terça-feira, 23 de outubro de 2012

"NENHUMA PROFECIA DA BÍBLIA RESULTA DE INTERPRETAÇÃO PARTICULAR"



O testemunho dos apóstolos e dos profetas

12 Eis por que sempre vos recordarei essas coisas, embora as conheçais e estejais firmes na
verdade que já vos foi apresentada. 13 Sim, creio ser meu dever, enquanto habitar nesta tenda,
despertar vossa memória. 14 Estou certo de que em breve será desarmada esta minha tenda,
conforme nosso Senhor Jesus Cristo me tem manifestado. 15 Por isso, eu me empenharei para
que, depois da minha partida, vos recordeis destas coisas. 16 Pois não foi seguindo fábulas
habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus
Cristo, mas sim, por termos sido testemunhas oculares da sua grandeza. 17 Efetivamente, ele
recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando do seio da esplêndida glória se fez ouvir
aquela voz que dizia: “Este é o meu Filho bem-amado, no qual está o meu agrado”. 18 Esta
voz, nós a ouvimos, vinda do céu, quando estávamos com ele na montanha santa. 19 E assim
se tornou ainda mais firme para nós a palavra da profecia, que fazeis bem em ter diante dos
olhos, como uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até clarear o dia e levantar-se a estrela
da manhã em vossos corações. 20 Pois deveis saber, antes de tudo, que nenhuma profecia da
Escritura é objeto de explicação pessoal, 21 visto que jamais uma profecia foi proferida por
vontade humana. Ao contrário, foi sob o impulso do Espírito Santo que pessoas humanas
falaram da parte de Deus.

BÍBLIA DA CNBB - Segunda Epístola de São Pedro 2 Pedro 1, 20

"AS QUATRO MULHERES DE JESUS"




Introdução:
Mulheres que fazem história.

Transição:
A história que Deus está escrevendo é feita através da história de pessoas que não possuem muitas qualificações. A história de Deus é uma loucura para o mundo e é sobre a história de quatro mulheres na vida de Jesus que queremos contar.

I.         Uma História de Justiça - Tamar (Gn 38)
A. Esta história não tem nenhuma relação com o contexto. No Cap. 37 José tem um sonho e no Cap. 39 José foi vendido ao Egito por causa dos seus sonhos.
B. O texto fala da prática do Levirato, cf Dt 25.5-10. Se um homem morre sem o seu herdeiro, o próximo irmão deve casar-se com a viuva para um herdeiro ao irmão morto. Seu marido Er que era perverso veio a morrer. Onã não queria deixar um filho para Er, também morreu. Judá prometeu então o seu filho que ainda era novo: "Então, disse Judá a Tamar, sua nora: Permanece viúva em casa de teu pai, até que Selá, meu filho, venha a ser homem. Pois disse: Para que não morra também este, como seus irmãos. Assim, Tamar se foi, passando a residir em casa de seu pai" (11).
C. Neste período morreu a esposa de Judá.
D. Judá toma Tamar como uma prostituta cultual (sagrada) e, depois, informado de que ela está grávida, disse: "Tirai-a fora para que seja queimada". Foi neste momento que ela apresentou os pertences de Judá dizendo que o dono dos mesmos era o pai de seu filho.
E. "Mais justa é ela do que eu". E ela concebeu gêmeos: Perez e Zera.
F. Esta história é uma crítica da moralidade. Aquele que tem tudo e boa reputação na comunidade pode todas as coisas. Tamar, que não pode ser louvada pela sua atitude, não encontra nenhum meio legal de fazer valer os seus direitos. Ela comete o pecado que "as pessoas de bem" condenam, mesmo que elas tenham cometido o mesmo pecado que agora condenam (W. Brueggemann).
G. Tamar mostra que a velha justiça que sanciona a opressão em nome da propriedade não serve para nada. Ela é a sombra Daquele que virá trazendo um nova justiça.
H. De Tamar nascem Acã, aquele que destroi a comunidade e Jesus Cristo, o construtor de uma nova comunidade. A comunidade onde a justiça é marca registrada.
I. "Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos" (AP 5:5).

II.        Uma História de Fé - Raabe (Js 2, 6; Sl 87.4, 89.10; Hb 11.31; Tg 2.25)
A. 2.1: "De Sitim enviou Josué, filho de Num, dois homens, secretamente, como espias, dizendo: Andai e observai a terra e Jericó. Foram, pois, e entraram na casa de uma mulher prostituta, cujo nome era Raabe, e pousaram ali".
B. Sabedora de que Israel haveria de invadir Jericó, o texto afirma: "Ouvindo isto, desmaiou-nos o coração, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o SENHOR, vosso Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra".
C. SALMOS 87: [1]  Fundada por ele sobre os montes santos, [2]  o SENHOR ama as portas de Sião mais do que as habitações todas de Jacó. [3]  Gloriosas coisas se têm dito de ti, ó cidade de Deus! [4] Dentre os que me conhecem, farei menção de Raabe e da Babilônia; eis aí Filístia e Tiro com Etiópia; lá, nasceram.
D. Hb 11.31: " Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias".
E. Tg 2: [24]  Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente. [25] De igual modo, não foi também justificada por obras a meretriz Raabe, quando acolheu os emissários e os fez partir por outro caminho?"
F. Raabe é uma simples mulher, que perdida em seus delitos e pecados, encontra uma porta aberta. Uma porta que daria a ela um novo futuro e uma nova vida. Agarra-se a esta porta com fé.

III.      Uma História da Previdência - Rute
A. Rute 1:15: "Disse Noemi: Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; também tu, volta após a tua cunhada. [16]  Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. [17]  Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti".
B. Rute é uma estrangeira que agarra-se a Noemi e ao Deus de Noemi porque sabe que é melhor caminhar ao lado daqueles que conhecem a Deus, mesmo que passando por circunstâncias adversas, do que seguir aos deuses do passado.
C. Rute vem a casar-se com Boaz e nasce um filho: "As vizinhas lhe deram nome, dizendo: A Noemi nasceu um filho. E lhe chamaram Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi".
C. Nesta história vemos que Deus está providenciando em todos os emaranhados da vida. Na viuvez, na fome, na incerteza do futuro, vemos a mão de Deus governando o destino daqueles que fazem parte do seu projeto: a vinda do Messias ao mundo.

IV.      Uma História de um Mundo Novo - Maria 
A. Lucas 1:26  "No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, [27]  a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria.
[28]  E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. [29]  Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. [30]  Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. [31]  Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. [32]  Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; [33]  ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. [34]  Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? [35]  Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus".
B. Maria, uma simples jovem, que recebe de Deus a mais extraordinária das notícias e responde a esta invasão da sua vida com estas palavras: "Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela".
C. Ela é a bem-aventurada entre todas as mulheres. Ela é a mãe do nosso Senhor Jesus Cristo.
D. Maria é a serva de Deus que reconhece no Senhor a sua soberania e entrega-se totalmente aos mistérios divinos. Ela sabe que Deus faz todas as coisas certas.

V.        Quatro Mulheres
Tamar - aquela que espera que justiça seja feita.
Raabe - aquela que crê na fidelidade de Deus.
Rute - aquela que crê nas providências de Deus.
Maria - aquela que crê que Deus sabe o que está fazendo.

VI.      Aprendendo com estas mulheres
A. Aprendemos que Deus não olha para as nossas fraquezas ou limitações.
B. Aprendemos que as nossas fraquezas ou limitações não impedem que Deus nos use para o mover da sua história no mundo.
C. Aprendemos que para fazer parte da história de Deus é preciso um ato de fé, um gesto de coragem, uma atitude determinada. É preciso romper com o convencional e crer que Deus é soberano em todas as coisas.

Conclusão:
Estes momentos foram decisivos na história do nascimento de Jesus Cristo.
Hoje, as mulheres que são herdeiras de Tamar, Raabe, Rute e Maria, continuam escrevendo a história de Deus no mundo através de suas vidas dedicadas ao Senhor Jesus Cristo.

POR: Filhos Espirituais de Pe. Pio

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

"PARA EXTINGUIR OS DARDOS INFLAMADOS DO MALIGNO"

Finalmente, fortalecei-Vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti a armadura de Deus, para poderdes resistir ás insídias do diabo. Pois o nosso combate não é contra o sangue nem contra a carne, mas contra os Principados, contra as Autoridades, contra os Dominadores deste mundo de trevas, contra os Espíritos do Mal, que povoam as regiões celestiais. Por isso deveis vestir a armadura de Deus, para poderdes resistir no dia mau e sair firmes de todo o combate. 

Portanto, ponde-vos de pé e cingi os rins com verdade e revesti-vos da couraça da justiça e calçai os pés com o zelo para propagar o evangelho da paz, empunhando sempre o escudo da fé, com o qual podereis extinguir os dardos inflamados do Maligno. E tomai o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. 

Com orações e súplicas de toda a sorte, orai em todo o tempo,, no Espírito, e para isso vigiai com toda perseverança e súplica por todos os santos. Orai também por mim, para que, quando abrir os lábios, que me seja dada a palavra para anunciar com ousadia o mistério do evangelho, do qual sou embaixador em cadeias: que fale ousadamente, como importa que fale.


Efésios 6, 10-20 Bíblia de Jerusalém

domingo, 21 de outubro de 2012

" A CAUSA DO PECADO"




            Todos os corpos formosos, o ouro, a prata, e todos os demais têm, com efeito, seu aspecto atraente. No contato carnal intervém grandemente a congruência das partes, e cada um dos sentidos percebe nos corpos certa modalidade própria. Também a honra temporal e o poder de mandar e dominar tem seu atrativo, de onde nasce o desejo de vingança.
            Todavia, para obtermos estas coisas, não é necessário abandonarmos a ti, nem nos desviar de tua lei. Também a vida que aqui vivemos tem seus encantos, por certa beleza que lhe é própria, e pela harmonia que tem com as demais belezas terrenas. Cara é, finalmente, a amizade dos homens pela união que une muitas almas com o doce laço do amor.
            Por todos estes motivos, e outros semelhantes, pecamos quando, por propensão imoderada para os bens ínfimos, são abandonados os melhores e mais altos, como tu, Senhor, nosso Deus, tua verdade e tua lei.
            É verdade que também esses bens ínfimos têm seus deleites, porém, não como os de Deus, criador de todas as coisas, porque nele se deleita o justo, e nele acham suas delicias os retos de coração.
            Portanto, quando indagamos a causa de um crime, não descansamos até averiguar qual o apetite dos bens chamados ínfimos, ou que temor de perdê-los foi capaz de provocá-lo. Sem dúvida são belos e atraentes, embora, comparados com os bens superiores e beatíficos, sejam abjetos e desprezíveis.  Alguém comete um homicídio. Por quê? Porque desejou a esposa do morto, ou suas terras, ou porque quis roubar alguma coisa, ou então, ferido, ardeu em desejos de vingança. Por acaso cometeria o crime sem motivo, apenas pelo gosto de matar? Quem pode acreditar em semelhante coisa?
            Mesmo de Catilina, homem sem entranhas e muito cruel, de quem se disse que era mau e cruel sem razão, acrescenta o historiador um motivo: “Para que a ociosidade não embotasse suas mãos e sentimento”.
            Todavia, se indagares porque agia assim, dir-te-ei que mediante o exercício de crimes, depois de tomada a cidade, conseguisse honras, poderes e riquezas, libertando-se do medo das leis e das dificuldades da vida, causados pela pobreza de seu patrimônio e a consciência de seus crimes. Logo, nem o próprio Catilina amava seus crimes, mas aquilo por cujo motivo os cometia.

TRECHO DO LIVRO: CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO

sábado, 20 de outubro de 2012

"CONSAGRAÇÃO AO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS CRISTO"




Na consciência do meu nada e da Vossa grandeza, misericordioso Salvador, me prostro aos Vossos pés e vos rendo graças pelos inúmeros favores que me haveis concedido, a mim ingrata criatura, em especial, por me terdes livrado por intermédio de Vosso preciosíssimo Sangue, da maléfica tirania de satanás.

Em presença de Maria, minha boa mãe, do meu Anjo da Guarda, dos meus Santos Patronos, de toda a Corte Celeste, me consagro, ó bondosíssimo Jesus, com sincero coração e por livre decisão, ao Vosso Preciosíssimo Sangue, com o qual Vós livrastes o mundo inteiro do pecado, da morte e do inferno. 

Prometo-Vos, com auxílio de Vossa graça e segundo as minhas forças, despertar e fomentar, quanto em mim estiver, a devoção ao Vosso Preciosíssimo Sangue, preço da nossa salvação, a fim de que o Vosso Sangue adorável seja por todos honrado e venerado. 

Quisera eu, por este modo,reparar as minhas infidelidades para com o Preciosíssimo Sangue e oferecer-Vos igualmente reparação por tantos sacrilégios cometidos pelos homens contra o preciosíssimo preço da usa redenção. 

Oxalá eu pudesse fazer desaparecer os meus pecados, as minhas friezas e todos os desrespeitos, com que Vos ofendi, ó Preciosíssimo Sangue! Vede, ó amantíssimo Jesus, que Vos ofereço o amor, a estima e adoração que a Vossa Mãe Santíssima,os Vossos Apóstolos fiéis e todos os Santos e Vos rogo queirais esquecer-Vos das minhas infidelidades e friezas passadas e perdoeis a quantos Vos ofendem. Aspergi-me ó Divino Salvador, e bem assim a todos os homens, com o Vosso Preciosíssimo Sangue, a fim de que nós, ó Amor Crucificado, desde agora e de todo o coração Vos amemos e dignamente honremos o preço da nossa salvação. Amém.


fonte: orações selecionadas, por cura, libertação e intercessão


"ORAÇÃO PARA O LIVRAMENTO DAS ALMAS ABANDONADAS DO PURGATÓRIO"




Santas Almas, retidas por algum tempo longe de
Deus e de Vós. Mãe misericordiosa, no fogo
purificador, quebrai as suas cadeias e livrai-as
do abismo em que gemem aspirando a Pátria
Celeste e suspirando pelo feliz momento de sua
definitiva união com Deus a quem seus corações
ardentemente desejam. Tende piedade
principalmente das Almas mais abandonadas, por
quem Vos pedimos mui especialmente oh! Mãe
de bondade.
Dignai-vos aceitar os nossos votos e satisfazê-los.
Nós vos suplicamos, oh! Maria, que nos reunais
todos no Céu, junto de Nosso Senhor Jesus Cristo,
vosso adorável filho que convosco vive e reina, com
o pai e Espírito Santo por todos os séculos dos
séculos, Amém!

FONTE: Movimento "Salvai Almas"

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"O JOGO DO DIABO NÃO ACABOU"


Já vimos, numa noite fechada, o súbito clarão de um relâmpago? Num instante, a paisagem emerge das sombras, envolta em luz azulada, e distinguem-se nitidamente as coisas que a noite deixava ocultas. É o que poderíamos chamar um choque de luz.
Pois bem, vamos assistir agora a um choque de luz, potente e assustador como um relâmpago, que foi um dos primeiros clarões que Cristo projetou sobre o mistério da Cruz.
Para nós, será a primeira lição sobre a 
sabedoria da Cruz, que estas páginas desejariam ajudar a desvendar.
Caminhava Jesus com os Apóstolos e uma turba de discípulos, quando pela primeira vez anunciou a sua Paixão, que já estava próxima:
Começou a ensinar-lhes que era
necessário que o Filho do homem padecesse muito, fosse rejeitado pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, fosse morto, mas ressuscitasse depois de três dias. E falava-lhes
abertamente dessas coisas  (Mc 8, 31-32). Esse anúncio deixou perplexos os que o escutavam. Nunca tinham ouvido Jesus
mencionar a Cruz. Até então, seguir Cristo fora para eles uma aventura empolgante, com multidões que se encantavam com as palavras do Mestre, que lhe confiavam os seus
padecimentos, que eram favorecidas com milagres espantosos: cegos que viam, leprosos que ficavam limpos, mortos – como a filha de Jairo – que ressuscitavam...
De súbito, um balde de água fria lhes é despejado na alma. O que Jesus dizia era incompreensível. Não falara Ele constantemente do Reino de Deus que vinha instaurar nesta
terra? Não mostrara o seu poder divino sobre as doenças, sobre os demônios, sobre os ventos e as tempestades? Não reduzira ao silêncio os seus detratores, mostrando uma superioridade divina sobre eles? Que sentido tinha então anunciar-lhes que tinha de
padecer muito, ser rejeitado, morrer?
O coração de Pedro não agüentou. Simão Pedro, o discípulo emotivo e espontâneo, o homem de confiança de Jesus, agarrou o Senhor pelo braço, levou-o para um lado e – diz
o Evangelho –  começou a repreendê-lo: Que Deus não o permita, Senhor! Isso não te acontecerá!  (Mc 8, 32; Mt 16, 22).
Era o coração a falar pela boca. Pedro não suportava pensar nem no sofrimento nem na morte do Mestre. Repelia, horrorizado, a possibilidade de que esses males viessem algum
dia a ser realidade. Mas ainda estavam no ar essas suas palavras ditadas pelo carinho, quando, de repente, a cena foi rasgada por um raio inesperado:
Jesus, voltando-se para ele,
disse-lhe: Para trás, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!
(Mt 16, 23)
Ouvimos isso e ficamos desconcertados. Por mais que queiramos manter um respeito reverente por todas as palavras de Cristo, não conseguimos evitar a tentação de achar que dessa vez Jesus foi duro demais, exagerou.
A SOMBRA DO DIABO
Deixemos passar essa primeira impressão (nós somos emotivos como Pedro) e procuremos refletir serenamente sobre a cena. Perceberemos então que as palavras duras de Jesus não são um exagero, mas um alerta tremendamente urgente e necessário.
Sim, essas palavras fortes de Cristo são necessárias para que nós não nos desencaminhemos; eu diria que são especialmente necessárias no nosso mundo atual. Por quê?
A razão é que o veemente protesto de Pedro, sem ele o saber nem suspeitar, foi diabólico: foi o eco quase perfeito da
terceira tentação com que Satanás assaltara Cristo, no
fim dos quarenta dias de oração e jejum no deserto, quando o Filho de Deus se dispunha a iniciar a sua pregação. O diabo propusera a Jesus reinar sobre o mundo sem necessidade de
passar pela Cruz:
Todos estes reinos te darei se, prostrando-te diante de mim, me adorares (Mt 4, 9). “Rendendo-te a mim – vinha a dizer o diabo –, poderás triunfar e reinar sem sofrer”.
A repreensão de Pedro a Jesus era um eco involuntário dessa voz diabólica. Por isso Cristo reagiu com as mesmas palavras com que repelira o Inimigo:
Para trás, Satanás! (Mt 4, 10 e 16, 23).
Lembremo-nos de que, quando o Filho de Deus entrou no mundo, o anjo Gabriel anunciou a Maria que o Filho que dela ia nascer receberia de Deus o trono de seu pai Davi, e que
o seu Reino não teria fim (cfr. Lc 1, 32-33).
Ora, Jesus é Rei –
Eu para isso nasci e vim ao mundo, dirá a Pilatos (Jo 18, 37) –,
mas é Rei de um Reino espiritual, sobrenatural, que
não é deste mundo (Jo 18, 36), porque é
o Reino da Graça e da Vida, do Amor e da felicidade eterna na
Casa do Pai (Jo 14, 2). Por desígnio da Santíssima Trindade, Cristo vinha conquistar e instaurar esse Reino, mediante a
sua imolação redentora na Cruz. Era com a Cruz que se ia realizar a nossa salvação, essa salvação que Satanás não podia suportar. Pedro, o bom Pedro, na sua ignorância afetuosa, fazia sem querer o jogo do Inimigo. Jesus tirou-o do engano, com a rude violência amorosa com que se resgata do mar alguém
que se está afogando.