sábado, 16 de abril de 2016

Deixemo-nos guiar pela graça do Espírito Santo

A Igreja vivia em paz em toda a Judeia, Galileia e Samaria. Ela consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo” (At 2,31).
Estamos acompanhando como a Igreja do Senhor está se expandindo, a Igreja Apostólica, Primitiva, que nasce do lado aberto de Jesus e é dirigida, guiada e iluminada pelo Espírito Santo de Deus.
A forma com que a Igreja se consolida, vai até os confins da Terra, porque, em primeiro lugar, coloca no temor do Senhor a sua confiança. Uma Igreja temente a Deus não tem medo d’Ele, mas é submissa e referente a Ele. É uma Igreja que se abaixa aos pés do Senhor.
A sabedoria está no temor a Deus! A sabedoria de que precisamos para guardar nossa casa, nossa família, para sermos firmes em nossa fé está no temor ao Senhor!
Corremos um sério risco de caminhar um tempo na fé e cairmos na vaidade e no orgulho. Quantas pessoas, porque já são da Igreja, acham que sabem e podem tudo, quando, na verdade, não somos nada, apenas pobres servidores de Nosso Senhor e Salvador Jesus. Dependemos d’Ele para tudo, porque Ele é a luz, a graça, a porta, o Senhor e Pastor que conduz Sua Igreja.
A Igreja do Senhor se coloca aos pés d’Ele. Homem, mulher, casal, família, filhos: é importante abaixarmos nossa cabeça e nos colocarmos sobre o domínio e senhorio de Nosso Senhor. Porque é no temor do Senhor que vem a inspiração, a força, a luz, a graça e a consolidação de nossa fé.
É no temor do Senhor que nos levantamos quando nos derrubam, que nos erguemos quando não temos mais forças para seguir adiante. É o temor do Senhor que garante a nossa fé. Vamos crescer na fé enquanto Igreja do Senhor. E quem nos ajuda, auxilia-nos, coloca-nos para frente é o Espírito Santo de Deus; ele é a ajuda, a mão necessária para nos conduzir nas estradas dessa vida!
Amados irmãos e irmãs, que possamos ser submissos a Deus e a Sua vontade, que nos deixemos guiar pela graça do Espírito Santo!

Deus abençoe você!

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sexta-feira, 15 de abril de 2016

A IMAGEM DO FERMENTO

O fermento na massa 
O Reino dos céus é comparável ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa (Mat 13, 33).
Esta imagem é importante, sobretudo nos tempos atuais. Lembra-nos que o mundo é uma “massa” quase inteiramente carente da qualidade do bom pão das virtudes cristãs, e do sabor – do sentido − da Verdade divina e da Lei de Deus. Por isso, o exemplo dos cristãos responsáveis (pais, mestres, padres) neste ambiente atual, é decisivo. Para transformar a massa em pão de Deus, o fermento precisa de ter uma força e uma eficácia que sejam capazes de mudá-la: uma força que só Cristo pode dar.
Não podemos deixar de constatar que vivemos, de fato, numa sociedade cada vez mais massificada, em que o ambiente materialista, hedonista e incrédulo que nos cerca  despersonaliza jovens e velhos: massifica as cabeças, impõe os mesmos gostos e vícios; nivela por baixo os costumes, e chega a abafar a fé cristã dos que ainda a conservavam. Basta abrir os olhos para perceber que a “cultura global” robotiza grande parte dos adolescentes e  jovens.
Por isso, se não houver educadores-fermento, cheios da vitalidade da fé cristã, da graça de Deus e das virtudes, muitos adolescentes e jovens vão naufragar, sem se darem conta disso, na forte correnteza do materialismo pagão.
Sob a influência crescente dos impérios midiáticos, do markenting internacional, da propaganda dominada pela ditadura do lucro – de empresas, de interesses econômicos e políticos escusos, do tráficico das drogas e da pornografia… –, a força dessa “correnteza” torna-se global. E vai sendo também cada vez mais forte a ditadura imposta pelas ideologias: laicismo antirreligioso militante, neomarxismo , “ideologia de gênero”, New Age, etc.
Nada mais fácil, nesse clima envolvente, que se identificar− antes de as pessoas terem ter tido tempo de se abrir à verdadeira Luz e à verdadeira Vida − com a  grande “massa” corrompida; nada mais fácil que aceitar, por falta de “anticorpos” positivos (por falta de exemplos e de formação) , os contravalores e os vícios de uma cultura que exclui Deus. Você não se assusta ao constatar a rápida propagação  de vícios como o álcool, as drogas, a dependência doentia dos aparelhos eletrônicos, a pornografia ao alcance da mão, quando mal os filhos estão saindo da infância…? Pense, então, que fugindo do vazio espiritual deixado pelos pais, mestres e guias espirituais que não souberam ser “fermento”, os adolescentes e jovens se jogam na teia de aranha dessas falsas alegrias que os escravizam.
«A pós-modernidade – afirma o pedagogo Víctor García Hoz – é um grande vácuo. A profusão de idéias contraditórias, o relativismo predominante em muitas ideologias e o pragmatismo superficial da sociedade atual, dão razão ao ditado de que o mundo de hoje, especialmente a juventude, sabe o que não quer, mas não sabe o que quer [...]. Os valores que apoiavam a vida humana foram rejeitados e não foram substituídos por outros. O pensamento da pós-modernidade vacila entre a melancolia e o vazio» [1].
Não feche os olhos! É em meio a essa massa desnorteada que se encontram os seus filhos, os seus alunos, os membros do seu rebanho de pastor. Muita boa gente, ao constatar isso, sofre, sofre muito. Mas, o que fazemos? Lutamos, porventura,  cada um de nós para ser o fermento de que precisa urgentemente essa massa manipulada e cada vez mais destruída? Por que os nossos critérios e o nosso comportamento não têm a potência do fermento, capaz de levedar a massa e transformá-la em bom pão?
Pense que é Deus quem lhe dirige, silenciosamente, estas interrogações. O que lhe vai responder?

Adaptação de um trecho do livro de F. Faus: A força do exemplo


[1] Pedagogia visível. Educação invisível. Ed. Nerman, São Paulo 1988, pág. 112

Sobre ir ou não a missa

Vejam que pergunta boa e resposta melhor ainda!

Fernanda - Joinville/SC

Fernanda Pergunta: Olá  Pe. sua benção! Estou com uma dúvida e penso que você poderá me ajudar. É preciso ir todo domingo ou final de semana à missa?
Eu não tenho conseguido ir e minha mãe fala que é errado, porém eu penso que não adianta eu ir todos os finais de semana se não estiver bem para receber o corpo de Jesus. Gostaria de uma resposta, pois isso tem me intrigado muito! Um abraço, que Deus o abençoe.

Pe. Cido Responde: Fernanda, se você entende que ir à missa todos os domingos é uma obrigação, não vá. Se você entende que ir à missa todos os domingos é bobagem, não vá. Se você entende que ir à missa todos o domingos é muito chato, não vá. Se você entende que ir à missa aos domingos é perda de tempo não vá. Se você entende que não ir à missa aos domingos não é pecado, não vá. 
Vá à missa todos os domingos, Fernanda, somente nas circunstâncias abaixo: quando você entender que ir à missa é uma resposta de amor a Deus por todo o amor que você recebe dele constantemente; 
quando você entender que é preciso alimentar a sua fé com a palavra de Deus e com o Pão da vida que é Jesus; quando você entender que você participa de uma grande família e que, quando você não vai seu lugar fica vazio na mesa; quando você entender que não basta ter fé, mas sim que é preciso viver a sua fé;
quando você entender que o domingo é dia de curtir a família, os amigos, a vida, mas também é dia de curtir o Deus maravilhoso que a ama de todo coração. Sabe, Fernanda, certamente você já deve ter experimentado aquela sensação de que a missa não muda. É tudo igual, tudo repetitivo, etc. Lembre-se, porém, que sua família não muda e você a ama; sua escola é a mesma, e você a frequenta; seus amigos são os mesmos e você não se enjoa deles. Você vai ouvir também, de muita gente, que ir à missa só vale quando a gente tem vontade. Eu também acho. Mas também acho, querida, que devemos educar a nossa vontade para querer coisas boas, que nos fazem crescer, que nos fazem felizes.

Fonte: WhatsApp

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Tudo tem seu tempo

Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

O capítulo terceiro do Livro do Eclesiastes começa por dizer que “há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar”. Mais adiante, o autor afirma: “compreendi que nada de bom existe senão alegrar-se e fazer o bem durante a vida. Pois todo aquele que come e bebe, e vê o fruto do seu trabalho, isso é dom de Deus” (3,12-13).
O mês de janeiro, para muitos brasileiros, é tempo de curtir férias e fazer festa. Tempo de recarregar as baterias para os próximos 11 meses, que costumam ser de mais intenso trabalho. Por isso, não devemos ter escrúpulos em gozar as férias, fazer festa e aproveitar as coisas boas que Deus nos dá. Tudo isto, evidentemente, sem prejudicar a nossa saúde ou colocar em risco a vida das outras pessoas. Nada daquilo que fazemos deverá causar prejuízo ao próximo e nem ao meio ambiente.
Junto com as férias, tem as festas. No início do ano são poucas as pessoas que não fazem festa. Mesmo quem quer ficar afastado sente-se envolvido pelo ribombar dos foguetes e fogos de artifício. Além disso, existem algumas festas que envolvem toda a comunidade.  Lembro as festas dos Santos Reis em Arroio do Meio e Coqueiro Baixo e a Festa de São Paulo Apóstolo, em Ilópolis. Mas lembro, sobretudo, a Festa de São Sebastião Mártir em Venâncio Aires. 
Popularmente conhecida como a “Festa do Bastião”, a Festa de São Sebastião Mártir é a maior festa religiosa que acontece na nossa região. Com os seus 140 anos, penso que também é a festa religiosa mais antiga que temos. 
A programação da festa de São Sebastião começa no mês de outubro, com missa nas 13 quintas-feiras que antecedem ao vinte de janeiro. Depois existe a peregrinação com a imagem do santo padroeiro pelas comunidades da Paróquia e a visita da bandeira de São Sebastião nas casas. Para os dias de festa são centenas de pessoas voluntárias cuidando das celebrações, da alimentação, do parque de diversões e da acolhida ao povo. O auge da festa acontece no dia 20 de janeiro, que é feriado no município, com a missa campal, benção da saúde e procissão pelas ruas centrais da cidade.
Faço votos de que todas as pessoas possam aproveitar bem este tempo de graça que o Senhor nos concede. Que as pessoas que estão em férias consigam descansar e recarregar as energias para o ano em curso. E que o povo de Venâncio Aires e os devotos de São Sebastião Mártir possam se sentir fortalecidos pelo exemplo do mártir São Sebastião que enfrentou o martírio por causa da sua fé. Deus a todos abençoe!

http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17969:tudo-tem-seu-tempo&catid=303&Itemid=204

sábado, 9 de abril de 2016

Papa: santos e mártires de hoje levam a Igreja adiante

“A coerência entre a vida e aquilo que vimos e ouvimos é justamente o início do testemunho"

Pope Francis General Audience April 06, 2016

São os santos da vida ordinária e os mártires de hoje que levam a Igreja adiante com a coerência e o corajoso testemunho de Jesus ressuscitado, graças à obra do Espírito Santo: foi o que disse, em síntese, o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na manhã desta quinta-feira (07/04) na Casa Santa Marta.
A primeira leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, fala da coragem de Pedro que, depois da cura do paralítico, anuncia a Ressurreição de Jesus diante dos chefes do Sinédrio que, furiosos, queriam matá-lo.
Ele foi proibido de pregar em nome de Jesus, mas continuou a proclamar o Evangelho porque – afirma – “é preciso obedecer a Deus e não aos homens”. Este Pedro “corajoso” – disse o Papa Francisco – não tem nada a ver com o “Pedro covarde” da noite da Quinta-feira Santa, “quando, repleto de medo, renega o Senhor três vezes”. Agora, Pedro se tornou forte no testemunho. “O testemunho cristão – observou o Papa – tem o mesmo caminho de Jesus: dar a vida”. Num modo ou no outro, o cristão “coloca a vida em jogo no verdadeiro testemunho”:
Coerência cristã
“A coerência entre a vida e aquilo que vimos e ouvimos é justamente o início do testemunho. Mas o testemunho cristão tem outro aspecto, não é somente de quem o dá: o testemunho cristão, sempre, é feito por duas pessoas. ‘E desses fatos somos testemunhas nós e o Espírito Santo’. Sem o Espírito Santo não há testemunho cristão. Porque o testemunho cristão, a vida cristã é uma graça, é uma graça que o Senhor nos dá com o Espírito Santo”.
“Sem o Espírito”, ressalta o Papa, “não conseguimos ser testemunhas”. A testemunha é aquele que é “coerente com aquilo que diz, com o que faz e com o que recebeu, ou seja, o Espírito Santo”. “Esta é a coragem cristã, este é o testemunho”:
Mártires
“É o testemunho de nossos mártires hoje. Muitos, expulsos de suas terras, deslocados, decapitados e perseguidos, têm a coragem de confessar Jesus até o momento da morte. É o testemunho daqueles cristãos que vivem sua vida seriamente e dizem: ‘Eu não posso fazer isto, eu não posso fazer o mal ao outro; eu não posso trapacear; eu não posso conduzir uma vida pela metade, eu devo dar o meu testemunho’. E o testemunho é dizer o que viu e ouviu na fé, ou seja, Jesus Ressuscitado, com o Espírito Santo que recebeu como dom.”
“Nos momentos difíceis da história”, sublinha o Papa, se ouve dizer que “a pátria precisa de heróis. Isso é verdade. É justo”. Mas do que a Igreja precisa hoje? De testemunhas, de mártires”:
“São as testemunhas, ou seja, os santos, os santos de todos os dias, os da vida cotidiana, mas com coerência, e também as testemunhas até o fim, até a morte. Estes são o sangue vivo da Igreja; estes são aqueles que levam a Igreja adiante, as testemunhas; aqueles que atestam que Jesus ressuscitou, que Jesus está vivo, e o testemunham com a coerência de vida e com o Espírito Santo que receberam como dom.”

http://pt.aleteia.org/2016/04/07/papa-santos-e-martires-de-hoje-levam-a-igreja-adiante/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Apr%2008,%202016%2008:00%20am

Sua relação com Deus caiu na rotina?

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“Estou enferrujado – dizia-me um amigo –, faz tempo que não jogo bola.”
Esta ferrugem não preocupa. Provavelmente bastará treinar um pouco e fazer “academia”. Preocupante é a ferrugem do coração.
Há muitas pessoas que, depois de um tempo de convivência – especialmente os casais – sentem que o amor, o interesse e os sonhos se desgastaram e até se apagaram. A monotonia dos dias, das reações, das conversas, das tarefas, dos problemas…,  cansou. “Isso cansa! Sempre a mesma coisa!”
O entusiasmo ou a amor perderam a graça. Foram atacados pelo tédio: “Tudo isso não me diz nada, assim não dá para aguentar!”.
Mas, será que essa rotina que enferruja é causada realmente pela repetição dos mesmos hábitos, das mesmas coisas? Na realidade, não.  Uma prova disso são os casais que envelhecem numa aparente mesmice sem perder o brilho dos olhos, sentindo-se mais e mais necessitados um do outro e descobrindo uma nova ternura em plena velhice.
O mal não está nas coisas, nem nas outras pessoas, nem na repetição das ações e das tarefas… Na vida cotidiana não podemos evitar as repetições, mas podemos evitar a inércia. O mal está no nosso coração, que cochilou e nos deixou presos a hábitos egoístas,  cegos para a eterna novidade das coisas mínimas vividas por amor.
Um amor que cada dia se renova
Quase no fim de uma vida longa, após muitos anos de entrega plena a Deus e aos outros, São Josemaria afirmava com simplicidade: «Sinto-me como um criança que balbucia…, e o meu Amor é um amor que todos os dias se renova»[1].
Não ama quem se deixa arrastar pelo fluxo mecânico dos dias, mas quem cria em cada dia um sonho novo e age com espírito novo.
Como conseguir isso?
a) Em primeiro lugar: Tendo um ideal de vida, pelo qual valha a pena lutar e sofrer.
Um coração sem ideal fica gasto, envelhecido. Imagine um professor num bom laboratório. Se ele se limita a repetir rotineiramente as mesmas experiências didáticas, com ar entediado e sem mais aspiração que a de receber os vencimentos no fim do mês, logo se afogará na rotina.
Pelo contrário, se é um idealista empenhado na pesquisa; se procura a criatividade didática; se não desiste de continuar a procurar apesar das muitas tentativas falhas; se até mesmo dormindo sonha em novas soluções…, esse terá, em todas as suas tarefas, a chama da alegria e contagiaria o entusiasmo aos seus colaboradores.
Pense que se poderiam descrever esses mesmos dois quadros aplicando-os ao relacionamento familiar, ao trabalho cotidiano, à amizade… . Se não tivermos no coração um ideal que empolga, ficaremos cobertos da ferrugem do tédio e do mau humor.
b) Em segundo lugar: O ideal, para ser consistente, tem que ter uma motivação consistente. Agir por ideais efêmeros, baseados no entusiasmo ou na empolgação do momento, isso não tem consistência nenhuma.
Para um cristão, o ideal consistente chama-se vocação: saber que todos recebemos uma chamada de Deus para realizar uma tarefa única – a nossa – no mundo; por outras palavras, que temos umavocação e uma missão a cumprir. A nossa realização consistirá em cumprir essa missão (na família, na profissão, na sociedade), fazendo dela um caminho ascendente de amor a Deus e ao próximo.
Quando existe esse sentido vocacional da vida, tudo muda, assim como o sol transforma as sombras noturnas em paisagem colorida.
Guiado pela fé e o amor, o coração cristão aprende então a descobrir, em cada pequeno dever, em cada um dos empenhos necessários para o bom convívio familiar e a realização das tarefas cotidianas, uma oportunidade – renovada em cada dia – de se dar mais, de servir melhor, de alcançar um novo grau de perfeição, de expressar uma generosidade mais alegre… E isso porque aprendeu a captar, nos pequenos pormenores do dia-a-dia, o convite de Deus. Aquelas mesmas realidades cansativas que a rotina faz murchar, o ideal cristão revigora com viço inesgotável. Quem ama, ensina São João, é trasladado da morte para a vida (1 Jn 3, 14)[2].
Deus, se vivemos com Ele, dá-nos «o dom de iluminar o trivial com resplendores eternos», como Ronald Knox dizia de Chesterton, e entendemos o programa sugerido por  São Josemaria: «Nos detalhes monótonos de cada dia, tens que descobrir o segredo – para tantos escondido – da grandeza e da novidade: o Amor» (Sulco, n. 489).
As “novidades” e as “surpresas”
Lembra-se da parábola do trigo e o joio? Enquanto os homens – os trabalhadores do campo – dormiam, veio o inimigo e semeou joio no meio do trigo (Mt 13,25). Quando o nosso coração dorme, o joio, a erva daninha (no caso, a rotina desgastante) estraga tudo.
Jesus não se cansa de pedir-nos que estejamos acordados e vigilantes: Vigiai em todo tempo e orai  (Lc 21,36). Vigiai e orai (Mc 14,38). Inspirado por essa contínua exortação, São Paulo convida-nos: Já é hora de despertardes do sono! (Rm 13,11), de viverdes uma vida cristã consciente e vigilante.
Hora de acordar! Como seria bom que – entre outras iniciativas espirituais – nos propuséssemos pelo menos estas duas coisas:
a) Cada noite, juntamente com as minhas orações e o breve exame de consciência, vou perguntar-me: “Quantas coisas fiz hoje mecanicamente, como um robô ou uma fotocopiadora? Que pormenores “novos” (de carinho, de capricho nas palavras e ações, de ajuda, de delicadeza e compreensão…) plantei, como sementes de amor, neste dia?”
b) Cada manhã, após as minhas breves orações e o oferecimento do dia a Deus, vou perguntar-me: – “Que novidade (de oração, de presença de Deus, de visita ao Sacrário, de devoção sincera…) vou oferecer a Deus no dia de hoje?” – “E que surpresa agradável estou preparando para dar hoje a essa, àquela, àquela outra pessoa, que, acostumada com meu jeitão habitual, não está nem imaginando o novo pormenor de atenção ou de carinho que lhe vou oferecer?”
Vigiar, orar e renovar. Esse é o caminho para que o nosso coração vá se parecendo cada vez mais com o coração do Senhor, que diz:Eis que faço novas todas as coisas (Ap 21,5).


[1] Beato Álvaro del Portillo, Instrumento de Deus, Quadrante 1992, pp. 18 e 21
[2] Cf. A preguiça, Ed. Quadrante, 2ª ed., São Paulo  2003, p. 43

(via Padre Faus)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Cristão seja homem do 'sim' a Deus, diz papa



A história da humanidade foi feita de uma 'corrente' de 'sim' a Deus, à esperança do Senhor.

Após as celebrações pascais, o papa Francisco retomou nesta segunda-feira (4), as missas matutinas na Casa Santa Marta. O pontífice dedicou sua homilia à hodierna solenidade da Anunciação do Senhor, celebrada no Vaticano. Aliás, disse ele, a história da humanidade foi feita de uma “corrente” de “sim” a Deus, à esperança do Senhor, a partir de Abraão e Moisés.
Abraão obedece ao Senhor, aceita o seu chamado e parte de sua terra sem saber onde chegaria. Isaías, quando o Senhor lhe pede que fale a seu povo, responde que tem os “lábios impuros”. Então o Senhor purifica os seus lábios e Isaías diz "sim!". O mesmo vale para Jeremias, que se considerava incapaz de falar, mas depois diz “sim" ao Senhor:
“E hoje, o Evangelho nos fala do final desta corrente de sim, e do início de outro “sim”, que começa a crescer: o ‘sim’ de Maria. E este ‘sim’ faz com que Deus não somente olhe para o homem, não somente caminhe com o seu povo, mas que se faça um de nós e tome a nossa carne. O ‘sim’ de Maria que abre a porta ao sim de Jesus: ‘Eu venho para fazer a Tua vontade’, este ‘sim’ que acompanha Jesus toda a vida, até à Cruz”. 
Francisco se detém no sim de Jesus que pede ao Pai para afastar dele o cálice, mas acrescenta: “Seja feita a tua vontade”.  Em Jesus Cristo “está o sim de Deus: Ele é o sim”.
“Este é um dia bonito para agradecer ao Senhor por nos ter ensinado este caminho do sim, mas também para pensar em nossa vida”, disse o Pontífice. Um pensamento que o Papa dirige em particular a alguns sacerdotes presentes, que celebram 50 anos de ordenação. 

Festa do 'sim'

“Todos nós, todos os dias, devemos dizer sim ou não e pensar se sempre dizemos sim ou se muitas vezes nos escondemos, com a cabeça baixa, como Adão e Eva, para não dizer não, mas fazer como aquele que não entende, que não entende o que Deus pede. Hoje, é a festa do sim. No sim de Maria se encontra o sim de toda a História da Salvação e começa ali o último sim do homem e de Deus.” 
Ali, acrescentou o Papa, “Deus recria, como no início que com um sim fez o mundo e o homem, aquela Criação bonita” e agora com este sim “maravilhoso recria o mundo, recria todos nós. É o sim de Deus que nos santifica, que nos faz ir adiante em Jesus Cristo”: 

“É um dia para agradecer ao Senhor e nos perguntar: Sou homem ou mulher do sim, ou sou homem ou mulher do não, ou sou homem ou mulher que olha para o outro lado para não responder? Que o Senhor nos dê a graça de entrar neste caminho de homens e mulheres que souberam dizer sim.” (BF/MJ)

http://domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=1011200