sábado, 27 de junho de 2015

Pedra por pedra

Francisco de Assis: "Se você quiser servir a Deus, faça poucas coisas, mas as faça bem".


Por Dom Alberto Taveira Corrêa*
Pedro vem de pedra, Pedro vem de Simão, Simão, irmão de André, Simão companheiro de Paulo, Pedro escolhido para confirmar os irmãos. Pedro, homem escolhido para fundamento, ponto de unidade, ainda que limitado e fraco. Apenas uma brincadeira com as palavras? Uma realidade, diante da qual nos inclinamos respeitosos, pela grandeza da obra realizada por Deus. Celebramos a Festa de São Pedro, e com ela a unidade e a missão da Igreja.
Hoje, o Sucessor de Pedro tem nome de Francisco, e Francisco, o de Assis, encontrou um dia uma igreja em ruínas, dedicada a São Damião. O Senhor crucificado lhe dirigiu a palavra, pedindo-lhe para reconstruir. Francisco entendeu "igreja" e Jesus queria dizer "Igreja", a Igreja! Aquela que está sempre em construção, pois, nascida como esposa imaculada do lado do Senhor crucificado, é confiada aos homens e mulheres de todos os tempos, até a volta do Senhor. Como edificá-la? Francisco de Assis entendeu: "Se você quiser servir a Deus, faça poucas coisas, mas as faça bem, pedra por pedra, com esperança de ver Jesus, dia após dia, com alegria!".
Há poucos dias estive mais uma vez com o Papa Francisco e tive a alegria de estar bem perto dele. Impressionou-me a naturalidade com que se relaciona com as pessoas, fazendo-se um com os cerca de mil e cem sacerdotes reunidos em Retiro na Basílica de São João de Latrão, em Roma. Depois, a profundidade de suas reflexões, destiladas em palavras que entram imediatamente no coração das pessoas. Quando respondia às perguntas feitas pelos padres, dirigia-se logo ao âmago dos problemas apresentados, sem medo dos desafios. Mais uma vez pediu orações a todos os presentes, dizendo com simplicidade "porque eu sou um pecador!". E a Santa Missa! Celebrada com intenso espírito de fé! Como o Pedro das margens do Mar da Galileia, o Francisco de hoje tem a missão de confirmar os irmãos!
Primeira lição da Festa de São Pedro é a naturalidade, que não se confunde com banalidade. O cristão que se preze convive com os outros com simplicidade, recolhendo tudo o que existe de bom, valorizando os pequenos gestos e as alegrias gratuitas que a Providência de Deus lhe proporciona. Não tem necessidade de empolar-se de afetações ou palavras complicadas. Tudo deve ser vivido com serenidade, aproveitando as lições que são oferecidas a cada momento. Ninguém despreze um sorriso de criança, ou o olhar provocante e esperançoso de um jovem, ou, quem sabe, a pele enrugada de um ancião que testemunha a grandeza dos anos bem vividos! Pedro é pedra do cotidiano! Ao lado dos outros, ele sabe que está trabalhando na terra que é de Deus. Foi também a experiência de outra grande coluna da Igreja, Paulo, confrontado com a diversidade dos apóstolos: "Quando um declara: 'Eu sou de Paulo' e outro: 'Eu sou de Apolo', não estais apenas no nível humano? Pois, que é Apolo? Que é Paulo? Não passam de servos pelos quais chegastes à fé. A cada um o Senhor deu sua tarefa: eu plantei, Apolo regou, mas era Deus que fazia crescer. De modo que nem o que planta nem o que rega são, propriamente, importantes. Importante é aquele que faz crescer: Deus. Aquele que planta e aquele que rega são a mesma coisa, mas cada qual receberá o salário correspondente ao seu trabalho. Pois nós somos cooperadores de Deus, e vós, lavoura de Deus, construção de Deus. Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus" (1 Cor 3, 4-9. 22-23). Pedra por pedra!
Um dos desafios de nosso tempo é a superação da superficialidade com que as questões são tratadas, faltando a dedicação e o tempo necessário ao amadurecimento das respostas aos grandes problemas. Carecemos de maior seriedade, estudo, atenção, competência! As pessoas e as situações em que se encontram sejam levadas a sério. Suas eventuais crises não sejam minimizadas com desprezo. Cuide-se que a sua fama seja respeitada, sem espalhar, como folhas ao vento, notícias ou fofocas destruidoras, como infelizmente tem acontecido através de instrumentos preciosos, mas utilizados inadequadamente, como são as redes sociais. O Apóstolo Paulo, sofrendo por causa de "falsos irmãos, intrusos, que sorrateiramente se introduziram entre nós, para espionar a liberdade que temos no Cristo Jesus, com o fim de nos escravizarem" (Gl 2, 5) foi a Jerusalém, confrontou-se com Pedro e os outros, enfrentou os problemas existentes com seriedade, foi, por sua vez, lavado a sério: "Viram que a evangelização dos pagãos fora confiada a mim, como a Pedro tinha sido confiada a dos judeus. De fato, o mesmo que tinha preparado Pedro para o apostolado entre os judeus, preparou também a mim para o apostolado entre os pagãos. Reconhecendo a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, considerados as colunas da igreja, deram-nos a mão, a mim e a Barnabé, como sinal de nossa comunhão recíproca" (Gl 2, 7-9). Pedra por pedra!
O primeiro Pedro, pescador das águas do Lago de Genesaré, cujas fragilidades não ficaram escondidas, experimentou a grandeza da presença misericordiosa do Senhor. Diante da pesca milagrosa, "Simão Pedro caiu de joelhos diante de Jesus, dizendo: 'Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!' Ele e todos os que estavam com ele ficaram espantados com a quantidade de peixes que tinham pescado. O mesmo ocorreu a Tiago e João, filhos de Zebedeu e sócios de Simão. Jesus disse a Simão: 'Não tenhas medo! De agora em diante serás pescador de homens!' Eles levaram os barcos para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus" (Lc 5, 8-11). Mais tarde, depois de ter pecado gravemente, por ter negado conhecer Jesus, diante do olhar do Senhor, "chorou amargamente" (Lc 22, 62). O Papa Francisco, quando pede orações, dizendo-se pecador, é o que tem condições para a infalibilidade garantida quando declara as verdades da fé! Pedra por pedra!
Aos padres reunidos em Retiro, o Papa Francisco recomendou algo que serve para todos os cristãos: rezar sempre, rezar muito! Com simplicidade, disse aos sacerdotes que não se assustem se alguma vez "cochilarem" quando estiverem em silêncio diante da presença do Senhor no Tabernáculo! E candidamente acrescentou que isso ocorre também com o Papa! Recordo-me de tantas pessoas preocupadas com suas eventuais distrações na oração, às quais cabe-me estimular a aproveitarem justamente o "assunto da distração" para tratar com o Senhor, agradecer, pedir, chorar, reclamar, louvar! O coração da oração estará no reconhecimento da presença salvadora do Senhor, parecidos que somos com o Pedro da primeira hora: "Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos discípulos: 'Quem dizem as pessoas ser o Filho do Homem?' Eles responderam: 'Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros ainda, Jeremias ou algum dos profetas'. 'E vós', retomou Jesus, 'quem dizeis que eu sou?' Simão Pedro respondeu: 'Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo'" (Mt 16, 13-16). Pedra por pedra!
CNBB 25-06-2015
*Dom Alberto Taveira Corrêa é arcebispo de Belém do Pará.

terça-feira, 23 de junho de 2015

O sono de Deus

Só Deus é capaz de conduzir o mundo, como Senhor da história, respeitando a liberdade humana.
Por Dom Alberto Taveira Corrêa*
Os discípulos de Jesus percorreram etapas exigentes em seu amadurecimento como seguidores daquele Mestre tantas vezes enigmático em seus gestos e palavras. Junto com Jesus, muitas vezes o Lago de Genesaré, também chamado Mar da Galileia ou de Tiberíades, tornou-se cenário privilegiado para o chamado, milagres, repouso, crises, pregações e o duro aprendizado, que frutificará depois, quando a barca da Igreja singrar os mares da história. Após a Ressurreição, foi ainda à beira do lago que descobriram que "o mar não está para peixe", quando falta o reconhecimento da presença do Senhor (Cf. Jo 21, 1-14). Só quando alguém diz "É o Senhor" é que as coisas mudam.
Dura e frutuosa lição experimentaram os discípulos numa das muitas travessias do mar (Cf. Mc 4, 35-41). O cenário é perfeito para o medo! Ventania, ondas que se lançam dentro da barca, e Jesus dormindo! "Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?" e Jesus se levantou, ordenou silêncio ao vento e ao mar. À calmaria, seguiu-se o ensinamento precioso: "Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé? Eles sentiram grande temor e comentavam uns com os outros: Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?" (Mc 4, 40-41). Ao apavoramento se seguiu o temor, que podemos chamar de sagrado! É que estavam descobrindo naquele que os chamara nada menos do que o mesmo Deus que fecha o mar com portas, marca seus limites e controla a "arrogância" de suas ondas (Cf. Jó 38, 1-11). E temor de Deus é um dos dons do Espírito Santo.
As sucessivas gerações de cristãos, até chegar aos nossos dias, e assim será até a volta do Senhor, devem confrontar-se com o dilema do silêncio ou do sono de Deus. Quem de nós, diante da decadência dos costumes, ou frente à onda de violência que se assoma às nossas famílias, a criminalidade impune, ou o indiferentismo e o relativismo que se espalham, não desejou, mesmo secretamente, que venha um fogo do céu para balançar as consciências? (Cf. Lc 9,54-58). Até hoje Jesus repreende os discípulos que desejam usar tais armas!
Quer dizer que Deus não age, ou que continua dormindo comodamente sobre um travesseiro? Basta verificar o curso de nossa vida pessoal, no ponto em que nos encontrarmos, para constatar a presença misteriosa, mas efetiva, de Jesus Salvador em nossa existência. As orações são ouvidas? Sim, mas não como se o Senhor estivesse a nosso serviço, para operar obras prodigiosas, quem sabe desejadas para parecermos melhores do que os outros. Só Deus é capaz de conduzir os acontecimentos do mundo, como Senhor da história, respeitando a liberdade humana.
Para ficar em nossa geração, é positivamente espantoso verificar a sucessão de Papas que a Igreja ofereceu ao mundo, como reserva moral, defesa da verdade e dos direitos das pessoas. Vale uma bonita ladainha, de 1939 para cá: Pio XII, São João XXIII, o Beato Paulo VI, João Paulo I, São João Paulo II, Bento XVI e o Papa Francisco. Felizes somos nós, numa época de carência de líderes autênticos, por termos a Providência Divina que suscita intervenções tão carregadas de sabedoria e firmeza.
Nesta semana, se rejubila nossa Amazônia com a notícia, o Papa Francisco publica a Encíclica sobre a Criação e a Ecologia, chamada "Laudato si". É que Deus realiza a sua obra, bem acordado ("Meu Pai trabalha sempre" - Jo 5,17). Só que desejou benevolamente contar com os dons que nos foram concedidos, e não só aos papas! Tudo o que era estritamente necessário dizer à humanidade foi dito no Filho Amado do Pai, Palavra Eterna encarnada para nossa Salvação. Sem receio de exagerar, podemos dizer que as mazelas todas do mundo seriam e podem ser superadas se o Evangelho for vivido. E as consequências do Evangelho podem iluminar desde as pessoas mais simples até os maiores portentos da ciência ou da técnica. E as muitas moções proféticas que o Senhor oferece no curso da história, através de homens e mulheres dóceis ao Espírito Santo, não fazem mais do que confirmar o que a Palavra revelada já proclamou, oferecendo os necessários desdobramentos correspondentes a cada tempo, para edificarmos um mundo mais justo e fraterno.
Mais do que achar que Deus está dormindo, o que acontece é que uma onda terrível, sob a qual não podemos deixar de identificar a presença e atuação do pai da mentira, cujo nome conhecemos, que pretende fazer com que o mundo viva sem Deus e impedir que a Palavra vinda de sua boca chegue às pessoas, ou ainda ridiculariza o que existe de sagrado na confissão de fé dos homens e mulheres de nossa época, suscitando o que Papa Francisco chama de mundanidade.
Todas as pessoas de boa vontade se espantaram e se revoltaram com o flagrante desrespeito à fé cristã, aos santos e santas e ao Senhor Jesus Cristo, em cujo nome, e só nele, se encontra a salvação, ocorrido recentemente numa grande cidade de nosso país. São pessoas que por suas opções pessoais gritam por respeito, mas não são capazes de reconhecer o mesmo direito de quem professa uma religião. Deus não está dormindo, e nem precisa tramar castigos para quem quer que seja. Ele já disse o que pensa através do clamor que ressoou pelo Brasil.
Outro desafio se anuncia gravíssimo nos próximos dias! Há uma armadilha preparada para dilapidar a formação da consciência das novas gerações, quando a chamada "ideologia de gênero" ameaça ser incluída nos planos educacionais do país. No momento, são as Câmaras Municipais que devem analisar os projetos. Conclamamos todas as casas de leis de nossos municípios de todo o Estado do Pará, a fim de que rejeitem corajosamente esta ameaça. E aqui todos os vereadores e vereadoras cristãos que têm temor de Deus, católicos ou de outras confissões cristãs, são por nós convidados a se posicionarem com firmeza, rejeitando o que maldosamente está sendo proposto por instâncias superiores no campo educacional, que insistem em fazer valer essa ideologia absolutamente contrária aos princípios que defendemos. Para que ninguém pretenda calar a voz de Deus ou fazê-lo dormir, apelo aos meus leitores para encaminharem cópias do texto que agora têm em mãos aos vereadores de todos os municípios do Brasil.
Deus nos entregou uma grande responsabilidade, a de sermos porta-vozes daquilo que ele pensa e quer! Não necessitamos de grandes ou novas revelações para viver esta missão. Basta ter na mente, no ouvido e no coração o Evangelho de Jesus Cristo, vivê-lo e proclamá-lo corajosamente. Como na narrativa da Criação Deus descansou ao ver que tudo o que fizera era muito bom (Cf. Gn 1, 31), permitamos-nos dar alegria e repouso ao seu coração, sendo coerentes com seu plano de amor.
CNBB 23-06-2015
*Dom Alberto Taveira Corrêa é arcebispo de Belém do Pará (PA).

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Encíclica Laudato Si': leia o texto na íntegra e não os pedaços que a mídia laicista vai descontextualizar

Não se conforme com resumos contaminados por ideologias: leia a verdadeira encíclica do Papa Francisco!

Carta encíclica Laudato Si'
Site oficial do Vaticano - Vatican.va

Você concorda que não seria muito inteligente de sua parte consultar a revista "Capricho" para se informar sobre os jogos do Campeonato Brasileiro, certo? Nem a revista "Quatro Rodas" para ficar por dentro das últimas tendências da moda, não é?

Então por que é que você, católico, se "informa" sobre o papa e seus ensinamentos ou sobre quaisquer assuntos da Igreja lendo resumos na "Folha de S.Paulo", na "Veja", na "Carta Capital" ou na "Globo.com"?

A chamada "grande mídia" nem sempre (ou quase nunca) é imparcial e objetiva quando publica "resumos", "análises" ou "opiniões de especialistas" sobre os documentos e fatos da Igreja. Se você pretende conhecer o que o papa Francisco realmente afirma na nova encíclica "Laudato si'", leia a própria encíclica, na íntegra, a partir de uma fonte confiável. Por exemplo? Que tal o site do Vaticano?

Aqui está o link para a página do Vaticano em que você pode ler o texto escrito pelo papa, na tradução oficial da Santa Sé ao português:


Se preferir, você pode também acessar, no mesmo site do Vaticano, a versão do texto em formato .PDF, com a possibilidade de copiá-lo para o seu computador:


A propósito: vá sempre direto à fonte e não se deixe manipular por "especialistas" e "vaticanistas" que "resumem" as palavras da Igreja com base em seus próprios "entendimentos". E se você é um católico preguiçoso que não costuma ler os documentos da Igreja em sua versão original, completa e oficial, considere que esta pode ser uma bela oportunidade para superar a sua preguiça e se tornar uma pessoa de caráter mais sólido! Boa leitura!
sources: ALETEIA

O polêmico dom de línguas

Ele existe, mas é preciso saber compreendê-lo bem

charismatics
Iglesia en Valladolid-cc

Jesus disse: “Estes são os sinais que acompanharão os que creem: em meu nome expulsarão demônios, falarão línguas novas...” (Mc 16, 17).


Com relação ao dom de línguas, é preciso recordar que ele é real, mas é preciso saber entender bem esta questão. A Igreja aceita que existem dons ou carismas extraordinários, como o dom de fazer milagres ou falar em línguas (Catecismo 2003). Mas o dom de línguas, por razões óbvias, é o mais polêmico.

Os casos de pessoas com dom de línguas não são frequentes; por isso, é preciso discernir cada caso.

Muitos santos receberam este dom, a Igreja o reconhece, mas é preciso ter cautela. São Paulo falava em línguas (cf. 1 Cor 14, 18. 39), bem como Santo Antônio de Pádua, Vicente Ferrer e Francisco Xavier, entre outros.

Falar em línguas é um dom do Espírito Santo. Não deve ser confundido com um ministério. Quando o Espírito Santo concede este dom, há diferentes possibilidades de que seja aplicado. Uma delas é orar em línguas – dom que parece ser atualmente o mais “comum”.

São Paulo fala de 5 tipos de oração quando os fiéis oram em línguas:

1. Estar orando sob a influência do Espírito Santo para orar segundo a vontade de Deus (Rm 8, 26-27).

2. Edificar a si mesmos (1 Cor 14).

3. Proclamar as maravilhas de Deus (Atos 2, 11).

4. Falar diretamente com Deus (1Cor 14, 2).

5. Louvar Deus (Atos 10, 46).

O dom de línguas fora da oração não consiste em falar os idiomas que conhecemos, mas em línguas desconhecidas por quem tem o dom; porém, a pessoa é entendida por aqueles que falam tal idioma, como se estivesse falando em sua própria língua. Isso foi o que aconteceu em Pentecostes.

Quem fala em línguas não entende o que diz nem percebe que está falando em outro idioma; e quem o ouve tampouco sabe que ele não fala aquele idioma.

Este fenômeno supõe que a “tradução” aos diferentes idiomas é obra do próprio Espírito Santo, sem intervenção humana alguma.

Quando São Paulo fala, por exemplo, dos “gemidos inefáveis”, refere-se a expressões em pleno êxtase quando a pessoa, com grande amor a Deus, ora intensamente. É algo parecido às palavras carinhosas, sem sentido algum, pronunciadas entre pessoas que se amam.

Mas atenção: o dom de línguas não pode ser confundido com a possibilidade de falar, no pleno sentido da palavra, outras línguas – inclusive línguas inexistentes ou mortas – sem tê-las aprendido. Isso é considerado até demoníaco e costuma acontecer com pessoas possuídas, ainda que tal possessão não pareça ser tão ostentosa.

Quando se trata de possessão demoníaca, há outros comportamentos presentes, como atividades sacrílegas e paranormais, espiritismo, satanismo, esoterismo.

http://www.aleteia.org/pt/religiao/artigo/o-polemico-dom-de-linguas-5849070362951680?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-18/06/2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Ação de graças pós comunhão




Ó meu Jesus, eu creio em vós presente no meu coração, porque vos recebi no mistério da comunhão. Vós mesmo dissestes: "Tomai e comei, isto é o meu corpo". E assim nos ensina a Santa Igreja. Eu vos adoro no meu coração e vos reconheço como meu soberano Senhor, meu Deus, meu Redentor e sobretudo meu Pai.
Abençoa-me, abençoai meus pais, os meus irmãos, os meus filhos e todos os meus parentes; abençoai o Santo Padre o Papa, o nosso Bispo diocesano e todo o Clero; abençoai os meus amigos e os meus inimigos e todas as pessoas que me são caras. Aquelas que estão afastadas de Vós, que voltem o quanto antes à vossa graça e ao vosso amor, aquelas que sofrem, contemplem a vossa imagem na cruz. Ó meu Jesus, dai-me a graça de meditar os mistérios de vossa redenção, o perdão de nossos pecados e o direito à salvação eterna.
Jesus ficai comigo bem no meu coração, santificai-me e fazei que eu seja sempre vosso durante a minha vida e, sobretudo, Senhor, na hora da minha morte. Amém

Pe, Simões - Capela da Vila Pinto - Varginha - MG
* Com aprovação eclesiática

terça-feira, 16 de junho de 2015

7 hábitos das pessoas que confiam radicalmente em Deus

The man in front of infinity_
© djgis/SHUTTERSTOCK

Já li muitas biografias e memórias sobre pessoas inspiradoras que depositaram sua confiança radicalmente em Deus. Quando me falo de ser “radical”, não quero dizer de maneira alguma “imprudente”; refiro-me à dificuldade, muito contracorrente na atualidade, de reconhecer Deus absolutamente sobre todas as áreas da nossa vida.

Achei fascinantes os pontos em comum nas vidas de pessoas incríveis, que se entregaram com absoluta confiança ao Senhor, e decidi compartilhar isso com vocês, para que sirvam de inspiração a outros.


1. Aceitaram o sofrimento

Um dos exemplos mais poderosos que li foi a história do Irmão Yun, no livro “The Heavenly Man”. Ele foi perseguido na China por ser pregador, foi torturado durante semanas, incluindo choques elétricos, fome, golpes, agulhas debaixo das unhas; foi também colocado em uma caixa de cerca de um metro quadrado, onde ficaria indefinidamente.

Ele rezou a Deus pedindo uma Bíblia – uma ideia ridícula, já que muita gente era presa justamente por tal “contrabando”. Mas, milagrosamente, no dia seguinte, os guardas jogaram uma Bíblia dentro da sua mini cela. Ele então agradeceu fervorosamente a Deus, reconhecendo que o Senhor estava no comando da sua vida.

Sinceramente, se fosse eu em tais condições de tortura, talvez reagisse dizendo a Deus algo do tipo: “Obrigada pela Bíblia, Senhor, mas será que dá pra fazer alguma coisa pra me tirar desta caixa primeiro?”. Acho que eu nem teria considerado a Bíblia como uma resposta às minhas orações.

No entanto, o que vejo em pessoas como o Irmão Yun é que têm muito claro que sofrer não é o pior mal de todos. O pior mal é o pecado. É claro que prefeririam não sofrer, mas isso não está no topo da sua lista de prioridades. Eles se focam mais em não pecar do que em não sofrer. Dedicam-se a levar a si mesmos e os outros ao céu.

2. Aceitam inevitavelmente a morte

As pessoas que confiam totalmente em Deus só conseguem isso porque têm uma visão do mundo centrada no céu. Pensam sempre em termos de eternidade, não em termos dos anos do calendário. Seu objetivo não é maximizar seus anos na terra, mas conseguir chegar ao céu – e levar muita gente junto. E se Deus requer reduzir seu tempo de vida para isso, essas pessoas aceitam.

3. Têm encontros diários com Deus

Nunca ouvi de uma pessoa com uma profunda e calma confiança no Senhor que não dedicasse um tempo para concentrar-se na oração diária. Tanto nos livros que li como na vida real, percebi que esse tipo de gente sempre passa pelo menos alguns momentos – até uma ou duas horas, se as circunstâncias o permitem – centrados somente em orar, todos os dias. A oração também costuma ser a primeira atividade do seu dia.

4. Durante a oração, escutam mais do que falam

As pessoas que confiam absolutamente em Deus até parecem receber mais resposta às suas súplicas do que a maioria de nós. Na verdade, elas não pedem qualquer coisa, mas seguem as inspirações do Espírito Santo em suas petições. Passam muito tempo buscando a vontade de Deus em suas vidas.

5. Limitam as distrações

No livro “God’s Smuggler”, o autor comenta que a tecnologia, segundo o Irmão Andrew, nos torna muito acessíveis às demandas do momento, mas “nossa prioridade número um deveria ser escutar com paciência e silêncio a voz de Deus”. De fato, a tecnologia carrega a grande tentação de sentir um aumento na urgência da nossa vida: responder e-mails, mensagens no Facebook etc. Precisamos de períodos de silêncio para estar atentos aos sussurros do Espírito Santo.

6. Submetem seu discernimento espiritual a outros

As pessoas que têm experiência observando a maneira como Deus trabalha em suas vidas notam que Ele frequentemente fala através de amigos de fé, membros de sua família e do clero. Se eles discernem que Deus os está chamando a algo, especialmente quando se trata de algo grande, pedem a outros cristãos de sua confiança que orem com relação ao assunto para ver se eles também discernem o mesmo chamado do Senhor. E quando os outros os advertem sobre não seguir certos caminhos, levam esses conselhos muito a sério.



7. Oferecem completa e incondicional obediência ao Senhor

Uma das minhas partes favoritas do livro “God’s Smuggler” é quando o Irmão Andrew recebe a visita de um homem chamado Karl, que fazia parte de um grupo de oração.

- Olá, Andy, Você sabe dirigir?
- Não.
- Ontem, durante a oração, recebemos uma palavra do Senhor sobre você, e é importante que você aprenda a dirigir.
- Mas por quê? Certamente nunca terei carro próprio.
- Andrew, não estou argumentando sobre a lógica do caso, estou apenas lhe transmitindo a mensagem.

Apesar da hesitação inicial, o Irmão Andrew conseguiu discernir o chamado do Senhor e aprendeu a dirigir. Parecia uma perda de tempo, mas ele foi obediente ao Senhor. Depois, saber dirigir acabou sendo crucial em sua missão, pois ele levou a Palavra do Evangelho a milhares de pessoas no Leste Europeu.

Obviamente, não vamos crescer em confiança apenas imitando as ações de outras pessoas, mas podemos encontrar exemplos como estes, que nos ajudam a refletir sobre nosso progresso espiritual. Espero que isso seja útil para você, assim como é para mim.


http://www.aleteia.org/pt/estilo-de-vida/artigo/7-habitos-das-pessoas-que-confiam-radicalmente-em-deus-5851154495832064?page=2

O AMOR AOS INIMIGOS


        Jesus apelou para o modo de proceder do Pai para ensinar o amor aos inimigos. O Pai não faz distinção das pessoas entre boas e más, quando concede seus benefícios à humanidade. O sol e a chuva derramam-se abundantes sobre todos e lhes são benéficos, independentemente, de sua conduta.

            O discípulo do Reino, do mesmo modo, não divide as pessoas em boas e más, santas e pecadoras, amigas e inimigas, sendo atencioso e serviçal para umas e repelindo as outras. Porém, a atitude do discípulo pode não encontrar correspondência por parte de outras pessoas e, eventualmente, ser hostilizado por elas. Pois bem, embora tenha que sofrer, o discípulo não retribui com a mesma moeda. Ele bendiz, quando lhe maldizem. Dispõe-se a fazer o bem a quem lhe nutre ódio. Intercede por seus perseguidores e caluniadores. Esta é a marca registrada do discípulo.
            Se agisse de outra forma, o discípulo não se distinguiria de um não-discípulo. Revidar ódio com ódio e maldição com maldição não é novidade. O discípulo, inspirado no agir do Pai, vai na contramão da cultura reinante. Aí, sim, ele mostra ser o Pai o modelo e o motivo de sua ação. Aliás, o Pai se torna para ele modelo de perfeição. Quando mais o discípulo é capaz de agir sem fazer acepção de pessoas, tanto mais próximo da perfeição estará.
Senhor Jesus, livra-me de dividir a humanidade em bons e maus e aproxima-me sempre mais da perfeição do Pai que não faz acepção de pessoas.


(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)

http://www.domtotal.com/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php