quinta-feira, 31 de maio de 2018

Qual a origem da festa de Corpus Christi?

A Festa de “Corpus Christi” é a celebração em que solenemente a Igreja comemora o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas.
Nesta festa os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.
A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia.
Aconteceu que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, ocorreu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.
O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Em 11/08/1264 o Papa aprovou a Bula “Transiturus de mundo”, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. O Papa era um arcediago de Liège e havia conhecido a Beata Cornilon e havia percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos.
Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de “Lírio das Catedrais”. Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.
Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.
Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade. Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo.
Começaram assim as grandes procissões eucarísticas, as adorações solenes, a Bênção com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos. Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.
Eucaristia: Presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados
Todos os católicos reconhecem o valor da Eucaristia. Podemos encontrar vários testemunhos da crença da real presença de Jesus no pão e vinho consagrados na missa desde os primórdios da Igreja.
Mas, certa vez, no século VIII, na freguesia de Lanciano (Itália), um dos monges de São Basílio foi tomado de grande descrença e duvidou da presença de Cristo na Eucaristia. Para seu espanto, e para benefício de toda a humanidade, na mesma hora a Hóstia consagrada transformou-se em carne e o Vinho consagrado transformou-se em sangue. Esse milagre tornou-se objeto de muitas pesquisas e estudos nos séculos seguintes, mas o estudo mais sério foi feito em nossa era, entre 1970/71 e revelou ao mundo resultados impressionantes:
A Carne e o Sangue continuam frescos e incorruptos, como se tivessem sido recolhidos no presente dia, apesar dos doze séculos transcorridos.
O Sangue encontra-se coagulado externamente em cinco partes; internamente o sangue continua líquido.
Cada porção coagulada de sangue possui tamanhos diferentes, mas todas possuem exatamente o mesmo peso, não importando se pesadas juntas, combinadas ou separadas.
São Carne e Sangue humanos, ambos do grupo sanguíneo AB, raro na população do mundo, mas característico de 95% dos judeus.
Todas as células e glóbulos continuam vivos.
A carne pertence ao miocárdio, que se encontra no coração (e o coração sempre foi símbolo de amor!).
Mesmo com esse milagre, entre os séculos IX e XIII surgiram grandes controvérsias sobre a presença real de Cristo na Eucaristia; alguns afirmavam que a ceia se tratava apenas de um memorial que simbolizava a presença de Cristo. Foi somente em junho de 1246 que a festa de Corpus Christi foi instituída, após vários apelos de Santa Juliana que tinha visões que solicitavam a instituição de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento. Em outubro de 1264 o papa Urbano IV estendeu a festa para toda a Igreja. Nessa festa, o maior dos sacramentos deixados à Igreja mostra a sua realidade: a Redenção.
A Eucaristia é o memorial sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos de Jesus por nós. Mesmo separando seu Corpo e seu Sangue, Jesus se conserva por inteiro em cada uma das espécies. É pela Eucaristia, especialmente pelo Pão, sinal do alimento que fortifica a alma, que tomamos parte na vida divina, nos unindo a Jesus e, por Ele, ao Pai, no amor do Espírito Santo. Essa antecipação da vida divina aqui na terra mostra-nos claramente a vida que receberemos no Céu, quando nos for apresentado, sem véus, o banquete da eternidade.
O centro da missa será sempre a Eucaristia e, por ela, o melhor e o mais eficaz meio de participação no divino ofício. Aumentando a nossa devoção ao Corpo e Sangue de Jesus, como ele próprio estabeleceu, alcançaremos mais facilmente os frutos da Redenção!
Prof. Felipe Aquino

quarta-feira, 30 de maio de 2018

A humildade esmaga o demônio

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Uma coisa não sei fazer

A humildade esmaga o demônio. A humilíssima Virgem esmaga a cabeça do diabo, aquele que queria ser semelhante ao Altíssimo (cf. Is 14,14) está com a cabeça sob os pés d'Aquela que quer ser somente 'Serva do Senhor' (cf. Lc 1,38) E quem for humilde participa do poder da Imaculada de esmagar a cabeça do demônio. S. Macário foi um dos grandes padres do deserto. Teve que lutar muito contra o demônio. Um dia o viu chegar com uma forca de fogo na mão. S. Macário ajoelhou-se e humilhou-se junto ao Senhor e a forca caiu da mão do demônio, que exclamou com ódio: "Escuta, Macário: tu tens boas qualidades, mas eu tenho mais; tu comes e dormes pouco, mas eu nunca os faço; tu fazes milagres e eu também faço prodígios; mas uma coisa tu sabes fazer e eu não: Sabes humilhar-te!" Por isto a humildade é uma força infalível contra Satanás. Por isto S. Francisco de Assis ocupa a cadeira de 
Lúcifer, segundo a visão de Frei Leão. De fato, a quem lhe perguntou o que pensasse de si, S. Francisco respondeu de sentir-se o ser mais repelente da Terra, um verme nojento. Disse ainda que as graças que Deus lhe doou, qualquer um teria dado mais frutos. Esta é a essência da humildade: reconhecer que exclusivamente nós temos somente o pecado. Todo o resto, tudo o que é bom, é de Deus. E cada mínima coisa boa que conseguimos fazer para a vida eterna, nos é possível só pela Graça de Deus (cf. I Cor 4,7; 12,3; II Cor 3,5). Pe Pio disse: 

"Se Deus nos retirar o que nos deu, nós ficaremos somente com os nossos farrapos". 

A humildade é sabedoria

S. Ambrósio dizia que a humildade é o trono da sabedoria. Bem, a Maria devemos pedir esta sabedoria. E queira Ela que nós tenhamos, porque as outras virtudes - diz S. Agostinho - batem à porta do coração de Deus: a humildade abre! Inspiremo-nos nos três episódios evangélicos mais expressivos sobre a humildade. Depois da pesca milagrosa, S. Pedro é transformado pelo prodígio operado por Jesus e não pode controlar-se em prostrar-se e dizer: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador". "Tu serás pescador de homens!" (cf. Lc 5,8-10). Um pobre publicano está no fundo do Templo e não ousa nem levantar o olhar, mas geme humildemente: "Deus, tem piedade de mim, pecador". Jesus nos assegura que ele saiu do Templo purificado, diferente do Fariseu orgulhoso (cf. Lc 18 9-14). 

No Calvário, o bom ladrão confia-se humildemente ao Inocente: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no Teu Reino". E foi impotentemente investido por uma graça que o dispõe em brevíssimo tempo para poder entrar no Reino dos Céus (cf. Lc 23,43). Somos quase tentados a dizer que até Jesus é débil em frente à humildade. Essa é de verdade uma chave que abre o Coração de Deus. A humilíssima Virgem Maria queira dar-nos esta "chave" do coração de Deus. 


Tarefa

- Ler e meditar os 3 episódios de humildades evangélicos citados no texto; 

- Fazer qualquer ato de humildade para reparar tantos pecados de orgulho; 

- Pedir a Maria insistentemente esta virtude.

@filhosespirituaisdepepio

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Longevidade com qualidade de vida

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A longevidade já não se concretiza mais somente nas denominadas nações desenvolvidas. 
Inclusive no Brasil um sempre maior número de pessoas vive mais, embora nem sempre
com qualidade de vida. É, que, ao contrário do que ocorre em nações mais desenvolvidas,
nós não nos preparamos para esta nova situação. Qualidade de vida não depende somente 
da genética. Depende de inúmeros fatores, entre os quais os econômicos, sociais e 
espirituais. Significativamente além de Jesus Cristo e São João Batista, importantes 
personagens viveram relativamente pouco, mas viveram intensamente.
Isto não significa viver sem contrariedades.
Significa viver profundamente o amor a Deus
e ao próximo e em comunhão com as criaturas.

Frei Antônio Moser, OFM

Procurar Jesus na Eucaristia

O cristianismo é essencialmente uma Pessoa viva: Jesus.
Ora, não há nenhum ”lugar” onde possamos encontrar Cristo vivo melhor do que na Eucaristia.
Gosto muito de um quadro natalino de Gentile da Fabriano, que se encontra na Galleria degli Uffizi, em Florença. O Menino Jesus, no colo da Mãe, acaricia com a mãozinha esquerda a calva de um dos três Magos, que está prostrado a seus pés. Uma cena familiar, como um netinho com o avô.
Pois bem, esse Jesus amoroso, cheio de ternura é o mesmo que encontramos ─ feito pão vivo ─ na Eucaristia. Podemos encontrá-lo, assim, intimamente:
─ quando o adoramos na elevação da Hóstia consagrada na Missa («Meu Senhor e meu Deus!»)
─ quando o recebemos na Sagrada Comunhão («Bem-vindo a mim, Jesus!»)
─ quando o visitamos presente no Sacrário («Creio que estás aqui, que me vês, que me ouves!»).
Estamos, sem dúvida, diante do maior mistério do Amor de Deus, pois na Eucaristia Jesus não só se faz presente, como atualiza o mistério pascal ─ cume da sua vida e sua entrega ─ , ou seja, o mistério da sua Paixão, Morte e Ressurreição redentoras. Se o cético Tomé ficou desvanecido ao apalpar com suas mãos as chagas de Jesus ressuscitado, pense que nós o “apalpamos” todas as vezes que comungamos.
«Na santíssima Eucaristia ─ escreveu são João Paulo II ─ está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo[1]
»A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação…
»Esta obra não fica circunscrita no passado, pois tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente»[2].
Paremos agora uns momentos para deixar o coração prorromper em propósitos (talvez unidos a lágrimas) de amar muitíssimo mais a Eucaristia. Mas de amar de modo prático, com obras e de verdade.
Que tristeza nos deveria produzir a lembrança do nosso frequente descaso da presença do Senhor nesse mistério. Amor com amor se paga. Nós, muitas vezes já o pagamos com gelada indiferença.
Que fazer, então? Simplesmente, procurá-lo com mais força e amor na Eucaristia:
  • Primeiro, participando da Santa Missa todos os domingos e dias de preceito… e, sendo possível, aumentando a assistência, até chegar à participação diária ou quase diária.
  • Em segundo lugar, decidindo-nos a comungar com a maior frequência possível, sempre que tenhamos as devidas disposições, e confessando-nos antes, se alguma falta de mais entidade nos impede de comungar.
  • E ainda, dispondo-nos a visitá-lo, se possível diariamente, no Sacrário, mesmo que só possamos permanecer junto dele ─ no silêncio de uma igreja ou capela ─ por uns poucos minutos.
A respeito da visita ao Santíssimo, são João Paulo II abria a sua alma com palavras tocantes: «É bom demorar-se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predileto (cf. Jo 13, 25), deixar-se tocar pelo amor infinito do seu coração. Se atualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela “arte da oração”, como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento?
»Quantas vezes, meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, recebendo dela força, consolação, apoio!… A Eucaristia é um tesouro inestimável: não só a sua celebração, mas também o permanecer diante dela fora da Missa permite-nos beber na própria fonte da graça… Uma comunidade cristã que queira contemplar melhor o rosto de Cristo, não pode deixar de desenvolver também este aspecto do culto eucarístico, no qual perduram e se multiplicam os frutos da comunhão do corpo e sangue do Senhor»[3].
Do livro de F. Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de Livros 2018
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[1] Concílio Vaticano II, Decreto Presbyterorum Ordinis, n. 5
[2] Encíclica Ecclesia de Eucaristia, n. 11
[3] Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 25«

Que encontres Cristo

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Um oceano sem fundo

São Paulo, na Carta aos efésios usa uma expressão muito sugestiva. Fala de que a mim, o menor de todos os cristãos, coube-me a graça de anunciar entre os pagãos as insondáveis riquezas de Cristo (Ef 3,8).
Ele tem consciência de que o mistério de Cristo é como um oceano sem fundo, insondável, onde por mais que se penetre, nunca se chega ao fim.
Confesso-lhe que me produz tristeza e malestar ouvir alguém que, quando lhe sugiro que leia diariamente o Evangelho, me responde: «Os Evangelhos, eu já li». É como um soco, não no estômago, mas no coração. Como é possível?
Uma pessoa pode viver cem anos, meditando cada dia atentamente o Evangelho, e dar-se conta de que não captou senão uma pequena parte dos tesouros que nele se encerram.
«Alegra-te pelo que entendeste ─ dizia santo Efrém, o Sírio ─ , e não te entristeças pelo que ainda fica por compreender. O sedento alegra-se quando bebe e não se entristece porque não pode esgotar a fonte… Quando voltares a ter sede poderás de novo beber dela… O que por tua fraqueza não conseguiste captar em um determinado momento, poderás captá-lo em outra ocasião, se perseverares»[1].
Por isso, o cristão que diz «já li o Evangelho, já o conheço», pode estar certo de que ainda não encontrou Cristo. Adquiriu, quando muito, uma informação superficial e fragmentária, mas não encontrou Jesus.
São João da Cruz nos incentiva com uma comparação muito bela: «Assim, há muito que aprofundar em Cristo, sendo Ele qual abundante mina com muitas cavidades cheias de ricos veios, e por mais que se cave, nunca se chega ao termo, nem se acaba de esgotar; ao contrário, se vai achando em cada cavidade novos veios de novas riquezas, aqui e ali, conforme testemunha são Paulo quando disse do mesmo Cristo: Em Cristo estão escondidos todos os tesouros de sabedoria e ciência (Cl 2,3)»[2].
Na sua primeira encíclica, A alegria do Evangelho, o Papa Francisco ilustrava este mesmo pensamento: «Cristo é a Boa Nova de valor eterno (Ap 14,3), sendo o mesmo ontem, hoje e pelos séculos (Hb 13,8), mas a sua riqueza e a sua beleza são inesgotáveis. Ele é sempre jovem, e fonte de constante novidade. A Igreja não cessa de se maravilhar com a profundidade de riqueza, de sabedoria e de ciência de Deus (Rm 11,33)… Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas…»[3].
De que condições precisamos para encontrar cada vez mais as insondáveis riquezas de Cristo?
Vou responder com palavras de são Josemaria já citadas em textos anteriores: «Purifica-te. Clarifica o teu olhar com a humildade e a penitência. Depois… não te hão de faltar as luzes límpidas do Amor. E terás uma visão perfeita»[4].
Sobre a base da fé, que é o alicerce imprescindível, fazem-nos falta, portanto, duas coisas:
  • Purificar-nos, procurar limpar o nosso coração
  • Clarificar o nosso olhar espiritual com a humildade e a penitência
Do livro de F. Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de Livros 2018
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[1] Diatéssaron 1, 18-19
[2] Cântico espiritual, canção 37, 4
[3] Carta encíclica Evangelii Gaudium, n. 11
[4] Caminho, n. 212

9 ideias para rezar o terço quando você está muito ocupado

Rezar o terço é muito mais simples (e maravilhoso) do que você imagina

Decidi que rezar o terço diariamente será uma prioridade na minha vida. Se você acha que não dispõe de 20 minutos para sentar e fazer orações a Maria, meditando sobre os mistérios da vida do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, eu encontrarei 20 minutos em sua ocupada agenda.

Leve em consideração que você não precisa rezar os 5 mistérios de forma contínua, pode dividi-los durante o dia; e não é preciso carregar um terço com você o tempo todo: para isso, você tem 10 dedos que poderão ajudá-lo.

A seguir, apresento 9 ocasiões perfeitamente apropriadas para que você reze o terço hoje, por mais ocupado que esteja o seu dia:


 
1. Enquanto você corre

Você costuma correr, fazer exercício físico? Então pode acompanhar sua atividade física rezando o terço, ao invés de só ouvir música. Na internet, é possível encontrar muitos podcasts e aplicativos que lhe permitem escutar e rezar enquanto você corre.
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2. No carro

É impressionante como aprendi a rezar o terço enquanto vou de um lugar a outro, enquanto vou ao supermercado, ao posto de gasolina, levar meus filhos à escola ou rumo ao trabalho. Os trajetos de carro costumam durar mais que 20 minutos, então eu os aproveito ativamente. Uso um CD com o terço e o rezo enquanto ouço. Isso me faz sentir como se estivesse rezando em grupo.


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3. Enquanto você limpa a casa

Reze enquanto você organiza sua mesa de trabalho, enquanto passa o aspirador na sua casa, lava louça ou realiza outros afazeres domésticos. Enquanto reza, pode interceder e abençoar, com sua oração, todos aqueles que se verão beneficiados pelos seus esforços por um lar mais limpo e organizado.

 
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4. Enquanto você leva o cachorro para passear

Você leva o cachorro para passear diariamente? Aproveitar o tempo de passeio para rezar o terço é muito melhor que deixar sua mente vagando sem sentido. Mantenha-a centrada em Jesus e em Maria!
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5. Depois do almoço

Tenha um momento de descanso diariamente após seu almoço e aproveite-o para silenciar seu interior e rezar o terço. Nos dias de sol, você pode fazer isso contemplando as maravilhas da natureza que Deus nos deu.

 
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6. Caminhando em um passeio sozinho

Uma vez por semana, lembre-se de rezar o terço caminhando. Nesses momentos, vale a pena levar o terço e caminhar no ritmo da oração. Outras pessoas poderão ver você rezar, o que acaba sendo uma oportunidade de dar testemunho.

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7. Antes de deitar para dormir

Este é um momento belíssimo para ter Jesus e Maria como últimos pensamentos em sua mente antes de dormir. O único risco é pegar no sono antes de terminar o terço inteiro. Concentre-se no amor que você tem a Nossa Senhora e a Jesus para manter-se acordado.

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8. Na igreja

É muito poderoso rezar o terço na presença de Jesus sacramentado e junto a outras pessoas da sua paróquia. Tenha um encontro semanal com Jesus para visitá-lo no Santíssimo Sacramento e rezar o terço em adoração. Ou, se sua paróquia tem a prática do terço em grupo, una-se!

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9. Enquanto você está esperando

Quantas vezes estamos esperando algo ou alguém ao longo do dia? Na fila do banco, do supermercado, no consultório médico, no ponto de ônibus… você pode rezar pelo menos uma dezena do terço cada vez que espera, e no final do dia terá rezado o terço inteiro.


Que outras opções você tem para rezar o terço em seus dias ocupados? Compartilhe conosco!



Fonte: www.aleteia.org

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Deus das pessoas ocupadas

ZEGAR, DŁOŃ

Se sua vida é corrida e não sobra tempo para quase nada, leia isso!

Quando Deus chamou Moisés, ele estava ocupado com suas ovelhas no monte Horeb.
“Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Um dia em que conduzira o rebanho para além do deserto, chegou até a montanha de Deus, Horeb.”  (Ex 3, 1)

Quando chamou Gedeão, ele estava peneirando o trigo de uma colheita.
“Depois veio o anjo do Senhor e sentou-se debaixo do terebinto de Efra, que pertencia a Joás, da família de Abieser. Gedeão, seu filho, estava limpando o trigo no lagar, para escondê-lo dos madianitas.” (Jz 6, 11)

Quando procurou Saul, ele estava pegando o burro para seu pai. 
“Tendo-se perdido as jumentas de Cis, pai de Saul, disse aquele ao seu filho: Toma um servo contigo e vai procurar as jumentas.” (1Sm 9, 3)

Quando chamou Eliseu, ele estava arando com doze juntas de bois.
“Elias, partindo dali, encontrou Eliseu, filho de Safat, lavrando com doze juntas de bois diante dele; ele mesmo conduzia a duodécima junta. Elias aproximou-se e jogou o seu manto sobre ele.” (1Rs 19, 19)

Quando chamou David, ele estava apascentando as ovelhas. 
“Isaí mandou vir assim os seus sete filhos diante do profeta, que lhe disse: O Senhor não escolheu nenhum deles.E ajuntou: Estão aqui todos os teus filhos? Resta ainda o mais novo, confessou Isaí, que está .pastoreando as ovelhas. Samuel ordenou a Isaí: Manda buscá-lo, pois não nos poremos à mesa antes que ele esteja aqui.” (1Sm 16, 10-11)

Quando chamou Neemias, ele estava servindo o rei. 
“Ah! Senhor, prestai ouvidos à oração deste vosso servo e à oração dos vossos servos que veneram o vosso nome. Dignai-vos hoje dar bom êxito ao vosso servo, e fazei-o ganhar o favor do rei. Eu era então copeiro do rei.” (Ne 1, 11)

Quando chamou Amós, ele estava pastoreando suas ovelhas. 
“Oráculos de Amós, que foi um dos pastores de Técua. Revelações que recebeu acerca de Israel no tempo de Ozias, rei de Judá, e de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel, dois anos antes do tremor de terra.” (Am 1, 1)

Quando chamou Pedro e André, estavam lançando as redes ao mar. 
“Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.”  (Mt  4, 18)
Quando chamou João e Tiago, estavam consertando suas redes. 
“Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os…” (Mt 4, 21)

Quando chamou Mateus, estava na cobrança dos impostos. 
“Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, que estava sentado no posto do pagamento das taxas. Disse-lhe: Segue-me. O homem levantou-se e o seguiu.” (Mt 9, 9)
Palavra de vida: Nenhum deles estava de braços cruzados. Às vezes pensamos que, quem vai à igreja, é porque não tem nada que fazer. – Daí vem aquele provérbio popular: “Que o demônio nunca te encontre desocupado”.

5 segredos para vencer a batalha espiritual

WOMAN CHURCH


Um caminho eficaz para vencer o demônio

Nestes dias, alguns acontecimentos me despertaram a sensibilidade para entender melhor a dinâmica daquilo que chamamos de BATALHA ESPIRITUAL.
Abaixo, seguem alguns princípios. Peço que os leiam até o fim.
1. LEGALIDADE. No reino espiritual, tudo é regido pelo princípio da legalidade. Quando o inimigo adquiriu um direito legal sobre qualquer área de sua vida, ele a utiliza como uma base a partir da qual vai conquistando outros territórios, até lhe dominar por inteiro. Identifique qual é o fundamento de legalidade que está nas mãos do inimigo. Pode ser um pecado, uma declaração negativa, uma palavra maligna que saiu de sua boca.
2. AUTORIDADE. Uma vez identificada a base na qual o inimigo se fundamenta, não tenha medo: você tem autoridade! “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lucas 10,19). Jesus transferiu à sua Igreja, e portanto a você, o seu poder delegado e você foi constituído como oficial de justiça no Reino de Deus. O que faz um oficial de justiça? Dá voz de prisão, e o bandido está preso, por força da lei! Quando você diz que algo está proibido, está proibido; quando diz que está liberado, está liberado. O inimigo sabe que ele tem que obedecer.
3. FORTALEZA. Contudo, Jesus declarou que o diabo é “ladrão e assaltante” (Jo 10,1). Isto quer dizer que ele não irá se entregar facilmente. O inimigo adora dar o seu showizinho, gritar, aparecer, resistir, colocar obstáculo… Mas, não desista!, pois “o reino dos céus é tomado por esforço, e somente os violentos se apoderam dele” (Mt 11,12). Com o demônio sempre haverá luta, sempre haverá batalha, mas se você perseverar, você irá trancafiá-lo, e ele, totalmente amarrado, não poderá lhe causar dano. Por fim, ele tem que se render!
4. CONTRA-ATAQUE. Mesmo derrotado, ele sempre vai querer voltar. Como disse Jesus, ele volta e “traz outros sete espíritos piores do que ele” e, se a pessoa deixa entrar, “a situação final torna-se pior do que a primeira” (Lc 11,26). O inimigo sempre tenta encontrar uma brecha legal para retornar, trama, estuda, deseja encontrar uma estratégia para recuperar o terreno perdido. Mas, glória a Deus!, pois Cristo nos assiste “para que Satanás não leve alguma vantagem sobre nós, porque não ignoramos as suas maquinações” (2Cor 2,10-11). Nunca deixe de receber a inspiração do Espírito Santo!
5. VIGILÂNCIA. Por isso, precisamos sempre andar “sóbrios e vigilantes, pois o vosso adversário, o diabo, anda a vosso derredor como um leão procurando a quem devorar” (1Pd 5,8). Nunca baixe a guarda. O inimigo é safado e quer sempre achar algum espaço, mesmo que pequeno, para influenciar a nossa vida.
Não vacile. No Evangelho, Jesus nos afirmou: “assim como o Pai me enviou (em missão permanente, pela qual eu ainda sou responsável, do mesmo modo) eu também vos envio” (Jo 20,21). Você não está sozinho. O poder do Espírito Santo está à sua disposição para que você aprisione definitivamente o poder das trevas e goze das bênçãos da aliança e da sua posição de filho amado do Pai.

https://pt.aleteia.org/2018/04/10/5-segredos-para-vencer-a-batalha-espiritual/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Oração contra os maus pensamentos

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Senhor, meu Deus, não Vos aparteis de mim, meu Deus dignai-Vos socorrer-me (Sl 70,13). Pois me invadem vários pensamentos, e grandes temores afligem minha alma. Como escaparei ileso, como poderei vencê-los? Diante de Ti, são palavras Vossas, irei eu e humilharei os soberbos da terra (Is 14,1); abrir-te-ei as portas do cárcere e te revelarei mistérios recônditos. Fazei, Senhor, conforme dizeis e dissipe Vossa presença todos os maus pensamentos. Esta é a minha única esperança e consolação: a vós recorrer em toda tribulação, em vós confiar, invocar-Vos de todo o coração e com paciência aguardar a Vossa consolação. Amém. 

Graças e louvores se dêem a todo momento, R: ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento (3x) Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão, pelos que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam. 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Os Anjos falam?

Os Anjos falam?

A existência dos Anjos nunca foi motivo de dúvida, mesmo no Antigo Testamento, pelas pessoas que tinham Fé nas Sagradas Escrituras. Quase a cada página eles estão presentes intervindo nos acontecimentos, cumprindo alguma ordem divina ou simplesmente auxiliando os homens.[1] No Novo Testamento essa crença se torna ainda mais vigorosa.
Com efeito, a doutrina católica ensina que Deus designa um Anjo para guardar cada homem desde o instante de seu nascimento. Esse Anjo não terá outra pessoa a quem proteger durante toda a história da humanidade, mesmo depois da morte do seu protegido. Estes celestes guardiões nos amparam permanentemente em nossa peregrinação terrena.[2]
Contudo, conversar com o próprio Anjo da Guarda, como quem fala com um amigo íntimo ou um irmão, é um fato extraordinário, que raras vezes acontece. Mas, os Anjos comunicam-se conosco, por meio de uma linguagem que não é de palavras, e com mais frequência do que se pensa.
E de alguma maneira, sempre estamos nos relacionando com o nosso Anjo, e, sobretudo, ele conosco. Mas como se dá essa comunicação se ele não possui corpo material, e, portanto, não tem boca nem língua? Como os Anjos conversam?
O grande São Tomás de Aquino nos explica que os Anjos podem se comunicar de duas maneiras diferentes, tanto com os homens quanto entre si: uma é a iluminação e outra é a simples locução.
A iluminação é o ato pelo qual se manifesta uma verdade.[3] Assim se diz que um Anjo ilumina outro quando lhe manifesta uma verdade que conhece e que lhe foi revelada por Deus e que o outro Anjo desconhece ou conhece em grau menor. Esta iluminação é concedida por Deus a todos os Anjos, mas nem todos a recebem – ou aproveitam – de igual modo.[4] Isto, entretanto, não se deve a uma deficiência do modo pelo qual Deus os ilumina, mas porque a capacidade de apreender é maior para uns e menor para outros.
O Anjo superior tem uma capacidade maior de apreender as verdades sobrenaturais, então para que o Anjo inferior possa entender aquilo que o Anjo superior quer lhe transmitir é necessário que o Anjo superior fragmente seu conhecimento. O exemplo que o próprio São Tomás dá para esta teoria é de um professor que tem um conhecimento muito amplo da matéria que leciona e que ao apresentá-la aos alunos divide-a em partes coerentes e ordenadas, de modo que os alunos possam entendê-la. Evidentemente, os alunos terão um conhecimento da matéria muito inferior em relação ao do professor, portanto menos perfeito. Algo semelhante se passa com os Anjos.[5]
Esta forma de comunicação só se dá da parte dos Anjos superiores para com os Anjos inferiores, mas existe a outra forma de comunicação, que é a simples locução, na qual também os Anjos inferiores “falam” aos superiores. São Tomás explica que a locução tem por finalidade manifestar algo desconhecido àquele com quem se fala ou pedir-lhe alguma coisa.[6]
A locução se distingue da iluminação, porque a iluminação se refere às verdades que procedem de Deus […]. A locução tem por objeto a revelação daqueles conhecimentos que dependem da vontade do comunicante e que São Tomás denomina “segredos do coração”. Não são verdades essenciais; são dados da própria consciência pessoal, cuja manifestação está debaixo do selo da própria vontade. Daí a liberdade característica de tal comunicação da intimidade[7].
Evidentemente, a comunicação dos Anjos uns com os outros não se expressa com sons, palavras ou outro elemento material, pois sua natureza é puramente espiritual. A sua comunicação corresponde a um ato de vontade de que outros Anjos conheçam ou compreendam conceitos que possuem e que conservam ocultos, e podem inclusive dar a conhecer a uns e não a outros, conforme sua vontade.[8] Assim, os Anjos falam também a Deus, perguntando-Lhe coisas, pedindo esclarecimentos, louvando-O e glorificando-O.[9]
Isso que no Anjo é co-natural, no homem pode se dar pela graça. Um Anjo superior pelo simples fato de voltar-se para o inferior já lhe amplia a capacidade cognoscitiva.[10] Nós poderíamos sentar ao lado de São Tomás de Aquino durante uma semana que provavelmente não ficaríamos mais inteligentes, mas por uma graça de Deus poderíamos ficar. O exemplo prototípico disso é o cumprimento de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel. Maria provavelmente não deu uma aula de filosofia à sua prima, mas o simples fato de Ela ser quem é e estar ali, de fazer ouvir sua voz, foi o suficiente para que Santa Isabel percebesse estar ali a Mãe do Messias e para santificar São João Batista no claustro materno.
É sem dúvida essa “iluminação” que nos move a querermos estar próximos das pessoas de quem gostamos, pois sentimos que alguma coisa nos eleva e nos atrai.
E sobre o que conversam os Anjos? Evidentemente, o principal objeto da conversa angélica é Deus, pois toda criatura tende naturalmente a voltar-se para o Criador, sobretudo em se tratando de criaturas tão perfeitas como são os Anjos, além de estarem na Visão Beatífica, sempre vendo aspectos novos de Deus durante toda a eternidade, pois sendo Deus infinito, por mais que eles vejam a Deus no seu todo, não O vêem totalmente, o que é impossível a qualquer criatura.
Mas, podemos concluir disso que um dos temas sobre os quais os Anjos conversam é a intervenção de Deus na Obra da Criação, ora o elemento mais importante da criação é o homem. Em última análise os Anjos conversam sobre a ação de Deus na história da humanidade.[11] A respeito da criação os Anjos superiores comunicam aos inferiores tudo o que vêem em Deus.
Poderíamos imaginar inclusive uma conversa angélica na qual os nossos Anjos da Guarda perguntam a algum Anjo mais elevado como compreender melhor o seu protegido, e o Anjo superior explica que sua natureza é constituída de tal maneira e que seria conveniente agir com ele desse ou daquele modo, que Deus tem este ou aquele plano para ele, etc. Enfim, cada um pode imaginar – ou dar-se conta de que já aconteceu – mil circunstâncias em que nossos Anjos da Guarda recorreram a Deus, através dos Anjos superiores, para nos auxiliar.
Portanto, nossos Anjos da Guarda estão muitas vezes conversando sobre nós com os Anjos que lhes são superiores, de maneira que nós fazemos parte de uma “cascata” de Anjos que estão preocupados com cada um de nós, a fim de nos proteger, auxiliar e interceder por nós junto a Deus.
Mas eles não conversam apenas entre si ou com Deus. Também com os homens eles se comunicam. Por uma sublime disposição da Providência Divina, os seres superiores se tornam intermediários entre Deus e os que lhes são inferiores. Assim os Anjos são intermediários entre o Criador e os homens.[12]
Como diz São Tomás, citando São Dionízio, o homem não é capaz de captar um conceito puramente abstrato se não houver em sua mente algo à maneira de um invólucro que sirva de imagem para poder entender. Por isso os Anjos apresentam as verdades que querem transmitir aos homens sob uma aparência sensível a seus sentidos.[13]
Os Anjos, tanto os bons quanto os maus, têm poder sobre a imaginação humana[14], podendo nos inclinar à prática da virtude, dando-nos boas inspirações, sugerindo-nos bons propósitos, podem nos ajudar em nossas tarefas proporcionando-nos boas ideias, enfim, em toda sorte de ações podemos ser profundamente influenciados pelos espíritos angélicos.
Se nós sentimos tantas vezes as insídias diabólicas a combater contra nós, com maior razão estará nosso Anjo da Guarda a combater por nós? Se ele nos permite alguma tribulação, provação ou sofrimento, é apenas para nosso bem, embora possamos não entender no momento.[15] Mas quanto mais nos sentimos abandonados, mais estamos sendo amparados insensivelmente por nosso Santo Anjo da Guarda.
Peçamos, pois, a Deus e a sua Mãe Santíssima uma devoção entranhada aos Anjos, esses gloriosos intercessores celestes, de que muitas vezes esquecemos.


[1] Citamos algumas passagens da Escritura mais importantes nas quais os Anjos têm papel de destaque: Gn 3, 24; Gn 22, 11; Dn 3, 49-50; Dn 6, 23; Ex 14, 19; Jz 6, 12. 22; 1Cr 21, 7. 15-16; Lc 1, 26-38; Mt 2, 13; Mc 16, 5-7; At 12, 7-11; entre outras.
[2] Cf. AQUINO, São Tomás de. Suma de Teología, I, q. 113; Cf. BASÍLIO, São. Contra Eunômio, Livro 3, n. 1; Cf. ORÍGENES. Comentários ao Evangelho de São Mateus, 5; Cf. JERÔNIMO, São. Commentaire sur Saint Matthieu, Tomo 2, Livro 3, Cap. 18; Cf. Catéchisme du Concile de Trente, Parte 4, Cap. 39, n. 1; Cf. VALBUENA, Jesús. Introdução à questão 113. In: Suma Teológica, BAC, Madrid, 1950, p. 932; Cf. JOÃO XXIII. Discurso do 2 de outubro de 1960; Cf. JOÃO XXIII. Discurso na Basílica de Santa Maria dos Anjos de 9 de setembro de 1962.
[3] Cf. AQUINO, São Tomás de. Suma de Teología, I, q. 106, a. 1, resp.
[4] Cf. Idem., a. 4, resp.
[5] Cf. Idem., a. 1, resp.
[6] Cf. Idem., q. 107, a. 2, resp.
[7] BARRENECHEA, José Maria. Introdução às questões 103 a 119. In: Suma Teológica, 4ª ed., BAC Maior, Madrid, 2001, p. 878.
[8] Cf. AQUINO, São Tomás de. Suma de Teología, I, q. 107, a. 2, resp.
[9] Cf. Idem., a. 3, resp.
[10] Cf. Idem., q. 106, a. 1, resp.
[11] Cf. Idem., q. 113, a. 8, sed contra e resp.
[12] Cf. AQUINO, São Tomás de. Suma de Teología, I, q. 111, a. 1.
[13] Cf. Idem.
[14] Cf. Idem., a. 3.
[15] Cf. Idem., q. 113, a. 6.


https://ocatolico.com.br/os-anjos-falam.html

domingo, 13 de maio de 2018

“Devoção deve sempre levar a Jesus”, ressalta teólogo no mês mariano

ST. MARY

Para o especialista, o mês de maio não deve ser só de devoção a Maria, mas também de conhecimento sobre ela

A devoção mariana é recordada em todo o mundo durante o mês de maio. Apontada como legítima no horizonte católico por Irmão Afonso Murad, teólogo e membro da Academia Marial, a devoção deve sempre levar a Jesus. “Maria forma o coração dos cristãos para serem seguidores de Jesus”, afirma o teólogo.
De acordo com Padre Rivelino Nogueira, integrante do movimento sacerdotal mariano, a associação de Nossa Senhora ao mês de maio é uma tradição europeia que liga a figura de Maria ao início da primavera, período das rosas e das flores.
A primeira relação, de que se tem notícia, do mês de maio à figura de Maria ocorreu, segundo Irmão Afonso, aproximadamente no ano 1250, com o rei Afonso X (na atual Espanha). O teólogo conta que os fiéis pediam a Maria que concedesse a todos bênçãos materiais e espirituais. Trezentos anos mais tarde, foi São Filipe Neri quem ensinou os cristãos a homenagear a Mãe de Jesus, ornando sua imagem com flores, cantando louvores e também realizando gestos de conversão a Deus.
Com o crescimento e difusão da devoção mariana, Murad comenta que são muitos os atos de fé incorporados à celebração a Nossa Senhora durante o mês de maio. Adaptadas segundo as características de cada região e localidade, são muitas as ações de devoção no Brasil, sendo as principais a consagração à Maria, à dedicação ao terço e ao rosário, a reza da ladainha, o oferecimento de flores, retiros e congressos mariológicos, vigílias e procissões litúrgicas marianas.
A consagração a Maria surgiu, de acordo com Irmão Afonso, na Patrística — estudo do pensamento teológico dos padres da Igreja —, e incorporada na Idade Média, em uma formação utilizada até os tempos atuais. Segundo Murad, foi com Grimon de Montfort que surge o tema da consagração a Jesus através de Maria. “Essa prática devocional a Maria é uma forma de reforçar o nosso compromisso com Jesus, pelas mãos de Maria”, explica o teólogo.
Padre Rivelino recorda que a consagração faz memória ao Bastimo, e é uma renovação dos votos realizados durante o sacramento. “‘Sou todo teu ó Maria, entrego todo a ti a minha vida, todo o meu ser’. É uma consagração antiga, (…) na qual os pais e padrinhos assumem a criança e a entregam nas mãos de Nossa Senhora”, conta.
De acordo com Irmão Afonso, o mês de maio deve ser não só de atos de devoção a Maria, mas também de conhecimento sobre ela. “O Mês de maio é o mês de Maria, mês de conhecermos mais Maria citada na bíblia, aprofundarmos mais sobre ela, dedicar nossa devoção a ela em um tempo que nos convida a isso”, comenta.

A devoção

Murad reafirmou a necessidade dos católicos compreenderem e terem sempre em mente o que é a devoção a Maria e aos santos. “É sempre bom compreender a devoção aos santos. O Concílio Vaticano II, no capítulo 8 da Lumen Gentium [Constituição Dogmática sobre a Igreja] — dedicado a Maria —, explicita isso de uma forma muito clara que diz primeiro que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens, (…) mas que essa única e exclusiva mediação de Jesus é estendida na comunhão dos santos. Os santos e as santas colaboram, cooperam nessa única mediação de Jesus, e isso nos distingue”, observa o teólogo.
“Nesta comunhão dos santos, Maria tem um lugar muito especial, que o Concílio Vaticano diz: ‘Aquela que está mais perto de Jesus e mais perto de nós’. Então, por isso, podemos rezar a Maria, pedir a intercessão dela”, afirma Irmão Afonso.
Recordando Papa São João Paulo II, padre Rivelino adverte ainda sobre a necessidade dos fiéis conhecerem a devoção mariana. “Dizia o saudoso Papa: os fiéis cristãos precisam de uma boa catequese de mariologia para saber a importância da devoção a Nossa Senhora. É aquela frase antiga, ‘pede a mãe, o filho atende’”.
Além da importante figura de mãe de Deus, Maria é caracterizada pelo sacerdote como exemplo de humildade, simplicidade, serviço e obediência à voz de Deus. “Precisamos nos colocar diante dela e ser como ela”, afirmou o padre.
Por fim, Murad recordou as palavras do Papa Francisco em sua exortação, Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho, 286): “Maria é a missionária que se aproxima de nós, para nos acompanhar ao longo da vida, abrindo os corações à fé com o seu afeto materno. Como uma verdadeira mãe, caminha conosco, luta conosco e aproxima-nos incessantemente do amor de Deus”.

Como lidar com as distrações durante a oração, segundo Santa Teresinha


A “Pequena Flor” dá um conselho para quem acha que as distrações durante a oração são um problema

Acontece com muita gente: é só sentar para rezar que logo chegam as distrações. O tique-taque do relógio de parede, a buzina do carro na rua ou até mesmo uma enxurrada de pensamentos sobre várias pessoas ou problemas de nossas vidas já basta para que a concentração na prece vá embora.
Aí fica difícil focar nossa atenção em Deus e estabelecer uma conversa com Ele. Contudo, algumas vezes essas distrações não são “distrações”; são pensamentos apresentados por Deus que visam o nosso benefício espiritual.
Para exemplificar, apresentamos o que Santa Teresinha escreveu sobre as distrações durante as orações:
“Eu também tenho muitas [distrações], mas assim que dou conta delas, eu oro por aquelas pessoas que aparecem em meus pensamentos e desviam a minha atenção, e, dessa forma, elas se beneficiam das minhas distrações”.
Às vezes, Deus quer desviar nossa atenção para nos lembrar de um amigo ou membro da família que está passando por dificuldades. Eles podem precisar das nossas orações ou da nossa caridade. Desta forma, a distração é coloca no caminho certo e, em vez de nos afastar de Deus, nos aproxima Dele e de seu plano divino.
O segredo é ficarmos atentos quando isso acontecer e perceber quando você está pensando em alguém ou até mesmo em algo que você viu no Facebook. Deus pode estar querendo que você reze por esse indivíduo ou estenda a mão para ele.
São Josemaria Escrivá disse que “quanto mais próximo um apóstolo estiver de Deus, mais universais são seus desejos. Seu coração se expande e absorve tudo em nome de seu anseio de colocar o universo aos pés de Jesus”.
Então, na próxima vez que você se sentir distraído durante uma oração, ofereça seus pensamentos a Deus e abra seu coração para aquilo que Deus quer falar para você naquele momento.

https://pt.aleteia.org/2018/05/09/como-lidar-com-as-distracoes-durante-a-oracao-segundo-santa-teresinha/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=weekly_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Oração a Nossa Senhora para conhecer a própria Vocação

BLESSED MARY

Oração a Nossa Senhora para conhecer a própria Vocação

Sua melhor companhia neste mês das Vocações!

Eis-me a vossos pés, ó piedosa Virgem
para implorar de Vós a importantíssima graça
da escolha da minha vocação.

Outra coisa não quero
senão cumprir perfeitamente
a vontade de vosso Divino Filho,
em todo o tempo da minha vida.

Desejo ardentemente
escolher a vocação
que me há de deixar mais satisfeito
no momento da minha morte.

Ó Mãe do Bom Conselho,
fazei que soe aos meus ouvidos
uma voz que afaste toda a dúvida
da minha mente.

A Vós, que sois a Mãe do meu Salvador,
também cabe ser a Mãe da minha salvação.
Porque se Vós, Ó Maria,
não me comunicais um raio do Sol divino,
que luz me há de esclarecer?

Se Vós não me instruís,
ó Mãe da Sabedoria Encarnada,
quem poderá ensinar-me?

Ouvi pois, ó Maria,
as minhas humildes súplicas.
Perplexo e vacilante, dirigi-me Vós,
guiai-me pelo reto caminho
que conduz à vida eterna,
pois que sois Vós a Mãe do belo amor,
do temor, do conhecimento e da santa esperança,
cujas flores produzem frutos de honestidade e honra.
Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.


http://www.aleteia.org/pt/religiao/conteudo-agregado/oracao-a-nossa-senhora-para-conhecer-a-propria-vocacao-5782290265276416

sábado, 12 de maio de 2018

Centelhas Eucarísticas - O Crucifixo


PONHO nele muitas vezes os meus olhos; beijo-o, de manhã, apenas desperto; beijo-o à noite antes de adormecer, e durante o dia... quantas vezes... mas Jesus não está todo aqui. Aqui está a figura, um pouco mais longe a realidade; aqui Jesus sem palavra, além com as suas palavras de vida eterna; aqui vejo-O morto, acolá encontro-O vivo; aqui o Calvário, além o Cenáculo.

Olho para o meu crucifixo, mas parece-me que Jesus do Tabernáculo o olha mais do que eu; parece-me que me está convidando para eu fixar toda a minha atenção, para eu aprender a recordar sempre que o Jesus da Hóstia é o mesmo que um dia foi o Jesus da Cruz.
Mas, és realmente tu, ó meu sacramentado Senhor, que um dia morreste sobre esta cruz, e duma maneira tão bárbara? Estes cravos atravessaram realmente as tuas mãos? Estes espinhos estiveram realmente em volta da tua fronte? E o teu Coração, aquele coração tão doce, tão belo... Foi realmente alanceado desta maneira? E foi sobre estas carnes que realmente se desencadeou uma furiosa saraivada de flagelos? E, por único conforto, deram-te o fel, a mirra e uma tempestade de blasfêmias? És, pois, tu, mesmo tu, este Jesus que eu vejo aqui cinzelado... O Jesus morto sobre o Calvário? E quem foi esse bárbaro assassino?... Meu Deus! Que pergunta! Eu próprio fui o carnífice, e Jesus, o próprio Jesus foi a vítima... o delito foi perpetrado lá... a vítima está aqui, no Tabernáculo... E qual é a vingança?... A vingança? Ei-la aqui: a Santa Comunhão!
Depois de tantos maus tratos, Tu me vens ainda a visitar, a estar comigo, a dares-te a mim? Mas onde aprendeste um tal modo de punir os teus crucifixores? Eu coroei-te de espinhos, e tu dás-me o direito de cingir o diadema e de reinar contigo? Eu esbofeteei-te, e tu fazes-me certas carícias à minha alma, que me sabem a paraíso? Eu vesti-te de louco, e tu vestes-me com a tua graça? Eu flagelei horrivelmente as tuas carnes, e tu, depois de as tomares imortais e gloriosas, dás-mas em mantimento? Eu derramei todo o teu sangue, e tu ofereces-mo em bebida? Eu alanceei o teu Coração, a parte mais nobre da tua humanidade, e tu ofereces-mo como o teu dom mais precioso?... Mas se eu te tivesse amado como um serafim, poderias tu ser mais liberal para comigo?... Ó Santa Eucaristia, tu és realmente um mistério! E o que mais me confunde a razão, é que Jesus tenha amado tanto uma criatura tão má como eu sou.
Este Crucifixo, esta imagem fria e muda do meu Jesus, deve, sem dúvida, fazer ouvir uma linguagem misteriosa e potente... Os santos olhavam-no, choravam, eram arrebatados em êxtases... Ficavam horas inteiras, dias inteiros a contemplá-lo, liam nele coisas sempre novas... E não é senão uma figura. Eu estou diante da Hóstia e, momentos após, sinto-me cansada! Rezo um pouco, e já não posso dizer mais nada! Recebo-a, e uma hora depois já estou esquecida de tê-la recebido... E não é uma figura, mas a realidade, a grande realidade de Jesus! Que distância entre mim e os santos!
Mas, ou santa ou pecadora, hei de querer sempre bem ao meu Crucifixo, e a Hóstia hei de considerá-la sempre como coisa minha. Estudarei o Crucifixo para conhecer sempre melhor a Hóstia, e estudarei a Hóstia para conhecer sempre melhor o Crucifixo. O Crucifixo me recordará sobretudo que eu tenho sido a pior das almas, e a Hóstia me recordará que Jesus me tem amado como se eu tivesse sido sempre uma santa. O Crucifixo me fará arrepender dos pecados, a Hóstia me fará amar a Jesus.
Amar a Jesus, que bela coisa! Mas eu amarei a Jesus também crucificado; somente que, crucificado, o amarei com as lágrimas nos olhos, e na Hóstia o amarei com o sorriso nos lábios; crucificado o amarei gemendo, na Hóstia o amarei cantando... E continuarei a amá-lo sempre, enquanto tiver um fio de vida. E depois?...
Depois... O Crucifixo sobre o peito, a Hóstia no coração... Que me restará senão morrer e voar para o Céu?

Retirado do blog: http://almasdevotas.blogspot.com.br/

7 exemplos de Maria para praticar o silêncio

VIRGIN, BLACK, WHITE

Quem é silencioso sabe escutar

Numa conversa entre amigos, sempre que o silêncio reinava por alguns segundos, alguém dizia: “Foi um anjo que passou por nós!”
Faz tempo que não escuto essa expressão! Ou os anjos estão assustados com as nossas conversas ou é a ausência de silêncio dos nossos dias. Vou ficar com a segunda opção! Uma mulher soube, por causa do silêncio, sentir a presença e ouvir o anjo. Maria é modelo de quietação para nós. Vamos aprender com Ela?
1- Silenciosa e escondida
No Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, São Luís de Montfort nos leva a Nazaré a encontrar uma jovenzinha escondida. Não com medo, mas reservada, delicada e simples. Era Maria. São Luís afirma que nem os anjos conheciam essa mulher. O silêncio dela era do agrado de Deus e pela sua humildade foi escolhida para tão perfeita missão: mãe de Jesus.
Hoje, nossos barulhos pelas redes sociais, pelo ego, pelo desejo de sermos destaques nos impedem de gerar Cristo em nós. Pelo silêncio da Virgem, foi gerado o Verbo encarnado e, em nós, pelo barulho, são deixados de lado os ensinamentos do mesmo Verbo.
2- Silenciosa e confiante
Maria não contou a José sobre a gravidez. E nem a Isabel. A Palavra nos conta que José, percebendo a gestação, quis abandonar Maria em segredo. Certamente Maria orou muito. Abandonou-se em Deus e confiou. E José, por sonho, acreditou. A Bíblia também narra que Maria mal tinha chegado à casa de Isabel e já foi saudada por sua prima. Como Isabel sabia? Nossa Senhora não saiu divulgando a todos, mas pelo seu silêncio e jeito meigo tornou-se bendita. Precisamos aprender a maturidade do silêncio que nos leva a confiar e não nos vangloriar.
3- Silenciosa e grata
Sabe aquela expressão, “falou pouco, mas falou bonito”? Encaixa-se perfeitamente a Maria. Quando ela abriu a boca, cantou o Magnificat em gratidão ao amor de Deus.
Tem gente que quer enfeitar tanto sua fala que mais enche linguiça do que toca no coração das pessoas. Maria ensina a usar os lábios para o bem e não para ser o queridinho.
4- Silenciosa e perceptiva
Em Caná, Maria interveio para o primeiro milagre de Jesus. Nossa Senhora estava em um lugar barulhento. Era uma festa! Tinha música, conversas… E ela estava se divertindo, porém o fruto de uma vida regrada pelo silêncio fez Nossa Senhora perceber o drama dos noivos com o vinho que iria acabar.
Em muitas situações a agitação nos domina e não percebemos os necessitados e sofredores ao nosso lado.
5- Silenciosa e paciente
Aos pés da Cruz, diante da dor de ver seu filho morrendo, Maria poderia se desesperar. A dor era imensa, mas seu silêncio ajudava a cicatrizar as feridas. A quietação permitiu trocar olhares e dar força a Jesus.
Em nossas dores precisamos silenciar. A agitação no momento da Cruz só aumenta as feridas e nada resolve. Assim como nos momentos de raiva. Agir com a cabeça quente mais machuca do que cura.
6- Silenciosa e solícita
Quem é silencioso sabe escutar. Oferece os ouvidos para quem quer desabafar. Maria é refém dos nossos pedidos. Fica à espera de nossas orações e confianças.
Aprendamos com Ela a ser atenciosos, oferecendo nossos ouvidos para um simples desabafo.
7- Silenciosa e advogada
Os advogados precisam de muitos argumentos para defender seus clientes. Maria é tão bendita e formosa para Deus que uma palavra já basta para nos salvar. Ela é advogada e mãe de misericórdia. Quando a mãe fala o filho obedece!
Queremos ser do agrado de Deus a exemplo de Maria!
Por José Eymard, via Jovens de Maria