segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Jejum fortalece

O jejum é uma atividade de culto que aumenta a receptividade espiritual, criando um clima favorável para o Espírito Santo falar... Jejuar, em conjunção com a oração intercessória, é uma oração de autoridade do mais alto nível.

Nós estamos vivendo uma época que vai se tornando difícil e, ao mesmo tempo, estimulante porque o cerco do inimigo vai se fechando sobre todos nós e, hoje em dia, daqui para diante, nós só vamos conseguir abrir caminho pela oração. Cada passo que formos dar, vamos ter que romper as resistências pela oração. No sangue de Jesus, no nome do Senhor Jesus. Isso não é fantasia, isso é a realidade com que nós vamos nos defrontar, nesses dias que correm, até quando acabar.

Vamos ver um pouco da questão do jejum. A consistência na oração, em qualquer nível, é difícil. Isso porque, como uma criança uma vez escreveu, Satanás treme quando vê o mais fraco dos santos de joelhos. Mas, de todos os níveis de intercessão, este é o ponto que mais parece aterrorizar o nosso inimigo. É uma oração de autoridade, que nos permite derrubar fortalezas do inimigo – o jejum. Autoridade definida como poder de influenciar ou persuadir pelo conhecimento ou pela experiência. É também o poder legal ou legítimo de comandar ou agir em situações específicas – autoridade.

E como se relaciona o jejum com a intercessão? A intercessão é a negação de si mesmo na oração, de modo que a nossa oração é centrada em Jesus, em favor dos outros. O jejum é uma forma física de humildade e auto-negação para a qual a Sagrada Escritura indica um poder especial. Jejuar, em conjunção com a oração intercessória, é uma oração de autoridade do mais alto nível. Evidentemente sabemos o que é jejuar.

É a prática de se abster deliberadamente, voluntariamente, de um alimento costumeiro e que, quando realizado no contexto da oração, traz um poder sobrenatural a ela. Jejuar é passar sem alguma comida ou bebida, praticar a auto-negação. Seu significado pode ser ampliado para incluir a abstinência temporária de qualquer coisa, a fim de dar mais concentrada atenção a assuntos espirituais.

A Sagrada Escritura nos revela 5 aspectos dessa categoria de oração de autoridade, uma categoria pouco compreendida. Primeiro, jejuar é uma humilhação pessoal e voluntária do coração, diante de Deus, uma humilhação, então, que aumenta o quebrantamento espiritual.
“Quando eu chorava e me humilhava com o jejum, eu era ridicularizado e humilhado" (Sl 69,10). Uma outra tradução deste mesmo versículo diz “eu me afligia com o jejum” ou “eu quebrantava meu espírito com o jejum.”.

1. A humildade está no coração do jejum

Humildade é uma qualidade que se manifesta em como uma pessoa age com relação a Deus e aos outros. E porque o jejum carrega essa qualidade de humildade, no reino físico e tangível, ele produz um quebrantamento diante de Deus que não vem de nenhuma outra maneira. Esse quebrantamento não apenas honra Deus, mas também faz o coração do intercessor mais dócil para escutar a Deus e, assim, ele se torna mais útil para realizar o plano de Deus.

2. O jejum fortalece

Em segundo lugar, o jejum fortalece o auto controle, o auto domínio e a temperança que São Paulo coloca como fruto do Espírito (Gl 5,22-23). É assumir controle da própria carne, não permitindo que cresça nada ao ponto do excesso. Nesse caso, é mortificar aquilo que é impuro ou excessivo.

Assim, o jejum amplia a sua ação: “quanto a mim, quando os meus inimigos estavam doentes, eu me vestia de saco, afligia-me com o jejum e orava com minha cabeça inclinada sobre o peito” (Sl 35,13).

Mas, ainda há uma tradução mais forte. Afligia-me com o jejum pode ser traduzido como eu me mortificava jejuando. Eu me mortificava. Mortificar quer dizer, pôr à morte. Eu me punha à morte, jejuando. O jejum verdadeiramente ajuda a morrermos a nós mesmos e a morte, assim mesmo, é a chave para a vitalidade e a produtividade espiritual.

Numa época em que tantos cristãos, inclusive líderes espirituais, estão sucumbindo às obras da carne, certamente é oportuno reconsiderar o jejum e a oração. Nossa Senhora em suas aparições em Medjugorje indica o jejum como uma chave para vencer os ataques ferozes de Satanás contra o bem-estar moral mesmo dos líderes espirituais. São Paulo compreendeu a necessidade que tinha de manter o corpo em sujeição: “trato duramente o meu corpo e reduzo-o à servidão, a fim de que não aconteça que, tendo proclamado a mensagem aos outros, venha eu mesmo a ser reprovado” (1Cor 9,27). Ele não estava falando de fazer penitência pelos seus fracassos, mas sim de manter o auto domínio ao enfrentar os desejos da carne. Ele sabia que o jejum e a oração estavam no topo da lista para manter essa autoridade.

3. O jejum nos potencializa

O jejum é uma atividade de culto que aumenta a receptividade espiritual, criando um clima favorável para o Espírito Santo falar. Ele, muitas vezes, traz uma maior sensibilidade àqueles que tomam decisões pessoais ou comunitárias. O livro dos Atos descreve uma dessas circunstâncias, relativa ao envio dos apóstolos: “enquanto serviam ao Senhor,” – quer dizer, prestavam culto ao Senhor – “e jejuavam, o Espírito Santo disse ‘separai-me Barnabé Saulo para a obra que os chamei.’ E, tendo jejuado e orado, imposto a mão sobre eles, enviaram-nos” (At 13,2-3).

Aqui vemos a combinação do espírito de culto – eles estavam servindo ao Senhor, quer dizer, na Liturgia, com o espírito do jejum. Uma outra tradução diz “enquanto celebravam a Liturgia do Senhor e jejuavam...”.

Os discípulos não apenas vêem o valor do jejum, ao enfrentarem as circunstâncias de irem pregar aos pagãos, mas também, como resultado de seu jejum, foram capazes de receber uma direção específica do Espírito Santo. De fato, é possível que se não tivessem jejuado, o Espírito Santo não lhes tivesse falado. Mas, vejam aqui que estavam se preparando para falar aos pagãos. Quer dizer, a pessoas que não conheciam Deus e, portanto, estavam sujeitas às ações do inimigo com mais facilidade. Eles se preparavam para essa pregação para ir ao encontro desses pagãos, dessas pessoas que não conhecem Jesus, com o jejum e a oração.

Esdras também reconheceu o poder do jejum para obter orientação. No Livro de Esdras (8,21-23), quando proclamou um jejum antes de tirar o povo de Deus de seu cativeiro, na Babilônia, ele o fez com 3 objetivos específicos.

1. Convocou o povo a humilhar-se diante de Deus e a buscar n’Ele um caminho seguro. A direção, portanto, a direção do Espírito Santo era o primeiro objetivo do seu jejum.

2. Buscaram a Deus no jejum em vista dos seus filhos e também para proteção dos seus haveres. Observando os detalhes desse jejum vemos, imediatamente, a importância do primeiro objetivo, que é obter a direção de Deus. Esdras sabia que era possível que inimigos os atacassem ao longo do caminho. Tinha dito ao rei que não precisariam de escolta militar mas, de repente, a realidade da situação se lhe apresentou com clareza. Uma oração comum não seria insuficiente. Era essencialmente um tempo de jejum e de oração.

O jejum é a chave para se ouvir de Deus a direção para o caminho seguro. Ele ia enfrentar então esses salteadores, que eram comuns naquela ocasião, – hoje também – e então orava com o jejum para a direção de Deus, para a proteção dos seus filhos – porque iam viajar – e para proteção dos seus haveres, porque estariam sujeitos a salteadores.

3. O jejum é uma preparação espiritual concentrado para o serviço no poder do Espírito Santo, que aumenta o poder espiritual do fiel. Quando Lucas fala do batismo de Jesus, ele diz “então, Jesus, sendo cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo espírito ao deserto”. Vejam que Jesus foi levado pelo Espírito a essa ocasião de jejum. Ele jejuou 40 dias. Quer dizer, o Espírito de Deus deve ser sempre o nosso guia, quando encontramos qualquer nível de combate espiritual.

Vejam que Jesus foi levado pelo Espírito a essa ocasião de jejum. Ele jejuou 40 dias. Quer dizer, o Espírito de Deus deve ser sempre o nosso guia, quando encontramos qualquer nível de combate espiritual.


A Santa Coroa de Espinhos

Venerada em Notre-Dame de PAris, foi adquirida por San Luis Bandouin de Courtenay, Imperdor latino de Constinopla no século XIII. Antes de ser entregue à autoridae Da Catedral, depois da Revolução, a Santa Capela foi seu relicário.


Ó Maria
Rainha da Terra Santa
Protegei este país que foi Vosso,
Protegei os que ali vivem
Em especila aos que creem em Vosso Filho.
Nesta terra, Vosso Filho sofreu sua Paixão,
Foi sepultado e Ressuscitou,
Abrindo assim as portas da Salvação.
Ajudai-os a encontrar a PAz
e a Concórdia na justiça;
Ajudai-nos a afirmá-los na Fé
Com fraternidade e generosidade;
Conforme nossas promessas.
Assim, guiados por Vosso Filho,
O Único Pastor, formemos todos juntos
Um só rebanho,
Caminhando assim ao único Redil.

Oração dos Cavaleiros do Santo Sepulcro
a Nossa Senhora da Terra Santa

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A conversão dos judeus

A Santa Escritura nos assinala um grande acontecimento que se nos mostra entrelaçado na guerra que o Anticristo desencadeará contra a Igreja: a conversão dos judeus.
Deixamos este assunto de lado até aqui para tratá-lo com mais detalhes. Além disso, aqui ele estará muito bem colocado, pois a conversão dos judeus nos é apresentada como fruto da pregação de Elias.
O povo judeu é o ponto em torno do qual gira a história da humanidade. Ele recebeu o toque de Deus na pessoa de Abraão de onde saiu. É, antes da vinda de Nosso Senhor, o povo sacerdotal por excelência, cujo estado, no testemunho de Santo Agostinho, é inteiramente profético; dele nasceu a Santíssima Virgem e o Salvador do mundo; ele formou o núcleo da Igreja nascente. Todos esses privilégios fazem da raça judia uma raça excepcional cujos destinos são misteriosos.
Por uma inversão estranha e lamentável, no momento em que ela produz o Salvador do mundo, a raça eleita, a raça bendita entre todas merece ser
condenada. Recusa reconhecer, em sua humildade, Aquele em quem ela não sabe adorar as grandezas invisíveis. Parece que Deus quis mostrar assim que não há nada da carne e do sangue na vocação do cristianismo, já que aqueles mesmos a quem pertencia o Cristo, segundo a carne (Rm 9, 5), são rejeitados por causa de seu orgulho tenaz e carnal.
Será uma condenação definitiva? Permanecerão presas de Satã excluídos do resto do mundo pela cruz do Senhor? Deus não permita! Deus prepara supremas misericórdias para o povo que foi seu. A esse povo, a quem foi dito: "Não sois mais meu povo", será dito um dia: "Vós sois os filhos do Deus vivo". (Os 3, 4-5). Depois de ter ficado longos anos sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem altar, os filhos de Israel procurarão o Senhor seu Deus; e isso acontecerá no fim dos tempos. (Id. III, 4, 5)
Elias será o instrumento dessa volta maravilhosa. "Eu vos enviarei, diz o Senhor em Malaquias, o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E ele voltará o coração dos pais para os filhos, o coração dos filhos para os pais" (Ml 4, 5-6).
Quer dizer, restabelecerá a harmonia dos mesmos amores, das mesmas adorações entre os santos antepassados do povo judeu e seus últimos descendentes.
São Paulo insiste por sua vez sobre esse acontecimento tão consolador. Ele vê na condenação dos Judeus a causa ocasional da vocação dos Gentios. Depois acrescenta: "Porque eu não quero, irmãos, que vós ignoreis este mistério, que uma parte de Israel caiu na cegueira até que tenha entrado a plenitude das nações e então todo Israel se salve" (Rm 11, 25).
Tal é o desígnio de Deus. É preciso que toda a gentilidade entre na Igreja; e que, quando terminar o desfile das nações, Israel entre por sua vez. Este será o grande jubileu do mundo; a graça se espalhará por torrentes. Tomando as profecias ao pé da letra, todos os judeus que então estiverem vivos, ainda que numerosos como as areias do mar, serão salvos até o último (Rm 9, 27).
Para compreender os frêmitos profundos que esse grande acontecimento fará correr pelo mundo, é preciso usar as figuras proféticas pelas quais Deus houve por bem anunciá-lo.
O povo judeu entrando na Igreja, é Esaú se reconciliando com Jacob. Com que ternura! "Correndo ao encontro de seu irmão, Esaú abraçou-lhe o pescoço e beijando-o, chorou".
Mas é sobretudo José reconhecido por seus irmãos que é o verdadeiro símbolo de Jesus reconhecido por seus irmãos, os judeus! Outrora venderam-no e crucificaram-no e agora uma imperativa necessidade de verdade e de amor leva-os a seus pés no fim dos tempos. Que encontro! Que espetáculo! Jesus, com todo o brilho de seu poder, desvendando aos judeus os tesouros de seu coração, e lhes dizendo: "Eu sou José, eu sou Jesus a quem vós vendestes!" (Gn 45).
Abri enfim o Evangelho, na página do filho pródigo (Lc 15). Esse pródigo que vem de tão longe são os pobres gentios entrando na Igreja. Os judeus são representados pelo filho mais velho, ciumento, egoísta, que se obstina em permanecer de fora porque seu irmão foi recebido em casa. O pai sai e lhe faz instantes rogos, coepit illum rogare. Esse desnaturado recusa escutar o pai; mas por fim o escutará, entrará e essa entrada trará alegria dobrada à casa paterna.
Não, não se pode imaginar qual será a alegria da Igreja quando ela abrir seu seio de mãe aos filhos de Jacó. Não se pode imaginar as lágrimas, os transportes de amor destes quando for retirado o véu de seus olhos, reconhecerem seu Jesus. Qual será o momento preciso deste grande acontecimento? Esta é a dificuldade. Sem pretender resolvê-la, esperamos esclarecê-la um pouco.

Pe. Emanuel André - O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS

A alegoria da casa na rocha: Existências sólidas




Viver é uma aventura. Cada um é convidado a dar um sentido profundo a seus dias e tentar responder, da melhor maneira possível, os apelos que a vida costuma fazer. Somos corpo e espirito, homem e mulher, poço de desejos e anseios, sadios e doentes. Uns nascem no seio famílias bem constituídas e outros, ao Deus-dará. Em todas essas situações as pessoas se dão conta de que precisam dar um sentido belo ao viver, precisam apoiar seus projetos sobre a rocha.
Uns consideram rocha a total lisura. No trabalho, na convivência com as pessoas, no trato dos negócios são profundamente honestos e, desta forma, pessoas que inspiram respeito e deferência. A rocha do amor sólido,  base do casamento. Um rapaz conhece uma moça e vice-versa. Auscultam os desejos profundos de um e de outro. Inteiram-se da história precedente de um e de outro. Fazem profunda experiência de bem querer. Resolvem unir seus destinos com um sim, uma promessa de bem querer de verdade. Constroem sua casa sobre a rocha. Nessa casa sólida fazem o projeto de acolher os filhos que Deus quiser lhes conceder, fazendo de suas casas lares impregnados de calor e de fé.
Há profissionais, como por exemplo médicos, que se orientam para este tipo de profissão a partir de um chamamento forte. Têm vocação para se debruçar sobre corpos enfermos e mentes doentes e, para além de qualquer interesse por lucros, são pessoas que fazem de suas vidas um hino de dedicação e um cântico de verdadeiro amor. Constroem sua existência sobre a rocha.
Há pessoas que são religiosas por tradição. Há outras que vivem uma fé profunda. Sua vida é uma extensão do batismo. Estão sempre num empenho de morrer a si mesmas e nascer para o mundo novo. São pessoas que cultivam uma delicadeza de consciência de tal forma que não deixam-se entorpecer. Sempre delicadas e assim conservam uma consciência atenta aos mínimos desejo do Senhor. São pessoas que se acostumaram a caminhar na presença do Senhor. Vivem sempre em estado de desejo. Não se deixam levar pela mesmice, pela rotina. Estão sempre vigilantes, com lâmpadas acesas esperando a volta ou a passagem do Esposo. São pessoas atentas aos apelos da Igreja que, guiada pelo Espírito, propõe sempre caminhos novos. Pessoas que constroem sua casa sobre a rocha da fé, que é a confiança inabalável no Senhor. T

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O Sacro Rompimento

FONTE: http://catolicoscomfe.blogspot.com.br/

Outro dia eu conversava no messenger com um amigo italiano e ele mencionou que na cidade de Ravenna há importantes igrejas cristãs construídas pouco mais de 400 anos depois de Cristo – ou seja, um piscar de olhos (em termos históricos) depois da passagem de Jesus pela terra.

 Ele lembrou em seguida que o Santo Sudário estava mais uma vez sendo exposto ao público na Catedral de São João Batista em Turim, como acontece periodicamente. E aproveitou para contar a teoria de uma historiadora dos Arquivos Secretos do Vaticano, Barbara Frale, que postula que o grande segredo dos templários era que sua ordem venerava a figura de Cristo no Sudário – sendo que seus integrantes juravam contornar as tentações do poder mantendo-se fiéis à humanidade de Jesus estampada muito literalmente no lençol de Turim.

 Eu acompanhava interessadíssimo a história e ponderava a beleza de suas implicações, quando meu amigo [católico] interrompeu sua exposição para perguntar: 

– E vocês, protestantes, o que pensam do Sudário?

 Respondi sem pensar, mas fiquei imediatamente estarrecido diante do rigor da resposta:

 – Nada que aconteceu antes de 1500 nos interessa – eu disse. 

E completei, apenas em parte ironicamente:

 – Nem mesmo Jesus, coitadinho.

 E se conto a história dessa conversa é porque não consigo deixar de pensar no que disse. Nada que aconteceu antes de 1500 nos interessa.

 Foi necessária essa precisa articulação da ideia para eu entender que o rompimento sonhado e efetuado pelos protestantes não foi apenas com a Igreja Católica, mas com a própria História. Nosso método para corrigir mil e quinhentos anos de cristandade foi ignorá-los. Consequentemente, nossa relação com a História é ainda hoje precisamente oposta à do catolicismo, que vive (e na verdade depende de) uma contínua ligação ela.

 No que diz respeito a nós, precisamente nada aconteceu no cristianismo (e portanto no mundo) entre a conclusão do Novo Testamento e as indignações de Lutero e as paixões dos anabatistas. Se dependesse de nós, esses 1500 anos intermediários seriam apagados das atas ou, no máximo, mantidos como embaraçosa nota de rodapé – monumento ou advertência contra o obscurantismo que a luz da Reforma tratou de expor e reparar.

 Em termos muito reais, é esse rigoroso rompimento, essa cirúrgica remoção, que aplicamos à narrativa do movimento cristão. Nosso verdadeira filiação, queremos crer, é com a igreja vitoriosa e impoluta do livro de Atos, não com a estrutura corrupta e vendida que dominou a cristandade antes que aparecêssemos para denunciá-la. Decidimos que esse período intermediário, que ao mesmo tempo desconhecemos e abominamos, deve ser desconsiderado – porque a herança de Cristo só passou a ser eficazmente defendida quando entramos em cena para honrá-la como convém.

 Em conformidade com isso, fazemos questão de não confessar – e fazemos isso ignorando-os – qualquer continuidade com as vidas dos mártires e dos santos, com os assombros do medievo, com as Cruzadas e peregrinações, com a subversão descalça de São Francisco, com os fogos da Inquisição e as lancetas da penitência, com a paixão medieval pelos pobres e a obsessão medieval pelos símbolos; nada sabemos e nada queremos saber sobre a adoração de relíquias, a função dos gárgulas, os diferentes ritos latinos, as estações da cruz, os cinco mistérios gloriosos, os círculos do rosário ou o segredo da construção de catedrais. Nada temos em comum e nada queremos ter com Teodorico e Teodora, com Catarina de Siena, com São João da Cruz, com Elredo de Rievaulx, com Tomás de Aquino, com Santa Luzia, com Carlos Magno, com Teresa de Ávila. Nosso Deus é o de Abraão, Isaque e Jacó, mas – pelo amor de Deus – não é o Deus de Joana d’Arc, de Giotto, de Gregorio I e de Dante Alighieri. Rejeitamos todas as imagens, todo acender de velas, todo pagamento de promessa, todos os intermediários não autorizados, todo penduricalho, todo Sagrado Coração, toda veneração transgressora.

 Igrejas com mais de 500 anos são para nós uma contradição em termos. Não temos qualquer relação com essa história. Ela não nos pertence. Temos raiva de quem sabe. A veneração do Sudário, para falar de outro marco que desconhecemos, é demonstração de rebeldia, ignorância e credulidade. Nada tem a ver, por certo, com a verdadeira fé.

 Nosso rompimento com o passado está tão entranhado na nossa postura que, à parte [alguns] dentro das chamadas denominações históricas, vivemos completamente à parte de qualquer relação de continuidade até mesmo com a tradição protestante ou evangélica. Nem mesmo esses 500 anos de protestantismo nos interessam. Não sabemos o que disseram ou fizeram Lutero, Calvino, Knox, Wesley ou mesmo Billy Graham; nada conhecemos sobre os primórdios dos metodistas ou da relação dos batistas norte-americanos com a Guerra da Secessão. O passado evangélico é um lugar que não existe. Tudo que queremos ouvir é o presente pregador oferecendo neste instante a prosperidade para o momento presente.

 A primeira e mais grave consequência desse rompimento com o passado é o esvaziamento simbólico dos nossos espaços interiores e exteriores. Quando descartamos as linguagens cristãs da antiguidade e da era medieval (como se fossem mais ambíguas e questionáveis do que a nossa), exterminamos do coração da fé todo mito, toda metáfora e todo assombro. Só nos resta a superfície, a aparência da aparência de uma existência espiritual.

 O utilitarismo que nos caracteriza é explicado por essa alienação com a alma das coisas, porque em nosso isolamento passamos a ver as coisas como ferramentas, os lugares como facilidades e as pessoas como números.

 Essa devastação de nosso ambiente simbólico fica patente na arquitetura de praticamente qualquer templo [uso o termo com moderado sarcasmo] evangélico contemporâneo. Uma casa fala do que está cheio o coração, e nada há nas paredes de um templo evangélico que dê indício de riqueza interior ou de qualquer compromisso com a história. Tratam-se de edifícios assépticos, indistintos, utilitaristas – e essas suas qualidades falam por nós e de nós. Retirem-se apenas os bancos, e o que resta tem o apelo de um salão de churrascaria, o caráter de um piso de indústria ou almoxarifado; a sala de espera de uma repartição pública terá inevitavelmente mais alma, mais ornamento e mais conteúdo simbólico. Via de regra não há no edifício evangélico sequer uma cruz ou crucifixo, porque nosso distanciamento simbólico se estende até mesmo a Jesus. Nada queremos com o Jesus histórico que percorreu a Palestina ou os evangelhos, nem com o Filho de Deus que tocou a cruz, de onde poderia nos intimidar; só queremos saber do Cristo invisível, que não tem como nos constranger com seu olhar, e que habita o céu, de onde pode incessantemente nos favorecer. Desconhecemos a noção de que lugares possam se tornar imbuídos de significado (e portanto de valor), pelo que vendemos sem pestanejar a propriedade em que nos reuníamos para construir templo maior ou mais conveniente em outro lugar.

 Nenhuma outra nação encarna essa dissociação com a história de modo mais formidável do que os Estados Unidos, país evangélico por excelência, e que em conformidade com essa vocação opera de modo a ignorar deliberadamente qualquer outra história (e portanto qualquer outro valor) que não seja a sua. Os aspectos bélicos e mercantilistas da missão civilizadora/evangelizadora dos Estados Unidos explicam-se por esse rompimento radical com a história de outros povos e culturas. Os norte-americanos se compadecem grandemente de países que não são os Estados Unidos – lugares pagãos como a Namíbia, a Itália, a União Soviética e o Sri-Lanka – e tomaram sobre os ombros a tarefa de salvar o mundo, estendendo a todos a sombra redentora da sua bandeira. Intuem que os povos só serão de fatos redimidos quando forem liberados por seus exércitos, ou quando encontrarem a luz do valor supremo do poder de compra. Nisso são impulsionados pela dó que têm dos povos que não compartilham de suas datas cívicas; representam o primeiro império da história impelido pela sinceridade da sua compaixão.

 Outra consequência da dissociação evangelical com as raízes da história é que nos tornamos um povo que não tem a quem prestar contas. Não só os erros da Igreja Católica não nos dizem respeito; também não queremos ser julgado pelas imprudências de Lutero, pelas imoderações de Calvino, pelos exageros dos missionários entre os índios, pelas omissões dos cristãos na Alemanha nazista, pela desfiguração de culturas confrontadas com o capitalismo cristão, pelo usurpação de recursos ambientais que pertenciam muito claramente a todos. Na verdade nossa dissociação com o passado é tamanha que não queremos ser responsáveis pelo que nós mesmos fizemos em nosso próprio tempo de vida. Erigimos dessa forma, e com a assombrosa conivência de Deus, um reino de impunidade.

 Em retrospecto, não é de estranhar que o capitalismo industrial e o protestantismo sejam gêmeos nascidos no mesmo berço. Como gentilmente diagnosticado por Marx, a consequência mais incontornável do capitalismo é a alienação – alienação que, para o bem ou para o mal, acabou determinando todos os aspectos do desenvolvimento cultural, social e econômico que veio depois. Não é exagero supor que a alienação capitalista só tenha se tornado possível a partir da alienação anterior, o sacro rompimento do movimento protestante com a história prévia do movimento que se levantaram para reparar.

 Justamente por desconhecermos a história, raramente paramos para avaliar o que perdemos nessa transação de adquirir o futuro vendendo nossa parte da herança com o passado. Gostaria de mencionar uma única baixa que tomo por especialmente representativa do prejuízo como um todo: a perda da capacidade de ajoelhar-se diante das coisas.

 Ao contrário do que católicos costumam fazer, os evangélicos absolutamente não se ajoelham diante de coisas (digamos, cruzes, imagens ou lugares sagrados). Aprendemos e confessamos que o verdadeiro crente deve dobrar-se apenas diante do Deus invisível ou do Cristo (invisível), seu sócio e representante autorizado.

 O paradoxo está em que quando se ajoelham diante de imagens ou de relíquias ou capelas os católicos estão fazendo confissão oposta à que atribuímos a eles. Enquanto se dobram diante do que é meramente material, estão reconhecendo tacitamente que os objetos por si mesmos não se bastam e não se explicam; estão confessando que as coisas não se esgotam em sua utilidade imediata e não se constituem na definição última da realidade. Devidamente instruídos pela mentalidade medieval, eles intuem que o valor das coisas não está em sua função utilitária, mas em sua função simbólica. As coisas apontam para outra realidade; as coisas remetem.

 Ajoelhar-se diante das coisas, incrivelmente, é colocar as coisas no seu devido lugar – porque ao fazê-lo reconhecemos simultaneamente a sua insuficiência, sua condição de emblema de uma realidade impalpável, transcendente e superior. Nós, que nunca beijamos os pés de uma Maria ou deixamos os joelhos tocar o mármore frio diante de um Crucificado, desconhecemos por completo esse assombro. Somos paupérrimos de conteúdo simbólico e virgens de transcendência; porque nos recusamos a tocar o material, somos privados da realidade intangível a que as coisas silenciosamente remetem.

 E precisamente nós de herança protestante, que não nos ajoelhamos diante de coisas, somos os que alçaram sacrilegamente as coisas a um patamar de valor que muito claramente as coisas não têm. Somos os inventores e os contínuos promotores do capitalismo industrial que gerou os holocaustos do neoliberalismo contemporâneo; aperfeiçoamos a ciência do lucro, engendramos o culto da performance e evangelizamos o mundo com a terrível nova de que ser livre é ter a capacidade de adquirir. Vivemos em torres de ganância, oramos por prosperidade material, decretamos o insucesso financeiro dos nossos inimigos, dedicamos a vida a angariar os bens de que não iremos precisar – e chamamos o que eles fazem de idolatria.

Incorporado por PAULO BRABO

Fonte 
Bacia das Almas

domingo, 23 de junho de 2013

Quem é Jesus para mim?

Jesus continua a nos interrogar também hoje: Quem sou eu para você? Trata-se de pergunta intrigante à qual nem sempre conseguimos dar a resposta adequada. E a resposta mais adequada não consiste nas palavras que aprendemos no catecismo, mas, sim, no compromisso que firmamos como projeto de Cristo.
Não basta dizer que Jesus é um profeta ou um grande personagem que nasceu e viveu há dois mil anos. É preciso fazer  nossa a resposta de Pedro: Jesus é o Messias de Deus. Isso significa acreditar que ele é o Filho de Deus, o ungido pelo Espírito para uma missão. Encarnando-se no seio de Maria, Deus, em Jesus, veio morar entre nós.
Quando respondemos sabiamente e nos comprometemos com Jesus, mostramo-nos dispostos a assumir a cruz do dia a dia. Olhamos sempre adiante com otimismo e não nos amedrontamos com as dificuldades que surgem diante de nós. Jesus não foi ao encontro da cruz; ela veio até ele à medida de sua fidelidade ao Pai.
Também nós não precisamos invetar cruzes para demonstrar nossa fidelidade ao Pai, basta assumir a cruz do compromisso de discípulos e missionários.
Quando confessamos que Jesus é o ungido e o enviado de Deus, reconhecemos que ele não é um sonhador sem base na realidade, mas o autêntico "reformador" da humanidade, com programa claro e objetivo, capaz de transformar de verdade a comunidade e a sociedade. Aceitá-lo significa deixar de lado a injustiça, o ódio, a violência e tudo aquilo que fere a dignidade humana. 
A pergunta de Jesus é dirigida a todos, mas a resposta só é possível aos que estão dispostos a segui-lo, partilhando com ele o caminho que leva à cruz. Aquele que nos interroga - e ao qual muitas vezes nos recusamos a responder para não nos comprometer - é justamente aquele que nos salva, aquele do qual depende nosso destino.

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o Evangelho deste domingo, 23/06/2013

Oração da Jornada Mundial da Juventude

Ó Pai, enviaste o teu Filho eterno para salvar o mundo e escolhestes homens e mulheres para que, por ele, com ele e nele,proclamassem a boa-nova a todas as nações. Concede as graças necessárias para que brilhe no rosto de todos os jovens a alegria de serem, pela força do Espírito, os evangelizadores de que a Igreja precisa no terceiro milênio.
Ó Cristo, redentor da humanidade, tua imagem de braços abertos no alto do Corcovado acolhe todos os povos. Em tua oferta pascal,nos conduziste pelo Espírito Santo ao encontro Filial com o Pai. Os jovens que se alimentam da eucaristia, te ouvem na Palavra e te encontram no irmão, necessitam de tua infinita misericórdia para percorrer os caminhos do mundo como discípulos missionários da nova evangelização.

Ó Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, com esplendor da tua verdade e com fogo do teu amor, envia a tua luz sobre todos os jovens para que, impulsionados pela Jornada Mundial da Juventude, levem aos quatro cantos do mundo a fé, a esperança e a caridade, tornando-se grandes construtores da cultura da vida e da paz e os protagonistas de um mundo novo. Amém