sábado, 21 de maio de 2016

Mark Twain, devoto de Joana d’Arc


Um livro praticamente esquecido do autor americano é uma biografia da santa francesa

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É pouco conhecido que Mark Twain escreveu uma biografia de Joana d’Arc. Menos conhecido ainda é o fato de que o autor inclusive visitou o Arquivo Nacional da França e leu as transcrições do julgamento que levou a santa ao martírio, o mesmo das investigações que, vinte e cinco anos depois, limparam seu nome.

Como aponta o artigo de Stephen K. Ryan para Patheos, depois de doze anos de estudos e escrita, Twain finalmente terminou o livro. O autor teria dedicado dez anos para investigar e dois para escrever “Joana d’Arc”, do qual disse que era o seu melhor trabalho: “Eu gosto de ‘Joana d’Arc’ mais do que todos os meus outros livros; e é o melhor deles; sei perfeitamente. E também, me deu sete vezes mais prazer que qualquer outro; dez anos de preparação e dois para escrever. Os outros não precisaram de preparação, e não tiveram nenhuma”.
A – realmente ilimitada – admiração de Twain pela santa foi porque ele a viu como uma pessoa “pura, na mente e no coração, na palavra, obra e espírito (…) Levando em conta (…) todas as circunstâncias da sua vida – sua origem, juventude, analfabetismo, as condições adversas em meio às quais desenvolveu seus dons e suas conquistas antes que os tribunais a processassem (…), é fácil considerá-la, de longe, a pessoa mais extraordinária que a raça humana já produziu”.

http://pt.aleteia.org/2016/05/17/mark-twain-devoto-de-joana-darc/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-May%2017,%202016%2012:26%20pm

domingo, 15 de maio de 2016

Homilia do Papa Francisco

"Você pode ter defeitos, ser ansioso, e viver alguma vez irritado, mas não esqueça que a sua vida é a maior empresa do mundo. Só você pode impedir que vá em declínio. Muitos lhe apreciam, lhe admiram e o amam. Gostaria que lembrasse que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, uma estrada sem acidentes, trabalho sem cansaço, relações sem decepções. Ser feliz é achar a força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor na discórdia. Ser feliz não é só apreciar o sorriso, mas também refletir sobre a tristeza. Não é só celebrar os sucessos, mas aprender lições dos fracassos. Não é só sentir-se feliz com os aplausos, mas ser feliz no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões, períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista para aqueles que conseguem viajar para dentro de si mesmo. Ser feliz é parar de sentir-se vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas conseguir achar um oásis no fundo da nossa alma. É agradecer a Deus por cada manhã, pelo milagre da vida. Ser feliz, não é ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si. É ter coragem de ouvir um "não". É sentir-se seguro ao receber uma crítica, mesmo que injusta. É beijar os filhos, mimar os pais, viver momentos poéticos com os amigos, mesmo quando nos magoam. Ser feliz é deixar viver a criatura que vive em cada um de nós, livre, alegre e simples. É ter maturidade para poder dizer: "errei". É ter a coragem de dizer:"perdão". É ter a sensibilidade para dizer: "eu preciso de você". É ter a capacidade de dizer: "te amo". Que a tua vida se torne um jardim de oportunidades para ser feliz... Que nas suas primaveras seja amante da alegria. Que nos seus invernos seja amante da sabedoria. E que quando errar, recomece tudo do início. Pois somente assim será apaixonado pela vida. Descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Utilizar as perdas para treinar a paciência. Usar os erros para esculpir a serenidade. Utilizar a dor para lapidar o prazer. Utilizar os obstáculos para abrir janelas de inteligência.  Nunca desista....Nunca renuncie às pessoas que lhes ama. Nunca renuncie à felicidade, pois a vida é um espetáculo incrível".
Papa Francisco



sábado, 14 de maio de 2016

Como e por que estar a sós diante da Eucaristia?


Guia para a adoração ao Santíssimo Sacramento

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Uma das frases mais fortes de Jesus no Evangelho é a pergunta que Ele faz aos apóstolos em Getsêmani, quando os vê dormindo: “Não conseguem velar uma hora comigo?”. Em outras palavras, Jesus quis que eles dedicassem uma hora de reparação para combater a hora do mal.
A oração pessoal durante uma hora diante do Santíssimo Sacramento, estando ou não exposto, consiste basicamente nisso: acompanhar o Senhor em seus últimos momentos com o coração, buscando assimilar o seu amor.
É uma hora para aprender de Jesus, agradecer seu sacrifício e corresponder ao seu amor. Neste sentido, a adoração ao Santíssimo Sacramento é uma prolongação da missa.
Estar na presença do Santíssimo é como sair para tomar sol; assim como o sol é fonte natural da energia que dá vida, da mesma maneira Jesus sacramentado é a fonte sobrenatural de todo amor e graça.
Estar na presença do Senhor gera uma amizade íntima com Ele que nos entusiasma na vida – algo que não se alcança com estudos teológicos, por exemplo. É preciso conhecer mais Jesus Cristo, saber mais sobre Ele; e para isso, o trato pessoal com Jesus é fundamental. Recordemos que o verbo “conhecer”, na linguagem bíblica, significa amar.
Na adoração, Jesus nos convida a nos aproximarmos dele, conversar com Ele, pedir-lhe as coisas de que necessitamos e experimentar a bênção da sua amizade.
Essa hora de adoração pode ser oferecida por várias intenções, especialmente pela conversão dos pecadores.
Não existe um roteiro estabelecido pela Igreja para fazer adoração; cada um pode seguir o seu coração nesse momento. No entanto, vale a pena recordar a necessidade do silêncio interior e do recolhimento para estar na presença de Deus, bem como a importância de fazer um ato de fé e tomar consciência da presença de Deus no início da adoração.
Durante a adoração, há algumas devoções especialmente válidas, como ler o Evangelho e meditar sobre o que se leu; rezar a Via Sacra; recitar os mistérios dolorosos do terço; ler e orar sobre algum texto de espiritualidade, rezar com os salmos etc.
Também é de grande proveito espiritual simplesmente estar na presença do Senhor, fazer-lhe companhia, identificar-se com Jesus, oferecer-lhe a dor pessoal para permitir que seu consolo toque o coração e o encha de paz interior, receber sua inspiração divina para encontrar luz nas dificuldades.
Há três recomendações importantes ao fazer a adoração eucarística:
1. Estar atentos. Não dar espaços para as distrações. Desligar o celular, por exemplo.
2. Recordar: não é uma hora de leitura.
3. Estar alerta. Alternar posições: sentar-se, ajoelhar-se, ficar em pé com respeito. O importante é não ficar em uma situação tão cômoda, a ponto de dormir.
Como já foi dito, não existe um “ritual” a ser seguido na hora da adoração. No entanto, o fiel pode levar em consideração a seguinte sugestão de roteiro, que eu particularmente pratico e quero compartilhar:
1. Fazer o sinal da cruz.
2. Oração de preparação (espontânea ou já existente).
3. Leitura espiritual (de livre escolha) e meditação. Lectio divina.
4. O santo terço e/ou Via Sacra e/ou liturgia das horas.
5. Oração pessoal. Privilegiar este momento.
6. Comunhão eucarística espiritual (por meio de uma oração pessoal ou já existente).
7. Contemplação do Santíssimo.
8. Louvores de desagravo e reparação.
9. Oração final (pessoal ou já existente).
10. Sinal da cruz.

Na oração pessoal (ponto 5), que é o momento central, mais do que falar com o Senhor, é importante criar um momento de silêncio, pois o silêncio é capaz de abrir um espaço interior no mais íntimo de nós que permite a ação de Deus, que faz que sua Palavra permaneça em nós, para que o amor a Ele crie raízes em nossa mente, em nosso coração e seja motivação da nossa vida.
Na adoração eucarística, o mais importante é deixar-se amar e abraçar pelo Senhor em cada momento, isto é, entrar em sua intimidade.

http://pt.aleteia.org/2016/05/09/como-e-por-que-estar-a-sos-diante-da-eucaristia/

Oração para interceder por alguém


E você, já intercedeu por alguém hoje?

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Senhor Jesus,
eu te peço que entres
no coração de (diga o nome da pessoa)
e toques aquelas experiências de vida
que precisam ser curadas.
Tu conheces muito melhor o(a) (diga o nome da pessoa)
que ele(a) próprio(a) conhece a si mesmo.
Derrama, então, o teu amor
em todos os cantos do coração dele(a).
Onde quer que encontres feridas,
toca, consola, liberta.
Se ele(a) se sente só, abandonado(a),
rejeitado(a) pela humanidade,
concede-lhe, mediante teu amor regenerador,
uma nova consciência do seu valor como pessoa.
Jesus, eu entrego o(a) (diga o nome da pessoa)
totalmente a Ti: seu corpo, mente e espírito;
e te agradeço por restaurar a sua integridade.
Obrigado(a), Senhor.
Amém.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

7 práticas para todo homem de Deus alimentar a sua vida de fé

Se os hábitos a seguir ainda não fazem parte da sua vida, comece a pô-los em prática hoje mesmo!

Em uma ousada tática para trazer os homens de volta à Igreja, o bispo da diocese de Phoenix, nos Estados Unidos, escreveu uma exortação apostólica intitulada Into the Breach ("Na Brecha", lit.). A iniciativa surgiu como uma resposta à desafiante crise que enfrentam a masculinidade e a paternidade em nossos tempos — crise que também já foi objeto de reflexão neste site.
Em um trecho dessa carta, o bispo Thomas Olmsted enumera sete importantes práticas que todo homem de Deus deve cultivar para tomar a sua cruz e seguir o seu Senhor. As cinco primeiras são propostasdiariamente; as duas últimas podem ser feitas em um ritmo semanal ou mesmo mensal. O importante é não cruzar os braços, pois "quem não se prepara e não se fortalece para o combate espiritual é incapaz de permanecer 'firme na brecha' por Cristo".
Se os hábitos a seguir ainda não fazem parte da sua vida, comece a pô-los em prática hoje mesmo!

1. Rezar todos os dias

Todo homem católico deve começar o seu dia com oração. Há um ditado que diz: "Até que você se dê conta de que a oração é a coisa mais importante na vida, você nunca terá tempo para rezar". Sem oração, um homem é como um soldado sem comida, sem água e sem munição!
Por isso, reserve algum tempo para falar com Deus como a primeira coisa do seu dia, todas as manhãs. Reze as três orações essenciais da fé católica: o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória.
Reze também em toda refeição. Antes que a comida ou a bebida toque os seus lábios, faça o sinal da cruz, reze a oração do "Abençoai-nos, Senhor" e termine com o sinal da cruz. Faça isso, não importando onde, com quem ou o quanto você esteja comendo. Nunca fique tímido ou com vergonha de rezar durante as refeições. Jamais negue a Cristo a gratidão que Lhe é devida. Rezar como um homem católico antes de cada refeição é uma maneira simples, mas poderosa de manter-se firme na brecha (cf. Ez 22, 30).

2. Fazer um exame de consciência antes de dormir

Reserve alguns minutos para repassar o seu dia, incluindo tanto as graças que você recebeu quanto os pecados que cometeu. Agradeça a Deus pelas bênçãos e peça perdão pelos seus pecados. Depois, faça um ato de contrição.

3. Não deixar de ir à Missa

Ainda que assistir à Missa semanalmente seja um preceito da Igreja, apenas um em cada três homens católicos assistem à Missa todos os domingos. Para um grande número de homens católicos, a sua negligência em assistir à Missa é um pecado grave, um pecado que os coloca em perigo mortal.
A Missa é um refúgio na batalha espiritual, onde os homens católicos encontram o seu Rei, ouvem os Seus comandos e são fortalecidos com o Pão da Vida. Toda Missa é um milagre onde Jesus Cristo está integralmente presente, um milagre que é o ápice não apenas da semana, mas de todas as nossas vidas sobre a terra. Na Missa, um homem agradece a Deus por Suas inúmeras graças e ouve Cristo enviá-lo de volta ao mundo para construir o Reino de Deus. Pais que levam os seus filhos à Missa estão ajudando de uma maneira muito real a assegurar a sua salvação eterna.

4. Ler a Bíblia

Como São Jerônimo mui claramente nos diz: "Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo". Quando lemos a palavra de Deus, Jesus está presente. Homens casados, leiam a Bíblia com suas esposas e com seus filhos. Se os filhos de um homem o vêem lendo as Escrituras, mais eles tendem a permanecer na fé. Meus irmãos em Cristo, isto eu posso assegurar a você: homens que lêem a Bíblia crescem em graça, sabedoria e paz.

5. Guardar o repouso dominical

Desde a criação de Adão e Eva, Deus Pai estabeleceu um ciclo semanal terminando com o repouso sabático. Ele nos deu o "sábado" para assegurar que em um dos sete dias nós Lhe rendêssemos graças, descansássemos e refizéssemos as nossas forças. Nos dez mandamentos, Deus reafirma a importância de guardar o "sábado".
Com o constante bombardeio comercial e barulho dos meios de comunicação hoje em dia, o "sábado" é a trégua de Deus em meio à tempestade. Como homens católicos, vocês devem começar (ou aprofundar) a santificação do "sábado" (que para nós, cristãos, é o dia do Senhor, o Domingo). Se são casados, devem conduzir suas esposas e filhos a fazer o mesmo. Dediquem o dia para o descanso e para uma verdadeira recreação, e evitem todo trabalho desnecessário. Passem o tempo em família, assistam à Missa e aproveitem o presente desse dia.

6. Procurar a Confissão

Bem no início do ministério público de Cristo, Jesus chama todos os homens ao arrependimento. Sem arrependimento dos pecados, não pode haver nenhuma cura ou perdão, e não haverá nada de Céu. Um grande número de homens católicos está em grave risco de morte, devido particularmente aos níveis epidêmicos de consumo de pornografia e do pecado da masturbação.
Meus irmãos, vão se confessar agora mesmo! Nosso Senhor Jesus Cristo é um Rei misericordioso que perdoará aqueles que humildemente confessarem os seus pecados, mas Ele não perdoará aqueles que se negam. Abram as suas almas ao dom da misericórdia do Senhor!

7. Construir fraternidade com outros homens católicos

A amizade católica entre os homens tem um grande impacto em suas vidas de fé. Homens que possuem laços de fraternidade com outros homens católicos rezam mais, vão à Missa e à Confissão mais frequentemente, lêem as Escrituras com mais regularidade e são mais ativos na fé.
O livro dos Provérbios nos diz que "o ferro com o ferro se aguça, e o homem aguça o homem" (Pr 27, 17). Conclamo a cada um de nossos padres e diáconos a reunir os homens em suas paróquias e começar a reconstruir uma fraternidade católica vibrante e transformadora. Conclamo os leigos a formarem pequenos grupos de amizade para apoio mútuo e crescimento na fé. Nenhuma amizade pode ser comparada a um amigo em Cristo.
Fonte: Into the Breach | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

O maior dos santos depois de Maria

E o Faraó, tirando o anel da sua mão, meteu-o no dedo de José (…). E, fazendo-o montar no segundo dos seus carros, mandou que se clamasse diante dele: “Ajoelhai-vos!” (Gên 41,42-43)
Entre os teólogos posteriores ao século XVI, tornou-se uma espécie de lugar comum comparar a grandeza de São José com a dos outros santos a fim de precisar que lugar lhe competiria entre aqueles que Deus coroou no céu. Nas suas discussões apoiavam-se com frequência numa passagem de São Gregório Nazianzeno: “O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo aquilo que os outros santos tem em conjunto de luz e de esplendor”.
É absolutamente certo que, quando Deus predestina uma alma para determinada missão, lhe confere todos os talentos necessários para que possa cumpri-la. Ora, depois da de Maria, Mãe do Verbo Encarnado, que função pôde ultrapassar ou sequer igualar a de José, pai adotivo de Cristo e esposo da sua Mãe? Comparando-se, pois, José com Maria, dizia-se com justiça que, depois dEla, nenhuma outra criatura se tinha aproximado tanto como o santo Patriarca do Verbo Encarnado e que, consequentemente, nenhum outro ser humano tinha possuído no mesmo grau a graça santificante.
Leão XIII, na encíclica Quamquam pluries, havia de fazer-se eco desta opinião: “É verdade que a dignidade da Mãe de Deus é tão alta que nada a pode ultrapassar. Porém, como existe entre a Virgem e José um laço conjugal, não há a menor dúvida de que ele se aproximou mais do que ninguém dessa dignidade supereminente que coloca a Mãe de Deus muito acima de todas as criaturas”.
Por ter trazido nos seus braços Aquele que é o próprio coração e alma da Igreja, argumentavam os teólogos, José é maior do que São Pedro, sobre o qual Jesus declarou querer edificar a sua Igreja. Por ter vivido durante trinta anos na intimidade de Cristo e em meditação constante da sua vida, a sua grandeza é superior à de São Paulo, que no entanto recebeu a revelação dos mistérios tão sublimes. E é também maior do que São João Evangelista, cujo privilégio único foi repousar uma vez a cabeça sobre o peito do Salvador, enquanto José sentiu tantas vezes pulsar o coração do Menino. Maior do que todos os Apóstolos que propagaram o nome de Jesus é, pois, aquele que recebeu a missão de impor-lhe esse nome.
Mais árdua se mostrou aos teólogos a tarefa de colocar José acima de João Batista, devido à frase de Cristo: Na verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não veio ao mundo outro maior que João Batista (Mt 11,11). Mas essa dificuldade resolve-se se considerarmos que Jesus, ao pronunciar essas palavras, queria estabelecer uma comparação com os Profetas do Antigo Testamento, que anunciavam o Messias futuro, ao passo que João Batista anunciava o Messias já presente, apontando-o por assim dizer com o dedo. Pode-se dizer, por outro lado, que Cristo pretendia apenas comparar João Batista, o maior profeta do Antigo Testamento, com a nova grandeza que o chamamento para o reino dos céus confere ao cristão. A Igreja que Jesus viera fundar na terra representava a primeira fase desse reino, e por isso Cristo acrescentou: No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele ou, por outras palavras: “Seja qual for a grandeza de João Batista, que fecha o Antigo Testamento, ele deve apagar-se  diante do mais pequeno dentre os cristãos”.
A doutrina da primazia de São José sobre todos os outros santos apresenta-se hoje com garantias de séria probabilidade. Tende a tornar-se doutrina comumente admitida na Igreja*. A declaração de Leão XIII que citamos acima é, neste ponto, particularmente reveladora.
Quanto aos outros problemas relativos aos possíveis privilégios de que São José terá gozado, e que se pensa que constituem como que um “prolongamento” dos da Virgem, continuam hoje a ser objeto de discussão entre os teólogos, e as suas conclusões repousam em bases menos seguras.
Evidentemente, ninguém tem obrigação de crer que José esteve isento do pecado original, embora haja quem pense que o santo Patriarca deve ter sido santificado desde o seio materno. Afirmam que, se este privilégio foi concedido a alguns santos como Jeremias e João Batista, não podia ter sido recusado ao esposo de Maria, cuja grandiosa predestinação ultrapassa de longe a daqueles dois personagens. Esta é, concretamente, a opinião de Gerson, de Santo Afonso Maria de Ligório e de muitos outros teólogos. A missão de pai adotivo de Jesus, que coloca São José muito perto do Redentor, exigia segundo eles, que fosse santo antes de nascer.
Os teólogos que professam a opinião contrária objetam que, sendo a santificação no seio materno um favor excepcional, que não é concedido senão em vista da utilidade comum, não era necessário que José possuísse durante o tempo que precedeu o seu nascimento, pois a sua missão só começou realmente a partir dos seus esponsais com Maria. Suárez conclui razoavelmente que não se pode acolher a tese da santificação prévia do esposo de Maria, que não se funda sobre nenhum texto da Escritura, a não ser que se possa apoiá-la em razões válidas e na autoridade da maioria dos Padres da Igreja, o que não é o caso.
As opiniões estão igualmente divididas quando se pergunta se a concupiscência – a inclinação para o pecado resultante do pecado original – foi em José, não suprimida, mas contida ou dominada por uma graça especial, a ponto de evitar totalmente que caísse em qualquer pecado, mesmo venial. Ainda aqui é necessário reconhecer que a nossa admiração pelo santo Patriarca não nos obriga a conceder-lhe este privilégio. É uma tese indemonstrável, que não se apóia em nenhuma razão válida. A concessão de um privilégio tão especial, tão absoluto, tão completo, não pode ser considerada impossível, mesmo num homem que viesse ao mundo marcado pelo pecado original, mas não pode ser objeto de uma demonstração teológica.
Tudo o que se pode afirmar a este respeito é que José se beneficiava da proximidade constante dAquela que tinha sido Imaculada desde a sua concepção, e que, como nunca resistiu aos apelos da graça que recebia, não cessou de ver aumentar na sua alma o seu tesouro sobrenatural: pôde elevar-se a um estado de perfeição tão eminente que o pecado lhe foi estranho, na medida em que isso é possível a uma criatura humana.
Certos autores, entre os quais se contam Suárez, São Bernardino de Sena, São Francisco de Sales e Bossuet, e mesmo vários Padres da Igreja, dão ainda como certo que José esteve entre aqueles santos dos quais o Evangelho nos diz que saíram dos seus túmulos depois da morte de Jesus e se manifestaram na cidade de Jerusalém (cf. Mt 27,51-53). São Tomás diz-nos a respeito deles que a sua ressurreição foi definitiva e absoluta, e São Francisco de Sales chega mesmo a escrever: “Se é verdade o que devemos acreditar, que em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos os nossos corpos hão de ressuscitar no dia do Juízo Final, como podemos duvidar de que Nosso Senhor tenha feito subir ao céu, em corpo e alma, o glorioso São José, que teve a honra e a graça de o trazer tantas vezes entre os seus braços benditos? Não resta dúvida, pois, de que São José está no céu em corpo e alma”.
Aqueles que partilham desta opinião fazem valer como argumento que Jesus, tendo por assim dizer escolhido uma “escolta” de ressuscitados para sublinhar com mais clareza a sua própria Ressurreição e dar maior brilho ao seu triunfo, não podia deixar de incluir  o santo Patriarca entre eles e até de colocá-lo em primeiro lugar. Por outro lado, sem a assunção gloriosa de José em corpo e alma, dizem, a Sagrada Família reconstituída no céu teria tido uma nota discordante na sua exaltação e glória.
Estes argumentos são sem dúvida respeitáveis, mas não dispomos de nenhum meio para prová-lo. Nada nos impede de tê-los como prováveis, como também nada nos obriga a crer neles. A opinião contrária tem numerosos partidários que não admitem atualmente no céu outros corpos gloriosos além de Nosso Senhor e da sua Santíssima Mãe.
Quanto ao título de Corredentor, que alguns autores pensam poder atribuir a São José, é necessário reconhecer que é um tanto exagerado. José foi corredentor, sim, mas apenas tal como o são todos aqueles que unem voluntariamente os seus méritos e os seus sofrimentos aos do Salvador, a fim de completarem na sua carne o que falta à Paixão de Cristo, como diz São Paulo (cf. Col 1,24). É bem verdade que, neste sentido, São José  foi corredentor de maneira mais intensa do que todos os outros, por ter guardado, protegido e alimentado a Vítima divina em preparação para o Sacrifício da Cruz, por tê-la oferecido antecipadamente no Templo como um bem que lhe pertencia, e por ter suportado por causa de Jesus tantos sofrimentos, cujo mérito satisfatório aproveitou à humanidade resgatada.
Em conclusão, podemos dizer que, para exprimir a grandeza de José, não é necessário preparar-lhe títulos artificiais e de ordem excepcional. Basta pensar no apagamento em que quis esconder-se e evocar a frase de Jesus: Quem quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos (Mc 9,35).
* Cf. Dictionnaire de Théologie, vol. VIII, col. 1516.
* * *
(GASNIER, Michel. José, o silencioso. Ed. Quadrante. São Paulo: 1995)

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Viver é muito mais que existir


Você tem medo de viver?
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Não basta existir, é preciso viver.
E viver é muito mais que existir. Viver implica aprender e, para ser aprendiz, é preciso humildade. Viver implica movimento. E não há movimento sem esforço e atrito. A vida é dinâmica, jamais se estanca. Vibra serena e sem pressa, embora nunca pare para esperar quem ignore seu ritmo.
Para existir, basta estar. Para viver, é preciso ser, por inteiro. Viver implica progredir, ir adiante, avançar. Para viver, não basta ver, ouvir, pensar e falar, pois estas são manifestações da existência.
Para viver, é preciso sentir, mergulhar em si mesmo e sair. Viver implica iluminar-se e, sob a luz da própria consciência, apontar os próprios defeitos e limites. Viver implica assumir a responsabilidade pelos próprios atos, transformando-os todos em gestos de amor e compaixão. Viver implica conhecer-se, profundamente, e, ciente de si, deixar de enganar-se, trabalhando para mudar aquilo que não está bem. Viver implica arriscar-se. E o maior risco é errar.
Viver é estar no todo, sendo tudo. Viver é enxergar a luz, mesmo nas sombras, e criar luz nas próprias trevas. Viver é expandir a própria existência para além dos limites imaginados. Viver é doar-se, sem pedir; é ceder, sem resistir; é entregar-se, sem recear. Quem vive, renasce um novo ser todos os dias.
Quem vive, tem a própria existência traçada a lápis e recria o próprio destino, minuto a minuto, com a borracha da sabedoria e do perdão. Viver é ter na própria consciência uma única história. Para viver, não basta existir.