domingo, 7 de abril de 2013

A força do Ressuscitado

É domingo, e Jesus ressuscitado aparece aos discípulos, que com medo estavam reunidos a portas fechadas. Mas a aparição  de Jesus, que envia os discípulos em missão, quer mudar essa realidade. Ele aparece novamente, no domingo seguinte.  Ainda há medo e fechamento, e ainda há quem duvide de que Ele pudesse estar vivo. Soprando e enviando o Espírito Santo, Jesus recria a comunidade dos seguidores, transmitindo-lhes sua força de ressuscitado. Com esta força divina, os discípulos terão coragem de abrir-se para o mundo e continuar a missão do Mestre. Missão que nada mais é que a construção da paz na comunidade e na sociedade e que se dá pela busca do perdão que recria as relações.
A bem-aventurança da ressurreição é a bem-aventurança da fé. Pois não se trata de ver e tocar Jesus para continuar a sua missão. Trata-se de acreditar em suas palavras e ações, por meio do testemunho de tantos que, antes de nós, entregaram a própria vida pela mesma missão do Mestre. Felizes somos nós, portanto, se acreditamos em ver e tocar. Felizes somos nós se damos espaço ao Espírito do Ressuscitado, se somos construtores da paz,se buscamos o perdão. Felizes de nós se vencemos o medo e nos abrimos ao mundo, fazendo de nossas comunidades, famílias e experiências pessoais um sinal de ressurreição daquele que venceu a morte e continua conosco. Felizes de nós se, ao nos reunirmos aos domingos, conseguimos sentir e transmitir a alegria do Ressuscitado.
Com a coragem de quem tem fé, abramos portas e janelas da nossa vida e das nossas comunidades para que o Espírito, sopro divino, continue passando com a força da ressurreição.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp - Comentário sobre o Evangelho deste Domingo 07/04/2013

sábado, 6 de abril de 2013

Homens e não Anjos



Muitos de nós, no início do nosso processo de conversão, vivemos uma época de plena consolação espiritual que Nosso Senhor nos dá, e pensávamos que seria sempre assim. Com o tempo, percebemos por experiência que estávamos errados. Percebemos que apesar de termos entregado a nossa vida à Nosso Senhor, continuamos sendo, da mesma forma que antes, pessoas que tem limitações; pessoas que sofrem; pessoas que choram; pessoas que cansam; pessoas que desanimam; pessoas que se apaixonam; pessoas que se confundem; pessoas que tornam a cair nos mesmos pecados que julgávamos já ter superado. Percebemos, por experiência, aquilo que a teologia já nos ensina: que somos homens e não anjos.
Isso nos leva a perceber também que precisamos trabalhar as nossas questões humanas tanto quanto as questões espirituais, pois se assim não fizermos, a partir de certo ponto não poderemos progredir espiritualmente. É este o degrau que talvez muitos não consigam alcançar, e por isso tornam-se tíbios espiritualmente e desistem de seguir Nosso Senhor. Essa descoberta é aquilo que alguns autores modernos tem chamado de "espiritualidade de baixo": o ser humano que busca encontrar a Nosso Senhor a partir de si mesmo: da sua própria verdade e limitação. Os santos doutores da Igreja já nos diziam que o caminho para o progresso espiritual não é outro senão o auto-conhecimento.
Diante disso, é inquestionável a necessidade de trabalharmos nossas questões humanas. Porém, existe uma tendência perigosa de se contrapor o humano ao espiritual, ou se contrapor o humano a fé, o que é um erro; se o humano e o espiritual vem de Deus, se o humano e a fé vem de Deus, não pode haver contraposição. Pelo menos, não se o humano estiver corretamente ordenado segundo a fé. Aqui também torna-se particularmente fundamental lembrar que a fé é uma adesão da inteligência e da vontade à Verdade Revelada por Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo, interpretada autenticamente e comunicada a nós por meio do Sagrado Magistério da Santa Igreja, que a sob a assistência do Espírito Santo, é infalível em matéria de fé e moral (Catecismo da Igreja Católica, 2035).
Nesse sentido, é importante esclarecer que, por um lado, não temos o direito de nos esconder atrás da nossa humanidade para justificar nossa infidelidade à Nosso Senhor. Se usamos nossa humanidade para justificar nossa incredulidade à respeito do que nossa Santa Mãe Igreja nos ensina (exemplo: "eu não concordo que transar antes do casamento é pecado"), ou para justificar o pecado (exemplo: "eu continuo transando com minha namorada porque tenho essa necessidade"): nesses casos, não estamos ordenando nossa humanidade segundo a fé e estamos caindo em um humanismo nocivo, que é uma perigosíssima armadilha de Satanás para nos enganar.
Por outro lado, a forma equilibrada de ordenarmos a nossa humanidade de acordo com a nossa fé é nada mais do que a aplicação dos princípios expostos nos primeiros parágrafos deste escrito. E partir daí, tiramos várias conclusões, expostas nos parágrafos abaixo.
Como seres humanos, nos comportamos de forma contraditória em vários momentos - a nossa própria concupiscência, ou seja, a tendência que temos em desejar o mal, fruto do pecado original, nos leva a agir assim. Como já foi falado, isso não pode ser uma justificativa para não combater aquilo que é pecado, mas isso deve nos levar a olhar com humildade e tranquilidade para as nossas quedas, e recorrer sempre à Misericórdia de Nosso Senhor, como tantos na Sagrada Escritura recorreram e foram perdoados. O que seria de São Paulo, Santa Maria Madalena e Santo Agostinho se assim não fosse? O sentimento de culpa por termos ofendido à Deus é algo santo; porém, a não aceitação interna de que tenhamos errado é orgulho e não santidade.
Como seres humanos, temos sentimentos. Os sentimentos são algo natural em nós, e em si, não são bons nem maus, embora se apresentem de forma desordenada, por causa da concupiscência. A virtude está na forma como lidamos com estes sentimentos. (Catecismo da Igreja católica, 1767) Ninguém jamais peca apenas por sentir raiva ou desejo sexual; pois o pecado implica em vontade. Sendo assim, a consciência de que somos homens e não anjos nos levará não a fugirmos dos nossos sentimentos negativos ou a tentativa de reprimí-los, mas a de nos colocarmos diante deles como algo natural, como algo que faz parte de nós; e buscarmos, com tranquilidade, conhecê-los e compreender as suas raízes, para que possamos trabalhar eles de forma que possam nos ajudar a progredir espiritualmente.
Como seres humanos, temos necessidades. A psicologia nos mostra que o homem tem vários tipos de necessidades: são necessidades biológicas (comer, dormir, ir ao banheiro, ter relações sexuais), necessidades de segurança e necessidades sociais (ser amado). Quando entregamos nossa vida a Nosso Senhor, as nossas necessidades humanas não desaparecem. Continuamos precisando comer, dormir e ir ao banheiro - a não ser que Nosso Senhor intervenha de forma extraordinária; houve santos canonizados pela Santa Igreja que durante anos se alimentaram somente do Santíssimo Sacramento. Continuamos tendo necessidades também que dizem respeito ao nosso equilíbrio emocional: continuamos tendo necessidade de nos sentirmos amados pelos que estão ao meu lado, de buscar a companhia de uma pessoa do sexo oposto - a não ser quem tenha uma vocação especial ao celibato ou esteja física, moral ou psicologicamente impedido de disso; nesta caso, o Espírito Santo concede uma graça especial para suprir esta necessidade de forma sobrenatural.
Como seres humanos, temos limitações, em vários sentidos. Eu por exemplo, por causa da minha necessidade biológica de sono, tenho meu desempenho bastante prejudicado se durante vários dias durmo menos de 7 horas. Me torno também bastante ansioso e atrapalhado quando tenho muitas responsabilidades para cuidar ao mesmo tempo, o que prejudica meu desempenho. Nosso Senhor jamais nos chamará a algo acima das nossas capacidades; e a teologia nos ensina que o Espírito Santo nos concede a graça para realizarmos aquilo que para nossa natureza é difícil, mas ordinariamente, não realiza em nós aquilo que para nossa natureza é impossível - se assim não fosse, poderíamos fazer um jejum definitivo à base de líquidos ou passar todas as noites inteiras em oração contínua e nunca mais dormir. Por isso, precisamos nos conhecer e respeitar nossas limitações, e ter essas limitações como critérios de discernimento para nossas escolhas. Uma rotina que não permita o tempo necessário de descanso e de lazer pode ser tão nociva quanto uma rotina que não permita o tempo necessário para a oração. Nesse sentido, o descanso e o lazer não são fins em si mesmo, mas sim uma implicação necessária para a própria busca da santidade. E é fantástico saber que mesmo nestes momentos, podemos estar nos santificando!


Francisco Dockhorn

Lamentos do Senhor - Eugênio Jorge

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Por mínimos detalhes nossas vidas estão paradas...



O vinho alegra a vida e o dinheiro arranja tudo. Quantos detalhes há neste capítulo do Livro do Eclesiastes que nos mostra onde estamos errando, se delicie...


Moscas mortas estragam e corrompem o óleo do perfumista. Uma pequena insensatez pesa mais que a sabedoria e a glória.
O coração do sábio vai para o lado certo; o do insensato, ao contrário, para o lado errado.
O insensato, que vai seguindo seu caminho, como ele próprio é ignorante, pensa que todos são insensatos.
Se a irritação da autoridade se levantar contra ti, não abandones teu posto, pois a calma faz cessar grandes pecados. Há um mal que vi debaixo do sol, uma falha da parte de quem governa:
o insensato promovido a um alto posto e ricos relegados a baixa posição.
Vi escravos a cavalo e príncipes andando a pé como escravos. tQuem cava um buraco, nele cairá; quem desmancha um muro, uma cobra o morderá.
Quem talha pedras, com elas se machucará; quem corta árvores, com elas correrá perigo.
Se o machado estiver embotado e não afiares o seu gume, aumentará a fadiga: a sabedoria é que faz render o esforço.
Se a cobra morder, não se deixando encantar, de nada adiantou o encantador.
As palavras da boca do sábio são um encanto, mas os lábios do ignorante causarão sua própria ruína.
Se as primeiras palavras do tolo são insensatez, as últimas que saem de sua boca são ignorância perversa.
O insensato anda repetindo: “Ninguém sabe o que vai acontecer. Mais ainda, o que vai acontecer depois, quem poderá informar?”
O trabalho dos insensatos os cansa, pois nem sabem como ir até a cidade.
Ai de ti, ó país cujo rei é um adolescente e cujos príncipes se banqueteiam desde cedo.
Feliz o país cujo rei é nobre e cujos príncipes se alimentam no tempo certo, para se refazerem, e não por excesso. Pela muita preguiça desabará o teto, e por mãos inativas choverá na casa. Para se divertirem preparam banquetes; o vinho alegra a vida, e o dinheiro arranja tudo. Nem em pensamento fales mal do rei, nem critiques o poderoso no segredo do teu quarto; pois as aves do céu levarão a tua voz, e alguém com asas vai espalhar o que disseste.

Livro do Eclesistes 10, 1-20

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Orgulho e Castigo

 
Quando se tornou poderoso, seu coração se encheu de orgulho, a ponto de causar sua desgraça: pecou contra Iahweh seu Deus, entrando na grande sala do Templo de Iahweh para queimar incenso no altar dos perfumes. O sacerdote Azarias e mais oitenta corajosos sacerdotes de Iahweh resistiram ao rei Ozias e disseram-lhe: "Não é a ti que compete incensar Iahweh, mas aos sacerdotes descendentes de Aarão consagrados para esse ofício. Sai do santuário, porque pecaste e já não tens direito à glória que vem de Iahweh Deus." Ozias, que tinha nas mãos incensário, encolerizou-se. Mas, enquanto ele se irritava contra os sacerdotes, apareceu a lepra em sua fronte, na presença dos sacerdotes, no Templo de Iahweh, perto do altar dos perfumes!" O sacerdote-chefe e todos os sacerdotes voltaram-se para ele e viram a lepra em sua fronte. Expulsaram- no imediatamente e ele mesmo se apressou em sair, porque Iahweh o havia castigado. O rei Ozias ficou com lepra até o dia de sua morte. Permaneceu encerrado num quarto, leproso, e estava excluído do Templo de Iahweh. Seu filho Joatão regia o palácio e administrava o povo da terra. O resto da história de Ozias, do começo ao fim, foi escrito pelo profeta Isaías, filho de Amós.23Depois Ozias adormeceu com seus pais e foi sepultado com eles no terreno dos sepulcros reais, pois diziam: "É um leproso." Joatão, seu filho, reinou em seu lugar.

Bíblia de Jerusalém - II Crônicas 26, 16-23

terça-feira, 2 de abril de 2013

As perseguições que os Santos sofreram


“Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem
falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.” (Mt 5,11)
São Raimundo de Peñafort:
“Se todos os que querem viver

piedosamente em Cristo devem sofrer perseguições, conforme
disse, com absoluta verdade o pregador da verdade, ninguém, a
meu ver, delas está excluído, a não ser quem negligencia ou não
sabe viver “sóbria, justa e piamente”.

 Quanto a vós, não permita Deus sejais contados entre aqueles que têm casas
pacatas, seguras, sem que a mão do Senhor esteja sobre eles; e que
passam satisfeitos seus dias e de repente descem aos
infernos… Exteriormente a espada se duplica e triplica quando
sem motivo se levanta uma perseguição ECLESIÁSTICA, acerca
de assuntos espirituais, em que são mais dolorosas as feridas porque vindas de
amigos” (De uma Carta de São Raimundo, presbítero).

 Santo Antônio Maria Zacaria: Quanto aos que nos combatem,
pior para eles, mas para nós são um bem, aumentam as
coroas da eterna glória, provocam sobre si a cólera de Deus;
devemos sentir antes compaixão por eles, e amá-los em vez
de detestá-los e de odiá-los. E mais, rezar por eles, não nos
deixamos vencer pelo mal, mas vencer o mal pelo bem e
ajuntar atos de piedade, “quais carvões” acesos de caridade
“sobre suas cabeças”, como nosso Apóstolo ensina; desta
maneira, provando nossa paciência e mansidão, convertam-se a melhores
sentimentos e se inflamem do amor de Deus
” (Do Sermão de Santo AntônioMaria Zacaria, presbítero, a seus confrades).

São João Bosco escreveu o seguinte diante das perseguições do Arcebispo Dom
Lourenço Gastaldi contra ele:
…Uma vez que estou
submetendo a pobre Sociedade Salesiana a esta
humilhação, pelo menos as coisas durassem! Mas receio
muito. Vai-se propalando que D. Bosco foi condenado, que
o Pe. Bonetti não irá mais a Chieri, etc. “De toda a maneira
agi com seriedade, e conservando silêncio vou para a
frente…
” (Carta ao Cardeal Nina, Turim, 18 de julho de 1882).

… As coisas com o Arcebispo sofrem diariamente

alternativas. Hoje é tudo paz, amanhã tudo é guerra e eu aceito tudo e assim
iremos para frente…
” (Carta ao Pe. Dalmazzo, Turim, 29 de julho de 1882).

Santa Teresa D’Ávila escreveu o seguinte à Madre Maria de São José:
Digo a
vossa reverência que está acontecendo uma coisa aqui na
Encarnação que creio não ter visto outra igual. Por ordem
do Tostado, veio o PROVINCIAL dos Calçados fazer a
ELEIÇÃO, há quinze dias, e trazia grandes censuras e
EXCOMUNHÕES para as que VOTASSEM em MIM. E apesar
de tudo isso, elas pouco se importaram e, como se não lhes
tivessem dito nada, votaram em mim cinqüenta e cinco
monjas, e a cada voto que entregavam ao PROVINCIAL, ele
as EXCOMUNGAVA e AMALDIÇOAVA, e com o PUNHO
SOCAVA os VOTOS, AMASSAVA os papéis e os QUEIMAVA. E deixou-as
EXCOMUNGADAS, fazem hoje quinze dias, e sem ouvir missa nem entrar no
coro, mesmo quando não recita o ofício divino, e que ninguém FALE com elas,
nem os CONFESSORES nem os seus próprios pais. (…) Não sei onde isto vai
parar
” (Carta de 22 de outubro de 1577, Obras Completas).

O Núncio Apostólico, chamado
Sega,
chamou Santa Teresa D’Ávila de “mulher
irrequieta e andarilha, desobediente e contumaz
” (Obras Completas), e dizia que
os mosteiros que ela fez era
sem a licença do Papa e do Geral (Obras Completas).
Era tal o clima de animadversão contra ela (Santa Teresa D’Ávila) que, quando
quis fundar o convento de São José, tanto o clero como outras ordens
religiosas começaram a atacá-la violentamente: “Padres, freiras e frades” —
escreve Marcelle Auclair na sua biografia à Santa — “sentiam-se ameaçados no
seu pão de cada dia, pois os tempos eram de carestia e pobreza crescentes. Já
não havia em Ávila conventos demais para repartir entre eles as parcas
esmolas? Na igreja de Santo Tomás, um pregador, referindo-se a Teresa
durante um sermão, pôs-se a trovejar contra certas religiosas que “saem dos
seus mosteiros e, sob pretexto de fundar novas ordens, procuram somente
conseguir privilégios”, e acrescentou “outras palavras tão pesadas que a sua
irmã, Dona Juana, se ruborizou com a afronta e quis retirar-se”. E isto não foi
mais que um episódio no conjunto de sofrimentos e contradições —
“FACADAS”, como as chamava a Santa — que acompanharam toda a vida de
Teresa de Ávila
” (José Miguel Cejas, Os Santos, pedras de escândalo).

 São João da Cruz, em meados de dezembro de 1576, com os olhos vendados, foi
levado a um convento em Toledo…
Lá foi julgado e
declarado rebelde e contumaz…
condenaram-no primeiro a
um cárcere conventual e mais tarde a outro que se criou
especialmente para ele:
um antigo banheiro de dois metros
de largura por três de comprimento, sem janelas, escavado
na parede, que tinha por único mobiliário umas tábuas e
duas mantas velhas
. Nesse lugar desumano suportou o
rigoroso frio do inverno toledano e o calor do verão. Santa
Teresa escreve o seguinte sobre essa prisão: “
Durante nove
meses, esteve num carcerezinho onde, apesar de ser tão pequeno, não cabia
bem, e durante esse tempo não mudou a túnica, embora estivesse à beira da
morte
” (Carta ao Pe. Jerônimo Gracián, de 21-08-1578, em Obras Completas).

 Santa Micaela, Fundadora das Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade,
teve que enfrentar a hostilidade de quase todo o
clero de Madri. Ela escreve: Como
o clero, em geral desaprovava a minha obra, e estes eram
os de mais fama pela sua piedade e posição, isso não só
me prejudicava diante das pessoas de fora, como também
me deixava confusa e me feria o coração do modo mais
cruel; na verdade, fazia-me passar as horas ao pé do altar,
desfeita em pranto: — “Senhor, se não Te sirvo a Ti, a
quem sirvo numa vida tão amarga e cheia de contínuos
sacrifícios?” — “É a Mim que me serves, sim, a Mim!” —
sentia no fundo da minha alma, como um bálsamo que
curava a minha dor
” (cit. por Barrios Moneo, Mujer audaz, pág 231).
Essa hostilidade contra Santa Micaela manifestou-se de muitas maneiras e chegou
até à agressão física: certa vez, um
sacerdote chegou a esbofeteá-la. Esse fato
aconteceu nos primeiros dias de agosto de 1849, como relata uma testemunha
presencial. A Santa insistia com o padre em que confessasse uma enferma, ao que
o sacerdote se negou, contra atacando-a:
 — “Tudo isto acontece porque não há quem domine a senhora”.
— “Domine-me o senhor, se quiser” — respondeu-lhe a Santa.
Então o sacerdote deu-lhe uma bofetada, e a Santa, após tê-la recebido, disselhe
em voz suave:
— “Agora o senhor está satisfeito?”
— “Sim, senhora”.
— “Pois eu também estou satisfeita; agora, senhor, confesse a menina
” (cit. por
Barrios Moneo, Mujer audaz, pág. 232).
Esse mesmo sacerdote não cessou de insultá-la em público durante anos a fio.
Dizia ele: “
A quem quereis seguir” — perguntou um dia às alunas da instituição
dirigida pela Santa: “
a essas religiosas, umas santas que se desvivem por vós,
ou à viscondessa de Jorbalán, que é um membro PODRE da sociedade?
” (ibid).
De que acusavam Santa Micaela? Das coisas mais estapafúrdias: diziam que saía
todas as noites, disfarçada, para dançar, e que comungava diariamente! Sabiam até
a cor do vestido que usava. Outro sacerdote dizia que a Santa prostituía as moças
que tinha sob os seus cuidados (ibid).
As calúnias demoraram em ser esquecidas, e o ambiente de animadversão que se
criou contra a Santa não só a acompanhou praticamente durante toda a vida, como
se fez presente até mesmo durante o seu processo de beatificação. Influenciou o
próprio Papa Bento XV, que esteve a ponto de mandar retirar a causa.
São João Crisóstomo que foi perseguido pelo Patriarca
(Arcebispo) Teófilo de
Alexandria, Egito, escreve:
Não quero mencionar os fatos de
que alguns, só para conseguir o cargo de chefe da Igreja,
cometeram até assassínios dentro das comunidades e
devastaram cidades inteiras
” (O Sacerdócio, Livro III, 10), e:
“…o sacerdote deve temer mais os que lhe estão
próximos, inclusive os colegas de cargo”
(ibid, 14).
Tudo indica que o incendiário é o Patriarca
(Arcebispo)
Teófilo de Alexandria, terrível perseguidor de São João
Crisóstomo e amigo íntimo da Imperatriz Eudóxia
(nova Jezabel).

Existem
centenas de exemplos, porém citei apenas sete.

Caso queira conhecer as perseguições do clero contra algumas pessoas piedosas, leia os livros:
Os Santos, pedras de escândalo, de José Miguel Cejas, e João Crisóstomo, Vida e martírio, de Félix
Arrarás.

Fonte:
www.filhosdapaixao.org.br