sábado, 4 de junho de 2016

Confiança! Esta desconfiança de Deus lhes é muito prejudicial.

A desconfiança, sejam quais forem as suas causas, nos traz prejuízo, privando-nos de grandes bens.
Quando São Pedro, saltando da barca, se lançou ao encontro do Salvador, caminhou, a princípio, com firmeza sobre as ondas. Soprava o vento com violência. As vagas ora levantavam-se em turbilhões furiosos ora cavavam no mar abismos profundos... A voragem abria-se diante do Apóstolo. Pedro tremeu... hesitou um segundo, e, logo, começou a afundar... Homem de pouca fé, disse-lhe Jesus, porque duvidaste?... (Mateus 14, 31).
Eis a nossa história. Nos momentos de fervor, ficamos tranquilos e recolhidos ao pé do Mestre. Vindo a tempestade, o perigo absorve a nossa atenção. Desviamos então os olhares de Nosso Senhor para fitá-los ansiosamente sobre os nossos sofrimentos e perigos. Hesitamos... e afundamos logo! Assalta-nos a tentação. O dever se nos torna enfadonho, a sua austeridade nos repugna, o seu peso nos oprime. Imaginações perturbadoras nos perseguem. A tormenta ruge na inteligência, na sensibilidade, na carne...
E perdemos pé; caímos no pecado, caímos no desânimo, mais pernicioso do que a própria falta. Almas sem confiança, porque duvidamos?
A provação nos assalta de mil maneiras. Ora os negócios temporais periclitam, o futuro material nos inquieta. Ora a maldade ataca-nos a reputação. A morte quebra os laços de afeições das mais legítimas e carinhosas. Esquecemos, então, o cuidado maternal que tem por nós a Providência... Murmuramos, revoltamo-nos, aumentamos assim as dificuldades e o travo doloroso do nosso infortúnio.
Almas sem confiança, porque duvidamos?...
Se nos tivéssemos apegado ao Divino Mestre com uma confiança tanto maior quanto mais desesperada parecesse a situação, nenhum mal desta nos adviria... Teríamos caminhado calmamente sobre as ondas; teríamos chegado, sem tropeços, ao golfo tranquilo e seguro, e, breve, teríamos achado a plaga hospitaleira que a luz do Céu ilumina...
Os Santos lutaram com as mesmas dificuldades... muitos dentre eles cometeram as mesmas faltas. Mas estes, ao menos, não duvidaram... Ergueram-se sem tardança, mais humildes após a queda, não contando, desde então, senão com os socorros do Alto... Conservaram no coração a certeza absoluta de que, apoiados em Deus, tudo poderiam. Não foram iludidos nessa confiança (Rom 5, 5)!
Tornai-vos, pois, almas confiantes. Nosso Senhor a isso vos convida; e o vosso interesse assim o exige. Tornar-vos-eis, ao mesmo tempo, almas iluminadas, almas de paz.
* Padre Thomas de Saint Laurent. O livro da confiança.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Primeira sexta feira do mês em honra ao Sagrado Coração de Jesus


Para quem não conhece, segue as 12 promessas que Jesus fez a Santa Margarida Alacoque para todos os que são devotos do Seu Sacratíssimo Coração:

1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.

2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.” 

3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”.

4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”.

5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.

6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”.


7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.

8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.

9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição".

10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”.

11ª Promessa: "As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”. 

12ª Promessa: “A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.


Esta última promessa é a denominada de "A grande promessa" ... Jesus disse assim a Santa Margarida Maria:“Eu te prometo, na excessiva misericórdia de meu Coração, que meu amor onipotente concederá a todos os que comungarem durante nove primeiras sextas-feiras do mês seguidas a graça da penitência final: não hão de morrer em minha desgraça, nem sem receber os sacramentos, servindo-lhes meu Coração de asilo seguro naquela última hora”.
Esta promessa foi feita numa sexta-feira de maio de 1688 durante a comunhão, na missa. Sabemos que é uma graça muito grande receber o sacramento da unção dos enfermos nos momentos finais da vida. 
Mas, não é tão simples assim, é preciso cumprir algumas condições para fazer valer a grande promessa e o cumprimento destas condições, na verdade, são um exercício de conversão. 

A comunhão deverá ser feita durante nove primeiras sextas-feiras seguidas sem faltar. Caso falte em uma, deverá começar outra vez. A comunhão deve ser feita em estado de graça. Para isso deve-se fazer uma boa confissão antes de comungar, todos os meses. Deveremos receber a Eucaristia com a intenção de cumprir a novena e de honrar o Sagrado Coração de Jesus. Uma última condição importante é o propósito de perseverar na graça de esforçar-se para não pecar.
Percebe que o período desta novena, isto é, nove meses é o tempo que uma criança leva para nascer, então, é o tempo em que cada um de nós, devotos do Sagrado Coração, nasceremos novamente, renovados pela força da confissão mensal coroada pela Eucaristia em honra ao Sagrado Coração de Jesus!
Não vamos desperdiçar tantas graças, queridos irmãos, e vamos logo em busca desta consagração e devoção ao Sagrado Coração de Jesus!

http://stelamaria.blogspot.com.br/2010/06/primeira-sexta-feira-do-mes-em-honra-ao.html


PAZ!

Junho: mês da confiança ao Sagrado Coração de Jesus

ORAÇÃO EM HONRA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS *

(Para todos os dias do mês de Junho)

Senhor, abri nossos lábios para honrar e louvar dignamente o Sagrado Coração de Jesus. Purificai também os nossos corações de todos os pensamentos inúteis, estranhos e perversos. Iluminai o nosso entendimento, inflamai a nossa vontade, para que possamos fazer esta oração com humildade sincera, confiança firme e devoção fervorosa, e assim mereçamos ser atendidos na presença de vossa divina majestade. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Dulcíssimo Coração de Jesus, eis-nos reunidos ao pé de vosso altar, a fim de testemunhar-vos os sentimentos de amor, reconhecimento e dedicação. Possuídos de santa alegria, vos bendizemos e louvamos pela abundância imensa de graças, virtudes e dons, que o Espírito Santo, com efusão, derramou em vós. A vós, ó Coração sacrossanto, consagramos todos os dias deste mês e em particular o presente. Escolhemo-vos hoje e para sempre, como centro e Rei de nossos corações, a quem só queremos amar, honrar e servir. Ao vosso Coração entregamos todas as nossas esperanças e consolações, todas as nossas aflições, necessidades e misérias. A vós seja entregue toda a nossa vida e principalmente a hora da nossa morte. Fazei com que sejamos e permaneçamos sempre vossos filhos amantes e fiéis. Também recomendamo-vos, ó Coração amoroso, a vossa esposa, a Santa Igreja Católica, o Santo Padre N..., o nosso bispo, todos os sacerdotes, benfeitores, amigos e inimigos, todos os aflitos e atribulados, e, enfim, as benditas almas do purgatório. Reunimos estas nossas homenagens e súplicas aos afetos de adoração e amor, de que sempre está abrasado para convosco o Coração puríssimo de vossa bendita Mãe, e que incessantemente vos tributam os anjos e santos na mansão celeste e com que vos adoram e agradam os vossos servos e servas fiéis aqui na terra. E quantas vezes palpitar o nosso pobre coração, tantas vezes queremos renovar estes nossos oferecimentos de amor e gratidão, querendo prestar-vos assim um ato de reparação e desagravo pela frieza, indiferença e tibieza da maior parte dos homens. Queira o vosso Coração, todos cheio de amor e bondade, lançar um olhar propício sobre as ovelhas desgarradas, os pobres pecadores. Dai-lhes luz e força para conhecerem e se erguerem do estado lastimoso do pecado. Enchei-os de santo temor de Deus a fim de que, contritos e compenetrados da gravidade do pecado, se convertam e voltem à casa paterna de vosso amantíssimo Coração. As mesmas súplicas também vos dirigimos pela conversão dos infiéis, hereges, cismáticos e de todos os que estão fora do vosso aprisco, a fim de que haja um só rebanho e um só pastor. Amém.

Trindade Santíssima, ofereço-vos o Sagrado Coração de Jesus, nosso divino Salvador, com toda a abundância de graças e virtudes, de que ele é a fonte inesgotável; vo-lo apresentamos, assim como o mesmo Coração divino se vos oferece, a cada momento e principalmente na hora da Santa Missa. Oh! atendei, Trindade Santíssima, à voz do Coração predileto de Jesus, em que puseste todas as vossas complacências, e tende piedade de vosso povo. Amém.

Doce Coração de Jesus, aumenta o nosso amor por Vós!

LEITURAS PARA CADA DIA DO MÊS

1º Dia - Confiança! Nosso Senhor Jesus Cristo nos convida à confiança.

2º Dia - Confiança! Muitas almas têm medo de Deus.

3º Dia - Confiança! A outras falta a fé.

4º Dia - Confiança! Esta desconfiança de Deus lhes é muito prejudicial.

5º Dia - Natureza e qualidades da confiança: A confiança é uma firme esperança.

6º Dia - Natureza e qualidades da confiança: Ela é fortalecida pela fé.

7º Dia - Natureza e qualidades da confiança: A confiança é inabalável.

8º Dia - Natureza e qualidades da confiança: Não conta senão com Deus.

9º Dia - Natureza e qualidades da confiança: Regozija-se até com a privação de socorros humanos.

10º Dia - A confiança em Deus e as necessidades temporais: Deus provê às necessidades temporais.

11º Dia - A confiança em Deus e as necessidades temporais: Ele o faz segundo a situação de cada um.

12º Dia - A confiança em Deus e as necessidades temporais: Não nos devemos inquietar com o futuro.

13º Dia - A confiança em Deus e as necessidades temporais: Procurar sempre em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça.

14º Dia - A confiança em Deus e as necessidades temporais: Rezar pelas nossas necessidades temporais.

15º Dia - A confiança em Deus e as necessidades espirituais: A misericórdia de Nosso Senhor para com o pecadores.

16º Dia - A confiança em Deus e as necessidades espirituais: A graça pode santificar-nos num instante.

17º Dia - A confiança em Deus e as necessidades espirituais: Deus concede-nos todos os socorros necessários para a santificação e a salvação de nossa alma.

18º Dia - A confiança em Deus e as necessidades espirituais: A vista do Crucifixo deve reanimar-nos a confiança.

19º Dia - Razões da confiança em Deus: A Encarnação do Verbo.

20º Dia - Razões da confiança em Deus: O poder de Nosso Senhor.

21º Dia - Razões da confiança em Deus: Sua bondade.

22º Dia - Frutos da confiança: A confiança glorifica a Deus.

23º Dia - Frutos da confiança: Atrai sobre as almas favores excepcionais.

24º Dia - Frutos da confiança: A oração confiante tudo obtém.

25º Dia - Frutos da confiança: Exemplos dos Santos.

26º Dia - Frutos da confiança: Conclusão do trabalho.

27º Dia - Primeiro dia do tríduo em preparação para a consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

28º Dia - Segundo dia do tríduo em preparação para a consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

29º Dia - Último dia do tríduo em preparação para a consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

30º Dia - Consagração ao Sagrado Coração de Jesus e encerramento do mês a Ele dedicado.

* Maná ou alimento da alma devota, compilado por Frei Ambrósio Johanning. Petrópolis: Editora Vozes, 1950.

Na fenda do rochedo | 01/06/2016

terça-feira, 31 de maio de 2016

Poço de São Patrício, maravilha da engenharia renascentista, um mapa do purgatório?


Desenhado por Antonio da Sangallo, o Jovem, e encomendado pelo Papa Clemente VII, recorda uma história tradicionalmente atribuída ao patrono da Irlanda

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O Poço de São Patrício é um antigo poço localizado em Orvieto, Úmbria, na Itália central, construído durante a década que vai de 1527 a 1537, por ordem do Papa Clemente VII. Ele tinha se refugiado na cidade, enquanto as tropas renegadas do exército do Sacro Império Romano, sob o comando de Carlos V, saqueavam Roma.


En un principio, esta sorprendente pieza de arquitectura se llamaba, simplemente, “Pozzo della Rocca”, el “pozo de la piedra”, o “el pozo de la fortaleza”, pues está a muy poca distancia de la Fortaleza de Albornoz
Inicialmente, essa incrível peça de arquitetura se chamava, simplesmente, “Pozzo della Rocca”, o “poço da pedra”

A estrutura do poço, desenhado por Antonio da Sangallo, o Jovem, é uma impressionante obra de engenharia sofisticada. É uma coluna oca cilíndrica, com 63 metros abaixo da terra, tem 13 metros de largura, e é cercado por duas escadarias de 248 degraus cada, largas e confortáveis, em desenho de dupla hélice. Por um lado descem os burros de carga, com recipientes vazios para encher de água; e pelo outro sobem, nunca obstruindo a passagem. No fundo do poço, iluminado por 72 janelas que fornecem luz para toda a estrutura, há uma ponte que liga as duas escadas, onde os moradores podiam acessar para buscar água sem os burros de carga. Esse duplo acesso garantia o fornecimento ininterrupto de água para a cidade de Orvieto, e foi um desenho único em toda a Europa naquela época.


 los frailes de un convento cercano asociaron la profundidad del pozo, y el proceso de descender hasta el puente para sacar de él el agua necesaria, a un antiguo poema francés del siglo XII, llamado “L’Espurgatoire Saint Patriz” –“El Purgatorio de San Patricio”-
Os monges de um convento próximo associaram a profundidade do poço ao purgatório

Inicialmente, essa incrível peça de arquitetura se chamava, simplesmente, “Pozzo della Rocca”, o “poço da pedra” ou “o poço da fortaleza”, pois está próximo da Fortaleza de Albornoz. Foi até o século XIX, quando o seu nome foi alterado para o atual, “Poço de São Patrício”: os monges de um convento próximo associaram à profundidade do poço, e ao processo de descer para para dele retirar água, um antigo poema francês do século XII, chamado“L’Espurgatoire Saint Patriz” – “O Purgatório de São Patrício”.
Esse poema não é apenas uma tradução de um texto escrito em latim, o Tractatus de Purgatorio Sancti Patricii, escrito por um monge cisterciense inglês conhecido simplesmente como H. De Saltrey. O tratado foi, durante anos, a representação mais influente do Purgatório, até o aparecimento da Divina Comédia. A chave está em que seu personagem principal, um cavaleiro irlandês chamado Owein, desce ao purgatório. De acordo com uma das histórias tradicionalmente associadas a São Patrício, Cristo teria mostrado ao santo o acesso ao Purgatório por uma caverna ou um poço.
Antes que o poço fosse concluído, Clemente VII e Carlos V haviam resolvido suas diferenças, de modo que Orvieto nunca foi ocupada ou saqueada. No entanto, a construção do poço continuou durante mais uma década, até que foi concluída.



 
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http://pt.aleteia.org/2016/05/20/poco-de-sao-patricio-maravilha-da-engenharia-renascentista-um-mapa-do-purgatorio/

Mosteiro na Geórgia: destino imperdível na rota trapista americana


Em um dos mais belos mosteiros dos Estados Unidos, os monges trapistas cuidam, dentre outras coisas, de um jardim excepcional

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Um dos mosteiros dos Estados Unidos se encontra nos arredores de Atlanta, Geórgia. Mais especificamente, na pequena cidade de Conyers. Nele, os monges da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, além de uma vida de contemplação e retiro, como bons beneditinos, também se dedicam ao trabalho manual: além de ter uma padaria e uma oficina de produção de vitrais, esses trapistas cuidam de jardins onde cultivam – e vendem – bonsais.
Os monges, nas oficinas do mosteiro, elaboraram os vitrais que podem ser vistos em todo o edifício.
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A simplicidade arquitetônica do mosteiro (projetado para ser praticamente uma cópia exata do famoso mosteiro trapista de Kentucky, onde viveu Thomas Merton), combinado com a beleza do jardim cultivado pelos monges e o ambiente natural do mosteiro, faz com que o lugar seja um dos destinos preferidos do turismo religioso no sul dos Estados Unidos.
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http://pt.aleteia.org/2016/05/28/mosteiro-na-georgia-destino-imperdivel-na-rota-trapista-americana/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-May%2028,%202016%2003:16%20pm

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A menina que consolou o coração de Deus após uma profanação da Eucaristia


Um dos testemunhos mais incríveis e emocionantes de amor a Jesus Eucarístico
IRAQ, BARTALA : An Iraqi Christian child rests on a phew inside the Church of the Virgin Mary in the town of Bartala, on June 15, 2012, east of the northern city of Mosul, as some Iraqi security remain in the town to protect the local churches and community. The exiled governor of Mosul, Iraq's second city which was seized by Islamist fighters last week, has called for US and Turkish air strikes against the militants. AFP PHOTO/KARIM SAHIB

Alguns meses antes de sua morte, o Bispo Fulton J. Sheen foi entrevistado pela rede nacional de televisão: “Bispo Sheen, milhares de pessoas em todo o mundo inspiram-se em você. Em quem você se inspirou? Foi por acaso em algum Papa?”.
O Bispo Sheen respondeu que sua maior inspiração não foi um Papa, um Cardeal, ou outro Bispo, sequer um sacerdote ou freira. Foi uma menina chinesa de onze anos de idade.
Explicou que quando os comunistas apoderaram-se da China, prenderam um sacerdote em sua própria reitoria, próximo à Igreja. O sacerdote observou assustado, de sua janela, como os comunistas invadiram o templo e dirigiram-se ao santuário. Cheios de ódio profanaram o tabernáculo, pegaram o cálice e, atirando-o ao chão, espalharam-se as hóstias consagradas.
Eram tempos de perseguição e o sacerdote sabia exatamente quantas hóstias havia no cálice: trinta e duas.
Quando os comunistas retiraram-se, talvez não tivessem percebido, ou não prestaram atenção, a uma menininha, que rezando na parte detrás da igreja, viu tudo o que ocorreu. À noite, a pequena regressou e, escapando da guarda posta na reitoria, entrou no templo. Ali, fez uma hora santa de oração, um ato de amor para reparar o ato de ódio. Depois de sua hora santa, entrou no santuário, ajoelhou-se, e inclinando-se para frente, com sua língua recebeu Jesus na Sagrada Comunhão. (Naquele tempo não era permitido aos leigos tocar a Eucaristia com suas mãos).
A pequena continuou regressando a cada noite, fazendo sua hora santa e recebendo Jesus Eucarístico na língua. Na trigésima segunda noite, depois de haver consumido a última hóstia, acidentalmente fez um barulho que despertou o guarda. Este correu atrás dela, agarrou-a, e golpeou-a até mata-la com a parte posterior de sua arma.
Este ato de martírio heroico foi presenciado pelo sacerdote enquanto, profundamente abatido, olhava da janela de seu quarto convertido em cela.
Quando o Bispo Sheen escutou o relato, inspirou-se de tal maneira que prometeu a Deus que faria uma hora santa de oração diante de Jesus Sacramentado todos os dias, pelo resto de sua vida. Se aquela pequena pôde dar testemunho com sua vida da real e bela Presença do seu Salvador no Santíssimo Sacramento então, o bispo via-se obrigado ao mesmo. Seu único desejo desde então seria atrair o mundo ao Coração ardente de Jesus no Santíssimo Sacramento.
A pequena ensinou ao Bispo o verdadeiro valor e zelo que se deve ter pela Eucaristia; como a fé pode sobrepor-se a todo medo e como o verdadeiro amor a Jesus na Eucaristia deve transcender a própria vida.
Uma sugestão…
ORAÇÃO PARA ANTES DA COMUNHÃO – ( São Tomás de Aquino)
Ó DEUS eterno e todo poderoso, eis que me aproximo do Sacramento de Vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Impuro, venho à fonte da misericórdia; cego, à luz da eterna claridade, pobre e indigente, ao Senhor do Céu e da terra.
Imploro pois a abundância de Vossa imensa liberalidade para que Vos digneis curar minha fraqueza, lavar minhas manchas, iluminar minha cegueira, enriquecer minha pobreza, e vestir minha nudez.
Que eu receba o Pão dos Anjos, o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores, com o respeito e a humildade, a pureza e a fé, o propósito e a intenção que convém à salvação de minha alma.
Dai-me receber não só o Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, mas também Seu efeito e sua força.
Ó Deus de mansidão, dai-me acolher com tais disposições o corpo que Vosso Filho único, Nosso Senhor JESUS CRISTO, recebeu da Virgem Maria, que eu seja incorporado a Seu corpo místico e contado entre seus membros.
Ó Pai cheio de amor, fazei que, recebendo agora o Vosso Filho sob o véu do sacramento, possa na eternidade contemplá-lo face a face. Ele que Convosco vive e reina na unidade do ESPIRITO SANTO. Amém.
ORAÇÃO PARA DEPOIS DA COMUNHÃO – (São Tomás de Aquino)
Eu Vos dou graças, ó Senhor Pai Santo, DEUS eterno e todo poderoso, porque sem mérito algum de minha parte, mas somente pela condescendência de Vossa misericórdia, Vos dignastes saciar-me a mim pecador, Vosso indigno servo, com o sagrado Corpo e precioso Sangue de Vosso Filho Nosso Senhor JESUS CRISTO.
E peço que esta santa comunhão não me seja motivo de castigo, mas salutar garantia de perdão.
Seja para mim armadura da fé, escudo de boa vontade e libertação dos meus vícios.
Extinga em mim a concupiscência e os maus desejos, aumente a caridade e a paciência, a humildade e a obediência e todas as virtudes.
Defenda-me eficazmente contra as ciladas dos inimigos, tanto visíveis como invisíveis.
Pacifique inteiramente todas as minhas paixões, unindo-me firmemente a Vós, DEUS uno e verdadeiro, feliz consumação de meu destino.
E peço que Vos digneis conduzir-me, a mim pecador, a aquele inefável convívio em que Vós com o Vosso FILHO e o ESPÍRITO SANTO, Sois para os Vossos Santos a luz verdadeira, a plena saciedade e a eterna alegria, a ventura completa e a felicidade perfeita.
Por CRISTO Nosso Senhor. Amém.

domingo, 22 de maio de 2016

A Trindade Misericordiosa

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A Trindade Misericordiosa
A liturgia nos convida, neste domingo celebrar e viver o Mistério da Trindade. Aqui não se trata somente de uma verdade para crer, mas estamos diante do fundamento e do núcleo de nossa experiência cristã. Em vez do “Mistério da SS. Trindade”(talvez algo distante e estranho para nós), o importante é a experiência histórica do encontro com a atividade vivificadora “da Fonte” de vida (Pai), “do Encontro” do Amor (Filho) e a “Respiração” da esperança, que pacifica, alenta e reconcilia (Espírito Santo).
Para facilitar a experiência da presença e ação da Trindade em nossas vidas, nossa proposta é contemplar a escultura da irmã Caritas Müller que está numa casa de oração na Alemanha, toda obra de arte fala mais que muitas palavras.Todo artista  capta detalhes do Mistério e nos oferece ricas possibilidades de acesso que a razão nem sempre consegue explicar.
Quem é o Pai-Criador, quem é o Filho Redentor, quem é o Espírito Vivificador? As definições apresentadas pelo “dogma da Trindade” não nos ajudam muito. No entanto, a identidade da Trindade se revela na sua ação salvífica. O Pai, no Filho e pelo Espírito Santo se preocupam com cada um dos seus filhos e filhas. Sua intenção é idêntica atitude e gestos o demonstram: uma mesma atenção, uma mesma paixão os move para o ser humano; um mesmo amor para cada criatura humana brota das entranhas da Santíssima Trindade.
O interessante é que, ao observamos a escultura, vemos que o ser humano está no centro. Trata-se da pessoa na sua total fragilidade e miséria, caída e sem forças: Essa pessoa está circuncidada pela misericórdia da Trindade. Em Deus o ser humano está no centro, para que o ser humano coloque Deus no centro da sua vida. Mais uma vez, escolhe para isso o caminho do Amor que se entrega da inquebrantável misericórdia reconstrutora, da transbordante doação que  dignifica cada ser humano.
Percebemos na escultura quatro círculos. O circulo expressa o caráter único de cada pessoa, tanto divina como humana. As Três Pessoas divinas e a pessoa humana encontram-se dentro de círculos. O círculo da pessoa humana está no centro da Trindade, e os círculos das Três Pessoas da Trindade encontram-se abertos em direção a este círculo central. Pela sua Encarnação, Morte e Ressurreição, o Filho é o mediador que introduz o ser humano no coração da Trindade.
É importante notar que os círculos não estão fechados, pois as pessoas podem entrar no círculo das outras na medida em que seu amor é atuante e expansivo. O circulo central recolhe uma pessoa humana que pode ser qualquer um de nós. Não dá para saber se é homem ou mulher, pobre ou rica, jovem ou velha e assim por diante. Parece sim se tratar de uma pessoa ferida nos caminhos da vida.O círculo, como símbolo da realização, significa que o ser humano, em sua fragilidade e em sua miséria, é chamado à plenitude de vida e de realização.Logo nos vem a lembrança do Bom Samaritano. As três pessoas divinas estão debruçadas, com reverência sobre a pessoa machucada. É patente que o Deus Uno e Trino comunga no mesmo sentimento de amor e compaixão. Tudo converge para esta revelação: o ser humano desfigurado e acolhido pela iniciativa amorosa da Trindade. O ser humano desfigurado é transfigurado pelo Amor Trinitário.
A Trindade Misericordiosa envolve a criatura humana por  todos os lados. Toda a atenção de Deus está centrada sobre o ser humano.
O Pai (à direita), está carinhosamente inclinado, com um joelho em terra, esforçando-se com cuidado para levantar a pessoa ferida. O sentimento do Pai é de ternura e cuidado, seu rosto se aproxima e beija o rosto inerte da pessoa ferida. Ele revela seu amor misericordioso no calor do abraço, que acolhe e regenera o ser humano. Morre o mal que foi feito e celebra-se a festa da vida nova. Assim fez o pai que, no regresso do filho pródigo, o abraça, o cobre de beijos e o cumula de seu perdão. Levantar, rodear, acolhê-lo em seu seio de ternura, tal é o gesto de Deus-Pai para com o ser humano. Gesto de libertação que o coloca em pé devolvendo sua dignidade.
Jesus, o Filho de Deus (à esquerda), ajoelha e se inclina profundamente. Ele se rebaixa à mesma condição do ser humano. Ele segura e sustenta com as mãos os pés da pessoa ferida, lava-os, cura as feridas com carinho e beija os pés. Beijo, gesto de intimidade e de ternura, que convida a pessoa a deixar-se amar. O amor liberta, põe o homem e a mulher de pé. Jesus nos revela o maior serviço do amor, ao mesmo tempo que realiza o mais humilde serviço. “Eu vim para servir e não para ser servido”. O Filho revela o Deus Amor-serviço, que se põe aos pés da humanidade decaida para restaurá-la, e revela o caminho do serviço como caminha para vida. Em Jesus Deus se abaixa para estar mais perto da miséria do ser humano. Não o olha a partir de cima, abaixa-se. Não vem ao nosso encontro em nossas imperfeições, mas em nossas misérias.É o que Jesus nos revelo durante toda a sua vida e de maneira especial no gesto do lava-pés. Ele põe o centro de sua ação nos seres mais pobres e mais fracos, aqueles que não contam para nada, os descartados, os que sofrem e os pecadores. O ser humano, cada um de nós pessoalmente, é tão importante aos olhos de Deus que Ele o coloca no centro de suas preocupações.
O Espírito Santo, figura que desce do alto e se aproxima do ferido, tanto pode ser a figura de uma pomba, de chamas ou de mãos que trazem vida. O bico da pomba, como o Pai e o Filho, beija a pessoa e lhe transmite o Sopro de vida. Deus quer ter o ser humano, um ser vivente, como interlocutor, um ser capaz de responder seu chamado à vida. Deseja um ser vivente, capaz de amar, e de se assemelhar-se a Ele. A Pomba de fogo, voa sobre o ser humano caído e o aquece. A relação entre a Pomba de fogo e o ser humano do centro recorda Pentecostes. Cheios do Espírito Santo, os Apóstolos, antes marcados pelo medo, se transformam em testemunhas audazes de Jesus e do amor de Deus.
Pai, Filho e Espírito se preocupam pela pessoa, criada do barro da terra. A pessoa, no centro, é a figura mais escura de todas. Cor da terra, de húmus, um ser criado por Deus, e que estaria sem vida, se esta não lhe fosse comunicada pelo Criador.
Ao experimentar esta acolhida restauradora o ser humano é chamado a ser também presença da Trindade Amiga para seus irmãos, construindo a comunhão trinitária no mundo em que vive. Só corações solidários adoram um Deus Trinitário.
   Texto Bíblico: Mt 28,16-20 . Coloque-se no lugar do ser humano, no centro da escultura, e faça a experiência de ser acolhido e amado pelas divinas Pessoas Trinitárias. Coloque no coração da Trindade as pessoas que você sabe que precisam da graça desta experiência.

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