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domingo, 2 de maio de 2021

5 hábitos que dificultam a cura interior




Os bloqueios nos neutralizam, criam uma capa de falsa proteção, obstruindo toda a nossa vida

Sabemos que não estamos sozinhos nessa caminhada, que temos um grande assessor, que é o Espírito Santo. Temos de criar mais intimidade com Ele, porque é Jesus quem nos disse que nos mandaria o Paráclito, o Espírito da verdade, para que Ele viesse e habitasse em nós, e Ele nos revelaria tudo (Jo 14,26). Isso significa crescer na vida emocional e espiritual. Por isso, temos de, a cada situação da nossa vida, pedir ao Espírito Santo que nos auxilie, que não nos deixe fazer coisas erradas, mas sim a coisa certa sempre.

Os bloqueios nos neutralizam, criam como que uma capa de falsa proteção, obstruindo toda a nossa vida e cortando a comunicação do nosso inconsciente com a verdade que temos de viver. Aqui estão os maiores bloqueios para a Cura Interior: falta de perdão, mentira, falta de arrependimento, ressentimento e uso de práticas ocultas.

Primeiro bloqueio – A falta de perdão

Poderíamos até dizer que a falta de perdão é o único e o maior bloqueio para uma verdadeira cura interior. A cura acontece, quase que imediatamente, quando perdoamos e vivemos reconciliados, porque é um mandamento do Senhor que está no livro de Lucas (Lc 6,36-37): “Ser misericordioso como nosso Pai celeste é”. Perdoai e será perdoado: Jesus nos pede para perdoarmos, para rezarmos, amarmos e abençoarmos os nossos inimigos. Se é o inimigo que não quer reconciliação, já tentamos tudo, temos testemunhas de que ele não quer, já confessamos, falamos com a Igreja, Jesus nos pede que deixemos este inimigo ser tratado como um pagão. Assim, devemos nos alegrar, estarmos felizes, pois já não há mais culpa em nosso coração.

Na realidade, quando as pessoas nos ferem, pensamos em revidar, em nos vingar, desejar a ela o mesmo sofrimento, e até nos sentimos bem fazendo isso. No fundo, queremos que o outro sofra por causa das nossas dores. Muitas vezes, a pessoa que nos machucou nem percebeu que fez isso, ele não tem consciência do mal que nos fez, talvez seja uma ignorância dela ou mesmo uma incapacidade, mesmo que seja por maldade involuntária (a pessoa faz por fazer, sem pensar nas consequências). Por isso, Jesus diz que a única maneira de se libertar é perdoar.

Segundo bloqueio – Mentira

A mentira é um grande bloqueio para nossa cura e libertação. Podemos dizer que é quase impossível libertar uma pessoa enquanto ela está mentindo. Por causa do sofrimento, muitas vezes, ela inventa histórias sobre seu sofrimento numa tentativa de se justificar.

O demônio, sabendo disso, vai ficar instigando a pessoa a mentir, porque ele é o pai da mentira (Jo 8,44). As pessoas interagem com as histórias de outros e mistura com a sua, ficam inventando desculpas para sua situação, onde a culpa é sempre do outro, ela é uma vítima, contam fatos que misturam com uma realidade virtual. A primeira coisa é que o demônio é mentiroso, você não pode ficar dando muita atenção a ele, é muito mais necessário você escutar o Espírito Santo.

Terceiro bloqueio – A falta de arrependimento

Temos de nos arrepender quando falhamos. Jesus disse que é melhor que o homem vá para o Céu com um olho só do que com dois ir para o inferno. Pedir perdão a Deus e perdoar a Deus é mais fácil do que pedir perdão aos outros e perdoar ao próximo. Nós temos de pedir perdão ao próximo. Reconhecermos nossos erros é uma grande cura para nós e para os outros. É Jesus quem nos vai dizer que devemos perdoar a quem nos ofendeu setenta vezes sete. Se eu machuquei muitas pessoas na família ou mesmo no trabalho, na escola, no lazer, e se os que eu machuquei estão próximos de mim, então, estou cercado por uma camada de ódio que vai impedir que a cura chegue até mim.

Essa é uma das razões de muitas doenças no mundo, porque as pessoas ferem umas às outras, e, geralmente, são pessoas de sua convivência; então, ela se sente cercada por todos os lados e em guerra constante, machucando-se todos os dias. Isso é uma ferida que não cicatriza nunca, e todos os dias ela é aberta. O arrependimento fica nessa situação entre o perdão e a reconciliação verdadeira.

Não basta apenas pedir perdão e virar as costas, é preciso tentar reparar o mal feito, cicatrizar as feridas, assumindo a culpa do erro, até mesmo colocando a sua vida como reparação, dizendo: “O que eu posso fazer para reparar isso?”. Isso já é um sinal do arrependimento.

Quarto bloqueio – Ressentimento

É um sentimento persistente de desagrado contra alguém, é uma mágoa profunda, uma dor persistente, que gera um conflito profundo na vida da pessoa e faz com que ela perca a intimidade com os outros, perca a alegria de estar perto de alguém. A pessoa busca distanciamento, torna-se agressiva. Ressentimento é algo vivo na lembrança! Mesmo se pedir perdão, a pessoa não quer perdoar e fica guardando por anos a fio a situação. Muitas vezes, até diz que não esquece e acaba sofrendo as consequências por muitos anos. É como se o fato tivesse acontecido naquele tempo, nada se distancia do ressentimento. Ele mantém viva a lembrança.

Quinto bloqueio – Lidar com as práticas ocultas

Em primeiro lugar, esclareçamos: oculto significa forças escondidas, cujos segredos não conhecemos todos, que estão sempre revestidas de algo que não compreendemos bastante, são sempre suspeitas, porque não vêm de Deus. Buscar o ocultismo é como achar que há outra pessoa, mais importante que Deus, porque, para o ocultista, os deuses são pessoas que se tornaram divinas, que se tornaram deuses dentro do paganismo.

Os que estão vivendo essa situação estão sendo enganados; e porque não acreditam que Jesus morreu para sua salvação, invocam deuses pagãos. O Senhor, no entanto, abomina os que se entregam a essas práticas (cf. Dt 18,9ss).


https://pt.aleteia.org/2021/04/30/5-habitos-que-estao-bloqueando-a-sua-cura-interior/?utm_campaign=NL_pt&utm_content=NL_pt&utm_medium=mail&utm_source=daily_newsletter

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Pesquisa comprova: exercícios espirituais podem melhorar a saúde física

             


Cientistas descobriram que um retiro inaciano provocou "mudanças significativas" no cérebro dos participantes, o que gerou melhoras na saúde.

Um pesquisa desenvolvida por cientistas norte-americanos comprovou que os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola podem melhorar a saúde física. Os pesquisadores descobriram que um  retiro inaciano de sete dias provocou “mudanças significativas” no cérebro dos participantes, o que gerou melhoras na saúde.

O estudo foi conduzido pelos cientistas do Instituto Marcus de Saúde Interativa, da Universidade Thomas Jefferson. Eles estudaram as respostas cerebrais de 14 participantes de um retiro – todos com idades entre 24 e 76 anos. Os pesquisadores publicaram os resultados do estudo no artigo científico “Religion, Brain and Behavior” (Religião, Cérebro e Comportamento).

Para o Dr. Andrew Newberg, diretor da pesquisa, os impactos cerebrais na melhora da saúde dos participantes da pesquisa tem a ver com a serotonina e a dopamina. Essas substâncias fazem parte dos sistemas de recompensa e emocional do cérebro. “Nosso estudo mostrou mudanças significativas nos transportadores de dopamina e de serotonina logo depois do retiro de sete dias, o que poderia ajudar os participantes nas experiências espirituais que descreveram”, indicou Newberg.

Dopamina e serotonina

A dopamina é conhecida como a “química do prazer”. Ela também desempenha vários papéis importantes nas funções cerebrais, como o controle de atenção e o movimento, por exemplo. Já a serotonina é o “hormônio da felicidade” e interfere na regulação emocional e no estado de humor.

As observações posteriores ao retiro revelaram diminuições no transportador de dopamina e na ligação do transportador de serotonina, o que poderia gerar que mais neurotransmissores estivessem disponíveis para o cérebro.

Depois da Missa matinal, no retiro, as pessoas passaram a maior parte do dia em silêncio, rezando e meditando. Ao voltarem à vida normal, os participantes do estudo também responderam a uma série de perguntas. As respostas indicaram melhoras significativas na percepção da saúde física, na tensão e no cansaço.

Além disso, eles também relataram uma sensação maior de autotranscedência depois dos exercícios espirituais. Para os pesquisadores, isso se relaciona com a mudança de dopamina vinculante.

Mas por que isso aconteceu? O Dr. Newberg explica que ainda não tem a resposta. “A nossa equipe tem a curiosidade de saber a respeito de quais aspectos do retiro causaram as mudanças nos sistemas de neurotransmissores e se diferentes retiros causariam resultados diferentes. Esperemos que os estudos futuros possam responder a estas perguntas” concluiu o especialista.

Com ACI Digital 


sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

A importância de "aproveitar o dia" para a vida espiritual

 


Não viver o momento presente é perder a oportunidade do encontro com Deus

Cada novo ano nos lembra de quão rápido o tempo passa. Isso nos dá uma grande oportunidade de refletir sobre nossas próprias vidas e questionar se estamos “aproveitando o dia” na vida espiritual.

Sobre este assunto, o livro The Catholic Monitor fornece uma boa reflexão:

“O que é o tempo comparado com a eternidade? É apenas como um sonho, como uma história contada como águas que passam. Quão curto e transitório é o período da vida humana! Quão logo seus anos e dias se passam! A questão, entretanto, é vasta e importante. É a estação que me foi atribuída, a fim de me preparar para um futuro – um estado eterno. Deixe-me frequentemente e seriamente pensar na brevidade e incerteza do tempo. Considerando o quanto já passou … deixe-me redimir o tempo em uma atenção fiel aos grandes deveres e objetivos da vida em sua referência à glória de Deus, a honra de meu Redentor, minha própria salvação e os melhores interesses de meus colegas.”

Portanto, ao olharmos para o futuro, nunca nos esqueçamos do momento presente e de “aproveitarmos o dia”, pois cada momento que passa pode nos aproximar de Deus.


https://pt.aleteia.org/2021/01/20/a-importancia-de-aproveitar-o-dia-para-a-vida-espiritual/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

domingo, 8 de novembro de 2020

Por que a preparação é a chave para uma vida espiritual intencional

 




A santidade não acontece de forma simples e mágica; é o resultado de escolhas intencionais feitas todos os dias

Costumamos dizer que queremos ser uma pessoa melhor e, consequentemente, levar uma boa e condizente vida espiritual. Entretanto, geralmente, não fazemos nada para corresponder ao nosso desejo. Em vez de fazermos escolhas deliberadas todos os dias, erramos o alvo e tentamos ser bons, mas sem nenhum esforço pessoal.

Portanto, não deve ser surpresa para nós que, semanas depois, não estejamos nem perto de nosso objetivo.

São Carlos Borromeu comentou sobre este mesmo assunto em uma carta. De fato, ele se dirigindo aos padres. Mas suas palavras ainda podem ressoar em nós. Diz ele:

“Admito que somos todos fracos, mas se quisermos ajuda, o Senhor Deus nos deu os meios para encontrá-la facilmente. Um padre pode desejar levar uma vida boa e santa, como ele sabe que deveria. Ele pode desejar ser casto e refletir as virtudes celestiais na maneira como vive. No entanto, ele não resolve usar os meios adequados, como penitência, oração, evitar discussões maldosas e amizades prejudiciais e perigosas. Outro padre reclama que, assim que entra na igreja para rezar o ofício ou para celebrar a missa, mil pensamentos enchem sua mente e o distraem de Deus. Mas o que ele fazia na sacristia antes de sair para a para a missa? Como ele se preparou? Que meios ele usou para organizar seus pensamentos?

Propósitos para uma vida espiritual virtuosa

Portanto, a chave para levar uma vida virtuosa e seguir o exemplo de Jesus Cristo é uma vida intencional. Isso significa que não apenas contamos com a graça de Deus, mas também fazemos escolhas intencionais, conhecendo nossos pontos fortes e fracos.

Conhecemos os momentos em que somos mais tentados. Então, cabe a nós fazermos escolhas para evitarmos as coisas que provocam as tentações.

Da mesma forma, Borromeo dá mais algumas sugestões sobre como viver intencionalmente a vida espiritual:

“Meus irmãos, vocês devem compreender que para nós, religiosos, nada é mais necessário do que a meditação. Devemos meditar antes, durante e depois de tudo o que fazemos. O profeta diz: Vou orar e, então, entenderei. Quando você administra os sacramentos, medite sobre o que você está fazendo. Ao celebrar a missa, reflita sobre o sacrifício que está oferecendo. Quando você orar no ofício, pense nas palavras que você está dizendo e no Senhor a quem está falando. Quando você cuidar de seu povo, medite em como o sangue do Senhor o lavou, para que tudo o que você faça se torne uma obra de amor.”

Em suma, faça o que fizer, não seja passivo na vida espiritual. Faça escolhas deliberadas e prepare-se para o que está por vir. Só assim podemos nos aproximar de Deus, nosso objetivo final.


https://pt.aleteia.org/2020/11/04/por-que-a-preparacao-e-a-chave-para-uma-vida-espiritual-intencional/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt


domingo, 11 de outubro de 2020

Como atividades comuns podem levar à perfeição na vida espiritual

 


Philip Kosloski - publicado em 09/10/20

Entenda por que a perfeição não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em fazê-las de forma extraordinária

É tentador pensar que a perfeição na vida espiritual consiste em se tornar um eremita no deserto, resignando-se a uma dieta de gafanhotos e mel.

No entanto, para a maioria de nós, isso está muito longe da perfeição! A perfeição não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em fazer coisas comuns de uma maneira extraordinária.

São John Henry Newman explicou esse conceito em uma de suas meditações, intitulada A Short Road to Perfection (“Um curto caminho para a perfeição”).

Ele, portanto, começa escrevendo:

“Se quisermos ser perfeitos, não temos mais nada a fazer do que cumprir bem os deveres comuns do dia. [Há]um caminho curto para a perfeição – curto, não porque fácil, mas porque pertinente e inteligível.”

Na verdade, a coisa mais heróica que podemos fazer durante o dia é lavar a louça! De fato, essa tarefa pode significar renunciar à nossa vontade egoísta. Além disso, ela pode ser encarada, por exemplo, como uma ação de caridade a um membro da família.

Perfeição e santidade

Aliás, frequentemente procuramos algo “santo” para fazer. Porém, na realidade, podemos nos tornar santos exatamente onde e como estamos.

Newman, portanto, afirma essa verdade central e nos encoraja a olhar para nossas tarefas diárias em busca de maneiras de nos tornarmos santos:

“Se você me perguntar o que deve fazer para ser perfeito, eu digo: em primeiro lugar não deite na cama após a hora de levantar. Após isso, dê seus primeiros pensamentos a Deus; faça uma boa visita ao Santíssimo Sacramento; reze o Angelus com devoção; coma e beba para a glória de Deus; reze bem o Rosário; afaste os pensamentos ruins; faça bem a sua meditação noturna; examine-se diariamente; vá para a cama na hora certa. E [assim] você já será perfeito.”

Simples, não é? Trata-se, pois, de um caminho “curto” para a perfeição na vida espiritual. Porém, essa estrada não deixa de ter cruzes e sofrimentos.

Conclusão: se quisermos nos tornar santos, não precisamos nos afastar de todo contato humano. Tornar-se um santo significa realizar todas as tarefas com grande amor e devoção.


https://pt.aleteia.org/2020/10/09/como-atividades-comuns-podem-levar-a-perfeicao-na-vida-espiritual/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Orações para antes e depois de uma leitura espiritual

 READ


Na próxima vez que você abrir um livro inspirador, peça a Deus para falar diretamente em seu coração

Livros que edificam espiritualmente, sejam eles de ficção, teológicos ou biográficos podem ter um profundo impacto em nossas vidas. Um bom livro espiritual inspira-nos a seguir Jesus mais de perto. 

No entanto, nossos corações nem sempre estão abertos para a voz calma de Deus. Ele pode querer falar conosco através das páginas do livro, mas não estamos prontos para receber sua mensagem.

Para ajudar a preparar solo fértil sobre o qual as sementes do Evangelho podem ser semeadas, aqui estão duas orações: uma para antes, outra para depois de ler um livro. 

A seguinte oração pode ser feita antes de você abrir a primeira página.

Oh, Deus, fonte de toda a Luz! Suplico-vos que iluminai meu entendimento: dai-me um espírito diligente e dócil e um desejo eficaz de aplicar o que quer que eu leia para a glória de Deus, a santificação de minha alma e a salvação do próximo. Amém. 

Depois de ler as páginas selecionadas para o dia, você pode rezar a seguinte oração, que lembra o espírito contemplativo da Virgem Maria e como ela manteve todas as misteriosas palavras “em seu coração”: 

Concedei, ó meu Jesus que, como a Vossa abençoada Mãe, eu possa guardar todas as Vossas palavras, ponderando-as no meu coração. Amém.


https://pt.aleteia.org/2019/04/09/oracoes-para-antes-e-depois-de-uma-leitura-espiritual/

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Uma meditação para melhorar seu espírito de gratidão


Uma parte essencial da vida cristã é ter um espírito de ação de graças por todos os dons que Deus nos deu

Jesus disse ao leproso que foi curado de sua enfermidade e voltou para agradecer:
“Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove? 18.Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?” (Lucas 17, 17-18)
Muitas vezes recebemos uma grande bênção em nossa vida, mas esquecemos completamente de dar graças a Deus. De muitas maneiras, podemos agir como uma criança gananciosa que pede alguma coisa aos pais, e uma vez que a recebemos, fugimos para aproveitá-la sem agradecer a quem nos deu.
Esta não é a maneira cristã de viver, como Jesus mostrou claramente por seu exemplo e ensinamentos. Devemos reconhecer o Autor de tudo e agradecer diariamente a Ele.
Aqui está uma prece que pode ajudar a aumentar nossa gratidão e reorientar nosso coração de volta a Deus:
Imagine para si mesmo todos os dons de Deus reunidos ao mesmo tempo e colocados diante de seus olhos.
Considere que Deus, por toda a eternidade, pôs os olhos em você e decretou que você fosse criado do nada para a salvação eterna. Depois, que ele te levou adiante no tempo da graça … te livrou de muitos perigos e te levou ao caminho da salvação.
Considere que Deus designou os sacramentos do Batismo e da Penitência para que pudéssemos ser libertados de nossos pecados, não por Ele mesmo, mas por nossa causa.
Considere o incompreensível amor de Deus para conosco, na instituição da santíssima Eucaristia, na qual ele se entregou a nós e por nós.
Onde está o nosso amor em troca? “Como posso retribuir ao Senhor por toda sua bondade para comigo?” (Salmos 116)
Implore a Deus para não retirar suas misericórdias de você.

https://pt.aleteia.org/2019/11/20/uma-meditacao-para-melhorar-seu-espirito-de-gratidao/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Em caso de crise espiritual, estas 4 palavras são um caminho de cura

WOMAN PRAYING,CHURCH PEWS


Quatro hábitos para mantê-lo espiritualmente são e salvo

Quão boa é a sua memória? À medida que as pessoas envelhecem, elas podem se lembrar de sua música favorita no Ensino Médio ou da melodia alegre de um comercial de décadas atrás, mas não conseguem se lembrar do que comeram no café da manhã de ontem.
Agora vamos fazer uma pergunta mais difícil: quão boa é a sua memória quando você está sob estresse? Isso pode ser uma questão de vida ou morte. As pessoas que trabalham em áreas onde erro significa desastre – por exemplo, pilotos de linhas aéreas, soldados, bombeiros, médicos – todos concordam: as pessoas não se erguem nessas ocasiões, elas caem no nível de seu treinamento. Nos momentos de crise, as pessoas fazem aquilo que treinaram muito.
Como esse fato pode ser aproveitado quando nos encontramos em tempos de desespero, tentação ou até escuridão espiritual?
Gostaria de recomendar quatro palavras para os momentos difíceis. Trata-se de palavras fáceis de ser compreendidas e usadas. Elas podem se tornar uma parte tão habitual de nós que podem nos guiar quando estivermos em tempos de sofrimento e perigo espiritual.
As quatro palavras são estas: prontidão, humildade, docilidade e generosidade.
PRONTIDÃO: William Shakespeare, em sua peça Ricardo III, falou de “vivacidade de espírito” (do latim alacer), que é uma disposição alegre. Diferente de uma cautela ou proteção orientada para a autopreservação, a prontidão é um alerta orientado a atender às necessidades dos outros ou atender ao chamado do dever do momento. E esse estado de alerta é mantido de bom grado, e não de má vontade ou ressentimento.
HUMILDADE: A prontidão é complementada pela humildade, que é realmente um tipo de veracidade, um hábito de dizer a verdade a respeito da superabundância de Deus e de nossa própria pobreza. Deus é todo bom, santo, sábio e amoroso – e nós não somos. Deus é totalmente autossuficiente – e nós não somos. Deus é sempre alegre e pleno – e nós não somos. O secularismo nos diz que não precisamos de Deus, e Satanás nos diz que podemos nos tornar semelhantes a Deus; já a humildade nos diz a verdade, uma verdade dolorosa que pode nos poupar muito dano e nos preparar para ainda mais.
DOCILIDADE: A humildade nos prepara para a docilidade de aprender. À luz da plenitude de Deus e do nosso próprio vazio, como não podemos estar ansiosos para aprender? Se nos acorrentarmos, como poderemos acolher a verdade que nos libertará?
GENEROSIDADE: A docilidade nos leva à alegria da generosidade (do latim: Do ut des – “Eu dou para que você possa dar”). Santo Inácio de Loyola nos ensina que aqueles que amam se alegram em trocar presentes, em dar o que têm às pessoas queridas.
Quando Deus nos dá um presente, ele também nos dá o dom de poder dar um presente. Ele nos dá o dom de nos tornarmos “presenteadores” também, imitando-o. Assim compreendida, a generosidade se torna uma oportunidade privilegiada de compartilhar o prazer de amar como Deus ama.
Qual é a moral dessa história? Simplesmente isto: com a graça de Deus, podemos nos treinar para sermos providentes, verdadeiros, sábios e generosos, imitando a Deus. Quando estamos abatidos, desesperados ou sob tentação, lembrar dessas quatro palavras – prontidão, humildade, docilidade, generosidade – pode ajudar-nos a encontrar luz.
Pratique essa quatro palavras a partir de hoje e, com o tempo, elas poderão se tornar hábitos prontos para os momentos de tempestade.
https://pt.aleteia.org/2019/10/02/em-caso-de-crise-espiritual-estas-4-palavras-sao-o-caminho-de-cura/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

domingo, 11 de agosto de 2019

Presença de Deus: III – Jaculatórias

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Onde achar jaculatórias?
Interrompemos a reflexão sobre a presença de Deus na meditação anterior («Presença de Deus: II- Como consegui-la»), quando, depois de dar várias sugestões práticas, começávamos a falar das “jaculatórias”. Dizíamos que essas orações breves – podemos chamá-las de faíscas instantâneas -, são meios privilegiados de presença de Deus, são como que a respiração do coração cristão. E convidávamos a fazer o esforço de praticá-las com frequência, todos os dias.
Que jaculatórias podemos rezar? Quais são as mais adequadas, as mais úteis? Onde encontrar inspiração para aprender a dizer boas jaculatórias?
a) A primeira resposta é: Procure achá-las dentro do seu coração. Rezar não pode ser nunca uma coisa mecânica. Portanto, as jaculatórias devem expressar sentimentos sinceros do coração: adoração, amor, gratidão, arrependimento, petições por necessidades ou pessoas, oferecimentos, aceitações, expressões da nossa alegria ou da nossa dor…, enfim, aquilo que, espontaneamente, um coração que tem fé diz a Deus quando sabe que o tem junto de si; e coisa análoga poderíamos dizer em relação a Nossa Senhora e aos santos (a Mãe e os irmãos que temos no Céu), a quem nós invocamos, mostrando-lhes o nosso carinho e pedindo-lhes que intercedam por nós e pelas nossas intenções diante de Deus.
Na realidade, o cristão diz jaculatórias em muitos momentos quase sem reparar. Por exemplo: «Obrigado, meu Deus!» (quando recebemos uma alegria ou escapamos de um perigo), «Meu Deus, me ajude!» (quando nos sentimos incapazes de resolver sem Ele um problema, ou estamos em perigo), «Perdão, Senhor», ou «Jesus, tenha piedade de mim» (quando reconhecemos uma falta e nos arrependemos), «Minha Mãe, não me abandone» (quando estamos precisados do aconchego da Mãe de Deus e nossa), «Minha Nossa Senhora!» (quando levamos um susto), «Meu Anjo da guarda, me acompanhe e me proteja» (quando saímos à rua), «Santo Antônio, interceda por mim» (por diversas necessidades ou desejos), etc;
b) Outra fonte de jaculatórias, maravilhosa, é a Bíblia. Colocar exemplos seria interminável, desde versículos dos Salmos («Senhor, sois Vós quem eu procuro», «Tende piedade de mim, segundo a vossa grande misericórdia», «Meu coração está pronto, ó Deus, meu coração está pronto!»…), até as palavras com que o povo ou os Apóstolos se dirigiam a Jesus: «Senhor, se queres, podes limpar-me», «Senhor, que eu veja!», «Senhor, eu creio, mas ajuda a minha incredulidade», «Pai, pequei contra o Céu e contra Ti», «Ó Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador!», «Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo», «Meu Senhor e meu Deus!»…).
c) Finalmente, podemos encontrar um tesouro de jaculatórias na tradição da devoção cristã (bastaria pensar, por exemplo, nas numerosas jaculatórias de Ladainha lauretana, que costuma rezar-se após o Terço). Podemos resumir essas jaculatórias tradicionais em dois grupos: naquelas que nós escolhemos dos textos litúrgicos da Igreja («Senhor, tende piedade de nós», «Nós vos damos graças por vossa imensa glória» …), e nas que aprendemos da piedade dos santos e dos bons autores espirituais antigos ou modernos. Por exemplo:
─ «Faça-se em mim segundo a vossa Vontade»
─ «Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso»
─ «Sagrado Coração de Jesus, em vós confio»
─ «Sagrado Coração de Jesus, dai-nos a paz»
─ «Vinde, Espírito Santo!»
─ «Doce Coração de Jesus, sede o meu amor. Doce Coração de Maria, sede a minha salvação»
─ «Jesus, José e Maria, dou-vos o coração e a alma minha»
─ «Senhor, eu me abandono em Vós, confio em Vós, descanso em Vós»
─ «Senhor, o que Tu quiseres, eu o amo»
─ «Jesus, dá-me o amor com que queres que eu te ame»
─ «Meu Deus, eu te amo, mas ensina-me a amar»
Mais algumas sugestões práticas
a) A primeira dessas sugestões é repisar o que já lhe dizia: reze a jaculatória que, espontaneamente, “seu coração mandar”, como diria Susanna Tamaro. Na verdade, não é o que o nosso coração manda, mas, quase sempre, o que o Espírito Santo – que «sopra onde quer» (Jo 3,8) -, inspira ao nosso coração. Não esqueça que, como diz São Paulo, mesmo quando dizemos, simplesmente, «Senhor Jesus» com fé, é o Espírito Santo quem nos move (1 Cor, 12,3);
b) É muito útil associar habitualmente alguma jaculatória a um determinado ato. Por exemplo, ao começar o trabalho: «Ofereço-te este trabalho, Senhor»; ou, ao sair de casa, «Jesus, Maria e José, guardai os meus filhos»; ou, ao entrar na Igreja e fazer genuflexão diante do sacrário, «Eu te adoro com devoção, Deus escondido»; ou na elevação da hóstia e do cálice na Missa, «Meu Senhor e meu Deus!»;
c) Muitas pessoas usam uma “senha” todos os dias. Neste nosso mundo da informática, todo o mundo sabe o que é uma senha: algo breve que dá “entrada” (ao computador, a um arquivo, ao caixa eletrônico, etc.). Quero dizer que escolhem uma jaculatória por dia, como “senha”, como “lema” daquele dia, pensando que, além de rezá-la bastantes vezes, aquela jaculatória os pode ajudar a ter presente uma virtude que precisam praticar melhor: é o que faz a pessoa que está muito irritada com alguém, quando escolhe como senha, para andar pelo dia com paciência, a jaculatória «Rainha da paz, rogai por mim»;
d) Finalmente, se você é pessoa que gosta de acompanhar os “tempos litúrgicos” e as festas e tradições da Igreja com devoção (Quaresma, Páscoa, Mês de Maria, novena do Espírito Santo, etc.), sugiro-lhe que escolha como “senha”, nesses tempos, jaculatórias relacionadas com eles (na Quaresma, atos de dor dos pecados, de contrição; na Páscoa, atos de fé em Jesus ressuscitado, no Mês de Maio e na Novena da Imaculada Conceição, algumas jaculatórias dedicadas a Nossa Senhora, etc.).
Naturalmente, as “senhas” de que estamos falando, mesmo sendo muito úteis, não precisam ser exclusivas no dia em que as escolhemos. Por outras palavras, ainda que escolha uma jaculatória para cada dia, não se limite a ela, reze também outras que lhe inspirem devoção em diversos momentos, ou que as circunstância lhe aconselhem: “deixe seu coração cristão mandar”, bem governado pela cabeça.

https://www.padrefaus.org/2010/05/22/presenca-de-deus-iii-jaculatorias/

Presença de Deus: II – Como consegui-la

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A respiração da alma
Na meditação anterior (“Presença de Deus: I – Sob o sol da fé”), falávamos de uma realidade feliz, que podemos resumir com palavras do livro «Caminho»: «Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado. E está como um Pai amoroso … Necessário é que nos embebamos, que nos saturemos de que Pai e muito Pai nosso é o Senhor que está junto de nós e nos céus» (n. 267).
Mas como conseguir “embeber-nos” dessa maravilha, na prática?
Penso que nos pode ajudar uma imagem expressiva: a dos mergulhadores. Muitos séculos antes de que fossem inventados os equipamentos de mergulho, com suprimento de oxigênio, etc, já havia mergulhadores em todos os continentes. Por exemplo, os pescadores de pérolas. Ficavam – e ainda ficam – dentro da água durante um tempo que a nós pode parecer muito longo, mas que se conta apenas por minutos. Necessariamente têm que sair à tona com uma frequência determinada para respirar, sob pena de morrerem afogados.
Nós, que passamos os dias mergulhados em mil coisas, no imediatismo das urgências diárias, muitas vezes nos esquecemos de “emergir para o ar de Deus”, e temos o perigo de ficar espiritualmente asfixiados. Precisamos muito de “subir” constantemente para “respirar” o ar de Deus. Esse esforço de elevar-nos, procurando que o nosso coração possa bater bem “oxigenado”, com o ritmo dos filhos de Deus, nós o realizamos quando lutamos por lembrar-nos dEle mediante “atos explícitos de presença de Deus” (e também de Nossa Senhora, dos Santos, dos Anjos). Consistem em breves pensamentos, desejos, aspirações e orações, impregnados de fé e de amor, que servem como “elevadores” da alma para Deus.
Uma condição prévia
Os atos de presença de Deus pressupõem uma condição: não estar submergidos de tal maneira no mundo, que a pressão das águas nos esmague a alma. É o que acontece quando vivemos o dia a dia de costas para Deus, sepultados sob uma massa excessiva de preocupações e ocupações pessoais, de sonhos, imaginações, projetos e satisfações, que estão concebidos e vividos totalmente à margem de Nosso Senhor.
É justamente para evitar esse perigo que os santos nos incentivaram vivamente a esforçar-nos, a lutar para viver e fazer tudo na presença de Deus.
Para conseguirmos isso, a primeira condição básica é manter habitualmente um plano de vida espiritual, com seus horários bem determinados, que nos leve a ter momentos intensos e marcantes de união com Deus: a meditação, o Terço, a leitura da Sagrada Escritura e de obras espirituais e, acima de tudo, a Missa e Comunhão frequente … (práticas de que já falamos ou falaremos em outras reflexões). Essas práticas, essas “normas” do nosso plano de vida espiritual, deixam a alma “aquecida” – para usar a comparação com os atletas, como faz São Paulo -, pronta, desperta, disposta a dar com leveza o “salto” até Deus, no meio das tarefas e da agitação do dia-a-dia.
Ajudados por essa disposição da alma, será mais fácil que consigamos empregar os meios – tradicionais na espiritualidade católica- que servem diretamente para manter, aumentar e melhorar a presença de Deus durante o dia.
Meios para alcançar a presença de Deus
Existem diversos meios para nos lembrarmos de Deus, cuja eficácia foi comprovada pelos santos durante dois milênios. Vou lembrar a seguir alguns deles, fazendo antes, porém, duas ressalvas importantes:
a) Esses meios têm o papel, por assim dizer, de “muletas”. Devem escolher-se e usar-se com sensatez e liberdade de espírito, na medida em que nos ajudem “mesmo” a lembrar-nos de Deus muitas vezes ao dia. Se não nos ajudam, vamos deixá-los de lado, como se faz com as muletas desnecessárias. O que não se pode fazer – se queremos viver com Deus – é não usar nenhum;
b) Não nos esqueçamos de que quem guia a nossa alma é o Espírito Santo, que sopra onde quer (Jo 3,8 e Rom 8,14). Por isso, o primeiríssimo meio é deixar-nos guiar docilmente pelas inspirações do Espírito Santo, que não faltam quando a alma é piedosa, isto é, quando é alma de oração.
E agora vamos às sugestões:
1) Eu sinto muita alegria quando um amigo ou conhecido me fala do filho recém-nascido, ou da esposa, ou da família inteira e me mostra, sorridente, no seu celular ou no Ipode ou no Smartphon…, a foto digital deles que lá colocou. O carinho que tem para com eles faz-lhe sentir a necessidade desses lembretes para “tê-los presentes”. Todo coração precisa da “presença” de seus amores. O nosso coração, quando quer amar a Deus, precisa da mesma coisa. Por isso, um bom meio de alimentar a presença de Deus é, entre outras coisas:
– colocar nesses aparelhos eletrônicos de uso diário, e no computador de trabalho, alguma imagem de Cristo, de Maria Santíssima, de cenas evangélicas, de santos, etc. Na Internet achamos um estoque inesgotável. Depois de inseri-los, bastará um olhar de carinho para a imagem (o ícone) e estaremos fazendo um ato de presença de Deus. Também será um ato de presença dirigir-lhes uma invocação, uma oração breve, um pedido para as necessidades daquela hora; outras vezes, ofereceremos a Cristo ou a Maria, como «hóstia espiritual» (1 Pedr 2,5), a resolução de ter mais paciência, de trabalhar melhor naquele momento, de ser mais delicados com os outros, de vencer a preguiça, de aproveitar um restinho de tempo que sobra….
– A mesma finalidade pode-se alcançar por meio de um crucifixo ou de uma imagem de Nossa Senhora (ou de ambos), colocados com jeito como elementos decorativos do escritório, consultório, etc., que possamos ver enquanto trabalhamos; e igualmente de uma imagem ou quadro religioso, ou gravura bonita, colocado em lugar nobre da casa, ou no quarto, ou na cozinha, etc. Também é ótimo utilizar como “despertador-lembrete”, um santinho, uma medalha…, sempre que façamos isso discretamente. Ter presença de Deus não é “exibir” a religiosidade à toa nem fazer o papel de católico “exibido”; a nossa fé “exibe-se”, fala sem o pretendermos, por meio das virtudes, da caridade, da lealdade, da bondade, do espírito de serviço…
– Eu gostaria ainda de lhe recomendar vivamente que carregue sempre consigo um pequeno crucifixo de bolso (além do seu terço ou tercinho de anel), de modo que possa colocá-lo à sua frente na mesa de trabalho (sem exibicionismo!), ou junto dos livros quando estuda, ou numa gaveta que abra e feche com frequência; e também na mesinha de cabeceira ou debaixo do travesseiro, para beijá-lo antes de dormir e logo ao acordar.
2) Acabamos de ver, no item 1), algumas sugestões de lembretes-despertadores da presença de Deus. Já dizíamos que devem servir para manifestar a nossa fé e o nosso amor, quer com um simples olhar, quer com palavras e preces.
Neste sentido, quero lembrar-lhe uma tradição importante na Igreja: a de rezar “jaculatórias” – meios privilegiados de presença de Deus – muitas vezes ao longo do dia. Não é preciso que consiga, como o “peregrino russo” (e a escola dos chamados “hesicastas”) dizer tantas jaculatórias como o bater do coração, mas sim é preciso que nos habituemos a rezar muitas.
Lembro-lhe que se chama “jaculatórias” a orações muito breves, frases que são lançadas como um dardo (“jaculum”, em latim), e constituem como que a respiração do coração. Tente. Esforce-se por dizer algumas, para começar, e depois por dizer cada vez mais. Elas não nos distraem das nossas ocupações, ao contrário, garanto-lhe que são meios fantásticos para prestar mais atenção e colocar mais carinho naquilo que fazemos.
Interrompo aqui essa reflexão, que já ficou longa demais. Na próxima, que terá como título «Presença de Deus: III – Jaculatórias», vou sugerir-lhe alguns exemplos. Espero que não seja tão longa como esta. 

https://www.padrefaus.org/2010/05/23/presenca-de-deus-ii-como-consegui-la/

Presença de Deus: I – Sob o sol de Deus

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O pardal, a despedida e a promessa
Pouco tempo antes de falecer, São Josemaria Escrivá dizia a alguns dos que estavam perto dele: «Rezem por mim para que seja bom, isto é, para que tenha presença de Deus e seja mortificado».
Pode parecer pouca coisa. No entanto, a Bíblia dá-nos como pauta da santidade precisamente «caminhar na presença de Deus» (cf. Gen 17,4; Salm 56,14 e 116,9, etc.).
Ter presença de Deus é, antes de mais nada, tomar consciência de que Deus vive e está sempre perto de nós: que nos vê, que nos ouve, que nos acompanha com amor e se interessa como Pai até pelas menores coisas da nossa vida.
Creio que nos pode ajudar a perceber o sentido desta realidade recordar três passagens do Evangelho:
1ª) Você se lembra do pardal? Sim, do passarinho… Olhai os pássaros do Céu… – diz Jesus –, vosso Pai celeste os alimenta. Será que vós não valeis mais do que eles? (Mt 6,26). E também: Não se vendem dois pardais por uma moedinha? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais (Mt 10, 29.31). Presença de Deus Pai;
2ª) Você se lembra da última despedida de Jesus? Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos (Mt 28,29). Presença de Deus Filho;
3ª) Você se lembra da grande promessa de Jesus, na Última Ceia? Eu pedirei ao Pai, e ele vos dará outro Defensor [o Espírito Santo], que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade…, que permanece junto de vós e está em vós (Jo 14,16-17) Presença de Deus Espírito Santo.
O Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Santíssima Trindade está conosco, convive conosco, voltada amorosamente para nós. Mais ainda, mora em nós, como nos lembra São Paulo: «Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?» (1 Cor 3,16). Essa presença inefável de Deus, no “centro da alma” é o grande dom que recebem os filhos de Deus, quando vivem a vida da graça. «Nós somos – insiste São Paulo – o templo do Deus vivo, como disse o próprio Deus: …”Eu vos acolherei, e serei para vós um pai; e vós sereis meus filhos e filhas, diz o Senhor todopoderoso” » (2 Cor 6,16-18).
O poço e o túnel
Jacques Leclecq, o teólogo belga, usa uma comparação sugestiva. Diz que, muitas vezes, somos como um homem que vive agachado no fundo de um poço, estreito, escuro e cheio de lama. Não é um poço alto. Bastaria que fizesse o esforço de ficar em pé, de apoiar as mãos na borda do poço, fazer força e erguer-se até colocar a cabeça para fora, e veria, então, um panorama maravilhoso: campos verdejantes, caminhos, riachos, montanhas ao longe… Uma paisagem que poderia ser o mundo novo onde ele, saindo do poço, começasse a viver uma vida nova e bela.
Quando alguém começa a ter presença de Deus, sai do poço; ou então, sai de dentro de um túnel, como dizia, de modo muito expressivo, São Josemaria, mostrando, além disso, em que consiste o “mundo novo”: «Alguns passam pela vida como por um túnel, e não compreendem o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé» (Caminho, n. 575).
É preciso sair do nosso túnel espiritual, que só nos permite enxergar o mundo ao nível do chão, nas suas dimensões mais planas e rasteiras, e passar a contemplar a vida com o sol da fé, que dá luz e sentido novo,divino, a tudo. Ter presença de Deus é, simplesmente, manter abertos os olhos da alma Então Deus faz com que compreendamos:
1) «O esplendor do sol da fé». Com a luz de Deus, as pessoas, as coisas e os acontecimentos ganham uma dimensão nova, muito mais profunda, bonita e alegre. Até mesmo o sofrimento pode ganhar o brilho e as cores do amor.
2) «A segurança do sol da fé». Com essa luz de Deus, alma se enche de confiança, de segurança. Aconteça o que acontecer, podemos afirmar com convicção o que dizia São Paulo: «Se Deus é por nós, quem será contra nós … Quem nos separará do amor de Cristo?… Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rom 8, 28.31.35).
3) «O calor do sol da fé». Com a luz que nos dá a fé na presença de Deus, podemos sentir aquele aconchego que, mesmo na proximidade de sua Paixão e Morte, Jesus sentia: «O Pai que me enviou está comigo. Ele não me deixa sozinho, porque eu sempre faço o que é do seu agrado» (Jo 8,29). É o «calor» do carinho de Deus, nosso Pai, que a fé nos faz experimentar de modo maravilhoso. Entendemos então o “mandamento da alegria” que dava São Paulo: «Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos… O Senhor está próximo. Não vos preocupeis com coisa alguma…» (Fil 4,4-6). 

A caminho da «luz da vida»
Nesta primeira reflexão sobre a «presença de Deus», vamos ficar, por ora, apenas com essas considerações gerais sobre os motivos que temos para desejar sair quanto antes do túnel e viver sob «o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé».
Nas duas próximas meditações sobre o mesmo tema, procuraremos refletir, com a ajuda de Deus, sobre os modos práticos de ganhar presença de Deus e, ao mesmo tempo, sobre os frutos saborosos que a presença de Deus nos proporciona, ajudando-nos a viver todos os instantes da nossa vida com espírito cristão, esperança e alegria.

https://www.padrefaus.org/2013/06/12/presenca-de-deus-i-sob-o-sol-de-deus-2/

O plano de vida espiritual: II – Finalidade

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Um fim ou um meio?
Na reflexão anterior, começamos a falar do Plano de vida espiritual. Vimos o que é e lembramos a importância de vencer algumas tentações, dificuldades e desculpas que atrapalham o seu cumprimento.
Depois de termos refletido sobre o que é, vamos perguntar-nos agora a respeito do para que, quer dizer, sobre a finalidade do Plano de vida espiritual.
Como fizemos em outras reflexões, acho bom começarmos com um «esclarecimento prévio». É o seguinte: o Plano de vida espiritual não é um fim em si mesmo, mas um meio(veremos para quê).
a) Muitos erram transformando, sem reparar, o Plano de vida em um fim. Acham que o mais importante é cumpri-lo, não deixar de praticar as «normas espirituais» que o integram (oração, leitura, Terço, etc.). Por isso, ficam aflitos se alguma vez chega a noite e percebem que deixaram penduradas algumas das «normas» do Plano. Então, afobados e ansiosos por completá-lo, fazem-nas atabalhoadamente, distraídos ou sonolentos, só para cumprir.
Não vou lhe dizer que não seja importante o empenho por cumprir o Plano de vida completo. É importante. Os cristãos responsáveis deveríam colocar todo o empenho em não deixar de fazer essas «normas espirituais», ainda que muitas vezes custem e exijam sacrifícios. Mas cumprir não é a finalidade. Também o fariseu da parábola do capítulo dezoito do Evangelho de São Lucas «cumpria» – Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucrosI, etc. (Luc 18,12) -, mas fazia-o só para ficar «quites» com Deus. Por isso, Jesus diz que saiu do Templo reprovado.
b) Com o que acabamos de lembrar, você compreenderá melhor algo que, no íntimo, já sabia: que o Plano de vida é um meio.
Mas… um meio para que? Para a única coisa que importa, aquela que Jesus, falando com Marta na casa de Betânia, chamou a única coisa necessária (cf. Lc 10,42): amar a Deus!
Entende-se, por isso, que São Paulo, falando de oração, de fé e de alguns sacrifícios heróicos, diga: Se não tiver amor, nada disso me aproveita (1 Cor 13, 1-3).

Um meio para amar e viver com Deus
Eu diria que o Plano de vida é um grande meio para viver algo que Jesus nos pedia na Última Ceia: Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor (Jo 15, 9). Este é o fim: permanecer no seu amor. O Plano de vida é, portanto, um meio – eficaz, praticado desde o começo do Cristianismo – para amar a Deus, para amar a Cristo e para perseverar sempre nesse amor.
Lembre-se de que o amor que Jesus nos pede é muito grande, e requer muita intimidade com Ele, com Deus. Baste agora recordar algumas palavras de Nosso Senhor. Por exemplo: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada (Jo 14,23). E ainda essas outras: Se me amais, guardareis os meus preceitos. E eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito [o Espírito Santo], para que fique eternamente convosco […], Ele permanecerá convosco e estará em vós (Jo 14, 16-17).
Como é maravilhoso o que Cristo nos promete, se lhe formos fiéis, se o amarmos e cumprirmos os seus mandamentos: chegar a ter uma intimidade de amor intensíssima, incrível, com o Pai, o Filho e o Espírito Santo; viver de modo a termos Deus – a Trindade Santíssima – dentro de nós, sendo o seus «templos» vivos (ver 1 Cor 3,16 e 6,19).
Pois bem, é justamente para alcançar essa maravilhosa realidade que procuramos ter e viver um Plano de vida espiritual.
Tudo é «coisa» de amor
Não custa muito perceber como é que as «normas» do Plano de vida nos levam a fazer o que acabamos de comentar.
Dizíamos que tudo é questão de amor, «coisa» de amor. Vamos pensar, então, no ideal do amor humano como um guia para entender isso.
O amor, todo grande amor humano, requer:
1) Aprofundar no conhecimento da pessoa amada.  Que os que se amam se conheçam cada vez mais e melhor. É claro que essa é, em grande parte, a finalidade de várias «normas» do Plano como a leitura meditada da Bíblia (especialmente do Evangelho)a leitura de livros de formação e de espiritualidade cristã; meditação…? Meios para conhecer a Deus, conhecer a Cristo, conhecer a Palavra de Deus, não só teoricamente, mas também com o coração, com um carinho vivo e prático.
2) Para amar, é preciso ganhar sensibilidade a fim de ir evitando tudo o que possa magoar ou ofender a pessoa querida. Aí está a razão dos exames de consciência, da confissão frequente, das mortificações que fazemos para vencer – com a ajuda da graça – defeitos e indelicadezas que ofendem a Deus.
3) O amor exige dialogar, conversar com o coração aberto e sincero, ouvir com carinho e falar com carinho, oferecer e pedir com confiança. Isso é o que nos propomos com a meditação, a oração mental, a visita ao Santíssimo Sacramento…; e, em geral, com todo tipo de orações, dentre as quais merece um especial destaque o Santo Rosário.
4) Não existe amor sem que os que se querem bem tenham, um para com o outro, muitos detalhes delicados, como palavras afetuosas, pequenos presentes e atenções. As «normas» que cumprem essa finalidade são, entre outras, o oferecimento do dia a Deus, a recitação do Anjo do Senhor pelo menos ao meio-dia, as jaculatórias e outras orações breves espalhadas ao longo do dia, as pequenas mortificações “de aperfeiçoamento”, que ajudem a fazer melhor o que já fazemos por Deus, etc.
5) O máximo anseio dos que se amam é chegarem a ser um só coração, uma só vida, a terem uma união perfeita e feliz. Para nós, não há maior união com Deus – com Jesus – do que a Eucaristia: a Santa Missa e a Comunhão.
Você percebeu? Falando de «coisas de amor», como diz «A banda» do Chico Buarque, foram aparecendo, como práticas naturais e muito convenientes (em maior ou menor medida, conforme as pessoas), as «normas» que constituem um bom Plano de vida espiritual. Meios, em suma, para um único fim: amar a Deus e, com a força de seu amor, amar ao próximo. Isto é a santidade.

https://www.padrefaus.org/2010/09/26/o-plano-de-vida-espiritual-ii-finalidade-2/