sábado, 18 de maio de 2013

Da vida interior


1. O reino de Deus está dentro de vós, diz o Senhor (Lc 17,21). Converte-te a Deus de todo o coração, deixa este mundo miserável, e tua alma achará descanso. Aprende a desprezar as coisas exteriores e entrega-te às interiores, e verás chegar a ti o reino de Deus. Pois o reino de Deus é a paz e o gozo no Espírito Santo (Rom 14, 17), que não se dá aos ímpios. Virá a ti Cristo para consolar-te, se lhe preparares no teu interior digna moradia.
Toda a sua glória e formosura está no interior (Sl 44,14), e só aí o Senhor se compraz. A miúdo visita ele o homem interior em doce intretenimento, suave consolação, grande paz e familiaridade sobremaneira admirável.
2. Eia, alma el, para este Esposo prepara teu coração, a m de que se digne vir e morar em ti. Pois assim ele diz: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e viremos a ele e faremos nele a nossa morada (Jo 14,23).
Dá, pois, lugar a Jesus e a tudo mais fecha a porta. Se possuíres a Cristo, estarás rico e satisfeito. Ele mesmo será teu provedor e el procurador em tudo, de modo que não hajas mister de esperar nos homens. Porque os homens são volúveis e faltam com facilidade à conança, mas Cristo permanece eternamente (Jo 12,34), e rme nos acompanha até ao m.
3. Não se há de ter grande conança no homem frágil e mortal, por mais que nos seja caro e útil; nem nos devemos aigir com excessos, porque, de vez em quando, nos contraria com palavras ou obras. Os que hoje estão contigo amanhã talvez sejam contra ti, e reciprocamente, pois os homens mudam como o vento. Põe toda a tua conança em Deus, e seja ele o teu temor e amor; ele responderá por ti, e fará do melhor modo o que convier. Não tens aqui morada permanente (Hbr 13,14), e onde quer que estejas, és estranho e peregrino; nem terás nunca descanso, se não estiveres
intimamente unido a Jesus.
4. Para que olhas em redor de ti, se não é este o lugar de teu repouso? No céu deve ser a tua habitação, e como de passagem hás de olhar todas as coisas da terra. Todas passam, e tu igualmente passas com elas; toma cuidado para não te apegares a elas, a m de que não te escravizem e percam.

Ao Altíssimo eleva sempre teus pensamentos, e a Cristo dirige súplica
incessante. Se não sabes contemplar coisas altas e celestiais, descansa na paixão de Cristo e gosta de habitar em suas sacratíssimas chagas. Pois, se te acolheres devotamente às chagas e preciosos estigmas de Jesus, sentirás grande conforto em tuas mágoas, não farás mais caso do desprezo dos homens e facilmente sofrerás as suas detrações.
5. Cristo também foi, neste mundo, desprezado dos homens, e em suma necessidade, entre os opróbrios, o desampararam seus conhecidos e amigos.
Cristo quis padecer e ser desprezado; e tu ousas queixar-te de alguém? Cristo teve adversidade e detratores; e tu queres ter a todos por amigos e benfeitores? Como poderá ser coroada tua paciência, se não encontrares alguma adversidade? Se não queres sofrer alguma contrariedade, como ser ás amigo de Cristo? Sofre com Cristo e por Cristo, se com Cristo queres reinar.
6. Se uma só vez entraras perfeitamente no Coração de Jesus e gozaras um
pouco de seu ardente amor, não farias caso do teu proveito ou dano, ao contrário, te elegrarias com os mesmos opróbrios; porque o amor de Jesus faz com que o homem se despreze a si mesmo. O amante de Jesus e da desordenadas, pode facilmente recolher-se em Deus, e, elevando-se em espírito, acima de si mesmo, fruir delicioso descanso.
7. Aquele que avalia as coisas pelo que são, e não pelo juízo e estimação dos outros, este é o verdadeiro sábio, ensinado mais por Deus que pelos ter em pequena conta as coisas exteriores, não precisa escolher lugar nem aguardar horas para se dar a exercícios de piedade. O homem interior facilmente se recolhe, pois nunca se entrega de todo às coisas exteriores. Não o estorvam trabalhos
externos nem ocupações, às vezes necessárias, mas ele se acomoda às circunstâncias, conforme sucedem. Quem tem o interior bem disposto e ordenado não se importa com as façanhas e crimes dos homens. Tanto o homem se embaraça e distrai, quanto se mete nas coisas exteriores.
8. Se foras reto e puro, tudo te correria bem e se voltaria em teu proveito. Mas, porque ainda não estás de todo morto a ti mesmo, nem apartado das coisas terrenas, por isso muitas coisas te causam desgostos e perturbações. Nada mancha tanto e embaraça o coração do homem como o amor desordenado às criaturas. Se renunciares às consolações exteriores, poderás contemplar as coisas do céu e gozar a miúdo da alegria interior.

IMITAÇÃO DE CRISTO

terça-feira, 14 de maio de 2013

Aprenda com os outros – Os cinco maiores arrependimentos à beira da morte

Tinha consciência de que aquilo que foi ouvindo de uns e de outros ao longo de alguns anos era muito mais do que meros desabafos, mas ela estava, sim, diante de sentimentos profundos, de dores que machucavam, de vidas não vividas.

Para que o livro não se tornasse apenas um amontoado de depoimentos, organizou-os em grandes grupos, aos quais denominou “Os cinco maiores arrependimentos à beira da morte”. São eles:

1º – “Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse”.
Segundo Ware, esse foi o arrependimento mais comum.
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Diante da proximidade da morte, muitos olhavam para trás e tomavam consciência do que gostariam de ter feito e não fizeram, preocupados sempre com imposições externas ou com o desejo de querer agradar. Em outras palavras, poderiam escolher para a lápide de sua sepultura a frase: “A vida que poderia ter sido e não foi”.
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2º – “Eu gostaria de não ter trabalhado tanto”. Essa afirmação nascia especialmente da boca de homens que tinham passado a vida envolvidos pelo trabalho, pela luta para aumentar seu patrimônio ou para serem sempre mais famosos.
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Percebiam, de repente, que não haviam acompanhado a infância e a juventude seus filhos, que a família tinha ficado sempre em segundo plano, embora procurassem se convencer, enquanto estavam em sua roda viva, que era para a esposa e os filhos que tudo faziam.
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3º - Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos”. Alguns se arrependiam por não terem sido capazes de expressar seu amor e seu carinho ou por não terem sido capazes de fazer elogios a quem os merecia.
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Outros guardavam ressentimentos antigos, fazendo de seu coração um “freezer”, onde sua amargura estava congelada, sempre pronta a se manifestar. Agora, se perguntavam: “Para quê? De que adiantou isso?”
4º - Eu gostaria de ter tido mais tempo para meus amigos”. Muitos descobriram que não haviam cultivado velhas e sinceras amizades, e que não era naquela fase final da vida que iriam conseguir novos amigos.
5º - “Eu gostaria de ter-me permitido ser mais feliz”. Expresso isso com minhas palavras: o grande erro de muitas pessoas consiste em estragar a vida com mesquinharias, com insatisfações não superadas, com o fechar-se em si mesmas, num egoísmo que mata a alegria.
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Percebe-se que a autora do livro, não sei se premeditadamente, não entrou no campo espiritual, religioso. Por isso, sem pretender completar seu interessante trabalho, mas como expressão do que penso e acredito, faço duas observações baseadas na virtude da fé.
A primeira diz respeito a Santo Agostinho. Para que todos o situem no tempo, lembro que ele morreu no ano 430. Depois de uma vida atribulada em busca da verdade, escreveu os caminhos que percorreu até encontrá-la, no livro autobiográfico “Confissões”.
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Começou constatando: “Criaste-nos para ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti”.
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E concluiu: “Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova; tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te buscava fora de mim. (…) Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo. (…) Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e inflamei-me na tua paz.”
A segunda observação é de Jesus Cristo, e ele a apresentou sob a forma de uma pergunta:
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“De que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a própria vida?” (Mateus 16,26).
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Traduzindo isso em palavras muito pobres posso dizer: onde ficaram as vaidades de muitos, os bens que acumularam – muitas vezes de maneira não honesta–, os prazeres que dominaram suas vidas? O que fica de uma vida, além do amor semeado? Oportuno é, pois, o pensamento que bem poderia servir de título para um livro: “A vida nos é dada para procurar Deus; a morte, para encontrá-lo; e a eternidade, para possuí-lo”.

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil
Fonte: Site Arquidiocese de Campo Grande

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O silêncio como opção de vida alternativa



A Cúria Geral da Ordem dos Frades Menores, em 2003, publicou um pequeníssimo fascículo intitulado: O caminho que leva ao “lugar do coração”. Achegas para descobrir interioridade e silêncio na vida franciscana. Trata-se de uma joia encerrada num caderno de 16 pequenas páginas. “O caminho para a interioridade, hoje, dá-se num tempo de mudanças, tempo rico de muitos sinais de redescoberta da interioridade e do silêncio. A sociedade secularizada vem focada sobre o indivíduo, com uma identidade fluída. Temos diante de nós uma mudança radical da visão do homem, determinada sobretudo pela tecnologia. São imensos os recursos da inteligência humana, descobertos hoje, que podem ajudar os homens a criar um mundo melhor. É importante, no entanto, que o homem permaneça sujeito desse desenvolvimento, sobretudo a partir da verdade profunda de si mesmo” (p.4-5). Num mundo de superficialidade, de pressa, de técnica fria, de comunicação online, de áudio-fones, de corrida, a viagem ao fundo do coração torna-se delicada. Sem ela, o ser humano se torna joguete de forças cegas e, se religioso, pessoa de superficialidade. “Tornamo-nos estranhos a nós mesmos. O percurso para dentro de nossa interioridade não é só terapêutico para a nossa cultura do barulho, mas também vem a ser um caminho voltado para o acolhimento, para uma nova civilização do amor. O caminho para dentro de nossa interioridade e para o silêncio torna-se, então, o testemunho de uma opção de vida alternativa” (p. 5). Muito bem dito: não podemos seguir a onda. O caminho do coração é uma alternativa em nossos tempos. Precisamos tomá-lo.

São Francisco de Assis em meditação,
de Zurbaran.
Não falamos de um silêncio apenas material, do não falar ascético, frio, nem do orgulhoso mutismo, mas de uma aquietação que começa com o silenciamento de nosso ego e o desejo de deixar a verdade e o amor penetrarem em nossas entranhas. “Como o ar, meio em que aparece a luz e vibram uma infinidade de ondas, como o fogo, que aquece e ilumina, como a água que purifica e desaltera, como a terra, enfim, que nos carrega e nos alimenta, o silêncio é um elemento vital, indispensável para nossa subsistência espiritual, para nosso equilíbrio interior, para a paz e inteligência do coração e da alma. Mas é também um elemento raro, sutil, frágil, que se deve querer encontrar, saber procurar e, em seguida, fertilizar com toda doçura, para que permaneça vivo e fecundo. O ar viciado é irrespirável, o fogo sem controle morre ou, ao contrário, devora tudo, a água poluída se transforma em veneno e a terra não tratada fica estéril; da mesma forma o silêncio – e a solidão à qual está vinculado – precisa ser desejado, respeitado e cultivado com atenção e paciência para tornar-se espaço puro de concentração de meditação e de sonhos com os olhos abertos” (Sylvie Germain).

Há muitas modalidades de silêncio: o silêncio delicado que respeita o doente que quer dormir e a criança que mal e mal pegou no sono; o silêncio de quem guarda um segredo ou não quer denegrir a imagem do outro com palavras verdadeiras, mas que não precisam ser ditas; o silêncio do cirurgião quando realiza uma delicada e perigosa operação. Há o silêncio estático do homem que busca a Deus, se embrenha no deserto, tenta auscultar o mistério de seu próprio interior, onde o murmúrio do silêncio ecoa como se fosse uma brisa suave. Há esse exercício do silêncio exterior para se chegar à aquietação interior, a um vazio que permita ao Espírito agir em nós e de não sermos meros seres apressados, correndo de um lado para o outro sem ouvir a voz do Amado. Não podemos, como diz Francisco, perder o “espírito do Senhor”.

Francisco de Assis, na verdade, vivia o enlace amoroso com o Senhor no claustro do mundo, mas sentia-se atraído pelo silêncio das cavernas e das grutas. Assim escreve Michel Hubaut: “Em suas biografias podemos encontrar dezoito lugares de vida eremítica que encontrou ao longo de suas andanças. Francisco que era capaz de visitar num só dia, a pé ou montado num burrico, quatro ou cinco vilarejos, passou semanas inteiras na solidão e na oração. Sentia sede de Deus, como também sede pela salvação de seus irmãos. Sede de silêncio e sede de colóquios. Estes regulares mergulhos no silêncio ensinaram-no a conservar no meio do mundo aquele santuário interior no qual ele adorava a presença do Senhor. Convida-nos a fazer de nosso corpo a “sala do alto” onde haveremos de receber a visita do Espírito. Silêncio e interioridade: as duas coisas são para Francisco mais um despertar do coração do que um retiro espacial: ‘Onde quer que estejamos e para onde quer que andemos levemos sempre conosco nossa cela. Nossa cela é o nosso irmão corpo e nossa alma é o ermitão que mora nessa cela para rezar e meditar’”(Legenda Perusina, 80). (Hubaut. El caminho franciscano, p. 58).

O silêncio nos ajuda a guardar a lembrança de Deus. Não é mutismo porque ele favorece, ao mesmo tempo, a relação com Deus e entre os irmãos. Os buscadores de Deus, profissionais como os religiosos e os monges, querem manter viva a lembrança de Deus. Um autor descreve o silêncio dos cistercienses: “Chamado a viver uma autêntica ‘espiritualidade de comunhão’, segundo o desejo de João Paulo II, o monge procura o silêncio porque é pelo e no silêncio que ele pode viver a lembrança de Deus. O monge se recorda! Ele é o homem da memória, da memoria Dei. É convidado a viver ‘na constante lembrança de Deus’. Na Bíblia, o grande pecado é o esquecer Deus. Daí o terrível grito do profeta: ‘Eles me esqueceram!’. E, no livro do Deuteronômio, há essa forte acusação: ‘Esqueceste o Deus que te colocou no mundo’ (Dt 32, 19). Uma das principais missões do monge não seria exatamente de manter viva a lembrança de Deus? Não que os mosteiros sejam os únicos lugares onde se vive verdadeiramente a lembrança de Deus. Verdade, no entanto, que o mosteiro é concebido para colocar o monge nas melhores disposições para que ele possa lembrar-se de Deus, assim como a esposa se recorda do esposo” (Paul Houix, o.c.s.o. in La Vie Spirituelle, julho de 2012, p. 312).

Em nossa vida franciscana, de maneira bem prática, saberemos cultivar o silêncio. Há esse silêncio da casa, do quarto, da cela, da capela, silencio exterior que nos leva à quietude interior. Há a recitação do Ofício das Horas com calma, interrompida pelo silêncio entre um salmo e outro, entre um leitura e um responsório, precedida por momentos de silêncio. Há a celebração da Eucaristia que transforma nossa vida. Degustamos momentos de silêncio na sacristia antes de nos dirigirmos ao altar. Há essa discrição nas conversas no refeitório. Há essa prudência de não falar para fora o que precisa ficar dentro. Há todos esses momentos de silêncio previstos nas celebrações. Nós, franciscanos não somos monges, mas não podemos deixar a porta do interior escancarada… Precisamos sentir a brisa suave do silêncio…

“Talvez em nossos tempos dever-se-ia falar de um esmolar do silêncio, de uma busca do silêncio. Quem sabe falar mesmo de uma conquista do silêncio. Talvez conquista seja uma palavra pouco apropriada, porque estaria associada a furor, barulho. Os conquistadores podem ser barulhentos e quase furiosos. Melhor falar em busca do silêncio, perseguir o silêncio, abastecer-se do silêncio. O excesso de barulho nos projeta fora de nós mesmos, aliena. Na simbologia cristã, o barulho, fazendo com que estejamos fora de nós mesmos, nos impede o acesso para as fontes mais profundas. O silêncio, então, é plenitude. O silêncio místico cristão nunca é abismo, nem vazio, nem negação de desejo. No silêncio há uma Palavra. À sombra do silêncio, no silêncio interior, para além dos desvios do espírito surge uma outra palavra. Insinua-se uma presença que fala e pede ao coração que continue a estrada. O silêncio é como uma porta que se abre para outros mundos, ou simplesmente para o Outro que habita em nós. Para isso será preciso dar tempo ao silêncio, ir além dessa necessidade narcisista dele. Necessário sempre de novo que nos tornemos humanos”(André Beauchamp, Les bruits du monde, in Christus, 194, p. 142). O silencio nos humaniza!

Vamos terminar retomando o texto da Ordem dos Frades Menores que nos fala do caminho que leve ao lugar do coração: “São Francisco convida-nos a ‘conservar no coração os segredos do Senhor’ (Adm 28,3), através da paz e da meditação, sem nervosismos, nem dissipação (Adm 27,2). Insiste sobre a cela interior a carregar sempre conosco. O silêncio a ser observado é aquele do Evangelho, que evita palavras ociosas e inúteis no fruto da oração. Assim nos tornaremos sempre mais ’unificados’ no coração e a partir do coração. A Virgem Maria é modelo para aqueles que acolhem a Palavra, a guardam no coração e a vivem todos os dias” (p. 10). T

domingo, 12 de maio de 2013

Quando ouvir falar de anjos, esteja atento a esses detalhes




Encontrei na Revista “Cavaleiros da Imaculada“, um texto interessante sobre essa moda dos anjos que existe hoje em dia, que foi escrito pelo Pe. Frederico Dattler. E esse texto tem tudo a ver com esse estudo sobre os Anjos Maus ou demônios, pois muitas vezes as pessoas acabam buscando os anjos errados por causa de informações confusas.

Mas vamos ao texto:Nas concepções atuais sobre anjos, divulgadas por revistas, livros, palestras e muitos outros meios, existem verdades que vieram da Doutrina Católica, mas existem também muitas idéias confusas, vindas, por vezes, de um misticismo superficial e sentimentalista.

É muito comum ouvirmos falar sobre os ¨nomes¨ dos anjos. Certas publicações chegam a apontar listas numerosas de nomes, indicando inclusive a ¨especialidade¨ de cada um: ajudar médicos, advogados, pessoas que atuam em ciências exatas; auxiliar-nos quando passamos por necessidades no campo amoroso, financeiro, profissional, familiar… Segundo essas publicações, existem mesmo ¨horários mais fáceis¨ para estabelecermos contato com esses anjos, e, de acordo com a data de nascimento de cada pessoa, é-lhe designado um ¨anjo protetor¨.

Ora, na Sagrada Escritura, há algumas revelações sobre o mundo angélico, mas nada que chegue a esses níveis de ¨detalhes¨. Assim, conhecemos os nomes de três Anjos - Miguel, Gabriel e Rafael – E a igreja só reconhece como legítimos, os nomes desses três anjos; o primeiro é o Anjo que derrotou o ¨dragão¨, comandando os anjos bons na batalha contra os anjos maus, e também prestou auxílio a Daniel (Ap 12,7e Dn 10,12-21); o segundo é o anunciador dos nascimentos de João Batista e de Jesus (Lc 1,19-26); e o último acompanhou Tobias em sua viagem (Tb 12,15). Através da Tradição e dos estudos dos teólogos, baseados nas revelações da Bíblia, temos um maior aprofundamento na doutrina sobre os anjos, que teve grande impulso através de São Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos da Igreja, que recebeu o título de ¨Doutor Angélico¨ devido a esses seus estudos.

Temos de tomar cuidado com essas publicações que andam por aí, pois muitas delas, mais do que esclarecer, podem confundir-nos.Quem vai pelas indicações da igreja tem sempre um caminho seguro. Se você deseja saber sobre os anjos, não procure essas revistas tolas. Procure os documentos da Igreja para ter respostas realmente esclarecedoras.

Fonte:http://www.arcanjomiguel.net
 

 

Sua casa será visitada por anjos pelo poder da oração


Se sua casa se tornar um santuário de oração, acredite: ela será visitada por Anjos. Mais ainda: o Anjo da guarda estará muito presente nela. Você não estará sozinho.

Muitas vezes, estragamos tudo porque queremos fazer as coisas por nós mesmos. É preciso que aconteça radicalmente o contrário. Ore, peça, interceda e tenha certeza: o próprio Senhor vai fazer com que o Anjo da guarda de cada pessoa da sua família entre em ação para trazer a paz, a concórdia, a libertação e a saúde de que precisam.

Quanto à educação das crianças: confie seus filhos ao Anjo da guarda de cada um deles; peça a este [Anjo] que lhe dê sabedoria para educá-los, e ele irá derramá-la em sua mente e em seu coração; também vai corrigi-lo em coisas que você não deve fazer. Se você ouvi-lo e obedecê-lo, obterá a sabedoria de que precisa para educar os pequenos.

Se as coisas vão de mal a pior é porque nossa vida e nossa casa não têm sido um lugar de oração; pelo contrário: nosso lar tem sido local onde todo o mundo xinga, briga, se ofende; onde há muita pornografia, adultério... e onde, infelizmente, não se reza.

Chegamos ao ponto de ver pais que têm vergonha de abençoar seus filhos. E filhos que não sabem pedir a bênção aos genitores. As pessoas têm vergonha até de fazer o sinal-da-cruz... Adoram a televisão: passam horas diante dela... e toda espécie de sujeira entra pelos olhos, ouvidos e coração. Com tudo isso, é claro, não se consegue ter tempo para rezar um terço, para unir a família em oração, para ler a Bíblia. Tem-se vergonha de Deus! Por isso as coisas vão de mal a pior.

Tudo vai depender de você. Se os outros não querem rezar, disponha-se a fazê-lo: reze você! E saiba: além dos Anjos de Deus, infelizmente a Palavra nos diz que existe uma multidão de espíritos malignos, de anjos decaídos – desobedientes e rebeldes – que estão também ao nosso redor. Vejamos na Carta de São Paulo aos Efésios:
“Para terminar, armai-vos de força no Senhor, da sua força onipotente. Revesti-vos da armadura de Deus para estardes em condições de enfrentar as manobras do diabo. Pois não é o homem que afrontamos, mas as Autoridades, os Poderes, os Dominadores deste mundo de trevas, os espíritos do mal que estão nos céus. Lançai mão, portanto, da armadura de Deus, a fim de que no dia mau possais resistir e permanecer de pé, tendo recorrido a tudo” (Efésios 6,10-13).

Compreenda: você não luta contra seu marido que bebe; nem contra sua mulher que caiu na infidelidade ou contra seu filho que entrou para o mundo das drogas. O maior perigo não são as forças humanas, mas as forças espirituais do mal. São espíritos malignos que querem nos destruir. Destruir casamentos, nossos lares, nossas famílias.

O grande segredo é compreender que não somos nós que lutamos contra os espíritos malignos, nem temos forças para enfrentá-los. Seríamos tolos se quiséssemos fazer isso. Quem luta contra eles são os Anjos do Senhor. Quem os sustenta na batalha somos nós, com nossas orações. Anjos bons lutam por nossa causa, para nos defender. É disso que São Paulo nos fala: “Há uma luta espiritual nos ares, nesse mundo de trevas”. E como daremos a vitória aos Anhos que lutam por nós? A resposta está no mesmo capítulo do livro de Efésios:
“Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos” (Efésios 6,18).

Aí está a solução: “Intensificai as vossas invocações e súplicas por todos os cristãos”.Como Tobit e Sara, apresentemos a Deus o nosso coração angustiado e nossos problemas. Oremos ao Senhor para que os Anjos possam guerrear a nosso favor, e a vitória acontecerá.

(Trecho do livro "Anjos: companheiros no dia-a-dia" de monsenhor Jonas Abib.). Fonte: http://www.arcanjomiguel.net

Os novos espaços de evangelização

O evangelho deste domingo da Ascensão do Senhor mostra-nos que a paixão e a ressurreição de Jesus desembocam na pregação apostólica, universal, a partir de Jerusalém. Os discípulos, depois de fazerem a experiência do encontro com o Senhor, são chamados a sair pelo mundo para serem testemunhas do que viram e ouviram.
O mundo é o lugar onde estão as pessoas concretas que esperam a Palavra transformadora que sacia a sede e a fome de amor, de esperança, de justiça, de paz, de misericórdia, de fraternidade, enfim, de um sentido profundo para a vida.
O espaço de evangelização é onde estão os seres humanos, homens e mulheres, transitando, trabalhando, estudando, intercambiando e se relacionando. Hoje, com o avanço das novas tecnologias, especialmente da sociedade em rede de computadores, as pessoas não estão somente situadas em áreas geográficas. O "continente digital" é também o lugar onde se encontram os destinatários da missão evangelizadora.
"Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização" é o tema que Bento XVI escolheu para o 47º dia mundial das comunicações. Na sua mensagem, o papa tem presente que a internet não é instrumento de comunicação a mais, mas é, de fato, uma cultura que veio para ficar. De modo especial, as redes sociais digitais se compõem num ambiente onde milhões de seres humanos interagem e no meio dos quais os cristãos são chamados a imprimir o seu estilo de vida iluminado pelo Ressuscitado.
Animado pela mensagem da ressurreição e no contexto do Ano da Fé, possamos renovar nosso compromisso com o evangelho de vivê-lo e de levá-lo a todos, também no mundo digital, no esforço  contínuo de construir uma vida digna para todos à luz das palavras e ações de Jesus.

Comentário do Pe. Valdir José de Castro, ssp 12/05/2013

sábado, 11 de maio de 2013

Oração de Jesus

"Pai, chegou a hora: glorifica teu Filho, para que teu Filho o glorifique, e que pelo poder que lhe deste sobre toda carne, ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste!
Ora! a vida eterna é esta: que eles reconheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo.
Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar.
É agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.
Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e os deste a mim e eles guardaram tua palavra. Agora reconheceram que tudo quanto me deste vem de ti, porque as palavras que me deste eu as dei a eles, e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que saí de junto de ti e creram que me enviaste.
Por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus, e tudo o que é meu é teu e tudo que é teu é meu, e neles sou glorificado.
Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti. Pai santo, guardo-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós.
Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome que me deste; guardei-os e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para cumprir-se a Escritura.
Agora, porém vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria. Eu lhes dei tua palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo.
Não peço que os tireis do mundo, mas que os guarde do Maligno.
Eles não são do mundo como eu não sou do mundo.
Santifica-os na verdade; tua palavra é verdade. 
Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
E, por eles, a mim mesmo me santifico para que sejam santificados na verdade.
Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim: a fim de que todos sejam um.
Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o  mundo creia que o mundo me enviaste. Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um:
Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim.
Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me destes, porque me amaste
antes da fundação do mundo.
Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci e estes reconheceram que tu me enviaste. Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo,
a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles".


Bíblia de Jerusalém - João 17, 1-26