Bem sabemos que as palavras "te amo", infinitamente repetidas em todos os tempos, em todas as latitudes do planeta, na maioria dos casos podem ser apenas expressão provisória e vazia do sentimento humano.
Mas o olho de Jesus sabe ir além das simples palavras de Pedro,o qual, ao dizer "te amo", não estava blefando: mais tarde daria a vida por amor. Porque amor, no fundo, é só isto: fazer da própria vida um dom para a felicidade do outro.
Então, poderíamos dizer que o evangelho é o desmascaramento do amor falso, daquele amor que é apenas um impulso imediato da natureza humana: amor que não e dom de si, mas apropriação indébita da vida alheia.
É verdade, existe mesmo um tipo de amor que se manifesta e se afirma como realidade oposta ao amor verdadeiro; como dilatação e sublimação do próprio egoísmo. Egoísmo que vive e se alimenta com a exploração da outra criatura, a qual, não raro, acaba sendo destruída.
É claro que o evangelho não é um projeto de psicanálise. É antes a enunciação de um projeto existencial, em que todas as nossas energias, todas as nossas capacidades assim como nosso próprio coração são postos a duras provas: convocados ao serviço daquela parte da humanidade deserdada de tudo, que nunca soube amar porque nunca se sentiu amada.
"Tu sabes que eu te amo." É emocionante, é belo e divino saber que alguém nos ama. Da mesma forma, é emocionante e divino que outros escutem de nós essa mesma declaração de amor.
Amar, porém, que dizer estar disponível para fazer da própria vida um dom. Pronto para ultrapassar as fronteiras da existência individual - e se consumar para a felicidade dos outros.
Mas é sempre bom lembrar que, assim como para Jesus e para Pedro, a prova do nosso amor só pode ser o caminho do calvário.
Pe. Virgilio, ssp sobre o Evangelho deste domingo 14/04/2013
domingo, 14 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Vantagens do santo sacrifício
A grandeza e a beleza são dois motivos assaz
poderosos para tocar os corações; a utilidade, porém, os
persuade e, a despeito de toda repugnância, arrebata quase sempre à vitória.
Ainda que a excelência e a necessidade da Santa Missa não fossem para vós bastante ponderáveis, como poderíeis deixar de apreciar a magna utilidade que ela proporciona aos vivos e falecidos, aos justos e aos pecadores, para a vida e para a morte, e mesmo para depois da morte?
Imaginai que sois aquele devedor do Evangelho, cuja dívida se elevara à enorme quantia de dez mil talentos. Chamado a prestar contas humilha-se, implora e pede adiamento para satisfazer completamente o débito:
Patientiam hiabe in me, et omnia rddam tibi.
“Tem paciência comigo, que tudo de pagarei” (Mt 18, 26)
Aí está o que deveis fazer, vós que tendes com a Justiça
divina não uma, mas mil dívidas. Deveis humilhar-vos e
suplicar tempo bastante para assistir à Santa Missa; e ficai certos de que estas Santas Missas saldarão completamente todas as vossas obrigações.
São Tomás de Aquino, o Doutor angélico, nos ensina
quais são as dívidas que temos com DEUS. Ele diz que há especialmente quatro. Todas as quatro ilimitadas.
A primeira é de adorar, louvar e honrar este DEUS de
majestade infinita e digno de infinitos louvores e homenagens.
A segunda dar-Lhe satisfação pelos pecados que cometemos.
A terceira, render-Lhe graças pelos benefícios recebidos.
A quarta, implora-Lhe, como fonte de todas as graças.
Ora, como é possível que pobres criaturas como nós,
que nada possuímos, nem mesmo o ar que respiramos,
possam jamais satisfazer obrigações tão grandes?
Consolemo-nos, pois aqui está um meio facílimo. Façamos o possível para participar de muitas Missas e com a máxima devoção; mandemos celebrá-la também o mais que pudermos: e, se bem que nossas dívidas sejam enormes e inumeráveis, não há dúvida de que, com o tesouro contido na Santa Missa, poderemos solvê-las inteiramente. E para melhor compreendermos estas dívidas, explicá-las-ei uma depois da outra, e grande será vossa consolação ao ver a grande utilidade e inesgotável riqueza que podeis haurir de mina abundante, para pagar todas.
LEONARDO DE PORTO-MAURÍCIO
da Ordem dos Frades Menores
AS EXCELÊNCIAS
DA
SANTA MISSA
terça-feira, 9 de abril de 2013
Razões para ser Padre
http://www.padrechrystianshankar.com.br/novo/reflexoes/belos-textos/201-razoes-para-ser-padre Primeiramente, é preciso compreender que o Padre foi chamado por Deus. Não é uma vocação que alguém escolhe, porque se julga apto para tal, ou porque acha interessante. A escolha é de Deus, e o seu chamado não se discute. Por isso, o sacerdócio é um privilégio, imerecido. Quando da eleição dos Apóstolos, e também dos discípulos, Jesus passou a noite em oração. Pela manhã, Ele escolheu os que queria para o seu grupo, com os quais fundou a sua Igreja, que subsistirá até o fim dos tempos - a Igreja Católica Apostólica Romana. O Padre é homem de Deus. Esta é sua característica fundamental. Tudo que se queira acrescentar à sua figura, são detalhes acidentais. Jesus, aos 12 anos, afirmou: "Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?" (Lc 2,49). Tal é a realidade mais profunda do Padre - as coisas do Pai. Apesar do secularismo, a que já aludimos, o homem hodierno busca, sequiosamente, o rosto de Cristo. Por isso, o Padre é chamado a ser representante do próprio Senhor: ele O torna novamente presente. E quanto mais transparente e mais perfeita for essa presença, melhor responderá às indagações dos que a procuram. Nosso pranteado Papa João Paulo II nos exortava a contemplar o rosto de Cristo, para revelá-lo aos outros. Chegou a dizer que os Padres são o "Coração de Jesus" - expressão forte, que significa o amor de Jesus, divino e humano, que o Padre deve transparecer, através da missão que exerce. O povo quer ver, tocar, perceber, ouvir o Cristo na pessoa do Padre. Por isso, a palavra do Padre não é dele mesmo, mas é a Palavra de Deus. O toque sacramental do Padre não é um toque meramente humano, mas ultrapassa esta dimensão e penetra no divino, do qual o sacerdócio é, de fato, mediação. Esta configuração ao Cristo tem profundas raízes teológicas, que atestam a exclusividade do sacerdócio para os varões, como participação no único e eterno sacerdócio do próprio Cristo. Jesus não escolheu nem sua própria Mãe Santíssima, para compor o grupo daqueles que seriam a base apostólica da sua Igreja. Mas não é nosso propósito discutir este assunto, no presente texto. Apenas confirmamos a posição da Igreja, em nome de quem o Papa João Paulo II falou, quando expôs, claramente, seu ensinamento a este respeito. Ainda segundo o saudoso Papa, na sua Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis - "Dar-vos-ei Pastores segundo o meu Coração" (Jr 3,15), de 25 de março de 1992, o Padre tem que possuir 5 qualidades essenciais: [1] Ser homem, física e psicologicamente, sadio; [2] Ser pessoa de oração, portanto piedoso; [3] Ser uma pessoa culta. A formação intelectual de um Padre exige um mínimo de 7 anos de estudos universitários, incluindo as Faculdades de Filosofia e de Teologia, além da comprovada competência pastoral; [4] Ser um verdadeiro pastor; [5] Ser um elemento de equipe, que saiba viver em comunidade e para a comunidade. Que nunca trabalhe só, a não ser nas coisas do trato direto com Deus. Como seguidores de Cristo, os Apóstolos tiveram que deixar tudo: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim" (Mt 10,37). Trata-se da doação integral da pessoa e da sua capacidade de amar, para que Cristo dela disponha em favor dos mais necessitados: os pobres, os pecadores, os que sofrem de múltiplas carências, os que nos procuram para aconselhamento. Para estar disponível a tudo isto, permanentemente, é preciso ter um amor exclusivo. São Paulo diz, claramente: "O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa" (1Cor 7,32-33). Portanto, tem um coração dividido. O Padre não pode viver assim. O seu amor, as suas energias, a sua competência, tudo deve estar a serviço das ovelhas do seu rebanho. Por isso, a Igreja, desde os primórdios, introduziu o celibato, seguindo a exigência que Jesus fez aos Apóstolos sobre deixar tudo. Apesar do que afirmam as críticas apressadas a esta norma antiqüíssima, o celibato sacerdotal não é a causa de eventuais problemas afetivos. Rezemos para que Deus nos dê sempre bons e santos Padres, segundo o seu Coração: "A promessa do Senhor suscita no coração da Igreja a oração, a súplica ardente e confiante no amor do Pai de que, tal como mandou Jesus o Bom Pastor, os Apóstolos, os seus sucessores, e uma multidão inumerável de presbíteros, assim continue a manifestar aos homens de hoje a sua fidelidade e a sua bondade" (Pastores Dabo Vobis, n°82). |
segunda-feira, 8 de abril de 2013
A fé que move montanhas
| A palavra fé, vem do vocábulo latim, fides, de onde vem o nosso adjetivo fidelidade, que é o mesmo que confiança. Não adianta somente ser fiel, devemos também confiar, só assim o impossível pode acontecer. Em Hebreus 11, 1 – 3 diz que a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do impossível. Segundo o apóstolo Paulo a fé é u, dom dado pelo espírito (ICor 12,9). O Espírito Santo é aquele que tem o poder de convencer o nosso coração. João 16, 8 – 9. Portanto, quando o espírito toca o nosso coração, temos a fé acionada, e assim conseguimos ser fiel e confiar no Senhor. Quando os discípulos perguntaram por que não conseguiram expulsar um demônio, Jesus respondeu: “ Por causa de vossa falta de fé. Em verdade vos digo: se tiveres fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha: transporta-te daqui para lá, e ela irá, e nada vos será impossível”. Mat 17,20. A montanha a que Jesus se referia, era de forma literal. Alguns dizem ser o monte Tabor, mas isto seria impossível, pois havia uma fortaleza romana ocupando o monte Tabor, e por este motivo seria improvável que Jesus se reunisse ali. As características geográficas do texto apontam para o monte “Ermom”,a 20km de Cesaréia, com 2,800mt de altura. Quando Jesus fala de fé, ele diz fé, como um grão de mostarda, e não tamanho do grão de mostarda. Jesus fala no sentido qualitativo e não quantitativo, fala eficiência do grão de mostarda. O grão de mostarda embora seja a menos de todas as sementes, quando plantada torna-se a maior de todas as hortaliças, podendo chegar de 4 a 8 metros de altura. A nossa fé precisa ter qualidade.Naquela época existia um costume entre os rabino que quando alguém tivesse uma causa muito difícil, apresentava aos rabinos e aquele que solucionava o problema era apelidado de removedor de montanhas, ou seja, Jesus queria transformar seus discípulos em removedores de montanhas. É a fé de qualidade. Em Lucas 17,6 Jesus disse: “ Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá.A bíblia no original sempre diz a como qualidade e não do tamanho, ressaltando sempre a qualidade. Não existe pé de amoreira plantada no mar, isto seria impossível, Jesus estava ensinando seus discípulos que com fé de qualidade, eles veriam o sobrenatural, o impossível, o inacreditável. Ora sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram Heb. 11,6. - Quando te apresentares diante de Deus, faça isso com fé de qualidade. - Quando as muralhas se levantam contra ti, faça uso da fé de qualidade. - Quando todas as portas se fecham, a chave é a fé de qualidade. - Somente com a qualidade de nossa fé ouviremos Jesus dizer: “alguém me tocou diferente”. - Lembre-se é através da fé como um grão de mostarda, que as águas se abriram para você passar - Portanto, seja você também um removedor de montanha . Charles Vieira Comunidade Missionária Elyon http://www.missaoelyon.com.br/formacao2.asp?codnot=100002 |
Santidade
| Limpa teu coração faz dele uma casa para o Senhor. Deixa que Ele more em ti e tu moraras nele. (Santo Agostinho) A palavra de Deus nos ensina: 'Portanto, sede perfeitos, como vosso Pai celeste é perfeito'. (Mateus 5,48) Os escolhidos de Deus são chamados a viverem a santidade, a serem santos como Deus é santo. E esse chamado não se limita somente àqueles que tem um chamado à vida religiosa, ao sacerdocio ou a um cargo importante dentro da Igreja de Cristo, mas a todos que se dizem cristãos. A palavra 'santo' - Kadosh no hebraico - que significa 'separado', separado para Deus, separado do pecado, perdeu o sentido no coração da Igreja, esse desejo que nasceu no coração de Deus e foi passado ao seu povo, tem hoje sido esquecido por nós. O apóstolo Paulo nos ensina que devemos buscar a santidade sem a qual ninguém pode ver o Senhor (Heb 12,14). Buscar, esforçar-se para alcançar a santidade deve ser o desejo de todo cristão, se queremos ver o Senhor, se queremos adentrar em um lugar de intimidade, no Santo dos Santos, nos ocupar com o que é sagrado, então devemos lutar dia após dia para alcançar o desejo de Deus para nós: uma vida em santidade. Se sem a santidade não podemos ver o Senhor, então não tem sentido estarmos na Igreja, pregarmos a Palavra de Deus, evangelizarmos, sem buscar a santidade de vida; pois em todas as coisas, em todas as atividades de um cristão, seja dentro da igreja ou fora (ao pregar, ao interceder, ao tocar, ao cantar, ao acolher, ao arrumar um salão, na vivência em família, no trabalho, na escola) o nosso desejo é ver o Senhor. Se não vivemos a santidade, não conseguiremos transmitir a face do Cristo para as pessoas através de nossas vidas e nem mesmo nós veremos o Senhor. Na antiga aliança, foi armada uma tenda dividida em duas partes. Na parte anterior estava o candelabro e a mesa com os pães da proposição; chamava-se Santo. Atrás do segundo véu achava-se a parte chamada Santo dos Santos. Assim sendo, enquanto na primeira parte do tabernáculo entravam continuamente os sacerdotes para desempenhar as funções, no segundo entrava apenas o sumo sacerdote, somente uma vez ao ano, e ainda levando consigo o sangue para oferecer pelos seus próprios pecados e pelos do povo (Heb 9,2-7). Ao Jesus ter sido levantado na cruz e derramado o seu sangue pela humanidade o véu do templo de rasgou de cima a abaixo e já podemos adentrar no Santo dos Santos e ver o Senhor face a face, se entreter com ele como Moisés fazia, mas para isso o Senhor nos diz: 'Tira as sandálias do seus pés, pois o lugar que estás é Santo!'. Devemos tirar as sandalias que representa nossos pecados, nosso egoismo, nosso comodismo, nossos interesses para nos colocarmos diante do Santo dos Santos. a parte anterior encerrava o candelabro e a mesa com os pães da proposição; chamava-se Santo. 3. Atrás do segundo véu achava-se a parte chamada Santo dos Santos. 4. Aí estava o altar de ouro para os perfumes, e a Arca da Aliança coberta de ouro por todos os lados; dentro dela, a urna de ouro contendo o maná, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da aliança; 5. em cima da arca, os querubins da glória estendendo a sombra de suas asas sobre o propiciatório. Devido ao pecado, à desobediência a Palavra do Senhor, ainda continuamos nos ocupando com nossas funções na parte anterior da tenda, onde os sacerdotes desempenhavam suas funções, porque o Santo dos Santos está reservado àqueles que assumem a Palavra de Deus e o chamado desafiador a santidade. Desafiador, porque 'o mundo todo jaz sob o Maligno' (I Jo 5, 19b), e o apostolo João nos ensina: 'Sabemos que aquele que nasceu de Deus não peca; mas o que é gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca'. O Senhor continua nos convidando a ser uma geração, uma Igreja que resiste até o sangue na luta contra o pecado, que se preocupa em viver, em obedecer a voz do Senhor. Pois 'está é a vontade de Deus: a vossa santificação, que eviteis a impureza' (I Tess 4,3) e porque 'diante de Deus não sao justos os que ouvem a Palavra, mas serão tidos por justos os que a praticam' (Rom 2,13). Voltemo-nos a nos preocupar em obedecer a Palavra de Deus, a querermos ser aquilo que Ele pede que sejamos: Santos! Santos não só dentro da igreja, mas na família, no trabalho, na escola, nas reuniões entre amigos, neste mundo, para que possamos refletir a Glória do nosso Deus que é Santo. Deus abençõe! Mariana Leite S Aires Comunidade Missionária Elyon http://www.missaoelyon.com.br/formacao2.asp?codnot=100005 |
domingo, 7 de abril de 2013
A força do Ressuscitado
É domingo, e Jesus ressuscitado aparece aos discípulos, que com medo estavam reunidos a portas fechadas. Mas a aparição de Jesus, que envia os discípulos em missão, quer mudar essa realidade. Ele aparece novamente, no domingo seguinte. Ainda há medo e fechamento, e ainda há quem duvide de que Ele pudesse estar vivo. Soprando e enviando o Espírito Santo, Jesus recria a comunidade dos seguidores, transmitindo-lhes sua força de ressuscitado. Com esta força divina, os discípulos terão coragem de abrir-se para o mundo e continuar a missão do Mestre. Missão que nada mais é que a construção da paz na comunidade e na sociedade e que se dá pela busca do perdão que recria as relações.
A bem-aventurança da ressurreição é a bem-aventurança da fé. Pois não se trata de ver e tocar Jesus para continuar a sua missão. Trata-se de acreditar em suas palavras e ações, por meio do testemunho de tantos que, antes de nós, entregaram a própria vida pela mesma missão do Mestre. Felizes somos nós, portanto, se acreditamos em ver e tocar. Felizes somos nós se damos espaço ao Espírito do Ressuscitado, se somos construtores da paz,se buscamos o perdão. Felizes de nós se vencemos o medo e nos abrimos ao mundo, fazendo de nossas comunidades, famílias e experiências pessoais um sinal de ressurreição daquele que venceu a morte e continua conosco. Felizes de nós se, ao nos reunirmos aos domingos, conseguimos sentir e transmitir a alegria do Ressuscitado.
Com a coragem de quem tem fé, abramos portas e janelas da nossa vida e das nossas comunidades para que o Espírito, sopro divino, continue passando com a força da ressurreição.
Pe. Paulo Bazaglia, ssp - Comentário sobre o Evangelho deste Domingo 07/04/2013
A bem-aventurança da ressurreição é a bem-aventurança da fé. Pois não se trata de ver e tocar Jesus para continuar a sua missão. Trata-se de acreditar em suas palavras e ações, por meio do testemunho de tantos que, antes de nós, entregaram a própria vida pela mesma missão do Mestre. Felizes somos nós, portanto, se acreditamos em ver e tocar. Felizes somos nós se damos espaço ao Espírito do Ressuscitado, se somos construtores da paz,se buscamos o perdão. Felizes de nós se vencemos o medo e nos abrimos ao mundo, fazendo de nossas comunidades, famílias e experiências pessoais um sinal de ressurreição daquele que venceu a morte e continua conosco. Felizes de nós se, ao nos reunirmos aos domingos, conseguimos sentir e transmitir a alegria do Ressuscitado.
Com a coragem de quem tem fé, abramos portas e janelas da nossa vida e das nossas comunidades para que o Espírito, sopro divino, continue passando com a força da ressurreição.
Pe. Paulo Bazaglia, ssp - Comentário sobre o Evangelho deste Domingo 07/04/2013
sábado, 6 de abril de 2013
Homens e não Anjos
Muitos de nós, no início do nosso processo de conversão, vivemos uma época de plena consolação espiritual que Nosso Senhor nos dá, e pensávamos que seria sempre assim. Com o tempo, percebemos por experiência que estávamos errados. Percebemos que apesar de termos entregado a nossa vida à Nosso Senhor, continuamos sendo, da mesma forma que antes, pessoas que tem limitações; pessoas que sofrem; pessoas que choram; pessoas que cansam; pessoas que desanimam; pessoas que se apaixonam; pessoas que se confundem; pessoas que tornam a cair nos mesmos pecados que julgávamos já ter superado. Percebemos, por experiência, aquilo que a teologia já nos ensina: que somos homens e não anjos.
Isso nos leva a perceber também que precisamos trabalhar as nossas questões humanas tanto quanto as questões espirituais, pois se assim não fizermos, a partir de certo ponto não poderemos progredir espiritualmente. É este o degrau que talvez muitos não consigam alcançar, e por isso tornam-se tíbios espiritualmente e desistem de seguir Nosso Senhor. Essa descoberta é aquilo que alguns autores modernos tem chamado de "espiritualidade de baixo": o ser humano que busca encontrar a Nosso Senhor a partir de si mesmo: da sua própria verdade e limitação. Os santos doutores da Igreja já nos diziam que o caminho para o progresso espiritual não é outro senão o auto-conhecimento.
Diante disso, é inquestionável a necessidade de trabalharmos nossas questões humanas. Porém, existe uma tendência perigosa de se contrapor o humano ao espiritual, ou se contrapor o humano a fé, o que é um erro; se o humano e o espiritual vem de Deus, se o humano e a fé vem de Deus, não pode haver contraposição. Pelo menos, não se o humano estiver corretamente ordenado segundo a fé. Aqui também torna-se particularmente fundamental lembrar que a fé é uma adesão da inteligência e da vontade à Verdade Revelada por Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo, interpretada autenticamente e comunicada a nós por meio do Sagrado Magistério da Santa Igreja, que a sob a assistência do Espírito Santo, é infalível em matéria de fé e moral (Catecismo da Igreja Católica, 2035).
Nesse sentido, é importante esclarecer que, por um lado, não temos o direito de nos esconder atrás da nossa humanidade para justificar nossa infidelidade à Nosso Senhor. Se usamos nossa humanidade para justificar nossa incredulidade à respeito do que nossa Santa Mãe Igreja nos ensina (exemplo: "eu não concordo que transar antes do casamento é pecado"), ou para justificar o pecado (exemplo: "eu continuo transando com minha namorada porque tenho essa necessidade"): nesses casos, não estamos ordenando nossa humanidade segundo a fé e estamos caindo em um humanismo nocivo, que é uma perigosíssima armadilha de Satanás para nos enganar.
Por outro lado, a forma equilibrada de ordenarmos a nossa humanidade de acordo com a nossa fé é nada mais do que a aplicação dos princípios expostos nos primeiros parágrafos deste escrito. E partir daí, tiramos várias conclusões, expostas nos parágrafos abaixo.
Como seres humanos, nos comportamos de forma contraditória em vários momentos - a nossa própria concupiscência, ou seja, a tendência que temos em desejar o mal, fruto do pecado original, nos leva a agir assim. Como já foi falado, isso não pode ser uma justificativa para não combater aquilo que é pecado, mas isso deve nos levar a olhar com humildade e tranquilidade para as nossas quedas, e recorrer sempre à Misericórdia de Nosso Senhor, como tantos na Sagrada Escritura recorreram e foram perdoados. O que seria de São Paulo, Santa Maria Madalena e Santo Agostinho se assim não fosse? O sentimento de culpa por termos ofendido à Deus é algo santo; porém, a não aceitação interna de que tenhamos errado é orgulho e não santidade.
Como seres humanos, temos sentimentos. Os sentimentos são algo natural em nós, e em si, não são bons nem maus, embora se apresentem de forma desordenada, por causa da concupiscência. A virtude está na forma como lidamos com estes sentimentos. (Catecismo da Igreja católica, 1767) Ninguém jamais peca apenas por sentir raiva ou desejo sexual; pois o pecado implica em vontade. Sendo assim, a consciência de que somos homens e não anjos nos levará não a fugirmos dos nossos sentimentos negativos ou a tentativa de reprimí-los, mas a de nos colocarmos diante deles como algo natural, como algo que faz parte de nós; e buscarmos, com tranquilidade, conhecê-los e compreender as suas raízes, para que possamos trabalhar eles de forma que possam nos ajudar a progredir espiritualmente.
Como seres humanos, temos necessidades. A psicologia nos mostra que o homem tem vários tipos de necessidades: são necessidades biológicas (comer, dormir, ir ao banheiro, ter relações sexuais), necessidades de segurança e necessidades sociais (ser amado). Quando entregamos nossa vida a Nosso Senhor, as nossas necessidades humanas não desaparecem. Continuamos precisando comer, dormir e ir ao banheiro - a não ser que Nosso Senhor intervenha de forma extraordinária; houve santos canonizados pela Santa Igreja que durante anos se alimentaram somente do Santíssimo Sacramento. Continuamos tendo necessidades também que dizem respeito ao nosso equilíbrio emocional: continuamos tendo necessidade de nos sentirmos amados pelos que estão ao meu lado, de buscar a companhia de uma pessoa do sexo oposto - a não ser quem tenha uma vocação especial ao celibato ou esteja física, moral ou psicologicamente impedido de disso; nesta caso, o Espírito Santo concede uma graça especial para suprir esta necessidade de forma sobrenatural.
Como seres humanos, temos limitações, em vários sentidos. Eu por exemplo, por causa da minha necessidade biológica de sono, tenho meu desempenho bastante prejudicado se durante vários dias durmo menos de 7 horas. Me torno também bastante ansioso e atrapalhado quando tenho muitas responsabilidades para cuidar ao mesmo tempo, o que prejudica meu desempenho. Nosso Senhor jamais nos chamará a algo acima das nossas capacidades; e a teologia nos ensina que o Espírito Santo nos concede a graça para realizarmos aquilo que para nossa natureza é difícil, mas ordinariamente, não realiza em nós aquilo que para nossa natureza é impossível - se assim não fosse, poderíamos fazer um jejum definitivo à base de líquidos ou passar todas as noites inteiras em oração contínua e nunca mais dormir. Por isso, precisamos nos conhecer e respeitar nossas limitações, e ter essas limitações como critérios de discernimento para nossas escolhas. Uma rotina que não permita o tempo necessário de descanso e de lazer pode ser tão nociva quanto uma rotina que não permita o tempo necessário para a oração. Nesse sentido, o descanso e o lazer não são fins em si mesmo, mas sim uma implicação necessária para a própria busca da santidade. E é fantástico saber que mesmo nestes momentos, podemos estar nos santificando!
Francisco Dockhorn
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