quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Lutero e o demônio da contestação



Em 2017 completam-se 500 anos desde que o monge apóstata Martinho Lutero afixou suas 95 Teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, início simbólico da heresia protestante, que quebrou a unidade da Cristandade.
Hoje em dia, a decadência moral e religiosa chegou a tal ponto, que até nos meios católicos já há quem fale em comemorar essa abominação. Mas não é esse, por agora, o nosso tema.
Também não pretendemos aqui insistir sobre a personalidade desse heresiarca, fautor de blasfêmias contra Nosso Senhor Jesus Cristo, contra a Igreja e o Papado, nem sobre seus incitamentos a práticas pecaminosas, nem sobre sua vida pessoal, pois era tido como bêbado, impuro, juntado com uma freira apóstata etc.
Ao leitor desejoso de inteirar-se sobre esses e outros aspectos da vida de Lutero, sugiro vivamente que leia os documentados artigos que Plinio Corrêa de Oliveira escreveu a respeito.(1)
Meu tema hoje é outro e muito específico. Trata-se de entender Lutero enquanto contestatário da autoridade do Papa e da Igreja. Desse espírito contestatário quis Plinio Corrêa de Oliveira distanciar-se explicitamente quando, em seu famoso Manifesto da Resistência, hoje mais atual do que nunca, declarou expressamente: “jamais empregaremos os recursos indignos da contestação”.(2)
A vida esclarece a História
Ficou famoso o dito de Cícero, Historia Magistra Vitae. Sim, a História é mestra da vida, pois pelo estudo da História temos elementos preciosos para interpretar muita coisa do mundo que nos cerca.
Mas também é verdade, dizia Plinio Corrêa de Oliveira, que a vida nos ensina a interpretar a História. Pois sendo a natureza humana substancialmente a mesma em todas as épocas e latitudes, com suas paixões, seus problemas e seus anseios, se compreendermos como se desenvolve a vida dos homens que caminham sob nossos olhos, teremos mais facilidade para entender os acontecimentos que se desenrolaram no passado.
Assim sendo, compreenderemos mais facilmente no que consistiu a contestação de Lutero, se entendermos os fenômenos de contestação que presenciamos durante esta nossa vida.
Para quem já vai adiantado em anos, como é o meu caso, o problema se esclarece tendo por base um conjunto de observações e análises que tive oportunidade de fazer, nos moldes da admirável escola de pensamento e estudos legada por Plinio Corrêa de Oliveira.
Entro pois diretamente no tema.
Argumentos não demovem o contestatário
 Assim como os demônios da luxúria, da inveja, da preguiça e tantos outros podem instalar-se numa alma, existe também um demônio da contestação com poderes análogos.
É de conhecimento comum que o corpo humano está sujeito a ser invadido por vários tipos de vírus que, cada um conforme sua natureza, sabem onde instalar-se — nos pulmões, no intestino, na garganta ou onde for. Assim também na alma humana, cada demônio sabe por onde entrar e onde agir. E o demônio da contestação às autoridades legítimas ― é pelo menos essa a minha observação ― costuma aninhar-se numa região muito profunda da alma, que não é alcançável por argumentos lógicos nem explicações de ordem natural.
Em outras palavras, não se queira convencer um contestatário inveterado de que ele está errado, pois os argumentos, por melhores e mais bem dados que sejam, batem contra uma muralha de proteção construída por esse demônio, que isola o contestatário e o torna infenso a qualquer argumento razoável ou de bom senso.
Um outro aspecto da contestação que é necessário ter e vista, é seu caráter obsessivo, pois a vítima como que não consegue pensar em outra coisa, nem deslindar-se da situação em que se colocou.
O pretexto: falhas e defeitos da autoridade
Mas o demônio da contestação desenvolve ainda outras atividades. Ele procura cuidadosamente, na autoridade legítima que ele quer contestar, possíveis falhas ou defeitos, que podem até ser muito reais, pois neste vale de lágrimas todos estamos sujeitos a falhas e defeitos. E tais falhas e defeitos são usados pelo contestatário como sendo a razão (de fato, são o pretexto) para contestar a própria legitimidade da autoridade.
Esse aspecto da atividade diabólica é muito insidioso, pois além de ajudar o objetante a “justificar” para si mesmo o fato de se ter tornado um contestatário, lhe dá direito de cidadania junto aos outros da mesma nação, região ou grupo em que ele se insere. Pois o contestatário sempre poderá alegar que sua posição é de zelo pelo bem e pela virtude, em face dos erros e falhas da autoridade.
Foi o que fez Lutero, atacando a venda de indulgências (real ou imaginada) por Leão X, e outras alegações do gênero, como razões para contestar em princípio a autoridade do Papa e portanto da Santa Igreja.
A frente ampla contestatária
Mas há mais. O demônio da contestação não é um ser isolado. Ele pertence a uma família de espíritos contestatários que, todos eles, possuem umas como que antenas de transmissão e recepção, por onde uns aos outros se localizam, se comunicam e se unem, com o fim de constituir uma frente ampla contestatária.
Note-se bem. Como todos os demônios do inferno, estes também estão divididos entre si e se odeiam mutuamente. Mas em face de sua finalidade contestatária, deixam de lado, põem entre parênteses, suas divergências, para melhor unir-se e fortalecer a contestação, que é sua finalidade primordial.
Lutero conseguiu alianças com numerosos príncipes alemães e boa parte do Clero, o que lhe deu uma força extraordinária para avançar contra a Roma dos Papas.
Se os impugnadores da autoridade legítima chegam a constituir uma rede suficientemente forte, os demônios da contestação podem conseguir derrubar a autoridade visada, além de, evidentemente, perderem as almas daqueles que lhes deram acolhida e se tornaram seus instrumentos. A História nos apresenta alguns casos paradigmáticos, como os da Revolução Francesa e da Revolução bolchevique.
No caso de Lutero, porém, ele não conseguiu obter seu objetivo último, que era a destruição da Igreja, porque esta tinha a seu favor a promessa de Cristo de que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt 16,18), e que Ele a defende mesmo nas situações mais calamitosas (como por exemplo a atual).
Pode o contestatário livrar-se do demônio da contestação?
Sem querer fazer um tratado sobre a contestação, tarefa para a qual seriam necessárias outras luzes e outros estudos, e que, em todo caso, nos levaria muito longe, é preciso entretanto dizer ainda uma palavra sobre o seguinte ponto: pode uma pessoa, na qual se aninhou o demônio da contestação, livrar-se dele? Pode essa pessoa arrepender-se de ter dado guarida a esse demônio, arrepender-se, bater no peito, expulsá-lo de si e voltar a uma situação normal? Sobretudo tendo em vista que argumentos e bom senso não são eficazes para demovê-la?
Não pretendo referir-me às vias expressas postas ao alcance dos fiéis pela Igreja, como são os exorcismos, pois esta é uma matéria muito complexa, que exige especialistas para ser tratada. Não nego que o exorcismo possa ser um meio adequado, apenas não é meu objetivo aqui tratar dele.
Meu propósito é mais singelo. Dentro das vias habituais e conhecidas da graça, pode uma pessoa livrar-se do demônio da contestação, depois de lhe ter dado guarida?
Tanto quanto consigo ver, pode. E por dois meios. O primeiro é uma ação fulminante da graça na alma, que se exerce a rogos de Nossa Senhora, e que num instante livra a vítima do demônio, e a faz como que acordar do pesadelo para a vida real.
O outro caminho, mais comum, é pavimentado pelas graças que vão sendo dadas com alguma frequência, para ir alertando a pessoa-vítima sobre a situação em que se encontra. Pois Deus não quer a morte do ímpio,“mas que se converta e viva” (Ez 33,11). Essas graças fazem com que a pessoa pergunte a si mesma: será que estou certo? Estarei no bom caminho? Eu não deveria mudar minha posição e pedir perdão? Será muito duro fazer isso, mas não está em jogo a minha salvação? São problemas de consciência que o contestatário se põe.
Se a pessoa, assim solicitada pela graça, fechar seu coração a essas perguntas, melhor se diria a essas inspirações do Espírito Santo, pouco se pode esperar de sua conversão. É o caso de Lutero, que a beata Sóror Maria Serafina Micheli viu no inferno, atormentado pelos demônios.(3)
Mas se o contestatário, pelo contrário, for obediente à voz da graça, rezar pedindo clareza, suplicar a Nossa Senhora que o conduza, renunciar a deixar-se guiar por seu egoísmo, pedir forças para fazer a imolação interior da própria vontade e o sacrifício das próprias vistas equivocadas, então tudo se pode esperar. Nossa Senhora não rejeita um coração contrito e humilhado (Sl 50,19) que sinceramente busca servi-La em todas as coisas.
Foi o que faltou a Lutero fazer. Como, pois, comemorar sua revolta?
(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM

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domingo, 14 de fevereiro de 2016

A gula


A gula muitas vezes é tratada como um “pecadinho”, um pecado venial, que a maioria das vezes não é confessado, por ser identificado como um pecado comum.
Assim estimamos a Gula, e por conseqüência muitos os outros pecados que se deriva deste. São João Clímaco chega a dizer que a Gula é porta para todos os pecados, – isto é questionado por outros Santos Padres – e enumera uma lista de filhas destes pecados. O primeiro e a fornicação (Luxuria), segundo a dureza de coração, e ai vão, maus pensamentos, preguiça, fofoca, familiaridade excessiva (famoso abelhudo), vontade de fazer rir, brincadeira jocosidade, contestação, obstinação, desobediência, soberba, etc.
Gula não necessariamente significa comer demais, existem dois tipos de gula, que são nomeadas como Gastrimargia e Laimargia. Margia que dizer em grego loucura, gastri estomago, portando a Gastrimargia é a loucura do estomago, que se dá no consumir o alimento se preocupando com a quantidade. Enquanto a Laimargia quer dizer loucura da boca, que se dá em consumir o alimento só se preocupando com o saborear.
Portanto a Gula é uma atitude doentia diante da comida, mesmo que se coma pouco. Para ser mais claro, a gula é toda vez que se aproximamos do alimento esquecendo que este é dom de Deus para nossa vida. 
Santo Agostinho usa uma comparação, dizendo que muitas vezes somos como uma noiva que ganha um presente (um anel de brilhante) do seu noivo, se apaixona pelo presente e esquece-se do noivo.
Vivemos uma paixão intensa pelo alimento que temos, e deixamos de perceber que o alimento é um Sacramento de Amor de Deus para nós. E nem se quer agradecemos, e quando agradecemos dizemos “Obrigado Senhor pelo alimento de hoje.” E deixamos Deus de lado como se tivéssemos cumprindo um quesito. Não é por ai! A refeição tem que ser ação de graças e a oração tem que ser constante durante toda a refeição de forma contemplativa, apreciando em cada sabor o Dom de Deus.

Mas a gula está presente no homem desde sua criação. Não é fácil tomar um copo de água com uma tremenda sede, e antes olhar para ele e dizer “Como Deus é bom, está na água que mata a minha sede” e enxergar na água o sacramento do Amor Divino. Tomamos água com tanta voracidade, que é como se fosse encontrar a felicidade no fundo do copo, apenas saciamos um prazer do nosso corpo.
Isso não quer dizer que Deus abomina o prazer, se fosse assim não nos daria um paladar tão apurado. O paladar também é um Dom Deus, de forma que temos que usá-lo para darmos Graças ao saborear um alimento.
Na carta de São Paulo aos Filipenses capitulo 3 diz: ”Há muitos entre vós que se tornaram inimigos da cruz de Cristo... O Deus deles é o ventre”. São Paulo diz que o que acontece conosco é que vivemos para comer e não comemos para viver.
O Jejum é uma ferramenta para nós controlarmos esse espírito de consumismo pelo prazer de comer, e deve ser feito como uma prática de louvor e gratidão que abstende dos prazeres do corpo para uma real felicidade da alma. O sentido do jejum é fugir da lógica, de que a comida e fonte de alegria.
Portanto este pode ser de diversas formas, deixarem de lado comidas corriqueiras, ou comidas que despertam certos prazeres (doces, certos temperos...), não é necessário que o jejum seja total, mas sim que seja real, com um valor espiritual de contemplação.
Jejuar não é se punir ou punir o corpo, e sim quietá-lo, diante das vontades prazerosas. Quando se fala em jejum é possível ouvir os tremores e as inquietações do corpo, isto quer dizer que ainda o prazer pelo comer fala mais alto dentro de si, assim pode se dizer que está precisando do jejum.
São João Cassiano (360-435) diz: “Não devemos comer até a saciedade”, isto quer dizer que devemos levantar da mesa com um pouco de fome, este conselho espiritual hoje é confirmado pela medicina que diz que o estomago demora um certo tempo para enviar a mensagem de saciedade para o nosso cérebro. Por este atrasado de informação, na hora que pensamos que estamos saciados, quer dizer que já estávamos saciados há certo tempo atrás, e logo em seguida vem o sentido de estarmos empanturrados.
temperança que é elencada como a virtude para a gula, deve ser preservada conosco, pois ela permite que controlemos no limite de saciedade. E nos coloca de acordo com o verdadeiro sentido da alimentação e bem estar: o comer pela utilidade e não pelo prazer proporcionado. Escolher os alimentos de acordo com seus valores nutritivos e não pelo prazer. O alimento deve ser meio e não finalidade.
A finalidade de comer é a nutrição, mas gera uma conseqüência agradável que é o prazer e a saciedade. Na Gula há uma inversão onde a conseqüência se torna finalidade e vice-versa. O prazer e a saciedade é a primeira busca e por conseqüência vem à nutrição, e muitas vezes não.
E este mal também é encontrado na sexualidade do mundo atual.
Outro contemplativo da alimentação é verificar a historicidade do alimento que está à mesa. Antes de chegar até a mesa, ele teve que passar por ricos processos, alguém o plantou alguém o colheu. Quanto tempo ela passou num descanso? Quanto tempo ele percorreu para chegar até a mesa? Quanto tempo ele demorou a ser preparado? Quantas pessoas tiveram acesso a ele? Quantas histórias ele fez parte? E por ai vai.
E finalizo ressaltando: o alimento é fonte do Amor de Deus! Contemple Deus na alimentação.

Subsidio oficial elaborado por Rafael Costa para o Seminário sobre os pecados capitais realizado em Março de 2010.

http://fernandomontanheiro.blogspot.com.br/2010/03/gula.html

sábado, 13 de fevereiro de 2016

VOCÊ JEJUA?

Você jejua? Dê-me prova disto por suas obras.
Se você vê um homem pobre, tenha piedade dele.
Se você vê um amigo sendo honrado, não o inveje.
Não deixe que somente a sua boca jejue, mas também o olho e o ouvido e o pé e as mãos e todos os membros de nossos corpos.
Que as mãos jejuem, sendo livres de avareza.
Que os pés jejuem, cessando de correr atrás do pecado.
Que os olhos jejuem, disciplinando-os a não fitarem o que é pecaminoso.
Que os ouvidos jejuem, não ouvindo conversas más e fofocas.
Que a boca jejue de palavras vis e de criticismo injusto.
Porque, qual é o proveito se nos abstemos de aves e peixes, mas mordemos e devoramos os nossos irmãos?
Possa Aquele que veio ao mundo para salvar pecadores nos fortalecer para completarmos o jejum com humildade, tendo misericórdia de nós e nos salvando.

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São João Crisóstomo

https://vidacontemplativa.wordpress.com/2009/12/15/voce-jejua/

« FRANCISCO, UMA ARTE DE VIVER * JEJUM: DE QUE ADIANTA NÃO COMER CARNE, SE VOCÊ DEVORA SEU IRMÃO?

jejum
São João Crisóstomo ensina:
“A honra do jejum consiste não na abstinência da comida, mas em evitar as ações pecaminosas; quem limita o seu jejum apenas à abstinência de carnes o desonra. Praticas o jejum? Prova-me por tuas obras! Perguntas que tipo de obras?
Se vires um inimigo, reconcilia-te com ele!
Se vires um amigo tendo sucesso, não o inveje!
Se vires uma mulher bonita, passe sem olhar!
Que não apenas a boca jejue, mas também os olhos, e os ouvidos, e os pés, e as mãos, e todos os membros de nossos corpos.
Que as mãos jejuem sendo puras da avareza e da rapina.
Que os pés jejuem, deixando de caminhar para espetáculos imorais.
Que os olhos jejuem, não se detendo sobre feições belas, ou se ocupando de belezas exóticas.
Pois o que é visto é a comida dos olhos, mas se o que for visto for imoral ou proibido, macula-se o jejum e perturba toda a segurança da alma;ma se for moral e seguro, o que é visto adorna o jejum. Pois seria absurdo abster-se da comida permitida por causa do jejum, mas devem os olhos absterem-se até de tocar o que é proibido. Não comes carne? Então não se alimente de luxúria através dos olhos.
Que também os ouvidos jejuem. O jejum dos ouvidos consiste em recusar-se a ouvir assuntos perversos e calúnias. ‘Não receberás notícias falsas’, já foi dito.
Que a boca também jejue de falar coisas vergonhosas e de ficar reclamando. Pois que ganhas se te absténs de pássaros e peixes, e mesmo assim mordes e devoras teu próximo? O que tem fala maligna come a carne de seu irmão, e morde o corpo de seu próximo.”
O que São João Crisóstomo nos diz com esta reflexão?
Que os dias de jejum devem ser especialmente dias para evitarmos o uso desordenado ou inclusive exagerado dos outros sentidos: evitar o que não devo fazer, falar, ouvir, desejar; não buscar satisfazer todas as minhas necessidades emocionais e espirituais; não buscar a todo custo saciar minha solidão; não querer saber tudo; não exigir respostas imediatas a tudo o que vier à minha mente etc.
Nós jejuamos buscando a conversão. Portanto, jejuemos de todas estas atitudes contrárias à virtude. Talvez o seu jejum consista em ser mais serviçal (jejum da sua preguiça e comodidade), pois, assim como precisamos rezar com o coração, também precisamos jejuar com o coração.
Talvez você tenha de jejuar da sua ira, sendo mais amável, mais dócil. Ou jejuar da sua soberba, buscando ativamente viver a humildade em atos concretos.
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A cor púrpura da quaresma

É Quaresma. Um novo jeito de ser, de entender, de crer. De que a fé nasce da dúvida, disto estou certo. Agora, saber como vivenciar os desertos áridos do meu seco interior é o que me preocupa. Para evidenciar o invisível de nosso interior quaresmal, a Igreja nos veste de roxo. Os paramentos, as toalhas, os véus, as capas: tudo na liturgia deste período penitencial nos fala do sofrimento, propriamente da paixão, das dores. Noutro dia, ao entrar na Igreja, fui impactado pelo vazio do templo e uma coisa me chamou a atenção: a cor púrpura. Logo me veio à mente, estremecendo meu coração, o filme de Spielberg, “A cor púrpura”. Então me pus a meditar sobre este ‘insight’ (ou seria mesmo inspiração?).

Esta película, de 1985, é uma adaptação do livro amônimo de Alice Walker. A história se passa na Geórgia preconceituosa e desumana de 1909. A personagem Celie, protagonista, é estuprada pelo próprio pai, de quem tem dois filhos. É “comprada” por Mister (sinhô), que a trata simultaneamente como escrava e companheira. Separada ainda nova de sua melhor amiga e protetora, sua irmã Nettie, Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza em cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã.

Celie nos ensina a compreender o eterno na finitude e na dor do instante. Para ela: “A vida é curta. O Paraíso é que é eterno”. Creio que este período da Quaresma nos propõe justamente a experiência da transcendência; enxergar suas próprias dores e as dores do outro como uma janela para o céu. A vida passa, e isto é bom! Quebra a nossa indiferença. Se sei que algo bom, que me apraz, está fadado a terminar, à exemplo que um show, uma peça teatral, um balett, então tento absorve-lo ao máximo, tendo extrair o maravilhoso que me é oferecido. Ora, a vida com tudo o que nela há passa, inclusive minhas involuções, meus pecados, minha liquidez. A Quaresma tem esse poder de me fazer compreender que meu deserto e tentações não vão durar para sempre... e é por isto mesmo que presto-lhe devotada atenção. 

  A trama revela o tempo todo, a orfandade de Celie. Ela é mãe órfã, irmã órfã, mulher órfã, pessoa órfã de si. Celie aprende com a solidão que lhe é imposta a desconstruir, construir e reconstruir sua identidade e amor próprio. Muitas pessoas passam por nossas vidas e nos levam de nós. Colocam-nos em suas masmorras, seus calabouços mais secretos e ardis, e nos sufocam. Triste de tudo é quando não percebemos que no fundo, fomos nós quem nos entregamos ao raptador. Não foi tanto o nosso pecado que nos fez pecadores, nem o diabo que nos diabolizou, muito menos o traidor que nos fez sucumbir, mas fui eu, foi você, exatamente e friamente fomos nós que unimos nossas vozes a de Celie e nos deferimos a sentença: “Eles não gostam de gente muito livre. (...) Sei como é querer cantar e levar uma surra por isso”. Esse tempo quaresmal me invade de uma lucidez púrpura e me permite entender que não preciso ficar acorrentado ao passado, ao que vivi até hoje, ao que pensava até agora, ao modo de vida como tenho vivido. Deus me fez para a liberdade! Ele quer me comunicar que é meu Pai e não preciso duvidar disto. Ele me diz: “Tu é meu filho muito amado em quem ponho todo meu amor!” (Mc 1,11). É uma tentação pavorosa o fato de tendermos a não acreditar nesta verdade e insistirmos em mendigar amor por aí. Parece que ouvimos mais a insistente voz do mundo que nos força a provarmos aos outros que merecemos ser amados, do que a amorosa voz do Pai. Será que ainda falta muito para cantarmos para o Senhor o refrão de Fábio Júnior: “E eu vou esquecer de tudo, das dores do mundo. Não quero saber quem fui mas sim quem sou. E vou esquecer de tudo, das dores do mundo. Só quero saber do seu do nosso amor” ?...

O tempo quaresmal nos faz questionar: Por que tenho apanhado tanto da vida? Por que tenho sofrido? Onde devo chegar? Estou quase convencido de que a raiz de tanta angústia, de tanto pecado, está no fato de nos compararmos. Adão e Eva se compararam a Deus e quiseram ser como Ele. Caim se comparou e se achou mais importante que seu irmão Abel. O inferno começa no se comparar! Foi isto que a personagem principal do filme me ensinou. Em um diálogo com a amante do marido, Celie abre seu coração: “Ele me bate porque eu não sou você. Nunca me pergunta como eu me sinto. Nunca me pergunta sobre eu mesma”. Nisto Sartre tinha razão: “O inferno são os outros”. Aqui vai minha confissão de Quaresma: espanco meu irmão por ele não ser eu. Eu infernizo sua vida porque não consigo me interessar despretensiosamente por ele. Projeto meus demônios interiores nele, e para mim, é ele quem não presta e me faz pecar... Meu Deus! Quanta crueldade! Eu acabo fazendo a profecia de Clarice Lispector cumprir-se: “O que de pior um ser pode fazer a outro ser é adulterar-lhe a essência a fim de usá-lo”. E mais, utilizar as suas vulnerabilidades para meu prazer. Isto é que é impor a alguém a Quaresma! Quaresma forçosa. Quaresma das dores. Quaresma da alma!

A Quaresma tinha mesmo que ser da cor púrpura. A púrpura, ou roxo, foi o corante de maior renome e mais caro de todos os corantes da antiguidade pela dificuldade na sua obtenção. Era um símbolo de riqueza e distinção. Na Roma antiga só o imperador tinha o direito de usá-la. Nero chegou a punir com a morte o seu uso. Por séculos a cor púrpura era obtida através de algumas espécies de molusco nativas do Mar Mediterrâneo, o que causou extinção de algumas delas. A secreção do molusco está contida dentro de uma pequena veia ou cisto que, quando partida, expele um fluido branco. Os tecidos eram banhados neste fluido branco e postos para secar ao sol que "revela" a tintura púrpura brilhante. E não é difícil encarar o roxeado que as pancadas da vida deixam na gente? Acho que ainda não consigo deixar o meu passado passar pelo meu presente e ir-se embora de vez... Cada cicatriz interior, cada soco de falsos amigos, cada tapa da família incompreensível e exigente, cada pontapé que a humilhação de não ser tratado como filho de Deus, pessoa humana me desferiu... O mais belo da Quaresma da vida, é saber que o brilho do Sol que nos veio visitar, numa explosão de luz, vai fazer revelar nas púrpuras de minha alma a claridade e o fulgor da vitória escondida. A Quaresma só tem sentido por causa da Páscoa. A penitência só será proveitosa se transforma tudo o que em nós há de mal.

Descobri que pecado tem cor. Não, não é preto. Ele é púrpuro: “Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!” (Is 1,18).  Só Deus pode fazer que algo volte ao nada de onde veio! Se do visgo branco, ao sol, se obtinha a púrpura, nossos púrpuros pecados podem ser perdoados ao passarem pela forte Luz pascal de Cristo! Foi com este lindo diálogo que descobri o porquê de Deus gostar tanto do roxo a ponto de inspirar a sua Igreja, esposa de Cristo, a se ornar toda de púrpura enquanto espera Sua vinda gloriosa: 

“- Mais que tudo, Deus adora a contemplação.
- Deus é vaidoso?
- Vaidoso, não.
- Só gosta que admirem sua beleza.
- Deus deve ficar furioso quando você passa pela cor púrpura no campo, e nem se dá conta.
- Está dizendo que Ele só quer ser amado, como diz a Bíblia? 
- É, Celie. Tudo no mundo quer ser amado. A gente canta e dança e grita porque quer ser amada. Olha as árvores. Elas fazem tudo que a gente faz pra chamar a atenção... menos andar”.

Eu e você queremos ser amados, aceitos e compreendidos... acho que é por isso mesmo que nossa alma vai ficando roxinha, roxinha... só assim atraímos a atenção de Deus e Ele a nossa. Como é triste passar pelas dores do mundo, pelos sofrimentos que batem a nossa porta e nem dar atenção. É Deus que quer se mostrar a nós! Nem sempre é no monte Tabor, em meio a luzes translúcidas. Na ‘via crucis’ do mundo, nosso corpo é a montanha na qual Deus quer se comunicar. Já percebeu que as histórias mais bonitas e cheias de vida é a de quem mais sofreu? De quem mais traz em seu corpo dolorido as púrpuras da vida? Essa pessoa só pode ser sacramento da riqueza e distinção de Deus para com ela e o mundo. Acho que é uma forma de Deus nos atrair até Ele. Minha penitência, toda ascese que pratico e toda minha orfandade é uma forma de fazer com que o Senhor Deus volte seu compassivo olhar para mim. E se sou surpreendido pela morte, pela injustiça, pela deslealdade, pela hipocrisia é porque Deus está querendo que eu veja a vida, a mim e aos meus irmãos com outros olhos, e apesar de tudo, contemple Sua beleza em meio às mazelas do mundo. É na eucaristia do mundo que comungo do púrpuro corpo de Cristo crucificado. 

Minha Quaresma, definitivamente, é da cor púrpura. No fundo, a vida é desta mesma cor, já que é uma verdadeira e permanente Quaresma enquanto somos peregrinos neste mundo. Nossa Páscoa definitiva, a verdadeira libertação, só mesmo quando Cristo, nossa Luz, resplandecer eternamente na pátria definitiva, a Jerusalém celeste (Ap 21). “E quando amanhecer, o dia eterno, a plena visão, ressurgiremos por crer, nesta via escondida no Pão!”

PROMESSA DE CONSOLAÇÃO: “Vós sereis amamentados e ao colo carregados e afagados com carícias; como a mãe consola o filho, em Sião vou consolar-vos. Tudo isso vós vereis, e os vossos corações de alegria pulsarão; vossos membros, como plantas, tomarão novo vigor”. (Is 66, 12b-14a) 

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O que é a Quaresma...

A quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa. É tempo para nos arrepender de nossos pecados e de mudar algo de nós para sermos melhores e poder viver mais próximos de Cristo.

A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos. Ao longo deste tempo, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que devemos viver como filhos de Deus.

A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. É um tempo de reflexão, de penitência, de conversão espiritual; tempo e preparação para o mistério pascal.

Na Quaresma, Cristo nos convida a mudar de vida. A Igreja nos convida a viver a Quaresma como um caminho a Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando boas obras. Nos convida a viver uma série de atitudes cristãs que nos ajudam a parecer mais com Jesus Cristo, já que por ação do pecado, nos afastamos mais de Deus.

Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação fraterna. Cada dia, durante a vida, devemos retirar de nossos corações o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que se opõem a nosso amor a Deus e aos irmãos. Na Quaresma, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também a tomar nossa cruz com alegria para alcançar a glória da ressurreição.

40 dias

A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito.

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades.

A prática da Quaresma data desde o século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão

http://www.catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/quaresma/15.htm

sábado, 6 de fevereiro de 2016

LER A BÍBLIA TODA EM UM ANO

PLANO DE LEITURA

“Tua palavra é luz ao revelar-se, até os pequeninos a compreendem” (SI 119,130).

Os livros da Bíblia não estão dispostos em uma sequência que facilite a compreensão do seu significado. Há livros que podem ser lidos a qualquer tempo, e outros que supõem uma certa ordem. Alguns dizem mais respeito às nossas vidas, ao nosso dia a dia – de forma direta –, e outros que precisam ser considerados em seu contexto (prá não fazermos uma leitura fundamentalista, inadequada, de seu significado), e são por vezes aparentemente “sem sentido”, numa leitura superficial. Ou seja, toda a Bíblia é útil, mas alguns livros e passagens são mais proveitosos e aplicáveis à nossa vida que outros. Para aprender a fazer esta distinção é preciso ler a Bíblia toda; não, porém, sem um mínimo de orientação que nos ajude a manter aceso o interesse e o gozo pela leitura. Por isso, mais do que entender o “porquê” dos critérios propostos, comece o programa, e saboreie a doçura da Palavra gradativamente, elegendo, com o tempo, o seu próprio ritmo, as passagens que lhe são mais caras e utilizáveis no seu ministério...


1 - Comece pela leitura da Primeira Carta de São João, capítulo primeiro (1Jo 1). Muitos autores a indicam para os iniciantes, por ser uma leitura de fácil compreensão e por conter, por assim dizer, uma espécie de anúncio kerigmático, fundamental para a nossa iniciação no conhecimento da Palavra de Deus.
Nos dias seguintes, leia – sempre um por dia – os outros 4 capítulos desta 1ª carta, a 2ª carta de João (que tem só um capítulo) e a 3ª carta de João (que também tem somente um capítulo). Pronto: você já tem aí uma semana de oração e estudos com a Palavra de Deus. Passada essa semana, repita – pelo menos uma vez, o caminho já feito. (Não tenha pressa. Saboreie as palavras, e veja como novos significados vão “saltando” aos seus olhos)


Recomendações:


a) Leia as explicações do rodapé de sua Bíblia.
b) Sublinhe (ou destaque, com uma caneta apropriada) os versículos que mais chamam sua atenção.
c) Pergunte-se, ao ler cada capítulo: O que Deus está dizendo para mim, hoje, nessa leitura? Em que situações posso (ou poderei) aplicar essa mensagem à minha vida, ao meu ministério?
d) Que promessas – ou princípios divinos – estão contidos nessa passagem, para mim? (Note que, para responder a essas perguntas, você já irá naturalmente reler o capítulo proposto, também no mesmo dia...)
e) Será muito útil você anotar as respostas a essas indagações em um caderno próprio (a que muitos chamam de “Diário Espiritual”). Mas não deixe que isso se converta para você numa “tarefa a mais”, que o leve a desanimar na alegria da leitura. Com o tempo, você fará naturalmente essas anotações – num “diário”, na própria Bíblia, em cadernos de anotações para futuras palestras ou reflexões em grupo, etc. Com o tempo, também, poucos continuam a fazer o seu “diário espiritual” – a menos que isso faça parte das regras de uma Comunidade ou Congregação à qual se pertence. Mas o importante, mesmo, é você desenvolver o hábito de leitura diária da Sagrada Escritura... As demais práticas serão incentivadas em sua vida pelo próprio Espírito, que irá mostrando a você a utilidade delas.


2 - Um livro que facilita e predispõe o nosso coração para a oração, é o Livro dos Salmos. Nos Salmos, você irá aprendendo a recorrer à Palavra em momentos próprios para o Louvor, a Ação de Graças, o Arrependimento, a Súplica, a Renovação da Confiança no Senhor, o Socorro nas Adversidades e na Fraqueza, o Júbilo pelas conquistas, a Admiração pela Onipotência de Deus e por Sua própria Palavra – entre outros sentimentos. Por que então não lermos também um salmo (ou parte de alguns) por dia?
Na primeira vez, você poderá lê-los na sequência em que se encontram na Bíblia. Com o tempo, você mesmo irá aprendendo a procurá-los conforme as suas necessidades do momento. Ocasionalmente, você poderá também pedir ao Espírito que lhe indique uma leitura, ou mesmo abrir o Livro dos salmos (ou outro) aleatoriamente, pedindo antes que o Espírito lhe dê uma palavra para aquele dia...


Sugestão


a) Leia, de uma só vez, cada um dos seguintes salmos, conforme aparecerem em sua sequência: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 18, 19, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 31, 32, 35, 38, 39, 40, 41, 42, 44, 45, 46, 47, 48, 50, 51, 52, 53, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 69, 71, 74, 75, 76, 78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 89, 90, 91, 92, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 100, 102, 107, 109, 110, 111, 112, 114, 115, 116, 119, 120, 121, 122, 123, 124, 125, 126, 127, 128,129, 130, 131, 132, 133, 134, 136, 137, 139, 140, 141, 142, 143, 144, 145, 146, 147, 148, 149 e 150.
b) Leia, distribuindo a leitura por 2 dias, os seguintes salmos: 9 (versículos de 1 a 21, no primeiro dia, e de 22 a 39, no segundo dia); 17 (de 1 a 14, e de 25 a 51); 21 (de 1 a 16, e de 17 à 31); 30 (de 1 a 10, e de 11 a 25); 33 (de 1 a 13, e de 14 a 23); 34 (de 1 a 16, e de 17 a 28); 36 (de 1 a 17, e de 18 a 40); 37 (de 1 a 9, e de 10 a 23); 43 (de 1 a 10, e de 11 a 27); 49 (de 1 a 10 e de 11 a 23); 54 (de 1 a 12, e de 13 a 24); 67 (de 1 a 19, e de 20 a 36); 68 (de 1 a 16, e de 17 a 37); 70 (de 1 a 12, e de 13 a 14); 72 (de 1 a 15, e de 16 a 28); 73 (de 1 a 12, e de 13 à 23); 88 (de 1 a 26, e de 27 a 53); 93 (de 1 a 11, e de 12 a 33); 101 (de 1 a 16, e de 17 a 29); 103 (de 1 a 15, e de 16 a 35), 104 (de 1 a 22, e de 23 a 45); 105 (de 1 a 24, e de 25 a 48); 106 (de 1 a 22, e de 23 a 43), 108 (de 1 a 16, e de 17 a 31); 113 (de 1 a 8, e de 9 a 26 – dependendo da tradução3); 117 (de 1 a 13, e de 14 a 29); 135 (de 1 a 13, e de 14 a 26); 138 (de 1 a 12, e de 13 a 24)...
c) Leia, em três dias, o salmo 77 (versículos de 1 a 22 no 1º dia, de 23 a 55 no 2º dia, e de 56 a 72 no 3º dia).
d) Leia, em 11 dias, o salmo 118 (1º dia = versículos de 1 a 16; 2 dia = de 17 a 32; 3º dia, de 33 a 48; 4º dia: de 49 a 64; 5º dia, de 65 a 80; 6º dia, de 81 à 96; 7º dia, de 97 a 112, no 8º dia, de 113 a 128; no 9º dia, de 129 a 144; no 10º dia, de 145 a 160; e no dia 11º dia, do versículo 161 ao versículo 176).


3 - Vamos entrar em um novo passo? Doravante – se ainda não começou a fazê-lo –, sempre que um versículo se destacar para o seu gosto ou para o seu entendimento, copie-o em um papel à parte (uma ficha, um pequeno cartão, ou em um “post it”), e coloque à vista (com a citação bíblica anotada abaixo da frase), de modo que você o decore em pouco tempo. Isso lhe será de muita valia em sua caminhada espiritual... Para a sequência das leituras (sempre com o propósito de um capítulo por dia, mais o salmo), siga o seguinte roteiro:


a) Leia o Evangelho de São João. Ele é diferente dos outros 3 evangelhos, e contém narrativas exclusivas e fundamentais para o nosso entendimento a respeito da divindade de Jesus Cristo. Ele contém uma impressionante catequese de Jesus sobre o Espírito Santo (aliás, aqui o Espírito é, pela primeira vez, nos revelado como pessoa divina). Quando o capítulo lhe parecer mais complicado, ore ao Espírito, peça luzes para o entendimento, e leia novamente. Saiba que, às vezes, a chave para a melhor compreensão de um capítulo a encontramos em capítulos posteriores. Ou mesmo em outros livros que você vai conhecer, oportunamente.
b) Leia na sequência, o Evangelho de Marcos. O autor – louvado por sua arte de narrador –, demonstra também em seu evangelho grande habilidade em enriquecer sua narrativa com indicações geográficas. Para ele, mais do que uma mensagem provinda de Deus referente à pessoa do Messias, o Evangelho é esta ação divina em meio aos homens. Marcos valoriza a “Boa Nova”, e enfatiza a pessoa de Jesus Cristo como Filho de Deus e a proximidade de seu Reino. Foi o primeiro a nos trazer esse gênero conhecido como “evangelho”.
c) Depois de Marcos, leia, sequencialmente tanto o Evangelho de Lucas como os Atos dos Apóstolos (que, desde os tempos antigos, têm também sido atribuídas a Lucas). O Evangelho destaca a subida de Jesus rumo a Jerusalém, onde se realiza o evento pascal: paixão, morte e ressurreição de Jesus; e o livro dos Atos relata a pregação deste evento a partir de Jerusalém até “os confins do mundo”, as extremidades da terra (cf. At 1,8). Importantíssimo no livro dos Atos é a narrativa do cumprimento da promessa de Deus a respeito do “dom do Espírito”, e a progressão da atividade missionária dos apóstolos – especialmente de Pedro e Paulo –, e o ânimo das primeiras comunidades cristãs, do “batismo ao martírio”...
d) Agora leia o Evangelho de Mateus – Como os demais evangelistas, Mateus relata a vida e o ensinamento de Jesus, e, a seu modo, destaca que o “Deus conosco” (o Emanuel anunciado a José) ficará presente entre os que crêem até o fim dos tempos. É o evangelista que mais insiste na lei, na Escritura, no cumprimento das profecias, nos costumes judaicos. Seu evangelho é dirigido primordialmente aos judeus, a quem quer demonstrar que Jesus é o Cristo, o Messias esperado...
4 - Vamos para um novo passo, entrando em contato agora com um outro gênero literário da Bíblia: o gênero epistolar, ou, simplesmente, as cartas.


a) Primeiramente você deve ler as cartas atribuídas a Paulo (a “carta aos Hebreus, e, provavelmente algumas das outras 13 cartas não foram escritas pessoalmente por ele, mas por discípulos dele; isso não altera a importância delas).
Das 14 cartas atribuídas a Paulo, 9 são dirigidas a alguma comunidade. Paulo fundava comunidades e, de vez em quando, voltava para ajudá-las, animá-las e atuar como moderador em algumas situações problemáticas. Quando estava impedido de visitá-las pessoalmente, enviava-lhes cartas (algumas eram bem longas...). Leia as cartas dirigidas às comunidades na seguinte sequência (sempre um capítulo por dia), mais o salmo de sua programação.
- Carta aos Efésios
- Carta aos Filipenses
- Carta aos Colossences
- I Carta aos Tessalonicenses
- II Carta aos Tessalonicenses
- Carta aos Gálatas
- I Carta aos Coríntios
- II Carta aos Coríntios
- Carta aos Romanos


b) Paulo também escreveu 3 cartas chamadas “Cartas Pastorais”, assim denominadas por serem dirigidas não a comunidades, mas a seus líderes, ou “pastores”. São essas que você deve ler na sequência:
- 1ª Carta a Timóteo
- 2ª Carta a Timóteo
- Carta a Tito


Leia em seguida a que Paulo escreveu a um cristão:
- Carta a Filêmon.


Em seguida, leia a carta que foi dirigida aos Hebreus em geral:
- Carta aos Hebreus


Saiba que as cartas que Paulo escreveu pessoalmente são mais antigas que os Evangelhos. A primeira delas (1ª Carta aos Tessalonicenses) foi escrita por volta do ano 51, sendo portanto o mais antigo livro do Novo Testamento. Paulo morreu provavelmente em 64 ou 67, antes, portanto, que fosse escrito o primeiro Evangelho (o de Marcos).


c) Chegou a hora de ler as chamadas epístolas “católicas”, assim conhecidas por não se dirigirem nem a uma pessoa e nem a uma determinada comunidade, mas a todas as igrejas cristãs (lembrando, então, que a palavra católico significa universal).


São 7 as epístolas “católicas”; delas, você já leu 3 (as de João). Leia agora as demais, nesta sequência:
Carta de Tiago
- 1ª Carta de Pedro
- 2ª Carta de Pedro
- Carta de Judas


A esta altura, o seu conhecimento da Sagrada Escritura já é bem diferente do que quando você se iniciou nessa prática de leitura. Você certamente já percebeu, por exemplo, que para o entendimento de alguns capítulos basta uma única leitura; já, para outros, a exigência vai ser maior (8, 10 vezes... ou até mais).
Claro que, nesta sua primeira “leitura geral”, o objetivo não é estudar e entender de modo aprofundado toda a Sagrada Escritura, mas o de ter contato com a Palavra viva do Deus vivo, que fala com você ainda hoje. O objetivo maior, do ponto de vista didático- pedagógico, é desenvolver em você o hábito de leitura da Bíblia. Só quem adquire esse hábito de ler regularmente a Bíblia pode cultivar também o hábito de bem estudá-la, posteriormente.
Por ora, continue a rezar pedindo ao Espírito Santo luz para que a Palavra lhe proporcione o crescimento e o fortalecimento espiritual de que você necessita. Continue a dar ênfase a essa leitura devocional mais do que a uma leitura de estudo. Continue a se perguntar: que luz esse Jesus que a Bíblia apresenta pode projetar hoje sobre todos os aspectos de minha vida (familiar, profissional, comunitária, emocional...)? Qual o impacto que deve ter em minha vida a salvação realizada por Jesus? De que maneira posso me deixar possuir e conduzir pelo dom do Espírito Santo, de modos a viver minha vocação rumo à santidade?...


5 - Vamos entrar agora na fase de leitura dos livros do Antigo Testamento. “Por que li os do Novo Testamento primeiro? São mais importantes?”... Você já aprendeu que toda a Sagrada Escritura é importante, e inspirada por Deus. Mas os livros do Novo Testamento foram escritos primordialmente para os cristãos – como eu e você –, para a Igreja de Jesus Cristo. Sua linguagem é mais universal, e diz mais respeito à nossa vida dos tempos de agora – e revelam por completo aquele que é o centro e o âmago de toda a Bíblia: Jesus Cristo, Senhor e Salvador!
O Antigo Testamento – também muito importante – foi relacionado e dirigido mais ao povo de Israel – ainda que nele encontremos livros importantíssimos para se entender o Novo Testamento e até mesmo o significado da missão redentora de Jesus.
Ao iniciar agora a leitura dos livros do Antigo Testamento (A.T.) não se esqueça de levar em consideração os aspectos históricos, culturais e sociais envolvidos, as intenções do autor, os modos de falar, escrever e enxergar o mundo, sabendo que, embora contenha coisas muito interessantes e até “cientificamente comprovadas”, a intenção da Bíblia não é ensinar ou transmitir conhecimentos daquelas ciências que outras instâncias do pensamento humano têm a incumbência de pesquisar e ensinar. Seu objetivo é a explicitação da salvação realizada por Jesus Cristo. E isso ninguém faz como ela... Algumas considerações antes de você começar a leitura dos livros do A.T.:
1ª) Agora que você já está mais treinado na leitura, a sugestão é que você imprima um novo ritmo à leitura. Além da leitura indicada para os livros do A.T., continue a ler os Salmos indicados, e não abandone a leitura do Novo Testamento (N.T.)... Retome a leitura daqueles livros – ou capítulos – que despertaram seu interesse, e que ainda mereçam sua atenção e meditação.
2ª) Note que se você participa de Missa diariamente, já tem definido um programa de leitura. Lembre-se apenas de que você deve ir além do simples “ouvir” na celebração, ou mesmo apenas “ler” durante a mesma. É bom – para o propósito de se avançar no conhecimento da Sagrada Escritura – que se dedique tempo a essa leitura (com grifos, anotações, orações com aquela palavra que está sendo lida, e possível registro de um “diário espiritual”...
3ª) O A.T. é longo, e a quantidade de livros bem maior que a do N.T. Muitos capítulos de livros do A.T. são extensos, e por vezes enfadonhos (compridas genealogias, descrições de construção do templo, relatos repetitivos...) do ponto de vista literário. Não desanime. Não queime etapas. Esforce-se por perceber o sentido que sempre está embutido na intenção do autor, ligando a Palavra de Deus à vida do povo. A Palavra ilumina e dá sentido à vida, e a vida ilumina o sentido da Palavra.
4ª) O livro do Apocalipse – que pertence ao N.T. – será proposto como o último livro a ser lido no Programa, após essa longa etapa de leitura do A.T.


Num primeiro bloco, vamos alternar a leitura de alguns livros ”históricos” (que são 21) com um dos livros chamados “Sapienciais” – ou Didáticos –, que são 7 (desses 7, você já vem lendo um deles: os salmos). Se possível, leia mais de um capítulo desses livros do A.T. por dia (mais os Salmos e suas opções para as leituras do Novo Testamento).
Dos livros desse primeiro bloco do A.T., talvez o mais conhecido – e controvertido! – seja, o livro do Gênesis (ou, das “Origens”), que fala das origens do mundo e da humanidade. Muitas vezes ele é lido como se fosse um livro de história erudita e até de ciência natural. Na realidade, ele é muito mais que isso, mas não é isso...
No Pentateuco (palavra que significa “os estojos” onde eram guardados esses 5 primeiros livros que compreende o Gênesis, o Êxodo, o Levítico, o Livro dos Números, e o livro do Deuteronômio), o povo de Israel se descobre como alguém eleito por Deus, que o protege e o conduz; depois de muita desobediência, sente-se convidado a seguir o exemplo dos patriarcas na fidelidade a seu Deus, que é fiel em Suas Promessas...
Os “Livros Sapienciais” (Jó, Ex, Lv, Nm, Ct, Dt e Eclo) são de gêneros muito diversos: cânticos litúrgicos, escritos de estilo filosófico, drama, reflexão poético-didática, e coleções de sentenças de sábios populares (de cunho pedagógico). O “Cântico dos Cânticos” nos apresenta um misterioso rol de poemas de amor escritos em torno de um enredo confuso, que nem sempre se presta a uma interpretação clara. É preciso, pois, considerar o tempo em que foram escritos (com estranhos conceitos sobre a mulher, o inimigo, os estrangeiros...), mas com sensibilidade aberta às verdades eternas, que podem iluminar também hoje os caminhos de nossas vidas... Vamos à leitura:


a) - Gênesis
- Jó
- Êxodo
- Provérbios
- Levítico
- Eclesiastes
- Números
- Cântico dos Cânticos
- Deuteronômio
- Sabedoria
- Josué
- Eclesiástico
- Juízes


Vamos agora ao 2º bloco. Seguiremos com a leitura do restante dos “livros históricos”. Vale lembrar que o termo “histórico”, aplicado a esses livros, nos remete, na verdade, àquilo que hoje entendemos mais adequadamente por “crônica” – relato não necessariamente fundamentado sobre postulados científicos. Embora o povo de então conhecesse a diferença entre história (fato realmente acontecido) e fábula, alegoria, metáfora (narrativas simbólicas), por vezes misturavam as duas coisas, mas sempre com a intenção de bem transmitir sua mensagem para que ficasse com clareza gravada na memória de quem a ouvia.
Continuando com a leitura, observe o seu ritmo e os propósitos anteriores.


b) - Rute
- 1 Samuel
- 2 Samuel
- 1 Reis
- 2 Reis
- 1 Crônicas
- 2 Crônicas
- Esdras
- Neemias
- Tobias
- Judite
- Ester
- 1ª Macabeus
- 2ª Macabeus


No terceiro (e último) bloco do A.T., você vai entrar em contato com os “Livros Proféticos” (que são 18). A Bíblia cristã – diferentemente da Bíblia hebraica –, inclui na categoria “proféticos” apenas os pronunciamentos (oráculos) dos profetas (transfere para a lista dos “históricos” aqueles relacionados à historiografia, e traz para a lista dos “proféticos” alguns escritos que a Bíblia hebraica lista na categoria dos “Escritos” (Daniel e Lamentações). À leitura:
c) - Isaías
- Jeremias
- Lamentações
- Baruc
- Ezequiel
- Daniel
- Oseias
- Joel
- Amós
- Abdias
- Jonas
- Miqueias
- Naum
- Habacuc
- Sofonias
- Ageu
- Zacarias
- Malaquias


Finalmente, depois dessa etapa, resta pra você apenas a leitura do último livro da Sagrada Escritura: O livro do Apocalipse – também conhecido como o “livro da Revelação”, que é o que a palavra significa, em grego.
O Livro do Apocalipse foi escrito pelo apóstolo e evangelista João, com a intenção de sustentar a fé e a esperança dos cristãos perseguidos, no início do cristianismo. Embora se utilize de visões e quadros fantásticos, não é um livro de “prenúncio de desgraças”, de “coisas ocultas e aterrorizadoras”, como muitas vezes se pensa. O livro fala da glória celeste, da parusia, isto é, do céu. Anuncia a derrota dos que perseguem os seguidores de Cristo e a vitória final dos cristãos Perseguidos. Você já tem bagagem suficiente para desfrutar das impressionantes visões e quadros que o livro apresenta. A ele, pois:
- Livro do Apocalipse de João


A BÍBLIA TODA EM UM ANO!


Agora que você já se tornou um conhecido amigo da pessoa que a Bíblia na verdade é, que tal recomeçar tudo, e ler a Bíblia toda em apenas um ano?
Você não pode imaginar o quão enriquecedora será essa segunda leitura. Incrível como o significado das passagens ganham novo colorido no nosso entendimento, e a aplicabilidade delas na nossa vida flui como rio caudaloso mas suave, profundo mas transparente... É “uma outra Bíblia”, a que você vai ler – por assim dizer... Caso se anime, aqui seguem algumas sugestões.


PROGRAMA DE LEITURA DA BÍBLIA
EM UM ANO!


- Perseverantemente, você mesmo deve agora selecionar a sequência dos livros que vai ler, observando alguns critérios.
- Deixe os livros de capítulos menores (algumas cartas, alguns “proféticos”, alguns “sapienciais”, e mesmo os Salmos – que você pode ler sem ser na sequência), à parte.
- Comece a leitura sabendo que você terá de ler em média 4 capítulos por dia (praticamente 2/3 do ano).
- Conjugue a leitura de capítulos mais longos com a leitura de capítulos menores (organize uma caderneta, por exemplo, onde você vai controlando – e riscando – o que já leu).
- Contabilize leituras de capítulos que porventura você faça com outros propósitos (reuniões de oração, estudos bíblicos, e outros momentos litúrgicos).
- Cumpra em média as seguintes metas diárias (elas podem ser mais amplas, dependendo de seu tempo disponível):


1. Ler, em todos os sábados e domingos, 4 capítulos da Bíblia (108 dias x 4 = 432).
2. Ler, em outros 125 dias do ano, também 4 capítulos da Bíblia (125 dias x 4 = 500).
3. Ler, nos outros 132 dias do ano, 3 capítulos da Bíblia (132 x 3 = 396).
4. Pronto! = 1.328 capítulos. Você terá lido todos os 1067 capítulos do Antigo Testamento mais os 261 capítulos do Novo Testamento!
1067 + 261 = 1328 capítulos!


É um desafio. Eleja o seu “ANO DA BÍBLIA’, e “mãos à Palavra!” A recompensa será eterna...nem precisaríamos afirmar que a Palavra de Deus é rica demais, uma fonte de água viva inesgotável a dessedentar todos os que dela se aproximam. Vale a pena acercar-se dela tantas vezes quantas pudermos – ou necessitarmos... A fonte é sempre a mesma, mas a água é sempre renovada. Não se esgota ela, não cessamos nós de precisar de seu refrigério...Assim nos ensinava, desde há muito tempo, o sábio Santo Efrém:
“Que inteligência poderá penetrar
uma só de vossas palavras, Senhor?
Como sedentos a beber de uma fonte,
ali deixamos sempre mais do que aproveitamos.
Portanto, se alguém receber uma parcela desse
tesouro,
não pense ser só este o conteúdo dessa Palavra,
mas saiba que encontrou apenas uma parte
do muito nela contido.
E, se só esta parcela esteve ao seu alcance,
não diga que seja pobre e estéril a Palavra de Deus,
nem venha, por isso, a desprezá-la.
Ao contrário, por não poder abraçá-la totalmente,
dê graças por sua riqueza infinita.
Alegra-te por seres vencido,
não te entristeças por ela te ultrapassar.
O sedento enche-se de gozo ao beber,
e não se aborrece por não poder esgotar a fonte.
Vença a fonte a tua sede,
e não vença a tua sede a fonte,
porque, se a tua sede se sacia
sem que a fonte se esgote,
quando, de novo, estiveres com sede,
dela poderás beber.
Se, porém, saciada tua sede, também se secasse a
fonte,
tua vitória redundaria em mal.
Dá graças pelo que recebestes;
pelo que ainda sobrou não te entristeças.
Aquilo que recebestes é tua partilha;
o que sobrou é tua herança.
Não te esforces por beber em um só trago
aquilo que não pode ser tomado de uma só vez,
nem desistas de tomá-lo aos poucos”.

Paz e fogo, e que o texto seja um auxílio na leitura da Bíblia para todos.
Deus abençoe.

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