quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Santo do dia - Protomártires do Brasil
Dentro da conturbada invasão dos holandeses no nordeste do Brasil, encontram-se os dois martírios coletivos: o de Cunhaú e o de Uruaçu. Estes martírios aconteceram no ano de 1645, sendo que o Pe. André de Soveral e Domingos de Carvalho foram mártires em Cunhaú e o Pe. Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira em Uruaçu; dentre outros.
No Engenho de Cunhaú, principal pólo econômico da Capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte), existia uma pequena e fervorosa comunidade composta por 70 pessoas sob os cuidados do Pe. André de Soveral. No dia 15 de julho chegou em Cunhaú Jacó Rabe, trazendo consigo seus liderados, os ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe Jerera e soldados holandeses. Jacó Rabe era conhecido por seus saques e desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava.
Dizendo-se em missão oficial pelo Supremo Conselho Holandês do Recife, convoca a população para ouvir as ordens do Conselho após a missa dominical no dia seguinte. Durante a Santa Missa, após a elevação da hóstia e do cálice, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares.
A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o Rio Grande e capitanias vizinhas, mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos. Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário Pe. Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o Moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto. Os outros moradores, a grande maioria, não podendo ficar no Forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 km de Fortaleza.
Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes. Após passar por várias localidades do Rio Grande e da Paraíba, Rabe foi então à Potengi, e encontrou heróica resistência armada dos fortificados. Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por 16 dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da Fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las. Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos de Deus.
Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estêvão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia. Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois grupos: 12 na Fortaleza e o restante sob custódia em Potengi.
Dia 2 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, 3 de outubro. Os holandeses decidiram eliminar primeiro os 12 da Fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário.
Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o chefe indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados. Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia.
Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".
A 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa João Paulo II beatificou os 30 protomártires brasileiros, sendo 2 sacerdotes e 28 leigos beatificados.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Santos Anjos da Guarda
É uma consoladora verdade de fé que desde a infância até a morte nossa vida seja circundada pela proteção dos anjos e por sua intercessão, pois que lê-se no Catecismo da Igreja Católica "Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida. Ainda aqui na terra, a vida cristã participa na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus".
A existência desses seres espirituais, não corporais, chamados anjos, tem a seu favor o claro testemunho das Sagradas Escrituras e a unanimidade da Tradição. "O anjo de Iahweh acampa ao redor dos que o temem, e os liberta".(Sl 34,8). Os anjos são mensageiros da salvação: "porventura não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?", lê-se na carta aos Hebreus (1,14).
Fundando esta verdade de fé na própria afirmação de Jesus, a Igreja nos diz que cada cristão, desde o momento do batismo, é confiado a um anjo particular, que tem a missão de guardá-lo, guiá-lo no caminho do bem, inspirar-lhe bons sentimentos, secundar suas livres escolhas quando estas o encaminham a Deus, ou fazer-lhe perceber a censura interior da consciência quando elas conduzem à transgressão da lei divina.
A estas invisíveis testemunhas de nossos pensamentos mais recônditos e inconfessáveis, de nossas ações boas ou não tão boas, públicas ou escondidas, nossa época voltou a dar particular atenção. Seu precioso "serviço" é testemunhado na vida de muitos santos de nosso tempo. "Os anjos” — escreve Bossuet, —"oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até nossos desejos, fazem valer diante de Deus também nossos pensamentos. Sejamos felizes por ter amigos assim pressurosos, intercessores fiéis, intérpretes caridosos".
A festividade deste dia foi estendida à Igreja universal por Paulo V, em 1608, mas já no século antes era celebrada à parte da de São Miguel.
http://www.paulinas.org.br/diafeliz/?system=santo
O fascínio que São Francisco de Assis exerce há oito séculos
[Franciscanos] O fascínio que ele exerce sobre os homens, séculos depois de sua morte, transpõe as fronteiras do Cristianismo. Grandes e pequenos reverenciam-no com palavras de invulgar admiração. O que o torna assim tão simpático aos olhos dos homens não é tanto o fato de ser ele um santo da cristandade católica, o inspirador de inúmeras comunidades religiosas. Destes, há vários outros exemplos, também admiráveis. Antes, a razão precípua é sua humanidade, simplesmente. Efetivamente, nele vemos o que é o ser humano, quando, historicamente, se realizam as suas mais belas possibilidades: não um conglomerado de egoísmos, rigidez, baixezas e pecados, mas uma figuração de bondade, fineza, cortesia, ternura e compaixão, sim, uma imagem e semelhança de Deus mesmo. Sua humildade desfeita de toda sofisticação, sua afabilidade sincera para com todos, sua singela inocência, sem prepotências e maldade, sua largueza de alma pela qual acolhe a todos como irmãos e irmãs, seu reverente entusiasmo para com o mundo e suas criaturas, o jeito pacífico e portador da paz que o faz próximo de todos, o respeito com que trata todos os seres, do sol magnífico à inexpressiva erva, com gestos e palavras tão poéticas, enfim, seu amor sem fronteiras, é isso, sobretudo, que faz de Francisco esse homem notável e a razão do fascínio que ele exerce sobre todos.
“Há neste homem algo de límpido e de luminoso que se impõe como uma presença… Alguns são seduzidos pela criança e pelo poeta ingênuo, simples, fraterno, entre os seres vivos. Move-se entre os homens e as coisas como homem livre, desapegado, despretensioso, com um desembaraço e uma ternura que deixa a cada um a liberdade de viver. Irmão de todos, provoca-os ao melhor de si mesmo. Sem dominação e sem pretensão alguma, ensina-lhes como tornar-se homens de reconciliação, servidores uns dos outros. Atento, por intuição e por afinidade secreta, a seu tempo e aos acontecimentos, que os atinge e lhes traz com facilidade surpreendente, uma resposta ao nível mais profundo” (T. Matura, O projeto evangélico de Francisco de Assis…, 13).
Dele diz o renomado ensaísta e literato inglês Gilberto Keith Chesterton: “Podemos descrever este divino demagogo como o único e verdadeiramente sincero e conseqüente democrata do mundo…”(Cf. G. K. Chesterton, Franziskus, der Heilige von Assis, 1923)
A seu amigo Vittorio Bodo, Wadimir I. Lênin, o grande líder da Revolução Russa, do seu leito de morte, teria confessado: “Eu me enganei. Sem dúvida era necessário libertar a massa dos oprimidos. Mas nossos métodos tiveram como conseqüência outras opressões e terríveis massacres. Tu sabes que estou mortalmente doente. Meu pesadelo é sentir-me num oceano de sangue de incontáveis vítimas. Para salvar nossa Rússia – agora é tarde demais para voltar atrás – precisaríamos de dez Francisco de Assis” (Lênin, am Ende seines Lebens – 1924).
Pannaghiotis Kanellopoulos, intelectual e político grego: “Hoje, depois de oito séculos de história… podemos afirmar que Francisco representa a mais doce figura humana que a Europa gerou. A sua vida e a sua poesia são qualquer coisa de único na história. Mas é possível distinguir a vida de Francisco de sua poesia? A sua própria vida, como a apresentam os imortais Fioretti é uma contínua poesia” (P. Kanellopoulos, La storia dello spirito europeo, vol. I Atenas 1958, 208).
Deste homem, Sigmund Freud, um dos mais argutos e contumazes críticos da Religião afirma: “Talvez São Francisco de Assis tenha sido quem mais longe foi na utilização do amor para beneficiar um sentimento interno de felicidade… o amor universal pela humanidade e pelo mundo representa o ponto mais alto que o homem pode alcançar” (S. Freud. S. O mal-estar na civilização, in Obras Completas, Vol XXI [1927-1931], Rio de Janeiro: Imago, 1974, 122).
“Tão perfeita imagem de Cristo! Quase um Cristo redivivo” – Pio XI, Papa
“O mais italiano dos santos, o mais santo dos italianos” – Mussolini
Há homens que, vivendo profundamente a problemática do seu tempo e de seu povo, são tão humanos que permanecem como inspiração para todos os tempos e todos os povos. Francisco de Assis é um desses homens raros que, ao longo dos séculos, das latitudes e longitudes, interpelam, questionam, desinstalam” - Dom Hélder Câmara
“Esse, talvez, o maior segredo de São Francisco de Assis. Onde outros dariam ou deram o seu saber, a sua astúcia, a sua coragem, ele deu apenas isso: seu coração. E com isso revolucionou a história. Com a fé de uma criança, renovou a alma de um mundo”. Alceu Amoroso Lima
“São Francisco, pela amigável união que estabeleceu com todas as coisas, parecia ter voltado ao primitivo estado de inocência matinal” - São Boaventura
“Homem inútil e indigna criatura de Deus, nosso Senhor” – ele mesmo, São Francisco. T
#ReflexõesFranciscanas
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Sobre São Jerônimo
São Jerônimo - 30 de Setembro
Neste último dia do mês da Bíblia, celebramos a memória do grande "tradutor e exegeta das Sagradas Escrituras": São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja. Ele nasceu na Dalmácia em 340, e ficou conhecido como escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador, exegeta e doutor da Igreja. É de São Jerônimo a célebre frase: "Ignorar as Escrituras, é ignorar a Cristo."
Com posse da herança dos pais, foi realizar sua vocação de amante dos estudos em Roma. Estando na "Cidade Eterna", Jerônimo aproveitou para visitar as Catacumbas, onde contemplava as capelas e esforçava-se por decifrar os escritos nos túmulos dos mártires. Em Roma, Jerônimo teve um sonho que foi determinante para sua conversão: neste sonho, Jerônimo apresentava-se como cristão e era repreendido pelo próprio Cristo por estar faltando com a verdade (pois ainda não havia abraçado as Sagradas Escrituras, mas somente escritos pagãos). Cerca do fim desta permanência em Roma, Jerônimo recebeu o Batismo.
Após isso, iniciou os estudos teológicos e decidiu lançar-se numa peregrinação à Terra Santa, mas uma prolongada doença obrigou-o a permanecer em Antioquia. Enfastiado do mundo e desejoso de quietude e penitência, retirou-se para o deserto de Cálcida, com o propósito de seguir na vida eremítica. Ordenado sacerdote em 379, retirou-se para estudar, a fim de responder com a literatura às necessidades da época. Tendo estudado as línguas originais para melhor compreender as Escrituras, Jerônimo pôde, a pedido do Papa Dâmaso, traduzir com precisão a Bíblia para o latim (língua oficial da Igreja). Esta tradução recebeu o nome de Vulgata. Assim, com alegria e prazer se empenhou para enriquecer a Igreja universal.
Saiu de Roma, e foi viver definitivamente em Belém no ano de 386, onde permaneceu como monge penitente e estudioso, continuando as traduções bíblicas, até falecer em 420, aos 30 de setembro com, praticamente, 80 anos de idade. A Igreja declarou-o padroeiro de todos os que se dedicam ao estudo da Bíblia e fixou o "Dia da Bíblia" no mês do seu aniversário de morte, ou ainda, dia da posse da grande promessa bíblica: a Vida Eterna.
São Jerônimo, rogai por nós!
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