Páscoa - Para nos unirmos a Cristo
Páscoa
Para nos unirmos a Cristo
Ao final dessas meditações, peço-lhe que se eleve não apenas acima de
tudo o que eu disse, que não é nada, mas também de tudo o que o
homem pode dizer, e ouça apenas o que Deus lhe diz no coração e se
una a si mesmo com fé. Pois isto é verdadeiramente rezar com Jesus
Cristo e em Jesus Cristo: estar unidos em espírito com a oração do
próprio Cristo. Estando assim unidos a Jesus Cristo, Deus e homem, e
através dele a Deus Pai, nós também nos unimos nele a todos os fiéis e a
toda a humanidade.
*Para realizar esta obra de unidade, não devemos mais ver o mundo*
*exceto em Cristo.* Devemos acreditar que cada raio de fé que está em
nós é uma mera centelha do amor que o Pai eterno tem por seu Filho, e
porque o Filho nosso Salvador está em nós, o amor do Pai se estende a
nós também. Foi para esse fim que Jesus orou.
A Igreja, sempre orando por nosso Senhor Jesus Cristo, está assim
unida à oração do próprio Cristo. Se a Igreja celebra a graça e a glória
dos santos Apóstolos, pastores do rebanho, reconhece que a graça e a
glória deles vêm da oração de Cristo por eles. Os santos reunidos na
glória não foram menos incluídos na visão e na intenção de Cristo,
embora ele não o tenha dito expressamente. Quem pode duvidar que
ele viu todos aqueles que seu Pai lhe daria nos séculos vindouros e
pelos quais iria morrer com particular e grande afeição?
*Entremos pois com Jesus e em Jesus na edificação de todo o corpo da*
*Igreja, e dando graças com ela por meio de Jesus Cristo por todos os*
*santos na glória, peçamos a salvação de todo o corpo de Cristo, a toda a*
*sociedade dos santos.* Peçamos com confiança que seremos contados
entre os bem-aventurados, não duvidando que este dom nos será dado
se perseverarmos em pedir misericórdia e graça, isto é, pelo mérito do
sangue que foi derramado por nós, cuja sagrada promessa temos na
Eucaristia.
*Depois desta oração, vamos com Jesus ao sacrifício. Subamos com ele*
*os dois montes santos, o monte das Oliveiras e o monte do Calvário, e,*
*com ele, passemos de um ao outro: do monte das Oliveiras, o monte da*
*agonia, ao monte do Calvário, o monte monte da morte; do Monte das*
*Oliveiras, onde a batalha é travada, ao Monte Calvário, onde a vitória é*
*conquistada; do Monte das Oliveiras, o monte da resignação, ao Monte*
*Calvário, o monte do sacrifício; desde aquele em que ele disse: “Não a*
*minha vontade, mas a tua seja feita” (Lucas 22:42),* para aquele em que
ele disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23:46). E,
em suma, da montanha em que nos preparamos para todo sacrifício,
para aquela em que morremos para o mundo com Jesus Cristo, a quem
seja dada toda honra e glória, com o Pai e o Espírito Santo, mundo sem
fim. Amém.
Jacques-Benigne Bossuet
Meditaçoes para a Quaresma
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