sexta-feira, 13 de abril de 2012

"MIRRA E ALOÉS PERFUMAM TUAS VESTES"





Meu coração transborda num belo poema, eu dedico a minha obra a um rei, minha língua é a pena de escriba habilidoso. És o mais belo dos filhos dos homens, a graça escorre dos teus lábios, porque Deus te abençoa para sempre. Cinge a tua espada sobre a coxa, ó valente, com majestade e esplendor, vai cavalga pela causa da verdade, da mansidão e da justiça.
Tendes a corda do arco, tornando terrível a tua direita! Tuas flechas sã agudas, os povos submetem-se a ti, os inimigos do rei perdem a coragem. Teu trono é de Deus, para sempre e eternamente! O cetro do teu reino é cetro de retidão! Amas a justiça e odeias a impiedade.
Eis porque Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, como a nenhum dos teus companheiros; mirra e alóes perfumam tuas vestes. Nos palácios de marfim, o som das cordas te alegra. Entre as tuas amadas estão as filhas dos reis; à tua direita uma dama, ornada com ouro de Ofir.
Ouve, ó filha, vê e inclina teu ouvido: esquece o teu povo e a casa do teu pai, que o rei se apaixone por tua beleza: prostra-te à sua frente, pois ele é o teu Senhor! A filha de Tiro alegrará teu rosto com seus presentes, e os povos mais ricos com muitas jóias cravejadas de ouro.
Vestida com brocados, a filha do rei é levada para dentro, até o rei,  com séquito de virgens.
Introduzem as companheiras a ela destinadas, e com júbilo e alegria elas entram no palácio do rei.
Em lugar de teus pais virão teus filhos, e os farás príncipes sobre a terra todas.
Comemorarei teu nome de geração, e os povos te louvarão para sempre e eternamente.


SALMO 45, 1-18 Bíblia de Jerusalém

terça-feira, 10 de abril de 2012

Como se devem evitar as conversas supérfluas


1. Evita, quanto puderes, o bulício dos homens, porque muito nos perturbam os negócios mundanos ainda quando tratados com reta intenção; pois bem depressa somos manchados e cativos da vaidade. Quisera eu ter calado muitas vezes e não ter conversado com os homens. Por que razão, porém, nos atraem falas e conversas, se raras vezes voltamos ao silêncio sem dano da consciência? Gostamos tanto de falar, porque pretendemos, com essas conversações, ser consolados uns pelos outros e desejamos aliviar o coração fatigado por preocupações diversas. E ordinariamente sentimos prazer em falar e pensar, ora nas coisas que muito amamos e desejamos, ora nas que nos contrariam.
2. Mas ai! Muitas vezes é em vão e sem proveito, pois essa consolação exterior é muito prejudicial à consolação interior e divina. Cumpre, portanto, vigiar e orar, para que não passe o tempo ociosamente. Se for lícito e oportuno falar, seja de coisas edificantes. O mau costume e o descuido do nosso progresso espiritual concorrem muito para o desenfreamento de nossa língua. Ajudam muito, porém, ao aproveitamento espiritual os devotos colóquios sobre coisas espirituais, mormente quando se associam em Deus pessoas que pensam e sentem do mesmo modo
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A Imitação de Cristo - Tomás de Kempis
Capítulo 10