quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Contemplação e teologia

Muitos não-cristãos, e possivelmente muitos cristãos protestantes, provavelmente supõem que a intensa preocupação dos primeiros Padres da Igreja com detalhes técnicos do dogma da encarnação era fruto de uma obstinação arbitrária e subjetiva e que tinha muito pouca importância objetiva. Mas, na verdade, as complexidades da cristologia e do dogma da união hipostática não constituem, de maneira nenhuma, uma rede autoritária projetada para capturar a mente e manter em sujeição a vontade dos fiéis, como o racionalismo está sempre pronto a declarar. Tanto o teólogo quanto o crente comum da era patrística tinham consciência da importância da correta formulação teológica do mistério da encarnação, porque um erro em matéria de dogma teria de fato desastrosas consequências práticas na vida espiritual de cada indivíduo cristão. 

(extraído da obra A experiência interior, pág. 54)

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Jejum faz as células se comerem e renova o organismo

Não é dieta ou regime. Os cientistas estão pesquisando como o jejum ou o corte radical de calorias pode promover o aumento da expectativa de vida. A alimentação equilibrada e rica em nutrientes é fundamental para uma boa saúde. Porém, já é sabido que a privação de alimentos de forma controlada pode ativar mecanismos de autodefesa das células que garantem a elas maior longevidade. É isso que se traduz em benefícios para todo o organismo. Tudo por causa da autofagia. Ela é um mecanismo importante de autolimpeza que existe em todas as células de nosso corpo. Os genes que regulam essa reciclagem de organelas velhas ou malformadas foram identificados por Yoshinori Ohsumi, ganhador do Nobel de medicina deste ano. A redução da autofagia leva ao acúmulo de componentes danificados, o que está associado à morte das células e ao desenvolvimento de doenças. Assim, manter o mecanismo ativo seria uma forma de prevenir problemas futuros.
A autofagia é ativada quando a célula está em situações de estresse. Por exemplo, quando o indivíduo fuma um cigarro ou deixa de se alimentar. Para sobreviver, a célula passa a “comer” partes internas, degradando tudo o que tem de ruim. Quanto mais o mecanismo funciona maior a faxina interna.

“O jejum induz a autofagia, isso é sabido. Também sabemos que a autofagia induz a longevidade. A busca agora é entender a conexão entre a autofagia ativada pelo jejum e a longevidade das células”, explica Soraya Smaili, professora livre-docente da Escola Paulista de Medicina. Segundo ela, a maioria dos estudos feitos até hoje foi com animais. 

Outra forma de ativar a autofagia e propiciar benefícios para o organismo é com a restrição do consumo de alimentos. Para funcionar, a redução de calorias ingeridas deve variar entre 20% e 60%, de acordo com as pesquisas. “Não é o jejum, é a diminuição prolongada de consumo de nutrientes. A autofagia é aumentada”, explica Luciana Gomes. A redução ocorreria principalmente no consumo de carboidratos e proteínas.

Contudo, se a privação de nutrientes for muito longa, os efeitos passam a ser negativos. Nesse caso, a célula poderia começar a degradar componentes bons, que funcionam. O ideal seria conseguir estimular a faxina interna em tempo certo, sem excessos. Para isso, os cientistas pesquisam qual seria o tempo de jejum e o nível de redução calórica que garantiriam os efeitos benéficos sem causar prejuízos.

Smaili diz que há estudos feitos em humanos que mostram que o jejum, se bem conduzido e monitorado, traz benefícios a longo prazo. “Não é um jejum prolongado. É de 12 e no máximo 24 horas. E pode ser específico, de alguns nutrientes, como carboidratos e proteínas”, afirma. Durante o jejum, seria importante manter o consumo de água e de sais, para não provocar aumento da pressão arterial ou desidratação. Um soro pode cumprir essa função. E o jejum só poderia ser feito por pessoas saudáveis.

Para garantir o aumento da expectativa de vida a longo prazo, o jejum precisaria ser feito de forma periódica. “Não adianta fazer um hoje e outro no ano que vem”, diz a farmacóloga da Unifesp. Já a redução calórica precisaria ser permanente para produzir efeitos. “Como é difícil ter essa disciplina, surgiu a busca para confirmar se jejum intermitente conseguiria levar aos mesmos efeitos”, complementa a biomédica da USP. 

As pesquisas existentes ainda não possuem resultados que permitam traçar uma indicação de frequência do jejum. Quanto à restrição calórica, Gomes explica que em testes com animais os melhores resultados ocorreram entre os que foram mantidos em restrição calórica desde o nascimento. O aumento da expectativa de vida chegaria, nesses casos, a 30%.


Nota: Há mais de um século, Ellen White recomendou: “Para certas ocasiões, o jejum e a oração são recomendáveis e apropriados. Na mão de Deus são o meio de purificar o coração e promover uma disposição de espírito receptiva. Obtemos resposta às nossas orações porque humilhamos nossa alma perante Deus. [...] Agora e daqui por diante até ao fim do tempo, deve o povo de Deus ser mais fervoroso, mais desperto, não confiando em sua sabedoria, mas na sabedoria de seu Líder. Devem pôr de parte dias de jejum e oração. Pode não ser requerida a completa abstinência de alimento, mas devem comer moderadamente, do alimento mais simples” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 188, 189). 

Além dos benefícios físicos cientificamente comprovados, o jejum recomendado pela Bíblia e por Ellen White tem o poder de desintoxicar o organismo e deixar a mente mais clara, daí porque ele faz parte das práticas/disciplinas espirituais. “Com a mente servimos ao Senhor”, escreveu White (Temperança, p. 14), e tudo o que pudermos fazer para manter a mente clara favorecerá a compreensão da vontade de Deus. [MB]

http://www.criacionismo.com.br/2016/11/jejum-faz-as-celulas-se-comerem-e.html

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A BONDADE REAL


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Retomemos uma ideia já vista. Bom, de verdade, é somente aquele que nos faz bem, e o bem é acima de tudo o valor moral e espiritual de uma pessoa. Portanto, bom mesmo é somente aquele que nos ajuda a ser melhores.
Quando já vivemos um bom pedaço da vida e olhamos para trás, contemplamos um vasto panorama de vicissitudes diversas, de erros e acertos, de perigos que nos ameaçaram, de dúvidas que nos paralisaram, de alegrias e tristezas. Mas, no meio dessas lembranças, todos nós podemos ver brilhar uns pontos de luz que jamais esqueceremos: pessoas que, no momento em que mais precisávamos, nos fizeram bem: “Fulano – dizemos – ajudou-me muito”, “significou muito para mim”; “graças a Sicrano, consegui superar um problema grave (ou uma crise ou um estado de ânimo) que poderia ter-me arrasado”…
Mesmo sem darmos por isso e sem dizê-lo explicitamente, estamos falando de “homens bons”. Inconscientemente, possuímos a convicção de que foram bons, para nós, aqueles e aquelas que nos despertaram para ideais mais nobres, que nos deram a mão para levar-nos a encontrar um sentido mais alto da vida, que iluminaram as nossas escuridões interiores fazendo-nos compreender aquilo por que vale a pena viver.
Em suma, foram “bons” os homens e mulheres que nos elevaram a um maior nível de dignidade moral e nos ajudaram a ser melhores, mesmo que para isso tivessem precisado, em algum momento, de fazer-nos sofrer. Contribuíram, em suma, para que descobríssemos e abraçássemos o bem, e não se contentaram com deixar que nos “sentíssemos bem”.
Se, para tanto, foi necessário que nos aplicassem uma enérgica e paciente “cirurgia”, não duvidaram em fazê-lo, mesmo sabendo que, de início, não os compreenderíamos. Souberam ter a coragem – pensemos, por exemplo, nos pais e educadores – de dizer-nos serenamente “não” e de manter essa sua posição, em defesa do nosso bem, ainda que nós a interpretássemos como teimosia prepotente e irracional. Passado o tempo, compreendemos e agradecemos o que essa energia amorosa significou para nós.
O homem bom recusa-se a tomar como princípio de comportamento o infeliz ditado segundo o qual “aquele que diz as verdades perde as amizades”. Pratica a lealdade sincera quando o nosso bem está em jogo. Certamente, não confunde a sinceridade com a franqueza rude, que se limita a lançar em rosto os erros e defeitos em tom áspero e acusatório. Mas arrisca-se de bom grado a ser incompreendido, a ser tachado de moralista e de intrometido, quando percebe que precisa falar-nos claramente, caridosamente mas sem ambiguidade, e não hesita em praticar aquela excelente obra de misericórdia que consiste em “corrigir o que erra”, a fim de levá-lo a encontrar a retidão do caminho moral.
Calar-se, deixando o barco correr… e afundar-se é, sem dúvida, mais cômodo. Alhear-se, ou até mostrar-se conivente com os erros alheios, atrai benevolências e simpatias. Mas é uma forma covarde de omissão e uma triste colaboração com o mal.

Trecho do livro de F.F O homem bom-Reflexões sobre a bondade

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

COMO REZAVA MOISÉS? 6/30

A oração de Moisés é o tipo da oração contemplativa: Deus, que, da sarça ardente, chama Moisés, conversa muitas vezes longamente com ele "face a face, como alguém que fala com seu amigo" (Ex 33,11). Nessa intimidade Moisés recebe a força para interceder em favor do povo: sua oração prefigura a intercessão do único mediador, Nosso Senhor Jesus Cristo.