanto, o nosso Dileto, mas com amor calmo e profundo! Permaneçamos em
recolhimento ao lado Daquele que é (Esd 3,14), junto ao Imutável cuja luz sempre resplende sobre
nós. Nós somos aqueles que não são. Vamos até ele, que quer que sejamos todas suas e que nos
envolve por toda parte, de maneira que já não somos mais nós que vivemos, mas sim ele (cf. Gl
2,20). Como é grande a bondade do divino Prometido e como parece refulgir mais na obscuridade da
prova! Ele nos marca com o sinete da cruz para que mais nos assemelhemos a ele… Na realidade,
existem correspondências de amor que só se pode compreender na cruz.
Ele me aparece sempre mais ao meu pensamento como a Águia divina. Nós somos a presa do
seu amor. Agarra-nos, coloca-nos sobre suas asas e leva-nos para longe, às alturas sublimes
onde a alma e o coração gostam de perder-se!
… acaso podemos desejar alguma coisa que ele não queira? Porventura não estamos prontas a
permanecer neste mundo enquanto ele quiser? Como é bonito unir, identificar a nossa vontade
com a dele! Que alegria sofrer, dar algo a quem se ama.
“Deus em mim, e eu nele” deve ser o nosso lema. Que jubiloso mistério a presença de Deus
dentro de nós, neste íntimo santuário das nossas almas onde sempre podemos encontrá-lo,
também quando não percebemos mais sensivelmente a sua presença! Que importa o sentimento?
Talvez ele esteja também mais perto, quando menos o sentimos.
É aqui, no fundo da alma, que gosto de procurá-lo. Preocupemo-nos em não deixá-lo jamais
sozinho, e em que a nossa vida seja uma contínua oração. Quem poderá, acaso, raptar-nos o
nosso Bem-Amado ou distrair-nos daquele que nos tomou e nos fez totalmente suas? Como é
grande a sua bondade!
… Os seus sofrimentos agradam muito ao seu Bem-Amado, o qual se compraz em prolongá-los
desta maneira. Eles constituem o sinal da sua predileção, da sua vontade de uni-la intimamente a
si. Se ele nos prova, ocultando-se à nossa alma, é porque já sabe que o amamos demasiado para
que o deixemos. Por isso, deixemos que ele ofereça também a outras almas as suas doçuras e as
suas consolações para atraí-las a si. E nós amemos esta obscuridade que nos aproxima dele.
Se soubesse como às vezes sinto nostalgia do céu! Como gostaria de voar para lá, junto de meu
Deus! Percamo-nos nessa Trindade Santa, nesse Deus todo Amor, deixemo-nos transportar nessas
regiões onde não há mais do que ele, só ele!
Pertencemos-lhe… deixemos que o nosso Bem-Amado nos tome e leve aonde melhor lhe
aprouver… o meu coração não agüenta mais, pois está todo possuído por Ele! Mas o que estou
dizendo? Ele não se apodera de nós para levar-nos para longe, Ele que está sempre dentro de
nós: Ele, o “Imutável”, “Aquele que é” (Ex 3,14).
… Encontrei o meu céu na terra, nesta querida solidão do Carmelo onde estou a sós com meu
único Deus. Tudo faço com ele e realizo todas as coisas com alegria divina.
Oh! Sinto que todos os tesouros encerrados na alma de Cristo são meus e me sinto, assim, tão
rica. Com que alegria e felicidade vou abeberar-me neste manancial em favor de todos aqueles
que amo e que me fizeram tanto bem.
Aqui não há nada, nada mais que ele somente. Ele é tudo, ele basta, só se vive dele e
encontramo-lo por toda parte…
… quando se sente triste, diga-o àquele que tudo sabe, que tudo compreende e que é o Hóspede
de sua alma. Pense que ele se acha dentro de você como numa pequena hóstia.
Durante o dia, pense às vezes naquele que está dentro de você e que tem tanta sede de ser
amado. É perto dele que você sempre me há de encontrar!
Veja só como é maravilhosa a união das almas! Devemos amar-nos acima de tudo o que é
passageiro: então nada pode separar. Amemo-nos assim.
Aconselho-a a simplificar o número de livros… Pegue o seu crucifixo, olhe-o, ouça-o. Você sabe
que é ali que temos nosso encontro.
Mesmo no trabalho, podemos rezar ao bom Deus: basta pensar nele. Então tudo se torna suave e
fácil, porque não agimos sozinho, mas ali também Jesus está atuando.
Amo sempre mais estas queridas grades que me constituem prisioneira do amor.
Vivamos com Deus como com um amigo. Procuremos avivar a nossa fé para comunicar-nos com
ele através de todas as coisas, pois assim conseguimos a santidade.
Nós carregamos o céu dentro de nós, porque aquele que sacia os bem-aventurados, na luz da
visão beatífica, entrega-se a nós na fé e no mistério.
… o abandono leva-nos a Deus. Eu sou muito jovem, mas às vezes me parece que já sofri muito.
Então, nesses momentos de confusão, quando o presente me era tão doloroso e o futuro me
parecia ainda mais obscuro, eu fechava os olhos e me abandonava como uma criança nos braços
daquele Pai que está nos céus.
Não basta deter-nos diante da cruz e contemplá-la, mas precisamos recolher-nos na luz da fé,
elevar-nos mais alto e pensar que ela constitui o instrumento do amor divino.
A Carmelita é uma alma que contemplou o divino Crucificado, que o viu oferecer-se como vítima
ao seu Pai em prol das almas; ela reflete à luz desta grande visão da caridade de Cristo e
compreendeu, assim, a paixão de amor da sua alma e quis entregar-se como ele!…
… Vivamos na intimidade com o nosso Amado, sejamos totalmente dele como ele é
completamente nosso.
Bem que eu quisera ser uma alma totalmente silenciosa e adoradora para poder penetrar sempre
mais nele. Quisera encher-me de Sua plenitude, que pudesse dá-lo mediante a oração àquelas
pobres almas que ignoram o dom de Deus!
Quando contemplo a minha vida passada, descubro, como que uma divina perseguição de amor
sobre minha alma. Oh! Quanto amor! Sinto-me como que esmagada sob o seu peso e só me
resta calar e adorar!
Quer saber como é que me comporto quando me encontro um pouco cansada? Olho para o
crucifixo, e, vendo como ele se sacrificou por mim, sinto que só posso prodigalizar-me por ele e
consumir-me, a fim de restituir-lhe um pouco daquilo que me deu!
E pensar, minha boa Madre, que temos o céu dentro de nós, aquele céu de que às vezes sinto tão
pungente nostalgia!
Oh! Se você soubesse como ele é bom, como é todo amor! Eu lhe peço que se revele à sua alma,
que seja o amigo que você sempre saiba encontrar. Então tudo se esclarece e ilumina e a vida se
torna algo tão belo de viver!
Creio que não há nada que nos manifesta tanto o amor que está no coração de Deus como a
Eucaristia. É a união consumada, é ele em nós e nós nele; e não lhe parece que isto é o céu na
terra? Ele colocou no meu coração uma sede de infinito e uma necessidade tão grande de amar, que só
ele pode saciar. O sacrifício é um sacramento que nos leva a Deus. Ele o envia àqueles que ama e que deseja estejam perto dele!
… Se o bom Deus nos separou, é porque ele quer ser o Amigo que a gente sempre pode
encontrar. Ele está postado à porta do coração… e espera.
E eu amo tanto aquele Deus que me quer ciumentamente só para si. Sinto tanto amor me
envolvendo a alma! É como se fosse um oceano em que me lanço e me perco… Ele está em mim
e eu nele. Só tenho que amá-lo e deixar que me ame, a cada instante, em cada coisa.
A alma não pode resistir ao seu apelo. Ele subjuga, acorrenta; a gente não se pertence mais a si,
mas nos tornamos a presa do seu amor. O coração pode sofrer arranhões, mas na alma reina
uma paz inefável…
Eu sou “Elisabeth da Trindade”, ou seja, a Elisabeth que desaparece, que se perde nos Três e se
deixa invadir por eles. Vivamos de amor, sejamos simples como ela, sempre no mais completo abandono, imolando-nos momento após momento no cumprimento da vontade de Deus, sem procurar coisas
extraordinárias. Nós somos tão fracas ou, até mesmo, não somos senão miséria; mas ele sabe disso e gosta de perdoar-nos, de soerguer-nos e, depois de, de arrebatar-nos para junto de si, na sua pureza, na
sua santidade infinita. Quero ser santa. Santa para fazê-lo feliz. Peça-lhe que eu só viva de amor! Esta é a minha vocação!
Os santos são almas que se esquecem a todo instante de si, que desaparecem de tal maneira
naquele que amam, que não se preocupam com sua própria pessoa…
Como compreendo, agora, o recolhimento e o silêncio dos santos que não conseguiam mais
abandonar a sua contemplação.
Gosto de contemplar a minha vida de carmelita nesta dupla vocação: “Virgem-Mãe”. Virgem,
desposada com Cristo na fé. Mãe, salvando as almas e multiplicando os filhos adotivos do Pai…
Não existem mais distâncias, porque já é o Uno como no céu… o céu que um dia chegará quando
então veremos a Deus na sua luz.
Reze por mim: o horizonte é maravilhoso, o sol divino faz brilhar a sua grande luz. Peça que a
borboletazinha queime suas asas em seus raios.

http://reporterdecristo.com/elizabeth-da-trindade-1880-1906