quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O perdão é essencial para fazermos parte do Reino dos Céus

Perdão não é sentimento, é decisão de coração, é decisão de vontade, é decisão de cabeça! Com Jesus aprendemos que o perdão é condição essencial para fazermos parte do Reino dos Céus.
Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” Jesus respondeu: ‘Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete’” (Mateus 18, 21-22).
O tema do perdão acaba sendo muito controverso para nós e para a nossa mentalidade, porque, humanamente falando, quem é que dá conta de perdoar tantas vezes? Quem é que vai perdoar a pessoa sete ou setenta vezes sete num dia só? Alguém pode até dizer: Padre, mas eu não sou bobo! Não tenho sangue de barata; de verdade, eu não dou conta!”.
E novamente volto a perguntar: Quem é que consegue perdoar tantas vezes de forma tão intensa senão Deus? Para compreendermos qual é o verdadeiro sentido do perdão,  precisamos mergulhar no perdão de Deus, porque todos nós necessitamos muito do perdão divino. E de que forma Deus nos perdoa? O perdão de Deus é sem limites, sem cálculos e sem exigências. O perdão de Deus é real, é profundo, vai até o fundo da nossa alma e do nosso coração.
Se queremos aprender a perdoar, precisamos primeiro assumir o perdão de Deus em nossa vida, mergulhar no perdão divino, deixar que este inebrie a nossa alma, inebrie o nosso coração e nos envolva em sua totalidade. Quando experimentamos, verdadeiramente, o perdão de Deus em nossa vida e somos movidos por ele [este perdão], então saberemos o que é perdoar. Desse modo o perdão não será apenas um perdão humano, mas um perdão divino.
Nem eu nem você somos deuses, mas nós experimentamos Deus em nossa vida e Ele faz parte dela. É Ele quem nos ensina, nos dá a força, a coragem e a luz necessárias para que o perdão aconteça em nossa vida.
Perdão não é sentimento, é decisão de coração, é decisão de vontade, é decisão de cabeça! Precisamos querer perdoar, precisamos decidir perdoar! Quando fazemos a decisão pelo perdão não fazemos a decisão de ser “bonzinhos” para com os outros, fazemos uma decisão pela paz, pela saúde, fazemos uma decisão pelo nosso coração. Fazemos uma decisão pela libertação dos conflitos e dos traumas que o rancor, o ressentimento e a raiva geram dentro de nós.
O primeiro beneficiado pelo perdão somos nós mesmos! Perdoar não é fácil, não é simples, mas se mergulharmos no perdão de Deus, o perdão d’Ele nos dará força, luz e direção para que essa graça [o perdão] seja uma praxe em nossa vida. Os seguidores de Jesus aprendem com Seu Mestre que o perdão é condição essencial para fazermos parte do Reino dos Céus.
Deus abençoe você!
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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O câncer da cultura light

Somos bombardeados por uma mentalidade que nos convida à ausência de transcendência, a não pensar, a não "complicar" a existência.



O mundo contemporâneo é bombardeado pelas diversas ideologias que o incitam a viver de maneira despreocupada, ou seja, mergulhar em uma dimensão na qual tudo se apresenta de maneira leve: comida, bebida, guloseimas etc.

Com esta série de produtos "light", a vida, a convivência social, as funções no trabalho e inclusive as diversões são realizadas sem esforço. Em outras palavras, é o convite à ausência de transcendência, a não pensar, a não "complicar" a existência.

Este tipo de mentalidade tem uma origem específica, já que, há algum tempo, os poderosos deste mundo fizeram muitos jovens acreditarem que, para alcançar a felicidade, só era preciso possuir riquezas e desfrutar dos prazeres oferecidos por uma vida sem complicações, elevando o egoísmo e promovendo leis antimorais que aparentemente oferecem reconhecimento e status.

Esta cultura – se é que podemos chamá-la assim – teve seu auge no comportamento de muitos jovens cujo estilo de vida inclusive foi chamado de "cultura light", já que, como um câncer, esta se infiltrou na personalidade de muitos, que optaram por um individualismo exagerado, busca imediata de satisfação, desprezo do próximo, superficialidade de pensamento, falta de compromisso social e até humano, banalidade e frivolidade, como observa Marcelo Colussi.

Este câncer, que ataca cruelmente o coração de tantos jovens, faz com que vivam em um completo sem-sentido, deixando-se levar pelo mais fácil e cômodo, sem buscar um "porquê" ou "para quê" na vida.

Outro slogan desta cultura é o "faça o que você quiser", uma frase que desemboca em uma libertinagem que asfixia a esperança e se projeta no niilismo, ou seja, no nada. Trata-se de um "não se preocupe com nada", "nada vale a pena", "nada tem sentido", tantas ideias que só conduzem à morte dos ideais e da transcendência.

Esta "onda light" já dominou vários ambientes da sociedade, tornando-se uma subjetividade na qual tudo é permitido, sem importar o bem comum. Além de aceitar tudo com resignação, as pessoas caem em um consumismo exacerbado, buscando a felicidade e a realização apenas no material, como se isso fosse perdurável.

É por isso que, neste contexto de ideologias negativas que pisoteiam a dignidade da pessoa humana, os jovens não podem ficar de braços cruzados, mas sempre caminhar com ideais firmes, metas altas e sobretudo com a convicção de que foram criados por Deus para cumprir uma missão.

O desafio de encontrar a autêntica felicidade tem sua base no esforço, na luta constante, no trabalho, mas, acima de tudo, na confiança em Deus.

Os jovens não podem se deixar levar pela mentalidade egocêntrica; devem lutar contra esta cultura opressora dos valores, levando como estandarte a civilização do amor. Esta civilização implica em um enriquecimento na vida espiritual e permite que a inteligência de que cada pessoa foi dotada alcance suas potencialidades e encontre a verdade que se expressa na amizade e no amor.

Tudo isso se manifesta na doação diária, conscientes de que a relação humana é a primeira vocação da pessoa; a partir disso, é preciso assimilar as responsabilidades pessoais, como a participação nos deveres políticos, o bem comum, a justiça social, o respeito à pessoa humana, o fomento dos valores e a defesa da vida.

sources: Catholic.net

domingo, 10 de agosto de 2014

Não tenha medo

Ventos contrários sempre sopram sobre a barca dos seguidores de Jesus. Como aos discípulos então, também a nós podem sobrevir ondas violentas e deixar-nos à deriva, sem rumo, "ao sabor dos ventos".É que o Mestre quer que cheguemos sempre além , ao outro lado do mar. E ir além requer a coragem de enfrentar o desconhecido, os mares que podem revelar as forças do mal e fazer sofrer a comunidade dos seguidores.Mas os Senhor ressuscitado, embora não esteja visível em carne e osso entre nós como então, nunca deixará de nos acompanhar. O problema, portanto, não são tanto as forças contrárias ao projeto de Jesus, que as comunidades enfrentam e enfrentarão sempre. O problema maior é a falta de fé, mãe de falta de ânimo e de coragem. Pois, afinal, o que significa para uma comunidade ter fé no Senhor que caminha sobre o mar, que está acima de todo e qualquer poder maléfico?Ainda que ouçamos a palavra de Jesus, como Pedro, não conseguiremos vencer o poder do mal se o medo falar mais alto. Quando tiramos nossa atenção de Jesus e damos espaço ao medo, Jesus passa a ser para nós apenas um fantasma, uma miragem, uma aparição sem sentido. O medo então nos faz afundar nos problemas e conflitos, faz a comunidade fechar-se em si mesma. Sobre isso, aliás, é lapidar o que disse o papa Francisco: "Prefiro uma igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas a uma igreja enferma pelo fechamento e pela comodidade de se agarrar às próprias seguranças" (Evangelli Gaudium, n49).O Filho de Deus, afinal, revela-se como o companheiro de jornada, o defensor dos fracos, o irmão maior que nos acompanha na missão e nos dá forças para superar os mares de maldade, injustiça e tribulações.Com fé e coragem, chegaremos com ele ao outro lado, mais além, onde nos espera a terra de vida mais digna, partilhada e fraterna. Não tenhamos medo, pois é ele mesmo, o nosso Mestre e Senhor, que assim o quer.


Pe. Paulo Bazalgia, ssp sobre o evangelho deste domingo dia dos pais.

O Templo paulista de “Salomão”

Igreja-Universal-do-Reino-de-Deus

Só para esclarecer aos católicos, a respeito desse “templo de Salomão” inaugurado em São Paulo, mais uma farsa religiosa do nosso tempo e mais uma punhalada no cristianismo, já tão deturpado pelas seitas…
1. Não existe nem poderá existir “Templo de Salomão” algum desde 587 aC, quando o Templo do Senhor, construído pelo Rei Salomão, foi incendiado pelos babilônios. Este era o chamado Primeiro Templo dos judeus.
2. Nem mesmo no tempo de Jesus havia um “Templo de Salomão”. Havia sim, o Segundo Templo, construído pelos judeus que voltaram do Exílio de Babilônia entre 537-515 aC. Foi nesse Templo, reformado, ampliado e embelezado por Herodes Magno, que Jesus nosso Senhor pregou. Foi sobre esse Templo que Ele afirmou tratar-se de uma imagem Dele próprio, morto e ressuscitado: “Destruí este Templo e em três dias Eu o edificarei!”.
3. O Templo de Salomão em si não tem significado algum para o cristianismo. Também não pode ser reconstruído, pois já não seria o Templo “de Salomão”, mas de outra qualquer pessoa! O que se construiu em São Paulo foi um “Edifício do Edir Macedo”, nem mais nem menos…
4. Quanto ao Templo dos judeus, somente pode ser construído sobre o Monte do Templo, chamado Monte Moriá, em Jerusalém. Os judeus nunca reconstruiram o seu Templo por isso: porque ali já estão erguidas duas mesquitas muçulmanas…
5. Os cristãos jamais poderão ou deverão reconstruir Templo judaico algum! Isto é negar Nosso Senhor Jesus Cristo, é voltar ao Antigo Testamento! O Segundo Templo era imagem do Corpo do Senhor. Ele mesmo o declarou. Aqui coloco de modo explicado o que Jesus quis dizer: “Vós estais destruindo este Templo! Podeis destrui-lo; ele já cumpriu sua função de figura, de lugar de encontro de Deus com os homens! O verdadeiro Templo é Meu corpo imolado e ressuscitado! Vós destruireis o Meu corpo como estais destruindo este Templo! Mas, dentro de três dias Eu o ressuscitarei, edificando o verdadeiro Templo, lugar de encontro entre Deus e o homem: o Meu corpo, que é a Igreja!”
6. Arca, sacrifícios antigos, utensílios do antigo Templo, já não têm sentido algum no cristianismo. Mais ainda: não passam de pura e vazia falsificação que ofendem a resta consciência cristã e desrespeitam os judeus, imitando de modo grosseiro e falseando de modo superficial o real significado dos seus símbolos religiosos.
Conclusão: É uma pena ver como o charlatanismo, a ignorância e o grotesco prosperam em certas expressões heterodoxas de cristianismo… E tudo por conta do tripudio sobre a ignorância e falta de bom senso de toda uma população insensata. Só isto.
Só mais uma coisa sobre esse “Templo de Salomão”:
Quando escrevi sobre isto não é porque esteja minimamente preocupado com sua existência ou inauguração! É simplesmente para esclarecer sua total falta de sentido, seu grosseiro erro bíblico e teológico, coisa de quem não compreende absolutamente nada de cristianismo e de Sagrada Escritura.
Dom Henrique Soares, bispo de Palmares.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

São Domingos de Gusmão

Caros irmãos e irmãs

Na semana passada apresentei a figura luminosa de Francisco de Assis, e hoje gostaria de vos falar de outro santo que, na mesma época, ofereceu uma contribuição fundamental para a renovação da Igreja do seu tempo. Trata-se de São Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores, também conhecidos como Padres Pregadores.
O seu sucessor na orientação da Ordem, Beato Jordão da Saxónia, oferece um retrato completo de São Domingos no texto de uma oração famosa:  "Inflamado de zelo por Deus e de ardor sobrenatural, pela tua caridade sem confins e o fervor do espírito veemente, consagraste-te inteiramente com o voto da pobreza perpétua à observância apostólica e à pregação evangélica". É ressaltada precisamente esta característica fundamental do testemunho de Domingos:  ele falava sempre com Deus e de Deus. Na vida dos santos, o amor pelo Senhor e pelo próximo, a busca da glória de Deus e da salvação das almas caminham sempre juntos.
Domingos nasceu em Caleruega, na Espanha, por volta de 1170. Pertencia a uma nobre família da Velha Castilha e, ajudado por um tio sacerdote, formou-se numa célebre escola de Palência. Distinguiu-se imediatamente pelo interesse no estudo da Sagrada Escritura e pelo amor aos pobres, a tal ponto que chegou a vender os livros, que na sua época constituíam um bem de grande valor, para socorrer com o lucro as vítimas de uma carestia.
Tendo sido ordenado sacerdote, foi eleito cónego do cabido da Catedral na sua Diocese de origem, Osma. Embora esta nomeação pudesse representar para ele algum motivo de prestígio na Igreja e na sociedade, ele não a interpretou como um privilégio pessoal, nem como o início de uma carreira eclesiástica brilhante, mas como um serviço a prestar com dedicação e humildade. Não é porventura uma tentação, a da carreira, do poder, uma tentação da qual não estão imunes nem sequer aqueles que desempenham um papel de animação e de governo na Igreja? Recordei-o há alguns meses, durante a consagração de alguns Bispos:  "Não procuremos o poder, o prestígio e a estima para nós mesmos... Sabemos como as coisas na sociedade civil e, com frequência, também na Igreja sofrem pelo facto de que muitos deles, aos quais foi conferida uma responsabilidade, trabalham para si mesmos e não para a comunidade" (Homilia durante a Capela Papal para a Ordenação episcopal de cinco Excelentíssimos Prelados12 de Setembro de 2009).
O Bispo de Osma, que se chamava Diogo, um pastor verdadeiro e zeloso, observou depressa as qualidades espirituais de Domingos, e quis valer-se da sua colaboração. Juntos, partiram para o Norte da Europa a fim de realizar missões diplomáticas que lhes eram confiadas pelo rei de Castilha. Viajando, Domingos descobriu dois desafios enormes para a Igreja do seu tempo:  a existência de povos ainda não evangelizados, nas extremidades setentrionais do continente europeu, e a laceração religiosa que debilitava a vida cristã no Sul da França, onde a acção de alguns grupos heréticos criava confusão e o afastamento da verdade da fé. A acção missionária a favor daqueles que não conheciam a luz do Evangelho e a obra de reevangelização das comunidades cristãs tornaram-se assim as metas apostólicas que Domingos se propôs alcançar. O Papa, que o Bispo Diogo e Domingos visitaram para pedir conselho, pediu a este último que se dedicasse à pregação aos Albigenses, um grupo herético que defendia uma concepção dualista da realidade, ou seja, com dois princípios criadores igualmente poderosos, o Bem e o Mal. Por conseguinte, este grupo desprezava a matéria como proveniente do princípio do mal, rejeitando até o matrimónio, chegando mesmo a negar a encarnação de Cristo, os sacramentos em que o Senhor nos "toca" através da matéria, e a ressurreição dos corpos. Os Albigenses apreciavam a vida pobre e austera – neste sentido, eram também exemplares – e criticavam a riqueza do Clero daquela época. Domingos aceitou com entusiasmo esta missão, que realizou precisamente com o exemplo da sua existência pobre e austera, com a pregação do Evangelho e com debates públicos. A esta missão de pregar a Boa Nova ele dedicou o resto da sua vida. Os seus filhos teriam realizado inclusive os outros sonhos de São Domingos:  a missão ad gentes, ou seja, àqueles que ainda não conheciam Jesus, e a missão àqueles que viviam nas cidades, sobretudo nas universitárias, onde as novas tendências intelectuais eram um desafio para a fé dos cultos.
Este grande santo recorda-nos que no coração da Igreja deve sempre arder um fogo missionário, que impele incessantemente a fazer o primeiro anúncio do Evangelho e, onde for necessário, a uma nova evangelização:  com efeito, Cristo é o bem mais precioso que os homens e as mulheres de todos os tempos e lugares têm o direito de conhecer e de amar! E é consolador ver que até na Igreja de hoje são muitos – pastores e fiéis leigos, membros de antigas ordens religiosas e de novos movimentos eclesiais – que com alegria despendem a sua vida por este ideal supremo:  anunciar e testemunhar o Evangelho!
Depois, a Domingos de Gusmão uniram-se outros homens, atraídos pela mesma aspiração. Deste modo, progressivamente, da primeira fundação de Toulouse teve origem a Ordem dos Pregadores. Com efeito, Domingos em plena sintonia com as directrizes dos Papas do seu tempo, Inocêncio III, Honório III, adoptou a antiga Regra de Santo Agostinho, adaptando-a às exigências de vida apostólica que o levaram, bem como os seus companheiros, a pregar passando de um lugar para outro, mas depois voltando aos próprios conventos, lugares de estudo, oração e vida comunitária. De modo particular, Domingos quis dar relevo a dois valores considerados indispensáveis para o bom êxito da missão evangelizadora:  a vida comunitária na pobreza e o estudo.
Antes de tudo, Domingos e os Padres Pregadores apresentavam-se como mendicantes, isto é, sem vastas propriedades de terrenos para administrar. Este elemento tornava-os mais disponíveis ao estudo e à pregação itinerante, e constituía um testemunho concreto para as pessoas. O governo interno dos conventos e das províncias dominicanas estruturou-se segundo o sistema de cabidos, que elegiam os seus próprios Superiores, sucessivamente confirmados pelos Superiores maiores; portanto, uma organização que estimulava a vida fraterna e a responsabilidade de todos os membros da comunidade, exigindo fortes convicções pessoais. A escolha deste sistema nascia precisamente do facto que os Dominicanos, como pregadores da verdade de Deus, tinham que ser coerentes com quanto anunciavam. A verdade estudada e compartilhada na caridade com os irmãos constitui o fundamento mais profundo da alegria. O Beato Jordão da Saxónia diz de São Domingos:  "Ele acolhia cada homem no grande seio da caridade e, dado que amava todos, todos o amavam. Fez para si uma lei pessoal de se alegrar com as pessoas felizes e de chorar com aqueles que choravam" (Libellus de principiis Ordinis Praedicatorum autore Iordano de Saxonia, ed. H. C. Scheeben [Monumenta Historica Sancti Patris Nostri Dominici, Romae, 1935]).
Em segundo lugar, com um gesto intrépido, Domingos quis que os seus seguidores adquirissem uma formação teológica sólida e não hesitou em enviá-los às Universidades dessa época, embora não poucos eclesiásticos vissem com desconfiança estas instituições culturais. As Constituições da Ordem dos Pregadores atribuem muita importância ao estudo como preparação para o apostolado. Domingos queria que os seus Padres se dedicassem a isto sem poupar esforços, com diligência e piedade; um estudo fundado na alma de todo o saber teológico, ou seja, na Sagrada Escritura, e respeitador das interrogações formuladas pela razão. O desenvolvimento da cultura impõe àqueles que desempenham o ministério da Palavra, a vários níveis, que sejam bem preparados. Portanto exorto todos, pastores e leigos, a cultivar esta "dimensão cultural" da fé, a fim de que a beleza da verdade cristã possa ser melhor compreendida e a fé seja verdadeiramente alimentada, fortalecida e também defendida. Neste Ano sacerdotal, convido os seminaristas e os sacerdotes e estimar o valor espiritual do estudo. A qualidade do ministério sacerdotal depende também da generosidade com que se aplica ao estuo das verdades reveladas.
Domingos, que quis fundar uma Ordem religiosa de pregadores-teólogos, lembra-nos que a teologia tem uma dimensão espiritual e pastoral, que enriquece a alma e a vida. Os presbíteros, os consagrados e também todos os fiéis podem encontrar uma profunda "alegria interior" na contemplação da beleza da verdade que vem de Deus, verdade sempre actual e viva. O lema dos Padres Pregadores – contemplata aliis tradere – ajuda-nos a descobrir, além disso, um anseio pastoral no estudo contemplativo de tal verdade, pela exigência de comunicar aos outros o fruto da própria contemplação.
Quando Domingos faleceu, em 1221 em Bolonha, a cidade que o declarou padroeiro, a sua obra já tinha alcançado grande sucesso. A Ordem dos Pregadores, com o apoio da Santa Sé, difundiu-se em muitos países da Europa, em benefício da Igreja inteira. Domingos foi canonizado em 1234, e é ele mesmo que, com a sua santidade, nos indica dois meios indispensáveis a fim de que acção apostólica seja incisiva. Em primeiro lugar, a devoção mariana, que ele cultivou com ternura e deixou como herança preciosa aos seus filhos espirituais, que na história da Igreja tiveram o grande mérito de difundir a recitação do santo Rosário, tão querida ao povo cristão e tão rica de valores evangélicos, uma autêntica escola de fé e de piedade. Em segundo lugar Domingos, que assumiu o cuidado de alguns mosteiros femininos na França e em Roma, acreditou até ao fundo no valor da oração de intercessão pelo bom êxito do afã apostólico. Só no Paraíso compreenderemos quão eficazmente a oração das irmãs claustrais acompanham a obra apostólica! A cada uma delas dirijo o meu pensamento grato e carinhoso.
Estimados irmãos e irmãs, a vida de Domingos de Gusmão estimule todos nós a sermos fervorosos na oração, corajosos na vivência da fé e profundamente apaixonados por Jesus Cristo. Por sua intercessão, peçamos a Deus que enriqueça sempre a Igreja com autênticos pregadores do Evangelho.

Saudação
Amados peregrinos de língua portuguesa, uma cordial saudação de boas-vindas para todos, com votos de que a vossa visita ao lugar da Confissão de Pedro seja rica de graças e luzes do Alto, que vos ajude a ser sempre autênticas e incansáveis testemunhas de Cristo. Em seu Nome, dou-vos a minha Bênção, extensiva aos vossos familiares e comunidades cristãs.

© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100203_po.html

Os sacrifícios nos ajudam a crescer no seguimento de Jesus

Sacrifício não é castigo! É pedagogia, é escola, é aprendizado e o melhor meio para nos disciplinarmos a crescer nas virtudes, na sabedoria e no seguimento de Jesus Cristo. 
Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga” (Mateus 16, 24).
Jesus hoje olha para o coração de todos nós que gostamos d’Ele, que nos apaixonamos por Ele e nos tornamos seguidores d’Ele. Algumas vezes, nós desanimamos, queremos voltar atrás e não seguir a nossa caminhada. Jesus quer hoje apontar, para mim e para você, quais são as condições para nos tornarmos verdadeiros discípulos d’Ele, seguidores fiéis do Mestre. Quem quer segui-Lo precisa renunciar a si mesmo.
Nós somos cheios de vontade própria, nós queremos que as coisas sejam sempre do nosso jeito, nós queremos até mesmo que Deus esteja a nosso serviço, que Ele faça as coisas do jeito que queremos. Contudo, quem quer seguir Jesus não pode seguir a própria vontade, tem que ser capaz de sacrificar a sua vontade, abrir mão dos seus gostos e de suas preferências e saber ceder quando se faz necessário. Por isso muita gente fica parada ainda no primeiro ponto do seguimento, não consegue avançar na fé e na intimidade com Jesus.
O fato de sermos muito apegados a nós mesmos nos impede de avançarmos em nossa fé e de sermos livres para seguir Jesus. Nós não gostamos de ser contrariados, não gostamos quando a nossa vontade não é realizada e pensamos – “Nós rezamos, Senhor. Realize isso por mim”, mas nos esquecemos de que a grande chave da oração é: “Faça a Tua vontade, Senhor, e não a minha!”
Quem quer ser discípulo de Jesus deve colocar nas mãos d’Ele a sua vontade própria. Depois deve pegar sua cruz e seguir o Mestre. Pegar a cruz significa ter disposição para aceitar os sacrifícios da vida; tudo nesta vida, que tem valor, exige sacrifícios. Vivemos num mundo de cultura hedonista, que valoriza somente o prazer e o ter e só o que é prazeroso tem valor. Nós não podemos abrir mão do sacrifício, quando entramos numa igreja, quando olhamos para a nossa casa, lá está o Cristo Crucificado, Aquele que se sacrificou por todos nós.
O filho que não sabe valorizar o sacrifício de seus pais, o marido que não sabe valorizar o sacrifício da esposa e vice-versa; nós que não sabemos valorizar os grandes sacrifícios para que conquistemos bens maiores. Entendamos uma coisa de uma vez por todas: Sacrifício não é castigo! Sacrifício é pedagogia, é escola, é aprendizado e o melhor meio de castigarmos o nosso ego, de disciplinarmos a nossa vontade e de crescermos nas virtudes, na sabedoria e no seguimento de Jesus Cristo.
Se na sua vida há muitos sacrifícios, saiba que você está na escola de Jesus, mas não faça os sacrifícios da vida sozinho não! O Senhor está com você, Ele lhe dá forças, alivia seus sacrifícios e dá sentido a tudo aquilo que você faz.
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Direção Espiritual: Como descobrir a minha vocação?



É comum que as pessoas procurem direção espiritual para se orientar quanto ao estado de vida que vão seguir ou quanto à profissão que vão exercer. Para descobrir isso, no entanto, é necessário dar um passo atrás. Assim como uma casa não pode ser bem construída se não tem um bom alicerce, não é possível que sigamos em frente sem que esteja assegurada a consciência de nossa vocação à santidade, que recebemos pelo sacramento do Batismo.

Como bom discípulo de Aristóteles, Santo Tomás de Aquino sabia que as coisas se definem por sua causa final, por aquilo para que servem. Por isso, ele inicia a primeira seção da segunda parte (chamada de prima secundae) de sua Suma Teológica indagando justamente qual o fim último do homem. Ao final, o Aquinate conclui, com Santo Agostinho, que este fim é a bem-aventurança [1] e que ela não consiste nem nas riquezas, nem nas honras, na fama, no poder, no prazer ou em algum dos bens criados, senão em Deus mesmo:

“É impossível estar a bem-aventurança do homem em um bem criado. A bem-aventurança é um bem perfeito, que totalmente aquieta o desejo, pois não seria o último fim, se ficasse algo para desejar. O objeto da vontade, que é o apetite humano, é o bem universal, como o objeto do intelecto é a verdade universal. Disto fica claro que nenhuma coisa pode aquietar a vontade do homem, senão o bem universal. Mas tal não se encontra em bem criado algum, a não ser só em Deus, porque toda criatura tem bondade participada. Por isso, só Deus pode satisfazer plenamente a vontade humana, segundo o que diz o Salmo 102: ‘Que enche de bens o teu desejo’. Consequentemente, só em Deus consiste a bem-aventurança do homem”[2].
Hoje, as pessoas vivem com a cabeça no futuro, estudando para trabalhar e trabalhando para acumular dinheiro... Mas, ao final de suas cansativas e atarefadas existências, sobra apenas um sentimento de vazio, porque todas elas passam o hoje pensando apenas no amanhã – e, um dia, com a morte, o amanhã não vem; porque transferem o sentido de tudo o que fazem para este mundo – e a luz deste mundo, mais cedo ou mais tarde, para de brilhar. É preciso admitir que, se a vida tem realmente um sentido, ele se encontra fora da vida. Se essa existência, transitória, tem razão de ser, essa razão só pode ser eterna e transcendente. Caso contrário, como pregaram os filósofos existencialistas, só existe o nada. Tertium non datur.

Realmente, se Deus não existisse, não só a existência humana seria um absurdo como o próprio homem seria um animal defeituoso. Afinal, enquanto todos os animais encontram o objeto de seus desejos na natureza, o homem, mesmo que se lhe deem fama, sucesso, dinheiro e prazer, permanece insatisfeito. Na verdade, essa sede aparentemente insaciável do ser humano aponta para o alto: “ Feciste nos ad Te, Domine, et inquietum est cor nostrum donec requiescat in Te – Criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em Vós” [3].

Feciste nos ad Te. Eis uma verdade essencial para toda a nossa vida: fomos feitos para Deus! Por isso, não só não nos pertencemos, como devemos dirigir todos os nossos atos a Ele. Caso contrário, tudo perde o seu sentido.

Antes de trilhar uma vocação específica, portanto, é preciso que purifiquemos a nossa intenção. Muitas pessoas perseguem um determinado estado de vida ou uma determinada carreira deixando de lado a verdadeira causa final, que dá fundamento às suas vidas e ordena todas as coisas. Não raramente elas demoram em encontrar a sua vocação, porque descuidaram do seu primeiro chamado, agindo como se a vida tivesse sentido em si mesma.

O famoso psicólogo Viktor Frankl, que passou a Segunda Guerra Mundial nos campos de concentração da Alemanha, dizia que “o homem (...) pode suportar tudo, menos a falta de sentido” [4]. Uma pessoa pode ser bem ou mal sucedida, mas se olha para as realidades terrenas sub specie aeternitatis, todas as coisas se lhe tornam leves. A finalidade da vida, definitivamente, é geradora de saúde e o fim último de nossa existência não está aqui, mas em Deus.

Referências

Cf. Suma Teológica, I-II, q. 1, a. 7
Suma Teológica, I-II, q. 2, a. 8
Santo Agostinho, Confissões, I, 1
Apud Olavo de Carvalho, A mensagem de Viktor Frankl, Bravo!, novembro de 1997