Vai e grita aos ouvidos de Jerusalém: Assim disse Iahweh: Eu me lembro, em seu favor, do amor de tua juventude, do carinho do teu tempo de noivado, quando me seguias pelo deserto em uma terra não cultivada.
Israel era santo para Iahweh, as primícias de sua colheita; todos aqueles o devoraram tornavam-se culpados, a desgraça caía sobre eles. - oráculo de Iahweh.
Ouvi a palavra de iahweh, casa de Jacó e todas as tribos da casa de Israel. Assim disse Iahweh:
O que encontraram os vossos pais em mim injusto, para que se afastassem de mim e corressem atrás do vazio,
tornando-se eles mesmos vazios? Eles não perguntaram: Onde está Iahweh, que nos fez sair da terra do Egito e nos conduziu pelo deserto, por uma terra de estepes e barrancos, uma terra seca e escura, uma terra que ninguém atravessa, e na qual o homem não habita? Eu vos introduzi em uma terra de vergéis, para que saboreásseis os seus frutos e os seus bens; mas vós entrastes e profanastes a minha terra, e tornastes a minha herança abominável. Os sacerdotes não perguntaram: "Onde está Iahweh?"
Os depositários da Lei não me conheceram, os pastores rebelaram-se contra mim,os profetas profetizaram por Baal e, assim, correram atrás do que não vale nada.
Por isso, novamente, entrarei em processo contra vós - oráculo de Iahweh -, contra os filhos de vossos filhos entrarei em processo. Passai, pois, ás ilhas de Cetim e vede, mandai inquirir em Cedar e considerai atentamente e vede se aconteceu coisa semelhante! Acaso um povo troca de deuses? - e esses não são deuses! Mas meu povo trocou a sua Glória pelo que não vale nada. Espantai-vos disso, ó céus, horrorizai-vos e abalai-vos profundamente - oráculo de Iahweh. Porque meu povo cometeu dois crimes:
Eles me abandonaram, a mim, fonte de água viva para cavar para si cisternas, cisternas furadas, que não podem conter água. Por acaso é Israel escravo, ou servo nascido em casa para que se torne uma presa?
LIVRO DE JEREMIAS 2, 1-14 Bíblia de Jerusalém
sábado, 5 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
"A NECESSIDADE DO PERDÃO"
A palavra perdoar deriva do latim per + donare. «Per» significa intensidade, aumento, totalidade ou a fundo. «Donare» é o mesmo que doar. Portanto, perdoar poderia ser traduzido não só como absolver, desculpar, mas também como «doar intensa e totalmente» a dívida. Ora, doar significa dar sem querer ou esperar algo em troca, ou seja, dar gratuitamente. Assim, perdoar pode também ser compreendido como «dar totalmente» a dívida a alguém. Não em parte, não pela metade, mas «a fundo», totalmente. Isso significa dizer que não existe meio perdão nem perdão que guarda mágoas. Porque se perdoo, ou seja, se dou totalmente a dívida, não me resta nada, não me sobra nada para que possa exigir depois ou usar como justificativa para acusar a outra parte. Quando perdoamos alguém, rasgamos totalmente a dívida que aquela pessoa tinha connosco. Não sobra nada. Não há espaço para afirmações como «Eu já te perdoei, mas não quero mais falar contigo!», ou «Eu já te pedi perdão, mas ainda acho que tu estavas errado!».
O desafio do perdão
Mais do que um acto momentâneo e humano, o perdão é um modo de ser só ao alcance de Deus, tal como se deu a conhecer em Jesus Cristo: perdão total, definitivo e incondicional, para quem o queira acolher. Nós, cristãos, somos chamados a aprender de Deus este modo de ser e a praticá-lo, tanto quanto nos seja possível, dando testemunho da nossa condição de filhos de Deus, reconciliados pelo dom divino do perdão, concedido a toda a Humanidade em Jesus Cristo. É um serviço que prestamos ao mundo, em vistas da unidade e da reconciliação de todos os seres humanos entre si e com Deus.
O perdão não é, de modo algum, uma dádiva nossa aos outros. A dádiva é de Deus. Nós somos, apenas, testemunhas dela. E o nosso testemunho acontece pela acção e pela palavra: agir como gente perdoada, que perdoa e aprende cada dia a perdoar; e falar, anunciando Aquele que nos perdoa e nos ensina a perdoar.
Razões para o perdão
Quando perdoamos, deixamos de estar emocionalmente aprisionados à pessoa que nos fez mal. Ao princípio, experimentamos sentimentos negativos, como a raiva, a tristeza e a vergonha. Depois, tentamos compreender o que se passou ou ter em conta as circunstâncias atenuantes. Ao perdoar, recuperamos o nosso poder de escolha e a nossa liberdade. Não importa se o outro merece perdão; importa que nós merecemos ser livres. Outra razão por que poderemos recusar o perdão é o medo de manifestar fraqueza ou capitularmos. Mas perdoar não é libertar a outra pessoa é, isso sim, tirarmos o punhal que nos espetaram nas nossas próprias costas. Em muitos casos, a outra pessoa nem sequer está ciente do nosso descontentamento, enquanto nós nos dilaceramos com a amargura, a pessoa que nos magoou não sente nada. O passado fere-nos de cada vez que o revivemos e isso prejudica-nos.
História de perdão
O João regressou da escola enfurecido. O seu pai, que estava de saída para o quintal, chamou-o e perguntou-lhe o que se tinha passado. O João disse-lhe que estava cheio de raiva por causa de um comportamento menos correcto da parte de um colega que gozou com ele em frente de toda a turma e que por isso deseja-lhe todo o mal do mundo.
– O Luís humilhou-me na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escuta tudo calado, enquanto caminha até um compartimento onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco para o fundo do quintal e o João acompanhou-o.
– Filho, faz de conta que aquela camisa branca que a tua mãe pôs a secar é o teu amigo Luís e que cada pedaço de carvão é um mau pensamento teu, endereçado a ele. Quero que tu atires todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois voltarei para ver como ficou.
O João achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra.
O pai, que observava tudo, discretamente, aproximou-se e pergunta-lhe:
– Filho, como te sentes?
– Estou cansado mas alegre, porque, apesar de a camisa estar longe, consegui acertar-lhe com vários pedaços de carvão.
– Filho, vem comigo ao meu quarto, quero mostrar-te uma coisa.
E o pai colocou o filho em frente de um grande espelho. Que susto! Só conseguia ver os dentes e os olhos.
– Filho, viste que a camisa quase não se sujou; mas, olha para ti! Desejamos o mal aos outros, mas a porcaria, a sujidade e os resíduos ficam sempre em nós mesmos. Devemos perdoar sempre e não nos sujar.
Professor Abel Dias
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