terça-feira, 12 de julho de 2016

Novena do Perdão - Primeiro dia



PARA TER PAZ NO CORAÇÃO

Reflexão: Palavras de São Josemaria Escrivá

Não é de Deus o que rouba a paz da alma. (Caminho, n. 258).
Característica evidente de um homem de Deus, de uma mulher de Deus, é a paz na sua alma; tem “a paz” e dá “a paz” às pessoas com quem convive (Forja, n. 649).
É preciso unir, é preciso compreender, é preciso desculpar… A Cruz de Cristo é calar-se, perdoar e rezar por uns e por outros, para que todos alcancem a paz (Via Sacra, 8ª est., n.3).
Assim como Cristo «passou fazendo o bem» (At X, 38), assim temos nós que desenvolver uma grande sementeira de paz pelos caminhos humanos (É Cristo que passa, n.166).

Pedido
Senhor, tu sabes quanto eu desejo ter a tua paz dentro de mim! Mas bem sei que não poderei consegui-la enquanto guardar mágoas e ressentimento no coração, como feridas que nunca cicatrizam.
Desejaria ser capaz de fazer o que diz São Paulo: «Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra alguém… E a paz de Cristo triunfe nos vossos corações» (Col 3,13.15). Sem a tua ajuda, Senhor, só com o meu esforço, eu nunca vou alcançar essa paz.
Por isso, peço-te humildemente, por intercessão de São Josemaria, a graça de saber perdoar. Limpa o meu coração da contaminação do ódio, da raiva, da aversão e de quaisquer outros sentimentos amargos que dividem, por mais que eu ache que é justa a minha reação às faltas e ofensas dos outros.
Rezar a oração a São Josemaria
Ó Deus, que por mediação da Santíssima Virgem Maria, concedestes inumeráveis graças a São Josemaria, sacerdote, escolhendo-o como instrumento fidelíssimo para fundar o Opus Dei, caminho de santificação no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres cotidianos do cristão, fazei que eu saiba também converter todos os momentos e circunstâncias da minha vida em ocasião de Vos amar, e de servir com alegria e com simplicidade a Igreja, o Romano Pontífice e as almas, iluminando os caminhos da terra com o resplendor da fé e do amor. Concedei-me por intercessão de São Josemaria o favor que vos peço. Assim seja.


Pai Nosso, Ave-Maria, Glória.

domingo, 10 de julho de 2016

Convite para a Novena do Perdão

Guia prático de como ir para o inferno


Existem vários caminhos possíveis, mas somente um tem garantia absoluta de sucesso
mao cerrada

O inferno é, em essência, a completa ausência de Deus. E não é Deus quem condena alguém ao inferno: é o próprio pecador que, livre e conscientemente, rejeita Deus em sua vida. Todo pecado mortal nos afasta de Deus, mas Deus está sempre pronto para nos perdoar até as mais abomináveis e terríveis ofensas. Basta que nos deixemos perdoar por Ele!
Pense nos maiores pecadores confessos de toda a história da humanidade. Pense nas piores abominações já cometidas por um ser humano em qualquer época ou lugar. Pense nos piores e mais hediondos pecados que a sua mente puder imaginar e esteja certo de que todos eles, absolutamente todos eles, podem ser perdoados por Deus – todos, menos um: o pecado contra o Espírito Santo.
Quem nos afirma isto é ninguém menos que Jesus Cristo:
“Por isso, eu vos digo: todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não lhes será perdoada” (Mateus 12, 31).
Se Jesus Cristo falou, então está falado: Deus é capaz de perdoar as maiores e piores abominações, mas não pode perdoar a blasfêmia contra o Espírito santo.
E, afinal, em que consiste esse pecado que nem mesmo Deus, em toda a sua misericórdia, pode perdoar?
Simples: consiste precisamente em não deixar que Deus perdoe!
Espírito Santo de Deus está sempre nos iluminando para que “enxerguemos” o Seu Amor e o aceitemos. Foi só para isso que Deus nos criou: para nos amar e nos oferecer o Seu Amor sem reservas! O pecado contra o Espírito Santo consiste em não aceitar a Sua Luz e o Seu Amor; consiste em fechar-se completamente, consiste em recusar radicalmente a Deus, em endurecer o coração de modo impenitente, empedernido, irrevogável, sem permitir que Deus entre nele de forma alguma. O pecado contra o Espírito Santo é o pecado pelo qual o homem se nega, livre e conscientemente, a receber o Amor, o Perdão, a Misericórdia de Deus.
Diante disso, o que é que Deus pode fazer? Respeitar a decisão do pecador.
O Amor de Deus é tão incompreensivelmente total, extremo e infinito que, mesmo podendo “forçar” qualquer criatura a submeter-se à Sua Vontade, Deus não o faz! Deus escolhe respeitar a liberdade das suas próprias criaturas! Deus não quer nos impor o Seu Amor: Ele apenas o oferece a nós, submetendo-Se à nossa liberdade de aceitá-Lo ou rejeitá-Lo!
E quando uma pessoa, livre e conscientemente, decide impedir que Deus faça parte da sua vida, ela “tira” de Deus até mesmo a possibilidade de perdoá-la – porque Deus não pode forçá-la nem sequer a ser perdoada se ela não quiser.
Qualquer pecado mortal, pela sua gravidade e por ter sido cometido com plena consciência e pleno consentimento, pode nos privar de Deus. Mas qualquer pecado mortal pode ser perdoado se permitirmos que Deus nos perdoe.
O único, absolutamente único jeito de “garantir” a viagem sem volta para o inferno é o pecado contra o Espírito Santo.
E, certamente, não é uma viagem que valha a pena.

http://pt.aleteia.org/2016/07/08/guia-pratico-de-como-ir-para-o-inferno/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Jul%2010,%202016%2007:02%20am

4 fatos surpreendentes sobre o poder da Eucaristia


Ela é obra e dom de toda a Trindade
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A Eucaristia nos é dada como obra e dom de toda a Trindade” (Pe. Raniero Cantalamessa, OFM)
Uma amiga me contou, dias atrás, que seu pai ajudava a mãe na cozinha em várias tarefas, inclusive em uma bem tediosa: descascar nozes, classificá-las e guardá-las em sacos – e depois dar uma parte delas a amigos e familiares. Ele faleceu. Alguns meses mais tarde, minha amiga foi pegar algumas das nozes no freezer e parou para pensar, com carinho, que seu pai tinha partido, mas deixara aquele alimento cuidadosamente pronto.
Não foi difícil para essa minha amiga traçar um paralelo quase imediato com a Eucaristia. Quando Jesus sabia que estava prestes a ascender ao céu, deixou para os seus amigos não apenas alimento terreno que os nutrisse, mas seu próprio Corpo e Sangue.
Estamos cuidados.
Estamos bem cuidados.
Temos um Pai celestial que conhece todas as nossas necessidades e cuida de satisfazê-las. Nosso pão de cada dia não é só um símbolo ou só uma subsistência terrena: é verdadeiro alimento espiritual, é a Carne real e o Sangue real de nosso Salvador, Deus feito homem. A Eucaristia é o alimento que transcende a cerimônia e tem sua essência e seu poder enraizados na própria Trindade.
Eis alguns dos efeitos surpreendentes da Eucaristia:
1) União com Cristo: receber Jesus na Eucaristia funde o nosso ser com o de Cristo. São Cirilo de Alexandria o descreve como “quando a cera derretida se funde com outra cera”. A jornada cristã consiste em tornar-se como Cristo, em “permanecer nele” – e Ele em nós. A Eucaristia é o meio para que isto aconteça.
2) Destruição do pecado venial: a Eucaristia destrói o pecado venial. Destrói! O fervor da nossa caridade pode ser afetado pelo pecado venial, mas, quando recebemos a Eucaristia, nos unimos à própria Caridade, que queima todo vestígio de pecado venial e nos deixa limpos, prontos para recomeçar.
3) Preservação contra o pecado mortal: assim como devemos abster-nos de receber a Eucaristia quando conscientes de estar em pecado mortal, também devemos recebê-la tanto quanto possível quando em graça, porque ela nos preserva e nos ajuda a evitar o pecado grave. O poder da Eucaristia lava o pecado venial da nossa alma e a recobre de uma “camada protetora” contra o pecado mortal!
4) Relação pessoal com Jesus: todo cristão sabe da importância da relação pessoal com Jesus, mas é principalmente através da Eucaristia que podemos realmente viver o encontro com a Pessoa de Jesus, presente na Hóstia Santa. Bento XVI, naSacramentum Caritatis, nos esclareceu:
Há hoje uma necessidade de redescobrir que Jesus Cristo não é apenas uma convicção privada ou uma ideia abstrata, mas sim uma Pessoa real, cuja participação na história humana é capaz de renovar a vida de cada homem e de cada mulher. Por isso, a Eucaristia, como fonte e ápice da vida e da missão da Igreja, deve ser traduzida em espiritualidade, em uma vida vivida ‘de acordo com o Espírito’“.

http://pt.aleteia.org/2016/07/08/4-fatos-surpreendentes-sobre-o-poder-da-eucaristia/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Jul%2010,%202016%2007:02%20am

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Piercing e a tatuagem no corpo de um cristão

Será que o uso dessas práticas, mesmo na cultura ocidental pós-moderna, não vem carregado de um sentido espiritual?

“Não fareis incisões na vossa carne por um morto, nem fareis figura alguma no vosso corpo. Eu sou o Senhor” (Lv 19,28).
Vemos, neste texto bíblico, a proibição de Deus ao povo de Israel de fazer incisões na pele. Para não cairmos em fundamentalismos, temos de ir ao contexto e descobrir a essência da mensagem. O que observamos é que o uso dessas incisões trata-se de uma prática idólatra dos povos pagãos que circundavam Israel, e a essência é que não condiz com o seguimento do Deus Uno qualquer forma de idolatria e, então, o corpo do homem não pode ser um espaço de expressões idólatras.
Piercing e a tatuagem no corpo de um cristão 
Tatuagem e piercing têm alguma coisa a ver com isso? “A expressão piercing tem sido usada para designar um tipo de adorno inserido por perfuração em certas partes do corpo. Tatuagem é a pintura da pele com pigmentos insolúveis e definitivos.” 1
Olhando assim, de forma objetiva, parece que a tatuagem e o piercing não têm nada de censurável. Mas precisamos nos aprofundar no significado deles. Penso que a análise da moralidade dessas práticas passa por duas questões:

Significados que carregam

Primeiro: essas práticas geralmente estão relacionadas a comportamentos tantas vezes velados, mas presentes, cheios de vaidade, sensualidade e irreverência. Mesmo que na intenção pessoal isso não esteja claro, tatuagens e piercings, na nossa cultura, carregam esses significados. Nesse sentido, o texto do Levítico não está tão distante dessa realidade, porque vaidade, sensualidade e irreverência são verdadeiros ídolos a quem o homem moderno presta culto e realiza sacrifícios inescrupulosos. Mesmo que pessoalmente seja apenas uma atitude adolescente de inclusão a um grupo, a motivação deste está envolvida com esses valores.
Não nos enganemos, pois tudo o que fazemos com nossas coisas, especialmente com o nosso corpo, comunica nossos valores e transmite mensagens boas ou ruins. Usando isso, ainda que a intenção primeira não seja essa, o usuário contribui para a valorização desses cultos que tanto têm destruído as virtudes contrárias a esses valores em nossa sociedade: simplicidade, pureza e mansidão.
Alguém pode questionar que outras práticas normais, como o uso de brincos e maquiagens, também podem ter um significado de culto à vaidade, sensualidade e irreverência. Sim, isso é verdade. Mas essa exortação vale também para elas, porque as práticas comuns, sem a virtude da temperança, também podem nos dispor a essas ciladas.
É significativo que, na maioria das culturas, especialmente o piercing tenha um sentido religioso e espiritual. “A ideia hinduísta desse objeto é que ele representa um contato, uma abertura para a atuação de divindades nas mais variadas áreas da vida humana, cada uma representada por uma parte do organismo. É interessante observar que o uso do piercing está tão ligado a essas crenças hinduístas, que os locais de colocação (lábios, umbigo, nariz, sobrancelhas entre outros) correspondem, exatamente, aos pontos correspondentes aos chamados “chakras”, ou seja, centros de energia onde se daria a interação entre o corpo e a mente, de onde se poderia estabelecer o controle sobre eles.” 2
Será, então, que o uso dessas práticas, mesmo na cultura ocidental pós-moderna não vem carregado de um sentido espiritual? Será que não expõe, de algum modo, a pessoa a realidades espirituais, uma vez que “vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (1Pd 5,8)?

Respeito ao corpo

Outra questão a se considerar é o respeito ao corpo, templo do Espírito. Essa é uma forte exortação de São Paulo em 1Cor 6,12-20, e também do Catecismo da Igreja Católica. Este, quando trata do quinto mandamento da Lei de Deus – “Não matarás”–, além do evidente, fala também sobre a necessidade do respeito à saúde (§§ 2288-2291) como um apelo moral do cristão. Nesse sentido, o piercing e a tatuagem também não se harmonizam com esses valores. De maneira geral, os profissionais de saúde contraindicam o uso dessas marcas em nosso corpo, pois elas expõem o corpo a uma série de complicações, desde a transmissão de doenças contagiosas, no momento da aplicação, como da Hepatite B (HBV), da Hepatite C (HCV) e do vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), Sífilis etc., como complicações posteriores: infecções diversas, dermatites, alergias e até há relatos de casos registrados de endocardite infecciosa (uma infecção grave na camada interna do coração). Isso tudo, sem contar que, no caso das tatuagens, a remoção posterior é difícil, podendo expor a pessoa a novas complicações.
Quanto ao piercing, alguém pode perguntar se há alguma diferença entre ele e o brinco usado nos lóbulos das orelhas. Sob o ponto de vista da saúde, há muita diferença. O lóbulo da orelha é a região que apresenta melhores condições, porque tem vascularização adequada (nem muito como, por exemplo, a língua e lábios; nem pouco, como nas cartilagens), é arejado, pouco exposto a suor e secreções e é de fácil higienização. Trata-se, assim, de uma região do corpo com improváveis chances de complicações. Outra é a situação dos diversos locais do corpo em que se costuma usar piercing, em que a exposição a riscos é muito maior. Aliás, veja-se como a tradição de culturas civilizadas tem valor. Nela se escondem sabedorias que nem imaginamos. O verdadeiro progresso social e cultural está em um novo que parte da tradição.

Respeita a beleza da pessoa

Ainda ponderando sobre o respeito ao corpo, será que a tatuagem e o piercing respeitam a beleza da pessoa?
Penso que as aberrações que vemos por aí nos dão a pista da resposta: não. Não, porque qualquer coisa que marque o corpo de forma estável ou permanente comunica que ele não é tão bom assim, ele não é tão digno e tão belo, e precisa ser melhorado (isso seria diferente de uma prótese, que visa justamente restaurar, em um determinado corpo, a integridade perdida e que é própria do ser humano).
A Igreja não tem nenhum pronunciamento claro ou oficial sobre essa questão. Mas ela nos dá os princípios da fé que, com o discernimento dos espíritos (cf I Cor 10,12), podemos, sim, ponderar e fazer um juízo sobre questões como essa. “O corpo, porém, não é para a impureza, mas para o Senhor” (1Cor 6,13b).
Que seus princípios partam sempre da dignidade do seu corpo para Deus, e que seus discernimentos busquem, em tudo, glorificar o Senhor.
Referências:
1. Dra Mannoun, Piercing e tatuagens na adolescência, o que você precisa saber.
2. Marcia Rezende, O que a Bíblia diz sobre o piercing.

André Botelho

André L. Botelho de Andrade é casado e pai de três filhos. Com formação em Teologia e Filosofia Tomista, Andrade é fundador e moderador geral da comunidade católica Pantokrator, à qual se dedica integralmente. http://www.pantokrator.org.br

domingo, 3 de julho de 2016

Ó Apóstolo São Tomé

Ó Apóstolo São Tomé,
experimentaste o desejo de querer morrer com Jesus,
sentiste a dificuldade de não conhecer o Caminho,
e viveste na incerteza e na obscuridade da dúvida, no dia de Páscoa.

Na alegria do encontro com Jesus Ressuscitado,
na comoção da fé reencontrada, num ímpeto de terno amor, exclamaste:
"Meu Senhor e meu Deus!"

Ó Espírito Santo, no dia de Pentecostes,
transformou-te num corajoso missionário de Cristo,
incansável peregrino do mundo, até aos extremos confins da terra.

Protege a tua Igreja, a mim e à minha família
e faz com que todos encontrem o Caminho, a Paz e a Alegria
para anunciar, com paixão e abertamente, que Cristo
é o único Salvador do Mundo,
ontem, hoje e sempre.
Amém.

sábado, 2 de julho de 2016

3 santos que – provavelmente – tinham dificuldades de aprendizagem


...o que não os impediu de ser santos!
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Em seu livro “The Shepherd Who Didn’t Run” (“O pastor que não fugiu”, em livre tradução do título ainda sem versão em português), sobre a vida de pe. Stanley Rother, primeiro mártir declarado dos Estados Unidos, María Ruiz Scaperlanda descreve como a fraca escolaridade quase inviabilizou a ordenação sacerdotal de Rother – possivelmente, ele tinha deficiência de aprendizagem.
Outro santo com notáveis lacunas de aprendizado foi São José Cupertino, a quem, no entanto ou por isso mesmo, a Igreja confia orações pedindo intercessão pelos estudantes em dificuldades.
É muito significativo observar que Deus chama para ajudá-lo em seus propósitos divinos tanto mentes brilhantes, como Tomás de Aquino e Agostinho, quanto pessoas comuns, sem vocação nenhuma à carreira de estudiosos.
Os três santos de que falaremos a seguir falharam em numerosas provas acadêmicas, mas continuam influenciando milhões de vidas até hoje graças ao seu exemplo em tantas outras áreas da vida.
São João Maria Vianney
Filho de camponeses, o futuro Cura d’Ars sentiu-se chamado ao sacerdócio ainda bem jovem, mas foi impedido de ir à escola por causa da Revolução Francesa. Quando as tensões se abrandaram na França, ele foi matriculado em uma escola local, mas sofreu com o currículo mesmo sendo o mais velho da classe. Ele era constantemente provocado como ignorante. Certa vez, um estudante o humilhou porque João Maria não soube responder a uma pergunta e, como se não bastasse, ainda lhe deu um soco no rosto. O aluno era Mathias Loras. João Maria acabou por transformá-lo em seu amigo. Anos depois, Mathias se tornaria o primeiro bispo de Dubuque, Iowa, nos Estados Unidos.
João Maria Vianney foi autorizado a estudar no seminário, mas era considerado “muito lento” pelos instrutores. Depois de ser reprovado em mais um exame, ouviu do reitor: “João, os professores não o consideram apto para a sagrada ordenação ao sacerdócio. Alguns o chamaram de asno que nada sabe de teologia. Como podemos promovê-lo ao sacramento do sacerdócio?“. A resposta que São João Maria Vianney lhe deu se tornou célebre: “Monsenhor, Sansão matou cem filisteus com a queixada de um asno. O que acha que Deus poderia fazer com um asno inteiro?“.
Ele foi ordenado sacerdote não por causa de suas luzes intelectuais, mas por conta de sua santidade, tornando-se um dos mais extraordinários párocos já conhecidos em toda a história da Igreja. O Papa Bento XVI, que, aliás, é uma das mentes mais sublimes já conhecidas em toda a história da Igreja, o nomeou padroeiro de todos os sacerdotes.
Santa Bernadette Soubirous
Nascida em uma família de moleiros, Bernadette teve de trabalhar ainda menina como pastora, devido às dificuldades econômicas. Com muito pouco tempo para os estudos, não pôde aprender sequer o catecismo. Aos 14 anos, ainda não tinha recebido a Primeira Comunhão e sofria para aprender a ler. Um de seus professores, Jean Barbet, declarou a seu respeito: “Bernadette tem dificuldades de retenção das palavras do Catecismo, que ela não pode estudar porque não sabe ler“.
Esta menina sem qualquer conhecimento teológico e que não tinha recebido nem mesmo a Primeira Comunhão foi visitada por ninguém menos que Nossa Senhora, que lhe apareceu e disse algo inédito para a sua mente: “Eu sou a Imaculada Conceição“. Foi este um dos elementos que convenceram o pároco da veracidade das aparições, já que, analfabeta, Bernadette nunca poderia ter concebido por si mesma esse dogma teológico.
Bernadette levou uma vida muito dura, mas perseverou na santidade e na simplicidade. Ela está no privilegiado grupo dos santos cujo corpo se conserva incorrupto – um sinal de graças especialíssimas. Todos os anos, milhares e milhares de peregrinos afluem ao local das aparições de Nossa Senhora a Santa Bernardette, em Lourdes.
Venerável Solano Casey
Filho de camponeses da Irlanda que migraram para Wisconsin, nos Estados Unidos, Solano Casey recebeu muito pouca educação na infância e adolescência. Depois de sentir o chamado ao sacerdócio, entrou no seminário de Milwaukee aos 21 anos. No entanto, não conseguia acompanhar as aulas, que eram dadas em alemão e latim. Foi aconselhado a ingressar em uma ordem religiosa na qual pudesse ser ordenado sacerdote e realizar apostolados internos – ou seja, sem poder ouvir confissões nem pregar.
Quem o recebeu foram os capuchinhos, que concordaram com esse ponto de vista: ele podia ser ordenado padre, mas, por causa de sua falta de estudos e ignorância geral, exerceria funções internas e humildes, como a de porteiro. Para Casey, esta já era uma enorme bênção: ele levou suas responsabilidades como porteiro muito a sério e recebia com grande caridade a todos que chegavam ao mosteiro. Sua reputação de santidade se propagava. Casey foi transferido para outro mosteiro, a fim de se evitarem as aglomerações de multidões ao seu redor – mas as multidões não tardaram a descobrir onde ele estava e começaram a ir até ele em grandes afluxos.
Casey foi porteiro durante a maior parte da vida, sempre reverenciado por sua santidade. Muitos milagres foram atribuídos à sua intercessão.
A vida desses três santos nos revela que a graça de Deus não é exclusividade de teólogos e acadêmicos de destaque. Deus pede ajuda aos mais fracos para fazer o maior bem. Afinal, todo cristão é chamado a ser santo no seu próprio estado de vida e nas suas específicas circunstâncias pessoais, e Deus sabe transformar as nossas falhas e desvantagens em graça e frutos de santidade!

http://pt.aleteia.org/2016/07/01/3-santos-que-provavelmente-tinham-dificuldades-de-aprendizagem/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Jul%2001,%202016%2001:45%20pm