quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Doze passos para ser um católico comprometido

Há uma crise católica em andamento e nós podemos superá-la.
Por Matthew James Chrustoff

Está acontecendo uma "crise católica": um grande número de batizados católicos deixou a Igreja e a maioria dos que permanecem são "católicos casuais", que não conhecem a fé católica e não a praticam. O descompromisso desses católicos com Jesus Cristo e com a Sua Igreja tem contribuído para a acelerada deterioração da cultura pós-moderna.

A longa lista de exemplos de decadência cultural é óbvia para quem está disposto a enxergar: o abate industrial de bebês em pleno útero, a auto-esterilização através do uso de contraceptivos, a epidemia da promiscuidade, da pornografia e da perversão sexual, a fuga do casamento, os níveis desenfreados de divórcio e de adultério, a não percepção da diferença entre o casamento naturalmente aberto à vida e a união entre parceiros do mesmo sexo, o vício em substâncias tóxicas de todo tipo, a confusão de gêneros, a sujeira e a grosseria na ordem do dia na mídia, a perda de conexão com a natureza, a fuga para a "realidade" virtual, a exploração do meio ambiente, o materialismo exacerbado, a perda da dignidade do trabalho, as discriminações raciais, a comercialização da gula e o sistema político e jurídico disfuncionais. E a lista ainda poderia se estender longamente.

A sociedade pós-moderna está doente.

No meio dessa decadência social, porém, ainda há pessoas que procuram o verdadeiro, o belo e o bom e que estão trabalhando para trazer a paz e a alegria de Cristo ao mundo: os católicos comprometidos.

Eles se dedicam ao Rei Todo-Poderoso, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e à Sua Santa Igreja, percebendo que este é o mais verdadeiro dos amores: amar a Deus com todo o próprio ser e ao próximo como a si mesmo.

Os católicos comprometidos perceberam as grandes bênçãos que fluem do compromisso com Cristo e com a Igreja. Os católicos comprometidos fizeram da santidade o seu objetivo e se propuseram a levar as suas famílias e o máximo possível de almas para o céu. Os católicos comprometidos perceberam que, por trás da decadência cultural, esconde-se Satanás, que é tão real quanto o pecado.

Os católicos comprometidos não são perfeitos, mas levam a sério o chamado de Cristo à perfeição. É somente em Cristo, afinal, que os católicos comprometidos encontram a coragem para perseverar quando caem no pecado e se refortalecem continuamente para a batalha contra Satanás. Todo católico é chamado a se doar por inteiro a Jesus Cristo e à Sua Igreja católica.

E como tornar-se um católico comprometido?

Sugiro 12 passos para crescermos na fidelidade e na devoção a Jesus Cristo:

1. Todo católico deve ser capaz de apresentar pelo menos um argumento empolgante ao explicar aos outros (e a si mesmo) por que Jesus Cristo é o seu Rei. Se um católico não está convencido da grandeza de Cristo a ponto conseguir explicá-la, o seu crescimento na fé será atrofiado e ele não atrairá outros para Cristo.

2. Comprometer-se a ser um santo de Cristo Rei. Não há pessoas “bacanas” no céu: há santos. A maioria dos católicos não faz o compromisso firme de lutar pela santidade e fica presa à mediocridade. É preciso levantar o nível de exigência e não há nível mais alto que a santidade. As primeiras palavras de Cristo em sua vida pública foram "arrependei-vos!". Todo católico precisa se arrepender e mudar, pois o arrependimento inspira a grandeza e ao mesmo tempo leva a perceber a própria pobreza espiritual, que, por sua vez, faz reconhecer humildemente a necessidade da misericórdia de Deus e clamar por ela.

3. Recorrer ao sacramento da reconciliação pelo menos uma vez por mês. A Igreja ensina que devemos nos confessar ao menos uma vez por ano, mas qualquer pessoa sincera consigo mesma e com Cristo sabe que precisa do sacramento da reconciliação com muito mais frequência. Analise regularmente como você está cumprindo os 10 mandamentos: esta é uma ótima forma de exame de consciência para preparar a confissão mensal. Determine um dia concreto a cada mês para se confessar, mas procure a confissão imediatamente se cair em pecado mortal. A reconciliação frequente nos transforma.

4. Orar durante pelo menos quinze minutos todos os dias. Um número muito pequeno de católicos reza quinze minutos por dia. Como vamos conhecer Jesus se nunca falamos com Ele? É impossível. Comprometa-se a conhecer Jesus Cristo conversando com Ele todos os dias. É nesta conversa pessoal que Cristo vai mostrar a você qual é a vontade dele.

5. Descubra a força da missa, fonte e ápice da fé católica e que, mesmo assim, a maioria dos católicos não frequenta. Eles não sabem o que de fato ocorre na missa: têm pouca compreensão deste sacramento devotamente transmitido durante dois mil anos e não percebem que, durante a missa, que eles são testemunhas do sacrifício cruento e real de Jesus Cristo na cruz. O católico que não participa ativamente da missa, por ignorância ou por tédio, não pode receber as graças que fluem da Eucaristia. Conheça mais sobre a missa, até conseguir explicar aos outros, com a reverência e a devoção merecidas, o que é o sacrifício de Cristo.

6. Participe sempre da missa dominical e de pelo menos mais uma missa durante a semana. É obrigação mínima de todo católico assistir à missa todos os domingos, mas a minoria vai à missa durante a semana também. Isto é uma falha catequética e um insulto escandaloso ao nosso Rei. Além de ir à missa todos os domingos, dê um passo adicional e encontre Jesus Eucaristia pelo menos mais uma vez durante a semana. E lembre-se: não receba a Eucaristia em pecado mortal. Confesse-se antes.

7. Reze o terço regularmente e leve um rosário sempre consigo. O rosário nos chama para mais perto de nossa Santa Mãe e do seu Filho Jesus. É um ato de lealdade e de fidelidade. Comprometer-se com o rosário é uma arma contra o ataque diário de Satanás, que odeia o terço e o teme. Mantenha o rosário acessível em todos os momentos para rezar, por exemplo, nos momentos de gratidão ou de estresse. O rosário faz parte do “uniforme” do católico comprometido!

8. Conheça o seu santo padroeiro e o anjo da guarda. Acreditamos na comunhão dos santos, mas muitos católicos não têm uma relação pessoal com um santo ou com o anjo da guarda. Os santos e anjos intercedem pelos homens e nos defendem do ataque diário de Satanás. Não vá para a batalha diária desacompanhado de um santo de sua devoção e do seu anjo da guarda!

9. Leia as Sagradas Escrituras durante quinze minutos por dia. Toda ela gira em torno de Jesus Cristo, o Messias. Quando lemos a Sagrada Escritura, Jesus está conosco, não em sentido figurado, mas de forma real e atual. O próprio Jesus veio à terra para falar a todos os homens de todos os tempos. Um católico não pode conhecer Jesus Cristo sem contemplar a Palavra dele.

10. Seja sacerdote, profeta e rei na sua casa. Diante de uma cultura laicista que ataca a família, os católicos precisam reafirmar os seus papéis legítimos como “sacerdotes”, “profetas” e “reis” em família. Não estamos falando de ser tiranos chauvinistas, mas verdadeiros santos de Cristo, servindo à família com sacrifício humilde e dando exemplo corajoso do compromisso de conduzi-la para o céu. Seja sacerdote levando a sua família à oração. Seja profeta ensinando a verdade de Cristo e da Sua Igreja. Seja rei defendendo a sua família das perversões da cultura atual, corrigindo-a quando cai no erro e levando-a para a Eucaristia e para a reconciliação.

11. Crie fraternidade com outros católicos da sua paróquia. Em Atos 2,43, os apóstolos, desde os primeiros dias da Igreja, davam a "fórmula" para a fraternidade católica: perseverar na doutrina e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações. Para crescer na fé, um católico deve construir a fraternidade com outros fiéis católicos que possam desafiá-lo e ajudá-lo a crescer em santidade. Há uma epidemia de solidão nos homens modernos, mesmo nos que participam da missa regularmente. Faça o compromisso de construir a fraternidade com outros católicos. Reúna-se com eles em grupos, grandes e pequenos, para orar, aprender, ensinar e servir aos pobres. Seja um catalisador, um líder, trabalhando em harmonia com o seu pároco. Foi Cristo que nos pediu: "Ide e fazei discípulos".

12. Comprometa-se com o dízimo. A doação de uma pequena parte dos seus ganhos à Igreja é um indicador da força prática da sua lealdade a Jesus Cristo. Muitos católicos dão pouquíssimo ou nada para a Igreja, tanto em termos absolutos quanto em comparação com os fiéis de outras igrejas cristãs.

Ser firmemente comprometido é o maior desafio a que um católico pode aspirar. O compromisso pode parecer assustador, mas não desista: seja um católico comprometido! Faça a resolução, aqui e agora, e lute para cumpri-la. Como em todas as coisas, comece com uma oração: ore para que Jesus lhe envie o Espírito Santo e o ajude a se tornar um católico realmente comprometido. Ore de todo o coração e dê o melhor de si. Nosso Rei prometeu responder àqueles que persistem na oração! E Jesus Cristo nunca vai abandonar um católico comprometido com Ele.
SIR/Aleteia
http://www.domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=833738

domingo, 9 de novembro de 2014

A igreja com que sonhamos

O grande sinal de salvação do mundo é a igreja, que brotou do sangue de Cristo. Ela, mãe de um povo santo e pecador, apresenta-se com o rosto divino de Cristo, seu esposo. E também com os traços imperfeitos de seus filhos e filhas.
Nós a proclamamos una, santa, católica e apostólica. Isto é, unida, sem defeito, aberta a todos e fundamentada pelos próprios apóstolos.
Por isso, sonhamos com uma igreja que se mantenha sempre firme na palavra de Deus. A fim de que, na hora em que soprarem as ventanias da calúnia, da perseguição e do poder das trevas, ela não acabe ruindo, à semelhança das muralhas de Jericó.
Sonhamos com uma igreja em que Cristo jamais de torne presença remota, estranha ou até ignorada. E sim presença concreta, percebida por todos, cada vez mais procurada e amada.
Sonhamos com uma igreja em que todos se reconheçam e se amem como irmãos e irmãs. Onde não haja quem chore pela dureza do coração de alguns e quem se alegre enquanto outros estiverem chorando.
Sonhamos com uma igreja em que não haja marginalizados, privilegiados, primeiros e últimos, mas em que todos se sintam iguais, no mais puro clima evangélico. E se privilegiados houver, que sejam os pequeninos e os desprotegidos.
Sonhamos com uma igreja em que ninguém tenha de lamentar a falta de acolhida, de ajuda e de perdão. Mas em que todos se preocupem, a fim de que seja repartido com amor o pão do corpo, assim como é repartido o pão da fé.
Se essa igreja tão amada ainda mostra alguma ruga, a culpa é nossa: suas imperfeições são as nossas imperfeições. Mas não deixemos de sonhar com uma Igreja perfeita, pois não seria a primeira vez que os sonhos mais ousados se tornariam realidade.

Pe. Virgilio, ssp sobre o evangelho deste domingo 09/11/2014

sábado, 8 de novembro de 2014

Coração de Jesus

Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados, ante as vossas lágrimas eu só vos peço pedir humildemente que me purifiques nelas das minhas faltas. Tamanha é a minha insensibilidade, que, sendo eu o culpado, ainda assim não sei derramar lágrimas de arrependimento. Jesus torne o meu coração sensível, semelhante ao vosso, para que convosco me possa imolar sempre como vítima ao vosso Pai. Amém.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Um espinho na carne

É em nossa fraqueza que Deus vem em nosso auxilio com a sua graça. Basta-te a minha graça!
São Paulo teve uma experiência impressionante com Jesus. Ele relata na segunda Carta aos coríntios. Primeiro começa dizendo que “foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. Depois, relata o seguinte: “para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo”. (2 Cor 12,4-10).
Ninguém sabe ao certo o que era “esse espinho na carne” de São Paulo, mas certamente era algo que muito o incomodava. Alguns dizem que era uma doença nas vistas, outros dizem que ele tinha contraído malária; enfim, era algo que o fazia sofrer.
O mais interessante é que Paulo pediu a Jesus que retirasse dele esse espinho, mas o Senhor disse: Não! E ele entendeu porquê: para que “a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho”, uma vez que ele tinha sido “arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. Paulo podia ficar vaidoso, então o Senhor o impedia com o espinho na carne. Conosco também acontece o mesmo, especialmente quem se destaca.
Certamente cada um de nós tem esse espinho na carne, que pode ser de fundo físico ou espiritual. Certa vez eu experimentei um espinho desses, na alma, é pior do que no corpo. Sentia-me com uma brasa na alma ou uma flecha no coração. Roguei também ao Senhor, insistentemente, que me livrasse daquele espinho, mas Ele não me livrou. Então comecei a procurar a causa do Senhor me manter naquela situação. Deixei minha alma em silêncio, para tentar ouvir a Sua voz.
No silêncio da dor da alma, parece que uma voz falava no meu intimo: “Quanto maior for o sofrimento oferecido a Deus, com amor, mais nós o agradamos, mais temos méritos diante Dele e mais se apressa a nossa santificação”. Então entendi que o Senhor providenciava a minha salvação. Deixava-me naquele purgatório terreno, o tempo que for necessário, para me purificar. Lembrei-me do Eclesiástico: “prepara a tua alma para a provação, humilha teu coração, espera com paciência, sofre as demoras de Deus, não te perturbes no tempo da infelicidade. Na dor permanece firme, na humilhação tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata e os homens agradáveis a Deus pelo cadinho da humilhação” (Eclo 2,1-6).
E a voz continuava a me dizer: “A prata e o ouro só ficam purificados no fogo quando começam a refletir neles o Rosto do ourives”.
Entendi que nossa purificação só termina quando o Rosto de Deus brilha em nossa alma; antes as escórias têm de serem queimadas.
Mas, muitas delas não as vemos; e por isso achamos que não as temos, mas Deus as vê, e quer remove-las de nós. Paciência!
São Paulo disse aos romanos que “Deus nos predestinou para sermos conforme a imagem do Seu Filho” (Rom 8,29). É a meta de Deus para cada filho, ver o Rosto de Jesus em nós. Então, nossa purificação só terminará – como o ouro e a prata – quando Jesus estiver formado em nós. Isto começa aqui e pode ser concluído na eternidade, no Purgatório.
Não desanimemos e nem desesperemos, é uma grande e bela obra de Deus. Todos os santos passaram por isso para chegar ao céu. No silêncio da meditação Deus me ensinava que é na paciência com este espinho na carne que temos a oportunidade de rezar mais.
Como disse João Paulo II, “quanto mais se sofre, mais é necessário rezar”. Além disso, é uma grande oportunidade de oferecer a dor pelos outros: a saúde e a salvação dos entes queridos, o sufrágio das almas do Purgatório, as lutas da Igreja, a santificação do clero, etc. É nisso que Deus nos liberta de nós mesmos, de nossos egoísmos, vanglória, apegos desordenados, busca de prazeres, maledicências, iras, invejas…
Entendendo a importância disso, São Paulo disse aos coríntios: “de mim mesmo não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,5).
É em nossa fraqueza que Deus vem em nosso auxilio com a sua graça. Basta-te a minha graça! Não entendemos bem porque Ele permite esse espinho em nossa carne; mas Ele nos conhece e nos ama, sabe qual é o remédio que nossa alma precisa.
É o Médico que deve prescrever o remédio, e não o doente.
Prof. Felipe Aquino
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2014/11/06/um-espinho-na-carne-2/

Cuidemos daqueles que estão longe da presença de Deus

Que tal, no dia de hoje, você visitar alguém que há tempos está afastado da Igreja? Deus ficará muito mais feliz se você for capaz de sair de si para buscar um único irmão, um único filho, porque grande é o tamanho e a importância dele para o Senhor.
Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” (Lucas 15,7).
Nós, hoje, começamos a meditar o “Evangelho da Misericórdia”, é assim que compreendemos o capítulo quinze do Evangelho de Lucas, a manifestação extrema da misericórdia de Deus. Hoje, ela é comparada com o pastor que têm noventa e nove ovelhas e perde uma delas, ou ainda, com a mulher que têm dez moedas de prata e perde apenas uma.
Sabe, meus irmãos, Deus não nos olha no atacado nem no varejo. Ele nos vê de forma única, pessoal e individual. Não pense que você é menos importante, porque já têm uma multidão seguindo o Senhor, muita gente a serviço d’Ele. Não é verdade! Assim como o pastor não quer que nenhuma de suas ovelhas se extravie, o nosso Pai não quer perder nenhum de Seus filhos. Por isso, cada um, em particular, é muito importante aos olhos de Deus Nosso Pai!
Somos chamados, muitas vezes, a deixar de lado o que já temos para ir em busca daquilo que não temos. Que tal, no dia de hoje, você visitar alguém que há tempos está afastado da Igreja? Por um motivo ou outro, essa pessoa se decepcionou, não alimentou a sua fé, deixou falar mais alto a preguiça ou qualquer outra coisa e se afastou da casa do Pai.
Nós, que estamos na caminhada, não podemos nos deixar levar pela indiferença, precisamos ir atrás daquela pessoa, bater à porta dela. Mas não precisamos ser chatos, inconvenientes, mas ser uma presença amiga, amorosa e fraterna na vida do irmão e da irmã, do amigo e da amiga que, por alguma razão, está longe de Deus.
O Senhor precisa de nós para irmos em busca da ovelha e da moeda que está perdida! Nós precisamos, muitas vezes, deixar o que já fazemos, aqueles que nós já temos para Deus,  para irmos em busca daquele filho único. Às vezes, achamos que o trabalho mais importante é só aquele de falar com muita gente, com aqueles que estão no grupo que participamos, mas Deus ficará muito mais feliz se você for capaz de sair de si para buscar um único irmão, um único filho, porque grande é o tamanho e a importância dele para o Pai!
Cuidemos uns dos outros, mas não nos esqueçamos daqueles que estão afastados e longe da casa do Senhor.
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/homilia/cuidemos-daqueles-que-estao-longe-da-presenca-de-deus/

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Como se não Deus existisse

Somente por meio de homens que tenham sido tocados por Deus é que o Senhor pode retornar para perto dos homens
Na minha qualidade de crente, quero fazer uma proposta aos laicistas. Na época do iluminismo, tentou-se entender e definir as normas morais essenciais dizendo-se que elas seriam válidas etsi Deus non daretur, ou seja, mesmo no caso de Deus não existir. Na contraposição das confissões religiosas e na iminente crise da imagem de Deus, tentou-se manter os valores essenciais da moral por cima das contradições e buscar uma evidência que os tornasse independentes das múltiplas divisões e incertezas das diferentes filosofias e confissões. Deste modo, pretendia-se assegurar os fundamentos da convivência e, de uma forma mais geral, os fundamentos da humanidade. Naquele momento da história, pareceu que isso era possível, porque as grandes convicções de fundo, surgidas no Cristianismo em grande parte, resistiam e pareciam inegáveis. Mas agora já não é assim.
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A busca de tal certeza tranquilizadora, que pudesse permanecer incontestada independentemente de todas as diferenças, falhou. Nem sequer o esforço realmente grandioso de Kant foi capaz de criar a necessária certeza compartilhada por todos. Kant havia negado que Deus pudesse ser conhecido no âmbito da razão pura, mas, ao mesmo tempo, colocou o Senhor, a liberdade e a imortalidade como postulados da razão prática, sem a qual, coerentemente, para ele não era possível a ação moral.
A situação atual do mundo não nos leva talvez a pensar de novo que ele possa ter razão? Digo-o com outras palavras: a tentativa, levada ao extremo, de plasmar as coisas humanas menosprezando Deus completamente nos leva cada vez mais ao abismo, ao isolamento total do homem. Deveríamos, então, voltar ao axioma dos iluministas e dizer: mesmo quem não consiga encontrar o caminho da aceitação de Deus deveria buscar viver e dirigir sua vida Veluti si Deus daretur, ou seja, como se Deus existisse. Este é o conselho que dava Pascal a seus amigos não crentes; é o conselho que queríamos também dar a nossos amigos que não creem. Deste modo, ninguém fica limitado em sua liberdade, mas todas as nossas preocupações encontram um sustentáculo e um critério cuja necessidade é urgente.
O que mais necessitamos nesse momento da história são homens que, através de uma fé iluminada e vivida, façam que Deus seja crível neste mundo. O testemunho negativo de cristãos que falavam de Deus e viviam de costas para Ele, obscureceu a imagem do Senhor e abriu a porta à incredulidade. Necessitamos de homens que tenham o olhar fixo no Senhor, aprendendo d’Ele a verdadeira humanidade. Necessitamos de homens cujo intelecto seja iluminado pela Luz de Cristo e a quem Ele abra o coração, de maneira que seu intelecto possa falar ao intelecto dos demais e seu coração possa abrir o coração dos demais.
Somente por meio de homens que tenham sido tocados por Deus é que Ele pode retornar para perto dos homens. Necessitamos de pessoas como Bento de Nursia, que, em um tempo de dissipação e decadência, penetrou na solidão mais profunda e, depois de todas as purificações que deveria padecer, conseguiu se erguer até a luz, regressar e fundar Monte Cassino, a cidade sobre o monte que, com tantas ruínas, reuniu as forças das quais se formou um mundo novo.
Deste modo, como Abraão, Bento tornou-se pai de muitos povos. As recomendações a seus monges apresentadas no final de sua “regra” são indicações que nos mostram o caminho que conduz para o alto, além da crise e das ruínas.
“Assim como há um mau zelo de amargura que separa de Deus e leva ao inferno, há também um zelo bom que separa dos vícios e conduz a Deus e à vida eterna. Pratiquem, pois, os monges este zelo com a mais ardente caridade, isto é, adiantando-se para honrar uns aos outros; tolerem com suma paciência suas debilidades, tanto corporais como morais (…); pratiquem a caridade fraterna castamente; temam a Deus com amor; (…) e absolutamente nada anteponham a Cristo, que nos poderá conduzir todos juntos à vida eterna” (capítulo 72).
(*) O Discurso de Subiaco, proferido pelo Cardeal Ratzinger, em 1 de abril de 2005, no Mosteiro de Santa Escolástica, em Subiaco.

Padre Inácio José do Vale

Padre Inácio José do Vale é professor de História da Igreja no Instituto de Teologia Bento XVI (Cachoeira Paulista). Também é sociólogo em Ciência da Religião.
http://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/como-se-deus-existisse/