domingo, 13 de janeiro de 2013

PADRE PIO EM POUCAS PALAVRAS



Isto aqui não pretende ser uma biografia do Padre Pio, mas apenas um primeiro passo ao encontro deste grande santo, hoje tão popular e querido no mundo inteiro.

Nasceu em Pietrelcina, pequena aldeia perto de Nápoles (Itália), em 25 de maio de 1887, sendo batizado já na manhã seguinte, com o nome de Francesco. Seus pais Grazio Forgione e Maria Josefa de Nunzio eram humildes e trabalhadores; viviam modestamente da pequena lavoura e de umas ovelhas que tinham, num lugar próximo chamado Piana Romana. Eram bons católicos, viviam sua fé de maneira simples; foram sempre muito piedosos. Tiveram sete filhos, mas apenas cinco sobreviveram.

Francisco gostava do recreio, mas não permitia brincadeiras de mau gosto e palavrões. Aparentemente, era um menino igual aos outros. Na realidade, porém, sua vida foi cheia de carismas especiais e de estranhas experiências. Desde os cinco anos começou a ter aparições de Jesus, de Nossa Senhora e do Anjo da Guarda – um fato que ele considerava comum a todas as pessoas. Por isso ficou admirado quando perguntou ao confessor se ele também enxergava a Madonna, e esse lhe respondeu que não. Chegou a pensar que o padre dissera aquilo por humildade.

Ademais de ser abençoado com aparições celestes, Francisco teve que enfrentar o assédio implacável do demônio, que começou a molestá-lo ainda como bebê. Em todas as suas biografias encontramos que chorava muito de noite. Um choro estranho, que nada tinha a ver com problemas de saúde, e que ele próprio explicaria mais tarde: “Depois de me colocar na cama, a mãe apagava a luz, e então se aproximavam de mim muitos monstros, que me faziam chorar de medo... Uma vez, eles até tentaram matar-me!”
 Que monstros seriam esses? Figuras criadas pela imaginação? Não, porque com um ou dois anos de idade, a imaginação da criança não tem condições de criar imagens capazes de assustá-la. 
 Sentiu-se chamado ao sacerdócio já aos cinco anos. Estava rezando, sozinho na igreja, quando viu Jesus acenar-lhe, pedindo que se aproximasse, e o abençoou paternalmente.
 Este desejo de se tornar padre foi crescendo bem nutrido, ao longo dos anos, pela oração, estudo e penitência. Depois de brincar um pouco, dava um jeito de se retirar, para rezar. Aos nove anos, a mãe o encontrou dormindo no chão. E mais de uma vez o surpreendeu assentado atrás da cama, flagelando as costas com uma correntinha de ferro.  

Em 6 de janeiro de 1903, acompanhado de seu professor e mais dois candidatos, tomou o trem para Morcone, onde se encontrava o noviciado capuchinho que os iria acolher.
 Para quem ingressa na vida religiosa, o noviciado representa a etapa básica para verificar se o candidato reúne as condições exigidas por aquela ordem ou congregação. À semelhança dos atletas esportivos, ele também aprende ali técnicas e exercícios espirituais para se tornar um “atleta de Deus” e poder levar uma vida ascética sadia.

É aqui que, em 22 de janeiro de 1903, juntamente com doze confrades, recebe o hábito capuchinho, passando a chamar-se Frei Pio de Pietrelcina. Escolheu esse nome em honra de Pio V, o Santo  Padroeiro de Pietrelcina. 

Mas, eis que, a partir do final do noviciado, a saúde do jovem Frei Pio começa a emitir sinais de alarme. 
Aparecem-lhe doenças misteriosas, que os próprios médicos não conseguem entender ...
Passa de cama dias inteiros ... 
Seu estômago não tolera qualquer alimento ... 
Tem febres absurdas, que chegam a 48º. Para tomar-lhe a febre os médicos se valem de termômetros especiais, utilizados para medir a temperatura da água. 
Sua fraqueza é geral e, às vezes, não consegue manter-se de pé. 

     Consultam-se os melhores especialistas. Segundo alguns, está com tuberculose, e para evitar o perigo de contagiar os confrades, convém isolá-lo o mais possível. Segundo outros, porém, está apenas com bronquite.
 Por via das dúvidas, tanto os médicos como os superiores concordam em mandá-lo à Pietrelcina onde, aos cuidados da família e respirando ares mais puros, puderá recuperar novamente a saúde necessarária para continuar os estudos. Diante deste arranjo, Pietrelcina devia acolher o filho, quando doente e dar-lhe nova vida e os superiores, reconduzi-lo ao convento, logo que melhorasse. 
 Este processo de vai-e-vem acabou durando  uns dez anos, pois de volta ao convento, as febres altíssimas, as dores por todo o corpo se repetiam!  Uma situação anômala e estranha exisgindo novas visitas aos médicos, e levando à mesma conclusão de antes: passar mais uma temporada em sua terra natal. Simplesmente não havia lógica. 
 Era um caso que não harmonizava com a Regra da Ordem e com o Código de Direito Canônico. Uma situação difícil de resolver mesmo havendo a melhor boa vontade de ambos os lados. 
 O escritor Renzo Allegri, num de seus livros, tontou uma explicação com estas palavras: “O Padre Pio era uma pessoa especial. Viera ao mundo para cumprir a missão mais alta e sublime que se possa imaginar: ser um ‘outro Cristo’, a fim de colaborar com Ele, através do mistério do sofrimento, na redenção do mundo. Devia ser um ‘co-redentor’, como realmente o foi. Para isto o próprio Deus quis encarregar-se de educá-lo e conduzi-lo. E quis fazê-lo [...] fora dos procedimentos de uma ascese normal.
“Após tê-lo chamado ao convento, a fim de iniciá-lo nos rudimentos da vida espiritual e ascética, encontrou um jeito de o empurrar para fora e encaminhá-lo por aquelas estradas intransitáveis que reserva a certas almas eleitas. Neste sentido, pilotou habilmente situações, recorreu a doenças misteriosas, criou condições de emergência, até conseguir o que queria....”.

Apesar das difíceis circunstancias, Frei Pio não descurava seus estudos e obrigações religiosas. Fez os votos perpétuos junto com os demais do grupo, no dia 27 de janeiro de 1907. 
 Em 18 de julho de 1909, em Morcone recebeu o diaconato. Um ano depois, indo com os colegas a Benevento, superou com facilidade os exames requeridos antes da ordenação sacerdotal. Por razões de saúde sua ordenação fora antecipada de seis meses, com o compromisso, porém, de continuar seus estudos. 
 Então, aos 23 anos de idade, em 10 de agosto de 1910, foi ordenado sacerdote, na catedral de Benevento. Na tarde do mesmo dia, viajou à Pietrelcina, onde quatro dias depois celebrou sua primeira Missa solene, na presença de confrades, da mãe e muitos familiares. O pai se encontrava trabalhando na América. 
 Durante os cinco anos que se seguiram, ajudava o pároco Pannullo no que estava a seu alcance: fazia batizados, dava bênçãos, orientação espiritual aos poucos que o procuravam. Mas não podia confessar por causa da doença e por não ter concluído o curso regular de Teologia Moral.
 Esta amizade fraterna com o pároco lhe abriu as portas para contar-lhe o que acontecera em Piana Romana, em 7 de setembro de 1910. No momento em que a mãe foi à cabaninha dele para comunicar-lhe que a janta estava pronta, viu-o sair agitando nervosamente as mãos, como se acabasse de se queimar.
 – Ué! – disse-lhe em tom de brincadeira – está aprendendo a tocar violão?
 – Nada de importante, mãe – respondeu. 
 Na realidade, um fato importantíssimo. O Padre Pio acabava de receber os estigmas de Jesus, como seu fundador São Francisco. Embora aceitasse ‘morrer de dor’ pediu e Deus  os mantive invisíveis.

Outra experiência que o marcou profundamente ao final deste período foi a convocação ao serviço militar. Estava-se em plena primeira guerra mundial (1914-1918). Em novembro 1915, ele se apresentou em Benevento; com o número 2094/25 ficou incorporado na 10ª Companhia Sanitária e foi enviado como enfermeiro à Nápoles. Alí, diante da sua fragilidade e do seu pouco entusiasmo pela vida militar, o designaram para tarefas mais humildes, como sentinela, carregador e varredor. Não raro, ao fazer a faxina dos sanitários, sentia que estava sendo alvo de graçolas. 
      Viveu e viu, assim, um pouco das circunstâncias ingratas da guerra, mas, o mais duro, porém, era o fato de não poder celebrar Missa, por falta de capela no quartel. Apesar do mundo novo em que vivia, as extranhas doenças anteriores persistiam. Por isto, depois de muitos exames e vários tratamentos, em 10 de dezembro de 1915, recebeu  dispensa por um ano. 

       Temporáriamente libre do serviço militar, retira-se a um convento em Foggia, a fim de continuar o tratamento de saúde. O lugar é baixo e de clima tórrido. Intolerável para alguém com tantos problemas pulmonares... ou bronquiais como ele.
        Afortunadamente, aparece ali um colega de San Giovanni Rotondo – o padre Paulino de Casacalenda – e o convida a passar algumas semanas com ele. Trata-se de ir à uma vilazinha insignificante, porém de clima saudável – 600 metros acima do nível do mar.Padre Pio aceita. 
        Chega a San Giovanni Rotondo em 28 de julho de 1916. Mas, ao invés de algumas semanas, acaba ficando por mais de 50 anos. Sua passagem por ali é tão marcante que, em poucos anos, a pequena vila, tão insignificante que nem constava nos mapas comuns da Itália, se tornará conhecida no mundo inteiro.

Foi ali que teve lugar o fato mais estrondoso da vida do Padre Pio. Na manhã de 20 de setembro de 1918, enquanto rezava diante de um crucifixo de madeira, no coro da igreja, viu explicitar-se o que lhe fora entremostrado oito anos antes, em Piana Romana, ao receber os estigmas invisíveis. O acontecido deixa-o em pânico. Um “misterioso personagem”, com uma lança na mão, se aproximou e o golpeou no peito, nas mãos e nos pés. Cinco chagas enormes, que haveriam de verter sangue ininterruptamente, por cinqüenta anos, indiferentes a todos os curativos, e sem nunca apresentar sinal de gangrena ou infecção.
 Trata-se de um fenômeno raro na vida dos santos, e que no caso do Padre Pio “haveria de assombrar médicos crentes e ateus, desconcertar a ciência e atrair multidões de todos os quadrantes do universo, desejosas de conhecer o ‘crucificado do Gargano’” – segundo um autor.
      Curiosamente, como tudo na vida do Padre Pio, essas feridas, durante seus últimos dias de vida, foram desaparecendo; ao celebrar sua última Missa já eram inperceptíveis. Mas a série de maravilhas não termina aqui: a pele das áreas antes tomadas pelas feridas, agora se apresentava “lisa como a de um recém-nascido”, conforme o testemunham algumas fotos batidas na ocasião.

     Em San Giovanni Rotondo, ao longo de seus cinqüenta anos de permanência ali, Padre Pio não fez outra coisa que confessar – uma atividade que se tornaria sua faceta mais característica. O “prisioneiro do confessionário” passava ali, diariamente, entre 10, 12 e até 14 horas, sempre com filas enormes pela frente que, ao invés de diminuir, só faziam aumentar.
      Com o correr dos anos, essa afluência atingiu níveis estratosféricos, obrigando a agendar as confissões com antecedência de alguns dias e até de muitos. Conforme o biógrafo Karl Wagner, que testemunhou os fatos in loco, o tempo de espera variava, segundo a estação do ano, de cinco, oito e até trinta e cinco dias.
      Em conseqüência, toda a área ao redor do convento e da igreja ficava, às vezes, coalhada de barracas, onde passavam as noites os que não conseguiam lugar nas pousadas ou não cabiam dentro de seus carros. Todos aguardando pacientemente a sua vez.

     Mas onde estaria o segredo de tamanho magnetismo sobre as multidões? Em primeiro lugar, na santidade que irradiava, na bondade com que acolhia e no seu fino tato em lidar com os mais delicados problemas. Mas estava igualmente nos extraordinários carismas com que Deus o prendara e que a Teologia Mística bem conhece. 
      Mencionamos quatro:
 – Introspecção, que é a capacidade de ler o interior das pessoas: seus pensamentos, seus temores, seus pecados, até mesmo os já esquecidos. Por isso, quantas vezes, no final da confissão, surpreendia os penitentes de memória curta ou que tentavam passar um pecado sem acusá-lo, lembrando-lhes com precisão o que tinham feito e em que circunstâncias.

– Clarividência, isto é, a capacidade de prever fatos futuros ou que estão acontecendo com pessoas distantes e desconhecidas. Como: 
o sexo de um bebê que a mãe ainda tem no ventre e que ela encarregou alguém de lhe pedir uma bênção, 
ou a situação de uma pessoa desconhecida e a centenas ou milhares de quilômetros de distância. 
Ou ainda: ... de sua casa, uma pessoa lhe fazia mentalmente um pedido. Dias depois, viajava para lá e, ao se confessar, se dava conta de que o Padre estava a par não só das graças pedidas mentalmente, senão também do número de vezes que fora invocado.

– Glossolalia – o dom de falar línguas desconhecidas, sem nunca as ter estudado, como os apóstolos em Pentecostes. Padre Pio conhecia apenas o italiano – ou, mais exatamente, o dialeto napolitano – e um pouco de latim. No entanto, conseguia atender penitentes de todas as raças e cores, cada um na sua própria língua: inglês, francês, alemão, árabe, eslovaco, entre outros, e até nos dialetos mais raros da América e do Japão.

– Bilocação. Consiste em estar ao mesmo tempo em dois lugares. Graças a esse dom, Padre Pio se transformava num “padre voador”. Sem se mexer do lugar, conseguia atender gente do mundo inteiro, que o invocasse mentalmente. Sua primeira “façanha” nesta área se deu quando ele era ainda seminarista em Santo Elias em Pianisi. Durante a noite de 18 de janeiro de 1905, encontrou-se de repente no quarto de um casal, em Údine (norte da Itália) no qual o marido (maçom) estava às portas da morte, e a esposa, prestes a dar à luz. Naquele momento ouviu Nossa Senhora lhe dizer: “Este homem se salvará... e a menina que vai nascer, quero que tome conta dela, para que venha a se tornar uma pérola na minha coroa”. O desfecho desta história você o encontra no livro Padre Pio, o Santo do Terceiro Milênio, de Olivo Cesca, pp. 177-179.
      Num tempo em que muitos católicos sofriam nas prisões de países comunistas, ele, de repente, aparecia para os confortar, como aconteceu, entre muitos outros, com os cardeais Mindzensty, da Hungria; Stepinac, da Iugoslávia, e Wyszynski, da Polônia. Ao primeiro levou um cálice, possibilitando-lhe assim celebrar Missa na prisão, acolitado pelo próprio Padre Pio. De testemunhas fidedignas sabe-se que esteve também na Sibéria, na Tchecoslováquia e outros países dominados pelo comunismo.
      Vários penitentes ou amigos tiveram ocasião de presenciar o momento em que estava em bilocação. Interrompia bruscamente a conversa ou a confissão e ficava por algum tempo imóvel, como que ausente. Notavam que estava à escuta, murmurava alguma coisa, gesticulava e voltava a ficar imóvel. Por fim dava um profundo suspiro e continuava atendendo à pessoa ou às pessoas que estavam ao seu lado.

     Concomitantemente com estes favores celestes, Deus permitia que fosse molestado e até agredido com violência pelo Maligno. Suas agressões, por vezes, eram tão ferozes que o deixavam cheio de hematomas em todo o corpo e até sangrando, como se vê em dezenas de casos em suas biografias.

     Outro particular que chama atenção na vida do Padre Pio é sua atividade exterior, que sabia exercer sem sacrificar a interior. Nele, oração e trabalho se casavam sem problemas. Não obstante passar seus dias no confessionário, como vimos, conseguiu levar avante a construção de um gigantesco hospital – a famosa Casa Sollievo della Sofferenza. Com sua capacidade atual para quase dois mil leitos e equipamentos dos mais sofisticados que se conhecem, ele figura hoje entre os mais categorizados, não apenas na Europa senão também no mundo. Um verdadeiro “oásis de modernidade”.

     O hospital fora-lhe pedido por Jesus. Inicialmente devia atender às populações pobres das montanhas, que não tinham a quem recorrer em casos de doenças. Com a certeza de que Deus proveria os recursos, lançou-se à obra sem um projeto bem definido, sem um engenheiro supervisor, sem dinheiro em caixa e sem um plano de arrecadação. Apenas com algumas contribuições vindas de seus amigos.
 O ceticismo encontrado – nem podia ser de outra maneira – foi enorme. De que forma – todos se perguntavam – pretendia ele construir uma obra daquela envergadura, sem meios, numa encosta rochosa que dava medo só de olhar, a quarenta quilômetros do centro urbano mais próximo (Foggia), tendo como única via de acesso uma estradinha estrangulada entre rochas? E a água? San Giovanni Rotondo não tinha água encanada... De onde bombeá-la até aquela altura de 600 metros, para as obras da construção e, mais tarde, para o consumo diário do hospital?
 E havia mais: a quem podia interessar um hospital assim tão fora de alcance? E quantos médicos teriam coragem de deixar os confortos de suas cidades para trabalhar naquele fim de mundo?

À revelia deste ceticismo geral, o Padre Pio foi tocando adiante sua obra. E as contribuições, chegando espontaneamente do mundo inteiro, graças aos romeiros que apareciam em número cada vez maior. E graças principalmente a algumas contribuições muito vultosas.
 Iniciado em 1946, seria inaugurado dez anos depois, com a presença de centenas de bispos, do presidente do senado italiano, de numerosas personalidades do mundo da medicina, de uns trezentos jornalistas internacionais e de uns 15.000 fiéis.
 De todas as benemerências desta verdadeira “cidade hospitalar”, a maior é o seu atendimento – mais de 80.000 internações por ano – inteiramente gratuito. Inclusive o transporte dos doentes impossibilitados de se deslocar até lá. Um completo serviço de ambulâncias os busca em suas casas e os reconduz de volta depois de tratados. Em situações de mais difícil acesso, um helicóptero se encarrega de apanhá-los onde se encontram e os desembarca no heliporto construído sobre o hospital.

     O idealismo do Padre Pio não parou aqui. Desde o início deu-se conta de que esta gigantesca obra arquitetônica, esta montanha de concreto frio, precisava de uma alma que lhe transmitisse vida, calor. Uma alma que fizesse todos os sofredores – não só os do seu hospital, mas do mundo inteiro – sentirem-se irmãos, ao saberem-se amparados pelas orações de milhares de outros.

E foi por esta razão que nasceram os “Grupos de Oração”. Colocar a oração no centro de tudo sempre fora sua preocupação, que se reacendeu quando tomou conhecimento dos apelos do recém-eleito papa Pio XII. Frente ao surto de irreligião e paganismo que invadia o mundo, com o fim da segunda guerra mundial, o Papa não encontrava remédio mais eficaz que a oração. “Rezem – pedia encarecidamente –, rezem sempre mais e com maior fervor... elevem as mãos e o coração a Deus... sem oração ninguém consegue observar por muito tempo os Mandamentos e evitar o pecado grave... a oração é a chave dos tesouros de Deus, a arma de combate e de vitória em qualquer luta pelo bem e contra o mal... deve tornar-se o alimento cotidiano da alma”.
      
      Foi dentro do espírito desses apelos do Papa que nasceram os “Grupos de Oração” do Padre Pio. Em pouco tempo eles se multiplicaram na Itália, na Europa e no mundo. Basta dizer que em 1991 já eram mais de 5.000, espalhados por 40 nações, com mais de 300.000 participantes.

O Padre Pio morreu na madrugada de 23 de setembro de 1968, quando milhares de seus filhos espirituais se encontravam em San Giovanni Rotondo para celebrar o IV Congresso Internacional dos Grupos de Oração. Pouco antes de partir, tinha perguntado inocentemente ao superior da casa se o “autorizava a morrer”. E justificava o pedido, dizendo que “do céu podia fazer ainda mais”. “Ao chegar lá, – garantia –, prometo ficar parado na porta, e só entrar depois que, todos os filhos aos quais prestei assistência na terra, estiverem dentro”.

     Seu funeral, ocorrido quatro dias depois, contou com a presença de mais de 100.000 pessoas, dentre as quais, uns 3.000 eram Padres. O cortejo transportando seu corpo percorreu as principais ruas da cidade, durante quase quatro horas. Depois da Missa fúnebre o corpo do Padre Pio foi transferido à cripta da nova igreja de Santa Maria das Graças. Desde aí, ele continua seu papel de intercessor diante de Deus, alcançando muitas graças e curas milagrosas para os peregrinos de todo mundo e de todas as classes sociais.

     Os processos de beatificação e canonização foram “desencalhados” pelo papa João Paulo II que, como jovem sacerdote, tivera a graça de confessar-se com ele. 

     O Padre Pio foi proclamado Beato em 2 de maio de 1999, e Santo, em 16 de junho de 2002. As cerimônias da canonização reuniram mais de trezentos mil devotos só em Roma. Um caso único na história da Igreja!

http://www.saopio.com.br/index.php?ddir=paginas&page=saopio


   

"TÓPICOS DA VIDA DE Pe. PIO"




 Ele recebeu de Deus uma grandíssima missão. 

 Confesso que me surpreende o fato de encontrar, cada vez mais, pessoas que se dizem devotas de São Pio de Pietrelcina. Pessoas que pela primeira vez vêm a conhecê-lo sentem-se cativadas, simpatizam e já se tornam devotas, antes ainda dum conhecimento mais profundo da vida dele e dos muitos carismas com que fora agraciado por Deus; algumas até confirmam terem sido agraciadas de forma extraordinária. Isso vou constatando aos poucos desde que passei a prestar assistência religiosa na Ermida de São Pio no Cerro Comprido, Faxinal do Soturno/RS. Trata-se de pessoas simples, sensatas, e que demonstram devoção autêntica e não produzida por força de marketing, de propaganda exagerada, como às vezes pode acontecer. Qual é mesmo o segredo disso? 
 São Paulo Apóstolo afirma: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo... Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito a todos. A um o Espírito dá a mensagem da sabedoria, a outros a palavra da ciência...; a outro o Espírito dá a fé; a outro ainda o único e mesmo Espírito concede o dom das curas; a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, o dom de falar em línguas; a outro ainda, o dom de as interpretar. Mas é o único e mesmo Espírito que isso tudo realiza, distribuindo a cada um seus dons, conforme lhe apraz” (1 Cor 12,4-11).

 Cada pessoa é obra única de Deus, sem igual. Podemos ser parecidos uns com os outros, mas jamais perfeitamente iguais, porque Deus não se repete. Por certo, há bilhões e bilhões de santos no céu e cada qual exemplar único. 
 Deus distribui os seus dons conforme lhe apraz, livremente. E nós constatamos que a uns Deus constitui instrumentos especiais para atrair e arrastar multidões. Todos podemos constatar que existem santos que atraem as massas, que têm milhões de devotos, como um São Francisco, um Santo Antônio, uma Santa Teresinha do Menino Jesus, etc... Serão os de maior glória no céu? Não sabemos. Deus é quem livremente distribui seus dons de acordo com seus planos sapientíssimos.

 São Pio de Pietrelcina (1887-1968) foi suscitado por Deus para ser um santo extraordinário para a nossa época, um santo que cativa à primeira vista e que leva à conversão multidões (já em sua vida mortal ele atraíra multidões e fora instrumento de conversão, especialmente pelo sacramento da reconciliação, pelo seu modo de celebrar a santa Missa, por sua vida de oração, pelo seu sofrimento). Desde sua infância, ele foi super-agraciado por Deus. Talvez seja difícil encontrar outro santo que, desde os primeiros anos de vida, apareça tão cumulado de dons por Deus.
 É filho de Grazio Maria e de Maria Giuseppa di Nunzio Forgione, nascido em Pietrelcina (Benevento), no dia 25 de maio de 1887. Foi batizado no dia seguinte com o nome de Francisco. A sua infância, transcorrida serenamente num ambiente familiar cristão, não apresentava fatos notáveis (espalhafatosos), e ele era avesso a manifestar os dons que Deus lhe conferia. Contudo existiram alguns sinais indicativos de que Pietrelcina num primeiro momento e, mais tarde, San Giovanni Rotondo se tornariam famosas em razão da presença e do apostolado dele. Francisco tinha apenas cinco anos de idade quando, num impulso incomum para a sua idade, começou a acariciar a idéia de consagrar-se para sempre a Deus. Nessa mesma idade apareceram os primeiros dons carismáticos e os primeiros assaltos violentos de satanás: “Os êxtases e as aparições, afirma seu Diretor Espiritual Pe. Agostinho de San Marco in Lamis, começaram no quinto ano de idade, quando teve a idéia e o sentimento de consagrar-se para sempre ao Senhor, e foram contínuos. Interrogado porque os tivesse ocultado por tanto tempo (até 1915, quando já estava com 28 anos de idade), respondeu candidamente que não os havia manifestado, porque os acreditava coisas ordinárias que aconteceriam a todas as almas; na verdade, um dia ele disse ingenuamente: ‘E o Senhor não vê Nossa Senhora?’. A uma minha resposta negativa, acrescentou: ‘Isso o Senhor diz, por santa humildade!’. Aos cinco anos de idade começaram também as aparições diabólicas”.

 Coroinha assíduo, Francisco “rezava sempre de joelhos e bem comportado”, e também a portas fechadas, de acordo com o sacristão (a quem pedia que o deixasse trancado na igreja, indicando-lhe a hora para abrir-lhe a porta). Dormia freqüentemente no chão, tendo por travesseiro uma pedra, e mortificava-se impondo-se penitências, inclusive flagelando-se com uma corrente (“pois Cristo fora flagelado”, desculpava-se com a mãe, que se angustiava por tais atitudes do filho).
 Ele ingressou no convento capuchinho de Morcone no dia 06 de janeiro de 1903 (faltavam-lhe uns 3 meses para completar 16 anos).
 Mas antes disso ele já tivera três importantes visões, que mais tarde, por ordem de seus Diretores espirituais, relatou por escrito, embora muito a contragosto (felizmente para nós, os Diretores espirituais às vezes forçavam-no a revelar os dons especiais que recebia de Deus).
 Ele não indica a data da primeira visão, mas deve ter acontecido pouco antes das outras duas. A segunda aconteceu no dia 01/01/1903 e a terceira na noite do dia 05 de janeiro de 1903, véspera de sua entrada no convento.
 Eis como ele próprio, com seu jeito, conta os fatos(realces meus):

 “In nomine Jesu. Amen. (Em nome de Jesus. Amém)

 Tudo o que narrarei neste meu pobre escrito, faço-o por imposição, em virtude da santa obediência. Com quanta repugnância eu o faça, somente Deus pode compreendê-lo perfeitamente. Somente Ele me é testemunha. E se Ele não tivesse fortalecido muito bem meu espírito sobre o respeito que se deve à autoridade, com certeza recusar-me-ia até à revolta; de forma alguma, induzir-me-iam a registrar por escrito o que estou por escrever, bem sabedor que sou da malícia desta alma favorecida por tão distintos favores do céu. Queira Deus assistir-me e fortificar o meu espírito para que possa sentir-me seguro, apesar da confusão em que me encontro, ao manifestar o que estarei narrando.
 Primeiro chamado extraordinário feito a esta alma a fim de que abandonasse o mundo e o caminho da própria perdição para dedicar-se inteiramente ao serviço de Deus.
 Desde os mais tenros anos, esta alma sentira fortemente a vocação para o estado religioso; mas com o correr dos anos, ai de mim, esta alma andava bebendo a largos tragos a vaidade deste mundo. A vocação que se fazia sentir forte nesta alma, por um lado, e, por outro lado, o doce e falso gosto deste mundo começam a lutar poderosamente entre si no coração desta pobrezinha, e - talvez e sem talvez - os sentidos, com o andar do tempo, teriam triunfado sobre o espírito e sufocado a boa semente do divino chamado. Mas o Senhor, que queria esta alma para si, dignou-se favorecê-la com esta visão.
 Certo dia, enquanto estava meditando sobre a sua vocação e como decidir-se para dar um adeus ao mundo e dedicar-se inteiramente a Deus num sagrado recinto, foi repentinamente raptada nos sentidos e levada a fitar com o olho da inteligência objetos diferentes daqueles que se vêem com os olhos do corpo.
 Deparou ao seu flanco um homem majestoso de rara beleza, brilhante como o sol. Este tomou-a pela mão e (a pobrezinha) ouviu dele: “Vem comigo, porque te convém combater qual valente guerreiro”. Conduziu-a a uma vastíssima esplanada. Aí havia uma grande multidão de homens divididos em dois grupos. Dum lado, homens de vulto belíssimo com vestes brancas, cândidas como a neve; - doutro lado, o segundo grupo, vultos de aspecto horrível, em vestes pretas como sombras escuras. 

 Entre estes dois grandes grupos de personagens havia um grande espaço e aí foi colocada esta alma pelo seu guia. Esta alma estava toda ocupada em admirar estes dois grupos de homens e eis que, de repente, avançou por aquele espaço, que dividia os dois grupos, um homem de enorme estatura, de tal forma a tocar com a fronte as nuvens. O vulto dele parecia o de um etíope, tão horrendo era.
 À tal visão a pobre alma sentiu-se totalmente desconcertada, sentiu que a vida lhe era sustada. Aquele estranho personagem avançava sempre para mais perto de si; o seu guia ao flanco disse-lhe que com aquele indivíduo devia bater-se. A tais palavras a pobrezinha empalideceu, tremeu toda e estava a ponto de cair semimorta por terra, tão grande era o terror que havia experimentado.

 O guia sustentou-a por um braço. Quando a pobrezinha se havia refeito um pouco do pavor, volta-se para o guia suplicando-lhe a não a expor à fúria daquele tão estranho personagem, porque, dizia-lhe, ser tão forte que não bastariam para vencê-lo sequer as forças de todos os homens juntos.
 “Vã é toda a tua resistência; com este te convém engalfinhar-te. Toma coragem: entra confiante na luta, avança corajosamente que eu permanecerei ao teu lado; eu te ajudarei e não permitirei que ele te abata. Como prêmio da vitória que alcançarás, doar-te-ei uma esplêndida coroa, que te ornará a fronte.”
 A pobrezinha toma ânimo; entra em combate com aquele formidável e misterioso personagem. O choque foi formidável, mas com a ajuda que lhe era oferecida pelo guia, que jamais se apartou dela, finalmente supera-o, abate-o, vence-o e obriga-o à fuga.

 O guia, então, fiel à promessa, tira de debaixo de suas vestes uma coroa de raríssima beleza que seria inútil tentar descrevê-la e lha coloca na cabeça, mas imediatamente retira-a dizendo: “Uma outra mais linda tenho reservada para ti se souberes lutar bem contra aquele personagem com o qual combateste agora. Ele retornará sempre ao assalto para vingar a honra perdida; combate como valoroso e não duvides do meu auxílio. Mantém bem abertos os olhos, porque aquele personagem misterioso esforçar-se-á por agir contra ti de surpresa. Não te assuste a moléstia dele, não te amedronte a sua formidável presença, lembra-te do quanto te prometi: eu estarei sempre ao teu lado; ajudar-te-ei continuamente, a fim de sempre que possas prostrá-lo”.
 Derrotado aquele misterioso homem, toda a grande multidão de homens de horrível aspecto se pôs em fuga entre urros, imprecações e gritos ensurdecedores; - enquanto dos peitos da outra multidão de homens de belíssimo aspecto brotavam vozes de aplausos e de louvores em direção àquele homem esplêndido e reluzente mais que o sol, que havia assistido tão esplendidamente a pobre alma naquela tão áspera batalha.
 Assim acabou a visão.
 A pobre alma, mediante esta visão, ficou tão repleta de coragem que lhe pareciam mil anos o tempo para romper definitivamente com o mundo e dedicar-se inteiramente ao serviço divino nalgum instituto religioso.

 O significado da supracitada visão foi compreendido por esta alma, mas não claramente. O Senhor, porém, quis manifestar-lhe o significado desta simbólica visão com uma outra visão (a segunda), poucos dias antes dela entrar na vida religiosa. Digo poucos dias antes, porque ela já havia feito o pedido ao Superior Provincial do qual havia recebido a resposta de aceitação, quando o Senhor se dignou dar-lhe esta outra visão, a qual foi puramente intelectual.
 Era o dia da Circuncisão de Nosso Senhor (01/01/1903), cinco dias antes da partida dela da casa paterna. Havia comungado e enquanto se entretinha com o seu Senhor foi instantaneamente investida de luz sobrenatural interior. Por meio desta luz puríssima, repentinamente, compreendeu que a sua entrada na vida religiosa para dedicar-se ao serviço do celeste Monarca outra coisa não era do que expor-se à luta com aquele misterioso homem do inferno com o qual havia mantido a batalha na visão precedente.
 Compreendeu ademais, e isto valeu para confortá-la, que, embora os demônios se fizessem presentes aos combates dela para zombarem nas derrotas, por outro lado nada havia a temer porque aos combates dela assistiriam os anjos seus para aplaudir frente às derrotas de satanás.
 E uns e outros estavam simbolizados nos dois grupos de homens que tinha visto na outra visão. Compreendeu, ademais, que o inimigo, com o qual devia lutar, embora fosse terrível, não devia temê-lo, porque ele mesmo, Jesus Cristo, representado por aquele homem luminoso que lhe servira de guia, a assistiria e sempre lhe estaria próximo para ajudá-la e premiá-la no céu pelas vitórias que alcançasse, contanto que, confiada somente nele, tivesse combatido com generosidade.
 Esta visão tornou generosamente forte esta alma para dar o seu último adeus ao mundo. Mas não se deve crer que ela nada tivesse que sofrer na parte inferior, pelo abandono a dar aos seus, com os quais se sentia fortemente ligada. Sentia até serem-lhe moídos os ossos neste abandono a ser feito e esta dor sentia-a sim ao vivo, a tal ponto que estava por desmaiar.

 Conforme se aproximava o dia da sua partida, esta angústia ia crescendo sempre mais. Na noite, a última que passava junto aos seus, o Senhor veio confortá-la com outra visão (a terceira). Viu Jesus e sua Mãe que com toda a majestade puseram-se a encorajá-la e a confirmar-lhe a predileção deles. Jesus, enfim, pôs-lhe uma mão sobre a cabeça, e isto foi o suficiente para torná-la forte na parte superior da alma, de tal modo a não fazer-lhe verter sequer uma lágrima na dolorosa separação, apesar do pungente martírio que a angustiava na alma e no corpo”. (Epistolario I, pp. 1280-1284).
 Mais tarde, em novembro de 1922 (com 35 anos de idade, 12 de sacerdócio e quase 20 daquelas 3 visões), ele toca de novo no assunto ao escrever a uma dirigida espiritual, Nina Campanille, pedindo-lhe orações. Eis alguns tópicos:
 “Jesus esteja sempre convosco! (saudação à Nina).
 Estou no terceiro dia do santo retiro espiritual e, através da fulgurante graça de Deus, vou conhecendo sempre mais a mim mesmo, por um lado e a bondade de Jesus para comigo e para com todos vós, por outro lado.
 Reza por mim a este Amante divino, a este querido Esposo das nossas almas, para que complete a obra da graça que iniciou comigo pobrezinho. Em mim pobre e vil criatura sua, que desde o nascimento me demostrou sinais de especialíssima predileção: demostrou-me que ele não somente seria o meu salvador, o meu sumo bem-feitor, mas o amigo devoto, sincero e fiel, o amigo do coração, o eterno e infinito amor, a consolação, a alegria, o conforto, todo o meu tesouro”.
 (E passa a descrever a sua infidelidade aos dons de Deus...)
 Depois continua:
 “Mas tu, Senhor, que fizeste experimentar todos os efeitos de um verdadeiro abandono a este teu filho, surgiste no fim, estendeste-me a tua mão poderosa e me conduziste lá onde antes me havias chamado. Sejam-te dados infinitos louvores e ações de graças, ó meu Deus!
 Mas tu me escondeste aqui, aos olhos de todos, mas havias confiado desde então uma grandíssima missão ao teu filho: missão que a ti e a mim somente é conhecida. Meu Deus! Pai meu! como correspondi a tal missão?
 Não o sei. Sei somente que talvez devia fazer mais, e (este) é o motivo da presente inquietação do meu coração.

 Inquietação que sinto agigantar-se sempre mais dentro de mim nestes dias de retiro espiritual. Levanta-te portanto mais uma vez, ó Senhor, e liberta-me sobretudo de mim mesmo e não permitas que se perca aquele, que com tanta solicitude chamaste e roubaste do mundo que não é teu. Surge portanto mais uma vez, ó Senhor, e confirma na tua graça aqueles que me confiaste e não permitas que alguém venha a se perder desertando do ovil.
 Ó Deus! ó Deus!... não permitas que se perca a tua herança. Ó Deus! faz-te sentir ao meu pobre coração e completa em mim a obra já iniciada.
 Sinto internamente uma voz que freqüentemente me diz: Santifica-te e santifica. Pois bem, minha caríssima (Nina), eu o quero, mas não sei por onde começar.
 Ajuda-me também tu; sei que Jesus te quer tanto bem e o mereces. Portanto, fala-lhe por mim, que me conceda a graça de ser um filho menos indigno de São Francisco, que possa servir de exemplo aos meus confrades de modo que o fervor continue sempre e aumente cada vez mais em mim de tal forma a fazer de mim um perfeito capuchinho.
 Deixo-te no Coração sacratíssimo de Jesus e abençôo-te com duplicado afeto. P. Pio” . ( Epistolario III, pp. 1005-1010).

 Quem se inteira da autêntica vida do Padre Pio, dá-se conta de que toda ela se transformou, por assim dizer, na batalha prevista na primeira visão. E que ele foi fiel no combate até o fim. Com toda a certeza recebeu a maravilhosa coroa que o Guia lhe prometera na ocasião. As lutas com o demônio (os demônios), também fisicamente, foram mais vezes comprovadas até por autoridades eclesiásticas. Lutas com os demônios muito mais graves no âmbito moral, pelas tentações, especialmente contra a fé. Luta sofrida também da parte dos homens, inclusive autoridades eclesiásticas, com mil e umas contradições, desconfianças, e até calúnias e punições. Mais os sofrimentos físicos por doenças corporais (inexplicáveis) que o acompanharam durante quase toda a vida. Em sentindo místico, a noite escura, os estigmas e demais dons místicos também configuram o homem da dor, do sofrimento, da verdadeira vítima. 

 Pe. Bento de São Marcos in Lamis, seu diretor espiritual (na época era também seu Reitor Provincial), frente às angústias do Padre Pio por ocasião da transverberação (que a considerava como condenação, vingança de Deus) respondia-lhe: “Piuccio caríssimo, nada de abandono, nada de justiça vingativa, nada de indignidade de vossa parte merecedora de rejeição e de condenação. Tudo o que acontece em vós é efeito de amor, é prova, é vocação a co-redimir, e, portanto, é fonte de glória... Eis tudo, eis a verdade e somente a verdade. A vossa não é sequer uma purificação, mas uma união dolorosa. O fato da ferida (transverberação) realiza a vossa paixão tal como a realizou o Amado na cruz”... (Epistolário I, p 1068 s). 
 Vocação a co-redimir: Padre Pio muitas vezes oferecia-se como vítima pelos pecadores e pelas almas do purgatório. No dia 29 de novembro de 1910 (ordenado padre há pouco mais de 3 meses) pedia ao diretor espiritual, Pe. Bento: “Há muito tempo que sinto em mim uma necessidade, isto é, de oferecer-me ao Senhor como vítima pelos pobres pecadores e pelas almas do purgatório. Este desejo foi crescendo sempre mais no meu coração, tanto assim que agora se tornou, por assim dizer, uma forte paixão. Na verdade, fiz mais vezes esta oferta ao Senhor, esconjurando-O a verter sobre mim os castigos preparados para os pecadores e para as almas do purgatório, até centuplicando-os sobre mim, contanto que converta e salve os pecadores e admita logo no paraíso as almas do purgatório; mas agora quisera fazer ao Senhor esta oferta com a vossa obediência” (Epistolário I, p. 206). 
 Podemos dizer que Deus aceitou tal oferta. E também os estigmas que recebeu como dom e que o acompanharam por mais de 50 anos, vertendo sangue a cada dia, são um sinal da sua identificação com o Cristo Crucificado. Os estigmas não eram meros enfeites, para suscitar a curiosidade do povo, mas uma perfeita participação nos sofrimentos de Cristo. Padre Pio podia repetir com muita propriedade para os seus dirigidos o que São Paulo dizia de si mesmo: “Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e completo, na minha carne, o que falta às tribulações de Cristo pelo seu Corpo que é a Igreja” (Cl 1,24).
 Apraz-me transcrever o que Frei Francisco Colacelli, no Editorial de “Voce di Padre Pio”, anno XXXVII, n. 9, settembre 2006, p. 3, apresenta: 
 “Nós aqui em San Giovanni Rotondo “usamos” (sic) o nosso Santo. Continuamos a propor, como bandeira, um homem chamado por Deus para tornar novamente visível ao mundo o Evangelho de Cristo crucificado. A missão do Padre Pio, portanto, de forma alguma acabou. E não é só a de converter. Não se esgota sequer considerando a oferta dos seus sofrimentos, numa humilde disponibilidade para a corredenção, para completar na sua “carne o que falta aos sofrimentos de Cristo, em favor do seu corpo, a Igreja”. Ele foi e continua a ser, na época do triunfo dos sentidos, o sinal do sacrifício divino que se tenta obscurecer. O sinal duma morte na cruz que grita “amor” a toda a criatura”.

 Por isso é que São Pio de Pietrelcina atrai hoje tantas pessoas e a tantos também agracia. É um extraordinário homem de Deus, um santo para os nossos tempos.
 Ele próprio, apesar da sua profunda humildade, reconheceu que “desde o nascimento Deus lhe demonstrara sinais de especialíssima predileção..., que lhe confiara uma grandísima missão conhecida somente por ele e por Deus”... Uma grandíssima missão que não se reduziria ao tempo de sua vida mortal, mas que se prolongaria nos tempos futuros e que está deveras se prolongando nos nossos dias. 


http://www.saopio.com.br/index.php?ddir=paginas&secao=textos&page=mostra&id=2
Fonte: Introdução e tradução de Pe. Bernardino Trevisan

"SOMOS FILHOS AMADOS DO PAI"

Com batismo do Senhor, passamos do tempo do Natal ao tempo litúrgico comum. Tempo que vai nos revelar a missão de Jesus e o chamado feito a cada um de nós no dia do nosso batismo: sermos anunciadores da boa-nova do reino. 

Enquanto João Batista prega a conversão dos pecados, Jesus vem e entra no rio Jordão, como todo o povo, para ser batizado. Mesmo sem precisar da remissão dos pecados, Jesus busca o batismo e se solidariza com o povo, une-se com quem deve ser salvo. Ao mesmo tempo, é revelado como Filho amado do Pai celeste e recebe o Espírito que o investe da missão de profeta, sacerdote e rei. 

Ao celebrar a festa de hoje,  somos levados a refletir também sobre o nosso batismo. A exemplo de Jesus, ao sermos ungidos com o óleo batismal, desce sobre cada um o Espírito e somos proclamados filhos e filhas amados do Pai. Isso constitui grande alegria e nos leva a reconhecer no batismo, mais do que um peso sobre as costas, um dom, predileção de Deus, vocação a fé comprometida com o projeto de Jesus. 

Recebendo o Espírito no batismo, fomos habilitados para a missão. Unidos a Jesus e a exemplo Dele, tornamo-nos sacerdotes (servidores do culto), profetas (servidores da palavra) e reis (servidores do povo de Deus). Batizados em nome da Santíssima Trindade, entramos a fazer parte da comunidade, a grande Família de Deus. É aí que alimentamos nossa fé e fortalecemos nosso compromisso com Jesus e com os irmãos. 

Nosso principal compromisso é seguir o caminho de Jesus, procurando viver uma vida nova, passando da solidariedade no pecado à solidadriedade no amor e assumindo o projeto de uma vida livre da injustiça e da corrupção. Jesus passou a vida fazendo o bem; somos convidados a imitá-lo.


Comentário do Pe. Nilo Luza, ssp sobre o Evangelho deste domingo dia 13/01/2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

"NOSSAS AÇÕES DEMONSTRANDO AMOR A ELE"


Morte de Cruz!
Quem ama, não ama senão para ser amado; assim, diz S. Bernardo, Deus que tanto nos amou, só quer de nós o nosso amor. Dirigindo-se depois a cada um de nós, ajunta: “Homem, qualquer que seja, viste o amor que Deus te mostrou fazendo-se homem, sofrendo, morrendo por ti; quando é que Deus verá por experiência em tuas ações o teu amor a ele?”
Ah! ao ver que um Deus se quis revestir da nossa carne, levar vida tão penosa, e padecer morte tão cruel por nós, cada homem deveria arder de amor para com esse Deus tão amoroso. Oxalá romperas tu os céus, e desceras de lá! Os montes se derreteriam diante da tua face; as águas arderiam em fogo (Is 64,1). Meu Deus, exclamava o profeta antes da vinda do Messias, dignai-vos descer do céu, tomar a natureza humana e habitar entre nós! Vendo-vos os homens feito como um deles, as montanhas se derreterão, aplanar-se-ão para eles todos os obstáculos, todas as dificuldades, que os impedem de observar os vossos preceitos e os vossos conselhos; e as águas arderão em fogo: a chama que acendereis nos corações penetrará nas almas mais glaciais e as abrasará de amor por vós!
E de fato, depois da encarnação do Verbo, que belo incêndio de amor divino se viu resplandecer em tantas almas generosas! Desde que Jesus Cristo veio habitar entre nós, Deus foi certamente mais amado pelos homens num só século, do que o fora durante os quarenta séculos que precederam a sua vinda. Quantos jovens, nobres e até monarcas renunciaram às riquezas, às honras e à dignidade régia, retiraram-se ao deserto ou ao claustro, e abraçaram uma vida pobre e desprezada a fim de melhor mostrar a Deus o seu amor! Quantos mártires caminharam jubilosos e sorridentes aos tormentos e à morte! Quantas tenras virgens recusaram a mão dos grandes do mundo e derramaram seu sangue por Jesus Cristo a fim de retribuir de alguma maneira a um Deus que quis encarnar-se e morrer por seu amor!
Sim, tudo isso é verdade; mas consideremos agora o que nos deve fazer chorar. Tem-se visto igual maneira de agir em todos os homens? Têm todos procurado corresponder a esse grande amor de Jesus Cristo? Ah! a maior parte lhe pagou e ainda paga com ingratidão. E tu, meu irmão, dize-me: qual tem sido o teu reconhecimento para com um Deus, que tanto te amou? Tens-lhe sempre agradecido? tens considerado o que significam as palavras: um Deus feito homem e morto por ti?
Um homem que assistia uma vez a missa sem devoção, como fazem tantos, não fez nenhum sinal de reverência ao ou-vir dizer no fim: “E o Verbo se fez carne”. O demônio deu-lhe uma rude bofetada dizendo: “Ingrato, lembram-te que Deus se fez homem por ti, e tu nem te dignas inclinar-te? Ah! se Deus tivesse feito outro tanto por mim, eu lhe ficaria grato eterna-mente”.
Dize-me, cristão, que mais poderia Jesus Cristo fazer para merecer o teu amor? Se o Filho de Deus tivesse de salvar da morte a seu próprio Pai, que mais poderia fazer do que abaixar-se ao ponto de tomar carne humana e sacrificar sua vida para resgatá-lo? Digo mais: Se Jesus Cristo fosse um simples homem e não uma pessoa divina, e quisesse por qualquer prova de afeição obter o amor de seu Pai, poderia ele fazer mais do que fez por ti? E se um dos teus servos tivesse dado o seu sangue e sua vida por amor de ti, não te prenderia o coração e te obrigaria a amá-lo ao menos por gratidão? E porque é que Jesus Cristo, mesmo dando por ti a sua vida, não conseguiu ganhar o teu amor?
Ah! se os homens desprezam o amor divino, é porque não compreendem, digamos melhor, não querem compreender que felicidade é possuir a graça de Deus, a qual, segundo a ex-pressão do Sábio, é um tesouro infinito, e faz amigos de Deus aos que dela gozam (Eclo 7,14). Os homens estimam e procuram o favor dum príncipe, dum prelado, dum rico, dum sábio, até dum desclassificado na sociedade; e há infelizes que não fazem caso da graça de Deus: renunciam-na por uma fumaça, um prazer brutal, um pouco de terra, um capricho, um nada.
E tu, caro irmão, que dizes? queres ser também do número desses ingratos? Se Deus não te satisfaz, diz S. Agostinho, vê se podes encontrar algo que valha mais. Vai, pois, procura um príncipe mais benfazejo, um protetor, um irmão, um amigo mais amável, e quem te tenha amado mais do que Deus; pro-cura alguém que, mais do que Deus, te possa fazer feliz nesta vida e na outra.
Quem ama a Deus nenhum mal tem a temer; pois Deus assegura que não pode deixar de amar a quem o ama; e quando alguém é amado por Deus, que temor poderá ter? É assim que falava Davi: O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem pois temerei? E as irmãs de Lázaro contentaram-se em dizer ao Senhor que seu irmão estava enfermo, pensando: Jesus o ama e isso basta;Ele não podia deixar de ir em seu auxílio e curá-lo.
De outro lado como pode amar a Deus quem despreza o seu amor? Ah! resolvamos-nos uma vez a pagar com amor a um Deus que tanto nos tem amado. Peçamos-lhe sem cessar nos conceda o grande dom de seu amor. Segundo S. Francisco de Sales, é essa a graça que devemos desejar e pedir mais que toda outra graça, porque com o amor divino obtemos todos os outros bens como no-lo assegura o Sábio. Eis por que S. Agostinho dizia: “Amai e fazei o que quiserdes”. Quem ama a alguém foge de tudo que o possa desgostar e procura agradar-lhe sempre mais. Assim quem ama verdadeiramente a Deus nada faz que o possa desagradar, mas aplica-se a fazer o possível para lhe causar prazer.
Para obtermos mais depressa e mais seguramente esse precioso dom do divino amor, recorramos Àquela que mais amou a Deus, digo, à SS. Virgem Maria sua Mãe: o seu coração era tão inflamado de amor por Deus, que os demônios, no dizer de S. Bernardino de Sena, não ousavam aproximar-se dela para tentá-la. Ricardo ajunta que os próprios Serafins podiam descer do céu para aprender de Maria o modo de amar a Deus. E já que o coração de Maria era sempre todo abrasado do divino amor, continua S. Boaventura, ela comunica o mesmo fogo a todos os que a amam e dela se aproximam, tornando-os semelhantes a ela.
(Quem deseja ajuntar a estas considerações algum exemplo atinente à devoção do Menino Deus,pode escolher-se um dos que damos no fim das Meditações.)


Encarnação, Nascimento e Infância de Jesus Cristo
S. AFONSO MARIA DE LIGÓRIO
Doutor da Igreja e Fundador da Congregação Redentorista
Tradução do Pe. OSCAR DAS CHAGAS AZEREDO, C.Ss.R.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"O IMPÉRIO DO ANTICRISTO"



Visão do profeta Daniel

Uma noite, o profeta Daniel teve uma visão terrificante. Enquanto os quatro ventos do céu se combatiam sobre um vasto mar, ele viu surgir do meio das vagas quatro bestas monstruosas.Eram uma leoa, um urso, um leopardo de quatro cabeças, depois não sei que força prodigiosa, tendo dentes e unhas de ferro, e dez chifres na testa.Foi revelado ao profeta que estas quatro bestas significavam quatro impérios que se elevariam sucessivamente sobre as vagas movediças da humanidade.Ora, enquanto Daniel considerava com horror a quarta besta, viu um chifrezinho nascer no meio dos dez outros, abater três, e crescer acima de todos; e este chifre tinha olhos de homem, e uma boca que falava com insolência; fazia guerra aos santos do Altíssimo, e levava a melhor sobre eles. O profeta perguntou o sentido desta estranha visão. Foi-lhe respondido que os dez chifres representavam dez reis; o chifrezinho era um rei que acabaria por dominar sobre toda a terra com inaudito poder. “Vomitará, lhe foi dito, blasfêmias contra Deus, esmagará debaixo dos pés os santos do Altíssimo; ele pensará que pode mudar os tempos e as leis; e tudo lhe será entregue durante um tempo, dois tempos, e a metade de um tempo”. (Dn 7).Por este rei todos os intérpretes entendem o Anticristo.Qual é a besta sobre a qual surgiu, no tempo marcado, este chifre de impiedade? É a Revolução, pela qual se entende todo o corpo dos ímpios, obedecendo a um motor oculto e se insurgindo contra Deus: a Revolução, poder Satânico e bestial; satânico, porque animado por um espírito infernal; bestial, porque entregue a todos os instintos da natureza degradada. Ela tem dentes e unhas de ferro: pois forja leis despóticas por meio das quais esmaga a liberdade humana. Procura apoderar-se dos reis e dos governos, que têm de fazer um pacto com ela. Quando o Anticristo aparecer, ela terá dez reis a seu serviço, como os dez chifres da testa.O Anticristo, nos diz Daniel, aparecerá como um chifrezinho; terá um começo obscuro. Não sairá da família real; será um Maomé, um Mahdi, que se levantará pouco a pouco pela audácia de suas imposturas, secundadas pela cumplicidade do diabo.O chifre que o representa é muito diferente dos outros. Tem olhos de homem; pois o novo rei é um vidente, um falso profeta. Tem uma boca que fazgrandes discursos; pois se impõe não menos pelo brilho da palavra e a sedução das promessas, do que pela força das armas e das intrigas políticas.Cedo todo o mundo terá os olhos voltados para o impostor, seus grandes feitos serão celebrados pelas trombetas de uma imprensa complacente. Sua popularidade sombreará a de muitos soberanos apóstatas, que dividirão então entre si o império da besta revolucionária. Seguir-se-á uma luta gigantesca, na qual, segundo Daniel, o Anticristo abaterá todos os seus rivais.Neste momento todos os povos, fanatizados por seus prodígios e suas vitórias, o aclamarão como o salvador da humanidade. E os outros reis não terão outro recurso que se submeterem a ele.Este será o começo de uma crise terrível para a Igreja de Deus. Pois o chifre da impiedade, alcançando o auge do poder, fará guerra aos santos e prevalecerá contra eles.É provável que durante esse período que poderá durar muitos anos, o homem do pecado afetará ares de moderação hipócrita.Judeu, se apresentará aos judeus como o Messias esperado, como o restaurador da lei de Moisés; tentará torcer a seu favor as misteriosas profecias de Isaias e Ezequiel; reconstruirá, no dizer de muitos Padres da Igreja, o templo de Jerusalém. Os judeus, ao menos em parte, ofuscados por seus falsos milagres e seus fausto insolente, o receberão, o falso Cristo; porão a seu serviço a alta finança, toda a imprensa, e as lojas maçônicas do mundo inteiro.É muito crível também que o Anticristo disporá, para subir, de todos os partidários das falsas religiões. Ele se anunciará como cheio de respeito pela liberdade dos cultos, uma das máximas e uma das mentiras da besta revolucionária. Dirá aos budistas que é um Buda; aos muçulmanos, queMaomé é um grande profeta. Nada impede que o mundo muçulmano aceite o falso messias dos judeus como um novo Maomé.O que sabemos? Talvez irá até dizer, em sua hipocrisia, como Herodes seu precursor, que quer adorar Jesus Cristo. Mas isso não passará de uma zombaria amarga. Malditos os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável Salvador seja posto lado a lado com Buda e Maomé, em não sei que panteon de falsos deuses!Todos esses artifícios, parecidos com a carícia no cavalo do cavaleiro que o quer montar, arrebanharão insensivelmente o mundo para o inimigo de Jesus Cristo; mas uma vez firme nos estribos, usará do freio e das esporas; e a mais terrível tirania pesará sobre a humanidade.São Paulo nos faz conhecer com um só traço toda a extensão dessa tirania, a mais odiosa que houve e que haverá em todos os tempos.O homem da perdição, diz ele, o filho da perdição, o ímpio, “se oporá e se levantará contra tudo o que se chama Deus ou que é adorado como Deus, até se sentar no templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus”. (2 Ts 2 4).Daniel tinha predito antes de São Paulo: “Não terá em conta para nada o Deus de seus pais; ele mergulhará em deboches; não terá preocupação com Deus algum, levantar-se-á contra tudo”. (Dn 11, 17).Assim, quando o Anticristo tiver escravizado o mundo, quando tiver colocado em toda parte seus ordenanças e suas criaturas, quando puder puxar à sua vontade todos os fios de uma centralização levada ao extremo: ele tirará a máscara, proclamará que todos os cultos estão abolidos, se aclamará como Deus único e, debaixo das penas mais terríveis e mais infamantes, quererá forçar todos os habitantes da terra a adorar, excluindo qualquer outra, sua própria divindade.É nisto que desembocará a famosa liberdade de culto da qual se faz tanto alarde; a promiscuidade dos erros exige logicamente esta conclusão.Enquanto esteve na terra, o adorável Jesus, manso e humilde de coração, nunca se propôs à adoração de seus apóstolos sendo Ele Deus; muito ao contrário, pôs-se de joelhos diante deles e lhes lavou os pés. O Anticristo, monstro da impiedade e de orgulho, far-se-á adorar pela humanidade enlouquecida e seduzida; ela terá escolhido este mestre de preferência ao primeiro.E não se pense que a armadilha será grosseira! Não esqueçamos, diz São Gregório, que o monstro disporá do poder do diabo para fazer falsos prodígios; ao contrário do começo, quando os milagres estavam do lado dos mártires, parecerá que agora estão do lado dos carrascos. Haverá uma ofuscação, uma vertigem. Somente os humildes, firmes em Deus, distinguirão a mentira e escaparão à tentação.Mas onde o Anticristo estabelecerá seu novo culto? São Paulo nos diz: no templo de Deus; Santo Irineu, quase contemporâneo dos Apóstolos, esclarece melhor e diz: no templo de Jerusalém que ele fará reconstruir. Este será o centro da horrível religião. São João em outro lugar nos dá a conhecer a imagem do monstro será proposta por toda parte à adoração dos homens. (Ap 13, 24).Então budismo, islamismo, protestantismo, etc. serão suprimidos e abolidos. Mas não é preciso dizer que o furor do mundo se dirigirá contra Nosso Senhor e sua Igreja. Fará cessar o culto público; desaparecerá, diz Daniel, o sacrifício perpétuo. Só se poderá celebrar a Santa Missa em cavernas e em lugares escondidos. As igrejas profanadas só apresentarão ao olhar a abominação da desolação, a saber, a imagem do monstro elevada aos altares do verdadeiro Deus. (Daniel, pass.). Houve um ensaio dessas coisas na Revolução Francesa.Aí a mão de Deus se fará sentir. Ele abreviará esses dias de suprema angústia. Essa perseguição, que fará vacilar as colunas do céu, só durará um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, a saber, três anos e meio.



PE. EMMANUEL-ANDRÉ
O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS


"O HOMEM DO PECADO"



Está entre as coisas possíveis, se bem que a apostasia já esteja muito avançada, que os cristãos, por um esforço generoso, façam recuar os promotores da descristianização, e propiciem assim, para a Igreja, dias de consolação e de paz antes da grande provação. Este resultado nós o esperamos, não dos homens, mas de Deus, não tanto dos esforços, mas das orações.
Nesta ordem de idéias, alguns autores piedosos esperam, depois da crise presente, um triunfo da Igreja, qualquer coisa como um dia de Ramos, no qual esta Mãe seria aclamada pelos gritos de amor dos filhos de Jacob, reunidos às nações, na unidade de uma mesma fé. Nós nos associamos com prazer a essas esperanças, que visam um fato formalmente anunciado pelos profetas, e do qual falaremos a seu tempo. É da tradição dos primeiros tempos da Igreja, consignada em Lactancio, que um dia o império do mundo voltaria à Ásia: Imperium in Asium revertetur.
Qualquer que seja esse triunfo, se Deus no-lo conceder, não será de longa duração. Os inimigos da Igreja, atordoados por um momento, retomarão sua obra satânica com redobrado ódio. Pode-se imaginar o estado da Igreja, então, como semelhante ao estado de Nosso Senhor nos dias que precederam sua Paixão.
O mundo será profundamente agitado, como estava o povo judeu reunido para as festas pascais. Haverá imensos rumores, cada um falando da Igreja, uns para dizer que ela é divina, outros que ela não o é. Ela será o alvo dos ataques mais insidiosos do livre pensamento; mas nunca terá reduzido tão bem ao silêncio seus contraditores, pulverizando seus sofismas.
Em resumo, o mundo será posto face à verdade; será atingido em pleno rosto pelo esplendor divino da Igreja; mas ele voltará as costas, e dirá: “Não a quero!”.
Esse desprezo da verdade, esse abuso de graças será a introdução do homem do pecado. A humanidade estará querendo esse mestre imundo: ela o terá. E por ele se produzirá uma sedução de iniqüidade, uma eficácia do erro (é assim que Bossuet traduz São Paulo) que punirá os homens por terem rejeitado e odiado a Verdade.
Falando assim, não estamos fabricando imaginações, seguimos o Apóstolo. Segundo ele, com efeito, toda sedução de iniqüidade agirá “sobre aqueles que perecem, como não tendo recebido o amor da Verdade que os teria salvo. Por essa razão, Deus lhes enviará a eficácia do erro, a fim de que creiam na mentira; e assim serão julgados aqueles que não creram na verdade, mas se comprazeram na iniqüidade”. (Tess., II, 11. 12).
Quando o homem do pecado aparecer será pois, como diz São Paulo, a seu tempo; quer dizer, no momento em que o corpo dos maus, fechado aos golpes da graça, tornado compacto e intratável pela obstinação de sua malícia, estiver pedindo uma cabeça como essa.
Ele surgirá, e Satã fará explodir nela toda a extensão de seu ódio contra Deus e os homens. O homem do pecado, o Anticristo, será um homem, um simples viajante para a eternidade. Alguns autores supuseram nele a encarnação do demônio; essa imaginação é sem fundamento. O diabo não tem o poder de tomar e se unir a uma natureza humana, de macaquear o adorável mistério da Encarnação do Verbo.
Os Padres pensam unanimemente que ele será judeu de origem. Acrescentam mesmo que será da tribo de Dan, fundando-se em que essa tribo não é nomeada no Apocalipse como fornecendo eleitos ao Senhor. Santo Agostinho faz eco a essa tradição em seu livro “Questões sobre Josué”. Ela se torna bastante verossímil pelo fato de que a franco-maçonaria é de origem judaica; que os judeus dirigem-na espalhados pelo mundo inteiro; o que deixa crer que o chefe do império anticristão será um judeu. Os judeus, aliás, que não querem reconhecer Jesus Cristo, esperam sempre seu Messias. Nosso Senhor lhes dizia: “Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebestes: se outro vier em seu próprio nome, vós o recebereis”. (Jo 5, 43). Por esse outro os Padres entendem comumente o Anticristo.
Apesar do Anticristo ser chamado o homem do pecado, o filho da perdição, não se deve pensar que ele será votado fatalmente e irremissivelmente ao mal. Ele receberá graças, conhecerá a verdade, terá um anjo da guarda. Terá os meios de alcançar a salvação, e se perderá por sua própria culpa.
No entanto, São João Damasceno não hesita em dizer que ele será impuro desde seu nascimento, todo impregnado do hálito de Satã. E é de crer que desde a idade da razão ele entrará em relação tão constante e tão estreita com o espírito das trevas, se voltará para o mal com tal teimosia que não deixará penetrar em sua alma nenhuma luz sobrenatural, nenhuma graça do alto. Ele ficará imutavelmente rebelde a todo bem.
É isto que lhe valerá o nome de homem do pecado. Ele levará a seu máximo, fazendo de toda sua vida um só ato de revolta contra Deus; por essa constante aplicação do mal, atingirá um requinte de impiedade que nenhum homem nunca alcançou.
A qualificação de filho da perdição que lhe é comum com Judas, quer dizer que sua perda eterna está prevista por Deus, querida por Deus, em punição por sua terrível malícia, a ponto dela estar inscrita nas Escrituras e como que registrada de antemão. É provável, e isto é o que pensa São Gregório — que o monstro conhecerá, a uma luz que sai das profundezas do inferno, a sorte que o espera, que renunciará a toda esperança para odiar a Deus mais à vontade, que se fixará desde esta vida na irremediável obstinação dos danados. E assim ele realizará o terrível nome de filho da perdição.
Desta maneira ele será verdadeiramente o Anticristo, a saber, o antípoda de Nosso Senhor. Jesus Cristo estava elevado acima do alcance do pecado; o Anticristo se porá fora do alcance da graça, por um abandono de todo seu ser ao espírito do mal. Jesus Cristo se volta para seu Pai com todo o impulso de uma natureza divinizada e preservada das más influências; o Anticristo se voltará para o mal com todo o impulso de uma natureza profundamente viciada e que renunciará mesmo à esperança.
Estando assim diametralmente oposto a Nosso Senhor, ele fará obras em oposição direta às suas.
Ele será para Satã um órgão de escol, um instrumento de predileção.
Assim como Deus, enviando seu Filho ao mundo, o revestiu do poder de fazer milagres, e mesmo de dar a vida aos mortos, assim também Satã fazendo um
pacto com o homem do pecado, lhe comunicará o poder de fazer falsos milagres. Por isto São Paulo diz que “sua vinda é obra de Satanás com o desdobramento de poder, de sinais e de prodígios mentirosos”. Nosso Senhor só fez milagres de bondade, recusou fazer prodígios de pura ostentação; o Anticristo se comprazerá em fazê-los, e os povos, por um justo julgamento de Deus, se deixarão prender por suas artimanhas.
Está claro, pelo que precede, que o Anticristo se apresentará ao mundo como o tipo completo desses falsos profetas que fanatizam as massas, e que as arrastam a todos os excessos, sob o pretexto de uma reforma religiosa. Sob este ponto de vista, Maomé parece ser seu verdadeiro precursor. Mas ele o ultrapassará de imediato em perversidade, em habilidade, como também pela plenitude de seu poder satânico.
Estudaremos em próximo artigo as origens e os desenvolvimentos de seu poder, assim como as fases da guerra de extermínio que ele desencadeará contra a Igreja de Jesus Cristo.


PE. EMMANUEL ANDRÉ
O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS



"SINAIS DE AUTENTICIDADE DA IGREJA CATÓLICA"

Distinguimos, na verdadeira Igreja (Católica), quatro sinais de sua autenticidade:

Unidade
A Igreja verdadeira só pode ser uma: uma em seu chefe e uma em sua fé. "Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef 4, 5).
O Papa é o sucessor direto de S. Pedro. A fé católica é a mesma em qualquer parte do mundo. A Igreja Católica tem um só chefe, uma só fé, um só culto (missa e sacramentos).

Santidade
A Igreja é santa em sua doutrina. A santificação dos homens é a sua finalidade. Se todos os seus membros não são santos, é porque não observam, como devem, a sua doutrina. A hierarquia da Igreja, os padres, bispos e o Papa, como nós, são humanos e fracos - todos somos pecadores.
Por isso, não é no homem que nos devemos firmar e sim em Deus. A santidade da Igreja está em sua doutrina. (divina) - e santos são os que a vivem integralmente. A vontade de Deus é a nossa santificação. (1Ts 4, 3).

Catolicidade
Catolicidade significa universalidade - A Igreja de Cristo destina-se a todos os homens, de todos os tempos. A Igreja é acima de governos e de costumes, embora procure adaptar-se à mentalidade de cada país e de cada época. Esta adaptação, porém, jamais poderá ir de encontro aos seus dogmas - porque estes são as rochas que constituem o seu fundamento.

Apostolicidade
Isto é, conserva a doutrina dos apóstolos. "Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio" (Jo 20, 21). "Quem vos ouve, a mim ouve" (Lc 10, 16). Para cumprir a sua missão, Jesus deu à Sua Igreja o poder de:
1 - Ensinar - "Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura" (Mc 16,15). "Ide, ensinai a todas as gentes (...) ensinando a observar todas as coisas que eu vos mandei" (Mt 28, 19-20)
2 - Reger - "Tudo o que ligardes na terra, será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na terra, será desligado no Céu" (Mt 18, 18).
3 - Santificar - pelos sacramentos, fontes de graça divina.
"Ide, pois ensinai (...) batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28, 19).
"Recebei o Espírito Santo: aqueles a quem perdoastes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos"(Jo 20, 21-23).
"Fazei isto em memória de Mim" (Lc 22, 19) - a Eucaristia, o Sacrifício redentor, o sacramento da mais íntima união com Deus, a grande fonte de santidade.


ARQUIDIOCESE DE BRASÍLIA
PARÓQUIA SÃO JOSÉ
CATEQUESE DE CRISMA