domingo, 30 de junho de 2019

O NÚMERO DOS ANJOS


Santo Atanásio na questão sexta, cita a opinião de alguns, que tiveram para si, que os homens eram iguais em número aos Anjos, movidos por aquelas palavras do Deuteronômio, como traduziram os Setenta Intérpretes, registrou o número dos povos, conforme ao número dos Anjos. Outros há, que tem para si, que os homens excedem em número aos Anjos e movem-se por este argumento. Porque dos homens tantos se hão de escolher para a glória, quantos são os Anjos que caíram da glória e consta no Apocalipse na figura do dragão (que trouxe consigo a 3ª parte das estrelas), que a 3ª parte dos Anjos caiu, e conforme a isto parece que entende São Bernardo sobre os Cantares, aquelas palavras do Salmo: “Julgará os homens e com eles proverá os lugares vagos no céu”. Donde deduz-se, que não se salvando nem a décima parte, contando todos os infiéis é muito maior o número de todos os homens que o de todos os Anjos.
Porém, nenhuma destas opiniões tem fundamento, porque no Deuteronômio, considerando bem o que Moisés vai dizendo, não se trata do número de Anjos; somente mostra o particular cuidado que Deus teve de seu povo na divisão geral das terras que Deus fez a várias nações. Porque quando, ou conforme aos Hebreus, quando repartia as terras do mundo pelas nações, logo então marcou a terra de Canaã a sete nações, não tanto por a possuírem, mas por a cultivarem e depois de cultivada a entregar aos filhos de Israel, quando saíssem do Egito. Quer dizer que a estas sete nações assinalou os termos da que por eles repartiu, como se dissesse, que não tinha os olhos naqueles a quem as dava, se não no seu povo de Israel, cujos colonos eram os povos e nas demarcações olhavam para o que convinha aos israelitas para os agasalhar no que mostrava grande amor a seu povo, dando-lhe as terras cultivadas e a todas as outras nações, incultas e bravas. E segue-se logo, como se dissera as outras nações, deu terras em herança, mas para si tomou este povo por herança própria. Este é o sentido literal que os expositores comumente dão ao lugar do Deuteronômio.
O Apocalipse não fala da queda dos Anjos, se não dos fiéis, no tempo do Anticristo. Por onde não há fundamento para duvidar, ainda que ponhamos os olhos na grande máquina do mundo e na multidão de criaturas que nele há, se haverá tantos Anjos em número, que nasceram e nascerão? Porque é tão copioso o número dos Anjos (como afirma São Dionísio Areopagita) que excede e é muito maior que o número de todas as coisas corporais e materiais. E São Tomás e outros Doutores escolásticos, da proporção que há entre os corpos superiores e da que há entre os inferiores, agrupam a multidão dos Anjos, por que se vemos que tão grande multidão de criaturas corporais é necessária para responder e encher à distância que há entre a mais vil criatura e entre o homem, a mais nobre do todas as corporais, quão grande número será necessário para responder a distância que há entre o Anjo e mesmo a Deus? Porque como Deus, Nosso Senhor nesta formosíssima e admirável máquina do mundo, pretende principalmente à perfeição dele, se não é limitado seu poder, se não infinito e imenso (criou as coisas em tanto maior número e abundância, quanto elas são mais perfeitas em si). Daí vemos, que todas as coisas baixas e corruptíveis que estão debaixo da Lua, são quase um ponto em comparação dos céus, que são corpos mais perfeitos e nobres. E nos mesmos céus o mais alto e superior excede muito ao inferior e o supremo a todos os demais.
Por esta razão algumas estrelas do firmamento que nos parecem aos olhos tão pequenas, são muito maiores que toda a terra composta de todas as coisas inferiores. Esta mesma proporção há nas coisas espirituais e naqueles supremos espíritos a respeito das coisas corporais as quais excede não em quantidade, se não em número, pois é certo que a alteza no lugar dos corpos responde à nobreza da essência nos espíritos e ao excesso da quantidade, responde a multiplicação do número. E vê-se claramente ser assim, porque se cada um dos homens desde nosso primeiro pai Adão, até o derradeiro, que haverá no mundo, tem seu Anjo da guarda eleito para sua defesa, sem exceção de bom ou de mal, nem de fiel ou infiel, nem de bárbaro Etíope, ou nobre político ( pois todos enquanto homens participam deste beneficio necessariamente havemos de confessar, que os Anjos do derradeiro coro – do qual se provê a guarda dos homens – são mais que todos os homens que houve e haverá até o fim do mundo.
Então, qual será o número dos outros coros se for assim como temos provado, que tanto maior é o número deles, quanto sua ordem é mais alta e sua perfeição mais elevada? Isto se conclui da escritura sagrada, a qual falando da multidão dos Anjos, diz: “milhares de milhares serviam o Senhor e dez vezes cem mil o assistiam”. Pelo qual entendem os Padres e Doutores, uma multidão de espíritos celestiais em certo modo infinita. Para confirmação do mesmo, trazem alguns autores uma revelação, que com o favor da Virgem Nossa Senhora, se fez a Santa Brígida, a qual com muita segurança afirma, que os Anjos excedem em número aos homens em dez partes por estas palavras: “Se se compararem todos os homens que nasceram de Adão até ao derradeiro que há de nascer no fim do mundo, achar-se-á que, a cada homem respondem mais de dez Anjos”. E a autoridade desta Santa é de muita estima. Porque o Papa Bonifácio IX na Bula de sua Canonização, acredita e autoriza muito o espirito de profecia desta Santa. Nesta conformidade, dizem alguns Doutores, que a cada Anjo respondem dez Arcanjos e a cada Arcanjo dez principados; e assim como os coros e hierarquias vão subindo, se vai multiplicando o número dos Anjos superiores.
Ao que temos dito se pode acrescentar o que tem São Hilário, São Cirilo e outros, aos quais afirmam que os Anjos excedem aos homens em noventa e nove partes. Pela ovelha da parábola, diz o Santo, se há de entender o primeiro homem e por este todos os mais homens, mas no pecado de um só Adão se perdeu todo o gênero humano. De onde se compreende, que pelas noventa e nove ovelhas que não se perderam se há de entender a multidão dos Anjos, que no céu tem o cuidado e alegria pelo bem e salvação dos homens.
O mesmo diz Santo Atanásio conforme alegado acima, que muitos tiveram para si que a proporção que tem os Anjos para com os homens em número é a mesma que tem noventa e nove para um; ou nove para um. E resume isto das parábolas, a das noventa e nove ovelhas, que o pastor deixou no deserto guardadas para buscar sua perdida e das nove dracmas seguras e uma perdida, porque na ovelha e dracma perdida se representam os homens e nas mais os Anjos. De onde veio Santo Ambrósio sobre o capitulo 15 de São Lucas, a dizer: o rico e grosso pastor de quem nós somos a centésima parte das ovelhas, tem inumeráveis rebanhos de Anjos e de Arcanjos, Dominações, Potestades e de outros semelhantes que deixou nos montes. De onde vem a dizer alguns Doutores, que mais fácil é contar as estrelas do céu e as gotas do mar e as folhas das árvores e as ervas da terra, que compreender a multidão dos Anjos a qual ainda que para Deus seja finita e contada, com tudo em nosso ponto de vista parece infinita.
E São Bernardino de Siena falando do amor misericordioso de Deus e dos meios que a ele nos hão de levar, diz assim: “A segunda coisa que havemos de contemplar, diz São Bernardino, é a multidão dos Anjos”, porque diz São Dionísio no livro da hierarquia que só os Anjos que estão no paraíso são mais do que as estrelas, as areias do mar e da terra, que as folhas e ervas e mais que todas as coisas criadas. Por esta causa disse bem Jó falando de Deus: “Por ventura os soldados do Senhor podem se contar”? O que nos declara a glória e soberana majestade do Senhor que nos criou e se serve deles, como de seus criados e soldados. Porque é grande honra de um rei ter muitos ministros nobres e poderosos e família luzida de criados que o acompanham e sirvam que por isso disse o Espirito Santo: A dignidade e majestade do Rei se conhece na multidão de seus ministros e ter poucos vassalos e afronta do príncipe. E é coisa notável que com os Anjos serem tantos, São Tomás tem para si – posto que muitos têm o contrário – que nenhum há entre eles que não seja de diferente espécie de todos e de cada um dos outros.
E assim como seria formosíssima coisa e maravilhosa se em um campo ou prado povoado de infinitas flores, não houvesse entre elas, duas que fossem da mesma espécie, se não que cada flor fosse da sua e diferente de todas as outras nas cores, na figura, na forma, porque umas teriam as cores singelas, já brancas, já vermelhas, já amarelas, já roxas, já verdes, outras as teriam todas misturadas umas com as outras, em tal proporção que a mistura e composição de cada uma acrescenta-se notável graça a todas semeando à natureza e matizando com diferentes variedades e proporção a cada uma para em todas resultar mais perfeição, mais arte e mais graça natural. (Estando na opinião de São Tomás) naquele copiosíssimo e abundantíssimo campo do céu – a que com razão podemos chamar Jardim de Flores em que há inumeráveis Anjos que como formosíssimas flores o aformoseiam e vestem com singular graça e majestade. Não há dois deles que tenham a mesma espécie, pois em cada um achareis diferentes perfeições, diferente lustre e diferente ser, comunicado do autor de todo o bem e pego infinito de perfeições.
(Retirado do Almanaque Tradição Católica)

QUATRO CONSIDERAÇÕES PARA SOFRER BEM

Por São Luis Maria Grignion de Montfort
Para ajudá-lo a sofrer bem, adquira o bom hábito de refletir nesses quatro pontos:
1. O olho de Deus
Primeiramente, o olho de Deus, que, como um grande rei do alto de uma torre, observa com satisfação seu soldado no meio da batalha, e elogia sua coragem. O que de Deus atrai a atenção pela Terra? Serão reis e imperadores em seus tronos? Com frequência Ele nos olha sim com desprezo. Serão as grandes vitórias dos exércitos, pedras preciosas, ou o que quer que seja grande aos olhos dos homens? Não, “o que é altamente pensado pelos homens é repulsivo aos olhos de Deus”. O que, então, ele olha com prazer e satisfação, e do que ele pede conta aos anjos e mesmo aos demônios? É aquele que está lutando contra o mundo, contra o demônio, e somente ele pelo amor de Deus, o único que carrega sua cruz alegremente. Como o Senhor disse a Satã, “Não viu sobre a Terra uma maravilha imensa que todo céu contempla com admiração? Já viu meu servo Jó, que está sofrendo por minha causa?”
2. A mão de Deus
Em segundo lugar, considerem a mão de Deus, que permite que nos sobrevenham males de toda natureza, desde o maior até o menor. A mesma mão que aniquilou um exército de cem mil homens é a que faz cair a folha da árvore e um cabelo de suas cabeças; a mão que espremeu tão duramente Jó, gentilmente lhes toca com uma tribulação leve. É a mesma mão que faz o dia e a noite, o arco-íris e a escuridão, o bem e o mal. Ele permitiu as ações pecaminosas lhe machucarem; ele não é causa de suas maldades, mas Ele permite as ações. Se qualquer um, então, lhes trata como Shimei tratou o Rei David, lhes cobrindo de insultos e lhes atirando pedras, digam a si mesmo, “Não nos vinguemos deles. Deixemos que Ele atue, pois o Senhor dispôs que se fizesse dessa maneira. Reconheço que mereço todo tipo de ultrajes, e é com toda justiça que Deus me castiga. Detenham-se mãos! Refreia-se língua! Não golpeie, não diga uma palavra. É verdade que esse homem me ataca, essa mulher me insulta, mas eles são representantes de Deus, que da parte de sua misericórdia vêm me castigar amistosamente. Não irritemos, pois, sua justiça, usurpando os direitos de sua vingança. Nem menosprezemos sua misericórdia resistindo aos amorosos golpes de seus açoites, para que Ele me entregasse, em vez disso, à justiça absoluta da eternidade.” Por outro lado, Deus em seu infinito poder e sabedoria o sustenta, enquanto aos outros ele aflige. Com uma mão ele entrega à morte, com a outra ele dá a vida. Ele o humilha até o pó e depois o eleva, e com ambas mãos ele alcança uma extremidade de sua vida à oura, com carinho e poder; com carinho, não lhe permitindo ser tentado além de suas forças, com poder, apoiando-o com sua graça na proporção à violência e duração da tentação ou aflição; com poder novamente, por vir dele mesmo, como ele nos conta através de sua Santa Igreja, “sustentá-lo na beira do precipício, guiá-lo a uma estrada incerta, ocultá-lo no calor abrasador, protegê-lo na chuva e do frio que o congela, carregá-lo em seu cansaço, ajudá-lo em suas dificuldades, fortificá-lo em caminhos escorregadios, ser seu refúgio no meio das tempestades ” (Oração para uma Viagem).
3. As feridas e sofrimentos de Cristo crucificado
Em terceiro lugar, reflitam nas feridas e sofrimentos de Cristo crucificado. Ele mesmo nos contou, “Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta, a mim que o Senhor feriu no dia de sua ardente cólera”. Vejam com os olhos corporais e através dos olhos de sua contemplação, se sua pobreza, destituição, desgraça, aflição, desolação são como as minhas; olhem para mim que sou inocente e lamente porque vocês são culpados! O Espírito Santo nos diz, através dos Apóstolos, a contemplarmos Cristo crucificado. Ele nos manda amarmos com esse pensamento, arma mais penetrante e terrível contra todos nossos inimigos que todas as demais armas. Quando vocês são assaltados pela pobreza, má reputação, aflição, tentação e outras cruzes, armem-se com o escudo, peitoral, capacete e espada de dois gumes, que é a lembrança de Cristo crucificado. Vocês haverão de encontrar a solução para todo problema e os meios de conquistar todos seus inimigos.
4. Acima, o céu; abaixo, o inferno
Em quarto lugar, olhe pra cima e veja a bela coroa que lhe aguarda no céu se você carregar bem sua cruz. Foi essa recompensa que sustentou os patriarcas e profetas em sua fé e perseguições; que inspirou os apóstolos e mártires em seus trabalhos e tormentos. Os patriarcas podiam dizer com Moisés, “Nós preferiríamos ser afligidos como o povo de Deus, e sermos felizes com Ele para sempre a curtir por um instante os prazeres do pecado.” E os profetas poderiam dizer com David, “Nós sofremos perseguição pela recompensa.” Os apóstolos e mártires poderiam dizer com São Paulo, “Por nossos sofrimentos como sentenciados à morte, como espetáculo para o mundo, para os anjos e os homens, somos como lixo e anátema do mundo, pelo imenso peso de glória que nos produz a momentânea e ligeira tribulação.” Olhemos para o alto e vemos os anjos, que exclamam, “Cuidai para não apropriar-se da coroa que está marcada com a cruz que você recebeu, se você suportá-la bem, um outro irá carregá-la como convém e a arrebatará consigo. Lute bravamente e sofra pacientemente, nos dizem os santos, e você receberá o reino eterno.” Finalmente, escute ao Nosso Senhor, que lhe diz, “Eu darei minha recompensa somente aquele que sofre e é vitorioso pela paciência.” Contemplemos abaixo o lugar onde nós merecemos e que nos espera no inferno na companhia dos bandidos e todos aqueles que não se arrependeram, se nós sofrermos como eles sofreram, com sentimentos de ressentimentos, má vontade e vingança. Exclamemos com Santo Agostinho, “Senhor, trate como sua vontade nesse mundo por meus pecados, contanto que os perdoem na eternidade.”
Da obra “Carta aos amigos da cruz”

https://capelasantoagostinho.com/2019/03/11/quatro-consideracoes-para-sofrer-bem/#more-2375

A VITÓRIA SOBRE NOSSAS TENTAÇÕES

A vitória sobre nossas tentações

Por Santo Afonso de Ligório
Para perseverarmos no bem, não devemos colocar nossa confiança nas nossas resoluções. Se contarmos com nossas próprias forças, estaremos perdidos. Para nos conservarmos na graça, devemos pôr nossa confiança nos merecimentos de Jesus Cristo. Com sua assistência perseveraremos até a morte, ainda que combatidos por todos os poderes terrestres e infernais.
Sem dúvida alguma seremos assaltados algumas vezes por tantas e tão fortes tentações que nossa queda nos parecerá inevitável. Guardemo-nos, porém, de perder então a coragem e de nos entregar ao desespero. Recorramos com toda a pressa a Jesus Crucificado, que ele impedirá a nossa queda. O Senhor permite que até aos santos sobrevenham tais tempestades, como a São Paulo, que afirma de si: “Nós fomos excessivamente oprimidos acima de nossas forças a ponto de nos aborrecermos da própria vida” (2 Cor 1, 8). O apóstolo aqui mostra o que ele podia por própria força e com isso nos quer ensinar que: “ Deus, de vez em quando, nos deixa ver a nossa fraqueza, para que, melhor inteirados de nossa miséria, não confiemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2 Cor 1, 9) e humildemente peçamos o seu auxílio para não sucumbirmos.
Ainda mais claramente disso fala o Apóstolo em outro lugar, dizendo: “Em tudo sofremos tribulações, porém não desanimamos. Somos embaraçados, porém não desesperamos” (2 Cor 4, 8). Sentimo-nos oprimidos pela tristeza e afligidos pelas paixões, contudo não desesperamos. Somos lançados num mar tempestuoso e não vamos ao fundo, porque o Senhor nos concede com sua graça a força de resistir a todos os nossos inimigos. Mas ao mesmo tempo o Apóstolo nos exorta a que não nos esqueçamos que somos homens fracos e frágeis, que muito facilmente podemos perder de novo o tesouro da graça divina, que só poderemos conservar pela virtude divina e não pela própria força. “Nós, porém, possuímos esse tesouro em vaso de barro, para que a sublimidade seja da virtude de Deus e não de nós” (2 Cor 4, 7).
Ainda que, conforme o sobredito, não possamos achar em nós a força necessária para evitar o pecado, mas exclusivamente na graça de Deus, devemos empregar todo o cuidado em nos tornarmos, por culpa própria, ainda mais fracos do que já somos. Certas faltas, de que não fazemos conta, podem ser a causa de Deus nos negar a luz sobrenatural, tornando-se assim o demônio mais forte contra nós.
Tais faltas são: o desejo de passar por sábio ou nobre aos olhos do mundo, a vaidade no vestir, a busca de comodidades supérfluas, o costume de se dar por ofendido com qualquer palavra picante ou com uma simples falta de atenção, o desejo de agradar a todo o mundo à custa do bem espiritual, a negligência das práticas de piedade por respeito humano, as pequenas desobediências, pequenas aversões contra alguém, pequenas murmurações, pequenas mentiras ou caçoadas, o tempo perdido em conversas ou curiosidades inúteis, em uma palavra, todo o apego às coisas criadas, toda a satisfação do amor próprio podem oferecer ao nosso inimigo ocasião para nos precipitar ao abismo. Estas faltas, cometidas com deliberação, nos roubarão, pelo menos os socorros abundantes do Senhor, que nos preservam, sem dúvida alguma, da queda no pecado.
Fonte: Escola da Perfeição Cristã
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COMO PROCEDER NA TENTAÇÃO [PARTE II]: RESISTIR À TENTAÇÃO


Por Adolph Tanquerey
Esta resistência será diversa conforme a natureza das tentações. Há umas que são frequentes, mas pouco graves. Para essas a melhor tática é o desprezo, como tão bem explica São Francisco de Sales: “Quanto a essas pequenas tentações de vaidade, suspeita, tristeza, ciúme, inveja, afeiçõezinhas e outras semelhantes ninharias, que, como moscas e mosquitos nos andam passando por diante dos olhos, e umas vezes nos picam nas faces, outras no nariz… a melhor resistência que lhes podemos fazer é não nos afligirmos, porque nada disto nos pode causar dano, ainda que nos pode enfadar, contanto que tenhamos firme resolução de querer servir a Deus. Desprezai, pois, estes pequenos assaltos e não vos ponhais nem sequer a considerar o que querem dizer. Deixai-os zunir à roda dos ouvidos, quanto quiserem… como se faz com as moscas.
Aqui ocupamo-nos sobretudo das tentações graves: é preciso combate-las prontamente, energicamente, com constância e humildade.
PRONTAMENTE: Sem discutir com o inimigo, sem hesitação alguma ao princípio, como a tentação não firmou ainda o pé solidamente em nossa alma, é bastante fácil rechaça-la. Se esperarmos que lance raízes na alma, será muito mais difícil. Por conseguinte, nada de parlamentar com o tentador. Associemos a ideia de prazer ilícito a tudo quanto há de mais repugnante, a uma serpente, a um traidor que nos quer apanhar de sobressalto, e lembremo-nos da palavra dos nossos Livros Santos: “Foge dos pecados como da vista duma cobra, porque se te aproximares deles, apoderar-se-ão de ti”. E foge-se orando e aplicando o espírito a qualquer outro assunto.
ENERGICAMENTE: não com moleza e como de má vontade, o que pareceria convidar a tentação a voltar, mas com força e vigor, testemunhando o horror que tal proposição nos causa: “arreda, satanás, vade satana”. É, porém, diversa a tática que se deve empregar segundo o gênero das tentações. Se se trata de prazeres atraentes, é necessário afastar-se e fugir, aplicando fortemente a atenção a um assunto diferente que nos possa absorver o espírito. A resistência direta não faria geralmente senão aumentar o perigo. Se a tentação é repugnância em cumprir o próprio dever, antipatia, ódio, respeito humano, o melhor é, muitas vezes, afrontar a tentação, considerar francamente a dificuldade de rosto e apelar para os princípios da fé, para dela triunfar.
COM CONSTÂNCIA: é que às vezes a tentação, vencida por um instante, volta com novo furor, e o demônio reconduz do deserto sete espíritos piores do que ele. A esta pertinácia do inimigo é mister opor resistência não menos tenaz: quem combate até o fim é que ganha a vitória. Mas então, para haver maior segurança de triunfar, importa dar a conhecer a tentação ao diretor espiritual.
É este o conselho que dão os Santos, em particular Santo Inácio e São Francisco de Sales: “porque notai, diz este último, que a primeira condição que o maligno propõe à alma que quer enganar, é o silêncio, como fazem aqueles que querem seduzir as mulheres e as donzelas, que por entrada proíbem que elas comuniquem as propostas aos pais ou maridos. Pelo contrário, Deus, em suas inspirações, requer sobre todas as coisas que as façamos reconhecer pelos nossos superiores e diretores”. E, na verdade, parece que anda vinculada uma graça especial a esta manifestação da consciência: tentação descoberta é tentação meio vencida.
COM HUMILDADE: é ela, efetivamente, que atrai a graça, e a graça é que nos dá a vitória. O demônio, que pecou por orgulho, foge diante dum ato sincero de humildade, e a tríplice concupiscência, que tira a sua força da soberba, é facilmente vencida, quando por assim dizer, a decapitamos pela humildade.
Da obra “A vida espiritual explicada e comentada”.
https://capelasantoagostinho.com/2018/03/15/como-proceder-na-tentacao-parte-ii-resistir-a-tentacao/

COMO PROCEDER NA TENTAÇÃO [PARTE I]: PREVENIR A TENTAÇÃO


Por Adolph Tanquerey
Para triunfar das tentações e fazê-las servir ao bem espiritual da nossa alma, três coisas principais se devem observar: 1º Prevenir a tentação; 2º Combatê-la vigorosamente; 3º Agradecer a Deus depois da vitória, ou levantar-se após a queda.
Trata-se especificamente de cada um destas três coisas em três postagens distintas. Nesta primeira postagem da série aborda-se a questão de como prevenir a tentação
Prevenir a tentação
Conhecemos o provérbio: Mais vale prevenir que remediar. É também o que aconselha a sabedoria cristã. Quando Cristo Senhor Nosso conduziu os três apóstolos ao jardim da Oliveiras, disse-lhes: “Vigiai e orai, para não entrardes em tentações”(Mt 26, 41). Vigilância e oração, eis pois, os dois grandes meios de prevenir a tentação.
Vigiar é estar de atalaia em torno da própria alma, para não se deixar colher de sobressalto. E é tão fácil sucumbir num momento de surpresa! Esta vigilância implica duas disposições principais: desconfiança de si mesmo e confiança em Deus.
É, pois, necessário evitar a presunção orgulhosa que nos lança para o meio dos perigos, a pretexto de que somos assaz fortes para deles triunfar. Foi o pecado de São Pedro que, no momento em que Jesus predizia a fuga dos apóstolos, exclamava: “Ainda quando sejais para todos uma ocasião de queda, para mim nunca o sereis” (Mc 14,29). Reflitamos, pelo contrário, que aquele que julga estar de pé deve ter cuidado, não vá cair”(ICor 10, 12); porque, se o espírito está pronto, a carne é fraca, e segurança não se encontra senão na desconfiança humilde da própria fraqueza.
Mas devem-se evitar igualmente esses vãos terrores que não fazem senão aumentar o perigo. É bem verdade que somos fracos por nós mesmos, mas invencíveis naquele que nos conforta: “Deus que é fiel não permitirá que sejais tentados mais do que podem as vossas forças. Antes fará que tireis ainda vantagem da mesma tentação, para a poderdes suportar”(ICor 10, 13).
Esta justa desconfiança de nós mesmos faz-nos evitar ocasiões perigosas, tal companhia, tal divertimento, etc., em que a nossa experiência nos mostrou que nos vimos expostos a cair. Combate a ociosidade, que é uma das ocasiões mais perigosas, bem como essa moleza habitual, que afrouxa as energias da vontade e a prepara a todas as capitulações. Tem horror desses fúteis devaneios que povoam a alma de fantasmas que não tardam a tornar-se perigosos. Numa palavra, pratica a mortificação sob as diferentes formas e aplica-se aos deveres de estado, à vida interior e ao apostolado. E, então, no meio desta vida intensa, resta pouco lugar para tentações.
A vigilância deve exercer-se especialmente sobre o ponto fraco da alma, visto ser geralmente desse lado que vem o assalto. Para fortificar esse ponto vulnerável, é lançar mão do exame particular, que por tempo notável concentra a atenção sobre esse defeito, ou melhor ainda sobre a virtude contrária.
À vigilância é preciso ajuntar a oração, que, colocando a Deus do nosso lado, nos torna invencíveis. Afinal, Deus acha-se interessado em nossa vitória, porque é a Ele que o demônio quer atingir em nossa pessoa, é a sua obra que ele quer destruir em nós. Podemos invoca-lo com santa confiança, seguros de que Ele nada mais deseja que socorrer-nos. Contra a tentação é boa toda a oração: vocal ou mental, privada ou pública, sob forma de adoração ou de petição. É bom, sobretudo nas horas de paz, orar para o tempo de tentação. No momento em que esta se apresenta, não há mais tempo senão para elevar rapidamente o coração a Deus, para resistirmos com mais vigor.
Continua em outra postagem com a segunda parte com o tema Resistir à tentação.
Da obra A vida espiritual. Explicada e comentada.
https://capelasantoagostinho.com/2018/03/10/como-proceder-na-tentacao-i-prevenir-a-tentacao/

“NÓS NÃO SABEMOS O QUE SOMOS, NEM SABEMOS O QUE PODEMOS, PORÉM A TENTAÇÃO O DESCOBRE”


Por Pe. Manuel José Gonçalves Couto
Jesus Cristo subindo a uma barca, os seus discípulos o seguiram, e houve uma grande tempestade, de sorte que as ondas iam cobrindo a barca. Jesus Cristo, meus irmãos, com esta tempestade quis ensinar aos seus discípulos e a todos nós, que no caminho do Céu também há tribulações e tentações, como diz o Eclesiástico: “Filho, chegando-te ao serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação”. E como disse S. Rafael a Tobias: “Por que eras aceito a Deus, foi necessário que a tentação te provasse”.
A alma justa muitas vezes anda cheia de alegrias e consolações, e dali por um pouco Deus a mete em uma noite escura de trabalhos e tribulações, como diz S. João da Cruz: “Quando a alma justa mais a seu gosto anda gozando destas delícias espirituais, e mais claro lhe brilha o sol dos divinos favores, Deus muitas vezes lhe escurece toda essa luz, e lhe fecha a porta dessa doce água espiritual, de que andava gozando em Deus, e quando ela queria. E desta sorte a deixa tanto às escuras, que não sabe dar um só passo na vida espiritual, porque para ela tudo é noite e escuridão. Nós sabemos que muitos santos viveram quase sempre nas tribulações e nas tentações.
A sagrada Escritura nos diz que são muitas as tribulações dos justos, de sorte que uma alma neste mundo anda sempre cercada de tentações, e se não as conhece, é porque ainda vive na cegueira. Mas perguntareis vós: “E Deus por que permite tantas tribulações e tentações aos seus servos?” Deveis saber que é para os mortificar e eles adquirirem merecimentos. Também é para os excitar nas virtudes, e experimentar o quanto são firmes. Diz um devoto escritor: “Nós não sabemos o que somos, nem sabemos o que podemos, porém a tentação o descobre”.

E assim é, meus irmãos. Poucas são as pessoas que sejam firmes, e que tenham virtudes verdadeiras. Muitos ainda entendem que tem as virtudes de um cristão, mas se o examinarmos não aparecerá virtude verdadeira, e porque? Porque só tem as virtudes enquanto não vem as tentações. Pois vindo as tentações, que é a prova, logo desaparece tudo. Nem há paciência, nem humildade. Não se sofre coisa alguma, murmura-se, dão-se queixas, falta-se à justiça e à caridade. Finalmente, lá vão as virtudes todas!… E que aconteça isto a essas pessoas que se confessam só uma vez a cada ano, não me admiro. Mas aconteça a pessoas que frequentam os sacramentos, que professam a virtude, que é isso, meus irmãos?! Que virtudes são estas? Aonde está o fruto das vossas confissões frequentes? Ai que eu temo muito que as vossas confissões seja todas nulas! Porque não tendes virtudes verdadeiras. As vossas virtudes são falsas e aparentes, porque desaparecem logo que vem as tentações, que são a prova. Ora, pois, desenganai-vos. A falta de emenda não tem remédio, notai estas palavras: a falta de emenda em matéria grave não tem remédio. Portanto tirai sempre fruto das vossas confissões.
Da obra “Missão Abreviada”
https://capelasantoagostinho.com/2019/03/24/nos-nao-sabemos-o-que-somos-nem-sabemos-o-que-podemos-porem-a-tentacao-o-descobre/

Único desejo e minha alegria

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Em todos os acontecimentos, meu único desejo e minha alegria devem ser: aqui está o que Deus quis para mim. Nisso é que encontro o seu amor, e aceitando o que Ele me envia é que posso dar-lhe de volta esse amor e a mim mesmo, inteiramente. Pois ao dar-me a Ele encontrá-lo-ei e Ele é a vida eterna.



A vitória sobre nossas tentações

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Por Santo Afonso de Ligório
Para perseverarmos no bem, não devemos colocar nossa confiança nas nossas resoluções. Se contarmos com nossas próprias forças, estaremos perdidos. Para nos conservarmos na graça, devemos pôr nossa confiança nos merecimentos de Jesus Cristo. Com sua assistência perseveraremos até a morte, ainda que combatidos por todos os poderes terrestres e infernais.
Sem dúvida alguma seremos assaltados algumas vezes por tantas e tão fortes tentações que nossa queda nos parecerá inevitável. Guardemo-nos, porém, de perder então a coragem e de nos entregar ao desespero. Recorramos com toda a pressa a Jesus Crucificado, que ele impedirá a nossa queda. O Senhor permite que até aos santos sobrevenham tais tempestades, como a São Paulo, que afirma de si: “Nós fomos excessivamente oprimidos acima de nossas forças a ponto de nos aborrecermos da própria vida” (2 Cor 1, 8). O apóstolo aqui mostra o que ele podia por própria força e com isso nos quer ensinar que: “ Deus, de vez em quando, nos deixa ver a nossa fraqueza, para que, melhor inteirados de nossa miséria, não confiemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2 Cor 1, 9) e humildemente peçamos o seu auxílio para não sucumbirmos.
Ainda mais claramente disso fala o Apóstolo em outro lugar, dizendo: “Em tudo sofremos tribulações, porém não desanimamos. Somos embaraçados, porém não desesperamos” (2 Cor 4, 8). Sentimo-nos oprimidos pela tristeza e afligidos pelas paixões, contudo não desesperamos. Somos lançados num mar tempestuoso e não vamos ao fundo, porque o Senhor nos concede com sua graça a força de resistir a todos os nossos inimigos. Mas ao mesmo tempo o Apóstolo nos exorta a que não nos esqueçamos que somos homens fracos e frágeis, que muito facilmente podemos perder de novo o tesouro da graça divina, que só poderemos conservar pela virtude divina e não pela própria força. “Nós, porém, possuímos esse tesouro em vaso de barro, para que a sublimidade seja da virtude de Deus e não de nós” (2 Cor 4, 7).
Ainda que, conforme o sobredito, não possamos achar em nós a força necessária para evitar o pecado, mas exclusivamente na graça de Deus, devemos empregar todo o cuidado em nos tornarmos, por culpa própria, ainda mais fracos do que já somos. Certas faltas, de que não fazemos conta, podem ser a causa de Deus nos negar a luz sobrenatural, tornando-se assim o demônio mais forte contra nós.
Tais faltas são: o desejo de passar por sábio ou nobre aos olhos do mundo, a vaidade no vestir, a busca de comodidades supérfluas, o costume de se dar por ofendido com qualquer palavra picante ou com uma simples falta de atenção, o desejo de agradar a todo o mundo à custa do bem espiritual, a negligência das práticas de piedade por respeito humano, as pequenas desobediências, pequenas aversões contra alguém, pequenas murmurações, pequenas mentiras ou caçoadas, o tempo perdido em conversas ou curiosidades inúteis, em uma palavra, todo o apego às coisas criadas, toda a satisfação do amor próprio podem oferecer ao nosso inimigo ocasião para nos precipitar ao abismo. Estas faltas, cometidas com deliberação, nos roubarão, pelo menos os socorros abundantes do Senhor, que nos preservam, sem dúvida alguma, da queda no pecado.

O HOMEM DO POÇO


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O belga Jacques Leclecq, num velho livro sobre o ano litúrgico, contava a “parábola” do homem que morava no fundo de um poço: pequeno, estreito, escuro e úmido. A lama e a umidade eram a sua inseparável companhia. Mas lá estava ele vivendo; melhor dizendo, lá estava vegetando.
Um dia sentiu vontade de olhar por cima do poço. Deu um pulinho, pôs as mãos na beirada, fez força, ergueu-se um pouco e viu o esplendor da terra: árvores, caminhos a perder de vista no horizonte, montanhas, relva ensolarada dos pastos, flores, pássaros… Após uns instantes de deslumbramento, o homem abaixou a vista e resmungou: – “Tudo isto é muito complicado”. E voltou a encolher-se no fundo do poço.
É bom que nós pensemos se – depois de tantos sonhos – não ficamos sendo “homens do poço”, que correm o perigo de ir vegetando pela vida, e de acabá-la no escuro, sem sentido nem fruto. Como o protagonista daquele romance já esquecido que se intitulava «Viveu para nada».

Adaptação de um trecho do livro As verdadeiras alegrias


Os maiores cuidados que tens são pelas coisas do Céu ou pelas coisas da terra?


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Jesus Cristo foi posto em um sepulcro novo de pedra, onde ninguém tinha sido enterrado; e José o fechou com uma grande pedra. Considerai e imaginai como se ordenou e se deu aquela santa procissão, onde acompanhavam inumeráveis Anjos do Céu, sendo o sagrado corpo levado por São João, José, Nicodemos e pelo Centurião. Eles caminharam para um horto, onde José tinha um sepulcro, e nele depositaram aquele sagrado tesouro. E partindo dali para o Cenáculo, todos ali deixaram os seus corações. Porque onde fica o tesouro, lá fica o coração.
Notai aqui: muitas pessoas afligem-se por não saberem qual será o seu destino. Não sabem se estão em estado de graça, ou se não estão. Não sabem se irão se salvar, ou não. E por este motivo muito se afligem.
Dize-me: onde tens o vosso coração?
Onde trazes o vosso sentido? O vosso pensamento?
Para onde estais mais inclinados e afeiçoados? É para as coisas de Deus? Ou é para as coisas do mundo?
As maiores fadigas e os maiores cuidados que tens, são pelas coisas do Céu? Ou pelas coisas da terra?
Quando é que tens maior sentimento de pesar? É quando ofendes a Deus e perdes a Deus? Ou quando perdes as coisas deste mundo?
Se me disseres a verdade, tens um desengano certo. Sim, meus irmãos, quem estiver inclinado para a esquerda, mal poderá cair para a direita. Quem estiver inclinado para o mundo, mal poderá subir ao Céu. Finalmente, quem tiver um grande peso de pecados, mal poderá elevar-se ao Reino da Glória, pois só pode entrar neste Reino celeste, e unir-se ao divino, quem estiver desatado e desapegado do terreno.
Ora, isto de fato é assim! Mas, quem se conforma?
Se qualquer um de nós examinar bem seu coração, o que poderá encontrar nele? Encontrará talvez bastantes afetos terrenos, bastantes amores profanos, bastantes inclinações para o mundo, e bem pouca pureza. Há de encontrá-lo talvez cheio de amor próprio e de vaidade. Há de conhecer que tem mais amor e mais inclinação para qualquer pessoa, ou para qualquer coisa, do que para o mesmo Deus. Há de encontrar com sua própria vontade, e com o seu gênio, as suas paixões ainda vivas, e sem mortificação alguma. Finalmente, pode acontecer que não encontre no seu coração senão MUNDO!...
Portanto desenganai-vos: quem é do Céu, parece que já está no Céu. Já lá está com o pensamento, com as inclinações, com os afetos, com as saudades e com o coração! O nosso coração foi feito para Deus. Deus é o seu tesouro, e por isso já deve estar para Deus; e verdadeiro descanso não pode ter sem estar unido ao mesmo Deus. Ora, pois, se Deus é nosso, e se entregou de todo a nós, então sejamos nós também de Deus, e vivamos para Deus, sem que haja reserva em nossos corações. Porque fazendo nós assim, temos sinal de justos e predestinados, e já podemos confiar na divina misericórdia, e andar contentes.

Oração diante da imagem de Jesus crucificado

Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus! De joelhos me prostro em Vossa presença e Vos peço e suplico, com todo o fervor da minha alma, que vos digneis gravar no meu coração os mais vivos sentimentos de Fé, Esperança e Caridade, verdadeiros arrependimento de meus pecados e firme propósito de emenda, enquanto que, por mim próprio considero e em espírito contemplo com grande afeto e dor, as vossas cinco chagas, tendo presentes as palavras que já o profeta David punha em vossa boca, o Bom Jesus: “Transpassaram minhas mãos e meus pés e contaram todos os meus ossos”. 

(Ave Maria, Pai Nosso, Glória ao Pai)

sábado, 22 de junho de 2019

Não sabe o que confessar? 17 perguntas para um exame de consciência de adultos


Uma confissão sincera permite a renovação da alma e a sua abertura à graça de Deus! Estas questões podem ajudar a prepará-la melhor

Osite do Opus Dei em português publicou um conjunto de perguntas que podem ajudar adultos a realizarem seu exame de consciência pessoal prévio a uma confissão.
O texto recorda:
“A confissão é a oportunidade de pedir perdão a Deus e de receber a sua misericórdia. Antes de se confessar, reserve uns momentos de silêncio para refletir no que você fez de errado; no que possa ter prejudicado outras pessoas, e no que você pode fazer para se tornar um cristão melhor. Uma confissão sincera permite a renovação da alma e a sua abertura à graça de Deus. As questões a seguir podem ajudar a refletir sobre as ações de que você deve pedir perdão”.

Exame de consciência (versão para adultos)

  1. Neguei ou abandonei a minha fé? Tenho a preocupação de conhecê-la melhor? Recusei-me a defender a minha fé ou fiquei envergonhado dela? Existe algum aspecto da minha fé que eu ainda não aceito?
  2. Disse o nome de Deus em vão? Pratiquei o espiritismo ou coloquei a minha confiança em adivinhos ou horóscopos? Manifestei falta de respeito pelas pessoas, lugares ou coisas santas?
    Faltei voluntariamente à Missa nos domingos ou dias de preceito?
  3. Recebi a Sagrada Comunhão tendo algum pecado grave não confessado? Recebi a Comunhão sem agradecimento ou sem a devida reverência?
  4. Fui impaciente, fiquei irritado ou fui invejoso?
  5. Guardei ressentimentos ou relutei em perdoar?
  6. Fui violento nas palavras ou ações com outros?
  7. Colaborei ou encorajei alguém a fazer um aborto ou a destruir embriões humanos, a praticar a eutanásia ou qualquer outro meio de acabar com a vida?
  8. Tive ódio ou juízos críticos, em pensamentos ou ações? Olhei os outros com desprezo?
  9. Falei mal dos outros, transformando o assunto em fofoca?
  10. Abusei de bebidas alcoólicas? Usei drogas?
  11. Fiquei vendo vídeos ou sites pornográficos? Cometi atos impuros, sozinho ou com outras pessoas? Estou morando com alguém como se fosse casado, sem que o seja?
  12. Se sou casado, procuro amar o meu cônjuge mais do que a qualquer outra pessoa? Coloco meu casamento em primeiro lugar? E os meus filhos? Tenho uma atitude aberta para novos filhos?
  13. Trabalho de modo desordenado, ocupando tempo e energias que deveria dedicar à minha família e aos amigos?
  14. Fui orgulhoso ou egoísta em meus pensamentos e ações? Deixei de ajudar os pobres e os necessitados? Gastei dinheiro com o meu conforto e luxo pessoal, esquecendo as minhas responsabilidades para com os outros e para com a Igreja?
  15. Disse mentiras? Fui honesto e diligente no meu trabalho? Roubei ou enganei alguém no trabalho?
  16. Cedi à preguiça? Preferi a comodidade ao invés do serviço aos demais?
  17. Descuidei a minha responsabilidade de aproximar de Deus os outros, com o meu exemplo e a minha palavra?
O site do Opus Dei também disponibiliza um guia em formato PDF para ajudar os fiéis católicos a preparem uma confissão mais consciente e profunda. Você pode baixá-lo aqui.

https://pt.aleteia.org/2019/06/14/nao-sabe-o-que-confessar-17-perguntas-para-um-exame-de-consciencia-de-adultos/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=weekly_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Este milagre eucarístico ainda contém sangue fresco mais de 770 anos depois

SANTAREM EUCHARIST MIRACLE


O milagre é visível para os peregrinos em Santarém, Portugal, e parece o mesmo desde 1247

Os católicos acreditam que o pão e o vinho na missa são transformados no corpo e sangue de Jesus. É um mistério conhecido como “transubstanciação”. Significa que, enquanto as aparências do pão e do vinho permanecem, a substância subjacente é transformada (através do poder de Deus) completamente para o corpo e sangue de Cristo. É um ensinamento baseado nas escrituras e na tradição e permanece imutável em sua essência desde os tempos apostólicos.
No entanto, a Igreja reconhece que, em raras ocasiões, tanto a substância quanto a aparência são transformadas em corpo e sangue de Jesus. Estes são identificados como “milagres eucarísticos” e testemunham as palavras que Jesus deu aos seus discípulos na Última Ceia (“Este é o meu corpo”).
Um desses milagres ocorreu em Santarém, Portugal, em 1247, quando uma jovem, com ciúmes do marido, foi a uma feiticeira na esperança de fazer uma poção do amor. A feiticeira instruiu a jovem a furtar uma hóstia consagrada de uma Igreja Católica. A jovem seguiu as instruções e escondeu a hóstia em um pano de linho.
Logo depois que ela colocou a hóstia no pano, a hóstia começou a sangrar. Ela ficou assustada com o que viu e rapidamente fechou a hóstia em uma gaveta em seu quarto. À noite, raios brilhantes de luz vinham da gaveta, e ela foi forçada a contar tudo ao marido.
No dia seguinte, ela levou a hóstia milagrosa ao pároco, que a consagrou e colocou em um relicário. Assim permaneceu em Santarém desde então. Investigações canônicas foram realizadas em 1340 e 1612. Em ambas as ocasiões, o milagre foi considerado autêntico.
Ao longo dos séculos, a hóstia mostra-se como tecido com sangue fresco ou mostra-se ressequida. O Sangue Solidificado do milagre é guardado no vidro de um relicário que se encontra no altar principal do Santuário de Santarém.
É um sinal para todos da presença real de Jesus na Eucaristia e tem revigorado a fé de muitos católicos ao redor do mundo.

https://pt.aleteia.org/2019/06/20/este-milagre-eucaristico-ainda-contem-sangue-fresco-mais-de-770-anos-depois/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

quinta-feira, 20 de junho de 2019

DOS EXERCÍCIOS PIEDOSOS QUE SE ACONSELHAM AO CRISTÃO PARA CADA DIA

Resultado de imagem para EXERCICIOS PIEDOSOS
Um bom cristão, pela manhã, apenas acorda, deve fazer o sinal da Cruz, eoferecer o coração a Deus, dizendo estas ou outras palavras semelhantes: "Meu Deus, eu vos dou o meu coração e a minha alma."
Ao levantar da cama e enquanto nos vestimos, deveríamos pensar que Deus está presente, que aquele dia pode ser o último da nossa vida; e, entretanto, levantar-nos e vestir-nos com toda a modéstia possível.
Um bom cristão, apenas se tenha levantado vestido, convém pôr-se na presença de Deus e ajoelhar, se pode, diante de alguma devota imagem, dizendo com devoção:
"Eu Vos adoro, meu Deus, e Vos amo de todo o coração; dou-Vos
graças por me terdes criado, feito cristão e conservado nesta noite;
ofereço-Vos todas as minhas ações, e peço-Vos que neste dia
me preserveis do pecado, e me livreis de todo o mal. Assim seja".
Reza depois o Padre-Nosso, a Ave-Maria, o Credo, e os atos de Fé, de Esperança e de Caridade, acompanhando-os com um vivo afeto do coração.
Antes do trabalho, convém oferecê-lo a Deus, dizendo do coração: "Senhor, eu Vos ofereço este trabalho, dai-me a vossa bênção".
Deve-se trabalhar para glória de Deus e para fazer a Sua vontade.
Antes da refeição convém fazer o sinal da Cruz, estando de pé, e depois dizer com devoção: "Senhor, abençoai-nos a nós e ao alimento que vamos tomar, para nos conservarmos no Vosso santo serviço".
Depois da refeição, convém fazer o sinal da Cruz, e dizer: "Senhor, eu Vos dou graças pelo alimento que me destes; fazei-me digno de participar da mesa celeste".
Quando nos vemos atormentados por alguma tentação, devemos invocar com fé o Santíssimo Nome de Jesus ou de Maria, ou recitar fervorosamente alguma oração jaculatória, como, por exemplo: "Dai-me a graça, Senhor, que eu nunca Vos ofenda"; ou então fazer o sinal da Cruz, evitando porém que as outras pessoas, pelos sinais externos, suspeitem da tentação.
Quando uma pessoa reconhece, ou duvida que cometeu algum pecado, convém fazer imediatamente um ato de contrição, e procurar confessar-se quanto antes.
Ao toque das Ave-Marias, o bom cristão recita o Anjo do Senhor com três Ave- Marias.
À noite, antes de deitar, convém pôr-nos, como pela manhã, na presença de Deus, recitar devotamente as mesmas orações, fazer um breve exame de consciência, e pedir perdão a Deus dos pecados cometidos durante o dia.
Antes de adormecer, farei o sinal da Cruz, pensarei que posso morrer naquela noite, e oferecerei o coração a Deus, dizendo: "Meu Senhor e meu Deus, eu Vos dou todo o meu coração. Trindade Santíssima, concedei-me a graça de bem viver e de bem morrer. Jesus, Maria e José eu Vos encomendo a minha alma".

No decurso do dia pode-se invocar a Deus freqüentemente com outras orações breves, que se chamam jaculatórias.
- Senhor, valei-me;
- Senhor, seja feita a vossa santíssima vontade;
- Meu Jesus, eu quero ser todo vosso;
- Meu Jesus, misericórdia;
- Doce Coração de Jesus, que tanto nos amais,
fazei que eu Vos ame cada vez mais;
- Doce Coração de Maria sede minha salvação.
É muito útil recitar, durante o dia, muitas jaculatórias, e podem recitar-se também com o coração, sem proferir palavras, caminhando, trabalhando, etc.
Além das orações jaculatórias, o cristão deveria exercitar-se na mortificação cristãMortificar-se quer dizer privar-se, por amor de Deus, daquilo que agrada, e aceitar o que desagrada aos sentidos ou ao amor próprio.