quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Tomás de Aquino

Tomás de Aquino

1225, Roccasecca, perto de Nápoles (Itália)
7 de março de 1274, Convento de Fossanova, Província de Latina (Itália)

[creditofoto]
Tomás de Aquino sustenta que nada está na inteligência que não tenha estado antes nos sentidos
Nascido em uma família de nobres, Tomás de Aquino fez os primeiros estudos no castelo de Monte Cassino. Em Nápoles, para onde foi em 1239, estudou artes liberais, ingressando, em seguida, na Ordem dos Dominicanos, em 1244. De Nápoles, a caminho de Paris, em companhia do Geral da ordem, foi seqüestrado por seus irmãos, inconformados com seu ingresso no convento.

No ano seguinte, fiel à sua vocação religiosa, viajou a Paris, onde se tornou discípulo deAlberto Magno, acompanhando-o a Colônia. Em 1252, voltou a Paris, onde se formou em teologia e lecionou durante três anos. Depois de voltar à Itália, foi nomeado professor na cúria pontifical de Roma.

Ensina, durante anos, em várias cidades italianas. Uma década depois, retorna a Paris, onde leciona até 1273. A seguir, parte para Nápoles, onde reestrutura o ensino superior. Em 1274, convocado pelo papa Gregório 10º, viaja para participar do Concílio de Lyon. Adoece, contudo, durante a viagem, vindo a falecer no mosteiro cisterciense de Fossanova, aos 49 anos de idade.

Chamado de Doutor Angélico e de Príncipe da Escolástica, Tomás de Aquino foi canonizado em 1323 e proclamado doutor da Igreja Católica em 1567.
 

Provas da existência de Deus

A primeira questão de que se ocupa Tomás de Aquino - na Suma Teológica, sua obra máxima - é a das relações entre a ciência e a fé, a filosofia e a teologia. Fundada na revelação, a teologia é a ciência suprema, da qual a filosofia é serva ou auxiliar. À filosofia, procedendo de acordo com a razão, cabe demonstrar a existência e a natureza de Deus.

Profundamente influenciado por Aristóteles, Tomás de Aquino sustenta que nada está na inteligência que não tenha estado antes nos sentidos, razão pela qual não podemos ter de Deus, imediatamente, uma idéia clara e distinta.

Assim, para provar a existência de Deus, o filósofo procede a posteriori, partindo não da idéia de Deus, mas dos efeitos por ele produzidos, formulando cinco argumentos, cinco vias:

1) o movimento existe e é uma evidência para os nossos sentidos; ora, tudo o que se move é movido por outro motor; se esse motor, por sua vez, é movido, precisará de um motor que o mova, e, assim, indefinidamente, o que é impossível, se não houver um primeiro motor imóvel, que move sem ser movido, que é Deus;

2) há uma série de causas eficientes, causas e efeitos, ao mesmo tempo; ora, não é possível remontar indefinidamente na série das causas; logo, há uma causa primeira, não causada, que é Deus;

3) todos os seres que conhecemos são finitos e contingentes, pois não têm em si próprios a razão de sua existência - são e deixam de ser; ora, se são todos contingentes, em determinado tempo deixariam todos de ser e nada existiria, o que é absurdo; logo, os seres contingentes implicam o ser necessário, ou Deus;

4) os seres finitos realizam todos determinados graus de perfeição, mas nenhum é a perfeição absoluta; logo, há um ser sumamente perfeito, causa de todas as perfeições, que é Deus;

5) a ordem do mundo implica em que os seres tendam todos para um fim, não em virtude de um acaso, mas da inteligência que os dirige; logo, há um ser inteligente que os dirige; logo, há um ser inteligente que ordena a natureza e a encaminha para seu fim; esse ser inteligente é Deus.
 

Homem, alma e conhecimento

Para Tomás de Aquino, o homem é corpo e alma inteligente, incorpórea (ou imaterial), e se encontra, no universo, entre os anjos e os animais. Princípio vital, a alma é o ato do corpo organizado que tem a vida em potência.

Contestando o platonismo e a tese das idéias inatas, Tomás de Aquino observa que se a alma tivesse de todas as coisas um conhecimento inato, não poderia esquecê-lo, e, sendo natural que esteja unida a um corpo, não se explica porque seja o corpo a causa desse esquecimento.

Conhecer, para Tomás de Aquino, não é lembrar-se, como pretendia Platão, mas extrair, por meio do intelecto agente, a forma universal que se acha contida nos objetos sensíveis e particulares. Do conhecimento depende o apetite, ou o desejo, inclinação da alma pelo bem.

O homem, segundo Tomás de Aquino, só pode desejar o que conhece, razão pela qual há duas espécies de apetites ou desejos: os sensíveis e os intelectuais. Os primeiros, relativos aos objetos sensíveis, produzem as paixões, cuja raiz é o amor. Quanto aos segundos, produzem a vontade, apetite da alma em relação a um bem que lhe é apresentado pela inteligência como tal.

Seguindo Aristóteles, Tomás de Aquino diz que, para o homem, o bem supremo é a felicidade, que não consiste na riqueza, nem nas honrarias, nem no poder, em nenhum bem criado, mas na contemplação do absoluto, ou visão da essência divina, realizável somente na outra vida, e com a graça de Deus, pois excede as forças humanas.
 

Catedral de idéias

Expressão e apogeu do mundo medieval, o tomismo é uma catedral de idéias, em que a teologia do século 13 encontrou sua formulação mais coerente e mais sólida. No entanto, nem sempre foi aceito pelos escolásticos medievais: os seguidores de Duns Scotus, por exemplo, combateram o seu intelectualismo.

Somente na segunda metade do século 16 o tomismo foi reconhecido como arma de defesa e ataque da Contra-Reforma, época em que surgiram os grandes comentaristas do sistema, entre os quais o dominicano português Johannes de Sancto Thoma (1589-1644).

Depois de uma época de esquecimento, entre os séculos 18 e 19, o tomismo renasceu sob a denominação de neotomismo, escola filosófica representada, por exemplo, pelos filósofos Étienne Gilson e Jacques Maritain.

 
Enciclopédia Mirador Internacional

http://educacao.uol.com.br/biografias/tomas-de-aquino.jhtm

São Tomás de Aquino

São Tomás de Aquino nasceu na Itália, próximo a Roccasecca, na Itália, mais precisamente perto de Aquino (comuna italiana da região do Lácio), e ficou conhecido como um dos mais importantes pensadores cristãos e cultos existentes até os dias atuais.
São Tomás era filho do Conde de Aquino, realizou seus estudos no mosteiro da ordem de São Bento de Cassino e em seguida seguiu para a Universidade de Nápoles, quando tomou conhecimento do conjunto de produções literárias de um filósofo grego de nome Aristóteles.
No ano de 1244, mesmo contra o anseio da família, decidiu tornar-se um Dominicano, abdicando de todos os bens e títulos que possuía. No mesmo ano parte com seu mestre Alberto Magno, também dominicano, para Paris, onde passam a viver no convento Saint Jacques.
Depois vão para Colônia (Alemanha), onde havia sido fundado um “studium generale”, e Alberto fica como Regente e Tomás como leitor. A permanência de quatro anos aí lhe permite exprimir por escrito suas primeiras obras: De ente et essentia e De princípios naturae. No ano de 1259 dá aula em Anagni; em 1265 em Roma, e em 1267 na cidade de Viterbo.
Entre os anos de 1259 e 1268 São Tomás instruiu-se na Universidade da Cúria Papal, na Itália; após o término de seus estudos decidiu publicar suas explanações a respeito da Física, da Metafísica (parte da Filosofia que estuda a essência dos seres), da Ética (esfera da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana) e da Política defendida por Aristóteles; na seqüência dedicou-se a sua obra capital, “A Suma Teológica”, finalizada no ano de 1242.
Foi para Paris, onde deu aulas na Unidade do Intelecto, a qual era a favor da existência individual da faculdade de pensar e do caráter essencial e exclusivo das pessoas.
São Tomás acabou voltando para a Universidade de Nápoles, onde viveu seus últimos anos de vida.
Enquanto era vivo, sempre seguiu as idéias de Aristóteles e as condimentou com a disposição habitual para a prática do bem; pregou constantemente a esperança e a caridade.
Ele apresentou uma proposta filosófica e educacional denominada Escolástica – que era a concordância da fé e da razão, bem como a compilação do conhecimento neste assunto.
Um dos seus feitos mais marcantes para o conjunto de idéias ocidentais foi sua confiança de que o avanço da civilização ocidental possui um significado real e que a existência espiritual e intelectual são assaz preciosas neste sentido.
Entre suas obras podemos citar as principais:
* De Virtutibus;
* Comentários ao Evangelho de São João;
* Comentários da Epístola de São Paulo;
* De unitate intellectus;
* De aeternitate mundi;
* Quaestiones Disputatae;
* Quaestiones Quodlibetales.
* Exposição sobre o Credo;
* O Ente e a Essência (1248-1252);
* Compêndio de Teologia (1258-1259);
* Suma Contra os Gentios;
* Comentário às Sentenças;
* Suma Teológica;
* Os Princípios da Realidade Natural. Editora Porto, 2003;
* Tratado da Lei. Porto. Rés-Editorial, 1988;
* Tratado da Justiça. Porto. Rés-Editora, 1989;
* A Unidade do Intelecto contra os Averroístas. Porto. Rés-Editora;
* O Ente e a Essência. Lisboa. Instituto Piaget.

http://www.infoescola.com/biografias/sao-tomas-de-aquino/

Afinal, Santo Tomás de Aquino está ultrapassado?

domingo, 25 de janeiro de 2015

Um doutor no Calvário

Observações do Dr. Pierre Barbet, a respeito da Paixão de Jesus Cristo, segundo o Santo Sudário
O doutor Pierre Barbet, cirurgião do Hospital de São José, em Paris, é quem fez, até agora, o estudo médico mais completo da paixão de Cristo, conforme se deduz do Santo Sudário (Cf. La Passione di N. S. Gesu Cristo secondo el chirurgo, L. I. C. E. Torino). Na impossibilidade de abranger todos os aspectos, resumimos os que nos parecem de maior interesse.
a) Lesões sofridas na via crucis.  
Barbet descobre no Lençol Santo lesões provocadas pelas quedas de Jesus na via crucis. São chagas na face anterior do joelho, sobretudo na direita. Esta última apresenta escoriações de forma e tamanho diversos, de bordos recortados e situadas exatamente na região rotuliana. Para cima e para fora se observam duas chagas redondas de dois centímetros de diâmetro. As lesões são menos evidentes e numerosas no joelho esquerdo.
As marcas da cruz sobre as costas despontam com nitidez na imagem dorsal da silhueta da relíquia. Sobre o ombro direito, na parte externa da região supraescapular, é visível uma extensa zona escoriada para baixo e para dentro, que oferece a forma de um retângulo de 10 centímetros de comprimento por 9 de largura. Mas abaixo na região escapular, observa-se outra zona escoriada que apresenta os mesmos caracteres (forma redonda com um diâmetro de 14 centímetros), exatamente situada na região subescapular, na ponta do omoplata esquerdo.
b) Topografia das chagas das mãos
Graças às observações do professor Barbet sobre o Santo Sudário, completadas depois com detidas experiências anatômicas, pôde-se localizar a topografia exata das chagas que produziram os pregos nas mãos de Jesus ao ser crucificado. Os pregos não atravessaram a palma, como vulgarmente se acredita, mas sim o carpo ou região do pulso, isto é, o pulso, precisamente pelo espaço livre, chamado de Destot, limitado pelos ossos semilunar, piramidal, grande e ganchoso. Com efeito, no lençol Santo descobre-se na mão esquerda, que é a mais visível, uma chaga redonda, muito nítida, na altura do carpo, da qual parte um filete de sangue que se irradia obliquamente para cima e para a direita até alcançar a margem cubital do antebraço.
c) O golpe da lança  e a chaga do flanco.
É crença muito comum situar o coração à esquerda do tórax, mas esta localização não é exata. O coração ocupa uma posição média e anterior e repousa sobre o diafragma, detrás dos pulmões e do peitilho ósseo esternocostal, no mediastino anterior. Somente sua ponta fica situada nitidamente à esquerda, enquanto sua base supera pela direita o esterno.
Certamente como conseqüência da opinião popular, que localiza o coração à esquerda do peito, existe uma tradição de opiniões que colocam o golpe de lança como desferido no flanco esquerdo de Jesus. Não todas, entretanto. Santo Agostinho, por exemplo, fala em "A Cidade de Deus" de latere dextro, flanco direito, tal como São Francisco de Assis. Segundo Barbet, o Santo Sudário veio elucidar com seu testemunho objetivo este problema, como tantos outros. A silhueta do tecido, com a manifestação clara da ferida, prova que o cadáver de Cristo sofreu o golpe da lança no costado direito e não no esquerdo. Observa-se assim na imagem anterior do lençol um enorme coágulo de sangue no lado direito, que se estende para cima uns seis centímetros e descende em uma dimensão de 15. Sua margem interna aparece mordiscada com recorte arredondado. Esta mancha de sangue ressalta no lençol, vista a pleno dia, por sua tonalidade carmim. A parte superior do coágulo, a mas próxima à chaga, é a mais espessa e a mais larga, e nela se distingue nitidamente um rastro oval, que é evidentemente a estampagem da chaga do flanco. Esta chaga mede 4,4 centímetros de comprimento por 1,5 de largura.
Barbet deduz que a ferida foi aberta por uma lança usada por um soldado de infantaria do chão, a qual penetrou pelo quinto espaço intercostal direito, atravessou a pleura e o pericárdio e feriu a aurícula direita. O sangue que brotou da ferida provinha de tal aurícula, e a água, do pericárdio, em virtude da agonia extraordinariamente penosa do Salvador.

http://www.acidigital.com/fiestas/semanasanta/doutor.htm

Avaliação médica da morte de Jesus

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Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo.
Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de morte. Jesus entrou em agonia no Getsêmani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.
O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas, e o faz com a decisão de um clínico. O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produziu o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas; o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.
Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus. Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos.
Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.
Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo). Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, entrega-O para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos… A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário.
Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso é de cerca de 600 metros; Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos e os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso. Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida sabe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim.
O sangue começa a escorrer; Jesus é deitado de costas; as suas chagas se incrustam de pó e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado.
Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego; quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.
O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio. A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira.
Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor.
Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu nada desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede… Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. É isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios.
A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico. Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais se esvaziar. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita.
Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.
Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.
Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça.
Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-se tendo como apoio o prego dos pés.
Inimaginável!
Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui.
Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas, todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”
Jesus grita: “Tudo está consumado!”. Em seguida num grande brado diz:
“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”
E morre… Em meu lugar e no seu.
Autor: dr. Pierre Barbet
Fonte: Veritatis Splendor
http://www.bibliacatolica.com.br/blog/espiritualidade/avaliacao-medica-da-morte-de-jesus/#.VMUu2NLF-Ak

O reino de Deus chegou

João é preso e assim termina a sua jornada. Jesus entra em cena. dirige-se a Galileia e proclama a boa-nova da chegada do reino. Conclui-se uma etapa e inicia-se nova era. Há grande tarefa a ser cumprida, e para isso Jesus chama colaboradores. Começa convocando duas duplas de irmãos, que abandonam a profissão de pescadores e partem imediatamente para a nova missão: pescadores de gente.
Jesus não inicia sua atividade em Jerusalém, centro político, religioso e cultural, mas na Galileia, região pouco valorizada, habitada por gente simples e pobre e próxima ao mundo pagão. Os pobres são os primeiros destinatários do reino de Deus.
O papa Francisco insiste na necessidade de a Igreja se voltar para os pobres e ir às periferias geográficas e sociais das grandes cidades. Acontece que é mais fácil e mais confortável se instalar nos centros ricos e desenvolvidos e se esquecer das enormes e pobres periferias.
Citando um documento da CNBB, o papa diz: "Desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais - sem terra, sem teto, sem pão, sem saúde - lesadas em seus direitos. Vendo a sua miséria, ouvindo os seus clamores e conhecendo o seu sofrimento, escandaliza-nos saber que existe alimento suficiente para todos e que a fome se deve à má repartição dos bens e da renda (EG191)".
Ao episcopado latino-americano (Celam), por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, assim se expressa o papa Francisco: "A posição do discípulo-missionário não é uma posição de centro, mas de periferias: vive em tensão para as periferias... No anúncio evangélico, falar de 'periferias existenciais' descentraliza, e, habitualmente, temos medo de sair do centro. O discípulo-missionário é um descentrado: o centro é Jesus Cristo, que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais". Está aí o apelo do papa, convocando a Igreja a ir às periferias para levar o reino de Deus que chegou com Jesus.

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o evangelho deste domingo 25/01/2015

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Papa Francisco: Não há cristianismo sem cruz!

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VATICANO, 08 Abr. 14 / 12:34 pm (ACI).- Nesta terça-feira, 8, na homilia de sua missa diária na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco afirmou que “a Cruz não é só um ornamento para nossas igrejas, nem um mero símbolo que nos distingue dos outros; é o mistério do Amor de Deus”. O Papa enfatizou que não pode haver vida cristã sem a presença da Cruz.
Comentando o Evangelho de hoje, Francisco frisou que Jesus alerta os fariseus dizendo-lhes: ‘Morrereis no vosso pecado’. “Não há possibilidade de sair sozinhos do nosso pecado –prosseguiu- estes doutores da lei, estas pessoas que ensinavam a lei não tinham uma ideia clara sobre isto. Acreditavam, sim, no perdão de Deus, mas sentiam-se fortes, auto-suficientes, sabiam tudo.”
“O cristianismo não é uma doutrina filosófica, não é um programa de vida para sobreviver, para ser educados, para fazer a paz. Estas são consequências. O cristianismo é uma pessoa, uma pessoa erguida, na Cruz, uma pessoa que se aniquilou a sí própria para nos salvar; fez-se pecado. E assim como no deserto foi erguido o pecado, aqui foi erguido Deus, feito homem e feito pecado por nós. E todos os nossos pecados estavam ali. Não se percebe o cristianismo sem se perceber esta humilhação profunda do Filho de Deus, que humilhou-se a si próprio fazendo-se servo até à morte de Cruz, para servir.”
“Assim, O coração da salvação de Deus, é seu filho que assumiu sobre si todo os nossos, a nossa soberba, as nossas seguranças, a nossa vaidade, nossa vontade de ser como Deus. Um cristão que sabe gloriar-se em Cristo Crucificado, não entendeu o que significa ser cristão”.
Falando sobre a Cruz e a redenção, Francisco afirmou: “A cruz não é um ornamento, que nós devemos meter sempre nas igrejas sobre o altar. Não é um símbolo que se distingue dos outros. A Cruz é o mistério, o mistério do amor de Deus, que se humilha a si próprio, faz-se um nada, faz-se pecado.”
“O perdão que nos dá Deus são as chagas do seu Filho na Cruz, erguido na Cruz. Que Ele nos atraia para Si e que nós nos deixemos curar”, concluiu o Santo Padre.

http://www.bibliacatolica.com.br/blog/santa-se/papa-francisco-nao-ha-cristianismo-sem-cruz/#.VMLV0NLF-Ak