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sábado, 13 de fevereiro de 2021

Como superar seus medos com a ajuda da Bíblia?

 



Medo do fracasso, das feridas do passado, do futuro... Você experimenta diferentes formas de medo? A Bíblia pode ajudá-lo a superá-los

Omedo às vezes se torna nosso pior inimigo quando entra sorrateiramente em nossas vidas. No entanto, uma vez identificado, pode ser superado com a Palavra de Deus. Pois, São Paulo nos lembra em sua segunda Carta a Timóteo, “Deus não nos deu um espírito de medo, mas um espírito de força, amor e equilíbrio”. Aqui estão oito medos que podem assombrar todo ser humano e as soluções da Bíblia para enfrentá-los.

Medo de Deus

Se você tem medo de não ser suficiente aos olhos de Deus; medo de não poder entrar em um relacionamento profundo com Jesus; medo de que Deus se recuse a dar-lhe dons espirituais; medo de que Deus não fale ou ouça você; ou medo de que Deus não o perdoe, leia o Evangelho de São João:

“No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor” (1 Jo 4, 18).

Medo do homem

Se você tem medo dos pontos de vista e opiniões dos outros; medo de ser rejeitado por seus entes queridos; medo das autoridades; medo da inferioridade; medo do confronto; medo do fracasso, abra o livro do profeta Isaías:

“Ouvi-me, vós que conheceis a justiça, povo meu, em cujo coração está a minha doutrina: não temais os insultos dos homens, não vos deixeis abater pelos seus ultrajes” (Is 51, 7).

Medo da insegurança

Se você tem medo de não entender a vontade de Deus e não responder ao seu chamado. Ou medo de se envolver; de doar dinheiro para o serviço de Deus; medo de que Deus exija muito de você; ou tem medo de orar em voz alta em um lugar público; você encontrará a resposta em Deuteronômio:

“A tua vida estará como em suspenso diante de ti. Terás pavores de noite e de dia, sem nenhuma certeza de viver. Pela manhã, dirás: ‘Oxalá que fosse a tarde!’. E à tarde, dirás: ‘Oxalá que fosse a manhã!’. Isso por causa do terror que possuirá o teu coração e do espetáculo que terão de ver os teus olhos.” (Dt 28, 66-67).

Medo de viver de acordo com o Evangelho

Você tem medo da perseguição? Medo de pagar o preço por seguir Jesus? Tem medo da ação do Espírito Santo ou das batalhas espirituais? Talvez seja o medo dos demônios assombrando você? Ou tem medo do sacramento da reconciliação ou de se preparar para receber o Senhor na Eucaristia? Tem medo de que as promessas de Deus não se cumpram? Leia Salmo 22:

“Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo” (Sl 22, 4).

Medo de fracassar

Se você tem medo de cair em seus pecados ou em suas tentações; medo de nunca se casar ou, pelo contrário, passar por uma crise conjugal e um divórcio; medo de que seus filhos não tenham sucesso; medo do fracasso profissional; medo de decepcionar seus pais ou outras pessoas; você encontrará uma resposta em Isaías:

“nada temas, porque estou contigo, não lances olhares desesperados, pois eu sou teu Deus; eu te fortaleço e venho em teu socorro, eu te amparo com minha destra vitoriosa. Vão ficar envergonhados e confusos todos aqueles que se revoltaram contra ti; serão aniquilados e destruídos aqueles que te contradizem; em vão os procurarás, não mais encontrarás aqueles que lutam contra ti; serão destruídos e reduzidos a nada aqueles que te combatem. Pois eu, o Senhor, teu Deus, eu te seguro pela mão e te digo: “Nada temas, eu venho em teu auxílio.” (Is 41, 10-13).

Medo dos acontecimentos

Você tem medo de conflitos ou de receber más notícias? Medo de passar por momentos difíceis ou de ter um membro da família ferido ou morto? Medo de que sua situação financeira piore e o pior aconteça? Leia o Salmo 111:

“Nada jamais há de abalá-lo: eterna será a memória do justo. Não temerá notícias funestas, porque seu coração está firme e confiante no Senhor. Inabalável é seu coração, livre de medo, até que possa ver confundidos os seus adversários.” (Sl 111, 6-8).

Medo do passado

Seu passado te assombra? Você tem medo de confessar meus pecados passados; tem vergonha do seu passado ou pensa que ele impede a obra de Deus em sua vida; teme que Deus o castigue pelo que fez anos atrás… Abra o capítulo 54 do livro de Isaías:

“Nada temas, não serás desapontada. Não te sintas perturbada, não terás do que te envergonhar, porque vais esquecer-te da vileza de tua mocidade. Já não te lembrarás do opróbrio de tua viuvez” (Is 54, 4).

Medo do futuro

Se é o seu futuro que está fazendo você suar frio (medo da solidão, do desespero, da morte, de uma doença, da morte de um ente querido, a falta de algo…), leia o livro dos Provérbios:

“e te deitares, não terás medo. Uma vez deitado, teu sono será doce. Não terás a recear nem terrores repentinos, nem a tempestade que cai sobre os ímpios, porque o Senhor é tua segurança e preservará teu pé de toda cilada.”  (Pr 3, 24-26).


https://pt.aleteia.org/cp1/2021/02/03/como-superar-seus-medos-com-a-ajuda-da-biblia/

Por que muitos querem dizer sim a Cristo e não à Igreja?

 


Quem pergunta: "Por que a Igreja?" cai no mesmo erro de quem pergunta: "Por que Cristo?"

Muitos querem hoje dizer Sim à Cristo, e Não à Igreja; mas isto afeta a própria identidade do Cristianismo. A Igreja, instituída por vontade de Cristo, com suas normas, como prolongamento da Encarnação do Verbo de Deus, se tornou o lugar privilegiado do encontro dos homens com Cristo e com o Pai.

Quem pergunta: “Por que a Igreja?”, cai no mesmo erro de quem pergunta: “Por que Cristo?” Cristo veio do Pai e deixou a Igreja. O Pai enviou Jesus para a salvação do mundo, e Cristo enviou a Igreja. “Assim como o Pai me enviou, assim também eu os envio a vós” (Jo 20,21).

Igreja e “democracia moderna”

Muitos hoje querem a Igreja na forma de uma “democracia moderna”, onde tudo se decida pela vontade da maioria. Ela seria então como um grande Clube religioso, de normas “flexíveis”, mais assimiláveis. A consequência disso – e o grande engano – é que neste caso o homem seria guiado unicamente por si mesmo, e não por Deus. Não seria mais “a Igreja de Deus” (1Tm3,15).

Pelo fato da Igreja ter a sua vida guiada pela Sagrada Tradição que vem de Cristo e dos Apóstolos, dá-nos a garantia de que é o próprio Jesus, presente nela, que a conduz.

Sacramento

O primeiro “Sacramento”, o fundamental, é a santíssima humanidade de Jesus, através da qual (gestos, palavras) passava a graça de Deus. A Igreja é a continuação desse “Sacramento”; por isso São Paulo a chama simplesmente de “o Corpo de Cristo” (Cl 1,24).

As expressões terminais desse Sacramento “Cristo – Igreja”, são os sete Sacramentos, que levam a salvação ao homem, do nascer até o morrer. E sem a Igreja não há Sacramentos; logo, não há salvação. Daí podemos ver claramente que a Igreja é tão essencial ao Cristianismo quanto o mistério da Encarnação do Verbo.

Num Cristianismo sem a Igreja instituída por Cristo (Mt 16,16s) sobre Pedro e os Apóstolos, o próprio Cristo ficaria mutilado, como que degolado…

E essa Igreja é a única e una, católica (universal), apostólica e romana.

Prof. Felipe Aquino 


domingo, 8 de novembro de 2020

Correção fraterna: 6 dicas para corrigir o seu próximo sem magoá-lo

 


"Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente" (Mt 18,15). Embora exija discernimento e caridade, a correção fraterna pode ser considerada um ato de equilíbrio. Como coloca-la em prática sem humilhar ou ferir o irmão?

Você não sabe quando, como e por quais motivos corrigir os seus irmãos? Explicaremos tudo na forma de seis questionamentos, com a ajuda do Irmão Dominique-Benoît, professor de teologia.

Qual é a melhor maneira de fazer a correção fraterna?

Não existe receita milagrosa. Cada correção deverá ser adaptada à pessoa a ser corrigida, à gravidade da falta e ao momento mais favorável. “Mostrar ao irmão o “pecadinho” que ele cometeu não é a mesma coisa de conversar sobre um pecado grave”, diz o irmão Dominique-Benoît. A forma com que corrigimos também é importante. Pode ser necessário seguir a fórmula do “bom exemplo”. Quando Santa Teresa de Ávila via uma de suas Irmãs agir mal, ela desenvolvia a virtude oposta: agir cada vez melhor. Os Padres do Deserto gostavam de dar o exemplo de forma inteligente. Abba Poemen relata: “O monge geralmente fazia sua refeição com um discípulo. Infelizmente, esse irmão costumava colocar um pé na mesa para a refeição. O velho não fazia comentários, pelo contrário, por muito tempo via isso e ficava em silêncio. Por fim, sem mais aguentar a situação, confiou a outro ancião o problema. Quando chegou a hora da refeição, o mais velho, muito rapidamente e antes que o jovem pudesse fazer o menor movimento, pôs os pés sobre a mesa. O jovem ficou muito chocado e disse ‘pai, isso é impróprio’. O ancião imediatamente tirou os dois pés e disse: “Você está certo, meu irmão”. O irmão então nunca mais se deixou levar por essa incongruência”. A nossa correção fraterna pode ser feita também através do conselho de uma leitura oportuna (uma passagem do Evangelho, os escritos de um sábio, etc.) ou através da recontagem de uma história (a vida de um santo ou alguns contos dos Padres do Deserto). A forma mais comum, no entanto, continua sendo uma discussão franca, direta e imediata.

Em termos concretos, para corrigir um amigo ou ente querido, basta um encontro individual de alguns minutos, em uma sala adequada e longe de ouvidos curiosos. “Nas poucas vezes que isso aconteceu, combinei de encontrar um amigo em minha casa para um drink. Foi tranquilo e sério ao mesmo tempo!”, disse Guilherme, ex-líder dos escoteiros. O lugar e o ambiente são essenciais. Você não “corrige” o outro em uma posição desequilibrada – um sentado e outro em pé, por exemplo. “Em geral, devemos ter o cuidado de conversar sentados em torno de uma mesa, tendo em mente que estamos lá para nos ajudar e não para julgar uns aos outros”, confidenciaram Claire e seu marido Xavier. Quanto mais pensarmos no que dizer com antecedência, melhor será. Portanto, cada palavra conta e deve ser considerada cuidadosamente. Isso não exclui a franqueza ou alguma forma de improvisação no momento para se adaptar às reações do outro. Guilherme tem a sua técnica: “Procuro sempre partir dos meus próprios defeitos para mostrar os dos outros. Mostro que também não sou santo! ”

Devemos seguir os quatro passos dados por Cristo?

Não devemos fazer algo “automático”. “O Evangelho não prevê procedimentos a serem seguidos estritamente como os procedimentos de nossos códigos civil e penal”, avisa o irmão Dominique-Benoît. A gradualidade presente no Evangelho de São Mateus – o mais eclesiológico dos quatro Evangelhos – quer mostrar que “o pecado, mesmo sendo inicialmente pessoal, gera um impacto na comunidade que fere”, especifica o Dominicano. Portanto, a ferida pessoal gerada pelo pecado é também uma ferida em todo o corpo eclesial. “A nossa existência está ligada à dos outros, tanto no bem como no mal; o pecado, assim como as obras de amor, também tem uma dimensão social”, disse Bento XVI.

É por isso que São Mateus insiste em ambos os aspectos, individual e eclesial. O último passo da correção (“Se o pecador se recusa a ouvir a Igreja, que seja considerado pagão”) é um dos fundamentos da prática da excomunhão nas Escrituras. “Isso não ocorre sempre e nem automaticamente. Deve-se atender às condições de justiça e de clara prudência. A culpa deve ser de particular gravidade e causar um grave escândalo na comunidade”, diz o Irmão dominicano.

Sobre quais assuntos podemos fazer a correção fraterna?

“A correção fraterna se refere a todo pecado venial ou mortal, porque todo pecado fere, até mesmo mata a caridade”, diz o irmão Dominique-Benoît. Portanto, a correção fraterna não deve ser reduzida apenas às faltas graves; ela também tem seu papel a desempenhar quanto a falhas leves que podem levar a falhas graves. “Por exemplo, a gula pode se mostrar inicialmente como uma ligeira falta de temperança na bebida, mas se essa tendência não for corrigida, corre-se o risco de evoluir para o pecado capital”, ilustra o dominicano.

Podemos corrigir a esposa, o marido, o chefe ou os filhos adultos?

Sim, mas com delicadeza. A correção fraterna é preferível entre duas pessoas moralmente iguais; isto é, sem que um tenha autoridade sobre o outro. “É assim no relacionamento a dois, entre irmãos e irmãs, entre irmãos batizados”, explica o Irmão. O sacerdote é antes de tudo um batizado e se eu, um leigo, o vejo cometendo uma falta contra a moral comum a todos na Igreja, a correção fraterna tem aqui o seu lugar. Onde não há igualdade, há espaço para correção paternal (do superior para subordinado)”.

No entanto, “se um subordinado vir um superior cometendo uma falta contra a moral comum a todos, ele se dirigirá ao superior não como superior, mas como irmão e, portanto, igual”. Já para a relação entre pais e filhos, a correção será paterna desde que o filho não seja adulto. Ao atingir a idade adulta, a correção torna-se fraterna por causa de uma certa igualdade moral entre os adultos. “Mas é preciso desenvolver um espírito de delicadeza pois a experiência de vida que um pai pode colocá-lo, mesmo entre os adultos, em certa superioridade”.

E se eu não conseguir convencer o meu irmão, devo perseverar ou me abster?

É importante discernir com cautela. Santo Agostinho, retomado por São Tomás de Aquino, admite a possibilidade de se abster de repreender e corrigir os que praticam o mal por três motivos:

1. “Porque esperamos o momento certo”;

2. “Porque tememos que eles piorem”;

3. “Porque tememos que, pressionando-os, eles se desviem da fé”.

São Tomás acrescenta que, se “a correção fraterna põe obstáculo à melhora de nosso irmão, que é aqui a nossa finalidade, ela perde o sentido”. “O exercício da correção fraterna, como o exercício de qualquer virtude (sendo ela virtude da caridade misericordiosa), analisa o irmão Dominique-Benoît, deve ser regulado pela virtude da prudência. Esta última tem dois aspectos. Do ponto de vista intelectual, ela aprecia o caso concreto do ponto de vista da verdade: o ato cometido por meu irmão é um pecado em si mesmo e nas circunstâncias precisas do caso? Mas a prudência é também uma virtude moral, no sentido de que deve avaliar as condições concretas do presente caso e do ato. Se do ponto de vista intelectual se verifica que existe pecado, do ponto de vista moral, cabe a pergunta: devo intervir agora? Estou na posição certa para fazer isso? Se não, devo informar alguém em uma posição melhor do que eu? Se sim, como podemos fazer isso da melhor maneira? Em outras palavras, a implementação concreta da minha intervenção deve ser apreciada”.

Antes de dar lições de moral aos outros, não deveríamos todos olhar as nossas próprias faltas?

O evangelho nos explica tudo. “Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão” (Mt 7,3-5). Ao abordar nosso irmão para corrigi-lo, não devemos afirmar ser bons ou nos colocar acima de qualquer crítica. A correção fraterna não é julgamento, mas ajuda fraterna mútua. “Portanto, eu também devo me tornar acessível às correções dos outros, e talvez até do irmão que estou corrigindo”.

https://pt.aleteia.org/cp1/2020/11/03/correcao-fraterna-6-dicas-para-corrigir-o-seu-proximo-sem-magoa-lo/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

10 chaves para encontrar paz de espírito e vivê-la diariamente

 


Como passar pelos momentos de angústia e medo, permanecendo na confiança e no abandono? A seguir encontre um guia precioso para manter a paz de coração

Em um mundo angustiado e violento, onde podemos encontrar paz? Talvez numa praia de uma ilha deserta, em uma aconchegante sala de estar assistindo a um bom filme, no fundo de um monastério isolado ou em meditação? A busca do homem contemporâneo é desesperada: ele deseja a paz de espírito, mas não acredita mais nela. Parece-lhe impossível apaziguar as suas paixões íntimas e o fogo dos seus desejos, assim como extinguir os conflitos recorrentes que perturbam o planeta.

Mas o que é a paz? O grande Blaise Pascal parece cético: “Não há paz aqui”, escreveu ele. Santo Agostinho também não é otimista: “Estamos aqui embaixo divididos entre a concupiscência que nos puxa para baixo e Deus que nos puxa para cima; corpo e alma só serão totalmente reconciliados no céu. Então, impossível ter paz na terra?”

São Tomás de Aquino aconselha a começar por pôr ordem a si mesmo e as suas relações com os outros através do exercício das virtudes: força, temperança, justiça, prudência. Mas que luta! No entanto, a paz não se tornou hoje um imperativo vital? Não apenas para nosso bem-estar pessoal, mas para este mundo. Depois de passar mil dias e mil noites em oração sobre uma pedra, São Serafim de Sarov assegurou: “Adquira a paz interior e milhares ao seu redor encontrarão a salvação”. A paz começa com você mesmo.

Paz de espírito não é mera satisfação

Para o cristão, ela não se esconde no longo e tranquilo rio de uma vida organizada e descomplicada do “Deixe-me em paz!”. Ela não pode ser confundida com a satisfação de uma criança mimada, um bem-estar psicológico imediato, nem ser reduzida a uma ordem social que proporcione segurança efetiva. Também não pode ser conquistada com relaxamento, nem após a guerra.

“Há uma falsa paz que é uma mentira, uma cegueira, mais ou menos consciente, que consiste numa instalação num egoísmo fechado e confortável, uma fuga”, adverte um monge cartuxo do irmão Aloïs, que reza o Taizé. A paz está presente em meio a provações e lutas”. A paz imperturbável é, segundo São Serafim de Sarov , o sinal específico da presença do Espírito Santo. “Com todas as nossas forças, empenhemo-nos em salvaguardar a paz da alma e não nos indignemos quando os outros nos ofendem, incentiva. Precisamos evitar toda raiva e preservar a mente e o coração de todo movimento impensado.”.

É na realidade concreta e por vezes dolorosa da vida quotidiana, com os seus imprevistos e surpresas, que devemos procurar manter “a nossa alma em paz diante de Nosso Senhor”, segundo a expressão do Padre François Libermann ( 1802-1852), judeu convertido, fundador dos Padres do Espírito Santo. Simplificando nossa vida em torno de um único desejo: buscar a vontade de Deus em tudo e ter total confiança nele. Então, ao irradiar essa paz ao nosso redor – que nesse aspecto é como a violência – ela contamina, ela irradia e se alimenta daquilo que incendeia.

Aqui estão as 10 chaves para alcançar essa paz de espírito.

1. Não se desespere

“Se nos olharmos racionalmente, só enxergaremos nossas fraquezas, nossos apegos, nossas ambiguidades”, comenta o franciscano Éloi Leclerc, autor de A sabedoria de um pobre (em tradução livre. Para encontrar paz, você deve olhar para Deus e apenas olhar para si mesmo em Deus. “Nossa extrema pobreza nos coloca na necessidade absoluta de recorrer sempre a Deus”, afirmou também o padre François Libermann.

Recorrer a este Deus rico de misericórdia, que quer dizer etimologicamente: cujo coração cheio de ternura se inclina sobre a nossa miséria. E sob nossa pobreza, descobrir o tesouro escondido do nosso ser interior, modelado à imagem de Deus. Devemos aprender a nos amar com o olhar de Deus, ou seja, infinitamente melhor e mais caridoso que o nosso. Não nos preocupar com nossas quedas, não nos perturbar por nossas misérias ou por nossa aparente mornidão.

“A visão da nossa incapacidade e da nossa nulidade deve ser um grande tema de paz para nós ”, assegura o padre Libermann. É por isso que Deus enviou seu filho Jesus, não para nos julgar, mas para nos salvar e nos dar vida novamente. Ao purificar o nosso coração, Deus nos torna capazes de fazer obras ainda maiores, imbuídos de amor, porque o seu Espírito, que nos liberta, pode finalmente operar em nós. Portanto, não se desespere! É um trabalho para toda a vida.

2. Peça a graça da confiança

“As razões pelas quais perdemos a paz são sempre más razões”, explica o Padre Jacques Philippe, autor de Em Busca da Paz e a Perseguindo (em tradução livre). “A alma encontraria sua força, sua riqueza e toda sua perfeição no Espírito de Nosso Senhor, se apenas quisesse se abandonar à sua conduta”, escreveu o padre Libermann. “Mas porque ela o abandona e quer agir sozinha e em si mesma, ela encontra em si mesma apenas a mais profunda desordem, miséria e incapacidade”.

Segundo o padre Jacques Philippe, a falta de paz de espírito vem da falta de confiança em Deus. Sua condição é de “boa vontade” ou “pureza de coração”: esta disposição estável e constante do coração do homem se decide amar a Deus mais do que tudo e confiar nele nas pequenas coisas. “Não devemos temê-lo”, insistia o padre Libermann, “é um grande insulto a ele que é tão bom, tão gentil, tão amável e tão cheio de ternura e misericórdia por nós”. Um dos inimigos da paz é este pessimismo tingido de cinismo que respiramos todos os dias. Com efeito, “o pessimismo atua em profundidade, destrói o desejo de agir pelos outros, extingue até a ansiedade da inteligência, gera desânimo”, comenta Andrea Riccardi , fundadora da Comunidade Sant’Egidio .

3. Priorizar as prioridades

Em uma cultura do instantâneo, o evento mais próximo (passado ou futuro) tende a invadir nosso campo de consciência. Não tendemos a privilegiar “o urgente” em nossas vidas em detrimento do “importante”? Todos nós temos agendas lotadas, mas nos perguntamos: cheias de quê? Prioridades não faltam: pessoais, familiares, profissionais, amigáveis, sociais ou mesmo associativas. Um erro comum é favorecer apenas uma, por paixão ou por urgência, em detrimento das outras.

Por exemplo, você só gasta tempo com seu filho quando ele está em uma situação de fracasso escolar. Temos que voltar às nossas prioridades periodicamente e colocar as coisas em ordem, como fazemos com um armário. Pensemos no conselho que Jesus dá a Marta, que está agitada e ocupada e “resmunga” porque Maria, sua irmã, escuta a palavra do filho de Deus: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada” (Lc 10,41-42).

4. Pratique “a opção preferencial pelos pobres”

Não é porque temos a consciência limpa e a sensação de estarmos em paz que somos homens e mulheres serenos. Uma certa satisfação egoísta pode nos dar a ilusão disso. Numa das suas conferências quaresmais, São Tomás de Aquino mostra que só a caridade traz a paz perfeita. Na verdade, diz ele, é “um fato da experiência que o desejo pelas coisas temporais não é satisfeito por sua posse”. Quando uma coisa é obtida, já queremos outra. O coração dos ímpios é como um mar fervente que não pode ser aplacado”.

Como podemos permanecer em paz de espírito quando mais e mais homens e mulheres são forçados à miséria da qual somos nós, por nossa falta de partilha, os atores inconscientes? Não podemos ignorar essas realidades, seria muito fácil, como afirma o profeta Jeremias: “tratam com negligência as feridas do meu povo, e exclamam: “Tudo vai bem! Tudo vai bem!”, quando tudo vai mal” (Jr 6:14).

“Se procuras a paz, vai ao encontro dos pobres”, aconselhou São João Paulo II, convencido de que a extrema pobreza das massas humanas gera as situações de calamidade do nosso tempo. Não é sobre sentir-se culpado, mas sim permitir-se ser desafiado. E se o clamor dos pobres fosse o de Cristo? Quando se é rico, não se gosta de falar sobre pobreza. No entanto, a maioria de nós é “rica”. É grande a tentação de se refugiar em “pequenos paraísos”, especialmente quando você se sente oprimido e desamparado. O Evangelho sempre nos inspira a encontrar novos caminhos. A imagem dos pobres é apenas o espelho da pobreza do nosso coração. A única resposta para a pobreza é mais amor.

5. Não perca de vista o propósito da vida

“Aquele que tem um ‘porquê’ que ocupa o lugar de uma meta, de um fim, pode conviver com qualquer ‘como’”, disse Nietzsche. O psiquiatra vienense Victor Frankl fez a mesma observação no inferno dos campos de concentração: aqueles que conseguiam sair tinham pelo menos um motivo para ter esperança. Portanto, o bem-estar profundo se baseia, antes de mais nada, na necessidade essencial de dar sentido à própria vida.

E quanto mais alto o objetivo, mais a nossa vida tem significado e mais o nosso ser se realiza em dar e florescer. Madre Teresa, quando cuidava dos pobres, era o próprio Cristo que ela cuidava. Cumprir o dever para o qual somos chamados é bom; fazer isso por amor é melhor. Infinitamente melhor! Principalmente quando procuramos pesar cada decisão à luz da vontade de Deus e viver de acordo com a “opção preferencial por Deus”.

6. Perdoe aqueles que o ofenderam

Disputas, conflitos, crises, nos fazem sofrer. Podem às vezes levar discussões e rupturas graves. Às vezes, podemos ser dolorosamente afetados a ponto de reter um rancor duradouro e um sentimento persistente de amargura. Ressentimento e ódio são venenos terríveis. O perdão é o único antídoto eficaz para encontrar o caminho da paz de espírito. Muitas vezes é um ato heróico, fruto de um longo processo.

Na verdade, dependendo da seriedade, dos efeitos, dos autores e das circunstâncias da ofensa, o caminho que leva ao perdão pode demorar. Isso é normal, pois o perdão é o amor pelo inimigo (e você também pode ser seu próprio inimigo). É como uma linha do horizonte a ser alcançada. “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta” (Mt 5,23-24).

7. Não se deixe subjugar pelo medo

Para Andrea Riccardi, o medo é uma doença do nosso tempo, “que vestimos com noções mais nobres”. Temos medo que nos falte, medo de perder ou não adquirir. Medo do futuro, da morte, do sofrimento. Também o medo de não estar à altura. E o medo dos olhos dos outros. Nossos medos afetam todas as áreas de nossa vida e frequentemente nos incapacitam. Além disso, o medo leva ao pecado (podemos reler o livro de Gênesis para nos convencer disso). Temos razão em ter medo de que nunca teremos certeza de nada. Viver em paz supõe parar o motor de nossa imaginação que puxa em alta velocidade os carros de nossas preocupações.

“Não tenha medo!” Encontramos, dizem eles, essa injunção trezentas e sessenta e cinco vezes na Bíblia. O que significa uma vez por dia. Esta foi a primeira palavra dita por São João Paulo II em tempos difíceis. “Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?” (Mt 6:27). Como manter a paz de espírito? Entregando nosso passado à misericórdia de Deus (por meio do perdão) e o nosso futuro à Providência (por meio do abandono). E vivendo apenas o hoje. “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado” (Mt 6,34).

8. Renda-se a Deus incondicionalmente

Dificuldades, crises e provações são inevitáveis. A realidade nem sempre se curva às nossas vontades “sagradas”. A confiança em Deus nos ajuda a aceitar humildemente os acontecimentos, a enfrentá-los da melhor maneira possível, a vê-los como caminhos de santidade e paz. Pe Jacques Philippe, ecoando as palavras de São Paulo, descreve a vida cristã não como uma batalha espiritual (Efésios 6: 10-17). Devemos vestir a armadura de Deus: a fé, a palavra de Deus, a oração, os sacramentos. “Tudo posso naquele que me fortalece”, assegura o Apóstolo que nos transmite esta promessa divina: “A minha graça vos basta! Pois meu poder se manifesta na fraqueza”.

O importante, diz São Francisco de Sales, não é “manter os nossos corações em paz, mas trabalhar por ela”. É um caminho a ser refeito todos os dias: não desanime; comece com pequenos passos e tente ser fiel a eles; perseverar na oração para se recuperar constantemente sob o olhar de Jesus. “Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus” (Fl 4, 6-7).

9. Deixe de lado o espírito de rivalidade e comparação

A comparação é um dos piores venenos contra a paz de espírito. Tornar-se o mais belo, o mais forte, o mais poderoso é algo que se realiza às custas dos outros. A cultura do “chefinho” é hipócrita e muito nociva. O espírito de rivalidade desperta sentimentos de inveja, ciúme e orgulho, que por sua vez geram tristeza. O pensamento crítico também vem da mesma convicção de que “nós somos os melhores”: julgamos os outros por referência ao que somos, o que temos, o que experimentamos. Ao contrário da crença popular, você não precisa estar em rivalidade para desenvolver seus dons e qualidades. Amar é querer o bem do outro, sem necessariamente fazer o papel de vítima, ou pior, de “alma caridosa”. Não há via de mão única no amor! Devemos também aceitar receber. E quem quer ser “campeão”, que saiba compreender aquele que perde.

10. Aprenda a viver o momento, aqui e agora

“Não é o lugar que deve ser mudado, mas a alma”, disse o sábio Sêneca. A paz não se esconde em uma ilha deserta ou no fundo de um mosteiro. Uma chave simples para adquirir esta serenidade que predispõe à paz é acolher cada momento que passa como uma dádiva de Deus: os tons fulvos do outono, a neve, os primeiros rebentos da primavera surgindo, a criança brincando, uma boa refeição com os amigos, uma visita a uma região desconhecida. Maravilhe-se com isso.

A alegria às vezes se esconde na degustação consciente dos “pequenos” prazeres da vida cotidiana, como tão bem os descreveu o escritor Philippe Delherm. Não é surpreendente que o Dr. Vittoz (grande terapeuta suíço que deu seu nome a um famoso método de reabilitação) insista tanto na importância do equilíbrio psíquico das pessoas, da recepção do mundo exterior pelos nossos sentidos, e da consciência do momento presente. Isso nos leva ao louvor e à adoração. Porque quem se maravilha acaba vendo a assinatura do Criador em sua criação. E fica como uma criança, cheia de confiança neste Deus de ternura.

“Sede dóceis e flexíveis nas mãos de Deus”, recomenda o padre Libermann. Você sabe o que fazer para isso: fique em paz e descanse, não se inquiete nem se preocupe com nada, esqueça o passado, viva como se não houvesse futuro, viva para Jesus no momento que vivemos; ou melhor, viva como se não tivéssemos vida em nós, deixando que Jesus viva à vontade”. 

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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Padre alerta contra perigos da “corrente para hospedar anjos na sua casa”

TWO ANGELS


Uma corrente virtual de oração tem se popularizado na internet, mas com aspectos que revelam mais superstição do que fé

Tem circulado pelas redes sociais e pelos aplicativos de mensagens uma corrente de oração supostamente voltada a “hospedar os anjos na sua casa”. Segundo a mensagem compartilhada, a corrente deveria ser feita durante 7 dias para se receber a visita.

Os compartilhamentos dessa corrente estão sendo particularmente frequentes na Colômbia, o que levou o pe. Pedro Mercado Cepeda, presidente do Tribunal Eclesiástico de Bogotá, a lançar um alerta aos fiéis por meio da sua conta no Twitter:

“Esclarecimento. Virou moda nestes dias de quarentena realizar um estranho rito de hospedagem aos anjos. Recomendo ser prudentes com esta prática, que não é católica e poderia ter efeitos prejudiciais. Deus abençoe a todos!”

A corrente determina algumas orações a serem feitas para que os anjos visitem a casa da pessoa “na segunda-feira seguinte, depois das 10 horas da noite”. Também é prescrito o uso de velas durante 7 dias. Na suposta visita dos anjos, eles atenderiam três pedidos que a pessoa tivesse escrito num papel, o qual deveria ser queimado após os 7 dias da corrente. Por fim, a pessoa deveria escolher outros 3 conhecidos a quem “enviaria” os anjos.

O pe. Pedro observa que esse tipo de corrente envolve mais superstição do que fé, desvirtuando o papel dos anjos e podendo levar os fiéis a uma espécie de idolatria:

“Em certas correntes, especialmente na Nova Era, tende-se a desvirtuar a sadia devoção [aos anjos] para transformá-la numa forma de idolatria em que os anjos substituem o lugar central de Deus e de Jesus Cristo, atribuindo-se a eles funções e poderes que não possuem”.

Além disso, a “hospedagem de anjos” não tem base católica, em especial porque, nessa corrente, eles são entendidos como “criaturas autônomas, sem referência alguma ao Criador”. De fato, as orações indicadas não mencionam o nome de Deus.

O sacerdote colombiano prossegue:

“A nossa fé é cristológica e cristocêntrica. Nada nem ninguém pode ou deve substituir o lugar de Cristo em nossa vida espiritual. É claramente desviada uma devoção aos anjos que não nos ajude a avançar no seguimento de Jesus Cristo, como discípulos missionários do Seu Evangelho”. 

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terça-feira, 9 de junho de 2020

Fé: palavras de Cristo para meditar nos grandes momentos de dúvida

STRESSED WOMAN


Algumas pessoas pensam que estar em dúvida é quase estar sob o domínio do mal. No entanto, grandes santos viveram esta provação. Hoje em dia, ouvir sobre a experiência deles e meditar com a Palavra de Deus ajuda muitos cristãos a perseverar na fé a pesar das dúvidas, das fraquezas e dos questionamentos que podem surgir

Apalavra “dúvida” pode significar duas coisas diferentes. Inicialmente, podemos duvidar de uma verdade. Como sugere a etimologia da palavra (dubius, duplo), quem duvida está na frente de uma estrada em forma de Y: não consegue saber se deve ir para a direita ou para a esquerda, dizer sim ou não a uma proposta. Hesitamos, somos céticos.

Mas a palavra também pode designar um questionamento que fazemos a nós mesmos sobre uma verdade à qual até agora aderimos sem hesitação. Como nos lembra o Catecismo da Igreja Católica: “A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir” (§ 157).

Quando, no dia do batismo, o catecúmeno proclama sua fé em Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – o seu “Eu creio” expressa uma certeza. Uma certeza que comumente se segue de muitas perguntas, contudo, se ele está pedindo o batismo, é porque conseguiu pôr um fim à sua hesitação. Ele crê!

Então, essa fé é chamada a desenvolver-se. Se ele continuar a estudar, encontrará muitas razões para crer as quais ele ainda não conhecia. Se ele reservar um tempo para rezar todos os dias, o Senhor revelará sua presença de forma ainda mais viva.

E se ele se encontra num momento de aridez, não há porque se preocupar, pois ele sabe que os iniciantes na fé recebem graças e consolações que o Senhor já não concede tanto para aqueles que alcançaram uma fé mais profunda.

Contudo, pode acontecer que, à ocasião de uma grande provação, ele seja questionado sobre algum aspecto da mensagem do Evangelho. Esses questionamentos não levam necessariamente o cristão a duvidar, e sempre há uma solução para remediá-los.

“Dez mil dificuldades não fazem uma única dúvida”

Alguns santos também experimentaram terríveis noites espirituais. Eles tinham a impressão de que Deus os havia abandonando, que eles não eram mais capazes de amar a Deus ou que estavam condenados. Eles precisaram implorar ao Senhor para não os deixar entrar em desespero.

O que os consolava era o fato de que eles tinham certeza de que, aceitando participar das agonias de Cristo, eles estavam junto a ele, salvando o mundo, lutando por todos aqueles que ainda são fechados à luz, para que obtivessem a graça de crer. 

Quando Santa Teresa de Lisieux, nos últimos meses de sua vida, foi terrivelmente tentada a duvidar da existência do Céu, ela continuou a acreditar firmemente, se apegando às palavras de Cristo: “Eu prepararei um lugar para você” (Jo 14, 2). Como disse o cardeal John Henry Newman, “dez mil dificuldades não fazem uma só dúvida”.

Padre Pierre Descouvemont


terça-feira, 21 de abril de 2020

Como acalmar seu coração inquieto

WOMAN PRAYING

Tente este conselho dado por Santo Agostinho

Muitas vezes, a gente se encontra perdido ou se sentindo inquieto na vida, sem saber quem somos ou o que devemos fazer. Nesses momentos, é difícil ter qualquer tipo de esperança no trabalho ou em casa. Passamos inúmeras horas pesquisando na Internet respostas para uma dor profunda dentro de nosso coração. Nada parece preenchê-lo, e continuamos nossa jornada da vida vagando sem rumo, sem nenhuma direção.
Santo Agostinho conhecia muito bem essa dor. Ele tentou de tudo, mas nada parecia resolver seu sofrimento e atender seu desejo de melhora. E foi na Bíblia que Santo Agostinho encontrou uma maneira de sair daquela situação. Ele se apaixonou por Deus e, mais tarde, ele escreveu em suas “Confissões”:
“Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração… Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.”
Como descreve o Catecismo da Igreja Católica: “O desejo de Deus está escrito no coração humano, porque o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus nunca cessa de atrair o homem para si mesmo. Somente em Deus ele encontrará a verdade e a felicidade que nunca deixa de procurar.”
Então, se você estiver tentando encontrar paz em sua vida, olhe para dentro de si e veja onde e como está seu coração. Considere depositar toda a sua confiança, esperança e amor em Deus, que te ama e cuida de você.
Medite nestas palavras Deus falou ao profeta Jeremias e descanse na paz de Deus:
“Bem conheço os desígnios que mantenho para convosco – oráculo do Senhor –, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança” (Jeremias 29,11). 

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Casamento: a frase mágica para acabar com as brigas

WEB 3 COUPLE-ARGUMENT

Um estresse, uma censura, a voz alterada… Todos os casais já viveram pequenos aborrecimentos diários que podem levar facilmente a uma discussão. No entanto, existe uma solução simples que pode nos ajudar a gerenciar as emoções e evitar ferir o outro

No relacionamento a dois, na hora de uma briga, é muito comum que o tom da voz se eleve. Logo se juntam a isso palavras ofensivas, que deixam uma tensão flutuando no ar. Muitos de nós já experimentaram esse cenário.
Por que, então, às vezes nos permitimos um tom desrespeitoso com nossos entes queridos, especialmente com nosso cônjuge, quando provavelmente não o fazemos com pessoas desconhecidas?
A delicadeza, um segredo para viver bem
A comunicação com as pessoas que conhecemos é uma questão de emoções, que são a base do nosso comportamento.
Moldada por nossas emoções, nossa maneira de interpretar o mundo se torna diferente se estamos zangados, com ciúmes, com medo ou apaixonados, por exemplo. Assim são também nossos relacionamentos humanos.
E nossas reações acontecem antes mesmo de termos consciência disso. Nossas emoções às vezes nos colocam “fora de nós”.
Como o filho pródigo, precisamos tirar um tempo para entrar em nós mesmos, a fim de tomarmos consciência de nosso próprio papel nas situações em questão. Isso nos permitirá nos aproximar daqueles com quem estamos conversando.
A raiva é uma péssima conselheira, assim como o medo. Para manter o controle, precisamos nos acostumar a não reagir na hora, nos dando tempo para dar um passo atrás e pensar.
Podemos dizer à outra pessoa algo como:
Minhas emoções estão confusas sobre o que foi dito entre nós e por isso eu prefiro esperar para ter mais calma antes de continuar a falar sobre esse assunto.
A delicadeza em nossa maneira de falar expressa a atenção e o respeito que temos pelos outros. Ela é tão necessária quanto a nossa atenção ao outro, em coisas pequenas e grandes, e nos deixa muito felizes. Será que a delicadeza não seria um segredo para viver bem juntos?

Marie-Noël Florant (Conselheira conjugal e familiar)

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terça-feira, 10 de março de 2020

Você não consegue melhorar? Tente a humildade

WOMAN STANDING

Não fique obcecado em subir a qualquer custo, há algo mais importante

Amontanha é uma imagem da Quaresma. Partindo do deserto, na planície, eu subo a montanha. Saio do vale e subo até os cumes.
Eu gosto de escalar montanhas. O esforço me assusta no início. Então eu vou devagar, passo a passo. E à medida que avanço, melhora.
O sol, o calor, o cansaço, tudo pesa. Mas eu não me desespero. Espero chegar ao cume. É o desejo da alma, não baixar a guarda, não jogar a toalha, não parar de lutar.
Quero alcançar o lugar mais alto e tocar o cume mais alto.
O coração não está satisfeito em viver no vale, na planície, onde falta altura para ver a paisagem que me cerca.
Muitas vezes as árvores não me deixam ver a floresta. Os problemas me perturbam e não me deixam provar a vida, aproveitar o que funciona no meu ambiente.
O coração anseia pelos cumes, sonha em subir ao topo e daí ter uma vista privilegiada do vale. Eu quero avançar. No caminho, um passo segue o outro. E o coração continua sonhando.
Quando você chega ao topo, as coisas parecem diferentes. Dizem que no topo da montanha os problemas de antes parecem pequenos.
É verdade que os problemas atuais permanecem grandes, com certeza, mas eles não me afetam mais da mesma maneira. O peso da tempestade nos meus ombros pode ser o mesmo, mas minha mudança de perspectiva diminui o peso.
O ânimo é tudo para continuar lutando. Importa muito mais que o físico. Se eu afundar em depressão e tristeza, é impossível seguir em frente, mesmo que eu esteja fisicamente apto.
O ânimo desempenha um papel decisivo. É a centelha que me ajuda a superar essa barreira intransponível que me separa do sucesso. Meu ânimo me ajuda a subir as encostas mais íngremes. Ou me retém no vale, incapaz de dar outro passo.
A montanha parece grande demais para minha força quando estou cabisbaixo. Então a chave está no meu olhar, na minha atitude. O novo olhar é o que muda a realidade.
Hoje penso nas montanhas da minha vida. Aquelas cúpulas que despertaram todos os meus desejos. Aquelas montanhas que eu subo para ficar sozinho, em paz, mais perto de Deus.
Quem me incentivou a subir alto quando eu duvidava de minhas forças? Alguém me encorajou. Alguém me deu a mão quando eu mal podia avançar.
Jesus pega seus amigos pela mão e os puxa. Ela os submete a um esforço maior, encorajando-os na ascensão. Ele quer que eles cheguem ao cume com ele.
Nem sempre tenho forças para subir sozinho. Eu não tenho coragem. Eu preciso de pessoas próximas a mim para puxar meu braço, para me tirar da minha apatia e tristeza.
Digo: “Aguardamos o Senhor. Ele é nossa ajuda e nosso escudo”.
Para isso eu tenho que reconhecer minha pobreza. Eu sou pequeno. Só com a minha força não consigo avançar. Eu preciso que Jesus me arraste. Eu preciso do elevador que me leva às alturas.
Eu quero caminhar até o cume nos braços de Jesus. Somente três apóstolos foram escolhidos naquela tarde para escalar o monte Tabor. Pedro, João e Tiago. Os mais próximos.
E os outros? Eles não tiveram a possibilidade de subir com Jesus para o Tabor. Eles ficaram na planície. Eles não viram sua glória. Eu estaria entre os escolhidos de Jesus? Ficaria feliz em ver outros irem enquanto eu ficasse no vale?
Eu gosto de estar em todas as festas. Ser levado em consideração e valorizado sempre. Dói quando os outros são mais apreciados que eu.
Eu quero ser um daqueles filhos favoritos de Jesus. Um dos chamados a estar com Ele em momentos importantes. Eu gosto de me sentir especial em suas mãos.
Quero escalar os cumes ao lado dele e ser o mais próximo. E quando não me sinto tão valorizado e escolhido? Ciúme e inveja surgem. Eu me sinto desprezado.
Hoje, é bom me alegrar quando os outros são mais valorizados do que eu, mais apreciados. Dizia o cardeal Rafael Merry del Val em suas ladainhas de humildade:
Do desejo de ser elogiado, do desejo de ser aplaudido, do desejo de ser preferido aos outros, do desejo de ser consultado, do desejo de ser aceito, do medo de ser humilhado, do medo de ser desprezado, do medo de ser repreendido, do medo de ser caluniado, do medo de ser esquecido, do medo de ser ridicularizado, do medo de ser insultado, do medo de ser rejeitado, livrai-me Senhor. Que outros sejam mais amados que eu, que outros sejam mais estimados que eu, que outros cresçam e despertem uma melhor opinião das pessoas e eu diminua, que outros sejam elogiados e que eu seja ignorado, que outros sejam empregados em cargos e eu seja julgado inútil, que os outros sejam preferidos a mim em tudo, que os outros sejam mais santos do que eu, desde que eu seja o mais santo possível.
Peço para viver assim. Alegre quando me escolhem e também feliz quando me deixam de lado. Com paz nos dois momentos. Quando sou apreciado e quando não sou.
Quando eu consigo escalar o cume e quando fico sozinho no vale por não ter sido levado em consideração. Sempre feliz.

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domingo, 1 de dezembro de 2019

O que Tomás de Aquino pode nos ensinar sobre o consumismo

closet

Primeira de uma série de reflexões sobre os 7 pecados capitais

Oque São Tomás de Aquino diria sobre o consumismo? Com um pouco de imaginação e algumas referências à Summa Theologiae, podemos compreender melhor a loucura pelo dinheiro em nossa sociedade, segundo a análise que o grande santo e teólogo faz do pecado capital da gula.
Tomás de Aquino discute cinco dimensões do pecado da gula:
  1. Ardenter – ansioso: Minha mãe costumava dizer: “Esse dinheiro está queimando no bolso!” Corremos para as lojas como se os melhores ou os únicos bens pudessem ser encontrados lá. Nada que podemos comprar pode durar; nada que compramos satisfará nossas almas – então, por que a pressa?
  2. Praepropere – precipitado (a primeira forma de devassidão): essa é a ilusão sedutora do “Compre agora, pague depois!” Essa é a armadilha do cartão de crédito – usá-lo para comprar agora e deixar para pagar depois, quando não se pode.
  3. Laute – dispendioso (a segunda forma de devassidão): esta é uma forma de desperdício. Não se endividou, mas se gastou muito em relação a outras obrigações. Para uma pessoa consumista, “bom o suficiente” nunca é “bom o suficiente”.
  4. Nimis – em grande parte do tempo (a terceira forma da devassidão): isso é a “terapia das compras” ou comprar como hobby. Aqui se é consumido pelo consumo. 
  5. Studiose – consumindo de forma muito detalhista: entra aqui o logotipo como símbolo de status; a marca como uma medida do nosso valor. Quando a identidade e o valor da pessoa não estão enraizados no espiritual, falta um sentimento de pertença. Consequentemente, surge uma estratégia (às vezes uma estratégia consciente, às vezes não) para nos adornar com os símbolos de uma marca cobiçada. Pode significar falta de valorização pessoal.
Os termos de Tomás de Aquino podem não ser familiares. E essa adaptação pode soar estranha. Mas vejamos um exemplo de excesso de consumismo: hoje se pode até contratar um “consultor de closet” para aconselhá-lo a reorganizar seu armário para abrir espaço para mais coisas.
Não seria sinal de um vício? Não seria um indicador de que estamos desesperadamente infelizes e não sabemos por quê? Que fome estamos tentando alimentar? Quão profunda é o vazio que estamos tentando preencher?
Deus fala através do profeta Isaías: “Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz? Escutem, escutem-me, e comam o que é bom, e a alma de vocês se deliciará na mais fina refeição.” Essa é a chave, não é? Construímos uma economia, uma cultura e uma mania de consumir bens materiais para satisfazer a fome espiritual. Isso nunca vai funcionar.
O que fazer? Bem, podemos falar sobre desejos versus necessidades – isso não é ruim, mas não é suficiente. Isso só aborda a dimensão material. Precisamos de um senso adequado de prioridades. O filósofo Kierkegaard disse: “O que é relativo deve ser tratado relativamente; o que é absoluto deve ser tratado absolutamente”. O único absoluto é Deus. Temos de limpar o altar de nossos corações para encontrar o único digno de adoração, o único bem que pode satisfazer nossos corações e completar nossas vidas.

https://pt.aleteia.org/2019/08/15/o-que-tomas-de-aquino-pode-nos-ensinar-sobre-o-consumismo/