quinta-feira, 5 de março de 2015

Orando na quaresma

Tende misericórdia, Senhor, tende misericórdia! Fazei que vos sigamos com amor e fé, justiça e humildade, com autodomínio, fidelidade e coragem! Que possamos ir ao vosso encontro, silenciosamente. Dai-nos um espírito puro para ver-vos, um espírito humilde para ouvir-vos, um espírito amoroso, para servi-vos, um espírito de fé, para amar-vos! 
Dag Hammarskjöld

quarta-feira, 4 de março de 2015

Ser grande é servir a todos

Ser grande é servir a todos. Aquilo que o levanta não pode ser aquilo que derruba e faz o outro se tornar pior. 
“Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo” (João 8, 26-27).
A mãe dos filhos de Zebedeu, mãe de Tiago e de João, se aproximou de Jesus para fazer um pedido a Ele. Ela queria que os filhos se sentassem um à direita e outro à esquerda do Senhor quando Ele viesse em Sua glória. Esse era o mesmo desejo que estava no coração deles. Em outra narração desse mesmo Evangelho, eles mesmos se aproximam de Jesus e Lhe dizem: “Senhor, queremos um lugar à tua direita e outro à tua esquerda”. Sabe, aquela mãe orgulhosa dos seus filhos, ela quer sempre o lugar melhor e o destaque para eles. Muitas vezes, até sobrepõe seus filhos aos demais filhos.
Eu já escutei em tantas conversas de roda aquelas mães que gostam só de contar vantagens sobre os filhos. Quando falo mãe, falo dos pais também, muitas vezes, até envergonhando o filho do vizinho e o filho de quem a escuta, porque o filho dela é sempre bom, sempre tem vantagens.
Algumas vezes, eu vejo que essas conversas são rodeadas de um certo exagero ou de um desejo, sempre pretensioso, de que seus filhos sejam os melhores. É óbvio que pai e mãe querem sempre o melhor para os filhos, querem que eles cheguem longe, querem que sejam melhores do que eles mesmos. Não há nenhum mal nisso, não há nenhum mal nesse desejo de querer o melhor para seus filhos, que eles possam estudar numa boa escola, que eles tenham condição de fazer um curso superior e de ter uma formação. Desde que tudo o que você desejar para si e para os seus nunca seja para sobressair aos outros, para parecer-se melhor e ser motivo de orgulho.
Aquilo que o levanta não pode ser aquilo que derruba os outros, aquilo que o faz melhor não pode ser aquilo que faz o outro se tornar pior. Aquilo que o engrandece não pode ser aquilo que derruba o outro.
Hoje, Jesus  responde, com ternura de coração, aquele desejo pretensioso daquela mãe ao afirmar que, no Reino de Deus, essa não é a lógica. Se alguém quer se tornar grande, importante e estar acima dos outros, que se torne um servidor, que se torne servo, seja aquele que ajuda a todos.
Bom demais ver aquele que consegue chegar bem aonde queria na vida, tornou-se um médico, tornou-se um profissional gabaritado, tornou-se alguém que tem uma função de importância.
Mas, do que vale tudo isso, se o que você conseguiu para si ou para os seus não o fez mais servidor, mais irmão, mais fraterno, não o faz compartilhar o que você tem e pode com os outros? Se você quiser entrar na dinâmica do Reino de Deus, saiba que ela não é como a lógica deste mundo.
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/homilia/ser-grande-e-servir-a-todos/

segunda-feira, 2 de março de 2015

Estejamos atentos aos nossos relacionamentos

Estejamos atentos aos nossos relacionamentos, pois o remédio para curá-los não é o orgulho, não é a vingança, não é o “olho por olho”, mas sim o perdão e a misericórdia.
“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso” (Lucas 6, 36).
A Palavra de Deus vem hoje ao nosso encontro para nos mostrar qual é a medida, qual é o termômetro que Deus vai usar para medir e para julgar a cada um de nós. É a mesma medida que nós usamos para medirmos uns aos outros. É o modo como nós tratamos os outros quando falham, pecam, erram e não correspondem àquilo que queremos ou esperamos deles.
Primeiramente, ao olharmos para o coração do Pai, para a face do Pai, nós ficamos estremecidos e, como diz a primeira leitura da Santa Missa de hoje, ficamos corados de vergonha e a nossa face cai por terra, porque Deus é tão bom, é tão misericordioso e tem tanta compaixão das nossas faltas que isso nos causa estremecimento no coração.
Nós, muitas vezes, até abusamos dessa bondade de Deus, nós até dizemos: “Deus tudo perdoa”. Sim, Deus não nega a si mesmo, de fato, Ele tudo perdoa, basta que haja arrependimento, sinceridade, propósito e, no bom sentido da palavra, “vergonha na cara” de nossa parte. O Senhor nos ajuda a nos levantarmos de qualquer queda, de qualquer dureza e de qualquer erro que nós tenhamos cometido nesta vida.
O perdão de Deus não é uma coisa automática, Ele está sempre disposto a nos perdoar, contudo, é preciso que, de nossa parte, haja sincero e profundo arrependimento.

Se nos prostrarmos diante do Senhor, como fez hoje o profeta [da liturgia de hoje], reconhecendo que merecemos, na verdade, o castigo, e se realmente estivermos com o coração contrito, Deus apresentar-nos-á o Seu perdão e a Sua face misericordiosa.
O perdão de Deus não tem preço, Ele não cobra nada para nos perdoar. O Senhor pede apenas que façamos uma coisa: irmos ao encontro do nosso próximo, ao encontro de quem nos ofendeu, nos magoou e “pisou na bola” conosco e o tratemos da mesma forma como Ele nos trata e nos mede.
Precisamos parar de ter dupla identidade! Queremos tanto o perdão de Deus, mas, infelizmente, somos muito duros e difíceis para perdoarmos ao próximo. Nós queremos que Deus seja tão bom para conosco enquanto nós somos tão exigentes uns com os outros.
Deus é tão misericordioso para conosco, ao passo que nós sonegamos misericórdia e perdão ao outro, nós queremos jogar na cara dele e fazê-lo sofrer para que ele mereça um pouco da nossa autossuficiência e do nosso orgulho.
No entanto, o remédio para curar as nossas relações não é o orgulho, não é a vingança, não é o “olho por olho”, mas sim o perdão e a misericórdia. Deus nos trata com tanta misericórdia, que eu e você façamos o mesmo indo ao encontro do nosso próximo com a face misericordiosa de Deus impressa em nosso rosto e em nossa alma.
Deus abençoe você!
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A oração tem o poder de movimentar o céu


A oração precisa ser, antes de tudo, a oração da confiança, de entrega e abandono em Deus.
“Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta!” (Mateus 7,7).
Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, hoje, o Senhor nos ensina, neste tempo de graça que nós vivemos, a fazermos oração com a vida e a transformarmos a vida em oração.
Para isso, a primeira coisa a ser observada é que ter vida de oração é ter vida de confiança e de entrega no coração e nos braços de Deus. É ter a certeza de que, tudo aquilo que pedimos a Deus, Ele nos escuta. E se não nos dá algo do jeito que queremos ou achamos que precisamos, podemos ter certeza de que o Senhor cuida do melhor de nós e para nós.
Deus não se esquece de nós e quando nos colocamos nas mãos d’Ele, Ele vê mais adiante, olha além dos horizontes e enxerga aquilo que nós não conseguimos enxergar. Por isso, a oração precisa ser, antes de tudo, a oração da confiança, a oração de entrega e de abandono no Senhor. A oração de ter a certeza de que temos um Pai que cuida de nós.
A oração da desconfiança não chega a Deus, a oração do coração que não confia e pensa: “Eu vou pedir isso a Deus, mas não sei se vou conseguir”. Ou: “Vou pedir isso a Deus, mas tem que ser assim”. O filho pede, mas o pai dá mais do que este pede. Da mesma forma, Deus Pai cuida primeiramente do objetivo final para que nenhum de nós se perca nem esteja longe d’Ele. Por isso, muitas vezes, as coisas materiais que pedimos ao Senhor vão nos afastar d’Ele e nos tornar pessoas mais distantes, porque toda espécie de materialismo tira a vida espiritual de nós, cria aflições e preocupações desnecessárias para a vida. Por isso, nem sempre, o material pedido e encomendado ao Senhor vai ser recebido.
Deus cuida das nossas necessidades. Algumas vezes, suplicamos a Deus: “Senhor, cura-me. O Senhor curou a tantos”. Deus ouve, cura, liberta, mas, sobretudo, Ele guarda o nosso coração para aquela vida em que não existe mais nem doença, nem enfermidade.
Então, muitas vezes, a pessoa que queríamos perto de nós e sobre a qual dissemos: “Eu pedi tanto a Deus, supliquei tanto a Ele, parece que Deus não me ouviu”. Na verdade, Deus nos ouviu além do que precisávamos, além do que necessitávamos.
Confiar em Deus é colocar n’Ele a nossa inteira confiança, certos de que  Ele saberá cuidar de nós, porque o Senhor diz que, tudo o que queremos que os outros façam a nós, somos nós quem devemos fazer a eles.
Não deve ser só o “venha a nós o vosso reino”; é preciso que eu o faça acontecer dando o melhor de mim ao outro. Se eu não gosto que façam determinada coisa comigo, eu não devo fazê-la com os outros. Da mesma forma, se eu quero muito que as pessoas me tratem bem, cuidem de mim e me ajudem, é assim que eu tenho que fazer com os outros.
Que a minha vida seja reflexo da minha oração e que a minha oração contenha toda a minha vida!
Deus abençoe você!
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domingo, 22 de fevereiro de 2015

O tempo se cumpriu: o reino está perto

Jesus, logo após o batismo, é conduzido pelo Espirito ao deserto, onde se prepara para a missão e é tentado por satanás. O deserto é o lugar de retiro em vista de uma missão, mas também lugar de desafios e de provas. Após a experiência no deserto - a exemplo do povo de Israel - e em seguida à prisão de João Batista, Jesus sai do anonimato, dirige-se à Galiléia e começa a pregar: "O tempo se cumpriu e o reino de Deus está perto". Essas são as primeiras palavras de Jesus relatadas no Evangelho de Marcos.
Marcos não detalha as tentações de Jesus, apenas diz que ele foi tentado por satanás, o adversário do seu projeto. Jesus, o novo Adão que não sucumbe à tentação da serpente, ensina-nos que é possível vencer as tentações. O Espírito que o levou ao deserto e o fortalece contra a tentação é o mesmo que recebemos no batismo. Diariamente somos desafiados a viver com fidelidade seu projeto. Ao longo da vida, assumimos opções e fazemos escolhas, mostrando até que ponto somos de fato discípulos missionários de Jesus no dia a dia.
O tempo se cumpriu, o reino está próximo e é hora de conversão. Não é mais tempo de espera. Deus vem instaurar seu reino no meio da humanidade. Portanto, é ocasião de agir, já não cabe esperar. Com Jesus chegou a boa notícia para o povo, é momento de aderir ao seu reino. O forte apelo de conversão, ou seja, à mudança de mentalidade e de atitudes. A conversão envolve a pessoa em sua totalidade e determina novo rumo em sua vida.
Ora, o reino inaugurado por Jesus é algo que não se concretiza de forma mágica nem se impõe de forma violenta. Ele vai acontecendo à medida que nos convertemos e ele e aderimos ao evangelho. O reino de Deus só estará realizado quando a vida das pessoas estiver conforme o desejo do Pai. Satanás continua sendo o grande obstáculo do reino; como tentou Jesus, continua tentando a humanidade.

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o evangelho deste domingo 22/02/015

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O inferno visto por Santa Francisca Romana

Lembra-te dos teus novíssimos e não pecarás” (Ecl. 7,40) — recomenda a Sagrada Escritura. Os novíssimos do homem são as últimas coisas que a ele ocorrerão, ou seja, a morte, o juízo particular, o Céu, o inferno, o purgatório, o fim do mundo, a ressurreição dos mortos e o juízo final.


A 9 de março a Igreja comemora a festa de uma grande santa, cuja vida foi marcada por extraordinárias visões que teve do Céu, purgatório e inferno, bem como a ação dos anjos e dos demônios neste mundo. Trata-se de Santa Francisca Romana.

Nasceu ela em 1384, da nobre família dos Brussa. Com apenas 12 anos, levava já uma vida extraordinária. Sua intenção era de não se casar, mas seu confessor aconselhou-a a não resistir às instâncias de seus pais, tendo esposado então Lourenço de Poziani.

Logo que se casou, caiu gravemente doente, sendo curada milagrosamente por uma aparição de Santo Aleixo, mártir romano. No lar, o teor de sua vida era severo e admirável. Desde o seu restabelecimento, Francisca dedicou-se largamente às obras de caridade. Junto à cunhada Vanosa, pedia esmola de porta em porta, para dar aos pobres nas vias públicas, em zonas onde não era conhecida.

Deus abençoou seu matrimônio, concedendo-lhe seis filhos. O falecimento do filho João, ainda criança, constituiu uma das alegrias de sua existência. Teve ele uma morte extraordinária, e disse ao expirar: “Vejo Santo Antônio e Santo Onofre, que vêm buscar-me para me levarem ao Céu”.

Vários fatos de transcendência pública influenciaram sua vida: a tomada de Roma pelo Rei de Nápoles, que desencadeou uma série de catástrofes sobre sua família; o exílio do Papa Eugênio IV, em virtude da guerra entre florentinos e milaneses, etc.

Ainda em casa do esposo, congregou em torno de si muitas senhoras da melhor sociedade romana, com o fim de se animarem na prática da piedade e virtudes cristãs.

Formou-se a primeira organização de senhoras que, em 1431, recebeu uma regra própria, dando origem às Oblatas de Santa Francisca Romana, cujo pequeno convento tinha o pitoresco nome de Tor de ‘Spechi.

Após a morte do marido, juntou-se a suas filhas espirituais, conduzindo-as aos hospitais e às casas dos pobres. Muitas vezes, em lugar de um remédio ou recurso insuficiente, foi uma cura súbita e miraculosa que Santa Francisca levou aos necessitados.

Deus a consolou com revelações e comunicações místicas sobre a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e Maria Santíssima.
Tornou-se célebre por seus milagres e dons de cura. Restituiu a vista aos cegos, a palavra aos mudos, a saúde aos doentes, e libertou muitos possessos do demônio.

Santa Francisca teve o pressentimento de sua morte e preveniu seus amigos. Pedia a Deus que a levasse desta vida, pois não queria ver as novas crises que já começavam a assaltar a Santa Igreja. Caiu enferma, vindo a falecer em 1440.

Na vida dessa mística italiana, as visões ocupam um lugar saliente. A propósito do que a Santa viu sobre o inferno, o célebre escritor católico francês Ernest Hello apresenta um apanhado sucinto e sugestivo em sua obra “Physionomie des Saints”, o qual exporemos abaixo.

Inúmeros suplícios, tão variados quanto os crimes, foram mostrados à Santa em detalhes. Por exemplo, viu ela o ouro e a prata serem derretidos e derramados na boca dos avarentos. A hierarquia dos demônios, suas funções, seus tormentos, os diversos crimes aos quais presidem, foram-lhe apresentados. Viu Lúcifer, chefe e general dos orgulhosos, rei de todos os demônios e precitos, rei muito mais infeliz do que os próprios súditos.
O inferno é dividido em três partes: o superior, o do meio e o inferior. Lúcifer encontra-se no fundo do inferno inferior. A Lúcifer, chefe universal, subordinam-se três outros demônios, os quais exercem império sobre os demais:

1) Asmodeu, que preside os pecados da carne, e era antes da queda um Querubim;
2) Mamon, que preside os pecados da avareza, era um Trono. O dinheiro fornece, ele sozinho, uma das três grandes categorias.
3) Belzebu preside aos pecados de idolatria. Tudo que tem algo a ver com magia, espiritismo, é inspirado por Belzebu. Ele é, de um modo especial, o príncipe das trevas, e mediante as trevas ele é atormentado e atormenta suas vítimas.
Uma parte dos demônios permanece no inferno, a outra no ar, e uma terceira atua entre os homens, procurando desviá-los do certo caminho. Os que ficam no inferno dão ordens e enviam seus embaixadores; os que residem no ar agem fisicamente sobre as mudanças atmosféricas e telúricas, lançando por toda parte suas más influências, empestando o ar, física e moralmente. Seu objetivo é debilitar a alma.

Quando os demônios encarregados da Terra vêem uma alma enfraquecida pelos demônios do ar, eles a atacam no seu ponto fraco, para vencê-la mais facilmente. É o momento em que a alma não confia na Providência. Essa falta de confiança, inspirada pelos demônios do ar, prepara a alma para a queda solicitada pelos demônios da Terra.

Assim, enfraquecidos pela desconfiança, os demônios inspiram na alma o orgulho, em que ela cai tanto mais facilmente quanto mais fraca esta. Quando o orgulho aumentou sua fraqueza, vêm os demônios da carne que atacam seu espírito. Quando os demônios da carne aumentam mais ainda a fraqueza da alma, vêm os demônios que insuflam os crimes do dinheiro. E quando estes diminuíram ainda mais os recursos de sua resistência, chegam os demônios da idolatria, os quais completam e concluem o que os outros começaram.

Todos se articulam para o mal, sendo esta a lei da queda: todo pecado cometido, e do qual a alma não se arrependeu, prepara-a para outro pecado. Assim, a idolatria, a magia, o espiritismo esperam no fundo do abismo aqueles que foram escorregando de precipício em precipício.

Todas as coisas da hierarquia celeste são parodiadas na hierarquia infernal. Nenhum demônio pode tentar uma alma sem a permissão de Lúcifer.

Os demônios que estão no inferno sofrem a pena do fogo. Os que estão no ar ou na terra não sofrem atualmente tais penas, mas padecem outros suplícios terríveis, e particularmente a visão do bem que praticam os santos. O homem que faz o bem inflige aos demônios um tormento indescritível. Quando Santa Francisca era tentada, sabia, pela natureza e violência da tentação, de que altura tinha caído o anjo tentador e a que hierarquia pertencera.
Quando uma alma cai no inferno, seu demônio tentador é felicitado pelos demais. Mas quando a alma se salva, o demônio tentador recebe insulto dos outros, que o levam para Lúcifer e este lhe inflige um castigo a mais, além das torturas que já padece. Este demônio entra às vezes no corpo de animais ou homens. Ele finge ser a alma de um morto.

Quando um demônio consegue perder certa alma, após a condenação desta transforma-se em tentador de outro homem, mas torna-se mais hábil do que foi a primeira vez. Aproveita-se da experiência que a vitória lhe deu, tornando-se mais forte para perder o homem.

Santa Francisca observava um demônio em cima de alguém que estivesse em estado de pecado mortal. Confessado o pecado, via ela o mesmo demônio ao lado da pessoa. Após uma excelente confissão, o anjo mau ficava enfraquecido e a tentação não tinha mais o mesmo grau de energia.

Ao ser pronunciado santamente o nome de Jesus, Santa Francisca via os demônios do ar, da terra e do inferno inclinarem-se com sofrimentos espantosos, tanto maiores quanto mais santamente o nome de Jesus fora pronunciado.

Se o nome de Deus é pronunciado em meio a blasfêmias, os demônios ainda assim são obrigados a se inclinar, mas um certo prazer é misturado à dor causada pela homenagem que são obrigados a render.

Se o nome de Deus é blasfemado por um homem, os anjos do céu inclinam-se também, testemunhando um respeito imenso. Assim, os lábios humanos, que se movem tão facilmente e pronunciam tão levianamente o nome terrível, produzem em todos os mundos efeitos extraordinários e ecos, dos quais o homem não é capaz de compreender nem a intensidade nem a grandeza.

http://resistenciacatolica.blogspot.com.br/2013/05/o-inferno-visto-por-santa-francisca.html?pfstyle=wp

Antes de condenar alguém, ame-o e o acolha

Antes de condenar alguém, ame-o e o acolha. Imitemos a Jesus, que não julga nem condena ninguém, Ele primeiro acolhe, ama e cuida de nós.
“Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes” (Lucas 5, 31).
Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo, os fariseus reclamam e murmuram contra Jesus porque Ele come e bebe com os cobradores de impostos e com pessoas tidas como pecadoras.
Os fariseus afirmam que se Jesus fosse tão puro, tão santo, não se misturaria com esse tipo de pessoa. Mas deixe-me dizer uma coisa a você: é para os pecadores como eu, você e todos os pecadores deste mundo que Jesus veio. Ele veio para restaurar o mundo em que vivemos das consequências do pecado.
Para Jesus não há preconceito nem discriminação, Ele não faz acepção de pessoas. Ele não acha ninguém melhor do que ninguém. Ele se mistura com os pecadores e não com seus pecados. O Senhor combate os erros e os pecados, mas não combate os pecadores.
Contudo, Jesus trata de forma mais severa aqueles que só veem os pecados do outro, mas não são capazes de enxergar os próprios pecados. Jesus é o médico divino, Ele veio cuidar da raiz do pecado em nossa vida.
Desculpe-me, mas se você tem vergonha e receio de se aproximar de alguém porque ele é um grande pecador, Jesus não o tem e se você faz acepção de pessoas, Jesus não a faz. Se você se considera melhor do que os outros, pode ser que você seja o último e o outro fique em primeiro lugar no coração de Deus.
Quem se abre para a misericórdia de Deus se deixa ser banhado por esse bálsamo divino que lava, purifica, renova e refaz as estruturas. Quando somos tomados pela misericórdia de Deus, nós não julgamos os outros. Primeiramente, olhamos para nós mesmos e reconhecemos nossas próprias fraquezas e pecados e, depois, oferecemos aquilo que fazemos por aqueles que estão no pecado ou longe do caminho de Deus.
O coração de Jesus não julga nem condena ninguém, Ele primeiro acolhe, ama e cuida. A Igreja, como o coração de Jesus, é o lugar em que os pecadores e cada um de nós devemos estar, nós que precisamos desse bálsamo para restaurar o amor de Deus em nós.
Deus abençoe você!
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