Semana 3: Sábado - Por Cristo Nosso Senhor
Semana 3: Sábado
Por Cristo Nosso Senhor
*“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em*
*vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito”* (João 15:7). Quem quiser
orar deve levar a sério estas palavras: *“Sem mim nada podeis fazer”*
(João 15:5). *Nada. Nada mesmo.* Rezamos, imploramos, porque nada
temos e consequentemente nada podemos fazer, ou, para dizer tudo
numa só palavra, porque nada somos. Portanto, devemos orar, sabendo
que somos ouvidos apenas em nome de Jesus, mas também que em seu
nome podemos obter tudo.
*Aqui estão duas verdades sobre a oração. A primeira é que não*
*somos ouvidos por nós mesmos, mas em nome de Jesus Cristo.* A
segunda é que não podemos nem devemos orar por nosso próprio
espı́rito, mas pelo Espı́rito de Jesus Cristo. Não apenas devemos orar da
maneira que Jesus nos ensinou e pedindo apenas o que ele quer que
peçamos, mas ainda mais devemos reconhecer *que é ele mesmo quem*
*forma nossa oração em nós por meio de seu Espı́rito. Sem ele não*
*podemos rezar, como explica São Paulo: «O Espı́rito ajuda-nos na nossa*
*fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o próprio*
*Espı́rito intercede por nós com suspiros inexprimı́veis” (Rm 8:26).*
Mesmo quando mantemos diante de nós esta primeira verdade
“sem mim nada podeis fazer” – devemos também atender a esta outra:
“Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). *Não posso fazer nada*
*sem Jesus Cristo e posso fazer tudo com Jesus Cristo e em seu nome.* E
por isso que sempre ouvimos as orações da Igreja terminarem com
estas palavras tão humildes quanto consoladoras: “por Cristo, nosso
Senhor”. *Confessando nossa impotência, essas palavras nos humilham;*
*revelando a fonte de nossa força, eles consolam.* São a conclusão
necessária também quando rezamos pela intercessão de Nossa Senhora
e dos santos, que não têm mérito, nem dignidade, nem glória senão por
Jesus Cristo e seu nome.
Devemos ter cuidado para não imaginar que basta apenas repetir as
palavras “por Cristo, nosso Senhor”. Devemos dizê-las do fundo do
coração, permanecendo em Cristo e Cristo permanecendo em nós. *Quer*
*dizer, apegando-nos a ele de todo o coração, com uma fé viva e firme, e*
*permanecendo em nós, pela sua palavra impressa no nosso coração, e*
*pelo seu Espı́rito impulsionando e animando a nossa oração.* Pois ele
não habita em nós sem agir, como disse São Paulo: *“Ele não é fraco em*
*lidar com você, mas é poderoso em você” (2 Cor. 13:3).*
Então, é assim que rezamos verdadeiramente em nome de Cristo:
quando permanecemos nele e ele em nós, deixando-nos conduzir a ele,
silenciando, escutando o que ele diz em nós, para que possamos
pratique verdadeira e intimamente o que ele diz: “Se você permanecer
em mim, e a minha palavra” — não apenas a palavra dita externamente,
mas aquela que ouço no fundo do meu coração — “permanecer em
você”. Então obteremos o que desejamos.
Ora, esta palavra que há de permanecer em nós deve ser
principalmente a palavra da Cruz, que é a que este discurso tem em
vista. Pois Jesus ia para a Cruz, e para lá levava consigo os seus
discípulos, como revela o que se segue no Evangelho. Devemos
entender que permanecer em Cristo é permanecer na palavra de sua
Cruz, e que a palavra de sua Cruz permaneça em nós, e que rezar em
nome de Jesus Cristo é fazer súplica por meio de seu sangue e de seus
sofrimentos, amando-os e participando deles.
Jacques-Benigne Bossuet
Meditações para a Quaresma
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