quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Filme de Santo Agostinho - Dublado

O absurdo dos horóscopos

Também já havia rechaçado as enganosas predições e ímpios delírios dos astrólogos.Ainda por isso, meu Deus, quero confessar-te tuas misericórdias desde o mais íntimo de minha alma! Foste tu, e só tu – pois, quem pode afastar-nos da morte do erro, senão a Vida que desconhece a morte, a Sabedoria que ilumina as pobres inteligências sem precisar de outra luz, e que governa o mundo até as folhas que tremulam nas árvores? Foste tu que medicaste a obstinação com que me opunha ao sábio velho Vindiciano e ao magnânimo jovem Nebrídio, quediziam – o primeiro, com veemência, o segundo com alguma hesitação, mas frequentemente – não existir a tal arte de predizer as coisas futuras, e que as conjecturas dos homens muitas vezestêm concurso do acaso e que, de tanto repetir, acertavam em predizer algumas coisas, sem que os mesmos que as diziam o soubessem.Foste tu que me fizeste encontrar um amigo mui afeiçoado a consultar os astrólogos, não entendido nessa ciência, mas que consultava por curiosidade. Conhecia ele uma história, queouvira do pai, segundo dizia. Ignorava ele até que ponto essa história era valiosa para destruir a autoridade daquela arte.Esse homem, chamado Firmino, educado nas artes liberais e instruído na eloqüência, veiome consultar, como amigo íntimo, sobre alguns assuntos nos quais alimentava esperançasmundanas, para ver qual seria meu vaticínio conforme suas constelações, como eles dizem. Eu, que já começara a me inclinar à opinião de Nebrídio, embora não me negasse a fazer-lhe ohoróscopo e expor-lhe as suas conclusões, acrescentei, contudo, que estava quase persuadido de que tudo aquilo era ridícula quimera.Então, ele me contou que seu pai tinha grande interesse na leitura de tais livros, e que tivera um amigo igualmente apaixonado. Conversando sobre a matéria, empolgaram-se cada vezmais no estudo daquelas tolices, e chegaram ao ponto de observar os momentos do nascimento até dos animais domésticos, notando a posição das estrelas a fim de coligir dados experimentaisdaquela pseudo-arte.Firmino me relatava ter ouvido o pai contar que, estando sua mãe para o dar à luz, também estava grávida uma serva daquele amigo de seu pai, coisa que não poderia passar despercebidaa seu senhor, que cuidava com extrema diligência e precisão de conhecer até o parto das cadelas.E sucedeu que, contando com o maior esmero os dias, horas e suas menores parcelas, da esposa e da escrava, ambas as mulheres deram à luz no mesmo momento, o que os obrigou afazer, até em seus menores detalhes os mesmos horóscopos para os nascidos, um para o filho e outro para o pequeno servo.Tendo começado o trabalho de parto, informaram um ao outro o que se passava em suas casas, e enviaram mensageiros um ao outro, a fim de anunciar com igual rapidez o nascimento das crianças; e conseguiram-no fazer facilmente, como se o fato se passasse em suas próprias casas. E Firmino contava que os mensageiros que haviam sido enviados vieram a se encontrar à mesma distância de suas respectivas casas, de modo que não se podia notar a menor diferença na posição das estrelas, assim como nas demais frações de tempo. No entanto Firmino, como filho de grande família, corria pelos mais brilhantes caminhos do mundo, crescia em riquezas eera coberto de honras, ao passo que o escravo, sujeito ainda ao jugo da escravidão, tinha que servir a seus senhores, segundo ele próprio contava, pois o conhecia.Ouvindo essa história, na qual acreditei pelo crédito que merecia seu narrador – toda minha resistência se quebrou. Esforcei-me em seguida para afastar Firmino daquela vã curiosidade, dizendo-lhe que, pelo seu horóscopo e para ser verdadeiro, deveria certamenteconsiderar a seus pais como os primeiros entre seus concidadãos; o renome da sua família, a mais nobre da cidade; seu nascimento ilustre, sua educação esmerada e seus conhecimentos nasartes liberais. E, pelo contrário, se aquele servo me consultasse sobre o tal horóscopo – que era o mesmo de Firmino – se também tivesse de lhe dizer a verdade – deveria ver nos mesmo signossua família paupérrima, sua condição servil e tantas outras coisas, tão diferentes e opostas às primeiras.Portanto, para dizer a verdade, vendo os mesmos sinais celestes deveria tirar conclusões divergentes, porque fazer prognósticos semelhantes seria mentir.De onde concluí, com toda certeza, que as predições verdadeiras não podem atribuir a uma arte, mas ao acaso, e que as falsas não se devem à ignorância dessa arte, mas à mentira do acaso.Após esta abertura e nela baseado, ruminava dentro de mim tais coisas, para que nenhum daqueles loucos que buscam nisso o lucro, e a quem eu então desejava refutar e ridicularizar, nãome objetasse que Firmino ou o pai podia ter contado mentiras. Voltei pois minha atenção ao caso dos gêmeos, muitos dos quais saem do seio materno com tão breve intervalo de tempo, que pormais que o pretendam importante, não pode ser apreciado pela observação humana, nem pode ser considerado nos signos que o astrólogo lançará mão para fazer uma previsão certa. Mas osvaticínios não serão verdadeiros pois, vendo os mesmos signos, deveria predizer a mesma sorte para Esaú e Jacó, sendo que os sucessos da vida de ambos foram muito diversos.O astrólogo, portanto, deveria prognosticar coisas falsas, ou, no caso de falar coisas verdadeiras, estas forçosamente deveriam ser diferentes, a despeito da identidade das observações. Logo, se seus prognósticos fossem verdadeiros, não o seriam por efeito da arte,mas do acaso. Porque tu, Senhor, governador justíssimo do Universo, por inspiração secreta, desconhecida dos consulentes e astrólogos, fazes que cada um ouça a resposta que lhe convém,de acordo com os méritos das almas, do fundo do abismo de teu justo juízo. E que o homem não se atreva a dizer: Que é isto? Por que isto? Não o diga, não o diga, porque é um simples homem.


Do Livro CONFISSÕES de Santo Agostinho

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Viver para os outros

Pensamento do dia: Creio que as pessoas que vivem para as outras chegarão um dia a reconstruir o que as egoístas destruíram. Martin Luther King.Tenha firmeza em suas atitudes e persistência em seu ideal. Mas seja paciente, não pretendendo que tudo lhe chegue de imediato. Há tempo para tudo. E tudo o que é seu virá às suas mãos, no momento oportuno.Saiba esperar o momento exato em que receberá os benefícios que pleiteia.Aguarde com paciência que os frutos amadureçam para que possa apreciar devidamente sua doçura. 

C. Torres Pastorino.

domingo, 24 de agosto de 2014

A resposta de uma vida

Continua a ressoar para nós a pergunta de Jesus aos discípulos: "Quem sou eu para vocês?" É pergunta que inquieta, se não quisermos responder apenas com uma fórmula aprendida no catecismo ou com as mesmas palavras de Pedro, sem necessariamente alcançar todo o significado da mais bela profissão de fé: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo".
Jesus faz a pergunta a cada um de nós e espera também uma resposta pessoal. Resposta que venha da experiência pessoal com ele superando meros conceitos e fórmulas prontas.
Sobre o "Jesus histórico" tantas hipóteses já se levantaram, e ainda hoje novos livros com antigas teorias fazem sucesso. Querem fazer dele um guerrilheiro ou então um líder religioso alienado dos problemas sociais de se tempo. Mas o Mestre não se enquadrou naquilo que esperavam do Messias. O Deus que ele veio revelar passava longe da resignação e do poder, e mais longe ainda do poder movido a força e violência.
A resposta de Pedro mostra que a experiência que fazemos de Jesus, no fundo, é uma experiência de revelação divina. Seguir Jesus, mais que dizê-lo com palavras e discursos, é testemunhar sua ação na nossa vida e na vida dos irmãos. Experimentamos a bondade de Deus sendo bondosos com os outros; experimentamos sua misericórdia na misericórdia que praticamos; experimentamos seu amor no amor que vivemos dia a dia. É assim que Deus se revela, também em nossas fraquezas, porque ao final se trata sempre do dom de Deus, e não de mero esforço pessoal.
Pedro demonstrou sua fé em Jesus, ainda que sem compreender plenamente as implicações do que significava seguir aquele Messias diferente e sem igual. Para além das palavras, o que importou para Pedro e o que importa para nós é a atitude fundamental. confiar-se nas mãos de Deus, o único que pode dar a segurança de uma rocha, a pedra firme sobre a qual continuaremos a construir a comunidade dos filhos do Deus vivo.


Pe. Paulo Bazaglia sobre o evangelho deste domingo 24/08/2014

sábado, 23 de agosto de 2014

Santa Rosa de Lima

Para todos nós, hoje é dia de grande alegria, pois podemos celebrar a memória da primeira santa da América do Sul, Padroeira do Peru, das Ilhas Filipinas e de toda a América Latina. Santa Rosa nasceu em Lima (Peru) em 1586; filha de pais espanhóis, chamava-se Isabel Flores, até ser apelidada de Rosa por uma empregada índia que a admirava, dizendo-lhe: "Você é bonita como uma rosa!".

Rosa bem sabia dos elogios que a envaideciam, por isso buscava ser cada vez mais penitente e obedecer em tudo aos pais, desta forma, crescia na humildade e na intimidade com o amado Jesus. Quando o pai perdeu toda a fortuna, Rosa não se perturbou ao ter que trabalhar de doméstica, pois tinha esta certeza: "Se os homens soubessem o que é viver em graça, não se assustariam com nenhum sofrimento e padeceriam de bom grado qualquer pena, porque a graça é fruto da paciência".

A mudança oficial do nome de Isabel para Rosa ocorreu quando ela tomou o hábito da Ordem Terceira Dominicana, da mesma família de sua santa e modelo de devoção: Santa Catarina de Sena e, a partir desta consagração, passou a chamar-se Rosa de Santa Maria. Devido à ausência de convento no local em que vivia, Santa Rosa de Lima renunciou às inúmeras propostas de casamento e de vida fácil: "O prazer e a felicidade de que o mundo pode me oferecer são simplesmente uma sombra em comparação ao que sinto".

Começou a viver a vida religiosa no fundo do quintal dos pais e, assim, na oração, penitência, caridade para com todos, principalmente índios e negros, Santa Rosa de Lima cresceu na união com Cristo, tanto quanto no sofrimento, por isso, tempos antes de morrer, aos 31 anos (1617), exclamou: "Senhor, fazei-me sofrer, contanto que aumenteis meu amor para convosco".

Foi canonizada a 12 de abril de 1671 pelo Papa Clemente X.

Santa Rosa de Lima, rogai por nós!

Somente em Deus o nosso coração encontra paz

Somente em Deus o nosso coração encontra paz. Inquieto, desassossegado, perturbado permanece o coração humano enquanto não encontra o repouso em Deus.
O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo” (Mateus 13, 44).
Santa Rosa de Lima, a jovem que dedicou toda a sua vida a Deus, padroeira da América Latina, é um referencial para uma vida dedicada e consagrada a Deus. Por isso a liturgia de hoje nos aponta este Evangelho em que o Reino dos Céus é comparado com um tesouro escondido no campo. Quando encontramos esse tesouro deixamos tudo para trás para vivermos em função deste campo, desse tesouro, porque ele passa a ser tudo para nós, ele é mais valioso do que todos os outros bens e do que todos os outros tesouros.
Inquieto, desassossegado e perturbado permanece o coração humano enquanto não encontra o repouso, enquanto ele não encontra algo que realmente o preencha e o satisfaça. Não é nas riquezas deste mundo nem na satisfação dos prazeres que o nosso coração vai encontrar a paz pela qual ele tanto procura e deseja.
Há um tesouro escondido que o mundo não conhece e que, muitas vezes, este despreza e deixa de lado; é este o tesouro escondido que nós buscamos com todo o nosso coração e com toda a nossa alma. Esse tesouro escondido é a pérola mais preciosa que o Pai, no Seu amor infinito, reservou a nós: Seu próprio Filho, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A razão de nossa vida, a alegria do nosso viver e a motivação da nossa existência.
Não basta saber que Jesus existe, que Jesus é o Senhor, que Ele é Deus. Existe um convite para que experimentemos a vida de Jesus em nós e façamos d’Ele a prioridade da nossa vida, do nosso coração e de nossas relações humanas, para que coloquemos em prática os valores que Ele nos ensinou com Sua vida.
Descobrir este tesouro escondido é descobrir a vida que está em Deus e a vida que Ele trouxe para nós, colocando em prática e permitindo que a nossa vida seja confundida com a vida de Cristo e a vida d’Ele esteja plenamente assimilada e assumida em nossa própria vida. Ah! Se nós descobríssemos, a cada dia, esse tesouro, que é o consolo para a nossa alma! Ele é o bálsamo de que precisamos para refrigerar as angústias mais profundas que existem dentro de nós!
Que Jesus, o bom Senhor, nosso tesouro, nossa maior riqueza, venha em nosso socorro, em nosso encontro e em nosso auxílio, sendo para nós o refúgio de que a nossa alma tanto necessita. Que nós hoje descubramos mais ainda, com toda a intensidade da nossa alma, esse tesouro de que nós tanto necessitamos!
Deus abençoe você!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Não percam “muitas horas” na Internet ou com os celulares

Papa Francisco aos jovens: Não percam “muitas horas” na Internet ou com os celulares
O tempo é um dom de Deus, recordou
Encontro dos coroinhas com o Papa Francisco (Foto Lauren Cater / Grupo ACI)
VATICANO, 05 Ago. 14 / 05:02 pm (ACI/EWTN Noticias).- Em um encontro realizado na Praça de São Pedro nesta terça-feira no Vaticano com 50 mil coroinhas provenientes da Alemanha, Áustria e Suíça, o Papa Francisco explicou que Deus quer pessoas que sejam totalmente livres e que sempre façam o bem, como o fez a Virgem Maria ao aceitar o plano divino e ser a mãe de Jesus.

Assim o indicou o Santo Padre no encontro com os coroinhas que participam de uma peregrinação cujo tema é “Livres! Porque é lícito fazer o bem!”, inspirado no Evangelho de São Mateus. Com eles, indica a Rádio Vaticano, o Papa rezou as vésperas e lhes dirigiu umas palavras em alemão.

“As palavras de São Paulo que escutamos, tomadas da Carta aos Gálatas, chamam nossa atenção. O tempo se cumpriu, diz Paulo. Agora Deus realiza a sua obra decisiva. Aquilo que Ele quis dizer aos homens sempre –e o fez através das palavras dos profetas–, o manifesta com um sinal evidente”.

O Papa Francisco ressaltou logo que “Deus nos mostra que Ele é o bom Pai. E como o faz? Através da encarnação de seu Filho, que se torna como um de nós. Através deste homem concreto de nome Jesus, podemos entender aquilo que Deus quer verdadeiramente. Ele quer pessoas humanas livres, a fim de que se sintam como filhas de um bom Pai”.

“Para realizar esse desígnio, Deus precisa somente de uma pessoa humana. Precisa de uma mulher, uma mãe, que coloque o Filho no mundo. Ela é a Virgem Maria, que honramos com essa celebração vespertina. Maria foi totalmente livre. Em sua liberdade disse sim. Ela fez o bem para sempre. Desta maneira serve a Deus e aos homens. Imitemos seu exemplo, se queremos saber aquilo que Deus espera de nós seus filhos”.

Perguntas

Respondendo depois a algumas perguntas dos presentes, o Papa alentou a organizar-se, programar as coisas de modo equilibrado e ressaltou que “a nossa vida é feita de tempo e o tempo é dom de Deus, portanto é necessário empregá-lo em ações boas e frutuosas”.

“Talvez muitos adolescentes e jovens percam muitas horas em coisas inúteis: chatear na Internet ou com os telefones, com as ‘novelas’, com os produtos do progresso tecnológico que deveriam simplificar e melhorar a qualidade de vida, mas que pelo contrário distraem a atenção daquilo que realmente é importante”, alertou.

O Santo Padre exortou os jovens a falarem do amor de Jesus não só em suas paróquias, mas sobretudo fora delas: “os jovens têm um papel particular, falar de Jesus a seus coetâneos não só na paróquia, mas sobretudo aos de fora. Com a sua coragem, entusiasmo e espontaneidade, podem chegar mais facilmente à mente e ao coração daqueles que se distanciaram do Senhor. Muitos adolescentes e jovens da idade de vocês têm uma imensa necessidade de ouvir que Jesus os ama e perdoa”.

fonte:defensoresdaigrejade2000anos