sábado, 2 de março de 2013
O Espírito Santo como Dom de Deus
Ensina o Catecismo da Igreja Católica que “o Amor é o primeiro dom.
Ele contém todos os demais” (cf. CIC 733). São João ensina que
“Deus é Amor” (cf. 1Jo 4,8.16). Por isso Deus entregou-Se em
sacrifício na Cruz por nós na pessoa de Jesus Cristo, ato do Seu de
extremo amor por nós (cf Jo 15,13; Mt 26,26-28).
O Deus que venceu a Morte é o mesmo que nos insere na Vida. Por
esta razão o Espírito Santo é prometido para santificar e curar os fiéis de
seus pecados e males. Sobre isso ensina o Catecismo: “Pelo fato de
estarmos mortos, ou, pelo menos, feridos pelo pecado, o primeiro efeito do dom do Amor é a remissão de nossos pecados. É a comunhão do Espírito Santo (2Cor 13,13) que, na Igreja, restitui aos batizados a semelhança divina perdida pelo pecado. [...] É por este poder do Espírito que os filhos de Deus podem dar fruto.”
A Igreja ensina que o Espírito Santo também é dom dado aos fiéis
para que estes dêem frutos que são "caridade, alegria, paz, paciência,
afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança" (Gl 5,22-23).
Muita gente confunde os frutos do Espírito Santo com os dons do
Espírito Santo. “Os dons do Espírito Santo são disposições permanentes
que tornam o homem dócil para seguir as inspirações divinas. [...] Os frutos do Espírito Santo são perfeições plasmadas em nós como primícias da glória eterna.”
Os Dons do Espírito Santo
Desde o AT o Senhor anunciava pela boca de seus santos profetas o
advento do Espírito Santo. Por exemplo, disse o Profeta Ezequiel: “Porei em vós o meu espírito e vivereis” (cf. Ez 37, 6). A vida que recebemos através do Espírito Santo não foi merecida por nós, mas é puro presente de Deus, e por isso mesmo é chamado de dom. Quantos e quais são estes dons?
A primeira pista que Deus nos deu veio bela boca do Profeta Isaías:
"Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas
raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de
sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de
coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor. (Sua alegria
se encontrará no temor ao Senhor.) Ele não julgará pelas
aparências, e não decidirá pelo que ouvir dizer" (Is 11, 1-3).
Por isso a Igreja ensina que são sete os dons do Espírito Santo:
sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.Entretanto encontramos o seguinte ensino de S. Paulo aos
coríntios: "A respeito dos dons espirituais, irmãos, não quero que vivais na ignorância. Sabeis que, quando éreis pagãos, vos deixáveis levar, conforme vossas tendências, aos ídolos mudos. Por isso, eu vos declaro: ninguém, falando sob a ação divina, pode dizer: Jesus seja maldito e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz" (1Cor 12,1-11).
Pode-se observar que existe uma notável diferença entre o que diz
São Paulo e o que diz o Profeta Isaías sobre os dons do Espírito Santo.
Porém, estaríamos cometendo um grave erro se achássemos que estes dois servos de Deus estão em contradição. Aliás, devemos lembrar que a
Escritura não se contradiz, pois é Palavra de Deus.
Esta aparente contradição se resolve pelo fato de que cada um está
falando sobre dons de categorias diferentes. A Igreja ensina que os dons ou
graças do Espírito Santo se dividem em:
a) graça santificante ou habitual: “A graça santificante é um dom
habitual, uma disposição estável e sobrenatural para aperfeiçoar a própria alma e torná-la capaz de viver com Deus, agir por seu amor”8. Este tipo de graça trata-se da “vida infundida pelo Espírito Santo em nossa alma, para curá-la do pecado e santificá-la” e é “recebida no Batismo”
b) graça atual: designa “as intervenções divinas, quer na origem da
conversão, quer no decorrer da obra da santificação” (Ibidem). A conversão de S. Paulo que se deu no caminho para Damasco por intervenção de Cristo é um exemplo deste tipo de graça (cf. At 9,1-8).
c) graça sacramental: são “dons que o Espírito nos concede, para
nos sociar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos outros e com o crescimento do corpo de Cristo, a Igreja.” São “os dons próprios dos diferentes sacramentos”10.
d) graça especial ou carisma: As “graças especiais, chamadas
também ‘carismas’, segundo a palavra grega empregada por S. Paulo e que significa favor, dom gratuito, benefício. Seja qual for seu caráter, às vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os
carismas se ordenam à graça santificante e têm como meta o bem
comum da Igreja. Acham-se a serviço da caridade, que edifica a Igreja.
Entre as graças especiais, convém mencionar as graças de estado, que
acompanham o exercício das responsabilidades da vida cristã e dos
ministérios no seio da Igreja”11.
Agora ficou simples resolver a aparente divergência entre o Profeta
Isaías e o Apóstolo Paulo. O primeiro está tratando dos dons que dizem
respeito à graça santificante ou habitual, aquela que recebemos no
batismo e nos demais sacramentos. O segundo refere-se aos dons
carismáticos que dizem respeito à graça especial, também chamada graça pessoal.
Prof. Alessandro Lima
O Dom das Línguas
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
O Homem depravado
Duas espécies de coisas multiplicam os pecados e uma terceira acarreta a cólera: a paixão ardente como fogo aceso: não se apaga enquanto tiver o que devorar;
o homem que deseja a sua própria carne: não cessa enquanto o fogo não a consumir; para o homem sensual todo o alimento é doce, não se acalma enquanto não morrer.
O homem que peca no seu próprio leito diz em seu coração: "Quem me vê?
As trevas me envolvem, as paredes me escondem, ninguém me vê, o que temerei?
O Altíssimo não se lembrará de meus pecados.
O seu temor são os olhos dos homens e não sabe que os olhos do Senhor são
infinitamente mais luminosos do que o sol, veem todos os caminhos dos homens e penetram os lugares mais secretos.
Antes de serem criadas, ele já conhecia todas as coisas, depois de acabadas também as conhece.
Tal homem será castigado na praça da cidade, será preso onde não pensava.
ECLESIÁSTICO 23, 16-21 Bíblia de Jerusalém
o homem que deseja a sua própria carne: não cessa enquanto o fogo não a consumir; para o homem sensual todo o alimento é doce, não se acalma enquanto não morrer.
O homem que peca no seu próprio leito diz em seu coração: "Quem me vê?
As trevas me envolvem, as paredes me escondem, ninguém me vê, o que temerei?
O Altíssimo não se lembrará de meus pecados.
O seu temor são os olhos dos homens e não sabe que os olhos do Senhor são
infinitamente mais luminosos do que o sol, veem todos os caminhos dos homens e penetram os lugares mais secretos.
Antes de serem criadas, ele já conhecia todas as coisas, depois de acabadas também as conhece.
Tal homem será castigado na praça da cidade, será preso onde não pensava.
ECLESIÁSTICO 23, 16-21 Bíblia de Jerusalém
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
LADAINHA DA HUMILDADE
Ó Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-me.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser conhecido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser honrado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser louvado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser preferido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser consultado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser humilhado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser desprezado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de sofrer repulsas, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser caluniado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser esquecido, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser ridicularizado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser infamado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser objeto de suspeita, livrai-me, ó Jesus.
Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo, e que eu possa ser diminuido, Jesus,
dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me
for possível, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
O Mendigo e o Papa
(Uma lição de humildade)
Um sacerdote norte-americano, da Diocese de Nova York, certo dia, encontrou um mendigo na rua. Depois de observa-lo durante um momento, o sacerdote se deu conta de que conhecia aquele homem.
Era um antigo companheiro do seminario, ordenado sacerdote no mesmo dia que ele. Agora, maltrapilho, mendigava pelas ruas.
O padre, depois de se identificar e de cumprimenta-lo, escutou dos lábios do mendigo como tinha perdido a sua fé e a sua vocação. Ficou profundamente enternecido. Despediu-se do velho amigo, mas ele não saia de sua cabeça.
No dia seguinte, o sacerdote teve a oportunidade de assistir a uma missa privada celebrada pelo Papa João Paulo II, e, como é costume, pode cumprimenta-lo no final da celebração. Ao chegar a sua vez, sentiu o impulso de se ajoelhar em frente ao Santo Padre e de pedir que rezasse por seu antigo companheiro de seminario, descrevendo brevemente a situacao ao Papa.
Um dia depois, recebeu um convite para cear com o Papa, com a recomendação de que levasse consigo o mendigo da paroquia. O sacerdote voltou a paroquia e contou ao seu amigo o desejo do Papa. Uma vez convencido, o mendigo foi levado a casa do sacerdote, que lhe ofereceu
roupa limpa e a oportunidade de se assear para o encontro com o Papa.
O Pontifice, depois da ceia, solicitou ao sacerdote que os deixasse a sos, e pediu ao mendigo que escutasse a sua confissão. O homem, impressionado, respondeu:
— Santo Padre, não posso. Já não sou mais sacerdote.
O Papa respondeu: — Uma vez sacerdote, sacerdote para sempre.
— Mas estou fora de minhas faculdades de presbitero — insistiu o mendigo.
— Eu sou o Bispo de Roma; posso me encarregar disso — disse o Papa.
E assim, o homem escutou a confissão do Santo Padre. Em seguida, pediu ao Papa que, por sua vez, escutasse sua propria confissão. Depois, chorou amargamente.
Ao final, Joao Paulo II lhe perguntou em que paroquia havia estado a mendigar, e o designou assistente do paroco da mesma e encarregado de dar atenção aos mendingos.
O Pensamento
de Joao Paulo II
domingo, 24 de fevereiro de 2013
ROSTOS TRANSFIGURADOS
Jesus se transfigura diante dos discípulos que o acompanham no monte, aonde se dirigiram para rezar, em contato mais profundo com o Pai. É aí que se completa e se plenifica a aliança de Deus com a humanidade, iniciada com Abraão. Cristo, transfigurado diante dos três discípulos, será dentro em pouco o Cristo "desfigurado" da paixão. Sua glória, revelada na transfiguração, passará, portanto, pelo sofrimento e pela humilhação.
Na cena do evangelho de hoje, Jesus se entretém numa conversa com Moisés e Elias (representantes do Antigo Testamento: leis e profetas) sobre sua partida próxima, ou seja, sobre seu êxodo definitivo para a casa do Pai.
O resto de Jesus, em oração ao Pai, muda de aspecto. É exemplo de oração que transforma não apenas a pessoa, mas também os outros e a própria realidade. Todo encontro autêntico e sincero com Deus deixa marcas em cada rosto orante.
Os três discípulos, dominados pelo sono, acabam dormindo. Quando o mestre está ameaçado ou quando pede compromisso com seu projeto, eles não entendem - ou não querem entender - e se entregam ao sono. É muito mais fácil sonhar com aplausos e triunfos do que se comprometer com a realidade exigente da missão. Os problemas do dia a dia e o compromisso com o mestre podem nos assustar e nos fazer desaminar.
Pedro só tem olhos para a glória deslumbrante: É bom estarmos aqui. Ele quer permanecer na ilusão sem passar pela paixão e morte, mas a glória só acontece após o êxodo. Pretende acampar no ponto de chegada, sem passar pelo caminho penoso que conduz até aí.
Antes desse passo definitivo, há a necessidade de descer na montanha. O apóstolo transfigurado deve enfrentar o compromisso com o povo, e a sua realidade nem sempre é tão brilhante como nas alturas. Na montanha, em contato com Deus, rezamos, escutando a voz do Filho e pedindo nossa transformação , para que, na planície, nos solidarizemos com os rostos desfigurados dos sofredores.
Na cena do evangelho de hoje, Jesus se entretém numa conversa com Moisés e Elias (representantes do Antigo Testamento: leis e profetas) sobre sua partida próxima, ou seja, sobre seu êxodo definitivo para a casa do Pai.
O resto de Jesus, em oração ao Pai, muda de aspecto. É exemplo de oração que transforma não apenas a pessoa, mas também os outros e a própria realidade. Todo encontro autêntico e sincero com Deus deixa marcas em cada rosto orante.
Os três discípulos, dominados pelo sono, acabam dormindo. Quando o mestre está ameaçado ou quando pede compromisso com seu projeto, eles não entendem - ou não querem entender - e se entregam ao sono. É muito mais fácil sonhar com aplausos e triunfos do que se comprometer com a realidade exigente da missão. Os problemas do dia a dia e o compromisso com o mestre podem nos assustar e nos fazer desaminar.
Pedro só tem olhos para a glória deslumbrante: É bom estarmos aqui. Ele quer permanecer na ilusão sem passar pela paixão e morte, mas a glória só acontece após o êxodo. Pretende acampar no ponto de chegada, sem passar pelo caminho penoso que conduz até aí.
Antes desse passo definitivo, há a necessidade de descer na montanha. O apóstolo transfigurado deve enfrentar o compromisso com o povo, e a sua realidade nem sempre é tão brilhante como nas alturas. Na montanha, em contato com Deus, rezamos, escutando a voz do Filho e pedindo nossa transformação , para que, na planície, nos solidarizemos com os rostos desfigurados dos sofredores.
Pe. Nilo Luza, ssp sobre o Evangelho deste domingo 24/02/2013
sábado, 23 de fevereiro de 2013
NA ESCOLA DE MARIA, MULHER « EUCARÍSTICA »
Se quisermos redescobrir em toda a sua riqueza a relação íntima entre a Igreja e a Eucaristia, não podemos esquecer Maria, Mãe e modelo da Igreja. Na carta apostólica Rosarium Virginis Mariæ, depois de indicar a Virgem Santíssima como Mestra na contemplação do rosto de Cristo, inseri também entre os mistérios da luz a instituição da
Eucaristia.(102) Com efeito, Maria pode guiar-nos para o Santíssimo Sacramento porque tem uma profunda ligação com ele.
À primeira vista, o Evangelho nada diz a tal respeito. A narração da instituição, na noite de Quinta-feira Santa, não fala de Maria. Mas sabe-se que Ela estava presente no meio dos Apóstolos, quando, « unidos pelo mesmo sentimento, se entregavam assiduamente à
oração » (Act 1, 14), na primeira comunidade que se reuniu depois da Ascensão à espera do Pentecostes. E não podia certamente deixar de estar presente, nas celebrações eucarísticas, no meio dos fiéis da primeira geração cristã, que eram assíduos à « fracção do pão » (Act 2, 42).
Para além da sua participação no banquete eucarístico, pode-se delinear a relação de Maria com a Eucaristia indiretamente a partir da sua atitude interior. Maria é mulher « eucarística » na totalidade da sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-La também na sua relação com este mistério santíssimo.
Mysterium fidei! Se a Eucaristia é um mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono à palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de abandono. Todas as vezes que repetimos o gesto de Cristo na Última Ceia dando cumprimento ao seu mandato:
« Fazei isto em memória de Mim », ao mesmo tempo acolhemos o convite que Maria nos faz para obedecermos a seu Filho sem hesitação: « Fazei o que Ele vos disser » (Jo 2, 5).
Com a solicitude materna manifestada nas bodas de Caná, Ela parece dizer-nos: « Não hesiteis, confiai na palavra do meu Filho. Se Ele pôde mudar a água em vinho, também é capaz de fazer do pão e do vinho o seu corpo e sangue, entregando aos crentes, neste mistério, o memorial vivo da sua Páscoa e tornando-se assim “pão de vida” ».
De certo modo, Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. A Eucaristia, ao mesmo tempo que evoca a paixão e a ressurreição, coloca-se no prolongamento da encarnação. E Maria, na anunciação, concebeu o Filho divino também
na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n'Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor.
Existe, pois, uma profunda analogia entre o fiat pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o amen que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor. A Maria foi-Lhe pedido para acreditar que Aquele que Ela concebia « por obra do Espírito
Santo » era o « Filho de Deus » (cf. Lc 1, 30-35). Dando continuidade à fé da Virgem Santa, no mistério eucarístico é-nos pedido para crer que aquele mesmo Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, Se torna presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser humano-divino.
« Feliz d'Aquela que acreditou » (Lc 1, 45): Maria antecipou também, no mistério da encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de « sacrário » – o primeiro « sacrário » da história –,
para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, Se presta à adoração de Isabel, como que « irradiando » a sua luz através dos olhos e da voz de Maria. E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo recém-nascido e O estreitava
nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor a que se devem inspirar todas as nossas comunhões eucarísticas?
56. Ao longo de toda a sua existência ao lado de Cristo, e não apenas no Calvário, Maria viveu a dimensão sacrificial da Eucaristia. Quando levou o menino Jesus ao templo de Jerusalém, « para O apresentar ao Senhor » (Lc 2, 22), ouviu o velho Simeão anunciar
que aquele Menino seria « sinal de contradição » e que uma « espada » havia de trespassar também a alma d'Ela (cf. Lc 2, 34-35). Assim foi vaticinado o drama do Filho crucificado e de algum modo prefigurado o « stabat Mater » aos pés da Cruz. Preparando-Se dia a dia para o Calvário, Maria vive uma espécie de « Eucaristia antecipada », dir-seia uma « comunhão espiritual » de desejo e oferta, que terá o seu cumprimento na união com o Filho durante a Paixão, e manifestar-se-á depois, no período pós-pascal, na sua participação na celebração eucarística, presidida pelos Apóstolos, como « memorial » da
Paixão.
Impossível imaginar os sentimentos de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes apóstolos as palavras da Última Ceia: « Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós » (Lc 22, 19). Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies
sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre! Receber a Eucaristia devia significar para Maria quase acolher de novo no seu ventre aquele coração que batera em uníssono com o d'Ela e reviver o que tinha pessoalmente experimentado junto da Cruz.
« Fazei isto em memória de Mim » (Lc 22, 19). No « memorial » do Calvário, está presente tudo o que Cristo realizou na sua paixão e morte. Por isso, não pode faltar o que Cristo fez para com sua Mãe em nosso favor. De facto, entrega-Lhe o discípulo predileto
e, nele, entrega cada um de nós: « Eis aí o teu filho ». E de igual modo diz a cada um de nós também: « Eis aí a tua mãe » (cf. Jo 19, 26-27).
Viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia implica também receber continuamente este dom. Significa levar connosco – a exemplo de João – Aquela que sempre de novo nos é dada como Mãe. Significa ao mesmo tempo assumir o compromisso de nos
conformarmos com Cristo, entrando na escola da Mãe e aceitando a sua companhia.
Maria está presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das celebrações eucarísticas. Se Igreja e Eucaristia são um binômio indivisível, o mesmo é preciso afirmar do binômio Maria e Eucaristia. Por isso mesmo, desde a antiguidade é unânime nas Igrejas do Oriente e do Ocidente a recordação de Maria na celebração eucarística.
Na Eucaristia, a Igreja une-se plenamente a Cristo e ao seu sacrifício, com o mesmo espírito de Maria. Tal verdade pode-se aprofundar relendo o Magnificat em perspectiva eucarística. De facto, como o cântico de Maria, também a Eucaristia é primariamente
louvor e ação de graças. Quando exclama: « A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador », Maria traz no seu ventre Jesus. Louva o Pai « por » Jesus, mas louva-O também « em » Jesus e « com » Jesus. É nisto
precisamente que consiste a verdadeira « atitude eucarística ».
Ao mesmo tempo Maria recorda as maravilhas operadas por Deus ao longo da história da salvação, segundo a promessa feita aos nossos pais (cf. Lc 1, 55), anunciando a maravilha mais sublime de todas: a encarnação redentora. Enfim, no Magnificat está
presente a tensão escatológica da Eucaristia. Cada vez que o Filho de Deus Se torna presente entre nós na « pobreza » dos sinais sacramentais, pão e vinho, é lançado no mundo o germe daquela história nova, que verá os poderosos « derrubados dos seus
tronos » e « exaltados os humildes » (cf. Lc 1, 52). Maria canta aquele « novo céu » e aquela « nova terra », cuja antecipação e em certa medida a « síntese » programática se encontram na Eucaristia. Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor
do que esta espiritualidade nos pode ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança da de Maria, seja toda ela um magnificat!
CARTA ENCÍCLICA
ECCLESIA DE EUCHARISTIA
DO SUMO PONTÍFICE
JOÃO PAULO II
AOS BISPOS
AOS PRESBÍTEROS E DIÁCONOS
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS
E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS
SOBRE A EUCARISTIA
NA SUA RELAÇÃO COM A IGREJA
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Não ME agrada a morte de nenhum pecador!
Deus esquecerá facilmente dos seus pecados! A nossa decisão de hoje pode mudar totalmente os rumos da nossa vida. Infelizmente muitos estão submersos no pecado, sabem disso e não querem se humilhar na presença do REI. Outros por auto se condenarem esquecem da maravilhosa misericórdia de Deus par a com aqueles que estão afastados da sua graça
«Será porventura a morte do pecador que Me agrada?
Não é antes que se converta e viva?»
Assim fala o Senhor Deus:
«Se o pecador se arrepender de todas as faltas que cometeu,
se observar todos os meus mandamentos
e praticar o direito e a justiça,
certamente viverá e não morrerá.
Não lhe serão lembrados os pecados que cometeu
e viverá por causa da justiça que praticou.Será porventura a morte do pecador que Me agrada?— diz o Senhor Deus —Não é antes que se converta do seu mau proceder e viva?Mas se o justo se desviar da justiça e praticar o mal,
imitando as abominações dos pecadores,porventura viverá?Não mais será recordada a justiça que praticou;
por causa da prevaricação em que caiu e do pecado que cometeu,
ele morrerá.
E vós dizeis:
‘O modo de proceder do Senhor não é justo’.
Escutai, casa de Israel:Será o meu modo de proceder que não é justo?
Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto?Quando o justo se afastar da justiça,
praticar o mal e vier a morrer,
morrerá por causa do mal cometido.208 Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado,
praticar o direito e a justiça,
salvará a sua vida.
Se abrir os olhos e renunciar às faltas que tiver cometido,
certamente viverá e não morrerá».
Palavra do Senhor.semanaidaquaresma
FONTE: Filhos Espirituais de Pe. Pio
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