domingo, 9 de fevereiro de 2014

Chamados a ser sal e luz

A vocação cristã é ser "sal da terra" e "luz do mundo". Ser sal e luz, eis o desafio de todo discípulo de Jesus. No contexto das bem aventuranças, o cristão é chamado a ser feliz não fechado em si mesmo, mas no meio da sociedade, sendo sal e luz.
Todos sabemos a função e a importância do sal e da luz. A luz ilumina e é necessário para haver vida - sem ela não há vida sobre a face da terra; o sal tem a função de conservar os alimentos e dar-lhes sabor e gosto. No batismo recebemos a vela acesa, símbolo de Cristo ressuscitado que ilumina o fiel, e em muitos lugares ainda se usa o sal no rito batismal.
O sal e a luz se revelam no cristão quando ele produz boas ações, levando as pessoas a louvar o Pai do céu. Não podemos ser cristão pela metade, apenas de nome, mas sê-lo com as obras e a vivência. A sociedade não se contenta apenas com belas palavras, ela quer ver fatos e gestos concretos. O caminho para isso é a vivência das bem-aventuranças.
Na prática, o evangelho deste domingo nos apresenta algumas características do testemunho cristão: visibilidade - a luz deve brilhar no meio da comunidade, não ficar escondida; universalidade - Cristo inicia sua missão pelos últimos, mas busca a todos; consistência - não apenas palavras, mas ações concretas; transparências - boas obras que levem as pessoas a louvar o Pai celeste.
O cristão é, pois, chamado a proporcionar vida e otimismo à comunidade, brilhando como luz; dar sentido e sabor à vida, sendo sal em seu meio. O papa insiste que a comunidade cristã não existe para si mesma; a Igreja precisa sair de si para não tornar-se uma ONG. Disse ele: "Quero que a Igreja saia ás ruas". Propondo-se como luz e esperança diante dos problemas e desafios, ela "deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e do todo homem" (Papa Francisco). Com as autoridades e com a sociedade, é chamada a colaborar para a construção de uma sociedade justa, igualitária e solidária.

Pe. Nilo Luza sobre o evangelho deste domingo 09/02/2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O erro da opinião pessoal protestante

1. O erro da opinião pessoal protestante

Porque existem atualmente mais de 35.000 diferentes seitas protestantes no mundo?

A resposta está na Sagrada Escritura:

"Não fareis nesse lugar o que nós fazemos hoje aqui, onde cada um faz o que bem lhe parece" (Deuteronomio 12,8).

Um versiculo ignorado pelos protestantes, visto que fazem estas coisas.

"Naquele tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que lhe parecia melhor" (Juizes 17,6; 21,25).

Este versículo é uma fotografia dos protestantes.

"Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus" (2Pedro 1,20-21).

Ignorado pelos protestantes.

"Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus EM TODA A VERDADE, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens" (Mateus 22,16; Marcos 12,14).
Ignorado pelos protestantes.

"Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, QUEM É O FILHO DO HOMEM? Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes Jesus: E VÓS QUEM DIZEIS QUE EU SOU? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! Jesus então lhe disse: FELIZ ÉS, SIMÃO, FILHO DE JONAS, PORQUE NÃO FOI A CARNE NEM O SANGUE QUE TE REVELOU ISTO, MAS MEU PAI QUE ESTÁS NOS CÉUS. E EU TE DECLARO: TU ÉS PEDRO, E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA; AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA. EU TE DAREI AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS: TUDO O QUE LIGARDES NA TERRA SERÁ LIGADO NOS CÉUS, E TUDO O QUE DESLIGARDES NA TERRA SERÁ DESLIGADO NOS CÉUS" (Mateus 16,13-19).

Os versículos anteriores são um exemplo primordial das opiniões pessoais em contraste com a verdade doutrinal.

Nos versiculos acima, de 14 a 17, nenhum discípulo, exceto um, teve algo a dizer fora de suas opiniões pessoais (como vimos no vers. 14: "uns", "outros" e no versiculo 17 "carne e sangue"); TODOS ELES ESTAVAM EQUIVOCADOS exceto um: Simão Pedro.
Simão Pedro foi o único que recebeu esta revelação de Deus e, ao fazê-lo, foi o único que expressou a verdade, outorgada pela autoridade de Deus. Posto que Deus nunca muda, quem teria a ousadia de ser tão audaz e negar que Deus faz o mesmo hoje como fez antes, legando a Seu representante autorizado na terra, a totalidade da verdade doutrinal?

"Porque Deus há de ser reconhecido como veraz, e todo homem como mentiroso (...)" (Romanos 3,4).

Agora que sabemos o que diz a Sagrada Escritura, o que fazem os protestantes a respeito?

Dizem seguir a Escritura ao pé da letra e todo o Protestantismo está baseado somente em opiniões pessoais, não na verdade doutrinal. "Que se sinta bem é o que importa", dizem eles. E aonde leva uma atitude como esta, senão a opiniões diferentes, disputas e, finalmente, a uma separação sem fim do Corpo de Cristo? Voltemos e revisemos os versículos anteriores.

Deus não se interessa por opiniões pessoais de ninguém, senão daqueles que falam a verdade de Sua Doutrina.

Os protestantes atacam a Igreja catolica dizendo que NÃO SE NECESSITA DE UM PAPA. Pois bem, deveríamos primeiro observar seu próprio jardim, já que cada protestante atua como se fosse o próprio papa. Existem milhões de papas em todo o Protestantismo, e todos correm de um lugar para o outro, proclamando como verdadeira a sua opinião pessoal a respeito de sua interpretação da Sagrada Escritura. Realmente será correto que exista milhões de verdades? Tenho entendido que a Sagrada Escritura diz ter somente uma verdade.

Martinho Lutero, o fundador do Protestantismo, depois de haver observado o dano causado pela interpretação individual da Escritura em seu movimento, se lamentou dizendo o seguinte:
 
 
"Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos; há quem admita outro mundo entre este e o juízo final, quem ensina que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros aquilo, em breve serão tantas as seitas e tantas as religiões quantas são as cabeças" (Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547 ; De Wett III, 61).

"Nenhum camponês é tão rude como quando sonha e fantasia que foi inspirado pelo Espirito Santo e deve ser profeta" (De Wette III, 61. dicho en O'Hare, Los hechos de Lutero, 208)

"Homens, cidadãos, camponeses, todos as classes entendem o Evangelho melhor que eu ou São Paulo; agora são sábios e se pensam mais inspirados que todos os ministros" (Walch XIV, 1360. dicho en O'Hare, Ibid, 209).

Então, o que fazer?

As Escrituras anunciam com vento em popa e instrui explicitamente sobre o que fazer e o que não fazer:

- DETENHA-SE "antes de tirar suas próprias conclusões";

- DETENHA-SE antes de aceitar a mentalidade de que "se me sinto bem, então há de ser a verdade."

- CUIDADO com a incessante e destrutiva interpretação individual da Sagrada Escritura, pois a mesma o proíbe.

- OBEDEÇA ao que a Sagrada Escritura te admoesta fazer.
Então como podem voltar a verdade doutrinal, como Deus ordena a todos?

A verdade é uma e é uma pessoa; só existe uma verdade. Para ter uma verdade, é necessário somente uma autoridade. A mesma e UNICA autoridade dada somente a Simão Pedro.

Por acaso, o Espirito Santo está sugerindo a milhões de protestantes, que interpretem a Escritura individualmente e com tantos pontos de vistas opostos?

Esta pergunta nos conduz ao seguinte tema: O ERRO DE QUE O "ESPIRITO SANTO ME DISSE".
 
FONTE: recebido por e-mail

 

21º Erro Protestante - O erro protestante da arrogância

Arrogância:

1. É ter um orgulho dominante, altivez, soberba, desprezo pelos outros.
2. É ter uma atitude superior, fazendo as pessoas se sentirem inferiores.
3. É mostrar uma atitude rebelde e desobediente diante da autoridade.

Este comportamento é comumente exibido por muitas (mas não todas) seitas protestantes.

O oposto da arrogância é a humildade. O oposto da desobediência é a obediência. Por favor, alguém poderia me mostrar o versículo em que Jesus nos ensina a ser arrogantes e não humildes? Por favor, mostre-me onde ensina a desobediência em lugar da obediência...

Ele foi obediente e humilde através dos Evangelhos. Então não devemos imitá-lo?

Ele foi obediente e mostrou humildade à sua Mãe Maria e a São José, depois de ter sido encontrado no Templo (Lucas 2,51); e à sua mãe em Caná (João 2,3-10). Somente imaginemos: aqui está o Criador do Universo, em humilde obediência a uma criatura que Ele mesmo havia criado. Obedeceu a Pilatos, a Herodes, ao regime romano (Marcos 12,17), inclusive a Sua morte na cruz.

- "O maior dentre vós será vosso servo. Aquele que se exaltar será humilhado e aquele que se humilhar será exaltado" (Mateus 23,11-12). - "Semelhantemente, vós outros que sois mais jovens, sede submissos aos anciãos. Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno" (1Pedro 5,5-6).

Mais dois versículos ignorados pelos protestantes.

Para aqueles protestantes que se auto-enaltecem devido a uma arrogância imitigada, como podem justificar suas ações frente ao que Jesus Cristo estabeleceu como exemplo para seguirmos?

Onde está a humildade no protestante ao invés da arrogância?

Onde está a obediência ao invés da desobediência? Martinho Lutero foi obediente? Foi humilde?

 
FONTE: recebido por e-mail

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Todo prazer é mau?

Tomás responde: Todo prazer é mau?
 

Parece que todo o prazer é mau:
1. Com efeito, o que destrói a prudência e impede o uso da razão parece ser mal em si, porque o bem do homem consiste “em ser segundo a razão”, como diz Dionísio. Ora, o prazer corrompe a prudência, impede o uso da razão; e tanto mais quanto maiores são os prazeres. Assim que “no prazer sexual”, que é o maior de todos, “é impossível conhecer algo”, diz o livro VII da Ética. E Jerônimo escreve também que “no momento do ato conjugal não se dá a presença do Espírito Santo, mesmo que se trate de um profeta que cumpre seu dever de procriar”. Portanto, o prazer é mau em si; logo todo prazer é mau.
2. Além disso, o que o homem virtuoso evita, e o homem sem virtude procura, parece ser mau em si e que deve ser evitado, pois segundo o livro X da Ética, “o homem virtuoso é como a medida e a regra dos atos humanos” e o Apóstolo diz na primeira Carta aos Coríntios: “O homem espiritual julga tudo”. Ora, as crianças e os animais irracionais, nos quais não há virtude, buscam os prazeres, enquanto o moderado os rejeita. Logo, os prazeres são maus em si e devem ser evitados.
3. Ademais, “A virtude e a arte se referem ao que é difícil e bom”, diz-se no livro II da Ética. Ora, arte alguma é ordenada ao prazer. Logo, o prazer não é algo bom.
EM SENTIDO CONTRÁRIO, está dito no Salmo 37: “Deleita-te no Senhor”. Como a autoridade divina não induz a nenhum mal, parece que nem todo prazer é mau.
Como diz o livro X da Ética, alguns afirmaram que todos os prazeres eram maus. A razão disso parece ser que tinham em mente apenas os prazeres sensíveis e corporais que são mais manifestos; pois os antigos filósofos, nos demais inteligíveis sensíveis, não distinguiam o intelecto dos sentidos, como diz o livro da Alma. Ora, eles julgavam que todos os prazeres corporais deviam ser declarados maus, para que os homens, que são inclinados a prazeres imoderados, afastando-se dos prazeres, chegassem ao justo meio da virtude. Mas essa apreciação não era conveniente. Como ninguém pode viver sem algum prazer sensível e corporal, se aqueles que ensinavam que todos os prazeres são maus fossem flagrados desfrutando de algum prazer, os homens seriam levados mais ainda ao prazer pelo exemplo de seu comportamento, deixando de lado a doutrina de suas palavras. Com efeito, quando se trata de ações e paixões humanas, em que a experiência vale mais que tudo, os exemplos movem mais que as palavras.
Há que dizer que alguns prazeres são bons, e outros, maus. Pois o prazer é o repouso da potência apetitiva em um bem amado, e é consecutivo a uma ação. Podem-se dar duas razões para essa asserção:
1. Da parte do bem em que se repousa no prazer. Do ponto de vista moral, o bem e o mal se determinam conforme a concordância ou discordância com a razão, como acima se disse (q.18, a.5). Assim é no mundo da natureza, no qual uma coisa se chama natural por ser conforme à natureza, e não natural o que não é conforme com a natureza. Há, pois, nas coisas da natureza um repouso natural que convém à natureza, como quando um corpo pesado encontra seu repouso em baixo. E um repouso não natural, que repugna à natureza, como um corpo pesado repousando no alto. Do mesmo modo, nas coisas morais há um prazer que é bom, pelo fato de que o apetite superior ou inferior repousa no que convém à razão; e um prazer mau, pelo fato de repousar no que está em desacordo com a razão, e com a lei de Deus.
2. Da parte da ações; algumas delas são boas, outras são más. Ora os prazeres têm mais afinidades com as ações, que estão em conjunção com eles, do que com o desejo, que os precede no tempo. Por isso, já que os desejos das boas ações são bons, e os desejos das más ações são maus, com mais razão ainda os prazeres das boas ações são bons, e os das más ações, maus.
Quanto às objeções iniciais, portanto, deve-se dizer que:
1. Como acima foi dito (q.33, a.3), os prazeres que são do ato da razão, não impedem a razão, nem corrompem a prudência, como fazem os prazeres estranhos tais como os corporais. Esses, de fato, impedem o uso da razão, como acima foi dito, pela contrariedade do apetite que repousa no que repugna à razão, se tem o prazer que é moralmente mau. Ou por um empecilho da razão, por exemplo, o prazer do ato conjugal, embora se dê em algo que está conforme à razão, impede o exercício dela, por causa da mudança corporal que o acompanha. Mas, nem por isso segue-se uma malícia moral, como no sono, que impede o exercício da razão, e não é moralmente mau, se for tomado de acordo com a razão: pois a própria razão tem como próprio que o seu uso seja interrompido de vez em quando. Dizemos, porém, que esse empecilho da razão pelo prazer no ato conjugal, embora não possua malícia moral, pois nem é pecado mortal nem venial, provém, contudo, de certa malícia moral, a saber, do pecado do primeiro pai: pois isso não existia no estado de inocência, como está claro pelo que foi dito na I Parte.
2. O homem moderado não evita todos os prazeres, mas só os imoderados e que não convém à razão. O fato de que as crianças e os animais irracionais procuram os prazeres, não prova que sejam estes universalmente maus, porque há neles um apetite natural que vem de Deus e os dirige para o que lhes convém.
3. A arte não se refere a todos os bens, mas às obras exteriores, como adiante se dirá (q.57, a.3). Quanto às ações e paixões que estão em nós, têm mais a ver com a prudência e a virtude do que com a arte. Existe, porém, alguma arte que produz prazer, a saber, a do cozinheiro e a do perfumista, como diz o livro VII da Ética.
Suma Teológica I-II, q. 34, a.1
Fonte: http://sumateologica.wordpress.com/2011/09/27/tomas-responde-todo-prazer-e-mau/

A dignidade do sacerdote

 


"Porque se alguém procurasse considerar o que é um homem ainda envolto na carne e no sangue, ter o poder de se aproximar daquela feliz e imortal natureza, veria então quão grande é a honra que a graça do Espírito Santo concedeu aos sacerdotes. Pois por meio desses se exercem essas coisas e outras também nada inferiores, que dizem respeito à nossa dignidade e a nossa salvação.
A eles que habitam nessa terra e fazem nela sua morada, foi dado o encargo de administrar as coisas celestiais e receberam um poder que Deus não concedeu nem mesmo aos anjos e arcanjos, pois não foram a esses que foi dito: "Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no Céu e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no Céu" (Mt18,18). Os que dominam nesse mundo possuem também o poder de atar, porém somente os corpos; mas a atadura de que falamos, diz respeito à própria alma e penetra os Céus; e as coisas que aqui na terra, o fazem os sacerdotes, Deus as ratifica lá nos Céus confirmando a sentença de seus servos.
Afinal o que mais lhes foi dado, senão todo o poder celestial? "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo. 20,23). Que poder maior do que esse alguém poderia receber? O Pai entregou ao Filho todo o poder, porém vejo que todo esse poder o Filho colocou nas mãos dos sacerdotes. É como se já tivessem sido trasladados aos Céus e erguendo-se sobre a natureza humana, livres de nossas paixões, tivessem sido elevados a tão grande poder.
Imagine se um rei proporcionasse tal honra a um de seus súditos, o qual por sua vontade encarcerasse, ou pelo contrário, livrasse das prisões a quem bem entendesse, será que esse não seria visto como um fortunado e respeitado por todos? E aquele que recebeu de Deus um poder infinitamente maior, mais precioso ao Céu do que à terra, mais precioso à alma do que ao corpo, será que para alguns tal honra possa parecer algo tão insignificante que não mereça consideração ou que se possa depreciar o benefício? Longe de nós tal loucura!
De fato, seria sem dúvida uma grande loucura depreciar uma dignidade tão grande, sem a qual não podemos obter nem a salvação, nem os bens que nos foram propostos, porque ninguém pode entrar no Reino dos Céus se não for regenerado pela água e pelo espírito (Jo. 3,5). E aquele que não come a carne do Senhor e não bebe seu sangue, está excluído da vida eterna. Nenhuma dessas coisas se faz pelas mãos de qualquer outro, senão por aquelas santas mãos do sacerdote. Como poderá pois alguém, sem o auxílio desses, escapar do fogo do Inferno ou chegar à conquista das coroas que lhes estão reservadas?
Esses pois são a quem foram confiados os partos espirituais e encomendados os filhos que nascem pelo Batismo. Através desses, nos revestimos de Cristo e nos unimos ao Filho de Deus tornando-nos membros daquela bem-aventurada Cabeça, de forma que para nós, com justiça eles devem ser respeitados não apenas mais do que os poderosos e reis, mas até mesmo mais do que nossos próprios pais, porque esses nos geraram pelo sangue e pela vontade da carne, enquanto os sacerdotes são os autores do nosso nascimento para Deus, para aquela ditosa geração da verdadeira liberdade e da adoção de filhos segundo a graça."
 
São João Crisóstomo
 

A rotina de São João Maria Vianney, o Cura D'Ars


“À uma da manhã em ponto, faz a sua oração na igreja.
Confessa as mulheres até às seis.
Às seis, celebra a sua Missa.
A seguir, faz a sua ação de graças.
Depois fica à disposição dos fiéis para abençoar-lhes as imagens e dar-lhes conselhos.
Por volta das oito, ele se permite, a instâncias das moças da “Providência”, ir lá tomar, do outro lado da praça, meio copo de leite sem pão.
Como também elas precisam de conselhos, distribui-os generosamente.
Às oito e meia, está de volta e atende os homens na sacristia.
Às dez, interrompe-se e vai render a sua homenagem a Deus recitando as suas horas menores.
E depois confessa mais um pouco.
Às onze, volta à “Providência” para ensinar o catecismo às crianças, às suas órfãs especialmente, e também a muitos adultos.
Ao meio dia, reza o “Angelus” e retorna à casa paroquial para almoçar.
Atravessar a praça leva cerca de um quarto de hora, porque a multidão se comprime à sua volta; é preciso continuar a aconselhar e a abençoar.
Almoça de pé, rapidamente, muitas vezes enquanto fala, pois os paroquianos mais próximos se aproveitam das refeições para confiar-lhe as suas misérias.
Ainda assim, já ao meio-dia e meia tem de visitar os seus enfermos, sempre escoltado pela multidão que não se cansa de interroga-lo.
Assim que volta à igreja, mergulha no seu breviário, a tempo de ler as vésperas e as completas.
Mal fecha o livro, retorna ao confessionário.
As mulheres o retêm ali até às cinco.
Passa aos homens, que o retêm até às oito.
Enfim, sobe ao púlpito para recitar a oração vespertina e o terço da Imaculada Conceição.
Depois deste longo e penoso trabalho, imaginamos que vá jantar e depois dormir?
Não. Nem sempre consegue jantar; é preciso que receba em sua casa umas quantas almas delicadas, difíceis de convencer ou de dirigir.
Também tem de terminar o seu breviário: matinas e laudes, a parte mais longa.
Com isso chegamos às dez horas da noite.
Não é raro, também, que retorne à igreja a fim de confessar mais um pouco, e que de lá não volte senão depois da meia-noite.
Depois deita-se.
Mas a noite será curta: a nova jornada, como a anterior, começa bem antes do nascer do sol.
Façamos as contas. O Pe.Vianney trabalha pelo menos vinte horas. Quinze ou dezesseis, no mínimo, transcorrem ouvindo confissões, tanto na capela de São João Batista, dentro do confessionário onde atende as penitentes, quanto na sede de madeira dura da sacristia, onde recebe os penitentes.
Terá tido duas horas a sós com Deus?
Mas ele está sempre com Deus.
Este regime há de durar trinta anos”
 
"O Cura d’Ars”. Gheon, Henri - Ed. Quadrante, 1998