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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

O que os anjos nos ensinam sobre a ansiedade

 GUARDIAN ANGEL

Os anjos cumprem seus deveres diários com cuidado e diligência, mas sem qualquer tipo de ansiedade

Muitos de nós ficamos facilmente “ansiosos por muitas coisas”, embora Jesus nos exija que não o façamos. Temos inúmeras responsabilidades diárias e, quando os acontecimentos mundiais tornam a vida ainda mais estressante, é difícil não cair na ansiedade.

No entanto, Deus repetidamente desafia os personagens da Bíblia a não ficarem ansiosos ou com medo. Viver em um estado de ansiedade não é física nem espiritualmente saudável – é um problema que precisamos resolver.

São Francisco de Sales oferece uma reflexão interessante sobre isso em seu livro “Introdução à Vida Devota”. Ele recorre aos anjos em busca de inspiração e mostra como eles cumprem seus deveres diários com cuidado e diligência, mas sem qualquer ansiedade:

“O cuidado e a diligência devidos aos nossos negócios normais são muito diferentes da solicitude, ansiedade e inquietação. Os Anjos se preocupam com nossa salvação e a buscam diligentemente, mas eles estão totalmente livres de ansiedade e solicitude, pois, enquanto o cuidado e a diligência naturalmente pertencem ao amor, a ansiedade seria totalmente inconsistente com a felicidade, pois, embora cuidado e diligência possam andar de mãos dadas com calma e paz, essas propriedades angélicas não poderiam se unir com solicitude ou ansiedade, muito menos com excesso de ansiedade.”

Esta é uma das razões pelas quais Jesus repreendeu Marta, porque ela estava cedendo à ansiedade em nossos deveres. Disse Jesus: “Tu és cuidadosa e preocupada com muitas coisas”. Se ela tivesse sido simplesmente cuidadosa, Jesus não a repreenderia.

O conselho de São Francisco de Sales para nós é, em primeiro lugar, cumprirmos os nossos deveres, um de cada vez, sem nos sobrecarregarmos. Ele afirma:

“Aceite os deveres que vêm sobre você em silêncio e tente cumpri-los metodicamente, um após o outro. Se você tentar fazer tudo de uma vez, ou com confusão, você apenas se atrapalhará com seus esforços e, à força de deixar sua mente perplexa, provavelmente ficará sobrecarregado e não realizará nada.”

Além disso, é importante confiar na providência de Deus, que é uma das razões pelas quais os anjos estão livres de tal ansiedade.

“Em todos os seus afazeres, apoie-se exclusivamente na Providência de Deus, somente por meio dela seus planos podem ter sucesso. Enquanto isso, trabalhe em uma cooperação silenciosa com Ele, e então descanse satisfeito porque, se você confiou inteiramente nEle, você sempre obterá a medida de sucesso mais lucrativa para você”. 

Enfim, existem muitos fatores que influenciam a superação da ansiedade, mas podemos pelo menos começar olhando para os anjos e santos em busca de inspiração.


https://pt.aleteia.org/2020/09/04/o-que-os-anjos-nos-ensinam-sobre-a-ansiedade/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Como é a sua relação com o seu Anjo da Guarda? Algumas dicas surpreendentes!

 GUARDIAN

Você saúda, por exemplo, o Anjo da Guarda do seu próximo?

Segundo a Tradição da Igreja, todos nós temos um Anjo da Guarda – exceto os sacerdotes, que têm… dois!

A delicada missão do Anjo da Guarda é nos inspirar boas obras e intenções, nos iluminar na busca da verdade contra as doutrinas enganosas, nos orientar no caminho das virtudes e dos ideais santos, nos ajudar a estender o Reino de Deus, nos proteger dos perigos… Em sua, nos conduzir rumo à eternidade com Deus.

No Catecismo da Perfeição Cristã, o frei Antônio Wallenstein, O.F.M., nos recorda que devemos sempre nos lembrar da sua presença e, diante dela, jamais fazer o que não faríamos à vista da nossa mãe. Ele também nos exorta a invocá-lo nas horas de quaisquer perigos, sejam corporais, sejam espirituais, e, é claro, seguir as suas inspirações.

O frade nos propõe também saudar o Anjo da Guarda do nosso próximo, hábito que nos ajudará a tratar os outros em conformidade com a sua dignidade de filhos de Deus protegidos pelos anjos que Ele designou como nossos companheiros, guias e protetores.


https://pt.aleteia.org/2019/05/09/como-e-a-sua-relacao-com-o-seu-anjo-da-guarda-algumas-dicas-surpreendentes/

Uma especial oração ao Anjo da Guarda

ANGEL
UMB-O | Shutterstock

Existem muitas e você mesmo pode fazer as suas preces espontâneas e pessoais, mas esta pode ser uma boa inspiração

Há várias orações aos Anjos da Guarda e, além das preces tradicionais, é claro que todos nós podemos fazer as nossas próprias orações pessoais e espontâneas de agradecimento e pedido de ajuda, por exemplo.

Se você quer uma inspiração, tem sido compartilhada em redes sociais a seguinte:

Oração ao Anjo da Guarda

Meu Santo Anjo da Guarda
Tu que me foste dado por Deus
como companheiro de toda a minha vida,
salva-me para a eternidade e cumpre
a tua obrigação para comigo,
a qual te foi imposta pelo Deus do Amor.

Sacode-me na tibieza
e livra-me da minha fraqueza.
Preserva-me de qualquer caminho
e pensamento errado.

Abre-me os olhos para Deus e para a cruz.
Fecha-me, no entanto, os meus ouvidos
às inspirações do inimigo maligno.

Vela sobre mim
enquanto durmo, e fortifica-me durante
o dia para o cumprimento do dever
e para cada sacrifício.

Deixa-me ser, um dia, a tua alegria
e a tua recompensa no Céu
Assim seja!

 

Oração a São Miguel para que ele proteja você e sua família durante a noite

Saint Michael
images and videos | Shutterstock


Nós somos ainda mais vulneráveis ao mal quando dormimos

Nós também somos vulneráveis ​​quando estamos dormindo. Durante o sono, somos incapazes de nos proteger ou proteger nossa família. No entanto, embora nos sintamos sós, estamos rodeados pela presença de Deus e de uma multidão de anjos celestes. A presença deles é invisível, mas isso não significa que eles não possam fazer nada por nós.

De forma especial, o guerreiro mais poderoso de Deus, São Miguel Arcanjo, pode ficar de prontidão à nossa cabeceira, protegendo-nos e guardando a nossa família.

Abaixo está uma oração retirada do Manual de Oração de São Vicente, que invoca o protetor celestial, juntamente com todos os outros santos, para que eles nos guardem de qualquer mal que possa ocorrer durante a noite. Desta forma, podemos descansar em paz, sabendo que não estamos sozinhos, mas na proteção de um Deus amoroso. Reze todas as noites:

Amado Jesus, recebei nossas almas! Que a Santíssima Virgem Maria, São José e todos os santos e anjos glorifiquem e amem o Sagrado Coração de Jesus por nós esta noite, e orem por nós a Nosso Senhor, para que possamos ser preservados de todo o pecado e do mal.

Abençoado São Miguel, defendei-nos no dia da batalha, para que não nos percamos no terrível julgamento. Ó Anjo de Deus, a cujo cuidado estamos comprometidos pela Suprema Majestade, iluminai-nos, governai-nos e e defendei-nos, esta noite, de todo pecado e perigo.

Salvai-nos, ó Senhor, quando estamos acordados ou dormindo, para que possamos vigiar com Cristo e descansar em paz. Amém.

https://pt.aleteia.org/2019/07/16/oracao-a-sao-miguel-para-que-ele-proteja-voce-e-sua-familia-durante-a-noite/ 

 

Proteja sua família com esta oração aos Arcanjos

 archangels


Peça a São Miguel, São Gabriel e São Rafael para envolverem sua família com a proteção celestial

Deus criou os anjos para serem nossos protetores e guias. Embora não possamos vê-los com nossos olhos físicos, eles nos cercam e nos protegem de muitos perigos ocultos.

Aqui está uma oração aos Arcanjos adaptada do livro My Prayer Book (“Meu Livro de Oração”), pedindo-lhes que protejam nossas famílias de todos os danos, sejam físicos ou espirituais.

Reze com fé:

“Ó Jesus, nosso santíssimo Redentor, pedimos que abençoeis nossa casa, nossa família, nosso lar. Preservai-nos de todo mal.

São Miguel, defendei-nos de todos os ardis do inferno.

São Gabriel, concedei-nos a sabedoria para que possamos compreender a santa vontade de Deus.

São Rafael, protegei-nos de problemas de saúde e de todo perigo de vida.

Santos anjos da guarda, guardai-nos dia e noite no caminho da salvação. Amém.”


https://pt.aleteia.org/2020/09/02/proteja-sua-familia-com-esta-oracao-aos-arcanjos/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=weekly_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt 

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Sentindo-se solitário(a)? Busque conforto em seu anjo da guarda

GUARDIAN ANGEL

Os anjos da guarda sempre estão ao nosso lado, mas às vezes nos esquecemos disso

Sempre tem aqueles momentos em que nos sentimos esmagadoramente sozinhos, né? Isso pode ocorrer devido ao nosso estilo de vida ou porque nossa família não nos proporciona os cuidados emocionais e o apoio de que precisamos.
Qualquer que seja a nossa situação, é difícil suportar sentimentos de solidão ou isolamento.

A boa notícia é que Deus não apenas está conosco, como também nomeou um anjo da guarda para estar ao nosso lado!

O Catecismo da Igreja Católica afirma:

“Desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. «Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor para o guiar na vida». Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus”(Catecismo da Igreja Católica, 336).

No entanto, muitas vezes esquecemos essa verdade da fé. Nossos olhos mortais não vêem os seres espirituais que nos cercam, e sua presença nem sempre é sentida. O escritor Rev. H. G. Hughes reflete sobre essa realidade:

“Quão consolador é o pensamento dos príncipes da corte celestial encarregados do cuidado de nossas almas e corpos; sempre prontos para afastar a tentação, repelir os demônios, sugerir bons e santos pensamentos, proteger-nos dos perigos e acidentes corporais em nosso ir e vir, ficar ao nosso lado e cuidar de nós até que finalmente apresentem alegremente nossas almas, redimidas e limpas diante do trono de Deus para receber a recompensa.”

Hughes sugere que a alma cristã recorde-se diariamente da presença de seu anjo da guarda e lembre-se de seu papel vital em nossas vidas:

“Devemos examinar a nós mesmos para ver se negligenciamos e nos esquecemos do nosso anjo da guarda. É do nosso interesse invocá-lo para secundar seus esforços a fim de evitarmos o pecado … Lembrando a presença de nosso anjo da guarda, devemos lembrar também a presença de Deus. Desse modo, seremos apoiados na tentação e impedidos de pecar; seremos consolados em aflições e mantidos temperados em tempos de alegria… Mais do que qualquer guia e conselheiro terrestre, ele nos ensinará e nos guiará pelo caminho celestial, até que o véu seja tirado de nossos olhos, e veremos finalmente o anjo do Senhor com quem louvaremos e abençoaremos o Pai para sempre no céu”. 

Se você estiver se sentindo especialmente sozinho e isolado, ore diariamente ao seu anjo da guarda e peça sua ajuda consoladora para suportar estes tempos difíceis.

https://pt.aleteia.org/2020/05/21/sentindo-se-solitarioa-busque-conforto-em-seu-anjo-da-guarda/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

São Josemaria Escrivá e sua relação com o anjo da guarda


Escrivá acreditava tanto em seu anjo protetor que o apelidou de "Relojoeirinho"

São Josemaria Escrivá tinha muita fé em seu anjo da guarda. Uma devoção que foi herdada dos pais. 
Sua relação com seu protetor era muito íntima. Tanto que até para os problemas mais simples do dia a dia, ele pedia a intercessão do guardião.
Certa vez, Escrivá, que já era sacerdote, teve problemas com seu relógio de bolso, que parou de funcionar. Ele não tinha dinheiro para comprar outro. Então, não pensou duas vezes: pediu a Deus, por intermédio do anjo da guarda, que consertasse o acessório: 
“[Deus]Pareceu não me ouvir, porque voltei a mexer e a tocar e retocar no relógio avariado, em vão. Então […], ajoelhei-me e comecei um Pai Nosso e uma Ave Maria, que acho que não cheguei a terminar, porque peguei novamente no relógio, toquei nos ponteiros… e começou a andar! Dei graças ao meu bom Pai”, destacou o Santo.
Foi a partir daí que Josemaria Escrivá apelidou seu anjo da guarda de “Relojoeirinho”. Ele confiava tanto no seu amigo celestial que pedia-lhe sempre para que o despertasse na hora que precisava. E o anjo, como um relógio suíço, nunca falhou!

A devoção e a missão Opus Dei

Foi exatamente no dia 2 de outubro de 1928, Festa dos Anjos da Guarda, que São Josemaria Escrivá entendeu o que Deus queria dele e fundou o Opus Dei.
O Beato Álvaro del Portillo relatou que, quando o Santo saudava o Senhor no Sacrário, sempre agradecia aos anjos ali presentes.
“Quando vou a um dos nossos oratórios em que há um tabernáculo, digo a Jesus que o amo e invoco a Trindade. Depois agradeço aos Anjos que guardam o Sacrário e adoram Cristo na Eucaristia”, dizia São Josemaria Escrivá.
Com informações de ACI Digital 

domingo, 30 de junho de 2019

O NÚMERO DOS ANJOS


Santo Atanásio na questão sexta, cita a opinião de alguns, que tiveram para si, que os homens eram iguais em número aos Anjos, movidos por aquelas palavras do Deuteronômio, como traduziram os Setenta Intérpretes, registrou o número dos povos, conforme ao número dos Anjos. Outros há, que tem para si, que os homens excedem em número aos Anjos e movem-se por este argumento. Porque dos homens tantos se hão de escolher para a glória, quantos são os Anjos que caíram da glória e consta no Apocalipse na figura do dragão (que trouxe consigo a 3ª parte das estrelas), que a 3ª parte dos Anjos caiu, e conforme a isto parece que entende São Bernardo sobre os Cantares, aquelas palavras do Salmo: “Julgará os homens e com eles proverá os lugares vagos no céu”. Donde deduz-se, que não se salvando nem a décima parte, contando todos os infiéis é muito maior o número de todos os homens que o de todos os Anjos.
Porém, nenhuma destas opiniões tem fundamento, porque no Deuteronômio, considerando bem o que Moisés vai dizendo, não se trata do número de Anjos; somente mostra o particular cuidado que Deus teve de seu povo na divisão geral das terras que Deus fez a várias nações. Porque quando, ou conforme aos Hebreus, quando repartia as terras do mundo pelas nações, logo então marcou a terra de Canaã a sete nações, não tanto por a possuírem, mas por a cultivarem e depois de cultivada a entregar aos filhos de Israel, quando saíssem do Egito. Quer dizer que a estas sete nações assinalou os termos da que por eles repartiu, como se dissesse, que não tinha os olhos naqueles a quem as dava, se não no seu povo de Israel, cujos colonos eram os povos e nas demarcações olhavam para o que convinha aos israelitas para os agasalhar no que mostrava grande amor a seu povo, dando-lhe as terras cultivadas e a todas as outras nações, incultas e bravas. E segue-se logo, como se dissera as outras nações, deu terras em herança, mas para si tomou este povo por herança própria. Este é o sentido literal que os expositores comumente dão ao lugar do Deuteronômio.
O Apocalipse não fala da queda dos Anjos, se não dos fiéis, no tempo do Anticristo. Por onde não há fundamento para duvidar, ainda que ponhamos os olhos na grande máquina do mundo e na multidão de criaturas que nele há, se haverá tantos Anjos em número, que nasceram e nascerão? Porque é tão copioso o número dos Anjos (como afirma São Dionísio Areopagita) que excede e é muito maior que o número de todas as coisas corporais e materiais. E São Tomás e outros Doutores escolásticos, da proporção que há entre os corpos superiores e da que há entre os inferiores, agrupam a multidão dos Anjos, por que se vemos que tão grande multidão de criaturas corporais é necessária para responder e encher à distância que há entre a mais vil criatura e entre o homem, a mais nobre do todas as corporais, quão grande número será necessário para responder a distância que há entre o Anjo e mesmo a Deus? Porque como Deus, Nosso Senhor nesta formosíssima e admirável máquina do mundo, pretende principalmente à perfeição dele, se não é limitado seu poder, se não infinito e imenso (criou as coisas em tanto maior número e abundância, quanto elas são mais perfeitas em si). Daí vemos, que todas as coisas baixas e corruptíveis que estão debaixo da Lua, são quase um ponto em comparação dos céus, que são corpos mais perfeitos e nobres. E nos mesmos céus o mais alto e superior excede muito ao inferior e o supremo a todos os demais.
Por esta razão algumas estrelas do firmamento que nos parecem aos olhos tão pequenas, são muito maiores que toda a terra composta de todas as coisas inferiores. Esta mesma proporção há nas coisas espirituais e naqueles supremos espíritos a respeito das coisas corporais as quais excede não em quantidade, se não em número, pois é certo que a alteza no lugar dos corpos responde à nobreza da essência nos espíritos e ao excesso da quantidade, responde a multiplicação do número. E vê-se claramente ser assim, porque se cada um dos homens desde nosso primeiro pai Adão, até o derradeiro, que haverá no mundo, tem seu Anjo da guarda eleito para sua defesa, sem exceção de bom ou de mal, nem de fiel ou infiel, nem de bárbaro Etíope, ou nobre político ( pois todos enquanto homens participam deste beneficio necessariamente havemos de confessar, que os Anjos do derradeiro coro – do qual se provê a guarda dos homens – são mais que todos os homens que houve e haverá até o fim do mundo.
Então, qual será o número dos outros coros se for assim como temos provado, que tanto maior é o número deles, quanto sua ordem é mais alta e sua perfeição mais elevada? Isto se conclui da escritura sagrada, a qual falando da multidão dos Anjos, diz: “milhares de milhares serviam o Senhor e dez vezes cem mil o assistiam”. Pelo qual entendem os Padres e Doutores, uma multidão de espíritos celestiais em certo modo infinita. Para confirmação do mesmo, trazem alguns autores uma revelação, que com o favor da Virgem Nossa Senhora, se fez a Santa Brígida, a qual com muita segurança afirma, que os Anjos excedem em número aos homens em dez partes por estas palavras: “Se se compararem todos os homens que nasceram de Adão até ao derradeiro que há de nascer no fim do mundo, achar-se-á que, a cada homem respondem mais de dez Anjos”. E a autoridade desta Santa é de muita estima. Porque o Papa Bonifácio IX na Bula de sua Canonização, acredita e autoriza muito o espirito de profecia desta Santa. Nesta conformidade, dizem alguns Doutores, que a cada Anjo respondem dez Arcanjos e a cada Arcanjo dez principados; e assim como os coros e hierarquias vão subindo, se vai multiplicando o número dos Anjos superiores.
Ao que temos dito se pode acrescentar o que tem São Hilário, São Cirilo e outros, aos quais afirmam que os Anjos excedem aos homens em noventa e nove partes. Pela ovelha da parábola, diz o Santo, se há de entender o primeiro homem e por este todos os mais homens, mas no pecado de um só Adão se perdeu todo o gênero humano. De onde se compreende, que pelas noventa e nove ovelhas que não se perderam se há de entender a multidão dos Anjos, que no céu tem o cuidado e alegria pelo bem e salvação dos homens.
O mesmo diz Santo Atanásio conforme alegado acima, que muitos tiveram para si que a proporção que tem os Anjos para com os homens em número é a mesma que tem noventa e nove para um; ou nove para um. E resume isto das parábolas, a das noventa e nove ovelhas, que o pastor deixou no deserto guardadas para buscar sua perdida e das nove dracmas seguras e uma perdida, porque na ovelha e dracma perdida se representam os homens e nas mais os Anjos. De onde veio Santo Ambrósio sobre o capitulo 15 de São Lucas, a dizer: o rico e grosso pastor de quem nós somos a centésima parte das ovelhas, tem inumeráveis rebanhos de Anjos e de Arcanjos, Dominações, Potestades e de outros semelhantes que deixou nos montes. De onde vem a dizer alguns Doutores, que mais fácil é contar as estrelas do céu e as gotas do mar e as folhas das árvores e as ervas da terra, que compreender a multidão dos Anjos a qual ainda que para Deus seja finita e contada, com tudo em nosso ponto de vista parece infinita.
E São Bernardino de Siena falando do amor misericordioso de Deus e dos meios que a ele nos hão de levar, diz assim: “A segunda coisa que havemos de contemplar, diz São Bernardino, é a multidão dos Anjos”, porque diz São Dionísio no livro da hierarquia que só os Anjos que estão no paraíso são mais do que as estrelas, as areias do mar e da terra, que as folhas e ervas e mais que todas as coisas criadas. Por esta causa disse bem Jó falando de Deus: “Por ventura os soldados do Senhor podem se contar”? O que nos declara a glória e soberana majestade do Senhor que nos criou e se serve deles, como de seus criados e soldados. Porque é grande honra de um rei ter muitos ministros nobres e poderosos e família luzida de criados que o acompanham e sirvam que por isso disse o Espirito Santo: A dignidade e majestade do Rei se conhece na multidão de seus ministros e ter poucos vassalos e afronta do príncipe. E é coisa notável que com os Anjos serem tantos, São Tomás tem para si – posto que muitos têm o contrário – que nenhum há entre eles que não seja de diferente espécie de todos e de cada um dos outros.
E assim como seria formosíssima coisa e maravilhosa se em um campo ou prado povoado de infinitas flores, não houvesse entre elas, duas que fossem da mesma espécie, se não que cada flor fosse da sua e diferente de todas as outras nas cores, na figura, na forma, porque umas teriam as cores singelas, já brancas, já vermelhas, já amarelas, já roxas, já verdes, outras as teriam todas misturadas umas com as outras, em tal proporção que a mistura e composição de cada uma acrescenta-se notável graça a todas semeando à natureza e matizando com diferentes variedades e proporção a cada uma para em todas resultar mais perfeição, mais arte e mais graça natural. (Estando na opinião de São Tomás) naquele copiosíssimo e abundantíssimo campo do céu – a que com razão podemos chamar Jardim de Flores em que há inumeráveis Anjos que como formosíssimas flores o aformoseiam e vestem com singular graça e majestade. Não há dois deles que tenham a mesma espécie, pois em cada um achareis diferentes perfeições, diferente lustre e diferente ser, comunicado do autor de todo o bem e pego infinito de perfeições.
(Retirado do Almanaque Tradição Católica)

domingo, 7 de outubro de 2018

Como trazer seu Anjo da Guarda para o seu dia a dia

WOMAN WITH ANGEL SCULPTURE

Nossos protetores espirituais não nos abandonam quando nos tornamos adultos. Aliás, é nessa fase que mais precisamos dele

Carta da leitora:
Como eu posso estabelecer uma relação com meu anjo da guarda? Esse mediador tão poderoso está tão perto de nós que é um desperdício não construir uma relação com ele. O que você recomenda?
Beth
—————————————–
Querida Beth,
Nossos anjos da guarda são fantásticos! É uma pena que muita gente passou a considerar essa devoção como algo infantil. Muito dificilmente encontraremos um símbolo ou uma iconografia destes nossos ajudantes em que não apareça também uma criança pequena. Porém, nossos protetores individuais não saem do nosso lado quando nos tornamos adultos. Por isso é muito inteligente da sua parte querer estabelecer uma relação com eles.
E eles são muito poderosos! Os anjos da guarda são criaturas divinas fortes. Lembre-se de que, quando a Bíblia faz referência a eles, menciona que a aparência que eles têm produz uma reação de medo e terror em algumas pessoas.
As crianças sempre estão inerentemente cheias de fé e nascem com a capacidade de acreditar. Os adultos lutam com a crença quando sua percepção se torna obscura, por causa do cinismo e da dúvida. Isso é normal em nossas vidas adultas, apesar de ser uma fase em que mais necessitamos da ajuda divina de nossos anjos da guarda (até para que ele nos proteja de nós mesmos).
Pois bem: estabeleça uma relação com seu anjo da guarda como você faria com qualquer outra pessoa. Isso significa que você deve conversar com ele. Quando falamos para as pessoas que desejam crescer na santidade e se aproximar de Deus que elas devem rezar, isso supõe uma forma de comunicação sobrenatural. Seu anjo está simultaneamente com você e diante de Deus. Por isso, busque orações que ajudem a crescer na santidade. Aqui estão algumas sugestões:
Mas você não precisa de orações formais: simplesmente converse com seu anjo. Geralmente, entro para as minhas reuniões pedindo que ele me dê uma cotovelada, caso eu esteja a ponto de dizer alguma besteira. Ou lhe peço que fale com o anjo de algum companheiro de trabalho para que, caso a gente tenha algum desacordo, que ele nos ajude a trabalhar juntos e em paz.
Muitas pessoas acreditam que os anjos da guarda são apenas (e somente isso) os seres que nos protegem do dano físico e nos afastam dos problemas. Mas eles também são os guardiães de nossa espiritualidade e podem nos ajudar a lutar contra as tentações. Quando penso em “anjo” e “guarda”, lembro-me de que existem força e resistência em suas definições.
Minha avó costumava dizer que as mães enviam sempre os seus anjos da guarda aos anjos da guarda de seus filhos, a fim de que eles levem orações e boas mensagens. Ela acreditava que os anjos conversavam entres eles também. E por que não? Algumas pessoas, inclusive, dirão que, se pedirmos, eles se encarregarão de concluir nossas orações e terços, caso a gente caia no sono na metade da oração.
Eu gosto de pedir a ajuda do meu anjo antes da Confissão, enquanto eu faço o exame de consciência. Quando eu sinto uma tentação particular para um pecado, peço-lhe ajuda. Além disso, costumo pedir que ele cuide do meu filho ou que agradeça ao anjo da guarda do meu filho por cuidar dele. No pequeno altar que eu tenho em casa estão Maria, Jesus, José (meu santo padroeiro e padroeiro do meu filho) e uma imagem do anjo da guarda.
Nem sempre eu me lembro das orações dedicadas aos anjos da guarda nem procuro no telefone as ladainhas ou novenas completas. Mas lembro que devo reconhecer sua função em minha vida física e espiritual e agradecer-lhes pela ajuda. É nestes pequenos detalhes que a minha relação com meu anjo da guarda se torna mais íntima.

https://pt.aleteia.org/2018/01/28/como-trazer-seu-anjo-da-guarda-para-o-seu-dia-a-dia/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

domingo, 3 de junho de 2018

Os Anjos na vida dos Santos


Nossos Anjos guardiães estão ao lado de cada um de nós, incansáveis, solícitos, bondosos, prontos a nos ajudar em tudo quanto precisarmos, quer sejam necessidades materiais ou espirituais. Vejamos alguns exemplos de pessoas favorecidas com a graça de ver o seu Anjo da Guarda e com ele conversar repetidas vezes ao longo da vida.
Por certo, em nossos conturbados dias, isso contribuirá para aumentar em nós a devoção ao nosso melhor amigo, e nos estimulará a recorrermos com mais empenho ao seu concurso.
Santa Gemma Galgani (1878-1903) teve a constante companhia de seu Anjo protetor, com quem mantinha um trato familiar. Ela o via, rezavam juntos, e ele até mesmo deixava que ela o tocasse. Enfim, Santa Gemma tinha seu Anjo da Guarda na condição de um amigo sempre presente. Ele lhe prestava todo tipo de ajuda, até mesmo levando mensagens para seu confessor, em Roma.
Este sacerdote, o padre Germano de Santo Estanislau, da Ordem dos Passionistas, fundada por São Paulo da Cruz, deixou Santa Gemma Galgani..jpgnarrado o convívio de Santa Gemma com seu celeste protetor: “Frequentes vezes ao perguntar-lhe eu se o Anjo da Guarda permanecia sempre no seu posto, ao lado dela, Gemma voltava-se para ele com um à vontade encantador e logo ficava num êxtase de admiração todo o tempo que o fixava”.1 Ela o via durante todo o dia. Ao dormir pedia-lhe que velasse à cabeceira da cama e que lhe fizesse um sinal da Cruz na fronte. Quando despertava, pela manhã, tinha a imensa alegria de vê-lo a seu lado, como ela mesma contou a seu confessor: “Esta manhã, quando acordei, lá o tinha junto de mim”.2
Quando ia se confessar e precisava de auxílio, sem demora seu Anjo a ajudava, segundo conta: “[Ele] me traz ao espírito as ideias, dita-me até algumas palavras, de forma que não sinto dificuldade em escrever”.3 Além disso, seu Anjo da Guarda era um sublime mestre de vida espiritual, ensinando-a como proceder retamente: “Lembra-te, minha filha, que a alma que ama a Jesus fala pouco e abnega-se muito. Ordeno-te, da parte de Jesus, que nunca dês o teu parecer se não te for pedido, e que não defendas a tua opinião, mas que cedas logo”. E ainda acrescentava: “Quando cometeres qualquer falta, acusa-te logo dela sem esperares que te interroguem. Enfim, não te esqueças de resguardar os olhos, porque os olhos mortificados verão as belezas do Céu”.4
Apesar de não ser religiosa, levando uma vida comum, Santa Gemma Galgani desejava, entretanto, consagrar-se de maneira mais perfeita ao serviço de Nosso Senhor Jesus Cristo. Porém, como às vezes pode acontecer, o simples anseio de santidade não basta; é preciso a sábia instrução de quem nos guia, aplicada com firmeza. E assim acontecia a Santa Gemma. Seu suavíssimo e celeste companheiro, que a todo tempo estava sob seu olhar, não colocava de lado a severidade quando, por algum deslize, sua protegida deixava de seguir as vias da perfeição. Quando, por exemplo, resolveu usar algumas joias de ouro, com certo comprazimento, para visitar um parente de quem as havia recebido de presente, ouviu uma salutar admoestação de seu Anjo, ao regressar a casa, que a olhava com severidade: “Lembra-te que os colares preciosos, para enfeite da esposa de um Rei crucificado, só podem ser seus espinhos e sua Cruz”.5 Fosse qual fosse a ocasião em que Santa Gemma se desviasse da santidade, logo uma angélica censura se fazia ouvir: “Não tens vergonha de pecar na minha presença?”.6 Além de custódio, bem se vê que o Anjo da Guarda desempenha o excelente ofício de mestre de perfeição e modelo de santidade.
Trinta anos de convívio com o Anjo da Guarda
Os olhos percorriam atentamente as linhas do texto e, de quando em quando, mais uma página era virada. Em torno reinava o silêncio, entrecortado às vezes por algum som típico de uma cidade do interior, no início do século passado. Estamos em 1917. Uma jovem, com seus 17 anos, tranquila, estuda numa sala próxima à entrada de casa. Era mais uma quente noite de verão em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai.
A porta da rua se encontrava aberta, talvez com a finalidade de arejar um pouco o ambiente, castigado pelo abafamento característico dessa época do ano. Os criados estavam ocupados nos afazeres domésticos, longe daquela parte da casa.Cecy Cony.jpgConcentrada na leitura, nem mesmo percebeu a entrada de um estranho na dependência, o qual se postou do outro lado da mesa diante da qual estava. A surpresa foi tão grande quando, ao levantar os olhos do livro, divisou um homem, com sinais de embriaguez, que agarrava com as duas mãos a borda da mesa. Era forte e alto, mal-encarado e olhar covarde. Envolvendo a cintura com uma faixa, ali levava presa uma faca, como é costume usar nessa região.
O forasteiro permaneceu algum tempo a observar a moça, meio aturdida por tal visão, e depois foi rodeando a mesa na direção dela, sem deixar de se apoiar. Quebrou o silêncio reinante e disse em espanhol: “Tú hablas, yo te estrangulo”.7
O terror se apoderou da moça, que nada pôde dizer, a não ser umas poucas palavras a meia voz: “Meu novo amigo!”. No mesmo instante sentiu pousar sobre o ombro uma mão, aquela mesma que, por vezes, sentira em outras ocasiões de desalento. Era seu fiel Anjo da Guarda que, ao lhe tocar no ombro, lhe restituía como que por encanto a tranquilidade, dissipando com incrível rapidez o terror que sentia. Teve, com isso, forças para se levantar e correr ao encontro de Acácia, uma das empregadas da casa, enquanto o temido homem fugia, derrubando na fuga uma cadeira, com grande barulho.8
Fatos como o que acaba de ser descrito ocorreram na vida de Cecy Cony, uma brasileira nascida em 1900, na cidade de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Brasil, e mais tarde religiosa na Congregação das Irmãs Franciscanas da Penitência e da Caridade Cristã, onde ingressou com o nome de Maria Antônia. Foi dotada de grande quantidade de dons, entre os quais tem primazia a graça de ver o Anjo da Guarda desde os cinco anos de idade.                                    
Ainda mais próximo de nós, encontramos São Pio de Pietrelcina (1887-1968), dotado de muitos dons místicos, inclusive o dos estigmas, isto é, as chagas da crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, e grande incentivador da devoção aos Anjos da Guarda. Em diversas ocasiões ele recebeu recados dos Anjos da Guarda de pessoas que, à distância, necessitavam de algum auxílio dele.
Um senhor de nome Franco Rissone, sabendo do constante empenho de São Pio para que houvesse maior devoção aos São Pio de Pietrelcina.jpgcelestes custódios, todas as noites, do hotel onde estava hospedado, enviava seu Anjo da Guarda ao padre Pio para que lhe transmitisse as mensagens desejadas. Franco duvidava que o Santo ouvisse seus recados. Certo dia, ao se confessar com São Pio, perguntou: “Vossa Reverendíssima ouve realmente o que lhe mando dizer pelo Anjo da Guarda?”. Ao que o religioso respondeu: “Mas então julgas que estou surdo?”.10
As incertezas de muitos com relação ao convívio de São Pio de Pietrelcina com os Santos Anjos, apesar de não indicarem confiança, serviam, entretanto, para ressaltar ainda mais esta sua familiaridade com os Anjos.
Certa senhora, de nome Franca Dolce, resolveu perguntar a São Pio o seguinte: “Padre, uma destas noites mandei o Anjo da Guarda tratar com Vossa Reverendíssima uns assuntos delicados. Veio ou não veio?”. Respondeu o confessor: “Julgas, porventura, que o teu Anjo da Guarda é tão desobediente como tu?”. A senhora, querendo saber mais, acrescentou: “Bom, então, veio; e o que é que ele lhe disse?”. São Pio respondeu: “Ora essa, disse-me o que tu lhe disseste que me dissesse”. Não contente com a resposta, a senhora tornou a perguntar: “Mas o que foi?”. São Pio respondeu: “Disse-me…”, e então repetiu com exatidão todas as palavras que a senhora ditara ao Santo Anjo, para surpresa dela mesma.11
Ainda mais eloquente é o fato ocorrido com outra senhora, chamada Banetti, camponesa residente a alguns quilômetros de Turim, na Itália. No dia 20 de setembro, data em que se comemorava a recepção dos estigmas do padre Pio, era costume as pessoas mais devotadas do santo confessor lhe enviarem cartas das mais variadas partes da Itália e até de outros países.
A senhora Banetti não encontrou quem fosse à cidade para pôr sua carta no correio. Encontrava-se aflita por não poder enviar seus cumprimentos a São Pio. Lembrou-se, entretanto, da recomendação que lhe fizera o Santo, na última vez em que com ele estivera: “Quando for preciso, manda teu Anjo da Guarda ter comigo”.12 No mesmo instante dirigiu uma prece a seu celeste guardador: “Ó meu bom Anjo, levai vós mesmo os meus cumprimentos ao padre, pois não tenho outra forma de mandá-los”.13 Poucos dias depois, a senhora Banetti recebe uma carta vinda de San Giovanni Rotondo, lugar onde vivia São Pio, enviada pela senhora Rosine Placentino, com as seguintes palavras: “O padre pede-me que lhe agradeça em seu nome os votos espirituais que lhe enviaste”.
Santa Francisca Romana, nascida em 1384 no seio de uma distinta família, era uma alma especialmente favorecida por Deus, desde a juventude. Tal obséquio da Divina Providência se tornou ainda mais notável quando, depois da morte de um de seus
Santa Francisca Romana.jpg
 filhos, chamado Evangelista, passa a ter convívio diário com seu “zeloso guardador”.

Certa noite encontrava-se ela a dormir e, quase ao raiar do dia, o quarto foi inundado por uma grande claridade, em meio à qual apareceu o filho Evangelista, falecido havia quase um ano, com uma formosura incomparavelmente maior do que a manifestada nesta Terra. Ao lado de Evangelista estava também outro jovem ainda mais formoso: era o Anjo da Guarda deste.
Passados alguns instantes em que permanecera atônita com a visão, tomada de alegria, pergunta a Evangelista onde estava, o que fazia e se ainda se lembrava de sua mãe. Olhando para o Céu, ele responde: “Nossa ocupação é contemplar o abismo eterno da bondade divina, louvar e bendizer sua majestade com transportes de alegria e amor. Inteiramente absortos em Deus nessa celeste beatitude, não somente não sofremos dor, como não podemos tê-la e gozamos de uma paz que durará sempre. Não queremos, nem podemos querer senão o que sabemos ser agradável a Deus, que é nossa inteira e única beatitude. Saiba que os coros que estão acima de nós nos manifestam os segredos divinos”.15 Foi então que disse à sua mãe o lugar onde se encontrava no Céu: o segundo coro da primeira hierarquia, isto é, entre os Arcanjos. Acrescentou também que o outro jovem, mais formoso, estava em grau mais elevado no Céu, razão de seu maior esplendor, e que havia sido designado por Deus para a consolar em sua peregrinação terrena. Permaneceria com ela perpetuamente e, doravante, poderia ter a consolação de vê-lo dia e noite, sem cessar. (Excertos do livro “A Criação e os Anjos”, Coleção “Conheça a sua Fé”, v.III) – Revista Arautos do Evangelho, Julho/2015, n. 163, p. 22 a 25.





http://www.arautos.org/secoes/artigos/doutrina/anjos/os-anjos-na-vida-dos-santos-161945

terça-feira, 15 de maio de 2018

Os Anjos falam?

Os Anjos falam?

A existência dos Anjos nunca foi motivo de dúvida, mesmo no Antigo Testamento, pelas pessoas que tinham Fé nas Sagradas Escrituras. Quase a cada página eles estão presentes intervindo nos acontecimentos, cumprindo alguma ordem divina ou simplesmente auxiliando os homens.[1] No Novo Testamento essa crença se torna ainda mais vigorosa.
Com efeito, a doutrina católica ensina que Deus designa um Anjo para guardar cada homem desde o instante de seu nascimento. Esse Anjo não terá outra pessoa a quem proteger durante toda a história da humanidade, mesmo depois da morte do seu protegido. Estes celestes guardiões nos amparam permanentemente em nossa peregrinação terrena.[2]
Contudo, conversar com o próprio Anjo da Guarda, como quem fala com um amigo íntimo ou um irmão, é um fato extraordinário, que raras vezes acontece. Mas, os Anjos comunicam-se conosco, por meio de uma linguagem que não é de palavras, e com mais frequência do que se pensa.
E de alguma maneira, sempre estamos nos relacionando com o nosso Anjo, e, sobretudo, ele conosco. Mas como se dá essa comunicação se ele não possui corpo material, e, portanto, não tem boca nem língua? Como os Anjos conversam?
O grande São Tomás de Aquino nos explica que os Anjos podem se comunicar de duas maneiras diferentes, tanto com os homens quanto entre si: uma é a iluminação e outra é a simples locução.
A iluminação é o ato pelo qual se manifesta uma verdade.[3] Assim se diz que um Anjo ilumina outro quando lhe manifesta uma verdade que conhece e que lhe foi revelada por Deus e que o outro Anjo desconhece ou conhece em grau menor. Esta iluminação é concedida por Deus a todos os Anjos, mas nem todos a recebem – ou aproveitam – de igual modo.[4] Isto, entretanto, não se deve a uma deficiência do modo pelo qual Deus os ilumina, mas porque a capacidade de apreender é maior para uns e menor para outros.
O Anjo superior tem uma capacidade maior de apreender as verdades sobrenaturais, então para que o Anjo inferior possa entender aquilo que o Anjo superior quer lhe transmitir é necessário que o Anjo superior fragmente seu conhecimento. O exemplo que o próprio São Tomás dá para esta teoria é de um professor que tem um conhecimento muito amplo da matéria que leciona e que ao apresentá-la aos alunos divide-a em partes coerentes e ordenadas, de modo que os alunos possam entendê-la. Evidentemente, os alunos terão um conhecimento da matéria muito inferior em relação ao do professor, portanto menos perfeito. Algo semelhante se passa com os Anjos.[5]
Esta forma de comunicação só se dá da parte dos Anjos superiores para com os Anjos inferiores, mas existe a outra forma de comunicação, que é a simples locução, na qual também os Anjos inferiores “falam” aos superiores. São Tomás explica que a locução tem por finalidade manifestar algo desconhecido àquele com quem se fala ou pedir-lhe alguma coisa.[6]
A locução se distingue da iluminação, porque a iluminação se refere às verdades que procedem de Deus […]. A locução tem por objeto a revelação daqueles conhecimentos que dependem da vontade do comunicante e que São Tomás denomina “segredos do coração”. Não são verdades essenciais; são dados da própria consciência pessoal, cuja manifestação está debaixo do selo da própria vontade. Daí a liberdade característica de tal comunicação da intimidade[7].
Evidentemente, a comunicação dos Anjos uns com os outros não se expressa com sons, palavras ou outro elemento material, pois sua natureza é puramente espiritual. A sua comunicação corresponde a um ato de vontade de que outros Anjos conheçam ou compreendam conceitos que possuem e que conservam ocultos, e podem inclusive dar a conhecer a uns e não a outros, conforme sua vontade.[8] Assim, os Anjos falam também a Deus, perguntando-Lhe coisas, pedindo esclarecimentos, louvando-O e glorificando-O.[9]
Isso que no Anjo é co-natural, no homem pode se dar pela graça. Um Anjo superior pelo simples fato de voltar-se para o inferior já lhe amplia a capacidade cognoscitiva.[10] Nós poderíamos sentar ao lado de São Tomás de Aquino durante uma semana que provavelmente não ficaríamos mais inteligentes, mas por uma graça de Deus poderíamos ficar. O exemplo prototípico disso é o cumprimento de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel. Maria provavelmente não deu uma aula de filosofia à sua prima, mas o simples fato de Ela ser quem é e estar ali, de fazer ouvir sua voz, foi o suficiente para que Santa Isabel percebesse estar ali a Mãe do Messias e para santificar São João Batista no claustro materno.
É sem dúvida essa “iluminação” que nos move a querermos estar próximos das pessoas de quem gostamos, pois sentimos que alguma coisa nos eleva e nos atrai.
E sobre o que conversam os Anjos? Evidentemente, o principal objeto da conversa angélica é Deus, pois toda criatura tende naturalmente a voltar-se para o Criador, sobretudo em se tratando de criaturas tão perfeitas como são os Anjos, além de estarem na Visão Beatífica, sempre vendo aspectos novos de Deus durante toda a eternidade, pois sendo Deus infinito, por mais que eles vejam a Deus no seu todo, não O vêem totalmente, o que é impossível a qualquer criatura.
Mas, podemos concluir disso que um dos temas sobre os quais os Anjos conversam é a intervenção de Deus na Obra da Criação, ora o elemento mais importante da criação é o homem. Em última análise os Anjos conversam sobre a ação de Deus na história da humanidade.[11] A respeito da criação os Anjos superiores comunicam aos inferiores tudo o que vêem em Deus.
Poderíamos imaginar inclusive uma conversa angélica na qual os nossos Anjos da Guarda perguntam a algum Anjo mais elevado como compreender melhor o seu protegido, e o Anjo superior explica que sua natureza é constituída de tal maneira e que seria conveniente agir com ele desse ou daquele modo, que Deus tem este ou aquele plano para ele, etc. Enfim, cada um pode imaginar – ou dar-se conta de que já aconteceu – mil circunstâncias em que nossos Anjos da Guarda recorreram a Deus, através dos Anjos superiores, para nos auxiliar.
Portanto, nossos Anjos da Guarda estão muitas vezes conversando sobre nós com os Anjos que lhes são superiores, de maneira que nós fazemos parte de uma “cascata” de Anjos que estão preocupados com cada um de nós, a fim de nos proteger, auxiliar e interceder por nós junto a Deus.
Mas eles não conversam apenas entre si ou com Deus. Também com os homens eles se comunicam. Por uma sublime disposição da Providência Divina, os seres superiores se tornam intermediários entre Deus e os que lhes são inferiores. Assim os Anjos são intermediários entre o Criador e os homens.[12]
Como diz São Tomás, citando São Dionízio, o homem não é capaz de captar um conceito puramente abstrato se não houver em sua mente algo à maneira de um invólucro que sirva de imagem para poder entender. Por isso os Anjos apresentam as verdades que querem transmitir aos homens sob uma aparência sensível a seus sentidos.[13]
Os Anjos, tanto os bons quanto os maus, têm poder sobre a imaginação humana[14], podendo nos inclinar à prática da virtude, dando-nos boas inspirações, sugerindo-nos bons propósitos, podem nos ajudar em nossas tarefas proporcionando-nos boas ideias, enfim, em toda sorte de ações podemos ser profundamente influenciados pelos espíritos angélicos.
Se nós sentimos tantas vezes as insídias diabólicas a combater contra nós, com maior razão estará nosso Anjo da Guarda a combater por nós? Se ele nos permite alguma tribulação, provação ou sofrimento, é apenas para nosso bem, embora possamos não entender no momento.[15] Mas quanto mais nos sentimos abandonados, mais estamos sendo amparados insensivelmente por nosso Santo Anjo da Guarda.
Peçamos, pois, a Deus e a sua Mãe Santíssima uma devoção entranhada aos Anjos, esses gloriosos intercessores celestes, de que muitas vezes esquecemos.


[1] Citamos algumas passagens da Escritura mais importantes nas quais os Anjos têm papel de destaque: Gn 3, 24; Gn 22, 11; Dn 3, 49-50; Dn 6, 23; Ex 14, 19; Jz 6, 12. 22; 1Cr 21, 7. 15-16; Lc 1, 26-38; Mt 2, 13; Mc 16, 5-7; At 12, 7-11; entre outras.
[2] Cf. AQUINO, São Tomás de. Suma de Teología, I, q. 113; Cf. BASÍLIO, São. Contra Eunômio, Livro 3, n. 1; Cf. ORÍGENES. Comentários ao Evangelho de São Mateus, 5; Cf. JERÔNIMO, São. Commentaire sur Saint Matthieu, Tomo 2, Livro 3, Cap. 18; Cf. Catéchisme du Concile de Trente, Parte 4, Cap. 39, n. 1; Cf. VALBUENA, Jesús. Introdução à questão 113. In: Suma Teológica, BAC, Madrid, 1950, p. 932; Cf. JOÃO XXIII. Discurso do 2 de outubro de 1960; Cf. JOÃO XXIII. Discurso na Basílica de Santa Maria dos Anjos de 9 de setembro de 1962.
[3] Cf. AQUINO, São Tomás de. Suma de Teología, I, q. 106, a. 1, resp.
[4] Cf. Idem., a. 4, resp.
[5] Cf. Idem., a. 1, resp.
[6] Cf. Idem., q. 107, a. 2, resp.
[7] BARRENECHEA, José Maria. Introdução às questões 103 a 119. In: Suma Teológica, 4ª ed., BAC Maior, Madrid, 2001, p. 878.
[8] Cf. AQUINO, São Tomás de. Suma de Teología, I, q. 107, a. 2, resp.
[9] Cf. Idem., a. 3, resp.
[10] Cf. Idem., q. 106, a. 1, resp.
[11] Cf. Idem., q. 113, a. 8, sed contra e resp.
[12] Cf. AQUINO, São Tomás de. Suma de Teología, I, q. 111, a. 1.
[13] Cf. Idem.
[14] Cf. Idem., a. 3.
[15] Cf. Idem., q. 113, a. 6.


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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Não esqueçam a oração de São Miguel Arcanjo!


Ainda que não seja mais recitada ao final das Missas, como acontecia antigamente, a oração a São Miguel Arcanjo continua sendo um auxílio poderoso “na batalha contra as forças das trevas e contra o espírito deste mundo”

Depois de receber em 1884 uma visão terrível de forças diabólicas prestes a serem soltas na Terra, o Papa Leão XIII escreveu de próprio punho a oração a São Miguel, ordenando que ela fosse recitada logo em seguida a todas as Missas rezadas no rito latino. A oração ao Arcanjo tornou-se parte das chamadas “orações leoninas”, as quais foram deixadas de lado pela reforma litúrgica da década de 1960.
Em 1994, porém, o Papa São João Paulo II fez notar a ausência dessa oração e pediu que ela fosse novamente recitada pelos fiéis. Foi no dia 24 de abril, no Vaticano, depois da tradicional oração do Regina Caeli:
“Que a oração nos fortaleça para aquela batalha espiritual de que fala a Carta aos Efésios: ‘Fortalecei-vos no Senhor e no poder da sua virtude’ ( Ef 6, 10). É a essa mesma batalha que se refere o Livro do Apocalipse, colocando diante de nossos olhos a imagem de São Miguel Arcanjo (cf. Ap 12, 7). Tinha certamente bem presente diante de si essa cena o Papa Leão XIII, quando, no final do século passado, introduziu em toda a Igreja uma oração especial a São Miguel: ‘São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate contra a maldade e as ciladas do demônio…’
Ainda que hoje essa oração não seja mais recitada ao término da celebração eucarística, convido todos a não esquecê-la, mas a recitá-la para obter a ajuda na batalha contra as forças das trevas e contra o espírito deste mundo.”
Curiosamente, uma década apenas depois que essa oração deixou de ser recitada nas paróquias após as Missas, o bem-aventurado Papa Paulo VI reconhecia, com pesar, as vitórias que Satanás e suas forças estavam obtendo sobre a Igreja. Em uma homilia no dia 29 de junho de 1972, ele alertava:
” Por alguma brecha a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus. Subsiste a dúvida, a incerteza, a problemática, a inquietação, o confronto. Não se tem mais confiança na Igreja; põe-se a confiança no primeiro profeta profano que nos vem falar em algum jornal ou em algum movimento social, para recorrermos a ele e lhe pedirmos se tem a fórmula da verdadeira vida. E não advertimos, em vez disso, que já somos os donos e os mestres [dessa fórmula]. Entrou a dúvida nas nossas consciências, e entrou pelas janelas que deviam, em vez disso, serem abertas à luz.
[…]
Na Igreja reina este estado de incerteza. Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia de sol para a história da Igreja. Em vez disso, veio um dia de nuvens, de tempestade, de escuridão, de busca, de incerteza. Pregamos o ecumenismo, e nos distanciamos sempre mais dos outros. Procuramos cavar abismos em vez de aterrá-los. Como aconteceu isso? Confiamo-vos um nosso Pensamento: houve a intervenção de um poder adverso. Seu nome é o Diabo.”
A oração a São Miguel foi composta pelo Papa Leão XIII no dia 13 de outubro de 1884, exatamente 33 anos antes do Milagre do Sol, em Fátima. Seguem a versão latina original da oração e a sua tradução portuguesa:
Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio, contra nequitiam et insidias diaboli esto praesidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps militiae caelestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen.
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós príncipe da milícia celeste, pelo Divino Poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.

(Fonte: Church Militant | Tradução e adaptação: Equipe CNP)

Consagração aos Santos Anjos


Entregue sua vida à proteção dos Santos Anjos de Deus

Santos Anjos de Deus,
na presença de Deus Uno e Trino e no amor do meu Senhor e Redentor Jesus Cristo quero eu, N.N., pobre pecador, concluir hoje uma aliança convosco, que sois servos, a fim de que eu possa, em comunhão convosco, empenhar-me, com humildade e fortaleza, para a glória de Deus e a vinda do Seu Reino.
Por isso, eu vos suplico assistir-me, de modo particular:
– na adoração reverente de Deus e do Santíssimo Sacramento,
– na contemplação da Palavra e da Obra salvífica de Deus,
– no seguimento de Cristo e no amor à Sua Cruz, em espírito de expiação,
– no fiel cumprimento da minha missão na Igreja, servindo humildemente a exemplo de Maria, minha Mãe celestial e vossa Rainha.

E vós, meu bom Anjo da Guarda, que vedes continuamente a face do nosso Pai que está nos céus, a vós Deus me confiou desde o início da minha vida. Agradeço-vos de todo o meu coração por vossos amorosos cuidados. Entrego-me a vós e vos prometo o meu amor e a minha fidelidade.
Peço-vos: protegei-me contra minha fraqueza e contra os ataques dos espíritos malignos; iluminai a minha mente e o meu coração, a fim de que eu sempre reconheça e cumpra a vontade de Deus; e conduzi-me à união com Deus Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

(Autor desconhecido)