sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Meditação de Santo Afonso de Ligório sobre a finalidade do homem



“Considera, ó alma, que teu ser foi dado por Deus, que te criou à sua imagem, sem teres mérito algum. Adotou-te como filho através do batismo, amou-te mais que um Pai, criando-te para que o amasses e o servisses nesta vida para gozá-Lo, depois, no Paraíso. Não nasceste, pois, nem deves viver para te satisfazeres, para tornar-te rico e poderoso, para comer, para beber e dormir, como fazem os brutos, mas somente para amar teu Deus e para que te salves eternamente. As coisas criadas foram-te dadas para que te ajudassem a alcançar o grande fim. “Ai de mim, infeliz, que em tudo pensei, menos no meu fim! Pai meu, por amor de Jesus, fazei que eu comece uma vida nova, toda ela santa e em conformidade com a vossa vontade divina”.
Considera quais terríveis remorsos, pois, sentirás na hora da morte, se agora não te aplicares em servir a Deus. Que pesar quando, no termo da vida, perceberes que não te resta senão um punhado de moscas de todas as tuas riquezas, grandezas, glórias e prazeres! Ficarás atônito ao ver como, por vaidade e ninharias, perdeste tua alma e a graça de Deus, sem que possas refazer o mal feito; nem terás tempo para tomar o bom caminho. Ó desespero! Ó tormento! Verás então o quanto vale o tempo, mas será tarde. Gostarias de comprá-lo com teu sangue, mas não poderás.
Ó dia amargo para quem não serviu nem amou a Deus.
Considera o quanto se descura este grande fim. Pensa-se em acumular riquezas, em banquetear-se, em festejar, em viver à toa: E não se serve a Deus, e não se pensa na salvação da alma e o fim eterno. Estima-se com nada. E assim, a maior parte dos cristãos, banqueteando, cantando, tocando, vão para o inferno. Ah! se eles soubessem o que significa o inferno! Ó homem, te fadigas tanto para danar-te e nada queres fazer para salvar-te...Enquanto morria, um secretário de Francisco, Rei da Inglaterra, dizia: “Mísero de mim! Gastei tanto papel escrevendo cartas para meu príncipe e não gastei nem uma folha para lembrar-me de meus pecados e fazer, assim, uma boa confissão!” Filipe II, Rei da Espanha, dizia ao morrer: “Oh, tivesse eu ido ao deserto servir a Deus e jamais tivesse sido Rei!” Mas para que servem estes suspiros, estes lamentos? Servem para aumentar o desespero. Aprende, à custa de outros, a viver, se não queres cair no mesmo desespero. Fora do gosto de Deus, tudo está perdido. Vamos logo, é tempo de mudar de vida. Queres esperar a morte chegar? Às portas da eternidade, sobre a boca do inferno, quando não mais existe a chance de emendar o erro? “Deus meu, perdoa-me. Eu te amo acima de tudo. Arrependo-me de ofender-vos”.

“Maria, esperança minha, roga a Jesus por mim”.”

Tradução de Pier Giorgio Citeroni
http://speminaliumnunquam.blogspot.com.br/2012/07/meditacao-de-santo-afonso-de-ligorio.html

Santo Afonso Maria de Ligório

Quando contemplamos um céu estrelado, extasiamo-nos com as miríades de astros a cintilarem nas etéreas vastidões. Entretanto, outra constelação há, ainda mais bela e reluzente que a fixada no firmamento: são os Santos da Igreja Católica, fulgurantes exemplos para todos os fiéis. Um desses  grandes luminares do cristianismo é Santo Afonso Maria de Ligório.
No dia 1º de agosto se comemora a festa de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja. Fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, é o tratadista por excelência da moral católica, e se destacou por sua profunda devoção a NossaSanto Afonso Maria de Ligório.jpgSenhora, em louvor da qual escreveu uma de suas mais belas obras, as Glórias de Maria. Dele temos essa síntese biográfica, escrita por Dom Guéranger:
Afonso Maria de Ligório nasceu de pais nobres, em Nápoles, a 27 de setembro de 1696. Sua juventude foi piedosa, estudiosa e caritativa. Aos 17 anos ele era doutor em direito civil e canônico. E começava pouco depois uma brilhante carreira de advogado. Mas nem seu sucesso, nem as instâncias de seu pai, que o queria casado, o impediram de deixar o mundo. Diante do altar de Nossa Senhora, fez o voto de se tornar sacerdote. Ordenado padre em 1726, consagrou-se à pregação. Em 1729, uma epidemia permitiu-lhe que se dedicasse aos doentes em Nápoles. Pouco depois retirou-se, com companheiros, a Santa Maria dos Montes, e com eles se preparou para a evangelização dos campos.
Em 1732, estabeleceu a Congregação do Santíssimo Redentor, que lhe deveria acarretar numerosas dificuldades e perseguições. Mas enfim os postulantes afluíram e o instituto se expandiu rapidamente. Em 1762 foi nomeado Bispo de Santa Ágata dos Godos, perto de Nápoles. Empreendeu ato contínuo a visita à sua diocese, pregando em todas as paróquias e reformando o clero. Ele continuava a dirigir seu Instituto e o das religiosas que tinha fundado para servir de apoio, por sua oração contemplativa, a seus filhos missionários.
Em 1765, demitiu-se do ministério episcopal e voltou a viver entre seus filhos. Dentro em pouco uma cisão se produziu no Instituto dos Redentoristas, e Santo Afonso se viu expulso de sua própria família religiosa. A provação foi muito grande, mas ele não perdeu a coragem e predisse mesmo que a unidade se restabeleceria depois de sua morte. Às suas doenças se acrescentaram sofrimentos morais que lhe causaram longas crises de escrúpulos e diversas tentações. Porém, seu amor a Deus não fez senão crescer.
Enfim, no dia 1º de agosto de 1787, entregou sua alma ao Senhor, na hora em que os sinos tocavam o Ângelus. Gregório XVI o inscreveu no catálogo dos Santos em 1839, e Pio IX o declarou Doutor da Igreja.
No meio de uma situação eminente, o túnel escuro
Pela descrição acima, percebe-se que a trajetória terrena de Santo Afonso teve um determinado momento comparável a um túnel escuro, por onde ele foi obrigado a passar. Não se trata de uma provação ou sofrimento, mas de uma espécie de desengano pelo qual tudo quanto ele podia humanamente considerar como dando significado à sua vida, parecia ruir. Ele se tornava privado de qualquer dom, vantagem ou bem que não fosse a pura graça de Deus, atuando de um modo provavelmente insensível no interior de sua alma.
Era um advogado brilhante, dotado de invulgar inteligência, nascido de família nobre, que abandonou uma situação humana auspiciosa e capaz de lhe favorecer a carreira e as ambições, para se dedicar apenas ao sacerdócio. Num passo seguinte, constitui uma congregação religiosa. Esse instituto floresce, e seu fundador se torna um homem bem visto pela Santa Sé. Escreve ótimos livros, difundidos por toda a Europa, e é aclamado como um mestre de grande peso na vida intelectual católica de seu tempo. Pouco depois é elevado ao episcopado.
Sem dúvida, uma situação eminente, com todos os aspectos de uma vocação bem sucedida: como padre, se fez religioso; como religioso, fundador e superior geral; além disso, com a honra do episcopado, percebendo que o bom odor de sua doutrina perfumava a Europa inteira. Dir-se-ia, pois, que os anseios pelos quais se ordenara haviam se realizado, e a sua vida tinha atingido o objetivo desejado pela Providência. Nesse apogeu, ele poderia morrer e dizer a Deus, parafraseando São Paulo: "Combati o bom combate, dai-me agora o prêmio de vossa glória!"
Ora, no momento em que tudo isso parecia alcançado, uma catástrofe. Bispo resignatário, doutor e moralista, superior geral da congregação religiosa que fundara, Santo Afonso é dela expulso por causa de intrigas, mal entendidos e informações erradas. Imagine-se o que representa para um fundador, ser despedido de sua instituição pela Santa Sé, vendo-se de um momento para outro sem recursos e sem meios de subsistência!
Destino das almas amadas pela Providência
Acrescente-se a esse revés outra provação: começam a lhe atormentar as doenças, que o acometeram até o fim da vida. Entre elas, uma febre reumática que o paralisou por certo tempo e lhe afetou a posição do pescoço, impedindo-o de permanecer ereto. Passou a viver com a cabeça inclinada, atitude esta refletida em alguns retratos que dele fizeram. Além das enAparicao de Nossa Senhora a Santo Afonso Maria de Ligorio.jpgfermidades, sobrevieram escrúpulos, tentações fortíssimas, inclusive contra a pureza e contra a Fé. Tudo se acumulando num homem alquebrado dessa forma.
Porém, era este exatamente o prêmio máximo para coroar a sua existência. Era a crucifixão depois de um longo apostolado e uma incansável ação em benefício do próximo.
Assim age, o mais das vezes, a Providência em relação às almas que Ela ama. São certas situações em que todos os infortúnios se congregam e há uma espécie de crepúsculo geral. Depois, a alma purificada, lavada pelo sofrimento, volta a gozar da graça de Deus. Então ela respira, sente-se outra, transformada.
Naturalmente, essa foi a última nota da santificação, o derradeiro esforço que Nosso Senhor exigiu de Santo Afonso de Ligório.
Lutas contra o jansenismo
Cumpre dizer que grande parte das perseguições sofridas por Santo Afonso foram motivadas pelo jansenismo que grassava no seu tempo, e ao qual ele se opunha com zelo e vigor intensos.
A corrente jansenista, a pretexto de severidade, acabava inculcando os preceitos morais tão erradamente que a pessoa desanimava de se salvar, pois afinal de contas não podia cumprir aquela moral de fariseus, como eles a apresentavam.
O ponto mais desconcertante defendido pelo jansenismo dizia respeito à doutrina da predestinação. Segundo esta, o homem deveria cumprir aquela moral tremendamente severa, pairando sobre ele o olhar propenso à irritação e à vingança de um Deus, cuja santidade consistia apenas em estar à espera do pecado para infligir o castigo.
De outro lado, entretanto, afirmavam os jansenistas que o Céu e o inferno não são dados aos homens em razão de suas boas ou más obras, porque Deus predestina para este ou aquele quem entende. De maneira que a pessoa pode passar a vida inteira pecando e ir para o Céu, ou praticando bons atos e cair no inferno, conforme o desejo divino.
Ora, sendo assim, fácil é compreender como os homens perdiam completamente o alento para praticar a virtude e também o motivo para não cair no vício. Pois, em última análise, se eu acabo condenado embora passe a vida inteira realizando atos de virtude, em suma não sou livre de fazer ou não fazer algo, porque é Deus quem resolve e não eu. Então, para que me esforçar em levar uma vida santa?
No fundo, era uma pregação da imoralidade. Por causa disso, segundo muitos vislumbres históricos, os jansenistas tinham suas falsidades ocultas. Por exemplo, jejuavam amiúde, mas eram grandes gastrônomos. E uma das omeletes reputadas por mais saborosas no tempo era chamada de La Janseniste, com a qual eles se regalavam escondidos durante seus "jejuns".
Não bastassem esses desvios, os jansenistas atacavam ainda as devoções mais elevadas e recomendáveis como, por exemplo, o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Conta-se mesmo o caso de certo Bispo de Pistoia, Scipione de' Ricci, que mandou pintar em sua residência um quadro representando uma devota lançando ao fogo a estampa do Sagrado Coração de Jesus, como se fosse objeto supersticioso, enquanto ele, Ricci, segura a cruz e o cálice com a Eucaristia, símbolos da autêntica piedade (como a entendiam).
Essa recusa se explica pelo fato de a devoção ao Sagrado Coração de Jesus ser, de algum modo, o anti-jansenismo. Ela inculca a bondade, a misericórdia, a paciência do Salvador, e demonstra a verdade de que o homem, por meio de suas boas obras, pode agradar a Deus e alcançar a salvação. Manifesta, outrossim, que nosso Deus justo é repleto de amor, e não um tirano arbitrário, um implacável cobrador de impostos em relação à humanidade.
Compreende-se, portanto, que em face dessa corrente jansenista Santo Afonso Maria de Ligório tenha tomado uma posição muito enérgica nas suas obras de moral. E que haja sofrido, em conseqüência, toda sorte de ataques e perseguições de seus oponentes, chegando ao auge dos reveses e infortúnios acima mencionados.
Lição de vida para os católicos
Devemos considerar nessa existência de Santo Afonso, laboriosa, semeada de provações mas coroada pelo triunfo da virtude, uma lição de confiSanto Afonso Ligorio - Santuario Sta Catarina de Siena - Italia_.jpgança e de perseverança para todos nós. Nos piores momentos das tentações, nas dores e enfermidades, nas rudezas das perseguições, quando os seus mais próximos lhe infligiram cruéis dissabores, ele jamais desanimou, nunca flectiu no seu desejo de alcançar a santidade, crescendo em piedade e devoção à medida que avultavam os sofrimentos.
Vem a propósito recordar aqui um pequeno episódio do fim da vida dele, quando já não podia transitar por si próprio, sendo conduzido em cadeira de rodas por um irmão leigo redentorista. Então passeavam pelo convento, percorrendo os jardins e os pátios internos, enquanto faziam suas orações. Mais de uma vez aconteceu de Santo Afonso perguntar ao seu companheiro:
- Irmão, já rezamos tal Mistério do Rosário?
O bom discípulo, igualmente alquebrado pela idade, não se recordava ao certo, e respondia:
- Sr. Bispo, não me lembro muito bem, mas acredito que sim. Em todo o caso, já rezamos tantos terços, que Nossa Senhora não se importará se não tivermos contemplado tal ou tal outro Mistério...
E Santo Afonso replicava: - Oh! Meu caro Irmão, isso não! Se eu passar um dia sem recitar o Rosário completo, posso perder a minha alma!
Essa é a constância, a coragem, o ânimo perseverante de um Santo sobre o qual se abateram todas as tempestades. Ora, o que se deu com ele, pode suceder na vida de qualquer um de nós. Quantas vezes já não teremos passado por aflições e reveses semelhantes aos que atormentaram Santo Afonso?! E, não raro, trazendo consigo a impressão de um desabamento, de algo que ruiu por terra, de um caminho intransponível.
Entretanto, após um período curto ou longo de agruras, surge mais luz, mais amparo, outras vitórias, outras alegrias. E assim, com sucessões de túneis e de estradas largas, Nossa Senhora vai nos conduzindo para realizarmos os desígnios d'Ela e de seu Divino Filho a nosso respeito.
Imitemos, pois, Santo Afonso na sua perseverança, na sua confiança humilde e profunda, compreendendo que em nossa vida espiritual haveremos de nos deparar com túneis escuros, sem termos de nos aterrorizar com eles. Para além dessa escuridão, a Providência nos traça uma via ainda mais luminosa e mais bela que a anterior.
Essas são algumas reflexões que nos sugerem a extraordinária e edificante existência de Santo Afonso de Ligório.
Fonte: http://santossegundojoaocladias.blogspot.com/2011/06/santo-afonso-maria-de-ligorio-um-modelo.html

Santo Afonso Maria de Ligório

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Inácio, o Peregrino de Deus




Conheça a história de Santo Inácio de Loyola, fundador da ordem dos Jesuítas e patrono dos Exercícios Espirituais, narrada por ele mesmo, com comentários do Pe. Adelson Araújo Santos SJ, especialista em espiritualidade inaciana. Este documentário toma como fonte as palavras do próprio santo, encontradas em sua Autobiografia. Percorrendo os principais lugares onde viveu Inácio, Pe. Adelson apresenta os fatos marcantes da vida do Peregrino e de seus primeiros companheiros, que com ele fundaram a Companhia de Jesus. Ao morrer em 31 de julho de 1556, Santo Inácio deixou como legado para a Igreja e a humanidade um método de oração que tem ajudado até hoje a milhares de pessoas a encontrarem Deus em todas as coisas e a em tudo amar e servir. Além disso, como pai espiritual dos jesuítas, ele também inspirou e continua inspirando a vida religiosa a ser cada vez mais missionária e apostólica, abrindo-se para as novas fronteiras e tornando o mundo inteiro a sua casa.

Santo Inácio de Loyola - Filme

Quando o mundo quer te afastar de Deus: conselhos de São Francisco de Sales

“Assim que a tua devoção se for tornando conhecida no mundo, maledicências e adulações te causarão sérias dificuldades de praticá-la.”
Os libertinos tomarão a tua mudança por um artifício de hipocrisia e dirão que alguma desilusão sofrida no mundo te levou por pirraça a recorrer a Deus.
Os teus amigos, por sua vez, se apressarão a te dar avisos que supõem ser caridosos e prudentes sobre a melancolia da devoção, sobre a perda do teu bom nome no mundo, sobre o estado de tua saúde, sobre a necessidade de viver no mundo conformando-se aos outros e, sobretudo, sobre os meios que temos para salvar-nos sem tantos mistérios.
Tudo isso são loucas e vãs palavras do mundo e, na verdade, essas pessoas não têm um cuidado verdadeiro de teus negócios e de tua saúde:
Se vós fôsseis do mundo, diz Nosso Senhor, amaria o mundo o que era seu; mas, como não sois do mundo, por isso ele vos aborrece.
Vêem-se homens e mulheres passarem noites inteiras no jogo; e haverá uma ocupação mais triste e insípida do que esta?
Entretanto, seus amigos se calam; mas, se destinamos uma hora à meditação ou se nos levantamos mais cedo, para nos prepararmos para a santa comunhão, mandam logo chamar o médico, para que nos cure desta melancolia e tristeza.
Podem-se passar trinta noites a dançar, que ninguém se queixa; mas por levantar-se na noite de Natal para a Missa do Galo, começa-se logo a tossir e a queixar de dor de cabeça no dia seguinte.
Quem não vê que o mundo é um juiz iníquo, favorável aos seus filhos, mas intransigente e severo para os filhos de Deus?
Só nos pervertendo com o mundo, poderíamos viver em paz com ele, e impossível é contentar os seus caprichos – Veio João Batista, diz o divino Salvador, o qual não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Ele está possesso do demônio. Veio o Filho do Homem, come e bebe, e dizeis que é um samaritano.
É verdade, se condescenderes com o mundo e jogares e dançares, ele se escandalizará de ti; e, se não o fizeres, serás acusado de hipocrisia e melancolia.
Se te vestires bem, ele te levará isso a mal, e, se te negligenciares, ele chamará isso baixeza de coração.
A tua alegria terá ele por dissolução e a tua mortificação por ânimo carrancudo; e, olhando-te sempre com maus olhos, jamais lhe poderás agradar.
As nossas imperfeições ele considera pecados, os nosso pecados veniais ele julga mortais, e malícias, as nossas enfermidades; de sorte que, assim como a caridade, na expressão de S. Paulo, é benigna, o mundo é maligno.
A caridade nunca pensa mal de ninguém e o mundo o pensa sempre de toda sorte de pessoas; e, não podendo acusar as nossas ações, condena ao menos nossas intenções.
Enfim, tenham os carneiros chifres ou não, sejam pretos ou brancos, o lobo sempre os há de tragar, se puder.
“O mundo sempre nos fará guerra” - São Francisco de Sales
Procedamos como quisermos, o mundo sempre nos fará guerra.
Se nos demorarmos um pouco mais no confessionário, perguntará o que temos tanto que dizer; e, se saímos depressa, comentará que não contamos tudo.
Espreitará todas as nossas ações e, por uma palavra um pouco menos branda, dirá que somos insuportáveis.
Chamará avareza o cuidado por nossos negócios, e idiotismo a nossa mansidão.
Mas, quanto aos filhos do século, sua cólera é generosidade; sua avareza, sábia economia; e suas maneiras livres, honesto passatempo.
É bem verdade que as aranhas sempre estragam o trabalho das abelhas!
Abandonemos este mundo cego; grite ele quanto quiser, como uma coruja para inquietar os passarinhos do dia.
Sejamos firmes em nossos propósitos, invariáveis em nossas resoluções e a constância mostrará que a nossa devoção é séria e sincera.
Os cometas e os planetas parecem ter o mesmo brilho; mas os cometas, que são corpos passageiros, desaparecem em breve, ao passo que os planetas brilham continuamente.
Do mesmo modo muito se parece a hipocrisia com a virtude sólida e só se distingue porque aquela não tem constância e se dissipa como a fumaça, ao passo que esta é firme e constante.
Demais, para assegurar os começos de nossa devoção, é muito bom sofrer desprezos e censuras injustas por sua causa; deste modo nós nos premunimos contra a vaidade e o orgulho, que são como as parteiras do Egito, às quais o infernal Faraó mandou matar os filhos varões dos judeus no mesmo dia de seu nascimento.
Enfim, nós estamos crucificados para o mundo e o mundo deve ser crucificado para nós. Ele nos toma por loucos; consideremo-lo como um insensato.

FONTE: defensoresdaigrejade2000anos

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Papa visita igreja pentecostal e pede perdão pela perseguição



Papa visita igreja pentecostal e pede perdão pela perseguição
“Eu sou o pastor dos católicos e peço perdão por aqueles irmãos e irmãs católicos que não compreenderam e foram tentados pelo Diabo”.

“Eu sou o pastor dos católicos e peço perdão por aqueles irmãos e irmãs católicos que não compreenderam e foram tentados pelo Diabo”.
O papa Francisco esteve nesta segunda-feira (28) visitando a Igreja Evangélica da Reconciliação em Caserta, na Itália. Esta foi a primeira vez que um líder da Igreja Católica visitou uma igreja pentecostal.


Antes de falar aos 350 fiéis evangélicos, Francisco se reuniu privadamente com o pastor Giovanni Traettino, de quem é amigo há muito tempo.

Ao iniciar seu discurso aos evangélicos, o líder católico pediu perdão pela perseguição católica durante o regime fascista na Itália (1922-1943) que impedia que os protestantes praticassem sua fé.
“Entre os que perseguiam e denunciavam pentecostais, quase como se fossem pessoas loucas tentando destruir a raça [humana], haviam também católicos”, disse Francisco.

Tomando pra si a responsabilidade de se desculpar, o papa pediu para que os pentecostais perdoassem os católicos. “Eu sou o pastor dos católicos e peço perdão por aqueles irmãos e irmãs católicos que não compreenderam e foram tentados pelo Diabo”.

Em seu discurso o papa voltou a defender a unidade entre as igrejas cristãs e afirmou que muitos se surpreenderiam com a visita dele a uma igreja evangélica, mas para ele a visita é como “visitar seus irmãos”.
“O Espírito Santo cria diversidade na igreja. A diversidade é bela, mas o próprio Espírito Santo também cria unidade, para que a igreja esteja unida na diversidade que é reconciliadora”.

Com informações G1 e Folha de SP. via Gospel Prime