quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A dignidade do sacerdote

 


"Porque se alguém procurasse considerar o que é um homem ainda envolto na carne e no sangue, ter o poder de se aproximar daquela feliz e imortal natureza, veria então quão grande é a honra que a graça do Espírito Santo concedeu aos sacerdotes. Pois por meio desses se exercem essas coisas e outras também nada inferiores, que dizem respeito à nossa dignidade e a nossa salvação.
A eles que habitam nessa terra e fazem nela sua morada, foi dado o encargo de administrar as coisas celestiais e receberam um poder que Deus não concedeu nem mesmo aos anjos e arcanjos, pois não foram a esses que foi dito: "Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no Céu e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no Céu" (Mt18,18). Os que dominam nesse mundo possuem também o poder de atar, porém somente os corpos; mas a atadura de que falamos, diz respeito à própria alma e penetra os Céus; e as coisas que aqui na terra, o fazem os sacerdotes, Deus as ratifica lá nos Céus confirmando a sentença de seus servos.
Afinal o que mais lhes foi dado, senão todo o poder celestial? "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo. 20,23). Que poder maior do que esse alguém poderia receber? O Pai entregou ao Filho todo o poder, porém vejo que todo esse poder o Filho colocou nas mãos dos sacerdotes. É como se já tivessem sido trasladados aos Céus e erguendo-se sobre a natureza humana, livres de nossas paixões, tivessem sido elevados a tão grande poder.
Imagine se um rei proporcionasse tal honra a um de seus súditos, o qual por sua vontade encarcerasse, ou pelo contrário, livrasse das prisões a quem bem entendesse, será que esse não seria visto como um fortunado e respeitado por todos? E aquele que recebeu de Deus um poder infinitamente maior, mais precioso ao Céu do que à terra, mais precioso à alma do que ao corpo, será que para alguns tal honra possa parecer algo tão insignificante que não mereça consideração ou que se possa depreciar o benefício? Longe de nós tal loucura!
De fato, seria sem dúvida uma grande loucura depreciar uma dignidade tão grande, sem a qual não podemos obter nem a salvação, nem os bens que nos foram propostos, porque ninguém pode entrar no Reino dos Céus se não for regenerado pela água e pelo espírito (Jo. 3,5). E aquele que não come a carne do Senhor e não bebe seu sangue, está excluído da vida eterna. Nenhuma dessas coisas se faz pelas mãos de qualquer outro, senão por aquelas santas mãos do sacerdote. Como poderá pois alguém, sem o auxílio desses, escapar do fogo do Inferno ou chegar à conquista das coroas que lhes estão reservadas?
Esses pois são a quem foram confiados os partos espirituais e encomendados os filhos que nascem pelo Batismo. Através desses, nos revestimos de Cristo e nos unimos ao Filho de Deus tornando-nos membros daquela bem-aventurada Cabeça, de forma que para nós, com justiça eles devem ser respeitados não apenas mais do que os poderosos e reis, mas até mesmo mais do que nossos próprios pais, porque esses nos geraram pelo sangue e pela vontade da carne, enquanto os sacerdotes são os autores do nosso nascimento para Deus, para aquela ditosa geração da verdadeira liberdade e da adoção de filhos segundo a graça."
 
São João Crisóstomo
 

A rotina de São João Maria Vianney, o Cura D'Ars


“À uma da manhã em ponto, faz a sua oração na igreja.
Confessa as mulheres até às seis.
Às seis, celebra a sua Missa.
A seguir, faz a sua ação de graças.
Depois fica à disposição dos fiéis para abençoar-lhes as imagens e dar-lhes conselhos.
Por volta das oito, ele se permite, a instâncias das moças da “Providência”, ir lá tomar, do outro lado da praça, meio copo de leite sem pão.
Como também elas precisam de conselhos, distribui-os generosamente.
Às oito e meia, está de volta e atende os homens na sacristia.
Às dez, interrompe-se e vai render a sua homenagem a Deus recitando as suas horas menores.
E depois confessa mais um pouco.
Às onze, volta à “Providência” para ensinar o catecismo às crianças, às suas órfãs especialmente, e também a muitos adultos.
Ao meio dia, reza o “Angelus” e retorna à casa paroquial para almoçar.
Atravessar a praça leva cerca de um quarto de hora, porque a multidão se comprime à sua volta; é preciso continuar a aconselhar e a abençoar.
Almoça de pé, rapidamente, muitas vezes enquanto fala, pois os paroquianos mais próximos se aproveitam das refeições para confiar-lhe as suas misérias.
Ainda assim, já ao meio-dia e meia tem de visitar os seus enfermos, sempre escoltado pela multidão que não se cansa de interroga-lo.
Assim que volta à igreja, mergulha no seu breviário, a tempo de ler as vésperas e as completas.
Mal fecha o livro, retorna ao confessionário.
As mulheres o retêm ali até às cinco.
Passa aos homens, que o retêm até às oito.
Enfim, sobe ao púlpito para recitar a oração vespertina e o terço da Imaculada Conceição.
Depois deste longo e penoso trabalho, imaginamos que vá jantar e depois dormir?
Não. Nem sempre consegue jantar; é preciso que receba em sua casa umas quantas almas delicadas, difíceis de convencer ou de dirigir.
Também tem de terminar o seu breviário: matinas e laudes, a parte mais longa.
Com isso chegamos às dez horas da noite.
Não é raro, também, que retorne à igreja a fim de confessar mais um pouco, e que de lá não volte senão depois da meia-noite.
Depois deita-se.
Mas a noite será curta: a nova jornada, como a anterior, começa bem antes do nascer do sol.
Façamos as contas. O Pe.Vianney trabalha pelo menos vinte horas. Quinze ou dezesseis, no mínimo, transcorrem ouvindo confissões, tanto na capela de São João Batista, dentro do confessionário onde atende as penitentes, quanto na sede de madeira dura da sacristia, onde recebe os penitentes.
Terá tido duas horas a sós com Deus?
Mas ele está sempre com Deus.
Este regime há de durar trinta anos”
 
"O Cura d’Ars”. Gheon, Henri - Ed. Quadrante, 1998

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sacrilégio

Sobre São Brás

Jesus veio para nos curar, Ele veio para nos libertar!

Jesus veio para nos curar, Ele veio para nos libertar!

”Jesus, porém, não permitiu. Entretanto, lhe disse: ‘Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti”’ (Mc 5, 19).

O Evangelho de hoje nos apresenta um homem com um alto grau de possessão. E como ele era atormentado dia e noite, ele vivia as consequências daquilo que o maligno fazia em sua vida, de modo que ele não tinha paz, se encontrava em meio aos túmulos e vivia se ferindo com as pedras. De modo que este endemoniado se prostra diante de Jesus e os demônios começam a gritar e a se agitar. O Senhor sabe o que está acontecendo, sabe que esse homem está realmente sendo atormentado por uma legião de demônios. No Seu poder, na Sua autoridade, Jesus tira e expulsa aqueles espíritos impuros, que atormentam esse homem, e os manda para o símbolo da impureza, que são os porcos. Jesus tira os demônios que agem naquele homem e os manda para a manada de porcos, de modo que essa manada, representando a impureza e a sujeira, se afoga em seguida.
Aquilo causa um grande tumulto, uma grande agitação em meio às pessoas: ”O que Jesus fez?”. Por essa razão, as pessoas ficaram com medo de chegar perto do Senhor Jesus, pois não entenderam o que Ele fez com poder: Ele purificou, lavou, tirou o tormento do coração daquele homem, que, daquele dia em diante, passou a proclamar as maravilhas do Reino de Deus, passou a testemunhar tudo o que Deus, na Sua infinita misericórdia, havia feito por ele. Jesus o libertou do poder das trevas, Jesus o libertou do domínio do mal!
Meus irmãos e minhas irmãs, não é que todo caso desse tipo seja possessão, é verdade que possessão existe, por isso, existem exorcistas que são designados pela própria Igreja para orar e para trabalhar de forma intensiva a fim de libertarem as pessoas da possessão do maligno. Mas, também é verdade que muitos de nós somos atormentados na mente, na consciência e, muita coisa tira a paz do nosso coração. Vivemos de forma inquieta, perturbada, por isso a nossa vida, muitas vezes, perde o rumo e nós precisamos olhar para Jesus, como este homem olhou, e pedir que Ele tenha piedade de nós, que nos liberte de todos os espíritos malignos que nos perturbam e tiram a nossa paz.
Esses espíritos, muitas vezes, vêm como uma legião em nossa vida, é uma legião de maus pensamentos, de maus sentimentos, de mágoas e de tantas coisas maléficas e malignas que atormentam o nosso coração e tiram a nossa paz interior.
Jesus, que veio para nos curar, veio para nos libertar! O que nós precisamos é nos entregar em Suas mãos para que esses espíritos malignos não nos atormentem!

Deus abençoe você!

http://homilia.cancaonova.com/

São Brás

O santo de hoje nasceu na cidade de Sebaste, Armênia, no final do século III. São Brás, primeiramente, foi médico, mas entrou numa crise, não profissional, pois era bom médico e prestava um ótimo serviço à sociedade. Mas nenhuma profissão, por melhor que seja, consegue ocupar aquele lugar que é somente de Deus. Então, providencialmente, porque ele ia se abrindo e buscando a Deus, foi evangelizado. Não se sabe se já era batizado ou pediu a graça do Santo Batismo, mas a sua vida sofreu uma guinada. Esta mudança não foi somente no âmbito da religião, sua busca por Nosso Senhor Jesus Cristo estava ligada ao seu profissional e muitas pessoas começaram a ser evangelizadas através da busca de santidade daquele médico.
Numa outra etapa de sua vida, ele discerniu que precisava se retirar. Para ele, o retiro era permanecer no Monte Argeu, na penitência, na oração, na intercessão para que muitos encontrassem a verdadeira felicidade como ele a encontrou em Cristo e na Igreja. Mas, na verdade, o Senhor o estava preparando, porque, ao falecer o bispo de Sebaste, o povo, conhecendo a fama do santo eremita, foi buscá-lo para ser pastor. Ele, que vivia naquela constante renúncia, aceitou ser ordenado padre e depois bispo; não por gosto dele, mas por obediência.
Sucessor dos apóstolos e fiel à Igreja, era um homem corajoso, de oração e pastor das almas, pois cuidava dos fiéis na sua totalidade. Evangelizava com o seu testemunho.
São Brás viveu num tempo em que a Igreja foi duramente perseguida pelo imperador do Oriente, Licínio, que era cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Por motivos políticos e por ódio, Licínio começou a perseguir os cristãos, porque sabia que Constantino era a favor do Cristianismo. O prefeito de Sebaste, dentro deste contexto e querendo agradar ao imperador, por saber da fama de santidade do bispo São Brás, enviou os soldados para o Monte Argeu, lugar que esse grande santo fez sua casa episcopal. Dali, ele governava a Igreja, embora não ficasse apenas naquele local.
São Brás foi preso e sofreu muitas chantagens para que renunciasse à fé. Mas por amor a Cristo e à Igreja, preferiu renunciar à própria vida. Em 316, foi degolado.
Conta a história que, ao se dirigir para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por causa de uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e Nosso Senhor curou aquela criança.
Peçamos a intercessão do santo de hoje para que a nossa mente, a nossa garganta, o nosso coração, nossa vocação e a nossa profissão possam comunicar esse Deus, que é amor.

São Brás, rogai por nós!

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A dança das velas

Celebramos hoje a festa da luz. Aquela luz que é o próprio Cristo, a iluminar os que andam nas trevas e nas sombras da morte.
Será que a luz da pequena vela consegue ainda despertar em nós alguma emoção e provocar-nos algum estremecimento? Porque aquela chama, por pequena e frágil que seja, simboliza a chama da nossa fé em Cristo, recebida no Batismo.
É bem possível que, no festival colorido de tantas luzes artificiais, a memória daquela pequena chama tenha se apagado em definitivo. Isso significa que nossa fé em Cristo, por ela simbolizada, entrou em crise.
Continuamente provada pelas inúmeras tentações da vida, nossa fé sempre corre perigo de "dançar" ao sabor dos ventos do materialismo. Oportunistas que somos, confessamo-la nas situações favoráveis. Levantamo-la quando todos a levantam; escondemo-la quando há perigo de zombaria ou de perseguição por causa dela.
Há momentos de entusiasmo em que daríamos até vida por ela; há momentos em que somos até capazes de renegá-la. Em outras palavras, na hora em que tudo corre de acordo, confessamo-nos cristãos; na hora dos reveses, viramos descrentes.
Esta é a "dança" a que nossa fé está submetida. Mas aquela fé que aprende a dançar ao ritmo dos acontecimentos humanos não demonstra ter raízes profundas. Cabe-lhe aprender a permanecer firme: no meio da tempestade e no meio da bonança, na hora da derrota e na hora da vitória, perante a morte e perante a vida.
Então, o que estamos fazendo com a luz da fé que um dia nos foi entregue? A luz é para aquecer e iluminar. Com tanto frio e tanta escuridão invadindo a terra, não temos o direito de apagá-la nem de escondê-la debaixo de tampas sepulcrais.

Pe. Virgilio, ssp sobre o Evangelho deste domingo 02/02/2014