Quando algum membro da família retorna - depois de algum tempo de ausência -, normalmente acontece uma festa de acolhida carinhosa. Também é verdade que , com frequencia, algum irmão ou pai reluta em aceitar o retorno daquele que andou vagando pelo mundo.
A história narrada pelo evangelho de hoje revela isto: o pai se alegra e faz festa pelo retorno do filho, mas o irmão resiste a participar da alegria e da festa. A história se repete amiúde também em nossos tempos, muito mais que imaginamos. Filhos se afastam da família por motivos diversos: desejam assumir a própria vida, são levados pelas drogas, não suportam as incompreensões ou mesmo agressões dos pais e irmãos, ás vezes são até expulsos de casa. Nas comunidades também se veem deserções por falta de compreensão das lideranças ou por falta de testemunho da própria comunidade ou de alguns membros. Também há os que partem por já não sentirem gosto na vida da comunidade e na participação das celebrações.
O pai do evangelho de hoje nos fornece belo exemplo de amor e acolhida. Deus é como esse pai que fica feliz ao ver o filho retornando para casa e prepara um banquete para festejar.
O filho mais novo se aventurou a assumir a própria vida e acabou não administrando bem a herança. Depois de gastar tudo e tomar consciência da situação, inicia o retorno a casa e o processo de conversão.
O filho mais velho é o "justo" da história, cumpridor das normas e possuidor de direitos. Ele não necessita de conversão. É calculador, triste "burocrata da virtude",sem brilho, sem otimismo e sem alegria.
A parábola nos mostra que não basta ser fiel cumpridor das leis e não sair de casa; é preciso ter misericórdia e ser solidário, acolhendo os irmãos e irmãs que não saíram bem na tentativa de vida melhor. A família e a comunidade devem ser locais de acolhida, amor e perdão. Todos têm direito à redenção, a uma segunda chance.
Pe. Nilo Luza, ssp sobre o evangelho deste domingo 10/03/2013
domingo, 10 de março de 2013
sábado, 9 de março de 2013
Vereis o Filho do Homem
Entretanto, duas coisas exasperam aqueles energúmenos: o olhar por vezes fixo, cheio de lágrimas, sempre tão doce de Jesus, e o silêncio dEste.
Esse olhar inquieta-os e perturba-os. Quereriam uma queixa, ao menos um grito de dor, para mostrar que bateram certo.
Então um deles, sem dúvida mais inventivo, propõe vendar os olhos perturbadores e fazer-Lhe uma troça do talento de profecia.
Recruta-se toda a gente, a atração vele a pena.
Portanto, entre duas cusparadas – pois está escrito: Não cessaram de me cuspir à Face –, entre duas bofetadas, dois lances de dados, dois púcaros de vinho, vão brincar de profeta:
“Vamos ver, Cristo, Messias, Filho de Deus, grande Profeta... quem te bate agora?” E uma bofetada estrepitosa abate-se-Lhe sobre o rosto. “Advinha! E aquele lá, quem é?” E por detrás outra bofetada envolve aquela Face, que queda imóvel como um rochedo (Is
50, 7). “Vamos, quem é? Como se chama? Que idade tem? De que lugar é? Fala homem!”
Se o véu cobria todo o rosto, soerguem-no às vezes para poder cuspir mais à vontade, depois abaixam-no novamente para não sujarem as mãos esbofeteando-O.
Como os olhos estão escondidos e a cabeça permanece imóvel, redobram-se à porfia pancadas, cusparadas e blasfêmias, até ao cansaço e ao enjoo.
Existem dois quadros dessa cena trágica naquela noite dolorosa.
Um, em que toda a Majestade Divina é representada no meio daquela atmosfera de pancadas e daquela tempestade de escarros e ultrajes. Outro, em que toda a malícia humana se ostenta na sua hedionda crueza.
O primeiro é um afresco do Beato Fra Angélico, no convento de São Marcos, em Florença.
O Cristo está sentado como um príncipe no seu trono, as dobras da veste pendem-Lhe igualmente de cada lado; a postura é tranqüila: toda a serenidade dos seres superiores. Com uma das mãos segura um cetro de cana, com a outra o globo do mundo: Ele é sempre o Rei do mundo; e em torno dEle há uma cabeça grosseira que saúda ironicamente, uma boca desaforada que cospe, mãos que se agitam para esbofetear, um punho cerrado que se adianta, outro que empunha uma vara para bater.
Calmo, imóvel, Jesus recebe um após outro todos esses ultrajes. Tem os olhos vendados: através do pano percebe-se-Lhe a pálpebra resignada e caída. A boca é triste: tal reflexo de majestade emana porém dAquele ser desprezado, que a gente cai de joelhos e O adora.
Fitemos um instante essa cabeça tão meiga, de olhos vendados. Há nesta venda a intenção dos homens e a de Deus. A intenção dos homens era um medo e um ludíbrio. Receavam, como dizíamos,
escarrando naquele rosto encontrar um dos olhares da Vítima, de tal sorte o olhar do Mestre permanece o olhar de Deus.
E um ludíbrio! Jesus já está amarrado, não tem mais a liberdade das mãos, porém tinha a dos olhares; é preciso suprimir-lha; não se tem mais que uma coisa que se atira de um lado para o outro, que se recambia, com que se brinca, Ele não vê!
A intenção de Deus é mais alta. Jesus cerra os olhos e parece fechar-se no sono e no silêncio de dentro, para mostrar sem dúvida que uma alma atada pelo amor da Santíssima Vontade de Deus deve relegar-se para o interior, viver nesse interior, sem fazer grande conta do que se passa fora.
Mas também para nos lembrar que, se Ele parece dormir, é só por um tempo; sabemos que Ele aguarda nesse silêncio profundo a hora do Seu despertar: “Eu terei o meu dia, terei a minha hora, para mim e para todos os meus eleitos, opressos em aparência por esse silêncio do alto”.
Dizia Ele havia alguns instantes: “Vereis o Filho do Homem, hoje esbofeteado pelos criados e cuspido pelos juízes, vê-lo-eis, vós que O espancais, vê-lo-eis resplandecente de majestade à direita de Deus, Deus Ele próprio! Dies irae, dies illa, calamitatis et miseriae (Sof 1, 15)”.
“Nesse dia em que Eu agir”, acrescenta pelo Seu profeta – logo atualmente parece não agir; “Nesse dia em que Eu concluir as minhas obras” – logo, não estão acabadas; “nesse dia em que Eu desfraldar a minha misericórdia e a minha justiça” – logo, elas estão em suspense ou apenas entremostradas; “nesse dia os bons serão a minha posse” –
estar nas mãos de Deus, onde melhor refúgio?...
E os perseguidores, os algozes, os ímpios... Onde aparecerão? Devorá-los-ei como o fogo a palha seca e leve.
Então vos volvereis, pecadores: vereis de longe a minha felicidade e a de todos os meus – que cruel e longínquo olhar! E tarde demais compreendereis que diferença há entre o justo e o ímpio, inter servientem Deo et non servientem (Mlq 3, 17).
Eu aguardo, meu Deus, e creio que hei de ver um dia o esplendor dos Vossos bens, na terra onde já não se morre.
Credo videre bona Domini in terra viventium (Sl 26, 18).
O segundo quadro, onde se ostenta toda a crueldade dos homens, realismo pungente, é uma cena de Poussin.
Numa sala baixa, alumiada por tochas ou candeias, os soldados bebem, riem, jogam ou cantam. O ódio e a impureza têm o mesmo rito: traço violento, bestial, que desfigura o homem, destruindo num instante o que a Face Divina nele deixara de Seu cunho.
A um canto, Jesus está sentado, de mãos atadas por trás das costas: postado de perfil, vê-se-Lhe o corpo que se inclina penosamente para a frente. A cabeça inteira está coberta de um pano, um molambo sujo, qual se pode encontrar no meio daquela
soldadesca. Alguns soldados e criados se divertem à custa da Vítima. Outros, cansados, puseram-se ao jogo.
Acabam sem dúvida de espancar o Mestre de uma maneira bem interessante, ou a palavra que Lhe lançaram deve ter sido mais pesada, porque os risos são mais grosseiros.
Por sob o véu de dobras pendentes e na atitude do Mestre, adivinha-se a dor, a resignação, o constrangimento íntimo e profundo do coração. As lágrimas devem rolar-Lhe dos olhos.
Ó cabeça vendada de Jesus! Ó zombarias, ó irreverências, ó covardes irrisões, vós consolais os justos oprimidos!
Por trás desse véu, Jesus conhece tudo, vê tudo e julga tudo.
Oculi Domini super justos (Sl 33, 31), os olhos do Senhor seguem os eleitos, e os ouvidos se lhes inclinam abertos ao menor suspiro.
Senhor, por trás do véu lembrai-vos de mim, para minha felicidade. Assim seja.
Memento mei, Deus meus, in bonum. Amen (Esdr 13, 31).
A SUBIDA DO CALVÁRIO
Pelo
Padre Luís Perroy. S. J.
Editora Vozes
1957
IMPRIMATUR
Por comissão especial do Exmo. e Revmo. Sr. Dom Manuel Pedro da Cunha Cintra,
Bispo de Petrópolis, Frei Desidério Kalver-Kamp, O.F.M Petrópolis, 19-11-1957.
terça-feira, 5 de março de 2013
Que apaguem o fogo da casa de Deus
Memento Congregationis tuae. Só a Vos compete formar, por vossa graça, essa assembléia; se o homem nela puser primeiro a mao, nada se fará; se nela misturar algo de próprio com o que é vosso, estragará tudo,
arruinará tudo. Tuae Congregationis: é vossa obra grande Deus. Opus tuum fac: fazei vossa obra toda divina; ajuntai, convocai, reuni de todas as partes de vossos domínios os vosso eleitos, para deles fazer um corpo de
exército contra vossos inimigos.
Vede, Senhor Deus dos exércitos, os capitães que formam companhias completas, os potentados que reúnem exércitos numerosos, os navegadores que armam frotas inteiras, os mercadores que se congregam em
grande numero nos mercados e nas feiras! Quantos ladrões, ímpios, ébrios e libertinos se unem em massa contra Vos todos os dias, tão fácil e prontamente: basta soltar um assobio, rufar um tambor, mostrar a ponta
embotada de uma espada, prometer um ramo seco de louros, oferecer um pedaço de terra amarela ou branca; basta, em poucas palavras, uma fumaça de honra, um interesse de nada e um mesquinho prazer animal que se tem em vista, para, num instante, reunir os ladrões, ajuntar os soldados, agrupar os batalhões, congregar os mercadores, encher as casas e os mercados, e cobrir a terra e o mar com uma multidão inumerável de réprobos que – embora divididos todos entre si, ou pelo afastamento dos lugares, ou pela diversidade dos gênios, ou por seus próprios interesses – se unem entretanto todos até á morte, para fazer-Vos a guerra sob o estandarte e comando do demônio.
E Vos, grande Deus, embora haja tanta gloria, doçura e proveito em servir-Vos, quase ninguém tomará o vosso partido? Quase nenhum soldado se alistará sob vossos estandartes? Quase nenhum São Miguel
clamará no meio de seus irmãos, cheio de zelo pela vossa gloria: Quis ut Deus?26
Ah!, permiti-me bradar por toda parte: fogo, fogo, fogo! Socorro, socorro, socorro! Fogo na casa de Deus, fogo nas almas, fogo até no santuário! Socorro, que assassinam nosso irmão; socorro, que degolam nossos filhos; socorro que apunhalam nosso bom Pai!
Qui Domini est jungatur mihi27: que venham todos os bons sacerdotes espalhados pelo mundo cristão, quer os que estejam atualmente no combate, quer os que se tenham retirado da confusão da batalha
24 Os seus fundamentos estão sobre os montes santos. (Sl 86, 1)
25 Monte no cume dos montes. (Is 2, 2)
26 Quem como Deus?
para os desertos e ermos; que venham esses bons sacerdotes e se unam a nós, vis unita fit fortior 28, a fim de formarmos, sob o estandarte da Cruz, um exército em boa ordem de batalha e bem disciplina, para de concerto atacar os inimigos de Deus que já tocaram a rebate: sonuerunt, frenduerunt, fremuerunt, multiplicati sunt.29
Dirumpamus vincula eorum et projiciamus a nobis jugum ipsorum. Qui habitat in caelis irridebit eos.30 Exsurgat Deus et dissipentur inimici eius !31 Exsurge, Domine, quare obdormis ? Exsurge.32
Erguei-Vos, Senhor! Por que pareceis dormir? Erguei-Vos em vossa onipotencia, em vossa
misericordia e em vossa justica, para formar-Vos uma companhia seleta de guardas que velem a vossa casa, defendam vossa glória e salvem vossas almas, a fim de que haja um só rebanho e um só pastor, e de que todos
Vos rendam gloria em vosso templo: et in templo eius omnes dicent gloriam.33 Amém.
27 Quem for do Senhor, junte-se a mim! (Cfr. Ex 32, 26)
28 Uma força unida torna-se mais forte.
29 Bramiram, rangeram os dentes, agitaram-se, multiplicaram-se. (Cfr. Sl 2, 1; 24, 19; 45, 4; 34, 6; 37, 20)
30 Rompamos os liames com que nos ataram, e lancemos longe de nós o seu jugo. Aquele que habita no Céu
zombará deles. (Sl 2, 3-4)
31 Levante-se Deus, e sejam dispersados os seus inimigos. (Sl 67, 1)
32 Erguei-Vos, Senhor, por que dormis? Erguei-Vos. (Sl 43, 24)
33 E no seu templo todos anunciarão a vossa gloria. (Sl 28, 9)
Oração Abrasada
De São Luiz Maria Grignion de Montfort
segunda-feira, 4 de março de 2013
O mundo em que os jovens vivem!
Por Frei Almir R. Guimarães, OFM
Vivemos um tempo de transformação. Há a crise econômica e social. Há a crise eclesial. Há a crise cultural. Morre um mundo e nasce outro. Morre um modo de viver a fé. O que é ser cristão nesse mundo novo vago que se delineia a duras penas. Ora, os jovens são aqueles que poderão ser protagonistas desse novo nascimento. Poucas de nossas comunidades, no entanto, conseguem organizar e alimentar uma pastoral juvenil. Em que mundo vivemos nós e os jovens?
Vivemos o tempo do imediato, do que precisa ser feito aqui e agora, sem delongas, sem demora. O que desejo, quero para já, aqui e agora. Nem sempre esse desejo do imediato é acompanhado pela reflexão. Não sabemos colocar o pé no freio. Compramos o que temos vontade de comprar e pagamos a crédito, com cartão de crédito, com pagamentos a perder de vista. Mas queremos agora. Essa característica da busca do imediato lembra os caprichos de uma criança que pensa que tudo se lhe deve e que esperneia enquanto não consegue o que quer na rua, no metrô, na igreja e na sala de espera do consultório médico. As pessoas querem tudo rapidamente e não se dão o tempo de pensar, de escolher, de decidir com um mínimo de discernimento. O tempo da juventude não seria o tempo de escolhas importantes que marcam a vida de uma pessoa para sempre? Será possível melhorar nossas escolhas?
A realidade é como um líquido que escorre por entre os dedos. Nada passa a impressão de ser sólido. Os relacionamentos são fugazes: casamento, amigos, convicções. Como uma pessoa jovem se situa nesse mundo líquido de que fala Zygmund Bauman? Onde o jovem encontrará uma âncora vital que o ajude a navegar no vaivém das oscilações da vida? O mundo nunca foi estático. Mas hoje é “louco”. É possível encontrar um sentido último para a vida e que oriente as decisões e ajude a construir projetos existenciais que valham a pena?
Vivemos num mundo descosturado. As coisas não estão interligadas. Cada fragmento tem sua lógica, obedece a seus princípios, contém seus “valores”, uns separados dos outros. Jovens vivem essa descostura na carne. Muitos deles trabalham para ajudar na renda familiar, fazem estudos à noite, ou ensino fundamental, ou faculdade. Não têm tempo de aprofundar seus estudos e nem de conhecer-se a si mesmos. Derramam-se nas coisas e nos finais de semana precisam uma válvula de escape: namoricos, por vezes para distração, bebida e certas fugas no mundo das drogas. Precipitados envolvimentos amorosos podem redundar numa gravidez. Como esses jovens tão ocupados poderão participar de grupos de jovens, de espaços de iniciação cristã e de reorganização de seu universo? Como viver com eles? Como eles poderão sentir beleza da fé vivida por outros?
Há jovens de todos os tipos e horizontes. Vemos uma certa juventude que cresce em ambientes familiares de compreensão, de harmonia. Crianças que encontram regularmente os pais, que sentem a firmeza do relacionamento dos mesmos, que vivem segurança na vida, apoiadas no sólido amor dos pais. De outro lado vemos jovens que vivem em ambientes de profunda hostilidade familiar. São filhos de mães solteiras, criados pelas avós. Jovens que têm conviver com “meio-irmãos”, filhos do novo companheiro da mãe. A mãe e seu novo companheiro não vão viver o tempo todo juntos. É coisa apenas por um tempo. O que realmente se passa na cabeça desses jovens? Onde estão? Como fazer pastoral com eles? Quando tentar atingi-los com o Evangelho?
Nossos jovens crescem num ambiente marcadamente consumista. O mundo é consumista. A vida é consumista. Os meios de comunicação falam de consumo, convidam ao consumo. Consumo de bens, consumo de coisas modernas, de viagens, de pessoas. Como fazer com que ressoe nesta sociedade de consumo o espírito de desprendimento do Sermão das Bem-aventuranças?
Vivemos a cultura do êxito. É preciso vencer na vida. Há a competição. Competição que estressa. Competição que aponta para uma certa eliminação do outro. Há famílias que treinam os filhos para estudar, vencer na vida e assim poderem desfrutar de folgada situação financeira em suas vidas. Êxito e sucesso também nos relacionamentos amorosos: corpos sarados, bem cuidados, cuidados demais. Meninas magras e rapazes “bonitos”. Culto das aparências: beleza do corpo, viagens, carros e facilidades.
“Construimo-nos como pessoas em relação com os outros. O jovem de hoje, como nunca antes, vive possibilidades de comunicação e de relacionamentos quase ilimitadas. Que jovem não se serve das redes sociais com centenas de amigos nesses fóruns? Os jovens de hoje conhecem melhor o mundo do que aqueles de gerações anteriores. Também se deslocam e se locomovem muito mais. Com tudo isso, a solidão parece ser uma ameaça real para não poucos jovens. Nem sempre conseguem viver uma amizade em profundidade. Vínculos que pareciam muito estáveis se desfazem com relativa facilidade. Há jovens que chegam aos trinta anos numa dificuldade de encontrar seu par com quem construir sua vida. Pode o evangelho ajudar a viver vinculações mais sólidas, mais estáveis, de pessoas mais comprometidas umas com as outras?”
(Abel Toraño Fernández, SJ, Jóvenes e nueva evangelización: escenario y desafios, Sal Terrae, 100 (2012), p. 529-530).
#ReflexõesFranciscanas
domingo, 3 de março de 2013
TEMPO DE DAR FRUTOS
A tragédia dos galileus assassinados por Herodes e dos dezoito mortos pela queda da torre de Siloé, Jesus garante, não foi consequência dos pecados deles. Considerar tragédias e desastres como castigo de Deus é esquecer o que Jesus veio revelar: o rosto de um Pai que é amor e misericórdia, e não um carrasco vingador.
Longe de associar a morte ao pecado e à culpa das criaturas, Jesus convida a aprender das tragédias e desastres, a aprender das mortes prematuras, no sentido de valorizar o presente e converter-se para dar frutos. Pois a morte virá para todos, e a questão são os frutos que deixaremos por aqui, a diferença que tivermos feito para melhorar este mundo.
A parábola da figueira fala de Deus paciente, que envia seu Filho para que as pessoas se deixem transformar e produzir frutos. É que, ao nos criar, Deus espera nada mais que frutos de bondade, de misericórdia, de solidariedade. Quando faltam tais frutos, falta a vida verdadeira que ele deseja.
O Filho enviado pelo Pai caminha conosco e quer nos transformar. Estar abertos á ação de Deus, porém, depende somente de nós. E aqui a importância do chamado à conversão feito por Jesus. Converter-se é tomar consciência dos próprios limites e pecados, em primeiro lugar. E, na prática, mudar de mentalidade, e de vida. Mas não basta mudar, e sim mudar segundo o plano de Deus, que nos cria para relações que humanizem, que nos imanem no perdão e no amor.
Conscientes de que as tragédias e desastres não podem ser castigo do Deus bondoso de Jesus, perguntamo-nos sobre o sentido que estamos dando à nossa vida hoje. Uma vida sem frutos para Deus é vida que perde o próprio sentido. No dia do acerto de contas, diante de um Deus que ama, que frutos lhe apresentaremos? O tempo que temos neste mundo é o tempo que Deus nos dá. É agora o tempo de conversão. É agora o tempo de dar frutos.
Longe de associar a morte ao pecado e à culpa das criaturas, Jesus convida a aprender das tragédias e desastres, a aprender das mortes prematuras, no sentido de valorizar o presente e converter-se para dar frutos. Pois a morte virá para todos, e a questão são os frutos que deixaremos por aqui, a diferença que tivermos feito para melhorar este mundo.
A parábola da figueira fala de Deus paciente, que envia seu Filho para que as pessoas se deixem transformar e produzir frutos. É que, ao nos criar, Deus espera nada mais que frutos de bondade, de misericórdia, de solidariedade. Quando faltam tais frutos, falta a vida verdadeira que ele deseja.
O Filho enviado pelo Pai caminha conosco e quer nos transformar. Estar abertos á ação de Deus, porém, depende somente de nós. E aqui a importância do chamado à conversão feito por Jesus. Converter-se é tomar consciência dos próprios limites e pecados, em primeiro lugar. E, na prática, mudar de mentalidade, e de vida. Mas não basta mudar, e sim mudar segundo o plano de Deus, que nos cria para relações que humanizem, que nos imanem no perdão e no amor.
Conscientes de que as tragédias e desastres não podem ser castigo do Deus bondoso de Jesus, perguntamo-nos sobre o sentido que estamos dando à nossa vida hoje. Uma vida sem frutos para Deus é vida que perde o próprio sentido. No dia do acerto de contas, diante de um Deus que ama, que frutos lhe apresentaremos? O tempo que temos neste mundo é o tempo que Deus nos dá. É agora o tempo de conversão. É agora o tempo de dar frutos.
Pe. Paulo Bazaglia, ssp - Comentário sobre o Evangelho deste Domingo 03/03/2013
sábado, 2 de março de 2013
O Espírito Santo como Dom de Deus
Ensina o Catecismo da Igreja Católica que “o Amor é o primeiro dom.
Ele contém todos os demais” (cf. CIC 733). São João ensina que
“Deus é Amor” (cf. 1Jo 4,8.16). Por isso Deus entregou-Se em
sacrifício na Cruz por nós na pessoa de Jesus Cristo, ato do Seu de
extremo amor por nós (cf Jo 15,13; Mt 26,26-28).
O Deus que venceu a Morte é o mesmo que nos insere na Vida. Por
esta razão o Espírito Santo é prometido para santificar e curar os fiéis de
seus pecados e males. Sobre isso ensina o Catecismo: “Pelo fato de
estarmos mortos, ou, pelo menos, feridos pelo pecado, o primeiro efeito do dom do Amor é a remissão de nossos pecados. É a comunhão do Espírito Santo (2Cor 13,13) que, na Igreja, restitui aos batizados a semelhança divina perdida pelo pecado. [...] É por este poder do Espírito que os filhos de Deus podem dar fruto.”
A Igreja ensina que o Espírito Santo também é dom dado aos fiéis
para que estes dêem frutos que são "caridade, alegria, paz, paciência,
afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança" (Gl 5,22-23).
Muita gente confunde os frutos do Espírito Santo com os dons do
Espírito Santo. “Os dons do Espírito Santo são disposições permanentes
que tornam o homem dócil para seguir as inspirações divinas. [...] Os frutos do Espírito Santo são perfeições plasmadas em nós como primícias da glória eterna.”
Os Dons do Espírito Santo
Desde o AT o Senhor anunciava pela boca de seus santos profetas o
advento do Espírito Santo. Por exemplo, disse o Profeta Ezequiel: “Porei em vós o meu espírito e vivereis” (cf. Ez 37, 6). A vida que recebemos através do Espírito Santo não foi merecida por nós, mas é puro presente de Deus, e por isso mesmo é chamado de dom. Quantos e quais são estes dons?
A primeira pista que Deus nos deu veio bela boca do Profeta Isaías:
"Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas
raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de
sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de
coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor. (Sua alegria
se encontrará no temor ao Senhor.) Ele não julgará pelas
aparências, e não decidirá pelo que ouvir dizer" (Is 11, 1-3).
Por isso a Igreja ensina que são sete os dons do Espírito Santo:
sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.Entretanto encontramos o seguinte ensino de S. Paulo aos
coríntios: "A respeito dos dons espirituais, irmãos, não quero que vivais na ignorância. Sabeis que, quando éreis pagãos, vos deixáveis levar, conforme vossas tendências, aos ídolos mudos. Por isso, eu vos declaro: ninguém, falando sob a ação divina, pode dizer: Jesus seja maldito e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz" (1Cor 12,1-11).
Pode-se observar que existe uma notável diferença entre o que diz
São Paulo e o que diz o Profeta Isaías sobre os dons do Espírito Santo.
Porém, estaríamos cometendo um grave erro se achássemos que estes dois servos de Deus estão em contradição. Aliás, devemos lembrar que a
Escritura não se contradiz, pois é Palavra de Deus.
Esta aparente contradição se resolve pelo fato de que cada um está
falando sobre dons de categorias diferentes. A Igreja ensina que os dons ou
graças do Espírito Santo se dividem em:
a) graça santificante ou habitual: “A graça santificante é um dom
habitual, uma disposição estável e sobrenatural para aperfeiçoar a própria alma e torná-la capaz de viver com Deus, agir por seu amor”8. Este tipo de graça trata-se da “vida infundida pelo Espírito Santo em nossa alma, para curá-la do pecado e santificá-la” e é “recebida no Batismo”
b) graça atual: designa “as intervenções divinas, quer na origem da
conversão, quer no decorrer da obra da santificação” (Ibidem). A conversão de S. Paulo que se deu no caminho para Damasco por intervenção de Cristo é um exemplo deste tipo de graça (cf. At 9,1-8).
c) graça sacramental: são “dons que o Espírito nos concede, para
nos sociar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos outros e com o crescimento do corpo de Cristo, a Igreja.” São “os dons próprios dos diferentes sacramentos”10.
d) graça especial ou carisma: As “graças especiais, chamadas
também ‘carismas’, segundo a palavra grega empregada por S. Paulo e que significa favor, dom gratuito, benefício. Seja qual for seu caráter, às vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os
carismas se ordenam à graça santificante e têm como meta o bem
comum da Igreja. Acham-se a serviço da caridade, que edifica a Igreja.
Entre as graças especiais, convém mencionar as graças de estado, que
acompanham o exercício das responsabilidades da vida cristã e dos
ministérios no seio da Igreja”11.
Agora ficou simples resolver a aparente divergência entre o Profeta
Isaías e o Apóstolo Paulo. O primeiro está tratando dos dons que dizem
respeito à graça santificante ou habitual, aquela que recebemos no
batismo e nos demais sacramentos. O segundo refere-se aos dons
carismáticos que dizem respeito à graça especial, também chamada graça pessoal.
Prof. Alessandro Lima
O Dom das Línguas
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