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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O dia em que o arquiteto de uma igreja enganou o diabo


Um truque utilizado na construção evitou que o arquiteto fosse obrigado a vender sua alma ao diabo

O dia em que o arquiteto de uma igreja enganou o diabo

Assim que alguém entra na Catedral de Munique, Alemanha, mais conhecida pelos moradores da cidade como Fauenkirche (Igreja de Nossa Senhora), é possível ver uma pegada no ponto de acesso à nave central. Essa é a famosa “pegada do diabo”. Ao redor dela, uma história que envolve Jörg Von Halsbach, o arqueiteto da catedral, tem atravessado  gerações.
Diz a lenda que Halsabach, assim que recebeu a missão de construir a igreja, foi forçado a fazer um pacto com o diabo por pura necessidade. Algumas fontes afirmam que ele estava ficando aquém do orçamento para completar sua obra. Outros dizem que o diabo frequentemente intervinha na construção de catedrais, causando acidentes que atrasariam o trabalho por séculos. De qualquer forma, o diabo ajudou Halsbach sob a condição de que sua catedral não tivesse janelas, de modo que nem a luz natural nem a divina pudesse entrar no edifício. Se ele não conseguisse construir tal estrutura, Halsbach teria que entregar sua alma ao diabo.
O maligno estava certo de que ele tinha feito o melhor negócio, sabendo que a construção de uma catedral sem janelas é como construir um carro sem rodas. Mas Halsbach conseguiu terminar a catedral em apenas 20 anos, o que é excepcional se levarmos em conta que uma catedral poderia levar várias gerações para ser concluída.

A famosa pegada do diabo na Catedral de Munique,  Alemanha
A famosa pegada do diabo na Catedral de Munique,
Alemanha
Quando a obra estava pronta, o diabo ficou na entrada da Frauenkirche (o diabo não pode entrar em um edifício sagrado, por razões óbvias) e, de fato, não podia ver nenhuma janela. Pelo menos não de onde ele estava. O grande vitral atrás do altar estava coberto por um imenso retábulo, e Halsbach foi bastante hábil como arquiteto para arrumar as colunas internas da catedral, de modo que elas pareciam se sobrepor como se fossem uma parede, escondendo as belas janelas.

As colunas que impediam a visão das janelas laterais
As colunas que impediam a visão das janelas laterais
O diabo saiu do lugar enganado e frustrado, deixando sua marca precisamente no ponto onde as janelas não podem ser vistas. E o inteligente Jörg Von Halsbach manteve sua alma.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Poço de São Patrício, maravilha da engenharia renascentista, um mapa do purgatório?


Desenhado por Antonio da Sangallo, o Jovem, e encomendado pelo Papa Clemente VII, recorda uma história tradicionalmente atribuída ao patrono da Irlanda

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O Poço de São Patrício é um antigo poço localizado em Orvieto, Úmbria, na Itália central, construído durante a década que vai de 1527 a 1537, por ordem do Papa Clemente VII. Ele tinha se refugiado na cidade, enquanto as tropas renegadas do exército do Sacro Império Romano, sob o comando de Carlos V, saqueavam Roma.


En un principio, esta sorprendente pieza de arquitectura se llamaba, simplemente, “Pozzo della Rocca”, el “pozo de la piedra”, o “el pozo de la fortaleza”, pues está a muy poca distancia de la Fortaleza de Albornoz
Inicialmente, essa incrível peça de arquitetura se chamava, simplesmente, “Pozzo della Rocca”, o “poço da pedra”

A estrutura do poço, desenhado por Antonio da Sangallo, o Jovem, é uma impressionante obra de engenharia sofisticada. É uma coluna oca cilíndrica, com 63 metros abaixo da terra, tem 13 metros de largura, e é cercado por duas escadarias de 248 degraus cada, largas e confortáveis, em desenho de dupla hélice. Por um lado descem os burros de carga, com recipientes vazios para encher de água; e pelo outro sobem, nunca obstruindo a passagem. No fundo do poço, iluminado por 72 janelas que fornecem luz para toda a estrutura, há uma ponte que liga as duas escadas, onde os moradores podiam acessar para buscar água sem os burros de carga. Esse duplo acesso garantia o fornecimento ininterrupto de água para a cidade de Orvieto, e foi um desenho único em toda a Europa naquela época.


 los frailes de un convento cercano asociaron la profundidad del pozo, y el proceso de descender hasta el puente para sacar de él el agua necesaria, a un antiguo poema francés del siglo XII, llamado “L’Espurgatoire Saint Patriz” –“El Purgatorio de San Patricio”-
Os monges de um convento próximo associaram a profundidade do poço ao purgatório

Inicialmente, essa incrível peça de arquitetura se chamava, simplesmente, “Pozzo della Rocca”, o “poço da pedra” ou “o poço da fortaleza”, pois está próximo da Fortaleza de Albornoz. Foi até o século XIX, quando o seu nome foi alterado para o atual, “Poço de São Patrício”: os monges de um convento próximo associaram à profundidade do poço, e ao processo de descer para para dele retirar água, um antigo poema francês do século XII, chamado“L’Espurgatoire Saint Patriz” – “O Purgatório de São Patrício”.
Esse poema não é apenas uma tradução de um texto escrito em latim, o Tractatus de Purgatorio Sancti Patricii, escrito por um monge cisterciense inglês conhecido simplesmente como H. De Saltrey. O tratado foi, durante anos, a representação mais influente do Purgatório, até o aparecimento da Divina Comédia. A chave está em que seu personagem principal, um cavaleiro irlandês chamado Owein, desce ao purgatório. De acordo com uma das histórias tradicionalmente associadas a São Patrício, Cristo teria mostrado ao santo o acesso ao Purgatório por uma caverna ou um poço.
Antes que o poço fosse concluído, Clemente VII e Carlos V haviam resolvido suas diferenças, de modo que Orvieto nunca foi ocupada ou saqueada. No entanto, a construção do poço continuou durante mais uma década, até que foi concluída.



 
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http://pt.aleteia.org/2016/05/20/poco-de-sao-patricio-maravilha-da-engenharia-renascentista-um-mapa-do-purgatorio/

Mosteiro na Geórgia: destino imperdível na rota trapista americana


Em um dos mais belos mosteiros dos Estados Unidos, os monges trapistas cuidam, dentre outras coisas, de um jardim excepcional

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Um dos mosteiros dos Estados Unidos se encontra nos arredores de Atlanta, Geórgia. Mais especificamente, na pequena cidade de Conyers. Nele, os monges da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, além de uma vida de contemplação e retiro, como bons beneditinos, também se dedicam ao trabalho manual: além de ter uma padaria e uma oficina de produção de vitrais, esses trapistas cuidam de jardins onde cultivam – e vendem – bonsais.
Os monges, nas oficinas do mosteiro, elaboraram os vitrais que podem ser vistos em todo o edifício.
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A simplicidade arquitetônica do mosteiro (projetado para ser praticamente uma cópia exata do famoso mosteiro trapista de Kentucky, onde viveu Thomas Merton), combinado com a beleza do jardim cultivado pelos monges e o ambiente natural do mosteiro, faz com que o lugar seja um dos destinos preferidos do turismo religioso no sul dos Estados Unidos.
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http://pt.aleteia.org/2016/05/28/mosteiro-na-georgia-destino-imperdivel-na-rota-trapista-americana/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-May%2028,%202016%2003:16%20pm

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Padre argentino oferece seus serviços em praça pública e comove redes sociais

“Estou feliz de fazê-lo. A ideia foi melhorando pouco a pouco com a oração e chegou o momento de fazê-lo. Se Ele ilumina algo, devemos fazer!”
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Há duas semanas, tornou-se viral nas redes sociais a foto de um sacerdote que aparece sentado em um banco confessando na rua. Atrás dele, está um cartaz colado no poste onde escreveu: “Sou o Padre Marcelo. Confissões, bênçãos e conselhos”.
Pe. Marcelo de Benedectis, pároco da Paróquia São Tiago Apóstolo e São Nicolau, localizada na província de Mendoza (Argentina), começou a confessar na rua desde o dia 23 de dezembro e permaneceu durante esta semana recebendo as pessoas nos bancos localizados em frente ao templo nos horários de confissão.
Em declarações ao Grupo ACI, o Pe. Marcelo disse que esta é a primeira vez que confessa na rua. “Estou feliz de fazê-lo. A ideia foi melhorando pouco a pouco com a oração e chegou o momento de fazê-lo. Se Ele ilumina algo, devemos fazer!”.
Com relação aos motivos desta iniciativa, o sacerdote assinalou que o Ano da Misericórdia foi um deles. Também o influenciou o chamado do Santo Padre para sair às periferias. “É algo (próprio) do Papa Francisco e o que me ilumina muito é saber que Deus habita na cidade e ali fui encontrá-lo”, indicou.
“Como isto foi algo novo, não houve a possibilidade de chamar outros sacerdotes. Mas me ligavam e me exortavam a continuar”, contou o sacerdote e assinalou que não sabe se alguém mais fez o mesmo em outros lugares.
Por outro lado, o Pe. Marcelo comentou que ficou surpreso que sua foto confessando na rua se tornasse viral na Internet e que isto lhe mostrou a “necessidade que o povo de Deus tem de receber a graça de Jesus, da presença dos seus sacerdotes e da palavra que podemos e devemos comunicar”.
“Quanto bem podemos fazer com um gesto tão simples e natural. Acho que a força deste acontecimento está em sua autenticidade e simplicidade. É a forma de atuar que nos ensina Jesus”, disse ao Grupo ACI.
A respeito desta experiência, o sacerdote disse que foi “muito bonito e consolador. Primeiro pelo encontro com as pessoas que moram em nossas cidades e com tudo o que levam em seus corações e o peso que carregam. Também pelo carinho para com os sacerdotes quando estão ao serviço do povo de Deus”.
O presbítero ressaltou que as pessoas precisam muito da confissão e neste sacramento “Cristo nos toca, nos cura, nos dignifica, enche de sentido nossa vida enchendo-a de paz, confiança e serenidade”.

(via ACIdigital)

http://pt.aleteia.org/2016/01/05/o-exemplo-do-padre-argentino-que-ofereceu-seus-servicos-em-praca-publica-e-comoveu-as-redes-sociais/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Jan%2005,%202016%2010:52%20pm

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Suicídio e Salvação. O que a bíblia fala sobre uma pessoa depressiva cometer suicido.

Acredito que nenhum ser humano possa responder plenamente sua pergunta, pois este tipo de julgamento pertence a Deus (ver Ezequiel 18:30, 34:20, Mateus 16:27, Apocalipse 14:7, 22:12), o ÚNICO que é capaz de sondar o íntimo de cada criatura (cf. Salmo 7:9, 17:3 e 139:1).
Não temos como avaliar plenamente até que ponto um depressivo tem responsabilidades por seus atos na visão do Senhor. Sabemos sim que Ele dá a todos nós forças para que cortemos maus pensamentos de modo que estes não venham a criar maus frutos (cf. Filipenses 4:8 e 13). Entretanto, é bom atentarmos para o fato de que há diferentes fases na depressão, uma na qual a pessoa está sem forças mentais para resistir ao desejo de se matar. Em Sua misericórdia, Deus levará isso em conta, com certeza.
Assim, não podemos afirmar que seu falecido colega vá perder-se. Só Deus o sabe. Até na Bíblia há um caso de um suicida (Juízes 16:30) que foi salvo (Hebreus 11:32). Deve-se ressaltar também que ninguém será condenado por um ato isolado; isto significa que seu ex-companheiro, caso fosse reprovado, não o seria apenas porque se suicidou; outras coisas teriam de ter sido levadas em conta para que fosse declarado tal destino final para ele.
De algo tenho absoluta certeza: tudo o que poderia ter sido feito para a sua salvação, o Espírito Santo o fez, e: Jesus irá julgá-lo (João 5:22) da maneira mais justa que existe: “Deus é justo juiz…” Salmo 7:11, primeira parte. “Os rios batam palmas, e juntos cantem de júbilo os montes, na presença do SENHOR, porque ele vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com eqüidade.” Salmo 98:8-9.
Aliado a isto está o fato de a base de Seu trono e justiça ser a misericórdia: “Compassivo e justo é o SENHOR; o nosso Deus é misericordioso.” Salmo 116:5. “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.” Hebreus 4:16. “Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.” Jeremias 9:24. “Todas as veredas do SENHOR são misericórdia e verdade para os que guardam a sua aliança e os seus testemunhos.” Salmo 25:10. Sua compaixão é infinita: “Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nuvens.” Salmo 57:10.
* Esse texto foi elaborado por Leandro Quadros e faz parte do acervo da Escola Bíblica.

http://biblia.com.br/perguntas-biblicas/suicidio/suicidio-e-salvacao-o-que-a-biblia-fala-sobre-uma-pessoa-depressiva-cometer-suicidio-cd/

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

EUA: hóstia consagrada sangra na igreja de São Francisco Xavier

A diocese abriu uma investigação para descobrir se é um verdadeiro milagre
Hóstia_sangrante

A diocese de Salt Lake City, Utah (EUA) está investigando um possível milagre ocorrido na igreja de São Francisco Xavier, na localidade de Kearns, a 20km ao sul da capital do estado.
Segundo a mídia local, a hóstia consagrada, Corpo de Cristo, foi recebida por um menino que, ao que parece, não havia feito sua Primeira Comunhão. Ao perceber isso, um familiar do garoto devolveu a hóstia ao sacerdote, que a colocou em um copo d’água para que se dissolvesse, como se costuma fazer em casos semelhantes. Normalmente, em casos assim, a hóstia se dissolve em minutos.
Três dias depois, a hóstia consagrada não só continuava flutuando, senão que apresentava pequenas manchas de sangue, como se estivesse sangrando. Os paroquianos, ao saber do ocorrido, foram conferir o possível milagre e rezar diante da Hóstia Sangrante.
O diocese local criou um comitê para investigar o possível milagre eucarístico. Tal comitê é formado por dois sacerdotes, um diácono e um leigo, bem como por um professor de neurobiologia. A diocese assumiu a custódia da Hóstia Sangrante e esta não será exposta à adoração pública enquanto a investigação estiver em andamento.
Dom Francis Manion, presidente do comitê de investigação, declarou: “Recentemente, a diocese recebeu a informação de uma hóstia que sangrou na igreja de São Francisco Xavier, em Kearns. Dom Colin F. Bircumshaw, administrador diocesano, nomeou um comitê ad hoc de especialistas para investigar o assunto”.
E completou: “O trabalho da comissão já está em andamento. Os resultados serão divulgados publicamente. A hóstia se encontra neste momento sob custódia do administrador diocesano. Ao contrário dos rumores, não há planos, por enquanto, de expô-la publicamente para adoração”.
Dom Manion concluiu: “Seja qual for o resultado da investigação, podemos aproveitar este momento para renovar nossa fé e devoção no milagre maior: a presença real de Jesus Cristo em cada missa”.




http://pt.aleteia.org/2015/11/27/eua-hostia-consagrada-sangra-na-igreja-de-sao-francisco-xavier/

quarta-feira, 22 de julho de 2015

10 Igrejas mais fascinantes do mundo

 Muitas não se sabe com foram construídas.


Sedlec Ossuary, República Checa: abaixo de um cemitério em Kutná, na República Checa, encontra-se uma pequena capela católica com decoração assustadora. Todos os santos são expostos em esqueletos, organizados para decorar a igreja.


Temppeliaukio, Finlândia: inaugurada em 1969, a igreja foi projetada pelos arquitetos Timo e Tuomo Suomalainem. O diferencial da Temppeliaukio é que ela é construída dentro de uma rocha sólida e iluminada por luz solar, que entre através do telhado de vidro


Gellért Hill Cave, Hungria: a igreja também é conhecida como Szent Iván-Barlang (Caverna São Ivan), após um eremita que viveu lá e usou águas termais de um lago próximo para curar doentes. Gellért Hill Cave também serviu como hospital de campanha durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, o local virou uma atração turística popular.


Igreja Saint George, Etiópia: esculpida no século 12, em rocha vulcânica vermelha, a igreja é conhecida como a oitava maravilha do mundo, e é parte do patrimônio mundial da UNESCO

Saiba mais sobre essa igreja no link abaixo:




Borgund Stave, Noruega: a arquitetura lembra os livros de Harry Potter. Construida entre 1180 e 1250, a igreja é feita de madeira e tem quatro cabeças de dragão esculpidas no telhado


Capela Holy Cross, Estados Unidos: construída em 1956 por Marguerite Brunswig Staude, a capela tem uma vista impressionante em meio a rochas e é um marco no Arizona


Saint Michel dAiguilhe, França: a igreja tem tudo para fazer parte de um conto de fadas, desde uma vista perfeita a uma localização imponente. Em uma rocha de 85 metros de altura, a igreja foi construída em 962 e, para visita-la, é preciso encarar uma escadaria de 268 degraus



Capela Thorncrown Eureka Springs, Estados Unidos: para os visitantes que querem se sentir em meio a natureza, a igreja localizada em Arkansas é o lugar ideal para agradecer e fazer orações. A capela é feita de madeira e rodeada de verde


Hallgrimskirkja, Islândia: com 74 m do topo ao chão, essa é a maior igreja da Islândia e a sexta mais alta do mundo. Inaugurada em 1986, a obra demorou 38 anos para ser construída e é ponto de referência no local



Salt Cathedral of Zipaquirá, Colombia: o templo é dividido em três partes, que representam o nascimento, vida e morte de Jesus, com ícones, enfeites e detalhes esculpidos a mão.


Fonte: http://www.blogdolucas.com/2013/04/10-igrejas-mais-fascinantes-do-mundo.html


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O sacerdote católico que salvou a vida de 1.000 muçulmanos

Entrevista exclusiva com o padre Kinvi, herói da paz na África

O padre Bernard Kinvi tem 32 anos de idade, é natural de Togo e dirige uma missão na República Centro-Africana. Sozinho, no início de 2014, o pe. Bernard salvou a vida de mais de 1.000 muçulmanos que fugiam de milícias violentas, reunindo-os e abrigando-os na igreja local. Ele próprio correu um grande risco ao tomar esta atitude.
 
Cristãos e muçulmanos vinham coexistindo em paz na República Centro-Africana até que, no final de 2012, uma força rebelde de maioria muçulmana, chamada Seleka, tomou o controle de um número relevante de cidades do país. Avançando rumo ao sul, os milicianos chegaram à capital, Bangui, onde o presidente François Bozizé tentou um acordo com os rebeldes, mas a paz não perdurou. Em março de 2014, a Seleka já dominava Bangui.
 
Quando a violência atingiu Bossemptélé, cidade localizada a cerca de 186 km ao noroeste de Bangui, alguns combatentes da Seleka, feridos, procuraram atendimento no hospital de missão do pe. Bernard Kinvi. "Eu tive de proibir que eles viessem ao hospital com armas", contou ao jornal “The Irish Times” o próprio pe. Bernard, que é membro da ordem camiliana. "As pessoas estavam aterrorizadas com eles e decidiram reagir. Foi então que elas criaram o anti-Balaka", uma força de resistência ao avanço da milícia Seleka.
 
Por causa do trabalho humanitário do pe. Bernard, a organização “Human Rights Watch”, de defesa dos direitos humanos, o homenageou no ano passado com a entrega do prêmio Alison Des Forges.
 
Aleteia entrevistou o padre Bernard Kinvi.
 
Pe. Bernard, o senhor pode descrever as relações que existiam na comunidade local de Bossemptélé antes do início deste conflito?
 
Antes do início da crise político-militar, a população de Bossemptélé vivia em coesão pacífica entre cristãos, muçulmanos e animistas. A vida de todos era complementar. Os muçulmanos trabalhavam principalmente no comércio. Os Fulani eram criadores de gado e a maioria dos cristãos e animistas trabalhavam na agricultura. E eram eles que produziam os alimentos (mandioca, milho e amendoim) para os muçulmanos e para os Fulani. Todo mundo precisava do vizinho para viver melhor. Naturalmente, havia problemas, mas não eram excessivos.
 
De acordo com a sua experiência, o que alimentou o conflito na República Centro-Africana?
 
Acima de tudo, eu acredito sinceramente que a corrupção e o mau governo é que são a causa deste conflito. Além disso, a maioria das pessoas vive sem eletricidade, sem acesso a água potável, a cuidados de saúde e à educação, enquanto outros vivem na opulência, saqueando ouro, diamantes, madeira, que deveriam ser para todos. Os abusos sem fim e a corrupção provocaram desespero e raiva. E essa raiva acumulada gerou uma espiral de violência e de vingança, que, infelizmente, persiste até hoje.
 
Qual é a situação atual do conflito na República Centro-Africana?
 
O lado oeste do país está vivendo aquela “calma tensa”. As milícias anti-Balakas ainda estão bem armadas, mais do que no início da guerra, inclusive. Mas a violência diminuiu significativamente. Já na região leste do país, em especial na área de Bambari, a violência ainda é muito comum porque os Selekas e os anti-Balakas continuam presentes. É muito difícil eles viverem juntos.
 
Como a sua equipe consegue lidar com os dois grupos em conflito sem tomar partido?
 
No auge do conflito, eu reuni o pessoal do hospital e disse a todos eles: "Nós somos um hospital católico. Aqui nós tratamos todos de forma igual, seja seu amigo, seja seu inimigo. Ele matou o seu irmão ou estuprou a sua irmã? Pois bem, se ele cruzou a porta de entrada do hospital porque está doente ou ferido, você vai cuidar dele. Se você concorda, pode ficar. Se não concorda, você tem a escolha de não trabalhar mais no hospital". Logo depois eu passei a palavra para cada um dos membros da minha equipe e ouvi cada um deles responder: "Eu vou ficar para cuidar de todos, sem exceção". Foi um momento muito emocionante. E eles não disseram só palavras da boca para fora. Eles foram fiéis ao seu compromisso.

Cada vez que nós somos ameaçados de morte por um ou por outro dos grupos de rebeldes porque cuidamos dos inimigos deles, eu sempre assumo a liderança, negocio com eles e mostro que o hospital é um lugar público, para todos.
 
Além disso, e em primeiro lugar, eu sinto a presença constante de nosso Senhor, que sempre me inspira a fazer boas obras e a dizer palavras boas no momento certo.
 
Qual é a sua avaliação sobre o papel das forças de paz da ONU, como a União Africana e as forças francesas, no auge do conflito?
 
Eu acho que as forças francesas, a União Africana e as forças de paz da ONU evitaram o pior, mas não conseguiram parar o conflito. Eu, pessoalmente, acho que são forças de dissuasão para a população civil.
 
Como o senhor avalia o comportamento geral da comunidade local, as pessoas comuns, em relação aos irmãos e irmãs muçulmanos?
 
As atitudes são diferentes. Eu conheci muitas pessoas que odeiam os muçulmanos, especialmente a linhagem pura. Mas também conheci muita gente que se opõe à matança de muçulmanos. Essa gente já os escondeu na própria casa ou no campo, e nós pedimos ajuda para encontrá-los e levá-los para o nosso hospital. Eu até conheci vários anti-Balakas que protegeram civis muçulmanos e me ajudaram a recuperá-los. Hoje, toda a população de Bossemptélé é unânime em achar que a saída dos muçulmanos reduziu consideravelmente a economia da população. Eles têm mais gente para vender os produtos rurais.
 
Existem planos para garantir que este conflito não volte a se inflamar? Que planos seriam?
 
Nós não temos um projeto nacional. Mas, em nossa pequena cidade de Bossemptélé, temos um pequeno "Comitê Comunitário de Coesão Social", que é liderado pelo padre camiliano Patrick Brice Naïnangue, pároco de Santa Teresa de Bossemptélé. Esse comitê é responsável pelo diálogo com o público para repensar as causas profundas desta crise, para interagir com os líderes das aldeias, com os líderes religiosos e com os anti-Balakas (...) a fim de construir as bases da reconciliação, da justiça e da paz.
 
Nós sabemos, também, que muitas das milícias são formadas por agricultores e pecuaristas. Tentamos proporcionar treinamento técnico e distribuir sementes para a época do plantio. Premiamos as melhores produções de cada safra para promover a competitividade. Tudo isso nos permite construir a força de trabalho e impulsionar o mercado de trabalho. E isso leva alguns deles a desistir das armas.
 
Também priorizamos a educação e, se possível, a educação por meio da mídia, em especial da rádio. Esperamos que esses recursos, junto com as nossas muitas orações pela paz, nos permitam cuidar das feridas da guerra e restaurar a paz.
 
Alguns relatos da mídia dizem que os cristãos guardam ressentimento em relação aos muçulmanos. O senhor tem ideia de que ressentimentos seriam esses?
 
Eu não diria que os cristãos tenham ressentimentos contra os muçulmanos. Eu prefiro falar do ressentimento dos não-muçulmanos (tanto cristãos quanto animistas) em relação aos muçulmanos. Isto se deve principalmente ao fato de que a maior parte da milícia Seleka era muçulmana. Além disso, também se deve à cumplicidade de alguns muçulmanos com a milícia nos casos muito graves de abusos que eles cometiam contra os civis não-muçulmanos.
 
Como o senhor acomodou esses dois grupos conflitivos dentro da missão sem que a própria missão entrasse em conflito?
 
A primeira milícia que surgiu entre nós foi a Seleka. No dia 17 janeiro de 2014, eles fugiram da cidade depois de roubar motocicletas e um carro do hospital. Em 18 de janeiro, os anti-Balakas implantaram o seu próprio reinado, depois de enfrentar a resistência dos extremistas muçulmanos. Mais de 100 pessoas foram mortas; na maioria, eram civis. Foi assim que o conflito começou na nossa região. Nós recebemos os feridos e eu tentei me esconder e me proteger. Mas eu sabia que era o exército celestial que nos protegia.
 
Como o senhor conseguiu sustentar as pessoas que se refugiaram na missão, em termos de alimentação, tratamento e proteção?
 
Antes da guerra, eu armazenei um estoque de arroz e medicamentos. Com essas provisões, conseguimos alimentar e cuidar dos nossos refugiados até a chegada dos Médicos sem Fronteiras e do Programa World Food. As freiras carmelitas também esvaziaram as reservas alimentares que elas tinham, para ajudar os estudantes na escola primária que elas dirigem.
 
Como o senhor se sente com o recebimento do prêmio da Human Rights Watch?
 
Eu dou graças a Deus, que quis fazer com que o mundo conhecesse a obra dele através do nosso modesto compromisso. Eu me vejo chamado pelo Senhor, que ainda me convida, e sempre vai me convidar, a defender os direitos humanos sem levar em consideração as feridas do meu próprio corpo. É muito bonito amar e dar a vida pelos amigos.
http://www.aleteia.org/pt/mundo/artigo/o-sacerdote-catolico-que-salvou-a-vida-de-1000-muculmanos-5906043812970496?page=2