Semana 5: Segunda-feira - Não julgue

 *Semana 5: Segunda-feira*
*Não julgue*

 “Não julgueis” (Mateus 7:1). *Há um Juiz acima de você, que julgará seus*
 *julgamentos, que exigirá de você uma prestação de contas, que o punirá*
 *por julgar sem autoridade e sem entendimento.*
 Sem autoridade. *“Quem é você para julgar o servo de outro?* E diante
 de seu próprio senhor que ele fica em pé ou cai” (Rm 14:4). Cabe ao
 mestre julgar. Não julgue aqueles cujo juiz você não é. São Paulo
 continua: “Por que você julga seu irmão? Ou você, por que você
 despreza seu irmão?” (Romanos 14:10). *Ele é seu irmão, seu igual: não*
 *cabe a você julgá-lo.* Vocês dois estão sujeitos ao julgamento do grande
 juiz diante de quem todos os homens devem comparecer: *“Todos nós*
 *compareceremos perante o tribunal de Deus” e “cada um de nós dará*
 *conta de si mesmo a Deus” (Romanos 14:10, 12).* Não pense nada sobre
 o que os outros fazem; pense, em vez disso, na conta que deve prestar
 de si mesmo.
 St. James não é menos contundente. “Há um só legislador e juiz . . .
 que pode salvar e destruir”. Por isso ele então pergunta: “Quem é você
 que julga o seu próximo?” (Tiago 4:12). Ele derivou esta verdade deste
 belo princípio: “Aquele que fala mal de um irmão ou julga a seu irmão,
 fala mal da lei e julga a lei” (Tiago 4:11). Pois a lei te proíbe de fazer
 esse julgamento. “Mas, se julgas a lei”, continua o apóstolo, “não és
 observador da lei, mas juiz”. Você se eleva acima de sua medida, e a lei
 logo cairá sobre você com todo o seu peso, e você será esmagado por
 ela. Veja com quanta força a luz da verdade se posiciona contra seus
 julgamentos presunçosos nesses dois versículos.
 Você vê que lhe falta autoridade adequada para julgar; agora veja que
 você também julga sem entender. Você não conhece aquele a quem você
 julga. Você não vê o interior. Você não conhece suas intenções, o que
 talvez possa justificá-lo. E se o seu crime é manifesto, não sabeis se um
 dia se arrependerá , ou se já se arrependeu, ou se é um daqueles cujas
 conversões causarão grande regozijo no Céu. Portanto, não julgue.
 A caridade não desconfia e não pensa mal dos outros. A caridade é
 branda, *“paciente e bondosa”, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo*
 *suporta”. Ela não “se alegra com o mal”, mas se alegra quando todos*
 *buscam o bem na verdade (1 Corı́ntios 13:4-7).* A caridade, portanto,
 não tem prazer em julgar.
 Muito mais do que julga os outros, a caridade julga e condena a si
 mesma. “Você não tem desculpa, ó homem, seja você quem for, quando
 julga o outro; pois, ao julgá-lo, você se condena a si mesmo, porque
 você, o juiz, está fazendo as mesmas coisas” (Romanos 2:1). Você se
 julga por sua própria boca e pronuncia sua própria sentença. “Pois com
o julgamento que você pronunciar, você será julgado, e a medida que
 você der será a medida que você recebe” (Mateus 7:2).
 Se no final de nossa vida ouvirmos: *“Você não será julgado” (cf. Mt*
 *7:1), não devemos julgar.*

Jacques-Benigne Bossuet 
Meditaço‌es para a Quaresma


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