sábado, 9 de abril de 2016

Sua relação com Deus caiu na rotina?

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“Estou enferrujado – dizia-me um amigo –, faz tempo que não jogo bola.”
Esta ferrugem não preocupa. Provavelmente bastará treinar um pouco e fazer “academia”. Preocupante é a ferrugem do coração.
Há muitas pessoas que, depois de um tempo de convivência – especialmente os casais – sentem que o amor, o interesse e os sonhos se desgastaram e até se apagaram. A monotonia dos dias, das reações, das conversas, das tarefas, dos problemas…,  cansou. “Isso cansa! Sempre a mesma coisa!”
O entusiasmo ou a amor perderam a graça. Foram atacados pelo tédio: “Tudo isso não me diz nada, assim não dá para aguentar!”.
Mas, será que essa rotina que enferruja é causada realmente pela repetição dos mesmos hábitos, das mesmas coisas? Na realidade, não.  Uma prova disso são os casais que envelhecem numa aparente mesmice sem perder o brilho dos olhos, sentindo-se mais e mais necessitados um do outro e descobrindo uma nova ternura em plena velhice.
O mal não está nas coisas, nem nas outras pessoas, nem na repetição das ações e das tarefas… Na vida cotidiana não podemos evitar as repetições, mas podemos evitar a inércia. O mal está no nosso coração, que cochilou e nos deixou presos a hábitos egoístas,  cegos para a eterna novidade das coisas mínimas vividas por amor.
Um amor que cada dia se renova
Quase no fim de uma vida longa, após muitos anos de entrega plena a Deus e aos outros, São Josemaria afirmava com simplicidade: «Sinto-me como um criança que balbucia…, e o meu Amor é um amor que todos os dias se renova»[1].
Não ama quem se deixa arrastar pelo fluxo mecânico dos dias, mas quem cria em cada dia um sonho novo e age com espírito novo.
Como conseguir isso?
a) Em primeiro lugar: Tendo um ideal de vida, pelo qual valha a pena lutar e sofrer.
Um coração sem ideal fica gasto, envelhecido. Imagine um professor num bom laboratório. Se ele se limita a repetir rotineiramente as mesmas experiências didáticas, com ar entediado e sem mais aspiração que a de receber os vencimentos no fim do mês, logo se afogará na rotina.
Pelo contrário, se é um idealista empenhado na pesquisa; se procura a criatividade didática; se não desiste de continuar a procurar apesar das muitas tentativas falhas; se até mesmo dormindo sonha em novas soluções…, esse terá, em todas as suas tarefas, a chama da alegria e contagiaria o entusiasmo aos seus colaboradores.
Pense que se poderiam descrever esses mesmos dois quadros aplicando-os ao relacionamento familiar, ao trabalho cotidiano, à amizade… . Se não tivermos no coração um ideal que empolga, ficaremos cobertos da ferrugem do tédio e do mau humor.
b) Em segundo lugar: O ideal, para ser consistente, tem que ter uma motivação consistente. Agir por ideais efêmeros, baseados no entusiasmo ou na empolgação do momento, isso não tem consistência nenhuma.
Para um cristão, o ideal consistente chama-se vocação: saber que todos recebemos uma chamada de Deus para realizar uma tarefa única – a nossa – no mundo; por outras palavras, que temos umavocação e uma missão a cumprir. A nossa realização consistirá em cumprir essa missão (na família, na profissão, na sociedade), fazendo dela um caminho ascendente de amor a Deus e ao próximo.
Quando existe esse sentido vocacional da vida, tudo muda, assim como o sol transforma as sombras noturnas em paisagem colorida.
Guiado pela fé e o amor, o coração cristão aprende então a descobrir, em cada pequeno dever, em cada um dos empenhos necessários para o bom convívio familiar e a realização das tarefas cotidianas, uma oportunidade – renovada em cada dia – de se dar mais, de servir melhor, de alcançar um novo grau de perfeição, de expressar uma generosidade mais alegre… E isso porque aprendeu a captar, nos pequenos pormenores do dia-a-dia, o convite de Deus. Aquelas mesmas realidades cansativas que a rotina faz murchar, o ideal cristão revigora com viço inesgotável. Quem ama, ensina São João, é trasladado da morte para a vida (1 Jn 3, 14)[2].
Deus, se vivemos com Ele, dá-nos «o dom de iluminar o trivial com resplendores eternos», como Ronald Knox dizia de Chesterton, e entendemos o programa sugerido por  São Josemaria: «Nos detalhes monótonos de cada dia, tens que descobrir o segredo – para tantos escondido – da grandeza e da novidade: o Amor» (Sulco, n. 489).
As “novidades” e as “surpresas”
Lembra-se da parábola do trigo e o joio? Enquanto os homens – os trabalhadores do campo – dormiam, veio o inimigo e semeou joio no meio do trigo (Mt 13,25). Quando o nosso coração dorme, o joio, a erva daninha (no caso, a rotina desgastante) estraga tudo.
Jesus não se cansa de pedir-nos que estejamos acordados e vigilantes: Vigiai em todo tempo e orai  (Lc 21,36). Vigiai e orai (Mc 14,38). Inspirado por essa contínua exortação, São Paulo convida-nos: Já é hora de despertardes do sono! (Rm 13,11), de viverdes uma vida cristã consciente e vigilante.
Hora de acordar! Como seria bom que – entre outras iniciativas espirituais – nos propuséssemos pelo menos estas duas coisas:
a) Cada noite, juntamente com as minhas orações e o breve exame de consciência, vou perguntar-me: “Quantas coisas fiz hoje mecanicamente, como um robô ou uma fotocopiadora? Que pormenores “novos” (de carinho, de capricho nas palavras e ações, de ajuda, de delicadeza e compreensão…) plantei, como sementes de amor, neste dia?”
b) Cada manhã, após as minhas breves orações e o oferecimento do dia a Deus, vou perguntar-me: – “Que novidade (de oração, de presença de Deus, de visita ao Sacrário, de devoção sincera…) vou oferecer a Deus no dia de hoje?” – “E que surpresa agradável estou preparando para dar hoje a essa, àquela, àquela outra pessoa, que, acostumada com meu jeitão habitual, não está nem imaginando o novo pormenor de atenção ou de carinho que lhe vou oferecer?”
Vigiar, orar e renovar. Esse é o caminho para que o nosso coração vá se parecendo cada vez mais com o coração do Senhor, que diz:Eis que faço novas todas as coisas (Ap 21,5).


[1] Beato Álvaro del Portillo, Instrumento de Deus, Quadrante 1992, pp. 18 e 21
[2] Cf. A preguiça, Ed. Quadrante, 2ª ed., São Paulo  2003, p. 43

(via Padre Faus)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Cristão seja homem do 'sim' a Deus, diz papa



A história da humanidade foi feita de uma 'corrente' de 'sim' a Deus, à esperança do Senhor.

Após as celebrações pascais, o papa Francisco retomou nesta segunda-feira (4), as missas matutinas na Casa Santa Marta. O pontífice dedicou sua homilia à hodierna solenidade da Anunciação do Senhor, celebrada no Vaticano. Aliás, disse ele, a história da humanidade foi feita de uma “corrente” de “sim” a Deus, à esperança do Senhor, a partir de Abraão e Moisés.
Abraão obedece ao Senhor, aceita o seu chamado e parte de sua terra sem saber onde chegaria. Isaías, quando o Senhor lhe pede que fale a seu povo, responde que tem os “lábios impuros”. Então o Senhor purifica os seus lábios e Isaías diz "sim!". O mesmo vale para Jeremias, que se considerava incapaz de falar, mas depois diz “sim" ao Senhor:
“E hoje, o Evangelho nos fala do final desta corrente de sim, e do início de outro “sim”, que começa a crescer: o ‘sim’ de Maria. E este ‘sim’ faz com que Deus não somente olhe para o homem, não somente caminhe com o seu povo, mas que se faça um de nós e tome a nossa carne. O ‘sim’ de Maria que abre a porta ao sim de Jesus: ‘Eu venho para fazer a Tua vontade’, este ‘sim’ que acompanha Jesus toda a vida, até à Cruz”. 
Francisco se detém no sim de Jesus que pede ao Pai para afastar dele o cálice, mas acrescenta: “Seja feita a tua vontade”.  Em Jesus Cristo “está o sim de Deus: Ele é o sim”.
“Este é um dia bonito para agradecer ao Senhor por nos ter ensinado este caminho do sim, mas também para pensar em nossa vida”, disse o Pontífice. Um pensamento que o Papa dirige em particular a alguns sacerdotes presentes, que celebram 50 anos de ordenação. 

Festa do 'sim'

“Todos nós, todos os dias, devemos dizer sim ou não e pensar se sempre dizemos sim ou se muitas vezes nos escondemos, com a cabeça baixa, como Adão e Eva, para não dizer não, mas fazer como aquele que não entende, que não entende o que Deus pede. Hoje, é a festa do sim. No sim de Maria se encontra o sim de toda a História da Salvação e começa ali o último sim do homem e de Deus.” 
Ali, acrescentou o Papa, “Deus recria, como no início que com um sim fez o mundo e o homem, aquela Criação bonita” e agora com este sim “maravilhoso recria o mundo, recria todos nós. É o sim de Deus que nos santifica, que nos faz ir adiante em Jesus Cristo”: 

“É um dia para agradecer ao Senhor e nos perguntar: Sou homem ou mulher do sim, ou sou homem ou mulher do não, ou sou homem ou mulher que olha para o outro lado para não responder? Que o Senhor nos dê a graça de entrar neste caminho de homens e mulheres que souberam dizer sim.” (BF/MJ)

http://domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=1011200

domingo, 3 de abril de 2016

O sentido da Festa da Divina Misericórdia

Compreenda como surgiu a Festa da Divina Misericórdia seu significado e sentido na vida cristã

No segundo Domingo da Páscoa, a Igreja celebra a Festa da Divina Misericórdia. São João Paulo II soube valorizar a experiência mística de Santa Faustina Kowalska. Aliás, a Igreja tem sempre a graça de contar com pessoas que se deixam raptar pela grandeza do amor de Deus, para anunciá-lo aos outros. Continua muito válido recorrer aos místicos, cuja percepção dos mistérios vai além dos pobres raciocínios humanos.
1600 x 1200 - O sentido da Festa da Divina Misericórdia
Escreve Santa Faustina: “Ó meu Jesus, vós sabeis que desde os meus mais tenros anos eu desejava tornar-me uma grande santa, isto é, desejava amar-vos com um amor tão grande com que até então nenhuma alma vos tinha amado” (Diário1372). Sabemos que o Senhor a escolheu para uma missão especial. Depois de passar pela “noite escura” das provações físicas, morais e espirituais, a partir de fevereiro de 1931, em Plock, o próprio Senhor Jesus Cristo começa a se manifestar à Irmã Faustina de um modo particular, revelando de um modo extraordinário a centralidade do mistério da misericórdia divina para o mundo e a história, presente em todo o agir divino, particularmente na Cruz Redentora de Cristo, e novas formas de culto e apostolado em prol desta sua divina misericórdia. Descreve esta primeira visão: “Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. Logo depois, Jesus me disse: Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em vós” (Diário 47). Ao longo do Diário descobrimos que Jesus a escolhe como secretária, apóstola, testemunha e dispensadora da divina misericórdia.

O crescimento da devoção

São inúmeros os lugares do mundo que celebram nestes dias a Novena da Divina Misericórdia e se multiplicam, por toda parte, Movimentos e Grupos que contribuem na divulgação da Espiritualidade da Divina Misericórdia, todos crescentes em participação e profundidade, com frutos de intenso apostolado e serviços de caridade que expressam os frutos de uma espiritualidade autêntica. E se espalha por toda parte a oração do Terço da Divina Misericórdia: Ele foi ensinado durante uma visão que Irmã Faustina teve em 13 de setembro de 1935: “Eu vi um anjo, o executor da cólera de Deus, a ponto de atingir a terra. Eu comecei a implorar intensamente a Deus pelo mundo, com palavras que ouvia interiormente. À medida que assim rezava, vi que o anjo ficava desamparado, e não mais podia executar a justa punição”. No dia seguinte, uma voz interior lhe ensinou essa oração nas contas do rosário. Nas contas do Pai-Nosso, reza-se: Eterno Pai, eu vos ofereço o Corpo e Sangue, a Alma e Divindade de vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro. Nas contas das Ave-Marias, reza-se: Pela sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro (10 vezes). Ao fim do terço, reza-se: Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro. Oração de uma simplicidade impressionante, e cujos frutos mais ainda tornam estupefatas as pessoas!
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Os efeitos da oração

Outra revelação assim indicava: “Pela recitação desse terço, agrada-me dar tudo que me pedem. Quando o recitarem os pecadores empedernidos, encherei suas almas de paz, e a hora da morte deles será feliz. Escreve isso para as almas atribuladas: Quando a alma vê e reconhece a gravidade dos seus pecados, quando se desvenda diante dos seus olhos todo o abismo da miséria em que mergulhou, que não se desespere, mas se lance com confiança nos braços da minha misericórdia, como uma criança nos braços da mãe querida. Essas almas têm sobre meu coração misericordioso um direito de precedência. Dize que nenhuma alma que tenha recorrido à minha misericórdia se decepcionou nem experimentou vexame. Quando rezarem esse terço junto aos agonizantes, eu me colocarei entre o Pai e a alma agonizante, não como justo Juiz, mas como Salvador misericordioso”.

O significado e sentido da misericórdia

De fato, a misericórdia é uma magnífica manifestação do amor do Senhor; é “filha predileta do amor e irmã da sabedoria, nasce e vive entre o perdão e a ternura” (Ignacio Larañaga). Só o amor poderia criá-la, e nasce de bondade que liga Deus aos seres humanos, prescindindo da situação moral e social da humanidade, pois ela é gratuita na iniciativa do amor. A palavra “misericórdia” tem origem em dois termos latinos: “Miserere” e “cor”. O primeiro lembra piedade, compaixão implorada por quem se encontra numa grande tribulação. É difícil permanecer duros e insensíveis diante de quem grita com lágrimas e suspiros! “Cor” remete a “coração”, que na compreensão cristã diz respeito ao centro da vida espiritual, sede dos sentimentos de alegria, dor, amor, serenidade. É aqui, no sentido amplo de coração, que fazemos a avaliação das escolhas decisivas da vida. E o coração aponta também para o núcleo último do ser humano e sua personalidade inteira, sua vida interior e seu temperamento. Coração dado, apaixonado pela miséria, eis a Misericórdia.
Na língua hebraica, a raiz verbal raham indica em primeiro lugar o ventre materno, a parte mais tenra e delicada, na qual cada mãe celebra e vive o mistério da vida. A mãe convive e sente com o ser que traz no ventre. É neste ambiente cheio de ternura que a criança vive antes de vir à luz. De raham chegamos a rahamim, o sentimento de misericórdia com que o amor se manifesta concretamente. Quem ama de verdade deseja tornar este amor visível sobretudo quando a pessoa amada se encontra em grande dificuldade. Assim entendemos como o salmista, doente e oprimido pelo pecado, recorre com confiança à misericórdia de Deus: “Senhor, não me recuses tua misericórdia; tua fidelidade e tua graça me protejam sempre, pois me rodeiam males sem número, minhas culpas me oprimem e não posso mais ver. São mais que os cabelos da minha cabeça; meu coração desfalece” (Sl 39, 12-13; Cf. Sl 76, 10; Sl 78, 8; Sl 118, 77; SL 144,9).

Onde se manifesta a misericórdia de Deus

É justamente esta profunda e visceral misericórdia que Deus quer oferecer a todos, sem excluir ninguém. E sua misericórdia se manifesta justamente naquele que mostra as chagas da crucifixão, abre os braços, sopra o dom do Espírito Santo e dá a missão do perdão e da reconciliação à sua Igreja: “A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (Jo 20, 23). Por isso damos graças na Festa da Divina Misericórdia: “Quero lembrar os benefícios do Senhor, celebrar os louvores do Senhor, por tudo o que fez em nosso favor, pela grande bondade com a casa de Israel, quando a beneficiou em sua ternura, em sua imensa misericórdia” (Is 63, 7).

Dom Alberto Taveira Corrêa

Dom Alberto Taveira foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Na Arquidiocese de Belo Horizonte foi ainda vigário Episcopal para a Pastoral e Professor de Liturgia na PUC-MG. Em Brasília, assumiu a coordenação do Vicariato Sul da Arquidiocese, além das diversas atividades de Bispo Auxiliar, entre outras. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.
http://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/o-sentido-da-festa-da-divina-misericordia/

Espelho dos Mártires I - Mártires Cristão

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Eu sou luz ou sombra?

A luz entra pelos olhos. O que os olhos enxergam em plena claridade fala por si, não precisa de palavras nem, muito menos, de “palavreado” para se explicar. Assim é o bom exemplo.

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Vós sois a luz do mundo […]. Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus (Mt 5, 14.16).
A luz entra pelos olhos. O que os olhos enxergam em plena claridade fala por si, não precisa de palavras nem, muito menos, de “palavreado” para se explicar.
Assim é o bom exemplo, e assim o apreciaram sempre os grandes homens, sobretudo os santos. Já Santo Inácio de Antioquia, o bispo mártir do século II, enquanto era conduzido a Roma para sofrer martírio, escrevia aos Efésios: «É melhor calar-se e ser do que falar e não ser. É maravilhoso ensinar, quando se faz o que se diz […]. Aquele que compreende verdadeiramente a palavra de Jesus pode entender o seu silêncio [ou seja, o que “diz”, sem palavras, o seu exemplo];  e então será perfeito, porque atuará de acordo com a sua palavra, e se manifestará também mediante o seu silêncio [ou seja, mediante o que faz sem falar]»[1].
O doce Santo Antônio de Pádua adotava um tom santamente irado quando falava do exemplo: «É viva a palavra quando são as ações que falam. Cessem, peço, os discursos, falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras» [2]. Hoje, a pedagogia insiste cada vez mais no valor insubstituível da chamada educação invisível[3]; da força exemplar das convicções e das atitudes que as encarnam:
A imagem da luz é simples. A boa luz permite enxergar bem, sem confusões; mostra perigos que a sombra ocultaria; ilumina referenciais da paisagem e dos caminhos que a noite encobriria; a luz também aquece, estimula a vitalidade e favorece a alegria. Poderíamos dizer que os que irradiam a claridade do bom exemplo têm todas essas características da luz.
Eu sou luz ou sombra? 
Tendo isso em mente, tentemos fazer o nosso exame de consciência, partindo de uma pergunta desafiadora. Eu sou luz ou sombra? Você quer enfrentá-la com coragem? Pois, então, veja, só para exemplificar, alguns flashes esclarecedores, que lhe podem da a resposta.
–  Se eu sou uma pessoa sincera, constante, organizada, leal à palavra dada e fiel aos compromissos, sou luz. Os outros – filhos alunos, etc. – , junto de mim, veem claro o que é certo e sentem-se incentivados a imitá-lo.
–  Mas se sou pessoa mentirosa, inconstante, desordenada e volúvel, sou sombra. Os que dependem de mim ficam confusos, inseguros, não conseguem avaliar o alcance das minhas palavras, das minhas atitudes, das minhas promessas; em suma, não podem contar comigo como um farol orientador nem como um apoio.
–  Se eu sou pessoa com ideais nobres e definidos na vida, pessoa que tem valores positivos – ânsias de bondade e de bem – , que vibra com eles, que procura praticá-los; se sou pessoa cheia de fé e de esperança e posso dizer, como Jesus, eu sei de onde venho e para onde vou, então eu sou luz, mais ainda, sou reflexo da Luz com maiúscula, sou sinalização divina, foco cristão que orientará outras vidas.
–  Mas se sou pessoa cética, agnóstica, cheia de incertezas e de pessimismo, convencida de que neste mundo nada há de bom, tudo é interesseiro, os valores são imaginários e os ideais tolices; se me julgo realista porque capitulo perante os interesses egoístas da terra e sou incapaz de ver, além deles, outra finalidade para a vida, então sou uma sombra mais daninha que uma cascavel oculta no armário, e as primeiras vítimas podem ser os que mais amo.
–  Se eu sou um lutador que detesta o conformismo e a acomodação, se tenho um coração que sempre quer puxar a vida para patamares mais elevados e perfeitos – para aspirações nobres, para virtudes, para maiores quilates de amor e amizade –  ; se eu detesto a mediocridade, se vibro com ânsias de justiça, se arquiteto sonhos realistas para tornar o mundo mais fraterno e belo e os demais mais felizes, então, com certeza, sou luz.
–  Se, porém, cochilo na rede da canseira moral e do desencanto; se resmungo mais do que animo, se tenho alma, coração, atitudes, palavras e gestos desbotados pela frustração; se faço troça dos “sonhadores”, se tenho pena dos que “ainda” acreditam no amor, na verdade, na justiça e no bem, então eu sou, com certeza, uma treva miserável.
–  Se eu vejo, antes de mais nada, o lado positivo das coisas; se os meus comentários, em casa e fora de casa, sem serem ingênuos, são sempre estimulantes; se sou conhecido como aquela pessoa que sempre acolhe, que sempre está disposta a ajudar, que sempre anima, que sempre sorri, que alegra qualquer ambiente, então eu sou uma luz que concentra as sete cores da alegria.
–  Mas se pertenço ao rol daqueles que, mal aparecem em casa, ou se sentam à mesa, ou entram na sala de aula, iniciam uma nova era glacial, apagam o sorriso dos outros (“fechou o tempo” – dizem deles); se a minha característica é a irritação, a impaciência e o mau humor; se reclamo de tudo e de todos; se acho tudo ruim; se não agradeço nada; se tenho pena de mim mesmo e ando com complexo de vítima, então, meu amigo, então eu sou uma sombra pior que as que o Dante pinta no Inferno.


Adaptação de um trecho do livro de F. Faus: A força do exemplo

Ato de consagração ao Espírito Santo


Quero, Senhor, ser como árvore para abrigar todos à sombra do meu amor e da minha bondade. Quero me assemelhar a ti, para que meus gestos de amor sejam sempre flores que alegram e para que minha fé produza frutos que alimentam, e seja sempre uma seiva que faz crescer em mim a árvore do bem.  
(Frei Anselmo Fracasso OFM)

terça-feira, 29 de março de 2016

Oração de quem se sente pequeno diante de Deus

Permita que Deus guie sua vida

A child jumping into the arms of his father - pt

Pai, quero ser uma criança aos teus olhos,
abandonar-me sem medo em tuas mãos,
sabendo que Tu conduzes minha vida.
Sou pequeno e frágil.
Erro e caio mil vezes, mas Tu me amas assim,
do jeito que sou, e me dás teu sorriso,
cuidas de mim, me proteges.

A cada dia me surpreendes
com presentes que nem percebo.
Confio em Ti e sei que me sustentas.
Por que me preocupo,
se Tu te encarregas de tudo?
Pai, te entrego as rédeas da minha vida,
conduze-me pelos teus caminhos.

Ensina-me a perdoar,
como Tu sempre fazes comigo.
E quando eu pecar,
aproxima-te de mim,
perdoa-me,
levanta-me.
Amém.


http://pt.aleteia.org/2016/03/17/oracao-de-quem-se-sente-pequeno-diante-de-deus/