terça-feira, 10 de julho de 2012

"OS BONS EFEITOS DA ORAÇÃO"


Notemos que a oração produz três espécies de bens.Primeiramente, constitui um remédio eficaz contra todos os males. Livra-nos dos pecados cometidos: «Remistes, Senhor, a iniqüidade de meu pecado, diz o Salmista (Sl 31,5-6) por isso todo homem santo dirigirá a Vós sua prece». Assim pediu o ladrão sobre a cruz e obteve seu perdão, pois Jesus lhe respondeu: «Em verdade vos digo, hoje mesmo estareis comigo no paraíso». (Lc 23,43), Do mesmo modo rezou o publicano e voltou para casa justificado (cf. Lc 18,14).A oração nos liberta do medo dos pecados que virão, das tribulações e da tristeza. Alguém está triste entre vós? Reze com a alma tranqüila (Tg 5,3).A oração nos livra das perseguições dos inimigos. Está escrito no Salmo 108, 4: Em resposta ao meu afeto me fizeram mal; eu, porém, orava.9. — Em segundo lugar, a oração é um meio útil e eficaz para a realização de todos os nossos desejos. Tudo o que pedirdes na oração, diz Jesus, crede, recebereis. (Mc 11,24)Se não somos atendidos, será porque — ou não pedimos com insistência: é preciso rezar sem descanso (Lc 18, 1) — ou então não pedimos o que é mais útil à nossa salvação. «O Senhor é bom, diz Santo Agostinho, muitas vezes não nos concede o que queremos, para nos dar os bens, que desejaríamos receber, se nossa vontade estivesse bem de acordo com a sua divina vontade». São Paulo é exemplo disso, pois, por três vezes, pediu para ficar livre de um forte sofrimento em sua carne e não foi atendido (cf. II Cor 12,8).10. — Em terceiro lugar a oração é útil, porque nos torna familiares de Deus. Que minha oração suba até vós, como a fumaça do incenso, diz o Salmista (Sl 140, 2).


SERMÕES DE S. TOMÁS DE AQUINO

sábado, 7 de julho de 2012

"O DESEJO DE DEUS"


O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para
Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a
felicidade que não cessa de procurar:
O aspecto mais sublime da dignidade humana está nesta vocação do homem à comunhão com Deus.
Este convite que Deus dirige ao homem, de dialogar com ele, começa com a existência humana. Pois se o
homem existe, é porque Deus o criou por amor e, por amor, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive
plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu Criador.
28 Em sua história, e até os dias de hoje, os homens têm expressado de múltiplas maneiras sua
busca de Deus por meio de suas crenças e de seus comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos,
meditações etc.). Apesar das ambigüidades que podem comportar, estas formas de expressão são tão
universais que o homem pode ser chamado de um ser religioso:
De um só (homem), Deus fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, fixando
os tempos anteriormente determinados e os limites de seu hábitat. Tudo isto para que procurassem a
divindade e, mesmo se às apalpadelas, se esforçassem por encontrá-la, embora Ele não esteja longe de
cada um de nós. Pois nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,23-28).
29 Mas esta "união íntima e vital com Deus" pode ser esquecida, ignorada e até rejeitada
explicitamente pelo homem. Tais atitudes podem ter origens muito diversas: a revolta contra o mal no mundo,
a ignorância ou a indiferença religiosas, as preocupações com as coisas do mundo e com as riquezas, o mau
exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à religião, e finalmente essa atitude do homem
pecador que, por medo, se esconde diante de Deus e foge diante de seu chamado.
30 "Alegre-se o coração dos que buscam o Senhor!" (Sl 105,3). Se o homem pode esquecer ou
rejeitar a Deus, este, de sua parte, não cessa de chamar todo homem a procurá-lo, para que viva e encontre
a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço de sua inteligência, a retidão de sua vontade,
"um coração reto", e também o testemunho dos outros, que o ensinam a procurar a Deus.
Vós sois grande, Senhor, e altamente digno de louvor: grande é o vosso poder, e a vossa sabedoria
não tem medida. E o homem, pequena parcela de vossa criação, pretende louvar-vos, precisamente o homem
que, revestido de sua condição mortal, traz em si o testemunho de seu pecado e de que resistis aos soberbos.
A despeito de tudo, o homem, pequena parcela de vossa criação, quer louvar-vos. Vós mesmo o incitais a
isto, fazendo com que ele encontre suas delícias no vosso louvor, porque nos fizestes para vós e o nosso
coração não descansa enquanto não repousar em vós.


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA COMPLETO

PRIMEIRA PARTE - A PROFISSÃO DE FÉ

PRIMEIRA SEÇÃO

"EU CREIO" - "NÓS CREMOS"


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Do conhecimento profundo da Santa Missa





1. É necessário conhecer profundamente a Santa Missa?
Um ato de religião praticado com tanta freqüência, tão precioso em suas graças, e tão consolador em
seus frutos, é desejoso que se conheça o mais possível, na medida de nossas capacidades.
2. Como podemos conhecer mais profundamente a Santa Missa?
Podemos conhecê-la mais profundamente estudando seus mistérios, seus dogmas, a moral que ela
encerra, e até os menores detalhes de suas cerimônias e orações.
3. Para que devemos conhecer tudo isto?
Para que a Santa Missa, que é o centro do culto católico, desperte os mais vivos sentimentos de
religião e de piedade.
4. Que mais devemos conhecer da Santa Missa?
Devemos conhecer suas palavras sagradas; cada ação e cada movimento do sacerdote; cada
palavra que ele pronuncia para nos lembrar que um Deus se imola por nós, e que nós também
devemos nos imolar com Ele e por Ele.
5. Que mais é salutar conhecer?
Devemos saber as grandes vantagens espirituais que um conhecimento mais íntimo da Santa Missa
proporciona aos fiéis, com a explicação literal de suas orações e cerimônias.
6. Deus exige de todos os fiéis um conhecimento profundo e detalhado da Santa Missa?
Não. Deus supre com a fé o conhecimento que não foi possível adquirir e jamais irá desprezar o
sacrifício de um coração arrependido e humilhado (Sal. 50, 19).
7. Por acaso a Igreja ocultaria aos fiéis algum mistério da Santa Missa?
Não. Na Igreja nada há de oculto e Ela jamais pretendeu ocultar qualquer mistério aos fiéis, seja da
Santa Missa ou de qualquer outra cerimônia litúrgica.
8. Com que estado de espírito devemos assistir a Santa Missa?
Devemos deixar fora da igreja a indiferença e o tédio, a dissipação e o escândalo e sermos, na igreja,
adoradores em espírito e verdade.

Associação Cultural Montfort - http://www.montfort.org.br/

segunda-feira, 2 de julho de 2012

"O VAZIO DO CORAÇÃO SEM DEUS"



Lágrimas ao amanhecer. Quando o Domingo de Páscoa começava a clarear, um grande silêncio envolvia o descampado onde se encontrava o túmulo de Jesus. Só duas coisas poderiam chamar ali aatenção de um passante solitário: uma grande pedra circular - que servira para fechar verticalmente a entrada do sepulcro - fora rolada e estava posta a um lado; e perto da entrada escancarada, uma mulher, em pé, soluçava baixinho, com um leve estremecer de ombros, de modo que os primeiros raios de sol faziam cintilar as lágrimas que lhe escorriam pelas faces. Era Maria Madalena. Entretanto – lemos no Evangelho de São João –, Maria conservava-se do lado defora, perto do sepulcro, e chorava (Jo 20,11). Era a segunda vez, naquele amanhecer de domingo, que Maria ia até ao sepulcro de Jesus, incansável no seu empenho por prestar uma última homenagem a nosso Senhor, depois da sua paixão e morte. Ajudada por outras santas mulheres, queria ungir-lhe o corpo – que na sexta-feira santa só tinham podido ungir às pressas e de modo incompleto – com os aromas que haviam preparado. Foi assim que Maria Madalena chegou ao túmulo juntamente com Maria, mãe deTiago e Salomé, suas amigas. Estas últimas – conta São Marcos – fugiram, trêmulas e amedrontadas (Mc 16,8), ao verem que o sepulcro estava vazio. Maria, porém, foi correndo à procura de Pedro e João, para lhes dizer, quase sem fôlego: Tiraram o Senhordo sepulcro, e não sabemos onde o puseram (Jo 20,2). Há espanto geral. Recuperados do primeiro susto, os dois Apóstolos saem em disparada e ela vai atrás. Quando chegam ao túmulo, entram, e ficam perplexos ao ver que, além de estar vazio, os panos com que tinham amortalhado o cadáver de Jesus permaneciam intactos, com o mesmo formato que tinham quando envolviam o corpo de Cristo, só que agora aplanados, como se o corpo do Senhor os tivesse atravessado, esvaziando-os sem nem mesmo tocá-los; e o sudário que lhe cobrira a cabeça estava cuidadosamente enrolado, também intacto, a um lado. Pedro e João, emocionados e perplexos, sentiram as pernas tremer e o coração rebentar, e voltaram correndo ao Cenáculo para avisar os outros. Maria, porém, não arredou pé de lá. Não queria ir-seembora. Queria encontrar Jesus, queria honrá-lo com carinho, mesmo que fosse apenas um pobre cadáver dilacerado. Por isso estacou ali, imóvel, chorando .As suas lágrimas silenciosas eram a expressão do seu amor. São Gregório Magno, o grande Papa do século sexto, tem um comentário muito bonito a este respeito: "E nós temos que pensar – diz ele – na força tão grande do amor que inflamava a alma daquela mulher, que não se afastava do sepulcro do Senhor, mesmo quando os apóstolos dele já voltavam. Buscava a quem não encontrava; chorava procurando-o e, consumindo-se no fogo do seu amor, ardia no desejo de encontrar aquele que imaginava roubado. E assim aconteceu que só ela o viu, a única que ficou procurando... Começou a buscar, e não oencontrou; perseverou no seu querer, e achou-o; de tal forma cresceram os seus desejos, e tanto se dilataram, que acabaram alcançando o que buscavam". Quando meditamos em tudo o que nos conta dessa mulher o santo Evangelho, percebemos que a vida de Maria Madalena poderia ser definida assim: o Amor com maiúscula, ou seja, o Amor de Deus, procurou-a e salvou-a; ela correspondeu a esse Amor e não se cansou, por sua vez, de procurá-lo, de modo que toda a sua vida foi uma buscaardente e um aprofundamento nesse divino Amor, como o foi a vida de muitos grandes santos... Mas tem havido tantas confusões, tantas mentiras e interpretações esquisitas sobreo amor de Maria Madalena, que vale a pena lembrar a sua verdadeira história.




 São Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 313
 Amigos de Deus, n. 205

domingo, 1 de julho de 2012

"Bravura e Fidelidade de São Miguel Arcanjo"



São Miguel Arcanjo, cujo nome significa “Quem como Deus?”, segundo a SagradaEscritura e a tradição da Igreja, é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo,portanto um dos grandes príncipes do céu e ministro de Deus, a quem o Criador conferiu poderesextraordinários para a salvação dos eleitos, como afirma o Catecismo da Igreja Católica 1993, p.102: “(...) Ad omnia bona nostra cooperantur angeli – Os Anjos cooperam para todos os nossosbens”. O profeta Daniel chama-o: “um dos dois ilustres príncipes” (Dn 10,13), o príncipe protetordos judeus daquela nação entre todas a escolhida, de todas a mais querida, onde depositária dasgrandes profecias e revelações. Herdeira que é do povo de Israel, a Igreja venera São MiguelArcanjo, também como protetor, e deseja que os fiéis acompanhem nessa veneração e depositemao grande espírito angélico toda a confiança. Inimigo do orgulho e da mentira. São MiguelArcanjo defendeu vitoriosamente os direitos de Deus contra as arrogâncias de Lúcifer e de seuscompanheiros, precipitando-os no abismo, como afirma a Sagrada Escritura: “com efeito, se Deusnão poupou os anjos que pecaram, mas lançou-os nos abismos tenebrosos do Tártaro, onde estãoguardando a espera do juízo (...)” (2 Pd 2, 4). Quem é igual a Deus? É o lema de São MiguelArcanjo e dos anjos bons na luta contra os anjos rebeldes. Estes foram derrotados e seu lugar nãoera mais no céu. Em muitos outros lugares, a Bíblia faz menção do Anjo do Senhor, que segundaexplicação dos exegetas, não é outro senão São Miguel Arcanjo, como em Daniel 10, 13-21;12,1;Ap 12, 7.É opinião de muitos que São Miguel Arcanjo é reservado o papel saliente do últimocombate, pois o protetor das almas justas e defensor dos corpos destinados à eterna glória. Motivaessa suposição um fato, cuja descrição se encontra na Epístola de São Judas. “E no entanto, oarcanjo Miguel, quando disputava com o Diabo, discutindo a respeito do corpo de Moisés, não seatreveu a pronunciar uma sentença contra ele mas, limitou-se a dizer: O Senhor te repreenda!” (Jd1, 8-9) A fé católica concluiu daí que São Miguel Arcanjo despensa uma proteção especial aosmoribundos e isto muito de acordo com os dizeres do Ofício da festa do Arcanjo.Nas orações da Santa Missa a Igreja deposita, por assim dizer, as almas dos justos nasmãos do Arcanjo, para que as leve ao reino da luz perpétua. É quem as acompanha até o céu,tomando-lhes a guarda do túmulo. O padre apostólico Hermas afirma que São Miguel arcanjo:“visitas os agonizantes que em vida foram fiéis observadores da lei do Senhor, e determina-lhes olugar no céu” (HERMAS, apud BERARDINO, 2002, p.101). Segundo a piedosa tradição foi SãoMiguel Arcanjo que levou a alma de Maria Santíssima ao céu, e era ainda quem no AntigoTestamento conduzia ao Limbo as almas dos justos.Pedro Lombardo enumera quatro atribuições de que São Miguel Arcanjo é possuidor:“primeiro combateu o dragão infernal; segundo este combate continua, na defesa das almascontra as influências diabólicas; terceiro, São Miguel Arcanjo é o protetor da família de Deussobre a terra; quarto, é o príncipe das almas no paraíso” (LOMBARDO, apud BERARDINO,2002, p.60).Assim se explica a grande veneração de que São Miguel Arcanjo goza na Igreja Católica.Na ladainha de todos os Santos figura o seu nome em primeiro lugar os santos, Anjos eArcanjos. Muitos altares, e muitas capelas e igrejas são dedicadas, entre estas algumas tem sidotestemunhas de grandes prodígios e aparições do Príncipe Celestial....Em Roma existe o castelo de Santo Ângelo, com a igreja de São Miguel Arcanjo, quedeve a construção à aparição do Arcanjo ao Papa Gregório Magno, por ocasião de uma grandepeste. O Papa viu São Miguel Arcanjo embainhar a espada, em sinal de extinção da horrívelepidemia. os napolitanos festejavam já em 493 o dia de São Miguel Arcanjo, na qual teriaaparecido no Monte Gárgano. No tempo dos Apóstolos existia um Santuário de São MiguelArcanjo na Frígia. Uma fonte milagrosa dava saúde aos peregrinos enfermos. Desde o século X adiocese de Acrenche, na Normandia, comemora solenemente uma aparição de São MiguelArcanjo em Monte Tumba ou Mont St. Michel.O Papa Leão XIII ordenou a recitação de uma oração a São Miguel Arcanjo depois dasMissas rezadas. A Igreja Católica romana celebra a festa de São Miguel Arcanjo, no dia 29 desetembro, que antigamente levava o nome da dedicação da Igreja, isto é, da Igreja celeste eterrestre.Reflexão:Bravura e fidelidade são as brilhantes qualidades que distinguem o glorioso PríncipeCeleste São Miguel Arcanjo bravura na defesa dos direitos de Deus contra os ataques curiosos deseus inimigos, fidelidade no serviço permanente e dedicado ao seu divino Criador e Senhor.Bravura e fidelidade devem igualmente distinguir ao católico de nossos tempos. Onde o mundomoderno se encontra materialista e sem valor do sagrado.




Postulante Marcos Vinícius Faria de Moraes
Referências bibliográficas:
_________ Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Editora Loyola, 1993.
AMDERSON, Ana Flora et al. Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Editoras Paulinas, 1981.
BERARDINO, Ângelo Di (org). Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs. Petrópolis:
Editoras Vozes, 2002.
BARTMANN, Bernardo. Teologia Dogmática. São Paulo: Editoras Paulinas, 1962.
LEHMANN, Pe João Batista. Na luz perpetua. 5°edição. Juiz de Fora: Editora Lar Católico,