quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O silêncio

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O silêncio é a linguagem da era por vir - assim diz o famoso ditado de Santo Isaac, o Sírio. Ele fala, não dogmaticamente de uma falta de ruído audível no céu, mas do mistério de como Deus vem a nós aqui e agora.
O Reino do Céu consiste da visão de Deus, a Luz Incriada, o fogo da Energias Divinas. Esta é a vitória final de Cristo que todos nós participamos quando o Novo Céu e Nova Terra são estabelecidos. Mas esse mesmo Reino já existe, e o silêncio é o principal caminho pelo qual nós o experimentamos. 

Não desacreditando quaisquer outras disciplinas espirituais que são vitais, mas é verdade que é quase impossível fazer progresso na vida espiritual sem silêncio. 

  • As Escrituras determinam a forma como pensamos.
  • O jejum nos ensina o auto-controle.
  • Atos de caridade amolecem nossos corações.

Mas o silêncio leva a uma intimidade única com Deus.
É incrível que seja tão difícil praticar o silêncio. Parte disso pode ser a força espiritual do inimigo (interior) que trabalha contra nós. Parte do problema é nossa cultura que é dominada pelo ruído, ação e distração. Parte disso pode ser o nosso medo inconsciente de cair nas mãos do Deus vivo.

Mas posso dizer com toda a verdade e humildade, que depois de oito anos estudando teologia formalmente em instituições acadêmicas, mais do que qualquer livro ou sala de aula, eu valorizo o tempo que eu tenho investido no silêncio.

Talvez porque ele nos fale de coisas finais - as coisas de valor duradouro. Ele fala de maneira mais profunda do que as palavras.

Deus esteja com você.

http://www.oracaodejesus.com/textos-o-silencio.html

sábado, 27 de agosto de 2016

Exorcista mundialmente reconhecido explica o que é o malefício – e como defender-se


Uma oração do ritual grego pedindo a proteção de Deus contra o mal

oracao cruz

padre italiano Gabriele Amorth é um respeitadoexorcista da diocese de Roma e um dos mais conhecidos do mundo. Em 1990, ele fundou a Associação Internacional de Exorcistas, da qual foi presidente até o ano 2000. Desde bem antes, porém, o padre Amorth já exercia o ministério. Hoje com 89 anos de idade, ele já realizou mais de 70. 000 exorcismos.
Em seu livro Memorie di un esorcista – La mia vita in lotta contro Satana [Memórias de um exorcista – a minha vida em luta contra Satanás], o padre Amorth nos relata várias de suas experiências mais destacadas na luta contra o mal.
Um dos capítulos explica o que é o malefício e quais são asorações recomendadas para defender-se dele.
O exorcista explica:
O malefício é um mal causado a uma pessoa mediante recurso ao diabo. Pode ser feito de várias formas, como feitiços, maldições, vodu, “trabalhos encomendados” de macumba para prejudicar o próximo etc. Os malefícios são, com grande margem, a causa mais frequente de possessões e de males causados pelo diabo: não menos de 90% do total.
Existem malefícios de morte?
Sim, existe o malefício de morte – e eu já o encontrei em várias situações. Na minha opinião, não há comprovação de que ele surta efeito, mas, sem dúvida, existem pessoas que tentam lançar malefícios de morte. É um malefício muito grave. [Mas] um malefício não tem por que ser mortal; a vida está nas mãos de Deus.
A possibilidade de ação do mal no mundo é um fato que reforça para nós a necessidade de uma vida cheia de graça, com boa confissão sacramental, jejum e oração contínua. Quem vive de acordo com o plano de Deus, aceitando os seus sacramentos com frequência e cultivando o estado de graça, não tem por que temer quaisquer malefícios, pois a Graça de Deus é muito maior que qualquer ação do mal.
* * *
ORAÇÃO CONTRA O MALEFÍCIO – Ritual grego
Kyrie eleison. Deus, nosso Senhor, Soberano dos séculos, Onipotente e Todo-Poderoso, Vós que tudo criastes e que tudo transformais com a vossa Vontade; Vós, que, na Babilônia, transformastes em orvalho a chama do forno sete vezes mais ardente e que protegestes e salvastes os vossos três santos jovens; Vós, que sois Doutor e Médico das nossas almas; a Vós, que sois a salvação dos que a Vós se dirigem, nós pedimos e invocamos: tornai vã, expulsai e ponde em fuga toda potência diabólica, toda presença e maquinação satânica, toda influência maligna e todo malefício de pessoas malvadas realizados contra o vosso servo. Fazei com que, da inveja e do malefício, obtenha abundância de bens, força, êxito e caridade.
Vós, Senhor, que amais os homens, estendei as vossas mãos poderosas e os vossos braços altíssimos e potentes e vinde em socorro e visita desta vossa imagem, mandando sobre ela o anjo da paz, forte e protetor da alma e do corpo, que manterá distante e expulsará qualquer força malvada, todo envenenamento e feitiçaria de pessoas corruptoras e invejosas, de modo que, a Vossos pés, suplicante, protegido, vos cante com gratidão: “O Senhor é meu Salvador e não temerei o que possa o homem fazer-me. Não terei temor do mal porque Vós estais comigo; Vós sois o meu Deus, minha força, meu poderoso Senhor, Senhor da paz, Pai dos séculos futuros”.
Sim, Senhor, Deus nosso, tende compaixão da vossa imagem e salvai o vosso servo de todo dano e ameaça procedente de malefício, e, elevando-o para acima de todo mal, protegei-o; pela intercessão da mais que bendita, gloriosa Senhora, a Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, dos resplandecentes arcanjos e de todos os vossos santos.
Amém.

http://pt.aleteia.org/2016/08/25/exorcista-mundialmente-reconhecido-explica-o-que-e-o-maleficio-e-como-defender-se/

Oração contra todo mal – por um dos maiores exorcistas do mundo


O pe. Amorth é mundialmente conhecido e respeitado em seu ministério de combate ao diabo

I santi contro il male - pt

ORAÇÃO CONTRA TODO MAL
Espírito do Senhor, Espírito de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, Santíssima Trindade, Virgem Imaculada, anjos, arcanjos e santos do paraíso, descei sobre mim.
Fundi-me, Senhor, modelai-me, enchei-me de Vós, utilizai-me. Expulsai de mim todas as forças do mal, aniquilai-as, destruí-as, para que eu possa estar bem e fazer o bem.
Expulsai de mim os malefícios, as bruxarias, a magia negra, as missas negras, os feitiços, as ataduras, as maldições e pragas; a infestação diabólica, a possessão diabólica e a obsessão e perfídia; todo tipo de mal, pecado, inveja, ciúmes e perfídia; a enfermidade física, psíquica, moral, espiritual e diabólica.
Queimai todos esses males no inferno, para que nunca mais toquem a mim nem a nenhuma outra criatura no mundo.
Que a força do Deus Onipotente, em nome de Jesus Cristo Salvador, por intercessão da Virgem Imaculada, expulse todos os espíritos imundos, todas as presenças que me perturbam; que me abandonem imediatamente, que me abandonem definitivamente e que, esmagados sob o calcanhar da Imaculada Virgem Santíssima, vão para o inferno eterno, acorrentados por São Miguel Arcanjo, por São Gabriel, por São Rafael e pelos nossos anjos da guarda.
Amém.

http://pt.aleteia.org/2016/08/26/oracao-contra-todo-mal-por-um-dos-maiores-exorcistas-do-mundo/

sábado, 20 de agosto de 2016

Padre Pio e a Modéstia no Vestir

Pedro Paulo Pyres
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São Padre Pio (1887-1968)
“Padre Pio não tolerava vestidos curtos ou com decotes baixos, saias justas, e ele proibiu suas filhas espirituais de vestir meias-calças transparentes. A cada ano a sua severidade aumentava. Ele teimosamente mandava embora do seu confessionário, mesmo antes de pôr o pé dentro, quem ele julgasse estar indevidamente vestidas. Em algumas manhãs, ele expulsou uma após a outra, até que ele acabou por ouvir muito poucas confissões. Seus irmãos observaram estes drásticos expurgos com certo mal-estar e decidiram pregar uma placa na porta da igreja: “Por desejo explícito do Padre Pio, a mulher deve entrar no confessionário vestindo saias PELO MENOS 20 CENTÍMETROS ABAIXO DO JOELHO. É PROIBIDO EMPRESTAR UM VESTIDO LONGO NA IGREJA PARA USÁ-LO PARA A CONFISSÃO“ “[4].
“Uma vendedora de calças dona de uma loja de varejo em Vancouver foi se confessar na Itália com Padre Pio e teve sua absolvição foi recusada:
“Ele ordenou que ela voltasse para casa no Canadá e se livrasse de todo seu estoque, e não desse qualquer um dos itens para as pessoas que poderiam usá-los, e se ela quisesse sua absolvição, poderia voltar a Itália e recebê-la, só depois que ela realizasse impiedosamente suas ordens” “[5].
“Shorts e mangas curtas, até em crianças não era aceito pelo Padre Pio. Para um homem indo para a confissão de maga curta ele disse: “ou alongue as suas mangas ou encurte seus braços” “[6].
“Uma garota de mini-saia foi informada que era preciso de um vestido maior para se confessar com o Padre Pio. Ela foi na loja com a mãe comprar as roupas apropriadas. Olhando a si mesma no espelho com o novo vestido ela disse: “Se eu o meu namorado me vesse assim ele iria pensar que eu sou um palhaço”. Quando a vez dela de se confessar chegou e a portinhola abriu ela ouviu “Vai embora ! Eu não confesso palhaços“ “[7]
     São Francisco de Sales (1567-1622)
“São Paulo quer que as mulheres cristãs (o que há de entender-se também dos homens) se vistam segundo as regras da decência, deixando de todo excesso e imodéstia em seus ornatos. Ora, a decência dos vestidos e ornatos depende da matéria, da forma e do asseio” [8].


[4] Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, pp. 191-2.
[5] Anne McGinn Cillis, Arrivederci, Padre Pio, A Spiritual Daughter Remembers.
[6] Io…testimone del padre, Pág. 54, Modestino da Pietrelcina
[7] Pg.152 Iasenzeniro, F. M. (2006). The “Padre” saint Pio of Pietrelcina. His mission to save souls. Testimonies. San Giovanni Rotondo: Edizioni Padre Pio
[8] São Francisco Sales, Filotéia, parte III, cap. 25.

domingo, 14 de agosto de 2016

Ser pai e ser cristão num mundo em crise moral e espiritual




PARECE OCORRER, no mundo atual, uma crise da paternidade. Cada vez menos homens querem assumir o título de “pai” com todas as obrigações e responsabilidades que isto implica. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo diz: “A ninguém chameis pai” (Mt 23,9), estava obviamente se referindo à necessidade que todos temos de olhar primeiro para Deus, se é que pretendemos compreender o pleno significado da palavra – pois o Criador é a Fonte e a perfeição de toda a paternidade. S. Paulo Apóstolo diz (em Ef 3,14-15): “Dobro os joelhos em Presença do Pai do Céu, ao qual deve a sua existência toda família no Céu e na Terra”.

Se quisermos compreender o que é ser um pai, não devemos e não podemos olhar para o reino animal e nem para as fraquezas humanas. Se quisermos saber o que é ser pai, devemos olhar para Deus, meditar na Paternidade Divina, e assim poderemos vislumbrar um pouco da vocação que os pais têm aqui na Terra. Meditemos: quais os motivos de estarem faltando pais de verdade neste mundo em nossos tempos, e por que o demônio vem demonstrando tanto ódio tanto aos pais e ao seu papel fundamental?

Se existe uma figura que vem sendo atacada, em nossa sociedade, é a do pai. Nem sempre explicitamente, e por isso talvez nem todos percebam, mas a pessoa que deveria ser a mais forte, o modelo e o exemplo de todos e o sustentáculo da família, tem sido cada vez mais enfraquecida. Quantas e quantas famílias têm sido hoje constituídas, simplesmente, sem a figura do pai? Vivemos o hoje o extremo do absurdo de se considerar "família" um simples união de pessoas, sem a figura do pai e da mãe ou mesmo dos filhos. Dois homens ou duas mulheres homossexuais e um cachorro, vivendo juntos numa mesma casa, já são considerados uma "família linda" (já se tornou padrão dizer que não há diferença entre um cão e um filho), e ai de quem ousar discordar. Como é possível que tal aconteça? Como é que chegamos a este ponto?!

O inimigo espiritual da humanidade evidentemente quer destruir a família, e ele sem dúvida sabe por onde começar e a quem deve atingir primeiro: àquele que deveria ser a figura do próprio Deus no mundo; àquele que deveria ser, no seio da família, o ícone do Pai do Céu. Analisemos um pouco mais de perto esta triste realidade...

Em primeiro lugar, o fato de Deus Todo-Poderoso ser chamado, pelo Cristo e pelos santos, “Pai do Céu”, demonstra que a missão da paternidade é algo eminentemente espiritual. De fato, Nosso Senhor diziaAbba, que no hebraico coloquial tem significado realmente muito íntimo, próximo e cheio de ternura, algo como "Papai".

Se formos observar o reino animal, porém, veremos que ali a paternidade não tem consistência. Até encontraremos alguns elementos daquilo que entendemos por maternidade na observação dos bichos: entre os mamíferos, as fêmeas amamentam e cuidam dos seus filhotes por algum tempo; entre os pássaros, as fêmeas cuidam dos ninhos, protegendo os ovos. Claro que existe também a colaboração do macho, apesar de esta geralmente ser mais esporádica e menos próxima. O macho, via de regra, é o reprodutor; é aquele que, seguindo seus instintos, cumpre a tarefa de perpetuar a espécie. Logo que os filhotes atingem a fase adulta, estão por sua conta e risco: somem os laços de maternidade e, principalmente, de paternidade, de tal sorte que mesmo relacionamentos sexuais podem ocorrer entre os progenitores e suas crias. Quando falamos de paternidade no sentido humano, portanto, falamos de uma realidade não só física e genética, mas também espiritual.

Nosso Senhor Jesus Cristo, por sua vez, veio nos revelar uma realidade da qual a humanidade até então não suspeitava: Deus é Pai, e quer ser nosso Pai! No contexto do Antigo Testamento, a Paternidade Divina é sempre citada como metáfora, algo muito distante. Deus é chamado Pai do povo de Israel porque protegeu e confiou neste povo de modo especial. Em algumas oportunidades é também chamado Pai, mas por ser o Criador Todo-Poderoso. Deus é tratado como Pai, no seu sentido próprio, somente a partir de Jesus Cristo. O Messias é o Filho de Deus feito homem, e com isso revela que Deus é Pai, e assim mostra como Deus preza, sobremaneira, a família.

O Pai do Céu mandou seu Filho ao mundo, e se meditarmos neste sacratíssimo relacionamento Pai e Filho, repleto de um Amor tão incompreensível que também é Pessoa – o Espírito Santo – podemos perceber o significado mais perfeito de família e daquilo que Deus realmente espera da paternidade. Compreendemos assim porque o demônio se esmera tanto em derrubar a figura do pai.

Nos últimos séculos, no entanto, lamentavelmente, o que temos visto é a derrocada da figura do pai. Já com a reforma protestante foi atacada a figura de um grande pai espiritual universal, o pai terreno da grande comunidade cristã: o Papa. Os protestantes não aceitam um pai espiritual terreno. Depois vieram as revoluções e as quedas de diversas monarquias, de reis que também eram vistos, num sentido próprio, como pais de suas nações. A figura do pai veio e continua decaindo, no inconsciente coletivo; cada vez menos se sabe respeitá-lo, obedecê-lo, tê-lo como modelo e autoridade a ser não só observada, mas também admirada.

Agora, também nas famílias, a figura do pai vem diretamente sendo antagonizada pela sociedade atual. Existe claramente um projeto, um movimento, um processo em curso – que poderíamos chamar de satânico – para destruir a figura, a influência e a importância fundamental do pai na formação do ser humano.

Neste movimento sutil e tenebroso, um exército muito empenhado e competente de professores, autores, artistas e comunicadores esquerdistas vem desempenhando papel fundamental. Entre estes figuram nomes de grande popularidade e poder de formar opinião. Uma novela de grande sucesso, exibida recentemente pela maior rede de TV do Brasil (e que alcança diversos outros países), apresenta como uma espécie de herói nacional um personagem homossexual, desonesto e afetado, que chegou a jogar fora, numa caçamba de lixo, o próprio sobrinho recém-nascido. Tal personagem foi reverenciado, alcançou enorme popularidade e até hoje possui uma legião de fãs declarados.

De muitas maneiras, vemos na sociedade atual uma feminilização do homem: ele precisa se tornar cada vez mais materno e delicado – precisa assumir um certo ar e um comportamento cada vez mais dócil e suave, características e qualidades que são naturalmente típicas das mulheres. Se o homem não for assim, hoje, será desprezado, tratado como retrógrado, antiquado, reacionário... E ninguém quer esses rótulos. Ser pai no sentido tradicional tornou-se problemático, quando não inaceitável. Isso vem acontecendo na sociedade, na família e, devemos dizê-lo, até mesmo na própria Igreja. A figura poderosa e respeitável do sacerdote severo, antes viril e repleta de autoridade, foi substituída pela do "paizinho amiguinho", sempre muito "bonzinho", que fala aos fiéis como se falasse a crianças de 6 ou 7 anos de idade... O receio de melindrar a sensibilidade de pessoas cada vez mais frágeis está sempre presente. Por isso, não se fala mais no Inferno, dos castigos divinos (pois Deus, como Pai, castiga sim), das responsabilidades que homem e mulher devem assumir, das obrigações de pais e filhos. O tema das pregações parece que começa e termina sempre –, apenas e tão somente –, no amor, no perdão e na caridade divinos. E mais nada.

A grande verdade é que as nossas famílias atuais, cada vez mais, parecem ter “duas mães”: uma “mãe com barba” e outra mãe sem barba, porque os dois –, pai e mãe, macho e fêmea –, querem fazer o papel da mulher... Ninguém mais quer assumir o papel do pai bravo, educador, amoroso porém detentor da autoridade última naquele núcleo familiar; responsável por prover não só o sustento, mas também e principalmente a base moral aos filhos.


O que caracteriza um pai?

Como definir a especificidade da figura do pai? O que o define? Analisando a ação de Deus Pai na História Sagrada, a partir do Antigo Testamento, vemos que a primeira coisa que o SENHOR faz é dar a sua Lei; é estabelecer os limites entre o que é certo e o que é errado. Isso é próprio da figura do pai: educar. Isto implica também castigar, sim, quando preciso – é próprio do amor verdadeiro e zeloso do pai. Quer queira quer não, o pai sempre significou, de algum modo, a lei. E isso também pode significar, em determinados momentos, um certo distanciamento – e é por isso que não se quer mais ser pai. Todos querem ser "modernos", querem ser bonzinhos, tolerantes... Querem ser "cúmplices" dos filhos. E para alguém se assumir como a lei, como aquele que impõe os limites, é preciso coragem, determinação, firmeza em suas convicções. Isso dá trabalho e pode gerar alguma antipatia. Evita-se correr o risco.

Deus, que inspira a nossa paternidade, é o mesmo que – para o nosso bem – apresenta os nossos limites, dá a Lei e nos mostra até onde podemos ir, apresentando a simples verdade: Ele é Deus, e não nós! Se quisermos ter uma vida realizada, feliz e plena, precisamos em primeiro lugar reconhecer este fato elementar.

Todo ser humano, em alguma fase de sua juventude, vive um período de rebeldia. Quer contestar a ordem estabelecida, quer impor o seu querer e o seu pensar, revolta-se contra "o sistema"... Ele quer, enfim, ser o seu próprio deus. Adolescentes, se não forem devidamente orientados, tornam-se pequenos ditadores. Cabe antes de tudo ao pai orientar, apontar a realidade, apresentar os limites, ensinar a lição fundamental: você não é deus.

O pai cristão deve fundamentalmente e sempre, afinal, conscientizar-se dos seguintes fatos: por um lado, a Paternidade Divina é insubstituível; por outro, os pais aqui na Terra são como ícones de Deus Pai.

São José não era propriamente pai de Jesus, mas ele de alguma forma serviu como um pai para o Senhor aqui na Terra, e não apenas socialmente, mas também, em algum nível, psicológica e espiritualmente. De alguma forma existia essa noção de paternidade sublime e sagrada, mesmo entre Jesus e José, e nós o percebemos quando a Virgem Maria diz a Jesus Menino, ao encontrá-lo no Templo: “Meu filho, por que fizeste isso? Teu pai e eu te procurávamos, cheios de aflição”. Por esta declaração de Maria Santíssima, vemos que Jesus chamava e tratava a S. José como pai, mesmo sabendo que aquele homem santo não era, de fato, seu pai. Mesmo assim, Jesus o respeitava como ícone de pai neste mundo.

E a Sagrada Escritura diz, ainda mais, que Jesus “desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito” (Lc 2,49-51). Jesus, aos doze anos de idade, depois de tratar dos “negócios de Seu Pai” – o próprio Deus, no Templo em Jerusalém – voltou com sua mãe e seu pai adotivo para Nazaré, onde viviam, e era-lhes obediente.

Jesus, o Filho de Deus e Deus, sujeito e obediente ao seu pai adotivo humano!
 Que lição maravilhosa para os nossos jovenzinhos de hoje, sempre rebeldes e tão cheios de razão!

Evidente que assumir-se como ícone de pai não quer dizer obrigar os filhos a uma obediência cega, tiranizando-os e obrigando-os à obediência cega. A grande missão do pai de família cristão é colocar-se de joelhos diante do Pai dos pais, do qual provém toda a paternidade, para aprender como gerar espiritualmente aos seus filhos.


Sir Alec Guinness como Pe. Brown

Um grande testemunho de conversão é o do ator inglês Alec Guinness, mais conhecido das novas gerações pela sua interpretação do velho "jedi" Obi Wan Kenobi no filme Star Wars original, de 1977 (foto menor), que chegou a receber da realeza o título "Sir", em reconhecimento da sua brilhante carreira no cinema.

Sir
 Guinness interpretou o personagem principal no filme“The misteryes of Fr. Brown" ('Os mistérios do Padre Brown'), de 1954. À ocasião, ele não tinha religião, declarando-se como agnóstico que não tinha conhecimento de religião e nem interesse nas coisas de Deus. Certo dia, ao terminar as filmagens, sentindo-se cansado, não retirou a fantasia de padre e preferiu retornar a pé ao hotel onde estava hospedado, localizado próximo à locação daquele dia, e ainda vestindo a batina. Ao cruzar uma esquina, surgiu-lhe uma criança dos seus oito anos de idade, que ele nunca soube identificar, e que lhe gritava: “Mon Père! Mon Père!” (‘Meu pai! Meu pai!’, que é como os franceses chamam carinhosamente os padres), achando, evidentemente, que ele fosse realmente um sacerdote...

O menino se aproxima, toma sua mão, e os dois caminham por um bom trecho de mãos dadas, enquanto a criança alegremente vai lhe confidenciando muitas coisas da sua vidinha, embora Sir Alec Guiness não o compreendesse bem, porque não falava fluentemente o francês. Ao final do percurso, o pequenino se despede com um: “Au revoir mon pere!”, e vai embora muito alegre.

O agnóstico Alec Guinness sentiu-se profundamente tocado por essa experiência simples. Passou a refletir sobre que religião seria essa, que faz com que uma criança confie tão completamente num desconhecido, apenas por ser padre, como se fosse realmente seu pai. E a confiança na figura do pai de uma comunidade, representada pelo padre, fez com que este famoso ator começasse a investigar o catolicismo e o que representa a religião católica. E assim se converteu. Sir Alec Guinness, a partir dali, viveu como um fiel católico até o dia de sua morte.

Isso ocorreu na primeira metade do século 20. Porém, diante deste belo testemunho, o que percebemos? A triste derrocada da figura do pai nas últimas décadas. E vemos que o demônio fez um trabalho tão bem feito que, hoje, muitos padres hesitam em demonstrar afeto para com uma criança.

Consta que o grande S. João Maria Vianney, celebrado pela Igreja em 4 de agosto, passou várias horas da sua vida diante do Sacrário, aos prantos, pedindo a Jesus: “Senhor, convertei a minha paróquia”. Todas as ações pastorais dos padres, bem como todas as nossas iniciativas como pais de família, só têm sentido se forem acompanhadas da Paternidade espiritual e da confiança primeira em Deus. Somente assim é possível ser verdadeiramente, simplesmente... Pai.

Peçamos a Nosso Senhor e à Santíssima Virgem que nos auxiliem a restabelecer a necessária figura do autêntico pai neste mundo secularizado e cada vez mais materialista.

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Ref.:
Sermão de Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr., disponível em:
http://padrepauloricardo.org/episodios/crise-da-paternidade
Acesso 20/01/014

sábado, 13 de agosto de 2016

Padre Pio e as modas indecentes

Novena do Trabalho

NOVENA DO TRABALHO - Você que está empregado e principalmente que está desempregado, venha fazer conosco essa novena. A partir do dia 16/08 próxima terça feira. Postaremos as orações todos os dias as 6hs.