sábado, 11 de julho de 2015

DOCUMENTÁRIO: A VIDA E MEDALHA DE SÃO BENTO DE NÚRSIA

Medalha e Oração de São Bento


A medalha de São Bento não é um "amuleto da sorte". Trata-se de um sacramental, isto é, um sinal visível de nossa fé. 

  
    O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, com conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc. 
  
    Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica. 
  
    Todo Cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois, é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja ; provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos. 
  
    O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede, também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento com São José são padroeiros da boa morte. 
  
    Para se ficar livre das ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres religiosos:Oração, Missa dominical, recepção dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus. 
  
    Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das  disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados. 


Na frente da medalha (veja foto) são apresentados uma cruz e entre  seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti - "Cruz do Santo Pai Bento".
 
Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux - "A cruz sagrada seja minha luz".
 
Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux - "Não seja o dragão meu guia".
 
No alto da cruz está gravada a palavra PAX ("Paz"), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S. 
 
À partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana - "Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!" e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas - "É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!".
 
Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS - IN - OBITU - NRO - PRAESENTIA - MUNIAMUR - "Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte". 
 
É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.

Oração para alcançar alguma graça: 
  
  Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça  ... que vos suplicamos, finalmente, vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso. 
Amém.
http://www.osb.org.br/medalha.html

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O aborto não é saída, e sim entrada para um caminho cheio de sofrimento

"Abortei por achar que não estava preparada para ser mãe. Hoje posso resumir tudo como egoísmo puro."

sadnessHelga Weber-cc

Decidi escrever meu depoimento porque finalmente encontrei o começo da paz e do perdão que tanto buscava, desde que, há um ano, optei pela decisão "mais fácil", "mais cômoda", a que "afetaria menos pessoas" e que acabou prejudicando a pessoa a quem mais amei até agora: meu próprio filho.

Há um ano, meu namorado e eu, que estamos juntos há 7 anos, descobrimos que estávamos esperando um filho. Engravidei depois de deixar de tomar anticoncepcionais, por motivos de saúde. Foi uma notícia que me deixou apavorada. Eu achava que ia enlouquecer, e não era por ser uma adolescente de 15 ou 20 anos; eu já tinha 26, era formada, assim como meu namorado. Simplesmente senti que não poderia arcar com aquelaresponsabilidade, que não estava preparada, que não poderia dar tudo o que gostaria ao meu primeiro filho. Mas hoje posso resumir tudo em egoísmo puro.

Uma das coisas pelas quais mais me sinto mal é o fato do meu namorado ter aceito a notícia com alegria e, ao ver minha negativa, ele me propôs ter o bebê e dá-lo a ele, que o criaria. Mas eu respondi: "Se eu tiver esse filho, você me perderá, porque eu não suportarei esta situação. Ou você me ajuda, ou eu faço isso sozinha". E assim, após algumas horas, ele acabou aceitando.

Procurar alguém disposto a me "ajudar" não foi fácil. Eu me mostrava muito decidida, ainda que, no fundo, o medo me invadia e me dominava; mesmo não aceitando a gravidez, eu já estava amando meu filhinho, quase imperceptível ainda. Mas finalmente chegou o dia, fui até a clínica e, em questão de minutos, acabaram não somente com o meu filho, mas também com uma parte de mim.

Hoje posso lhes dizer que a dor física não é nada comparada com a dor que eu sentia na alma. No instante em que saí da clínica, um terrível arrependimento invadiu meu coração, como se finalmente tivesse aberto os olhos: eu havia matado meu próprio filho! Isso foi pior que se tivessem me arrancado uma perna ou um braço.

Meu namorado também se arrependeu e, desde então, só procuramos maneiras de fugir da dor. Mergulhamos no trabalho, na rotina, nas coisas materiais, mas nada fazia a dor passar nem melhorar, nada nos dava paz.

Não havia um só dia em que eu não chorasse. Pedi perdão a Deus muitas vezes, comecei a ler a Bíblia em busca de respostas, ia à missa, mas não tinha coragem de me confessar porque achava que não me perdoariam.

Depois de um ano, criei coragem e fui me confessar. Nesse dia, pude redescobrir o amor infinito de Deus e perceber que, apesar de tudo o que eu pudesse pensar, Ele me perdoava. Sim, Deus me perdoou, mas mesmo assim, eu não me sentia bem, algo ainda estava errado.

Passaram-se os dias e os meses, meu namorado e eu decidimos retomar os planos de casamento. Entre os requisitos, encontrava-se o curso de noivos. Começamos a fazê-lo só por obrigação, mas sem imaginar que esta era a oportunidade que Deus estava colocando em nossas vidas para retomar seu caminho e não nos afastarmos mais dele.

Sim, agora compreendo que o que me aconteceu foi por isso, porque me afastei dele, porque as decisões ruins são tomadas com mais facilidade quando nossa parte espiritual está vazia ou adormecida.

Durante o curso de noivos, decidimos voltar a nos confessar e foi então que descobri que o que me pesava interiormente era que eu ainda não tinha me perdoado de verdade. Deus já havia me perdoado, mas eu não. Conversei muito com o padre e esta foi uma oportunidade de ouro que hoje agradeço infinitamente.

No próprio curso, percebemos que uma coisa leva à outra e que, se estivéssemos esperado até o casamento para ter uma vida sexual, se tivéssemos vivido a castidade e a pureza, nada disso teria acontecido.

O padre me ajudou a ver que Deus realmente escreve certo em linhas tortas. Agora creio firmemente que tenho um propósito de vida, mais ainda com o que me aconteceu, e se o meu depoimento puder ajudar alguém que esteja pensando no aborto como uma saída, pode ter certeza de que o aborto é apenas a porta para um caminho repleto de sofrimento e dor, que não desejo a ninguém.

http://www.aleteia.org/pt/saude/artigo/o-aborto-nao-e-saida-e-sim-entrada-para-um-caminho-cheio-de-sofrimento-5824769035337728

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O Padre Pio e os Anjos da Guarda

O Padre Pio, que teve vários encontros com anjos durante sua vida terrena, escreveu esta incrível carta sobre como se relacionar com o anjo da guarda


O Padre Pio, durante sua vida, teve encontros com anjos e chegou a conhecê-los bem. E também recebeu locuções interiores que teve de discernir de quem vinham e como deveria agir com relação a elas.

Em uma carta escrita em 15 de julho de 1913 a Anitta, ele oferece uma série de valiosos conselhos sobre como agir com relação ao anjo da guarda, às locuções e à oração.

Querida filha de Jesus:

Que o seu coração sempre seja o templo da Santíssima Trindade, que Jesus aumente em sua alma o ardor do seu amor e que Ele sempre lhe sorria como a todas as almas a quem Ele ama. Que Maria Santíssima lhe sorria durante todos os acontecimentos da sua vida, e abundantemente substitua a mãe terrena que lhe falta.

Que seu bom anjo da guarda vele sempre sobre você, que possa ser seu guia no áspero caminho da vida. Que sempre a mantenha na graça de Jesus e a sustente com suas mãos para que você não tropece em nenhuma pedra. Que a proteja sob suas asas de todas as armadilhas do mundo, do demônio e da carne.

Você tem uma grande devoção a esse anjo bom, Anita. Que consolador é saber que perto de nós há um espírito que, do berço ao túmulo, não nos abandona em nenhum instante, nem sequer quando nos atrevemos a pecar! E este espírito celestial nos guia e protege como um amigo, um irmão.

É muito consolador saber que esse anjo ora sem cessar por nós, oferece a Deus todas as nossas boas ações, nossos pensamentos, nossos desejos, se são puros.

Pelo amor de Deus, não se esqueça desse companheiro invisível, sempre presente, sempre disposto a nos escutar e pronto para nos consolar. Ó deliciosa intimidade! Ó deliciosa companhia! Se pudéssemos pelo menos compreender isso...!

Mantenha-o sempre presente no olho da sua mente. Lembre-se com frequência da presença desse anjo, agradeça-lhe, ore a ele, mantenha sempre sua boa companhia. Abra-se a ele e confie seu sofrimento a ele. Tome cuidado para não ofender a pureza do seu olhar. Saiba disso e mantenha-o bem impresso em sua mente. Ele é muito delicado, muito sensível. Dirija-se a ele em momentos de suprema angústia e você experimentará sua ajuda benéfica.

Nunca diga que você está sozinha na batalha contra os seus inimigos. Nunca diga que você não tem ninguém a quem abrir-se e em quem confiar. Isso seria um grande equívoco diante desse mensageiro celestial.

No que diz respeito às locuções interiores, não se preocupe, tenha calma. O que se deve evitar é que o seu coração se uma a estas locuções. Não dê muita importância a elas, demonstre que você é indiferente. Não despreze seu amor nem o tempo para essas coisas. Sempre responda a estas vozes:

“Jesus, se és Tu quem está me falando, permite-me ver os fatos e as consequências das tuas palavras, ou seja, a virtude santa em mim.”

Humilhe-se diante do Senhor e confie nele, gaste suas energias pela graça divina, na prática das virtudes, e depois deixe que a graça aja em você como Deus quiser. É a virtude que santifica a alma, e não os fenômenos sobrenaturais.

E não se confunda tentando entender que locuções vêm de Deus. Se Deus é seu autor, um dos principais sinais é que, no instante em que você ouve essas vozes, elas enchem sua alma de medo e confusão, mas logo depois a deixam com uma paz divina. Pelo contrário, quando o autor das locuções interiores é o diabo, elas começam com uma falsa segurança, seguida de agitação e um mal-estar indescritível.

Não duvido em absoluto de que Deus seja o autor das locuções, mas é preciso ser cautelosos, porque muitas vezes o inimigo mistura uma grande quantidade do seu próprio trabalho através delas.

Mas isso não deve assustá-la; a isso foram submetidos os maiores santos e as almas mais ilustradas, e que foram acolhidas pelo Senhor.

Você precisa simplesmente ter cuidado para não acreditar nessas locuções com muita facilidade, sobretudo quando elas se digam como você deve se comportar e o que tem de fazer. Receba-as e submeta-as ao juízo de quem a dirige espiritualmente. E siga a sua decisão.

Portanto, o melhor a se fazer é receber as locuções com muita cautela e indiferença constante. Comporte-se dessa maneira e tudo aumentará seu mérito diante do Senhor. Não se preocupe com sua vida espiritual: Jesus a ama muito. Procure corresponder ao seu amor, sempre progredindo em santidade diante de Deus e dos homens.

Ore vocalmente também, pois ainda não chegou a hora de deixar estas orações. Com paciência e humildade, suporte as dificuldades que você tem ao fazer isso. Esteja sempre pronta também para enfrentar as distrações e a aridez, mas nunca abandone a oração e a meditação. É o Senhor que quer tratá-la dessa maneira para seu proveito espiritual.

Perdoe-me se termino por aqui. Só Deus sabe o muito que me custa escrever esta carta. Estou muito doente; reze para que o Senhor possa desejar me livrar desse pequeno corpo logo.

Eu a abençoo, junto à excelente Francesca. Que você possa viver e morrer nos braços de Jesus.

Pe. Pio




Fonte: http://www.aleteia.org/

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Alimentados pela fé, alcançamos o céu

Alimentados pela fé, alcançamos o céu. O lugar de alimentarmos nossas dúvidas e questionamentos é no coração de Jesus, Ele é a resposta e o sustento da nossa fé!
“Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” (João 20, 29).
Nós temos hoje a graça de celebrar a festa do apóstolo São Tomé. Para alguns, São Tomé é o apóstolo da incredulidade devido à sua falta de confiança e fé, pois, por não ter visto Jesus ressuscitado, ele exige uma prova de fé: tocar no Senhor para que pudesse ver e acreditar [na ressurreição do Senhor].
Tomé é, para nós, o apóstolo que talvez melhor configure o cristão dos dias de hoje, porque ele tem muito ânimo, muita disposição e é ele quem diz no Evangelho de São João, capítulo 11, versículo 16: “Vamos também nós, para morrermos com ele”. A disposição dele é de dar a vida por Jesus, de morrer junto com o Senhor e, quando não sabe algo, questiona. E porque Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14, 6) é como se Tomé Lhe perguntasse: “Mostra-nos o caminho, Senhor! Que caminho é este?“.
Nós que, muitas vezes, escutamos a Palavra do Senhor e a achamos bela, profunda e verdadeira, também perguntamos: “Como? Quando? De que maneira?”. E Tomé não teve medo, não teve nenhuma hesitação em perguntar e questionar.
Sabem, meus irmãos, nós nem sempre temos respostas para tudo, nós nem sempre encontramos soluções para tudo em nossa vida. E, muitas vezes, paramos em respostas e em soluções superficiais para poder satisfazer o nosso ego e a nossa racionalidade. E, frequentemente, temos medo das questões.
Isso não significa que devamos ser  pessoas que duvidam de tudo e desacreditam de tudo; pelo contrário, pela fé, nós sabemos em quem cremos e em quem acreditamos. Quando não sabemos algo, não nos custa nada perguntar isso a quem pode nos ajudar. Quando temos dúvidas e receios, nós não nos tornamos menos de Deus ou menos fervorosos na fé por não termos convicção disso ou daquilo. O importante é que nos alimentemos e nos enchamos da verdade da fé aos pés d’Aquele que pode nos preencher e alimentar a nossa própria fé.
O lugar do discípulo de Jesus é aos pés do Seu Mestre. O lugar dos apóstolos de Jesus é junto à Palavra de Deus, para com ela crescer, se alimentar e se saciar. O lugar de alimentarmos nossas dúvidas e questionamentos é no coração de Jesus, Ele é a nossa resposta, ainda que, muitas vezes, não seja a resposta racional que queremos, mas é o sustento da fé com a qual nós cremos e acreditamos!
Nós não vamos ver com os olhos da carne as realidades profundas da vida no Espírito, da vida em Deus. A fé é maior do que os olhos da carne quando a [fé] alimentamos, por meio dela vamos longe e tocamos em graças incontáveis. Podemos até desanimar, nos cansar, mas se alimentamos nossa fé, nós vamos bem longe! E o mais longe que ela pode nos levar é o céu – o lugar da morada dos justos – daqueles que creem em Deus e têm n’Ele o sentido de sua vida!
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/

É PRECISO TER FÉ


O apóstolo Tomé tornou-se símbolo da comunidade que questiona a Ressurreição de Jesus e exige prova para poder aceitá-la. Ele não aceitou o testemunho da comunidade, para quem Jesus havia aparecido e comunicado o dom do seu Espírito. O apóstolo condicionava sua fé à visão das chagas nas mãos de Jesus e ao tocar na ferida produzida pela lança. Este materialismo crasso o impedia de aderir ao Senhor pela fé.

Jesus proclamou ser feliz quem fosse capaz de chegar ao ato de fé, sem mesmo tê-lo visto. Ou seja, crer pelo testemunho da comunidade. Se a fé em Jesus dependesse de tê-lo visto, na terra, só um grupo privilegiado de discípulos num determinado contexto histórico e geográfico, teria acesso à fé. Uma vez que isto não é necessário, qualquer pessoa, em qualquer tempo ou lugar, pode chegar à fé, tal como a comunidade primitiva. Por conseguinte, a fé no Ressuscitado dá-se pelo testemunho da comunidade e se propaga pela tradição, que vai abarcando o mundo inteiro.
O Ressuscitado já não está limitado a um tempo ou a um lugar específico. Ele pode sempre ser encontrado e acolhido, por quem nele deposita sua fé. Certas exigências inconvenientes, como a de Tomé, podem inviabilizar o processo da fé e impedir um encontro libertador com o Senhor.

http://domtotal.com/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php

sábado, 27 de junho de 2015

A batalha contra a doutrina do pecado

Autor: Claudio Canal

Sobre como Adão chegou até nós, as respostas não estariam tão de acordo: por transmissão biológica, por descendência, pela metafísica do ser e da natureza. Até a explícita admissão do Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 404: "a transmissão do pecado original é um mistério que nós não podemos compreender plenamente". 


A data exata do seu nascimento é 397 d.C., quando Agostinho de Hipona escreveu um livro intitulado De diversis quaestionibus ad Simplicianum, em que começa a definir aquela que será, nos séculos vindouros, a teoria bem-sucedida do pecado original, que, como se sabe, se entrelaçará profundamente com o pensamento ocidental. Os temas da queda, da culpa, do mal, da salvação e da redenção, da liberdade individual, do mal de viver, todos têm um apoio sobre a serpente, a maçã e, sobretudo, sobre a pérfida Eva, equilibrada pela perfeita Maria, imaculada, ou seja, sem pecado original. 



"Teoria da verdadeira civilização. Não está no gás, nem no vapor, nem nas mesas giratórias. Está na diminuição dos vestígios do pecado original", escrevia Charles Baudelaire, um teólogo não de segunda linha. No seu tempo, no entanto, Kant já havia visto as suas óbvias contradições, e Paul Ricoeur, em 1969, em um ensaio que fez história, escreveu: "Jamais se dirá o suficiente quanto mal fez ao cristianismo a interpretação literal – se deveria dizer ´historicista´ – do mito de Adão. Ela o fez cair na profissão de uma história absurda e em especulações pseudorracionais sobre a transmissão biológica de uma culpabilidade quase jurídica pelo erro de um outro homem, expulso para longe na noite dos tempos, não se sabe bem para onde, entre o Pithecanthropus e o homem de Neandertal. Ao mesmo tempo, o tesouro escondido do símbolo adâmico foi desperdiçado". 
Pecado original ou bênção original? Essa pergunta é respondida, sem papas na língua, por Matthew Fox, um nome que não deve ser confundido com o intérprete principal da série de televisão de grande sucesso Lost. O nosso Matthew Fox é um ex-dominicano norte-americano, agora episcopaliano, ou melhor, "padre pós-denominações", como ele gosta de se definir, que, em 1983, escreveu um volumoso best-seller de 400 páginas intitulado Bênção Original, agora traduzido para o italiano como In principio era la gioia, em sua terceira edição (introdução de Vito Mancuso, tradução Gianluigi Gugliermetto, Ed. Fazi, 2011, 428 páginas). 



O dominicano teve que enfrentar, em 1988, a Congregação para a Doutrina da Fé, presidida pelo prefeito cardeal Joseph Ratzinger, sobretudo pelas atividades e teorias elaboradas pelo Instituto de Espiritualidade da Criação, fundado por Fox. Em 1993, ele foi expulso da ordem. 



No livro, Fox inverte o paradigma: "A religião no Ocidente deve abandonar o modelo exclusivista de queda e redenção […], modelo dualista e patriarcal, cuja teologia inicia com o pecado e com o pecado original, e termina normalmente com a redenção […] e não ensina nada sobre a Nova Criação ou sobre a criatividade, sobre a construção da justiça e da transformação social, ou sobre o eros, o prazer e o Deus da alegria. Ela não consegue ensinar o amor pela Terra ou o cuidado pelo Universo, e é assim assustada pela paixão que não consegue ouvir o grito dolorido dos anawim, dos pequenos da história humana". 



Esse é, substancialmente, o interessante programa do livro, habilmente sintetizado, além disso, em um apêndice de quatro páginas, em que os dois paradigmas são contrapostos em uma tabela de duas colunas. 



Fox consegue bem, embora de modo rapsódico, destacar a importância que a doutrina do pecado original teve na constituição da consciência ocidental: um ser humano marcado pelo pecado e pela vergonha e, por isso, incapaz de decidir o que é melhor para ele e para os outros, sempre à espera de uma autoridade que lho diga e que pratique o bem em seu lugar e, talvez, contra ele. Uma autoridade sacerdotal ou política, tanto faz. 



Mas a estratégia da Fox não é exclusivamente centrada em demonstrar que o conceito de pecado original é um falso saber, como diria Ricoeur, mas é sobretudo voltada a elaborar uma summa de espiritualidade alternativa para a construção de um mundo pacificado, onde o pecado, original ou não, seja apenas um resíduo. 



Os caminhos a serem percorridos por Fox são: Via positiva (alegria, hospitalidade cósmica, maravilha), Via negativa (deixar-se levar, silêncio, escuridão), Via criativa (criatividade, Deus como mãe), Via transformadora (justiça, compaixão, interdependência). Cada uma totalmente ilustrada e aprofundada em uma trama de iluminações estrepitosas e de banalidade desarmantes, a ponto de desorientarem assim que nos distanciamos um pouco do tom sempre cativante do texto. 



A primeira impressão é que a Fox, apesar de todas as sacrossantas batalhas contra a Igreja faraônica, permaneceu enredado, no entanto, nas suas milenares práticas retóricas. O modo narrativo de In principio era la gioia é muito semelhante à tradicional, e antiquada, apologética católica, que, reunindo e liquefazendo citações da Bíblia, dos Padres da Igreja, dos santos e dos papas, pontificava sobre qualquer assunto. 



A forma de fazer com o que leitor salte da citação de um psicanalista a uma do profeta Isaías, de uma feminista dos nossos dias a Francisco de Assis, passando por Gandhi, Pablo Casals e Tomás de Aquino, dá bem uma ideia de bricolagem que subjaz à escrita de Fox e que constitui ao seu código argumentativo. 



Para fugir da rígida geometria da teologia "masculina", Fox parece cair um pouco demais na evocação indiferenciada e barroca das belas palavras deste ou daquela, como um pregador qualquer do século XVII. O que reforça essa perplexidade de leitura é o uso desenvolto que Fox faz de duas figuras eminentes da mística e do pensamento ocidental, Hildegard von Bingen e Meister Eckhart. O seu objetivo é mostrar uma outra genealogia de uma renovada espiritualidade contemporânea, revelando um pensamento cristão escondido, muitas vezes censurado, senão até abertamente condenado pelos letais tribunais eclesiásticos. 



Na busca de fontes não esgotadas, Fox não é tão sutil. Ele toma dos dois aquilo que lhe serve, destoricizando tanto Hildegard quanto Eckhart. À primeira, ele também dedicou um livro, Illuminations of Hildegard, que diz muito sobre Matthew Fox, mas pouco de Hildegard abadessa de Rupertsberg, escritora, filósofa, naturalista, linguista, curandeira, poeta e compositora. 



Ele faz de Eckhart um perfeito distribuidor automático de belas frases e de belos pensamentos, descontextualizado e avulso, seja das influências recebidas – são importantíssimas as islâmicas –, seja dos inquietantes influxos exercidos sobre o pensamento alemão posterior. 

Um livro não de uma única cor; exuberante e vigoroso, para ser lido e discutido, não para ser adorado.
(Fonte: Jornal Il Manifesto, 29-07-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.)