domingo, 3 de março de 2013

FILME - Vida de Santa Helena

TEMPO DE DAR FRUTOS

A tragédia dos galileus assassinados por Herodes e dos dezoito mortos pela queda da torre de Siloé, Jesus garante, não foi consequência dos pecados deles. Considerar tragédias e desastres como castigo de Deus é esquecer o que Jesus veio revelar: o rosto de um Pai que é amor e misericórdia, e não um carrasco vingador.
Longe de associar a morte ao pecado e à culpa das criaturas, Jesus convida a aprender das tragédias e desastres, a aprender das mortes prematuras, no sentido de valorizar o presente e converter-se para dar frutos. Pois a morte virá para todos, e a questão são os frutos que deixaremos por aqui, a diferença que tivermos feito para melhorar este mundo.
A parábola da figueira fala de Deus paciente, que envia seu Filho para que as pessoas se deixem transformar e produzir frutos. É que, ao nos criar, Deus espera nada mais que frutos de bondade, de misericórdia, de solidariedade. Quando faltam tais frutos, falta a vida verdadeira que ele deseja.
O Filho enviado pelo Pai caminha conosco e quer nos transformar. Estar abertos á ação de Deus, porém, depende somente de nós. E aqui a importância do chamado à conversão  feito por Jesus. Converter-se é tomar consciência dos próprios limites e pecados, em primeiro lugar. E, na prática, mudar de mentalidade, e de vida. Mas não basta mudar, e sim mudar segundo o plano de Deus, que nos cria para relações que humanizem, que nos imanem no perdão e no amor.
Conscientes de que as tragédias e desastres não podem ser castigo do Deus bondoso de Jesus, perguntamo-nos sobre o sentido que estamos dando à nossa vida hoje. Uma vida sem frutos para Deus é vida que perde o próprio sentido. No dia do acerto de contas, diante de um Deus que ama, que frutos lhe apresentaremos? O tempo que temos neste mundo é o tempo que Deus nos dá. É agora o tempo de conversão. É agora o tempo de dar frutos.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp - Comentário sobre o Evangelho deste Domingo 03/03/2013

sábado, 2 de março de 2013

O Espírito Santo como Dom de Deus



Ensina o Catecismo da Igreja Católica que “o Amor é o primeiro dom.
Ele contém todos os demais” (cf. CIC 733). São João ensina que
“Deus é Amor” (cf. 1Jo 4,8.16). Por isso Deus entregou-Se em
sacrifício na Cruz por nós na pessoa de Jesus Cristo, ato do Seu de
extremo amor por nós (cf Jo 15,13; Mt 26,26-28).

O Deus que venceu a Morte é o mesmo que nos insere na Vida. Por
esta razão o Espírito Santo é prometido para santificar e curar os fiéis de
seus pecados e males. Sobre isso ensina o Catecismo: “Pelo fato de
estarmos mortos, ou, pelo menos, feridos pelo pecado, o primeiro efeito do dom do Amor é a remissão de nossos pecados. É a comunhão do Espírito Santo (2Cor 13,13) que, na Igreja, restitui aos batizados a semelhança divina perdida pelo pecado. [...] É por este poder do Espírito que os filhos de Deus podem dar fruto.”
A Igreja ensina que o Espírito Santo também é dom dado aos fiéis
para que estes dêem frutos que são "caridade, alegria, paz, paciência,
afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança" (Gl 5,22-23).

Muita gente confunde os frutos do Espírito Santo com os dons do
Espírito Santo. “Os dons do Espírito Santo são disposições permanentes
que tornam o homem dócil para seguir as inspirações divinas. [...] Os frutos do Espírito Santo são perfeições plasmadas em nós como primícias da glória eterna.”

Os Dons do Espírito Santo
Desde o AT o Senhor anunciava pela boca de seus santos profetas o
advento do Espírito Santo. Por exemplo, disse o Profeta Ezequiel: “Porei em vós o meu espírito e vivereis” (cf. Ez 37, 6). A vida que recebemos através do Espírito Santo não foi merecida por nós, mas é puro presente de Deus, e por isso mesmo é chamado de dom. Quantos e quais são estes dons?

A primeira pista que Deus nos deu veio bela boca do Profeta Isaías:
"Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas
raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de
sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de
coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor. (Sua alegria
se encontrará no temor ao Senhor.) Ele não julgará pelas
aparências, e não decidirá pelo que ouvir dizer" (Is 11, 1-3).

Por isso a Igreja ensina que são sete os dons do Espírito Santo:
sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.Entretanto encontramos o seguinte ensino de S. Paulo aos
coríntios: "A respeito dos dons espirituais, irmãos, não quero que vivais na ignorância. Sabeis que, quando éreis pagãos, vos deixáveis levar, conforme vossas tendências, aos ídolos mudos. Por isso, eu vos declaro: ninguém, falando sob a ação divina, pode dizer: Jesus seja maldito e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz" (1Cor 12,1-11).
Pode-se observar que existe uma notável diferença entre o que diz
São Paulo e o que diz o Profeta Isaías sobre os dons do Espírito Santo.
Porém, estaríamos cometendo um grave erro se achássemos que estes dois servos de Deus estão em contradição. Aliás, devemos lembrar que a
Escritura não se contradiz, pois é Palavra de Deus.

Esta aparente contradição se resolve pelo fato de que cada um está
falando sobre dons de categorias diferentes. A Igreja ensina que os dons ou
graças do Espírito Santo se dividem em:
a) graça santificante ou habitual: “A graça santificante é um dom
habitual, uma disposição estável e sobrenatural para aperfeiçoar a própria alma e torná-la capaz de viver com Deus, agir por seu amor”8. Este tipo de graça trata-se da “vida infundida pelo Espírito Santo em nossa alma, para curá-la do pecado e santificá-la” e é “recebida no Batismo”
b) graça atual: designa “as intervenções divinas, quer na origem da
conversão, quer no decorrer da obra da santificação” (Ibidem). A conversão de S. Paulo que se deu no caminho para Damasco por intervenção de Cristo é um exemplo deste tipo de graça (cf. At 9,1-8).
c) graça sacramental: são “dons que o Espírito nos concede, para
nos sociar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos outros e com o crescimento do corpo de Cristo, a Igreja.” São “os dons próprios dos diferentes sacramentos”10.
d) graça especial ou carisma: As “graças especiais, chamadas
também ‘carismas’, segundo a palavra grega empregada por S. Paulo e que significa favor, dom gratuito, benefício. Seja qual for seu caráter, às vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os
carismas se ordenam à graça santificante e têm como meta o bem
comum da Igreja. Acham-se a serviço da caridade, que edifica a Igreja.
Entre as graças especiais, convém mencionar as graças de estado, que
acompanham o exercício das responsabilidades da vida cristã e dos
ministérios no seio da Igreja”11.
Agora ficou simples resolver a aparente divergência entre o Profeta
Isaías e o Apóstolo Paulo. O primeiro está tratando dos dons que dizem
respeito à graça santificante ou habitual, aquela que recebemos no
batismo e nos demais sacramentos. O segundo refere-se aos dons
carismáticos que dizem respeito à graça especial, também chamada graça pessoal.



Prof. Alessandro Lima
O Dom das Línguas




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O Homem depravado

Duas espécies de coisas multiplicam os pecados e uma terceira acarreta a cólera: a paixão ardente como fogo aceso: não se apaga enquanto tiver o que devorar;
o homem que deseja a sua própria carne: não cessa enquanto o fogo não a consumir; para o homem sensual todo o alimento é doce, não se acalma enquanto não morrer.
O homem que peca no seu próprio leito diz em seu coração: "Quem me vê?
As trevas me envolvem, as paredes me escondem, ninguém me vê, o que temerei?
O Altíssimo não se lembrará de meus pecados.
O seu temor são os olhos dos homens e não sabe que os olhos do Senhor são 
infinitamente mais luminosos do que o sol, veem todos os caminhos dos homens e penetram os lugares mais secretos.
Antes de serem criadas, ele já conhecia todas as coisas, depois de acabadas também as conhece.
Tal homem será castigado na praça da cidade, será preso onde não pensava.

ECLESIÁSTICO 23, 16-21 Bíblia de Jerusalém

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

LADAINHA DA HUMILDADE


Ó Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-me.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser conhecido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser honrado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser louvado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser preferido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser consultado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, ó Jesus.

Do receio de ser humilhado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser desprezado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de sofrer repulsas, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser caluniado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser esquecido, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser ridicularizado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser infamado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser objeto de suspeita, livrai-me, ó Jesus.

Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo, e que eu possa ser diminuido, Jesus,
dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me
for possível, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.

FONTE:http://www.montfort.org.br
O Mendigo e o Papa
(Uma lição de humildade)

Um sacerdote norte-americano, da Diocese de Nova York, certo dia, encontrou um mendigo na rua. Depois de observa-lo durante um momento, o sacerdote se deu conta de que conhecia aquele homem.
Era um antigo companheiro do seminario, ordenado sacerdote no mesmo dia que ele. Agora, maltrapilho, mendigava pelas ruas.
O padre, depois de se identificar e de cumprimenta-lo, escutou dos lábios do mendigo como tinha perdido a sua fé e a sua vocação. Ficou profundamente enternecido. Despediu-se do velho amigo, mas ele não saia de sua cabeça.
No dia seguinte, o sacerdote teve a oportunidade de assistir a uma missa privada celebrada pelo Papa João Paulo II, e, como é costume, pode cumprimenta-lo no final da celebração. Ao chegar a sua vez, sentiu o impulso de se ajoelhar em frente ao Santo Padre e de pedir que rezasse por seu antigo companheiro de seminario, descrevendo brevemente a situacao ao Papa.
Um dia depois, recebeu um convite para cear com o Papa, com a recomendação de que levasse consigo o mendigo da paroquia. O sacerdote voltou a paroquia e contou ao seu amigo o desejo do Papa. Uma vez convencido, o mendigo foi levado a casa do sacerdote, que lhe ofereceu
roupa limpa e a oportunidade de se assear para o encontro com o Papa.
O Pontifice, depois da ceia, solicitou ao sacerdote que os deixasse a sos, e pediu ao mendigo que escutasse a sua confissão. O homem, impressionado, respondeu:
— Santo Padre, não posso. Já não sou mais sacerdote.
O Papa respondeu: — Uma vez sacerdote, sacerdote para sempre.
— Mas estou fora de minhas faculdades de presbitero — insistiu o mendigo.
— Eu sou o Bispo de Roma; posso me encarregar disso — disse o Papa.
E assim, o homem escutou a confissão do Santo Padre. Em seguida, pediu ao Papa que, por sua vez, escutasse sua propria confissão. Depois, chorou amargamente.
Ao final, Joao Paulo II lhe perguntou em que paroquia havia estado a mendigar, e o designou  assistente do paroco da mesma e encarregado de dar atenção aos mendingos.

O Pensamento
de Joao Paulo II

domingo, 24 de fevereiro de 2013

ROSTOS TRANSFIGURADOS

Jesus se transfigura diante dos discípulos que o acompanham no monte, aonde se dirigiram para rezar, em contato mais profundo com o Pai. É aí que se completa e se plenifica a aliança de Deus com a humanidade, iniciada com Abraão. Cristo, transfigurado diante dos três discípulos, será dentro em pouco o Cristo "desfigurado" da paixão. Sua glória, revelada na transfiguração, passará, portanto, pelo sofrimento e pela humilhação.
Na cena do evangelho de hoje, Jesus se entretém numa conversa com Moisés e Elias (representantes do Antigo Testamento: leis e profetas) sobre sua partida próxima, ou seja, sobre seu êxodo definitivo  para a casa do Pai.
O resto de Jesus, em oração ao Pai, muda de aspecto. É exemplo de oração que transforma não apenas a pessoa, mas também os outros e a própria realidade. Todo encontro autêntico e sincero com Deus deixa marcas em cada rosto orante.
Os três discípulos, dominados pelo sono, acabam dormindo. Quando o mestre está ameaçado ou quando pede compromisso com seu projeto, eles não entendem - ou não querem entender - e se entregam ao sono. É muito mais fácil sonhar com aplausos e triunfos do que se comprometer com a realidade exigente da missão. Os problemas do dia a dia e o compromisso com o mestre podem nos assustar e nos fazer desaminar.
Pedro só tem olhos para a glória deslumbrante: É bom estarmos aqui. Ele quer permanecer na ilusão sem passar pela paixão e morte, mas a glória só acontece após o êxodo. Pretende acampar no ponto de chegada, sem passar pelo caminho penoso que conduz até aí.
Antes desse passo definitivo, há a necessidade de descer na montanha. O apóstolo transfigurado deve enfrentar o compromisso com o povo, e a sua realidade nem sempre é tão brilhante como nas alturas. Na montanha, em contato com Deus, rezamos, escutando a voz do Filho e pedindo nossa transformação , para que, na planície, nos solidarizemos com os rostos desfigurados dos sofredores.

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o Evangelho deste domingo 24/02/2013