domingo, 8 de fevereiro de 2015

Menina prodígio Akiane Kramarik



Uma das histórias mais impressionantes contada por ela mesmo no vídeo é a de que pediu certa vez para saber como era Jesus Cristo para pintar, no dia seguinte pela manhã um homem toca a campainha e diz que era o modelo para a pintura.
Akiane Kramarik (Illinois, 9 de Julho de 1994), em russo Акианэ Крамарик, criança prodígio, é uma artista e poetisa nascida nos Estados Unidos.
Akiane Kramarik nasceu em Mount Morris (Bairro conhecido de Detroit), no estado americano de Illinois, filha de mãe lituana e de pai norte-americano, ateus onde o lar não tiha uma referência sobre Deus.
Sua genealogia inclui poloneses, húngaros, eslovacos, russos, boêmios, chineses, franceses, dinamarqueses, judeus e germânicos[carece de fontes]. Segundo o Site Oficial, ela não frequenta escolas, sendo ensinada em casa por professores particulares.Sendo, inicialmente, uma autodidata em pintura artística, Akiane Kramarik começou a desenhar aos quatro anos de idade, pinta desde os seis e compõe poesias desde os seus sete anos.
Seu primeiro auto-retrato foi vendido por dez mil dólares.
Como ela mesma diz, sua arte é inspirada nas visões do céu, bem como em sua ligação com o Criador. Sua arte inclui paisagens, vida selvagem, pessoas.Aos dez anos, ela participou de uma entrevista do programa de TV norteamericana The Oprah Winfrey Show, e também apareceu na rede CNN.

http://bibliacomentada.com.br/index.php/menina-de-12-anos-filha-de-ateus-faz-pinturas-ceu-e-de-jesus-apos-revelacao-divina/

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Você quer ser um bom pai? Siga estes conselhos do Papa Francisco

VATICANO, 04 Fev. 15 (ACI/EWTN Noticias) .- “Um bom pai sabe esperar e sabe perdoar, do fundo do coração”, afirmou o Papa Francisco durante a Audiência Geral na Sala Paulo VI, na qual refletiu sobre o papel do pai na família, colocando como exemplo a parábola do Filho Pródigo.

Como já havia anunciado na semana passada, a catequese de hoje se referiu à função do pai na família, a partir de uma perspectiva positiva, deixando de lado os “perigos dos pais 'ausentes'”.

“Toda família precisa do pai”, começou dizendo. O pai “sabe bem quanto custa transmitir esta herança: quanta proximidade, quanta doçura e quanta firmeza”, mas também “quanto consolo e recompensa se recebe quando os filhos honram esta herança! É uma alegria que redime todo cansaço, que supera toda incompreensão e cura toda ferida”.

Francisco falou depois de algumas necessidades, como a da presença do pai na família. “Que seja próximo à mulher, para partilhar tudo, alegrias e dores, cansaços e esperanças. E que seja próximo aos filhos em seu crescimento: quando brincam e quando se empenham, quando estão despreocupados e quando estão angustiados, quando se exprimem e quando ficam em silêncio, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando reencontram o caminho”. Em todas estas ocasiões “o pai deve estar sempre presente”.

Mas, o Papa alertou que estar presente não é o mesmo que “controlar”: “Os pais muito controladores anulam os filhos, não os deixam crescer”.

O Pontífice colocou como exemplo o Evangelho que fala de Deus como sendo um “Pai bom” e a Parábola do Filho Pródigo ou “do pai misericordioso”.

“Os pais devem ser pacientes. Tantas vezes não há outra coisa a fazer se não esperar; rezar e esperar com paciência, doçura, magnanimidade, misericórdia”.

E é que “um bom pai sabe esperar e sabe perdoar, do fundo do coração. Certo, sabe também corrigir com firmeza: não é um pai frágil, complacente, sentimental. O pai que sabe corrigir sem degradar é o mesmo que sabe proteger sem se economizar”.

Para fazer mais compreensíveis suas palavras o Papa colocou o seguinte exemplo: “Uma vez ouvi em uma reunião de matrimônio um pai dizer: ‘Algumas vezes preciso bater um pouco nos filhos… mas nunca no rosto para não degradá-los’”.

“Sem a graça que vem do Pai que está nos céus, os pais perdem a coragem e abandonam o campo. Mas os filhos precisam encontrar um pai que os espera quando retornam dos seus insucessos. Farão de tudo para não admitir isso, para não deixarem ver, mas precisam; e não encontrar isso abre feridas difíceis de curar”.

Em sua catequese, Francisco tomou algumas expressões do Livro dos Provérbios dirigidas aos próprios filhos: “Filho meu, se o teu coração for sábio, também o meu será cheio de alegria. Exultarei dentro de mim, quando os teus lábios disserem palavras retas”.

“Não se poderia exprimir melhor o orgulho e a comoção de um pai que reconhece ter transmitido ao filho aquilo que realmente conta na vida, ou seja, um coração sábio”.

O Papa explicou que este pai não dizia “estou orgulhoso de você porque és igual a mim, porque repetes as coisas que eu digo e que eu faço. Não, não lhe diz simplesmente qualquer coisa. Diz-lhe algo de bem mais importante, que podemos interpretar assim: ‘Serei feliz toda vez que te ver agir com sabedoria e estarei comovido toda vez que te ouvir falar com retidão’”.

“Isso é aquilo que quis te deixar, para que se tornasse uma coisa tua: a atitude de sentir e agir, de falar e julgar com sabedoria e retidão. E para que tu pudesses ser assim, te ensinei coisas que não sabia, corrigi erros que não vias. Fiz você sentir um afeto profundo e ao mesmo tempo discreto, que talvez não reconhecestes plenamente quando eras jovem e incerto. Dei a você um testemunho de rigor e de firmeza que talvez você não entendeu, quando você quis somente cumplicidade e proteção”.

O Papa continuou com o exemplo: “precisei eu mesmo, primeiro, colocar-me à prova da sabedoria do coração e vigiar sobre os excessos de sentimento e do ressentimento, para levar o peso das inevitáveis incompreensões e encontrar as palavras certas para me fazer entender. Agora, continua o pai – quando vejo que você procura ser assim com os teus filhos, e com todos, me comovo. ‘Sou feliz de ser teu pai’”.

E “é assim que diz um pai sábio, um pai maduro.”, assegurou Francisco.

Por último, o Papa assegurou que “a Igreja, nossa mãe, é empenhada em apoiar com todas as suas forças a presença boa e generosa dos pais nas famílias, porque esses são para as novas gerações protetores e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, da fé na justiça e na proteção de Deus, como São José”.


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Fonte de amor

O coração de Jesus é amor e fonte do amor. Dele nada se alcança a não ser por amor. Ele é a força mais poderosa do mundo. Não há temor no amor, pois quem ama nada teme. O amor desinteressado perdura sempre. é preciso despertar no coração o gosto pelas coisas singelas e vivas do amor. Não existe atitude mais edificante do que retribuir amor com amor. Busque em seu coração as pedras preciosas do amor, que enriquece a todos. Não menospreze quem não sabe amar; só amando aprendemos a amar. O amor é a escada pela qual o coração sobe o céu. Amar é uma decisão que inclui medos e tristezas, mas também uma experiência repleta de alegrias e aprendizados. A força do amor tudo alcança. 
Padre Antônio Francisco Bohn

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O Rosário, um tesouro - Por Pe. Gabriele Amorth (Exocista de Roma)

Queridos irmãos, queridas irmãs, a paz! No mês de outubro, consagrado à piedosa devoção do Santo Rosário, procuramos sempre mais “contemplar Cristo com Maria”. Retomando o discurso sobre o Rosário, nosso pensamento se remete à definição que lhe foi dada por Paulo VI: “Compêndio de todo o Evangelho”. Na realidade, a característica fundamental desta piedosa prática é ser, ao mesmo tempo, oração e meditação dos principais mistérios cristãos.



É por isso que Nossa Senhora em Fátima propõe o Rosário como antídoto ao ateísmo: o homem de hoje tem mais necessidade do que nunca de rezar e de meditar as grandes verdades reveladas. Não é de admirar a insistência dos papas em recomendar esta oração: pensemos, por exemplo (antes da Carta Apostólica “Rosarium Virginis Mariae”, de João Paulo II), nas doze Encíclicas sobre o Rosário de Leão XIII. E não nos admiremos com o fato de que, nas Aparições de Lourdes e de Fátima, tenha sido dado tanto destaque a esta piedosa devoção mariana.


O Rosário, um tesouro a ser redescoberto


A história do Rosário tornou-se conhecida sobretudo depois da celebração do Ano do Rosário (de outubro de 2002 a outubro de 2003). E ficamos conhecendo o acréscimo dos cinco “Mistérios da Luz”, com os quais o Papa Wojtyla quis enriquecer esta piedosa devoção mariana.

Aqui queremos recuperar – em outubro, que é precisamente o mês do Rosário – algumas reflexões que nos parecem particularmente atuais.

O ritmo da vida dos nossos dias quebrou a unidade da família: os familiares passam pouco tempo juntos e, às vezes, mesmo naqueles poucos momentos não se conversa, porque quem rege a casa é a televisão... Mas já Pio XII insistia sobre a retomada do Rosário em família: “Se unidos recitais o Rosário, desfrutareis da paz em vossas famílias, tereis a harmonia doespírito nas vossas casas”. “A família que reza unida permanece unida”, repetia em todas as partes do mundo o americano P. Peyton, o incansável apóstolo do Rosário em família. E João Paulo II nos recordava: “O nosso coração pode abraçar, nestas dezenas do Rosário, os fatos que compõem a vida do indivíduo, da família, da Nação, da Igreja, da humanidade. O Rosário marca o ritmo da vida humana” (RVM, 2).

O Rosário é também a oração da paz, a oração que abraça o mundo inteiro. Um outro grande apóstolo do Rosário dos últimos tempos, o Bispo Fulton Sheen, tinha concebido uma coroa de cinco cores, que ainda está muito em uso: uma dezena de contas verdes, para lembrar a África (conhecida por suas verdes florestas), uma dezena de contas vermelhas para a América (habitada originalmente pelos índios), uma dezena de contas brancas para a Europa (em homenagem à veste branca do Papa), uma dezena de contas azuis para a Oceania (imersa no azul do Pacífico), e uma dezena de contas amarelas para o imenso continente asiático (com referência à tendência de cor da pele de algumas raças de seus habitantes). Assim, ao fim da coroa, abraçou-se o mundo.

O homem tem hoje, mais do que nunca, a necessidade de fazer pausas para o silêncio e reflexão. No mundo de hoje, existe a necessidade do silêncio orante. Se acreditamos no poder da oração, estamos convencidos de que o Rosário é mais forte do que a bomba atômica.

Relembremos tudo quanto foi sugerido no “Ano do Rosário”, particularmente na Carta Apostólica “Rosarium Virginis Mariae”, do Papa João Paulo II: as razões para sermos fiéis a esta piedosa prática mariana permanecem todas plenamente válidas: de fato, ao que parece, ainda mais do que antes: porque hoje há uma necessidade ainda maior de “redescobrir uma oração tão fácil e, ao mesmo tempo, tão rica” (RVM, 43) como é o Santo Rosário.


http://defensoresdasagradacruz.blogspot.com.br/2012/09/o-rosario-um-tesouro-por-pe-gabriele.html

“O PREÇO A PAGAR” — autobiografia de um muçulmano convertido ao catolicismo (Parte I)

Luiz Sérgio Solimeo
A leitura da fascinante autobiografia de Muhammad Moussavi que narra sua conversão do Islã para o catolicismo…
…Mostra os milagres da graça e da correspondência humana, de um lado, e de outro a terrível dureza da lei islâmica e a perseguição em relação aos cristãos. 
O Preço a pagar [foto], título do livro, resume bem o que teve que passar essa alma de escol para ser fiel ao chamado da graça. Após sua conversão ele adotou o nome de Joseph Fadelle.
Muçulmano de importante família
Joseph Fadelle pertencia a uma das mais importantes família muçulmanas xiitas do Iraque, o clã Moussavi. Seu pai, como chefe do clã era uma espécie de juiz e resolvia as pendência entre os membros do clã. Ao mesmo tempo era detentor de grande fortuna e prestígio.
Em 1987 Fadelle foi convocado para o exército do Iraque, então sob o domínio de Saddam Hussein, em plena guerra desse país com seu vizinho, o Irã. A essa altura ele tinha 23 anos e
era solteiro.
Enviado para uma guarnição na fronteira com o Irã, ele foi alojado num quarto juntamente com
um cristão.
Ao saber que ia ficar com um cristão ele ficou indignado, pois como muçulmano e de uma família que descendia de Maomé, isso era uma insulto.
O desafio: você entende o Corão?
Mas, o cristão, de nome Massoud, era mais velho do que ele e o acolheu com gentileza, de modo que, pouco a pouco as prevenções foram caindo. Fadelle concebeu o plano de convertê-lo para o Islã. Numa ausência de Massoud, vendo entre seus livros um com o título Os Milagres de Jesus, ficou curioso e começou a lê-lo.
Ele não tinha a menor ideia de quem se tratava, pois no Corão Jesus é chamado de Isa, mas ficou encantado com os milagres, como o das Bodas de Caná e atraído pela figura de Jesus.
Porém, ainda com o desejo de converter Massoud ao Islã, um dia perguntou-lhe se os cristãos tinham também um livro sagrado, como o Corão. Tendo tido a resposta de que os cristãos tinham a Bíblia ele pediu para vê-la, achando que seria fácil refutá-la.
Para surpresa sua, Massoud negou-se a mostrar o livro cristão e lhe fez uma perguntasurpreendente: se ele tinha lido o Corão. Tal pergunta era ofensiva para quem tinha sido criado no Islã, mas ele respondeu apenas que o tinha lido.
Então veio a nova pergunta, esta sim, embaraçante: “Você compreendeu o sentido de cada palavra, de cada verso?”
Conta o futuro cristão que essa pergunta penetrou-lhe no cérebro como um dardo incandescente, pois, segundo o Islã o que importa não é entender o Corão, mas apenas lê-lo.
Diante de seu embaraço, seu companheiro fez-lhe a seguinte proposta: que ele lesse de novo o Corão, mas agora procurando entender cada frase; depois disso ele lhe emprestaria o livro
dos cristãos.
Desencanto com o Corão e um sonho místico
Muhammad aceitou a proposta o que veio mudar-lhe completamente a vida. Pois, à medida que procurava entender o sentido do que estava escrito no Corão, se dava conta de que havia muita coisa absurda ou sem sentido. A consulta a um Imã não lhe resolveu as dúvidas e cada vez mais ele foi ficando desencantado com o livro islâmico.
Era como se escamas caíssem de seus olhos e ele passasse a ver pela primeira vez o que realmente dizia o Corão.
Finda essa leitura atenta, meditada, ele chegou à conclusão de que esse livro não podia ser de origem divina.
Foi então que se passou um fato de natureza mística que preparou a sua conversão. Ele sonhouque estava num prado, à beira de um riacho e via na outra margem um homem muito imponente, extremamente atraente.
Ele tentou pular para a outra margem, mas ficou parado no ar até que o misterioso personagem o tomou pela mão e o trouxe para junto de si e lhe disse:
“Para atravessar o riacho, é preciso que tu comas o pão da vida.” Em seguida ele acordou…

http://www.adf.org.br/home/2015/02/o-preco-a-pagar-autobiografia-de-um-muculmano-convertido-ao-catolicismo-parte-i/?origem=760

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Influência da Virgem Maria na vida da Igreja

1. Depois de ter refletido sobre a dimensão Mariana na vida eclesial, dispomo´nos agora a pôr em evidência a imensa riqueza espiritual que Maria comunica à Igreja, com o seu exemplo e a sua intercessão.

Desejamos, antes de mais, deter´nos a considerar brevemente alguns aspectos significativos da personalidade de Maria, que oferecem a cada fiel indicações preciosas para acolher e realizar plenamente a própria vocação.

Maria precedeu´nos na via da fé: crendo na mensagem do anjo, ela é a primeira a acolher, e de modo perfeito, o mistério da Encarnação (cf. Redemptoris Mater, 13). O seu itinerário de crente inicia ainda antes do princípio da maternidade divina e desenvolve´se e aprofunda´se durante toda a sua experiência terrena. É audaz a sua fé, que na Anunciação crê no humanamente impossível e em Caná impele Jesus a realizar o primeiro milagre, provocando a manifestação dos seus poderes messiânicos (cf. Jo. 2,1´5). Maria educa os cristãos a viverem a fé como caminho empenhativo e envolvente, que, em todas as épocas e situações da vida, requer audácia e perseverança constante.

2. A fé de Maria está ligada à sua docilidade à vontade divina. Crendo na Palavra de Deus, pôde acolhê´la plenamente na sua existência e, mostrando´se disponível ao soberano desígnio divino, aceitou tudo o que lhe era requerido do Alto. A presença da Virgem na Igreja encoraja assim os cristãos a porem´se cada dia à escuta da Palavra do Senhor, para compreenderem o seu plano de amor nas diversas vicissitudes quotidianas, cooperando com fidelidade para a sua realização.

3. Desse modo, Maria educa a comunidade dos crentes para olhar rumo ao futuro, com pleno abandono em Deus. Na experiência pessoal da Virgem, a esperança enriquece´se de motivações sempre novas. Desde a Anunciação, Maria concentra no Filho de Deus, encarnado no seu seio virginal, as expectativas do antigo Israel. A sua esperança revigora´se nas fases sucessivas da vida de Nazaré e do ministério público de Jesus. A sua grande fé na palavra de Cristo que tinha anunciado a sua ressurreição ao terceiro dia, não a fez vacilar nem sequer diante do drama da Cruz: ela conservou a esperança no cumprimento da obra messiânica, esperando sem hesitações, depois das trevas da Sexta´Feira Santa, a manhã da ressurreição.

No seu difícil peregrinar na história, entre o ´já´ da salvação recebida e o ´não ainda´ da sua plena realização, a comunidade dos crentes sabe que pode contar com o auxílio da ´Mãe da Esperança´ que, tendo experimentado a vitória de Cristo sobre as potências da morte, lhe comunica uma capacidade sempre nova de espera do futuro de Deus e de abandono às promessas do Senhor.

4. O exemplo de Maria faz com que a Igreja aprecie melhor o valor do silêncio. O silêncio de Maria não é só sobriedade no falar, mas sobretudo capacidade sapiencial de fazer memória e de acolher, num olhar de fé, o mistério do Verbo feito homem e os eventos da sua existência terrena. É este silêncio´acolhimento da Palavra, esta capacidade de meditar no mistério de Cristo, que Maria transmite ao povo crente. Em um mundo cheio de confusão e de mensagens de todo o gênero, o seu testemunho faz apreciar um silêncio espiritualmente rico e promove o espírito contemplativo.

Maria testemunha o valor de uma existência humilde e escondida. Normalmente todos exigem, e por vezes pretendem, poder valorizar inteiramente a própria pessoa e as próprias qualidades. Todos são sensíveis à estima e à honra. Os Evangelhos referem em várias ocasiões que os Apóstolos ambicionavam os primeiros lugares no reino, discutiam entre si quem era o maior e que Jesus lhes teve de dar, quanto a isto, lições sobre a necessidade da humildade e do serviço (cf. Mt. 18,1´5; 20, 20´28; Mc. 9,33´37; 10,35´45; Lc. 9,46´48; 22,24´27). Maria, ao contrário, jamais desejou as honras e vantagens de uma posição privilegiada; procurou sempre cumprir a vontade divina, levando uma existência segundo o plano salvífico do Pai.

A quantos não raro sentem o peso duma existência aparentemente insignificante, Maria manifesta quanto pode ser preciosa a vida, se é vivida por amor de Cristo e dos irmãos.

5. Maria, além disso, testemunha o valor duma vida pura e repleta de ternura por todos os homens. A beleza da sua alma, totalmente doada ao Senhor, é objeto de admiração para o povo cristão. Em Maria a comunidade viu sempre um ideal de mulher, cheia de amor e de ternura, porque viveu na pureza do coração e da carne. Perante o cinismo duma certa cultura contemporânea que, muitas vezes, parece não reconhecer o valor da castidade e banaliza a sexualidade, separando´a da dignidade da pessoa e do projeto de Deus, a Virgem Maria propõe o testemunho duma pureza que ilumina a consciência e conduz a um amor maior pelas criaturas e pelo Senhor.

6. E ainda: aos cristãos de todos os tempos, Maria mostra´se como aquela que prova uma viva compaixão pelos sofrimentos da humanidade. Essa compaixão não consiste somente numa participação afetiva, mas traduz´se numa ajuda eficaz e concreta diante das misérias materiais e morais da humanidade. A Igreja, seguindo Maria, é chamada a assumir uma atitude idêntica para com os pobres e todos os sofredores da terra. A atenção materna da Mãe do Senhor às lágrimas, às dores e às dificuldades dos homens e das mulheres de todos os tempos, deve estimular os cristãos, de modo particular ao aproximar´se do terceiro milênio, a multiplicar os sinais concretos e visíveis dum amor que faça os humildes e os sofredores de hoje participarem nas promessas e esperanças do mundo novo, que nasce da Páscoa.

7. O afeto e a devoção dos homens para com a Mãe de Jesus ultrapassam os confins visíveis da Igreja e impelem os ânimos a sentimentos de reconciliação. Como uma Mãe, Maria quer a união de todos os seus filhos. A sua presença na Igreja constitui um convite a conservar a unanimidade de coração, que reinava na primeira comunidade (cf. At. 1,14) e, por conseguinte, a procurar também as vias da unidade e da paz entre todos os homens e todas as mulheres de boa vontade.

Na sua intercessão junto do Filho, Maria pede a graça da unidade do gênero humano, em vista da construção da civilização do amor, superando as tendências à divisão, às tentações da vingança e do ódio, e à fascinação perversa da violência.

8. O sorriso materno da Virgem, reproduzido em boa parte na iconografia mariana, manifesta uma plenitude de graça e de paz que quer comunicar´se. Essa manifestação de serenidade do espírito contribui de modo eficaz para conferir um rosto jubiloso à Igreja.

Acolhendo na Anunciação o convite do anjo a alegrar´se (Káire=alegra´te: Lc. 1,28), Maria é a primeira a participar na alegria messiânica, já predita pelos profetas para a ´filha de Sião´ (cf. Is. 12,6; Sof. 3,14´15; Zac. 9,8), e transmite´a à humanidade de todos os tempos.

O povo cristão, invocando´a como ´causa nostrae laetitiae´, descobre nela a capacidade de comunicar a alegria que nasce da esperança mesmo no meio das provas da vida e de guiar quem a ela se confia para a alegria que não terá fim.

* L´Osservatore Romano, Ed. Port. n.47, 25/11/95, pag. 12(576) DO Livro: A VIRGEM MARIA ´ 58 CATEQUESES DO PAPA JOÃO PAULO II

Deus é um delírio?


Escrito por Dom Eduardo Benes

O fundamentalismo ateísta tem na recente publicação de Richard Dawkins, "Deus, um delírio", biólogo em Oxford, seu mais novo defensor. O autor vê a religião como uma espécie de neurose coletiva, fruto de uma debilidade intelectual que, além de inibir, coíbe o desenvolvimento científico. Nutre ainda o autor a pretensão de que sua obra possa tornar ateus, pela via argumentativa, seus leitores, que dela se aproximarem com "isenção". Donde, pois, a importância de levar a todos uma reflexão que os ajude a enfrentar tais "argumentos", mostrando ser falsa a "cientificidade" de grande parte dos questionamentos levantados por Dawkins, o que compromete de algum modo toda sua obra, e, conseqüentemente, a seriedade científica do autor. Em refutação a alguns dos argumentos nela enunciados, Alister MacGrath e Joanna McGrath, ambos pesquisadores de Oxford, publicaram um opúsculo - "O delírio de Dawkins"- no qual questionam a autoridade e a sanidade do colega de trabalho. Afirmam: "Deus, um delírio é uma obra teatral, em vez de acadêmica: uma investida feroz e retórica contra a religião"; e ainda: "seu autor parece ter feito a transição de um cientista, com apaixonada preocupação com a verdade, para um grosseiro propagandista anti-religioso, que revela claro descuido pela evidência". Finalizam: "o ateísmo deve estar mesmo em uma situação lastimável, se seu principal defensor precisa depender tão ostensivamente - e tão obviamente - do improvável e do falso para sustentar seu argumento".

Deus, um delírio não propõe o novo ao afirmar que a idéia de Deus é como um vírus que infecta mentes saudáveis; seu autor já o havia dito nos anos 1990. O casal MacGrath, no entanto, reflete: "os vírus biológicos não são apenas hipotéticos: eles podem ser identificados, observados e sua estrutura e modos de operação determinados". Assim sendo, a teoria de Dawkins parece carecer de embasamento empírico; nada mais contraditório para um cientista moderno. Se não bastasse o abuso de falácias que se multiplicam ao longo da obra, o biólogo de Oxford ataca o Deus cristão diretamente e sem compostura alguma: "o Deus do Antigo Testamento é, talvez, o personagem mais desagradável da ficção", adjetivando-o como segue: "ciumento e orgulhoso; controlador mesquinho, injusto e intransigente; genocida étnico e vingativo, sedento de sangue; perseguidor misógino, homo-fóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sado-masoquista, malévolo". Resume e define-o como "insípido" e "enjoativamente nauseante".

Falta a Dawkins a perspectiva filosófico-teológica quando migra do campo específico das ciências empíricas para a área das questões filosóficas e religiosas. Levanta ainda hipóteses gratuitas sobre a atuação de Jesus. Para ele Jesus, por fidelidade às tradições judaicas, teria sido hostil a algumas pessoas, especialmente os forasteiros e estrangeiros. Dawkins afirma: "Foi Paulo quem inventou a idéia de levar o Deus judeu aos gentios"; e finaliza com desdém: "Jesus teria se revirado no túmulo se soubesse que Paulo estava levando seu plano aos porcos". Educadamente Alister MacGrath e Joanna McGrath observam: "a excessiva confiança de Dawkins na retórica, em vez de firmar-se na evidência, indica claramente que algo está errado em seu argumento", e perguntam, em tom afirmativo: "não seria o ressurgimento inesperado da religião capaz de convencer muitos de que o ateísmo em si é fatalmente deficiente como visão de mundo?"

Enganam-se os que pensam que o "delírio" de Richard Dawkins é capaz de silenciar as pessoas de fé. Além dos colegas de trabalho, outro baluarte da pesquisa científica se manifesta contra esta espécie de fundamentalismo ateu. Francis S. Collins, biólogo e diretor do projeto que decifrou o código genético humano, em "A linguagem de Deus", não apenas apresenta, a partir da ciência, indícios da existência de Deus, como narra sua conversão do ateísmo para a fé em Deus. Mais importante: não apenas cria uma ponte de diálogo entre a religião e a ciência, como também mostra a harmonia entre elas.

Longe de silenciar os lábios e os corações dos que crêem em Deus - como o deseja Dawkins -, o avanço das ciências faz brotar com mais intensidade ainda, no coração do mundo, a admiração e o louvor da sabedoria divina impressa na criação, obra amorosa de Deus confiada ao ser humano, sua criatura predileta. São muitos os cientistas que, em razão da inteligibilidade do universo, condição de possibilidade da própria ciência, se abrem para a fé em Deus Criador. Concluo com a palavra do Livro da Sabedoria sobre os que negam Deus: "foram incapazes de conhecer Aquele que é a partir das coisas visíveis" - objeto de pesquisa -, "e, olhando suas obras, não reconheceram o artífice"(Sab 13,1). E "Os céus narram sua glória"(Sl 19,1).


* A presente reflexão teve a colaboração do Pe. Rodolfo Gasparini Morbiolo ( rodolfo.morbiolo@terra.com.br )

* Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues é arcebispo de Sorocoraba (SP)



http://www.universocatolico.com.br/index.php?/deus-e-um-delirio.html