segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A preguiça - primeira parte



Um curso de doutrina católica. 

O conferencista entra na sala, senta-se à mesa e, encarando o público, anuncia: – Hoje, vamos falar sobre a preguiça. Imediatamente um sorriso percorre o auditório, e os presentes entreolham-se com regozijo. Talvez tenha sido também um sorriso a primeira reação do leitor ao ler o título deste caderno, e é possível que tenha folheado rapidamente as páginas e examinado o índice com divertida curiosidade.

Podemos ter a certeza de que nada disso teria acontecido se o tema fosse outro. Por exemplo: o orgulho, a ira, a inveja. Todos eles são assuntos que trazem o nome de um dos sete pecados capitais. Por que será então que só a preguiça, dentre os sete, nos faz sorrir?

Os pecados ou vícios capitais têm este nome – “capitais” – precisamente por serem cabeças (capita, em latim) de muitos outros vícios e pecados. São como que as raízes que o egoísmo lança no mais profundo da alma, e que fazem irromper, como plantas peçonhentas, múltiplas ramificações.

Não é preciso insistir muito, por exemplo, acerca dos efeitos, dos ramos amargos da soberba: discórdias, arrogância, ódios e desprezos, humilhações... Nada disso, certamente, faz sorrir ninguém. Da mesma forma, ninguém se regozija ao pensar nos frutos azedos da ira (brigas,

agressões, divisões, injúrias) ou nos da inveja (críticas ácidas,deslealdades,inquietações constantes) ou ainda na ruína da saúde ou do lar, que comfreqüência é o resultado das desordens da gula (embriaguez), da avareza e da luxúria.

Mas quando pensamos nas ramificações da preguiça, não conseguimos apagar de todo aquele sorriso inicial. Parecem ter qualquer coisa de cômico, e ousaríamos dizer até de simpático: correrias matutinas rumo ao emprego, por não se ter acordado na hora certa; cenas de comedieta italiana entre a mulher e o marido, que se entrincheira na poltrona e no jornal para não ter que ajudar; artes de “cola” em estudantes pouco afeiçoados ao trabalho... Certamente podemos avistar alguns ramos mais retorcidos da preguiça, perante os quais o sorriso murcha: vidas atoladas na mediocridade, por não terem sabido esforçar-se e trabalhar a sério; constante instabilidade de empregos no profissional irresponsável; amarguras causadas por filhos cuja educação os pais descuraram...

Tudo isto nada tem de engraçado.

Pois bem, é isto, precisamente, o que nos pode ajudar a entender o que significa o vício capital da preguiça, vício de fundo – como os outros seis pecados capitais – que, brotando da raiz do egoísmo, corrói a grandeza moral do homem.

As confusões, neste tema, procedem de que, de modo imediato, a palavra preguiça nos sugere pensar naquilo que, benevolamente, costumamos chamar de preguicinhas.

Parecem-nos apenas minúcias, fragilidades próprias da condição humana, sempre desculpáveis. Mas, entre as pequenas preguiças e a preguiça sem diminutivos, vai uma grande distância.

O QUE E A PREGUIÇA?

Existe uma definição muito simples de preguiça, com a qual é fácil concordar: “a resistência ao esforço e ao sacrifício”. Com efeito, o preguiçoso não tem um ideal de perfeição esforçada, mas de facilidade. Mais do que o bem, move-o a vantagem. Podendo seguir uma linha cômoda, não se esforçará por subir a encosta íngreme do aprimoramento, da perfeição.

O preguiçoso contentar-se-á com “despachar’ as tarefas e responsabilidades, sem se importar em deixá-las acabadas. E, à força de se poupar egoistamente ao esforço, chegará a tornar-se um virtuose na arte lamentável de contornar os deveres, de “dar um jeito” – como se diz popularmente – e de outras tantas manhas da moleza.

Será que percebemos o vírus oculto, que anda emboscado por trás dessas atitudes e comportamentos? É, nem mais nem menos, a fuga do ideal – da perfeição –, a deserção do amor. E essa constatação é importante para penetrarmos no âmago da preguiça como pecado capital.

Há duas formas possíveis de situar-se perante a vida e as suas responsabilidades:

–– pode-se encará-la como uma missão – grande, bela e árdua –, que Deus propõe a cada um de seus filhos, e pela qual vale a pena gastar as melhores energias;

–– ou pode-se encará-la com a mentalidade do aproveitador. Para este, o que importa é passar bem, usufruir os prazeres da vida, fazer o imprescindível e não complicar-se.

Assemelha-se a um mata-borrão que, quanto mais absorve – quanto mais a sua alma se embebe de egoísmo –, mais se estraga. É característica desses tais “o comodismo, a falta de vibração, que impelem a procurar o mais fácil, o mais agradável, o caminho aparentemente mais curto, mesmo à custa de concessões no caminho da fidelidade a Deus”.

Com muito acerto escreveu um filósofo cristão dos nossos dias que “a preguiça significa, antes de mais nada, que o homem renuncia à altura da sua dignidade: não quer ser aquilo que Deus quer que seja”. E, nesta dolorosa renúncia, se destrói.

Desistir dos ideais é desistir de sermos “nós mesmos”. Porque cada um de nós só pode realizar-se de verdade na medida em que luta por ajustar-se àquilo que Deus lhe propõe como meta na vida. Ou porventura pensamos que Deus, Pai e Amor, Sabedoria infinita, nos lançou no mundo às cegas, sem ter em sua mente um plano para nós?

Furtar-se a este plano de Deus, que é a sua Vontade e o nosso Ideal, é a mais radical das frustrações. Na vida, o que nos desencanta não são as pequenas ambições insatisfeitas – no plano do sucesso e do dinheiro, por exemplo –, mas os ideais abandonados ou atraiçoados. Deus ofereceu-nos uma oportunidade, e nós a recusamos. Quantas vezes Eu quis – dizia Cristo com lágrimas, contemplando Jerusalém – e tu não quiseste! (Mt 23, 37).

UMA PISTA PARA DESMASCARAR A PREGUIÇA

Ouvi contar a tempo, a um homem de Deus, a história verídica de um pastorzinho que todos os dias acompanhava o pai, ajudando-o a conduzir o gado para o pasto.Queimava-o o sol e cansavam-no as longas caminhadas, um dia após outro.

Aconteceu que chegaram à fazenda uns estudantes para passar as férias. Acordavam tarde, passeavam longamente, prolongavam conversas à sombra das árvores.

Um dia, um desses estudantes, no meio de um passeio vespertino, aproximou-se do garoto, que voltava cansado do pastoreio.

– “Você – perguntou –, que gostaria de ser quando crescer?”.

A resposta, após um relance ao moço e outro à boiada, não se fez esperar:

– “Eu gostaria de ser ou estudante ou boi”. Não andava pelas alturas, aquele menino.

Queria uma vida cômoda: o “dolce far niente” do estudante em férias ou a paz do boi ruminando no pasto. Mas será que nós andamos por maiores elevações? Uma das formas mais comuns da preguiça, sem diminutivo, é justamente a repugnância pelas alturas espirituais e morais. É o que poderíamos chamar a ambição da mediocridade.

Quer-se é viver bem, mas sem exageros de esforço nem loucuras de idealismo. Ser bom, ser um “cristão médio”, com a sua dose medida de religião, vá lá. Mas levar o cristianismo a sério e em plena coerência com a fé, isso considera-se fanatismo.

É muito interessante verificar que a sabedoria dos antigos, já desde os primeiros séculos do cristianismo, ao enfocar a preguiça, contemplava quase que exclusivamente o seguinte conteúdo: a resistência a atingir a altura espiritual e moral própria de um filho de Deus, de um cristão.

Na linguagem clássica cristã (de Cassiano a São Tomás de Aquino, passando por São Gregório Magno), o vício capital da preguiça era designado com o nome de acídia. A acídia é fundamentalmente uma tristeza, uma tristeza ácida e fria – daí o nome –, que invade a alma ao pensar nos bens espirituais – na virtude, na bondade, no amor a Deus e ao próximo –, precisamente porque não são fáceis de alcançar nem de

conservar. Exige esforço, renúncia, sacrifício. E o egoísmo se defende. A

repugnância que sente por tudo quanto é abnegação e doação generosa vai criando depósitos azedos no coração, e acaba transferindo para Deus e para os próprios bens árduos que Deus pede uma fria antipatia, que pode terminar em aversão: “um tédio que acabrunha”, diz São Tomás.

É natural que estes mesmos autores insistam no fato de que a acídia se opõe frontalmente àquilo que é a essência da perfeição cristã: o amor. A preguiça detesta o que o amor abraça, entristece-se com o que alegra o amor.

É possível que já tenhamos tido, alguma vez, a experiência desse tipo de tristeza, ao pensar em Deus e nos ideais cristãos, e nos tenhamos perguntado: por que Cristo exige de todos os seus seguidores que se neguem a si mesmos e tomem a cruz (cfr.Mt 16, 24)? Por que insiste na necessidade de perder a vida – de entregá-la – para achá-la (cfr. Jo 12, 25)? Por que assinala como lei áurea do cristianismo um amor ao próximo tão exigente, que deve ser um constante “servir e dar a vida’ pelos outros (cfr. Mc 10, 5)? Não seria mais agradável um programa suave, sem cruzes nem renúncias, feito de bondades descomprometidas?

É bem possível que, sem reparar, tenhamos fixado como ideal de vida a honestidade hipócrita do fariseu – não mato, não roubo, pago o dízimo –, aliada à frase que se esgrime como uma fórmula de auto-canonização: “Não faço mal a ninguém”.

Basta uma leitura superficial dos Evangelhos para concluir que isso não basta. Sede perfeitos, assim como vosso Pai celestial é perfeito (Mt 5, 48). O primeiro de todos os mandamentos é este: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. O segundo é este: amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mc 12, 29-31).

Quem quiser seguir a Cristo tem que renunciar à vida fácil. Não se pode entrar no Reino de Deus sem um empenho esforçado: O reino dos Céus – diz Cristo – é arrebatado à força e são os violentos (os que lutam energicamente) que o conquistam (Mt 11, 12).

Iludem-se os homens quando pensam que levar Deus a sério vai perturbar-lhes a vida, metendo-os num calvário de compromissos, exigências e complicações. Quando, na realidade, o que complica e estraga a vida, com a maior perturbação que existe – o vazio –, é exatamente o contrário: o medo de levar Deus a sério, a apreensão que faz fugir dos compromissos do ideal cristão.

Nunca é por ter-se dado ou sacrificado que um homem se esvazia, mas por ter-se poupado. E dolorosa como uma queimadura a constatação de que os anos vão passando e o vazio vai aumentando. São duras certas horas de solidão, em que parece que o coração reclama: – “Não sei o que está acontecendo comigo, falta-me alguma coisa e não sei dizer o que é”.

A única coisa que acontece é que não vivemos a “nossa” vida – o que ela deveria ser –, mas um substitutivo rebaixado ou uma falsificação. Somente seremos felizes quando realizarmos a Vontade de Deus a nosso respeito, porque só então é que nos encontraremos a nós mesmos.

Aqui temos, pois, uma primeira pista para descobrir a preguiça de fundo: a renúncia à altura. Assim resume Pieper, com traços vigorosos, essa atitude: “A preguiça, como pecado capital, é a renúncia mal-humorada e triste, estupidamente egoísta, do homem à “nobreza que obriga” de ser filhos de Deus”.

UMA SEGUNDA PISTA

Se a palavra “bitolado”, da nossa linguagem familiar, tem algum sentido, este sentido adquire feições, olhos e mãos nos personagens – habitantes de minúsculos asteroides – que o Pequeno Príncipe visita na sua viagem sideral.

O acendedor-de-lampiões vive num mundo reduzido a um lampião esguio, que deve acender e apagar sem descanso, a cada volta do seu asteroide. O bêbado povoa solitariamente um pequenino mundo concentrado na obsessão por garrafas cheias e garrafas vazias. Para o rei, viver é poder dizer de boca cheia (quando pode): “Ordeno-te”.

Acontece que o planeta Terra está povoado por inúmeros “homens de asteroide”.Pessoas muito atarefadas, mas inteiramente polarizadas em uma ou duas ocupações, a que reduzem, na prática, todo o seu “mundo”.

Começávamos estas páginas referindo-nos aos que sorriem, ao ouvirem falar de preguiça. Mas esses mesmos – talvez sejamos nós – sentir-se-ão muito aborrecidos se a referência à preguiça lhes for espetada com endereço pessoal: – “Você é um preguiçoso!”. Uma onda quente de revolta subirá à cabeça e à garganta: – “Eu, preguiçoso? Mas se não tenho nem um minuto livre, se trabalho sem folga nem férias... Precisaria, em todo o caso, é de um pouco mais de descanso...”.

Uma pessoa pode ser ocupadíssima... e ter uma profunda preguiça, a preguiça do homem “bitolado”, isto é, daquele que reduziu o ideal, a vida e o dever a apenas um ou dois asteroides. Estes podem ser, para um homem, o trabalho profissional e o cuidado das condições materiais da família; ou, se se trata de uma mãe de família, a atenção do lar e dos filhos, e um emprego de meio-período que permita reforçar o orçamento familiar; ou ainda, no caso do modesto estudante, a freqüência às aulas, acrescida do serviço num banco.

Todas essas pessoas, trabalhadoras e responsáveis, podem estar padecendo, sem saberem disso, a doença da preguiça setorial. Há setores da vida em que realmente se empenham, produzindo muito; mas há outros, muitas vezes mais importantes, que deixam abandonados como o campo do preguiçoso de que fala a Bíblia: Passei perto da terra do preguiçoso, junto à vinha de um homem insensato: eis que por toda a parte cresciam abrolhos, urtigas cobriam o solo e o muro de pedra estava por terra (Prov )24, 30).

Não há dúvida de que o quadro completo da missão de um homem ou de uma mulher não se esgota na profissão e na família, por mais que estes sejam setores importantíssimos, primordiais, da sua vida. Deve haver algo mais. Por acaso pode considerar-se realizado alguém que deixou completamente estéril, ou quase, o campo das suas relações com Deus e da sua formação cristã? Pode pensar que cumpre a sua missão aquele que vive de costas para as necessidades espirituais e materiais do próximo?

Seria muito cômodo anestesiar a consciência, pensando: “Não perco tempo, trabalho muito, vivo para o lar...”, e fazer desses deveres mais ou menos bem cumpridos um sedativo para a alma, esquecida dos outros deveres que não cumpre: deveres para com Deus, deveres sociais, responsabilidades em face dos problemas da comunidade humana. Sempre paira sobre os cristãos mornos o que alguém denominou “o perigo das coisas boas”: deixar-nos embalar pela satisfação de umas tantas coisas boas que já fazemos, para acobertar o vazio de outras tantas coisas boas que não fazemos, e deveríamos fazer. 


Não é infreqüente, neste ponto, ouvir comentários como o do homem casado que se gaba da luta extenuante que se impõe para sustentar a família, mas não se apercebe de que, desculpando-se com a fadiga do trabalho, nem sequer toma conhecimento do dever de educar os filhos, de conversar com eles, de formá-los. Não raro, é o mesmo tipo de pai que estufa o peito ao contar com quanto sacrifício conseguiu dar aos filhos estudos em colégios de nível; e, ao mesmo tempo, nada fez para lhes proporcionar uma boa formação religiosa e moral, muito mais importante que um brilhante aprendizado de álgebra, biologia ou história.

Essas deficiências são reais e freqüentes. É possível que, ao reconhecê-las, sintamos desejos de retrucar: “Tudo isso é certo, mas onde encontrar tempo para tantas coisas? O meu tempo não dá para mais...”.

Como um comentário desse tipo parece objetivo, será oportuno abordar um outro aspecto da preguiça, que pode esclarecer essas aparentes contradições.

AS MÁSCARAS DA PREGUIÇA

Estamos, nestas páginas, deixando de lado as modalidades mais grosseiras da preguiça – sombra e água fresca –, para concentrar a atenção na preguiça sutil, de fundo, que – como já sabemos – pode estar unida a uma grande boa vontade, a muitas ocupações e até à agitação.

Pois bem, uma das características dessa sutil preguiça é a sua rara habilidade – verdadeiro “engenho e arte” – para se desculpar ou se justificar.

A preguiça mostra-se uma artista consumada no uso de diversas máscaras, com as quais se disfarça, apresentando por fora o rosto do dever cumprido, da laboriosidade ou da responsabilidade.

Vale a pena, por isso, passar a examinar algumas das máscaras mais comuns de que a preguiça costuma valer-se.



A máscara da atividade. Antes nos referíamos ao espanto com que pessoas de grande atividade questionam a acusação de preguiça: “Eu, preguiçoso?”. E esquecem-se de que o ativismo, o fato de ter o dia atulhado de ocupações e tarefas e agitado pela “correria”, pode ser um grande álibi da preguiça.

“Não tenho um minuto livre”, repete-se constantemente. A vida parece um quebra-cabeças, cujas peças jamais se poderão encaixar, porque o tempo é limitado. “Eu bem que quereria fazer tudo, arranjar tempo para toda a gama dos deveres, mas infelizmente não posso”.

Não posso. Estas palavras não são novas. Lembram-nos alguma coisa muito antiga, uma parábola saída dos lábios de Cristo.

Um homem deu uma grande ceia e convidou a muitos. A parábola começa com uma clara luz: Deus é esse “homem”, que prepara um grande convite de Amor – uma vida de Amor na terra e depois na eternidade –, e chama à porta dos corações dos homens:

Vinde, tudo já está preparado. Está pronto o plano que preparei para ti, a missão que te proponho realizar no mundo.

Mas o convite do Amor não obtém resposta: Todos à uma começaram a escusar-se.

Todos. E deram as suas razões, razões objetivas e cheias de sensatez: Comprei um campo e preciso ir vê lo; rogo-te que me dês por escusado. Disse outro: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te me dês por escusado. Disse também um outro: Casei-me e por isso não posso ir (Lc 14, 16-20).

E o retrato falado dos nossos não-posso: não podemos assumir determinadas responsabilidades e deveres cristãos... porque andamos muito ocupados.

O Senhor não aceita as desculpas. Para Ele não passam de enganos, máscaras da preguiça, que foge de maiores compromissos de amor porque não quer complicações.

O pai de família – acrescenta o Evangelho – ficou irado (Lc 14, 21). Uma expressão forte, que convida à reflexão. Deus não aceita as nossas desculpas, e isto porque o não-posso, a maior parte das vezes, significa simplesmente um não-quero. A preguiça começa por não querer pensar. Há deveres sobre os quais – por medo do sacrifício – “nem se cogita”. Arremedando a frase “viver é muito perigoso” do protagonista de Grande Sertão: Veredas , poderíamos dizer que, para alguns, “pensar é muito perigoso”. Resistem a enfrentar seriamente alguns deveres, porque podem vir a impor-se-lhes como uma obrigação de consciência. Por isso, preferem tapar a vista com um pano – a afirmação prévia de que “não dá” –, antes de terem sequer começado a refletir.

Deus, pelo contrário, diz que dá. Tudo aquilo que é expressão da vontade divina, do ideal do cristão, é possível. Depende da nossa boa vontade, ou melhor, da nossa vontade boa, disposta a abraçar e a amar, sem regatear sacrifícios, a vontade de Deus.

Todos temos a experiência de que o nosso querer torna-se poderoso quando há um verdadeiro interesse, ou quando há um verdadeiro amor.

É surpreendente verificar o que acontece, por exemplo, com certas pessoas agoniadas pela “absoluta falta de tempo”. Um belo dia, o amigo, aflito pelo excesso de trabalho, comunica-nos com expressão radiante: – “Sabe que estou fazendo um curso de alemão? É ótimo. São só quatro dias por semana, das sete às dez da noite. E, depois, é quase certo que vou arranjar um emprego numa multinacional... O ouvinte sente vontade de dizer: “Mas, se há um mês você me disse que não tinha nem meia hora por semana para ensinar o catecismo a seus filhos, e que lhe seria quase impossível conseguir cinco minutos diários para ler o Evangelho...”.

Produziu-se um milagre, por obra e graça do interesse. Quem não “podia” fazer o que, na realidade, não interessava ao seu coração egoísta, agora pode dedicar sem problemas 12 horas semanais à gramática alemã.

Será preciso lembrar os “milagres” que, neste mesmo âmbito do tempo, é capaz de realizar o amor? Uma pessoa apaixonada cria tempo, inventa-o, multiplica-o... e acaba “encontrando” tempo para estar com quem ama.

Seria muito bom que cada um de nós revisasse, sinceramente, o que há por trás dos nossos não-posso. Não demoraríamos a descobrir, com evidência, que se trata de uma falta de interesse ou de uma falta de amor. Não vai ficando, assim, mais clara a estreita relação da preguiça com o "amor do bem" de que tanto falam os clássicos cristãos?

A máscara da ordem. Para começar, não nos esqueçamos de que a ordem é uma virtude, e de que essa virtude é arma específica de combate contra a preguiça. Sobre a virtude da ordem, falaremos mais na segunda parte. Agora, detenhamo-nos na ordem viciada, que se transforma em máscara da preguiça.

Para isso, pode ajudar-nos reparar em que há dois possíveis tipos de ordem, a que poderíamos chamar, respectivamente, ordem defensiva e ordem oblativa.

Ordem defensiva. Há pessoas que fazem da ordem uma armadura de defesa pessoal.

São muito organizadas, até nos mínimos detalhes. Aproveitam bem o tempo. Mas o seu esquema é intocável. Fabricaram para si uma espécie de trilho de aço, por onde deslizam mecanicamente, e não toleram que nada interfira com os planos que traçaram, tão egoístas e tão cômodos.

Pobre da irmãzinha caçula que se atreva a pedir esclarecimentos sobre um teorema ao irmão mais velho, modelo de seriedade escolar, durante o sacrossanto “horário de estudo”. Que se cuide também a esposa ousada, que timidamente peça ao marido que se desvie um instante e pare na quitanda, afastando-o do trilho da sua intocável rotina. Ou o filho, que sente necessidade de comentar com o pai um acontecimento importante de que acaba de ser protagonista, enquanto o pai está realizando a sagrada tarefa de colar-se ao televisor, porque, após um dia estafante, “tem o direito de descansar um pouquinho” (um pouquinho, que podem ser horas e horas inúteis diante do aparelho).

A ordem não pode ser uma barricada defensiva, para ter a vida mais tranqüila. A ordem que é virtude, é um meio para assegurar uma entrega mais perfeita ao cumprimento dos deveres de cada dia, deveres que, sem ordem, sem previdência, sem uma seqüência prudente e organizada, ficariam esquecidos ou prejudicados.

Essa é a ordem oblativa (de oblação: oferenda, doação). Uma ordem que é reflexo da disposição generosa do coração: quer fazer e dar-se mais e melhor. Por isso, quando fora da ordem prevista se apresenta a oportunidade de fazer coisas de mais valor – e que há de mais valioso do que dar-se, com amor, ao próximo? –, a alma generosa não hesita: sai do seu trilho, e atende a esse apelo do amor com alegria. Segue a ordem de Deus – a que Deus vai sugerindo –, consciente de que é melhor do que a sua, sem ver interferências, sobrecargas ou perturbações nesses chamados divinos que lhe modificam os planos. A máscara do cansaço. Além da máscara da falsa ordem, a preguiça utiliza-se habilmente da máscara do cansaço, para proclamar com a consciência tranqüila: “– Não posso mais, não agüento mais.” A fim de percebermos melhor os contornos dessa máscara, penetremos por uns instantes – a título de exemplo – na intimidade de um apartamento imaginário, após o expediente de trabalho. O chefe de família chegou, curvado sob o fardo do dia, com uma palidez que inspira compaixão e uma carranca que sugere distâncias. Desaba na poltrona, pega no jornal e sussurra com um fio de voz: “Estou exausto., podia trazer-me os óculos?”. Nessa mesma hora toca o telefone, e a custo o protagonista se arrasta até o aparelho: – “Alô! . . . Como é? Mas vocês arranjaram mesmo o campo do Clube Tal? E eles vão ligar a iluminação! ... Não, não! É para já, vou voando!”.

Num instante, a família descobre, espantada, que o chefe do lar tem as faculdades do Superman: um novo homem dinâmico surge na sala, apanha chuteiras e outros apetrechos, e se atira ao elevador, enquanto comenta brincalhão: – “Neste time de amigos, há um senhor de 65 anos que corre o tempo todo pelo campo. Idade não é documento...”.

A câmera indiscreta poderia ter focalizado também a dona de casa, e a cena filmada seria muito parecida, apenas com a diferença de que o incentivo, em vez de ser um bom jogo de futebol, poderia ser “uma liquidação de roupas literalmente fabulosa e a preços incríveis”. Bastaria esta frase mágica para fazê-la deixar de lado muitos cansaços.

O cansaço é uma coisa muito especializada. Sempre que se pensa nele, é muito conveniente perguntar: “Cansaço, para que coisas?”. Porque todos somos especialistas em determinados cansaços – cansaço “para” rezar, estudar, atender os desejos dos outros, responder cartas, etc. –, que não passam de máscaras da preguiça.

E é que, ao lado da fadiga real, produzida pela sobrecarga de verdadeiros esforços, há uma outra fadiga, um outro cansaço, produzido pelo afrouxamento da fibra moral.

Este último – a fadiga da alma – é o cansaço que invade os que cumprem os deveres de má vontade, sem amor; é o cansaço dos que vivem reclamando por tudo e por nada, sonhando sempre com situações ideais que jamais irão dar-se; dos que não querem sacrificar-se; dos preguiçosos, em suma, daqueles a quem o bem, o amor e o dever enfastiam, porque exigem sacrifício.

A máscara dos bons desejos. Na Bíblia, no livro dos Provérbios, encontra-se uma frase breve, que tem muita substância: Os desejos matam o preguiçoso (Prov 21, 25).

Existem preguiças que se manifestam por uma recusa sumária: não quero, não posso.

Mas há outras que se enfeitam com as vestes dos bons desejos, desejos ineficazes, que nunca chegam a traduzir-se em realidades.

Não é que a pessoa “não queira”. Mas também não “quer”. Somente deseja. Quer e não quer o preguiçoso, diz ainda o livro dos Provérbios (Prov 13, 4).

O desejo-máscara é mais um truque da preguiça para enganar a consciência. Aos imperativos da consciência – deves fazer, deves dar mais, deves enfrentar isto ou aquilo –, a preguiça responde, com aparente sinceridade: “Sim, é mesmo, eu desejaria tanto fazer isso tudo...”.

Se prestarmos atenção, perceberemos que o tempo verbal que a preguiça prefere é o condicional – quereria, desejaria –, nunca o presente – quero! já há muitos séculos, um dos mais antigos teólogos da Idade Média, Ràbano Mauro, formulava a seguinte definição da preguiça: “torpor da mente, que negligencia começar a prática do bem”.

Desejos condicionais. As “condições” que impedem o tempo presente, e, portanto a ação costuma ser de dois tipos.

Em primeiro lugar, o bom desejo esbarra com a chamada “falta de jeito”. Nós, que somos habitualmente tão vaidosos, e prezamos as nossas qualidades acima do seu valor, subitamente nos sentimos invadidos por uma estranha humildade: “Gostaria tanto de fazer meditação bem feita, de realizar apostolado, de difundir a doutrina cristã, mas infelizmente não tenho jeito, não nasci para isso”.

Alguém um tanto rude sentir-se-ia tentado a comentar: não é falta de jeito, é falta de vergonha. Mas como isso é menos delicado, será melhor dizê-lo de outra forma: é falta de vontade, de sinceridade. Todos temos “jeito” – ou podemos ganhar “jeito” – para as virtudes, para o bem, para as coisas que pessoalmente Deus nos pede. Nesta matéria, pode-se dizer também que a função cria o órgão. Basta começar, basta iniciar sinceramente o esforço, e a capacidade aparece. Será maior ou menor, mas sempre será útil e eficaz. Principalmente porque Deus não deixa nunca de auxiliar a quem se esforça com boa vontade. Também os antigos mestres da teologia cunharam um adágio a esse respeito: “Deus não nega a graça a quem faz o que dele depende”.

Em segundo lugar, tão perigosa como a “falta de jeito” é a desculpa de quem sempre espera pela situação, a época ou as circunstâncias ideais para levar à prática os seus bons desejos. Esse afirma com convicta persuasão que quer, que quer mesmo. Agora, porém, não é o momento propício para levar à prática o desejo. Quando mudarem as circunstâncias e houver condições favoráveis, então sim.

“Agora – diz o preguiçoso – estou com tantos problemas na cabeça, que se pegasse num livro de formação cristã, com o propósito de dedicar todas as noites quinzeminutos à sua leitura, não aproveitaria nada. Quando esta azáfama acalmar, então...”.

“Agora – afirma outro –, ainda não me sinto em condições de fazer uma boa confissão. Deixe que eu amadureça, fortaleça as minhas resoluções, que ganhe mais certeza de não reincidir, e então...”. Então? Esquece-se de que não há nada tão forte e eficaz quanto a graça do Sacramento da Penitência, para robustecer a vontade com o vigor da graça divina, e permitir a superação dos problemas. “Agora? – perguntará um terceiro –. Será que não percebe que estou sob a pressão do cursinho e os apertos do vestibular? Vamos deixar para o ano que vem, porque agora não conseguiria levar a sério a tarefa que me propõe...”.

Agora! Acontece, porém, que o tempo real se chama sempre agora. Quem adia,recusa. O tempo ideal, o momento realmente bom, não chega jamais para o preguiçoso.

São transparentes, neste sentido, os seguintes pensamentos do livro Caminho: “Amanhã! Algumas vezes, é prudência; muitas vezes, é o advérbio dos vencidos”. “Porta-te bem ‘agora’, sem te lembrares de ‘ontem’, que já passou, e sem te preocupares com o ‘amanhã’, que não sabes se chegará para ti”. “...’Agora’ não é demasiado cedo... nem demasiado tarde”. Uma grande parte da nossa vida se evapora em desejos irrealizados, porque a preguiça faz confundir o tempo propício com o tempo cômodo. Tempo propício, tempo oportuno, é o que Deus vai marcando. Quando Ele nos inspira um bom desejo, quando acende uma nova luz na alma, esse é o momento propício para começar – quanto antes –, porque é a hora da graça divina. Protelar o começo, à espera do momento mais cômodo, é matar oportunidades e garantir esterilidades.

Só quando nos convencermos de que o “bom momento” é quase sempre o “mau momento” – aquele que a nossa preguiça julga mau – é que cumpriremos a Vontade de Deus e produziremos frutos. Com muita sensatez, São Gregório Magno sentenciava: “Quando não queremos fazer oportunamente as coisas que podemos, pouco depois, quando queremos, já não podemos mais”.

Um relance em perspectiva para a parcela de vida que já gastamos, talvez possa ajudar-nos a compreender a importância da prontidão na realização dos bons desejos.

Um balanço do passado pode fazer-nos entender o perigo de que a vida vá ficando como um grande quarto de despejo, em cujas prateleiras se amontoam, como frascos quebrados, inúmeros bons desejos que a preguiça inutilizou.

E com estas considerações, pomos um ponto final ao exame das máscaras da preguiça. Resta-nos agora mudar o ângulo das nossas reflexões, e perguntarmo-nos pelos remédios da preguiça. Naturalmente, o remédio de todo o vício é sempre uma virtude. Qual é, então, a virtude específica que se opõe à preguiça?

http://www.salvaialmas.com.br/?cat=107&id=1428

Os demônios creem e estremecem diante da presença real de Jesus na Eucaristia

"Entendi no mesmo instante que alguma pobre alma atormentada pelo demônio tinha se visto diante de Cristo na Eucaristia", conta um padre
A priest holds eucharist - pt

Alguns anos atrás, eu escrevi sobre uma experiência incomum que tive ao celebrar a santa missa: uma pessoa, atormentada pela possessão demoníaca, saiu correndo para fora da igreja no momento da consagração. Voltarei a falar deste caso um pouco mais adiante.
Tenho pensado neste fato desde que um grupo satânico da cidade de Oklahoma (EUA) roubou uma hóstia consagrada de uma paróquia e anunciou que a profanaria durante uma "missa negra". O arcebispo de Oklahoma, dom Paul Coakley, entrou com uma ação judicial para impedir o sacrilégio e exigir que o grupo devolvesse a propriedade roubada da Igreja. Dom Coakley ressaltou, no processo, que a hóstia seria profanada dos modos mais vis imagináveis, como oferenda feita em sacrifício a Satanás.
O porta-voz do grupo satânico, Adam Daniels, declarou: “Toda a base da ‘missa’ [satânica] é que nós pegamos a hóstia consagrada e fazemos uma ‘bênção’ ou oferta a Satanás. Nós fazemos todos os ritos que normalmente abençoam um sacrifício, que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo. Então nós, ou o diabo, a reconsagramos…”.
À luz do processo judicial, o grupo devolveu à Igreja a hóstia consagrada que tinha roubado. Graças a Deus.
Mas você notou o que o porta-voz satânico atestou sobre a Eucaristia? Ao falar do que seria oferecido em sacrifício, ele disse: “…que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo”.
Por mais grave e triste que seja este caso (e não é o primeiro), esses satanistas explicitamente consideram que a Eucaristia católica É o Corpo de Cristo. Pelo que eu sei, nunca houve tentativas de satanistas de roubar e profanar uma hóstia metodista, ou episcopaliana, ou batista, ou luterana, etc. É a hóstia católica o que eles procuram. E nós temos uma afirmação da própria escritura que garante: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).
Em outra passagem, a escritura nos fala de um homem que vagava em meio aos túmulos e era atormentado por um demônio. Quando viu Jesus, ainda de longe, correu até Ele e o adorou (Marcos 5,6). O evangelho de Lucas cita outros demônios que saíam de muitos corpos possuídos e gritavam: "Tu és o Filho de Deus!". Mas Jesus os repreendia e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Cristo (Lc 4,41-42).
De fato, como pode ser atestado por muitos que já testemunharamexorcismos, há um poder maravilhoso na água benta, nas relíquias, na cruz do exorcista, na estola do sacerdote e em outros objetos sagrados que afugentam os demônios. Mesmo assim, muitos católicos e não católicos minusvaloram esses sacramentais (assim como os próprios sacramentos) e os utilizam de qualquer jeito, com pouca frequência ou sem frequência alguma. Há muita gente, inclusive católicos, que os consideram pouco importantes. Mas os demônios não! Vergonhosamente, os demônios, às vezes, manifestam mais fé (ainda que cheia de medo) que os crentes que deveriam reverenciar os sacramentos e os sacramentais com fé amorosa. Mesmo o satanista de Oklahoma reconhece que Jesus está realmente presente na Eucaristia. É por isso que ele procura uma hóstia consagrada, ainda que para fins tão nefastos e perversos.
Tudo isso me leva de volta ao caso real que eu descrevi já faz um bom tempo. Apresento a seguir alguns trechos do que escrevi há quase quinze anos, quando eu estava na paróquia de Santa Maria Antiga [Old St. Mary, na capital norte-americana] celebrando a missa em latim na forma extraordinária. Era uma missa solene. Não seria diferente da maioria dos domingos, mas algo muito impressionante estava prestes a acontecer.
Como vocês devem saber, a antiga missa em latim era celebrada "ad orientem", ou seja, voltada em direção ao oriente litúrgico. Sacerdote e fiéis ficavam todos de frente para a mesma direção, o que significa que o celebrante permanecia, na prática, de costas para as pessoas. Ao chegar a hora da consagração, o sacerdote se inclinava com os antebraços sobre o altar, segurando a hóstia entre os dedos.

Aqueles Por Quem Devemos Orar

Por quem devemos orar? A resposta parece óbvia demais. Devemos orar por nós mesmos e pelos outros. Mas por quê?

A motivação para orar por nós mesmos não é, normalmente, um problema. As dificuldades de motivação ocorrem, às vezes, enquanto oramos por outros. A oração, quando feita apropriadamente, exige um esforço. Em Colossenses 4:12, foi dito que Epafras "se esforça sobremaneira" pelos colossenses em suas orações. A oração é um esforço. Ana servia noite e dia com jejuns e orações (Lucas 2:36-37). Se você duvidar que a oração seja esforço, pegue (ou faça) uma lista dos membros da igreja onde você está e ore sinceramente para cada um dos nomes anotados ali. Isto, a propósito, é um exercício muito bom. Se você o fez adequadamente, terá passado bastante tempo se esforçando sobre as muitas situações e circunstâncias únicas daqueles que estão na sua lista. Por que alguém haveria de querer gastar tanto tempo e energia em favor de outros? Novamente, qual é a motivação e que tipo de atitude reflete uma tal motivação?

Antes de responder à pergunta: "Por que oramos por nós mesmos e por outros?", por favor, perceba que o desejo de orar demonstra uma aceitação de Deus Todo-Poderoso, seu poder, o fato que ele está vivo e que cremos que a oração dá certo. Em outras palavras, a oração é um ato de fé.

A fé requer obediência e Jesus exige claramente que nós oremos por nós mesmos e pelos outros. Ele nos diz para orar por aqueles que nos perseguem (Mateus 5:44). Ele insiste conosco para que oremos pedindo trabalhadores para as colheitas (Mateus 9:38). Ele nos ensina a orar pelos amigos que enfrentam a tentação (Lucas 22:32), bem como por nós mesmos para que não entremos em tentação (Lucas 22:40). Através de Paulo, ele nos exorta a fazer "súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade..." (1 Timóteo 2:1-2). Em vista destas instruções, a oração é um dever, um mandamento a ser obedecido. Isto, por si só, é bastante motivação para aquele que tem fé para obedecer.

Quando amadurecemos, contudo, nossa atitude muda e se desenvolve. Tornamo-nos mais o que deveríamos ser, um reflexo de Jesus. Desenvolvemos a capacidade para pôr de lado os interesses egoístas e para nos submetermos a Deus enquanto sujeitamo-nos a outros (Efésios 5:21). O amor se torna nossa motivação para orar por outros, porque ele nos dá forças para amar nosso próximo como a nós mesmos; a amar os irmãos no Senhor colocando seus interesses acima dos nossos; a amar e ser cuidadoso com as coisas de Deus, antes que com nossos interesses pessoais. Quando atingimos o ponto em que ficamos tão preocupados com os outros como conosco, então a oração pelos outros se torna tão natural como a oração por nós mesmos. Que força este poder de motivação, chamado amor, mostra ter; e para a maioria de nós, que mudança faz em nossas vidas!

Quando continuamos a desenvolver e amadurecer nossa capacidade de orar, começamos a ver os muitos benefícios que advêm da oração. O mais óbvio é que estamos fazendo algo que Deus pede de nós. Isto representa, no mínimo, uma mudança de atitude e em nosso caráter. Além disso, quando demonstramos fidelidade, que emoção em reconhecer que a mão de Deus está tomando parte ativa na direção de nossas vidas, que Deus está respondendo a nossas orações.

Quando oramos por outros, isso apazigua as contendas. Simplesmente, não é deixado lugar dentro de nós para o egoísmo, o ódio, a vingança ou a amargura. Que bênção ter estes itens removidos! Reconhecemos que Deus tratará com todos os homens, em todas as situações. Talvez a maior bênção que advém da oração é que o próprio ato demonstra a Deus nossa fé nele. Nossas orações mostram que agimos pela nossa fé e que nós, orando por outros, desejamos mudar nosso caráter e personalidade, para nos conformarmos à imagem de seu bendito Filho.

Você se sente limitado no reino? Você está procurando alguma coisa significativa que possa fazer? Por que não passar mais tempo em oração sincera, por você e por outros. Que emoção deve ter sido para os colossenses do primeiro século ouvir que Epafras estava orando por eles, para que eles estivessem "perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus" (Colossenses 4:12).
-por Steve Schlosser

http://www.estudosdabiblia.net/200123.htm

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

PARA QUE EXAGERAR?


O modo de proceder de Jesus e seus discípulos contrastava com o de outros grupos. Os discípulos de João Batista, mesmo após a morte do mestre, continuaram a seguir seus ensinamentos rigorosos, preparando-se para a chegada do Messias. Os fariseus e seus seguidores faziam um jejum suplementar, duas vezes por semana. Igualmente o faziam os mestres da Lei.

Estes exageros e rigorismos pouca importância tinham para Jesus. Seus discípulos foram instruídos para seguir por uma outra estrada. As práticas de piedade estão subordinadas à presença do Messias, comparado com um esposo. Alegria ou tristeza, penitência ou regozijo dependerão do momento: se o Messias está presente, é tempo de alegria pela salvação; se está ausente, é tempo de espera paciente, com a respectiva exigência de vida austera.
Em todo caso, é preciso manter-se longe do velho esquema judaico. Seria pernicioso deixar-se contaminar por ele. Aliás, trata-se de uma mentalidade ultrapassada, que deve ser deixada de lado.
Para entender o modo de pensar de Jesus, é preciso abrir-se para a novidade por ele anunciada. Seria inconveniente querer unir seu modo de pensar e agir àqueles já superados. A sabedoria do Reino exigia, pois, moderação no jejum e nas orações.

Oração
Espírito de comedimento, livra-me de praticar uma religião feita de piedade exagerada, que prescinde da alegre presença do Senhor na nossa História.


 
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)

http://domtotal.com/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O mal no mundo...

O mal no mundo...
O mal está no coração da pessoa.
O mal fornece à vontade e a energia para odiar, destruir e matar!
Ele dá aos músculos a força de usar armas, atirar bombas e lançar foguetes.
O bem no mundo...
O bem é como uma pequena semente no coração humano.
Cresce silenciosamente. Não chega intempestivamente.
Amadurece devagar, quando recebe um pouquinho de calor humano.
Há muita semente boa que em um mundo frio não consegue vingar,
Florescer e dar fruto".

(Phil Bosmans) 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A RUÍNA DO ESPÍRITO MAU


A desarticulação dos esquemas do espírito mau fazia parte do ministério de Jesus. Vítima das forças demoníacas, o ser humano via-se privado de sua dignidade e reduzido à condição de inimigo de Deus. A libertação tornava-se uma exigência premente. Em todas as circunstâncias em que se defrontou com alguém subjugado pelo espírito mau, Jesus não se furtou em socorrê-lo.
Assim aconteceu com o homem possuído por um espírito impuro, encontrado na sinagoga de Cafarnaum.
Não deixa de ser contraditória a presença de um possesso na assembléia litúrgica sinagogal, em dia de sábado. Tem-se a impressão de que ele foi lá só para se defrontar com o "Santo de Deus". Foi é a maneira como se dirigiu a Jesus.
O demônio constatou a inexistência de pontos em comum entre ele e Jesus. Aliás, pensou que este nada teria a ver com ele. Enganou-se! Ele está na mira do "Santo de Deus" para ser arruinado e ser obrigado a pôr fim à opressão imposta aos seres humanos. Estava chegando ao fim sua liberdade de ação. Doravante, iria defrontar-se com o Messias, o qual se colocaria sempre na defesa da pessoa que estivesse fragilizada por sua ação maligna.
O Mestre agiu com severidade, servindo-se da autoridade e do poder recebidos do Pai. E o homem, livre da opressão demoníaca, pode finalmente associar-se à assembléia cultual.

http://domtotal.com/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php

sábado, 29 de agosto de 2015

10 hábitos das pessoas resilientes

Soluções para quem quer aprender a lidar melhor com as adversidades da vida

Young woman climbing. Rock climber.
Juanan Barros Moreno

É comum pensar que a resiliência nasce espontaneamente em algumas pessoas que precisam enfrentar situações adversas, mas ela não é uma característica que nasce com a pessoa e nem uma parte do temperamento dela. Resiliência é um processo em que o indivíduo entra numa dinâmica de interações com os outros e com o ambiente de modo a ser capaz de superar uma adversidade.

Em outras palavras, não se nasce com resiliência psicológica, mas se desenvolve e se aprende a manter.

É por isso que um dos pilares da pessoa resiliente está diretamente ligado aos seus hábitos. Estes hábitos característicos de pessoas treinadas em resiliência podem ser bastante variados e flexíveis.

Nomeamos 10 que são aplicáveis à maioria dos casos. Pessoas treinadas em resiliência:

1. Tomam medidas para melhorar a sua autoestima

São capazes de reconhecer que o que fazem hoje muda a maneira de como percebem a si mesmos amanhã; por isso, orientam parte das suas ações para melhorar a autoestima e a autoconfiança, fazendo isso de maneira mais ou menos consciente para garantir a eficácia destas tarefas constantemente.

2. Caem de cabeça em tarefas criativas

A criatividade é uma maneira de fazer com que todo o nosso pensamento se concentre em resolver um novo desafio. A percepção de criar algo original faz com que esse hábito seja altamente estimulante, e a sensação de ter concluído um trabalho que é único no mundo é altamente prazerosa. Pessoas resilientes gostam de trocar alguns costumes do dia por novidades que exigem um pouco mais de si mesmos.

3. Aceitam a realidade…

As pessoas que desenvolvem uma boa resiliência são capazes de detectar situações nas quais fica praticamente impossível fazer uma mudança de contexto, seja a curto ou médio prazo. Isso possibilita que não sejam iludidas, mas focam e se esforçam para se adaptar a esta nova situação vendo-a como uma nova experiência.

4. … mas não perdem de vista os objetivos!

Aceitam as situações que, inicialmente, parecem ser esmagadoramente ruins, como por exemplo, o término de um longo namoro ou uma doença inesperada. Isso não significa que a partir daquele momento todos os aspectos da vida da pessoa estarão em torno do contexto negativo. Pessoas resilientes mostram tendência para tirar proveito da atenção seletiva: em vez de ficar o dia todo pensando nas coisas ruins que acontecem, focam nos objetivos. Afinal de contas, definir metas com um significado pessoal, por mais insignificante que possa parecer, nos permite gerir bem os nossos hábitos e assumir o controle de nossas ações. A resiliência é, em parte, direcionada para o horizonte do possível.

5. Cercam-se de pessoas com atitudes positivas…

Pessoas resilientes são, entre outras coisas, pessoas que passaram por uma situação difícil e que, ao lidar com tal situação, aprenderam a treinar sua própria gestão emocional. Elas assumem a existência de uma fonte de tensão e não tentam ignorar ou suprimir a memória, simplesmente desviam a atenção procurando sempre ter uma atitude positiva em relação a pessoas. Envolver-se com uma comunidade receptiva e apoiar seus membros é uma boa maneira de facilitar a gestão das emoções. Fazer com que haja um fluxo de otimismo e desejo de superação pessoal vai desde o ambiente em que vive até dentro de si mesmo; dessa forma, tudo se torna mais fácil.

6. …mas sabem conviver com todo mundo!

Viver a vida normalmente não inclui se limitar a uma bolha de amigos e conhecidos com características específicas. Pessoas com um bom domínio de estratégias de enfrentamento não terão problemas em interagir com todos os tipos de pessoas de vez em quando.

7. Fazem coisas o dia todo
Menos quando dormem, é claro! Manter uma atitude ativa os ajuda a se concentrar em alcançar os objetivos desejados e isso tem um efeito positivo sobre a sua auto-estima e sobre a autoconfiança.

8. Praticam esportes e/ou algum tipo de meditação

Meditar traz vários benefícios como facilitar o desenvolvimento de pensamentos positivos e reduzir o estresse. Praticar um esporte também serve para relaxar e ganhar confiança. Ambos os hábitos são uma rotina de pequenas metas diárias.

9. Usam o bom humor para se capacitar

O humor é um recurso valioso para minimizar as coisas. Fazer piadas sobre algo relacionado a problemas pessoais é perfeitamente saudável, é uma resposta emocional excelente para aliviar o estresse. É claro que, como se trata de resiliência, devem ser piadas espontâneas e genuinamente engraçadas. Se fazer humor for uma tarefa autoimposta, talvez se trate de um mecanismo de defesa usado para mascarar os sentimentos.

10. Reservam momentos para pensar sobre o que podem fazer a longo prazo

Enfrentar a adversidade significa olhar para além do estresse ou da tristeza, o que pode ser sentido por um longo tempo. Portanto, pessoas que começam uma resiliência dinâmica, planejam seus objetivos e tornam alguns deles projetos permanentes em longo prazo. Isso os ajuda a manter os pensamentos fixos sobre as coisas que podem ser mudadas e também sobre o fato de poder alterar o contexto, tornando mais fácil enfrentar situações negativas.

http://www.aleteia.org/pt/educacao/conteudo-agregado/10-habitos-das-pessoas-resilientes-5900350326308864?page=2