segunda-feira, 23 de março de 2015

Homem das Dores

  Há imagens que falam! Sim, as imagens falam, não por meio de palavras, mas comunicam pensamentos, propiciam reflexões, convidam à consideração dos aspectos mais altos de nossa existência.
Através das imagens, podemos transcender para aquilo que um olhar superficial não alcança, mas que a observação mais atenta nos faz aprender e voar.
Nosso-Senhor-Flagelado.jpg
Nosso Senhor Jesus Cristo flagelado
Contemple esta Imagem aqui publicada: Nosso Senhor Jesus Cristo, flagelado.
A ela bem se poderia aplicar, por excelência, as palavras do Profeta Isaias: Homem das dores, experimentado nos sofrimentos (Is 53, 3).
Homem das dores: sofreu em seu Corpo adorável açoites crudelíssimos, bofetadas e cusparadas, a coroação de espinhos, os pregos na Cruz.
Seria possível sofrer mais no corpo do que Jesus sofreu?
Experimentado nos sofrimentos: E quantos sofrimentos! Sua Alma adorável, no Horto das Oliveiras, contemplou com pavor a sua Paixão e Morte na Cruz, bem como os pecados e ingratidões da humanidade ao longo dos séculos. Sofrimentos morais.
Poderia alguém ter suportado maior sofrimento moral do que Jesus?
Com poesia e dramaticidade, inspirado pelo Espírito Santo, o Salmista canta: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? [...] Eu, porém, sou um verme, não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe [...] Não fiqueis longe de mim, pois estou atribulado [...] Minha garganta está seca qual barro cozido, pega-se no paladar a minha língua, vós me reduzistes ao pó da morte. [...] Sim, rodeia-me uma malta de cães, cerca-me um bando de malfeitores. Traspassaram minhas mãos e meus pés: poderia contar todos os meus ossos." (Sl 21, versículos 2, 7, 12, 16, 17).
Esta Imagem fala! Ela está a nos falar. Contemple-a.
Certamente, nos encantamos com a divina figura -esplendorosa- do Salvador quando se transfigurou no Monte Tabor, ou na sua gloriosa Ressurreição. Ela nos enche de entusiasmo.
Mas, não seria bem o caso de nos perguntarmos a nós mesmos como estará nosso entusiasmo frente esta imagem dolorosa do Divino Redentor? Creio que sim...
"Nessa divina tragédia verei estampada a feiura e a maldade de meus pecados. A enorme quantidade de minhas faltas me confundirá de começo ao fim. Vós Vos tornastes um verme, foi possível contar Vossos ossos, morrestes por causa de meus pecados. ´Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta` (Lm 1, 12)". ¹
Peçamos à Mãe Dolorosa que tenhamos o entusiasmo para todos os aspectos do Seu Divino Filho e, portanto, não sejamos indiferentes às suas dores e sofrimentos morais, que Ele os teve, por causa de nossos pecados.
Peçamos a força de não fujamos da Cruz, mas que a abraçemos com o mesmo amor que Nosso Senhor tomou em Seus ombros.
E sejamos cheios de gratidão por tanto amor para com que o Varão das dores nos dedicou.
Por Adilson Costa da Costa
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¹ Via Sacra composta por Mons. João Clá Dias. Disponível em: http://viasacrajoaocladias.blogspot.com.br/ - Acesso em 15-10-2014.

As dores de Maria durante a Paixão

As dores de Maria durante a Paixão

Introdução:

Vamos dar início à meditação reparadora dos primeiros sábados, que nos foi recomendado por Nossa Senhora, quando apareceu em Fátima em 1917. Pedia Ela que comungássemos, rezássemos um terço, fizéssemos meditação
Nossa Senhora das Dores..jpgdosmistérios do Rosário e confessássemos em reparação ao seu Sapiencial e Imaculado Coração. Para os que praticassem esta devoção, Ela prometia graças especiais de salvação eterna.

A Igreja celebra a memória de Nossa Senhora das Dores no dia 15 de setembro, imediatamente após a festa da Exaltação da Santa Cruz, pois Nossa Senhora está intimamente ligada à Redenção. Nós, fiéis, a consideramosCorredentora do gênero humano especialmente porque, em primeiro lugar, Ela consentiu no mistério da Encarnação, em segundo por ter dado à luz ao Redentor e em terceiro lugar porque sua dor foi extrema durante a paixão de seu Divino Filho. Significa que Maria teve especial cooperação na redenção universal.

Cristo sofreu por nossos pecados, foi por nossa causa que ele se encarnou e morreu crucificado. De maneira que todos nós, pecadores, temos participação indireta na Crucifixão de Nosso Senhor. 

Tomando isso em consideração, peçamos perdão das nossas faltas; peçamos também por todas as graças e milagres que necessitamos. 

Composição de lugar:

Como composição de lugar, devemos nos reportar aos tempos de Cristo, mais precisamente ao dia de sua dolorosa Paixão. Devemos imaginar que estamos perto daquele grupo de santas mulheres que junto a Maria acompanhavam na sua Paixão a Nosso Senhor na Via Crucis.

Oração Preparatória:

Oração a Nossa Senhora das Dores

Estava a Mãe dolorosa junto à Cruz, lacrimosa, da qual pendia o seu Filho. Banhada em pranto amoroso, neste transe doloroso, a dor lhe rasgava o peito. Estava triste e sofria porque ela mesma via as dores do Filho amado.Quem não chora, vendo isto, contemplando a Mãe do Cristo em tão grande sofrimento?

Dai-me, ó Mãe, fonte de amor, que eu sinta a força da dor, para que eu chore contigo. Fazei arder meu coração do Cristo Deus na Paixão, para que eu sofra com Ele. Quero contigo chorar e a Cruz compartilhar, por toda a minha vida.

Por Maria, amparado, que eu não seja condenado no dia de minha morte. Ó Cristo, que eu tenha sorte, no dia de minha morte ser levado por Maria. E no dia em que eu morrer, fazei com que eu possa ter a glória do Paraíso. Amém.

(Excertos do famoso poema Stabat Mater, atribuído a Frei Jacopone de Todi, século XIII.)

I - As sete dores de Maria

Nada desse mundo serve de comparação às dores que Maria sofreu junto a Jesus. Nenhuma criatura viveu com tanto amor essas dores.

Não se sabe ao certo quando a devoção à Nossa Senhora das Dores surgiu. Alguns historiados remontam ao século XIII, na Alemanha, outros acreditam que seja bem mais antiga. Seja como for, sabe-se que ela está ligada ao encontro de Nossa Senhora com Nosso Senhor no caminho do Calvário.

A piedade católica celebra as dores de Nossa Senhora com os mais diversos nomes: Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora das Angústias, Nossa Senhora da Soledade, Nossa Senhora das Lágrimas... A festa também está ligada a uma tradição que vem do século XV. Foi instituída, em Colônia, pelo Arcebispo, Thierry de Meaux, que quis reparar os ultrajes feitos pelos hereges hussitas contra as imagens de Nossa Senhora. Mais tarde, no século XVIII, o Papa Bento XIII decretou que fosse inscrita no catálogo das festas litúrgicas, com o título de Festa das Sete Dores de Nossa Senhora. Foi em função desta devoção que a Ordem dos Servos de Maria começou a propagar a meditação das sete dores de Maria Santíssima. 

Por que sete dores?


E por que sete dores? De muitas formas sofreu Maria Santíssima durante a sua vida terrena, porém sete delas são especialmente objeto da devoção dos fiéis. São episódios tirados dos Santos Evangelhos e que formam o caminho de dores da Filha amorosa de Deus Pai, sofrendo em sua alma padecimentos semelhantes aos da Paixão de seu Divino Filho. Os episódios narrados no Evangelho são:

1) A Apresentação de Jesus no Templo e a profecia de Simeão;
2) A fuga para o Egito;
3) A perda do Menino Jesus no Templo;
4) O encontro com Jesus no caminho do Calvário;
5) O momento em que se encontrou de pé junto à Cruz de Jesus;
6) Quando teve o corpo de Jesus morto em seus braços;
7) O sepultamento de Jesus.

No século XIV, na Igreja de Santa Maria Maggiore, Santa Brígida da Suécia teve um revelação particular no sentido de que 
Jesus_carrega a Cruz as costas - Igreja de San Ginés, Madri.jpgtodos aqueles que tivessem devoção às dores de Nossa Senhora teriam, na hora da morte, uma contrição perfeita de seus pecados e uma proteção especial no passamento desta vida para a eternidade.

Em 1814, o Papa Pio VII introduziu a festa de Nossa Senhora das Dores oficialmente na liturgia e no calendário romano. Mais tarde a Igreja passou a celebrá-la 3como memória da Virgem Maria Dolorosa.

A Cruz de Nosso Senhor, ao invés de ser um lenitivo para Nossa Senhora, era a causa de Sua dor

Deus deu a Maria, Sua filha diletíssima, tudo o que havia de melhor! No entanto, em determinadas etapas de sua vida, para Ela o melhor era sofrer. Como ocorreu na Paixão, quando passou por um tremendo tormento. Sofreu muito mais do se fosse Ela própria crucificada, pois a dor que sentiria na sua crucifixão não seria nada perto do que Ela sentiu vendo o seu próprio Filho crucificado.

A propósito, Santo Afonso Maria de Ligório afirma que todos aqueles que passam por tormentos, recebem alguma forma de consolo. Porém nenhum consolo foi dado a Nossa Senhora.

Nossa Senhora não podia pensar em mitigar suas dores, porque a sua dor consistia na dor de Nosso Senhor. Aquilo que é para toda e qualquer pessoa um lenitivo, para Ela não o era, porque pensando nas dores de Nosso Senhor, Ela ainda sofria mais. A causa do sofrimento de Nossa Senhora era, justamente, as dores de Nosso Senhor. Ela sofreu em Si as dores que estavam sendo atribuídas a Nosso Senhor na flagelação, coração de espinhos, carregamento da Cruz, Crucifixão e tudo o mais.

Oração de petição:

Oração à Virgem Dolorosa

Deus vos salve, Virgem Dolorosa, que junto à Cruz compartilhastes o sofrimento de vosso Divino Filho! Ali Jesus nos entregou como vossos verdadeiros filhos. Queremos sentir que sois Nossa Mãe em todos os momentos, mas especialmente quando nos visita o sofrimento. Temos certeza que ao vosso lado tudo será mais fácil e suportável. Santíssima Virgem das Dores, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

II - Deus quis unir à Paixão de Jesus os sofrimentos de Maria

Nossa Senhora foi concebida sem pecado original, portanto seria lógico que Ela não sofresse. Tanto é assim que Adão e Eva, antes do pecado original, não sofriam. Então como explicar as dores de Maria? Depois de muitas discussões teológicas, os teólogos chegaram à conclusão de que Ela não foi concebida em função da graça da Criação, mas em função da graça da Redenção, por isso foi possível a Ela sofrer.

Sabendo que Ela seria Mãe de um Deus-Homem que iria sofrer na Cruz, no momento que Ela respondeu ao Anjo Gabriel: "Faça-se em mim segundo a vossa 4palavra!" Ela estava se dispondo a sofrer toda a Paixão que o Filho sofreria. Nesse momento Ela assumiu as dores do próprio Filho. 

Quando o profeta Simeão declarou que Ela teria seu coração atravessado por uma espada de dor, quando houve necessidade de fugir para o Egito - com todos os incômodos da viagem; e no momento em que Ela se deparou com a perda do Menino Jesus Ela sofre verdadeiramente e uma enormidade.

Mais ainda, ela sofre na vida pública de Nosso Senhor, com todas as calúnias, com todas as discussões com os fariseus e com todos os ódios que Ela percebia que ia se levantando contra o seu Filho. Como Mãe, ela sabia e intuíaperfeitamente o momento da Paixão. E Ela sofreu a Paixão inteira de Nosso Senhor de uma forma mística. De que forma isso se deu? Nós não sabemos, porque não tivemos esta experiência. Qualquer ideia que façamos do sofrimento de Nossa Senhora na Paixão ficará muito aquém da realidade. Um sofrimento que em nada se assemelha ao nosso,
Piedad - Catedral de Salamanca.jpgpois foi algo muito elevado, sublime e sobrenatural, portanto de altíssimo grau.

Qual a amplitude da compreensão mística de Nossa Senhora diante dos padecimentos de Seu Divino Filho? Só para dar um exemplo, quando Ela ouve aquele misterioso clamor:

- Senhor, Senhor! Por que me abandonastes?

Corredentora:

Como já foi dito, Maria é Corredentora do gênero humano. Assim como na origem da nossa decadência está um homem e uma mulher, na origem da nossa Salvação está um Homem-Deus e uma Mulher. Deus quis unir os sofrimentos d'Ela aos de Nosso Senhor para que esta Redenção se tornasse, simbolicamente, mais harmônica e mais completa.

De maneira que temos na festa da Exaltação da Cruz e na memória da Virgem Dolorosa a união do sofrimento divino de Nosso Senhor com os sofrimentos indizíveis de Maria.

III - Conclusão:

Para atravessarmos as dores que a vida nos reserva, é preciso estarmos unidos a Nossa Senhora junto à Cruz:

No caminho que temos de atravessar, sobretudo nas dores que a vida nos reserva, lembremo-nos de que Nossa Senhora pode nos obter a força que Ela teve para atravessar aquele transe tão terrível. Unamo-nos, portanto, não só em torno da Cruz, mas em torno d'Ela junto à Cruz; e tenhamos diante dos olhos não só a coroa de espinhos sobre a sagrada fronte de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas também sobre o Sapiencial e Imaculado Coração d'Ela. Assim teremos muito mais audiência junto a Deus.

Oração Final:

Oração à Santíssima Virgem da Soledade

Digníssima Mãe de Deus, que estando em pé junto à Cruz de Jesus, Vosso Filho Unigênito, o vistes sofrer, agonizar e morrer, ficando só e desamparada, sem mais alívio que amarguras, e sem outra companhia que os tormentos.

Minha alma deseja participar, ó dolorosa Virgem, das vossas dores e aflições, para que me as acompanhe toda vida no justo sentimento da morte de Vosso querido Filho.

Permiti-me, ó solitária Senhora, que a assista em tão amarga solidão, sentindo o que sentis e chorando o que chorais.

Infundi em meu peito, ó mãe do verdadeiro Amor, uma ardente caridade para amar a vosso Divino Filho, que por amor de mim morreu crucificado; e concede-me o favor que lhe peço nesta oração, para a glória de Deus, honra Vossa e proveito de minha alma. Amém.


http://www.arautos.org/artigo/50569/As-dores-de-Maria-durante-a-Paixao.html

sábado, 21 de março de 2015

O medo da morte

Autor: João Batista Libânio


O ser humano naturalmente teme a morte. Ela bate-se contra a vida. Criados para viver, opomo-nos visceralmente à morte. A famosa frase do biólogo Prêmio Nobel J. Monod, “o preço da vida é a morte”, revela a frieza de um pesquisador e nunca a experiência existencial de um vivente. Os psiquiatras aproximam-se dos suicidas como de casos patológicos e nunca como desejo natural de um ser humano em são juízo.
No entanto, Platão nos descreve a serena morte de Sócrates. Ele sofria o próprio corpo como cárcere de que a morte o libertava para contemplar o mundo das idéias puras e perfeitas. Por isso, prepara-se para morrer na maior tranqüilidade de espírito. Aí aparece como a visão da existência, diria, a espiritualidade, consegue domar o medo instintivo da morte em algumas pessoas privilegiadas.
Algo semelhante viver-se-á no mundo cristão em duas situações bem diferentes. Muitos mártires desprezarão a vida e caminharão firmes e resolutos para enfrentar as feras. O exemplo de Santo Inácio de Antioquia impressiona-nos. Em dramática carta aos irmãos de Roma pede insistentemente que não intercedam por ele junto a alguma autoridade romana a fim de livrá-lo da morte. “Maravilhoso é para mim morrer por Jesus Cristo, mais do que reinar até aos confins da terra”. “Deixai-me ser comida para as feras, pelas quais me é possível encontrar Deus. Sou trigo de Deus e sou moído pelos dentes das feras, para encontrar-me como pão puro de Cristo”. Esses desejos revelam tal grandeza que nos deixam pequeninos. A paixão por Cristo o leva a não temer a morte.
Além dos mártires, muitos santos que morreram na normalidade de uma doença também exprimiram coragem semelhante para enfrentar a morte sem medo. O jovem Luiz Gonzaga, atingido em Roma pela peste, vê a morte aproximar-se e escreve linda carta a sua mãe, povoada de sentimentos de paz na espera do encontro com Deus.
Está a surgir, porém, nova e doentia atitude de destemor diante da morte. Refiro-me ao terrorismo e ao mundo do crime. Homens e mulheres-bomba explodem a si mesmos para causar mais mortes em torno de si em atentados, movidos pelo fanatismo religioso. O mártir entregava a Deus sua vida. Esses novos religiosos não o fazem no sentido de dom de si, mas com a intencionalidade de vingar-se, com a própria morte, dos inimigos. Morte para causar mais morte e não para mergulhar no mistério de vida de Deus. Em alguns ainda sobra certo sentimento religioso, embora deturpado, mas pessoalmente vivido como fé na sua religião.
Ameaça-nos outra atitude terrível diante da morte. Sua banalização tem crescido a tal ponto que especialmente pessoas jovens ingressam no mundo do crime, dispostas a matar e a morrer. Isso lhes oferece tal ousadia que os crimes que perpetram chegam a grau enorme de gravidade. O banditismo, os assaltos a mão armada, as gangues e as máfias do crime crescem e se tornam incontroláveis, porque muitos de seus membros perderam o medo de morrer. E quando alguém está disposto a tal, não há limites na fantasia criminosa.
A psicologia facilmente reduz esses casos à patologia. Mas infelizmente parece que tal análise não dá conta da verdadeira realidade. No caso do famoso nazista Eichmann, que coordenou o assassinato em massa de judeus, chegou-se ao veredicto de tratar-se de alguém normal, mas sem nenhum escrúpulo diante de tais crimes. Assim também está a acontecer que muitos entram no caminho do crime como numa aventura, numa roleta-russa de morte. A cultura e o ambiente circundantes, a crise social, estímulos crescentes para o crime terminam por dominar-lhes a mente e o coração. Estamos, portanto, diante de problema muito mais amplo do que de aumentar o policiamento. Cabe-nos trabalho lento e diuturno de transformar a cultura e a situação social atual para que elas não continuem sendo o caldo gerador de novo tipo de enfrentamento da morte sem nenhum medo.

http://www.domtotal.com/direito/pagina/detalhe/31930/o-medo-da-morte

As religiões no início do terceiro milênio

Nas últimas décadas do século passado, multiplicaram-se “profecias” que anunciavam para breve a morte de Deus e o desaparecimento das religiões.
Passada a primeira década do terceiro milênio, sociólogos constatam, surpresos, que o homem e a mulher de nosso tempo sentem uma profunda necessidade de fazer experiências religiosas. Em outras palavras, os progressos técnicos, as novas invenções e os inúmeros produtos que a indústria coloca à disposição da sociedade não têm apresentado uma resposta que satisfaça o inquieto coração humano. É verdade que a procura religiosa nem sempre é correta. Constata-se, por vezes, a busca de uma religião sem Deus, de uma fé sem compromisso e de uma experiência mística que nada tem de transcendental. Não se trata, pois, de uma verdadeira busca de Deus, mas de si próprios. Querem uma “religião” que os acalme e lhes possibilite experimentar sensações agradáveis.
Querem, na verdade, um “spa” espiritual...A população mundial está ultrapassando a casa dos seis bilhões e meio de habitantes. Desses, pouco mais de dois bilhões são cristãos. Assim, dois mil anos depois que Jesus Cristo anunciou a boa nova, convidou todos a segui-lo e mandou os apóstolos irem pelo mundo para ensinarem e fazerem o que ele ensinou e fez, somente um em cada três habitantes do mundo é cristão. Há muito que fazer, portanto, para que se realize o que Jesus colocou como meta para os seus: “Fazei discípulos meus todos os povos...” (Mt 28,19).Números são números. A importância de uma religião não se mede pela quantidade de seus membros. No cristianismo, por exemplo, de que adianta alguém proclamar que é cristão, se não acredita que Jesus Cristo é o Filho de Deus vivo, o salvador, o mestre, o irmão e amigo? Se não procurar amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo? Se não perdoar aos inimigos, não se interessar pela comunidade e não colocar os ensinamentos de Jesus em prática?
Cristão é aquele que procura amar os outros como Jesus Cristo o ama. Nisso será reconhecido como seu discípulo.A fé não é produto de “marketing”. A propaganda pode até ajudar uma igreja a conseguir adeptos. Não será capaz, contudo, de transformar as pessoas, levando-as a uma adesão interior que se manifestará, depois, em seu comportamento. A conversão é obra do Espírito Santo. Já o fanatismo é filho da ignorância. Fanático é aquele que, por ser limitado em seus conhecimentos, sente-se inseguro, não escuta ninguém, ataca os demais e procura calar a voz de quem pensa de forma diferente da dele.Jesus Cristo se preocupou não com números, mas com a fidelidade de seus seguidores. Certa ocasião, depois de multiplicar os pães para alimentar uma multidão faminta, disse aos que o cercavam que lhes daria sua carne como alimento e seu sangue como bebida.
Que decepção para os que o ouviam! Escandalizados, muitos começaram a murmurar e o abandonaram, deixando-o quase sozinho. Seria de se esperar que Jesus voltasse atrás em suas afirmações, para reconquistar os que tinham ido embora. Em vez disso, voltou-se para seus apóstolos, que continuavam, fiéis, a seu lado, e perguntou-lhes se não queriam também ir embora. Em outras palavras: ou aceitassem o que lhes dizia, porque o que ele havia dito era mesmo o que lhes queria ensinar, ou que buscassem outro Mestre e Senhor.A celebração, hoje, de Pentecostes, é um apelo para apresentarmos a todos, com renovada disposição, a proposta de Jesus Cristo.
Não podemos obrigar ninguém a segui-lo. Podemos e devemos possibilitar que cada pessoa tenha condições de conhecê-lo. O coração humano está aberto ao sobrenatural, ao religioso, à fé. É necessário, pois, lhe apresentarmos a verdade que liberta, o amor que constrói e o evangelho que é um caminho de vida. Além de cumprirmos, dessa maneira, a ordem de Cristo (“Fazei discípulos meus todos os povos...”), estaremos possibilitando que se atualize o que aconteceu por ocasião da vida do Espírito Santo, em Jerusalém: tendo ouvido anunciar as maravilhas de Deus, muitos de converteram e foram batizados.
Arcebispo de Salvador (fonte: CNBB)


http://www.domtotal.com/direito/pagina/detalhe/31978/as-religioes-no-inicio-do-terceiro-milenio

QUEM É JESUS?


            Não foi fácil, para os contemporâneos de Jesus, definir sua identidade. Seus feitos prodigiosos levavam as pessoas a se perguntarem quem era ele. Suas palavras tinham a vibração dos antigos profetas. Seu modo de ser dava motivo para chamá-lo de Messias. Entretanto, por ser tido como galileu, descartava-se esta possibilidade. Não se esperava  nenhum messias profeta vindo da Galiléia. E a indagação inicial permanecia sem resposta.
            A dificuldade em definir a identidade de Jesus tinha sua origem na maneira equivocada de abordá-lo. As respostas obtidas enfocavam a exterioridade de Jesus, sua aparência. Sob este aspecto, as definições aplicadas a ele até podiam ser verdadeiras, mas eram insuficientes.
            A verdadeira identidade de Jesus escondia-se atrás de suas palavras e de suas ações. Quem atingia este nível de profundidade, defrontava-se com sua dimensão divina, fundamento de sua autoridade e do poder miraculoso de seu agir. Aí se escondia sua condição de Filho de Deus e a perfeita unidade existente entre seu querer e o querer do Pai.
            Por conseguinte, pouco importavam seu lugar de origem, sua genealogia e suas relações com personagens do passado. Para decifrar o enigma de sua identidade, bastaria aceitá-lo como Filho de 
Deus.

http://www.domtotal.com/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php



quarta-feira, 18 de março de 2015

Precisamos trabalhar pela salvação da humanidade

Não importa a hora, o dia, não importa o momento, onde quer que eu e você estejamos precisamos trabalhar pela salvação da humanidade.
“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (João 5, 17).

A resposta dada por Jesus ao grupo de judeus que querem contestá-Lo por Ele ter realizado a cura daquele homem num dia de sábado e por ter feito tantos outros sinais neste dia é a seguinte: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (João 5, 17). É como se Ele dissesse: “Meu Pai continua trabalhando, a obra d’Ele não parou com a criação do mundo. Muito pelo contrário, Ele criou todas as coisas, mas precisou continuar restaurando aquilo que foi criado, porque veio alguém e pisoteou, veio alguém e quebrou, porque o mal, o pecado e o inimigo da nossa salvação têm feito muito mal à obra e à salvação de Deus. Por isso, meu Pai continua trabalhando, continua cuidando, continua restaurando. E assim como meu Pai não para de trabalhar para cuidar da Sua obra, eu também trabalho”.
O trabalho de Jesus não é diferente do trabalho de Seu Pai, apenas que o Pai mandou o próprio Filho para estar entre nós e no meio de nós para restaurar e cuidar de todas as coisas, a começar pela obra-prima da criação: eu, você e todos nós, seres humanos.
Jesus se faz um de nós, assume nossa face e nossa humanidade para restaurar essa obra primitiva da criação: toda criatura humana. E por isso Jesus não escolhe o dia, seja sábado, seja domingo ou segunda-feira, Ele está ali nos curando, cuidando de nós, restaurando, abençoando e salvando-nos. A obra da criação não para, a restauração da humanidade vai até os confins do mundo e até o fim dos tempos!
Assim como Jesus não parou, nós também não podemos parar! Não podemos parar de cuidar da nossa alma, do nosso coração, de restaurar cada pedacinho de nós, que foi quebrado por obra do pecado, por obra deste mundo. Com a graça de Deus, o Pai quer nos restaurar a cada dia. E nós precisamos, com Jesus, precisamos, com o Pai, no poder do Espírito, salvar a obra de Deus.
Onde existir uma alma humana triste, sofrida, machucada, onde existir um filho de Deus distante e perdido à procura de salvação, nós precisaremos ser canais da graça! E não importa a hora, o dia, não importa o momento, onde quer que eu e você estejamos precisamos trabalhar pela salvação da humanidade.
É obrigação nossa, é responsabilidade de cada batizado assumir o seu papel na história da salvação da humanidade! Eu preciso olhar para trás e dizer: “Eu trabalhei pela restauração do mundo!” Precisamos, hoje, olhar para o nosso coração e dizer: “Eu estou trabalhando, dando o melhor de mim, do que eu posso, do que eu sei para poder restaurar, salvar e continuar operando a obra de Deus no meio de nós!”.

Deus abençoe você!

http://homilia.cancaonova.com/homilia/precisamos-trabalhar-pela-salvacao-da-humanidade/

domingo, 15 de março de 2015

Deus ama a humanidade

Jesus, no trecho do diálogo com Nicodemos que ouvimos hoje, declara que Deus amou o mundo e enviou seu Filho para viver com a humanidade e para que as pessoas vivam em plenitude. Nessa altura do diálogo, Nicodemos já não aparece. Não se sabe se terá voltado atrás ou aderido à nova proposta de Jesus e se deixado envolver pela luz reveladora. O certo é que ele não diz mais nada nem pergunta. Estaria escutando e aprendendo do Mestre para se abrir à revelação?
Nicodemos sai de cena, entramos nós. Somos ciosos de conhecer a revelação de Deus. Mais do que falar, somos convidados a escutar o que o Mestre quer nos revelar. Sua revelação é algo essencial, realmente central no Evangelho de João: "Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho único, para que não morra quem nele acredita, mas tenha a vida eterna". Essas palavras são as mais importantes e as que iluminam toda a ação de Jesus.
Se Deus ama o mundo, ama todo ser humano, ama cada um de nós. A prova desse amor está na cruz, Jesus não a recusou, por fidelidade ao Pai e por amor à humanidade. Daí vem também nossa salvação, ao acreditar no Crucificado e aderir a ele. Cristo na cruz abraça toda a humanidade, não exclui ninguém. Abraço que deve ser aceito livremente por cada um; recusá-lo é recusar a luz (o amor de Deus) e permanecer nas trevas (fora do abraço amoroso do Pai). Jesus na cruz é o sinal de nossa salvação e a luz que brilha e ilumina nossa vida, revelando o que há de bom (luz) e o que há de mau (trevas) em cada um, na comunidade e na sociedade.
Olhar para Jesus "levantado" na cruz significa crer nele - o que não é apenas um gesto de adesão intelectual, mas compromisso com seu projeto - e acolher sua mensagem dirigida a toda a humanidade. Identificar nossa vida com a dele significa assumir a sua prática em favor dos mais necessitados. "Gastar" a vida por amor é a maneira mais nobre de valorizá-la e fazer dela o grande dom para Deus e para os irmãos.

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o evangelho deste domingo 15/03/2015