sábado, 18 de março de 2017

Os sacramentos são grandes exorcismos, afirma autoridade vaticana


Para o cardeal, os sacramentos têm valores espirituais ainda mais evidentes quando celebrados na Páscoa

Em uma recente entrevista, o Cardeal Mauro Piacenza, Penitenciário Mor da Santa Sé, afirmou que “todos os sacramentos são ‘grandes exorcismos’”.
Em diálogo com ACI Stampa, agência italiana do Grupo ACI, o Cardeal Piacenza disse que “a confissão e a Sagrada Comunhão sempre têm um valor extraordinário capaz de renovar o homem, mas celebrados na Páscoa têm um valor espiritual e litúrgico objetivamente mais evidente e, se me permite, também valor de exorcismo”.
Para explicar esta afirmação, o Purpurado indicou que “todos os sacramentos também são ‘grandes exorcismos’. Assim, dogmaticamente, tanto os exorcismos como as bênçãos são sacramentais que têm vigor somente a partir dos sete sacramentos, sinais eficazes instituídos por Cristo, de maneira direta ou através dos Apóstolos, para prolongar a sua presença salvífica através da Igreja até o fim da história”.
“O pecado mortal é sempre uma escravidão e, cada vez que o sacerdote pronuncia a fórmula da absolvição, o fiel é libertado das garras do mal e reintroduzido na plena comunhão com a vida trinitária”, ressaltou.
Em seguida, o Cardeal sublinhou que “a confissão sacramental é o único e verdadeiro ponto de reinício para cada um de nós. Em qualquer confissão, o batizado é renovado interiormente e a sua vida espiritual começa novamente, com todos os dons infinitos da graça que o sacramento possui”.
Este sacramento, continuou, “nos dias sagrados do Tríduo Pascal age potentemente com a sua graça e o diabo também é potentemente derrotado de novo”.
Consciente disso, a Igreja convida a “cumprir alguns exercícios de piedade durante a Quaresma, especialmente nas sextas-feiras, dia da Paixão do Senhor. Estes gestos, além de ser verdadeiros e sustentar a alma no frenético caminho dos nossos dias, têm a capacidade de expressar a fé e de favorecer a empatia, também afetiva, com os acontecimentos históricos da salvação e com os mistérios que acreditamos”.
O Cardeal Piacenza disse que “o jejum, que envolve o corpo, a Via Sacra, que convida a caminhar nas pegadas do Senhor, o silêncio, que permite ao coração ouvir realmente, são todos possíveis gestos quaresmais que sustentam o ato concreto de fé e que corroboram a sua objetividade”.
O Penitenciário Mor também assinalou que “estes são gestos que favorecem ou nutrem uma atitude de profunda humildade, tão necessária para o homem moderno, vítima do tecno-cientificismo, e, em todo caso, para alguém que pedir perdão pelos seus pecados e se aproximar a celebrar o triunfo de Cristo sobre o mal e sobre a morte”.
As práticas devocionais da Quaresma, como o jejum, a abstinência, a mortificação, a esmola e a oração, concluiu o Cardeal, “são gestos simples de amor, possíveis para todos, que dizem muito da nossa fé. E todo grande amor se alimenta de pequenos gestos. São carícias para Jesus crucificado”.

Via ACI Digital

COMO OS SANTOS SÃO GUIAS NA ORAÇÃO? 22/30

Os santos são uma exegese da Palavra de Deus. Pois, o mesmo Espírito que que inspirou os autores sagrados, animou os santos.

Milagre do Padre Pio: Curou um câncer e converteu toda uma paróquia ortodoxa ao catolicismo!


Por intercessão dele, a mãe de um padre ortodoxo romeno foi curada de um câncer terminal. E esse foi só o começo da história...
São incontáveis os testemunhos sobre o santo de Pietrelcina – embora apenas uma porção esteja registrada em livros, como “Padre Pio“, de José Maria Zavala. Entre eles, o desta comunidade ortodoxa da Romênia é especialmente impressionante porque, além de curar o câncer em fase terminal que acometia a mãe de um sacerdote ortodoxo, a intercessão de São Padre Pio ainda levou à conversão de toda uma paróquia ortodoxa ao catolicismo. E mais: o pároco e os paroquianos também construíram uma igreja dedicada ao santo e um hospital para os doentes terminais da região.
Um câncer terminal – que, na verdade, foi apenas o começo do milagre
Em 2002, a mãe do sacerdote ortodoxo Victor Tudor, Lucrecia, foi diagnosticada com um câncer no pulmão já em metástase e sentenciada a poucos meses de vida. O irmão do padre Victor, Mariano, pintor especializado em iconografia, morava em Roma e conseguiu que a mãe fosse atendida por um médico italiano, que, no entanto, também afirmou que só poderia intervir com remédios para aliviar as dores. Lucrecia passou um tempo com Mariano em Roma para fazer mais exames e o acompanhava em seu trabalho na igreja católica em que o filho produzia um mosaico. Enquanto o rapaz trabalhava, Lucrecia contemplava a igreja e as imagens.
Foi quando uma imagem situada num canto da igreja lhe chamou especialmente a atenção. Era a do Padre Pio.
Mariano contou brevemente à mãe a história do santo de Pietrelcina e, nos dias seguintes, percebeu que ela passava boa parte do tempo sentada em frente à sua imagem. Ela conversava com a escultura como se falasse com uma pessoa.
Duas semanas depois, mãe e filho voltaram ao hospital para um novo exame e para uma enorme surpresa: o câncer, que era terminal, tinha simplesmente desaparecido.
A ortodoxa Lucrecia tinha pedido a intercessão do Padre Pio e ele havia respondido.
O milagre que fez milagres
“A cura milagrosa da minha mãe, realizada pelo Padre Pio em favor de uma mulher ortodoxa, me chamou a atenção”, testemunha o padre Victor, que até então não conhecia a vida do Padre Pio e, desse fato em diante, passou a admirá-lo imensamente. Ele contou sobre o milagre aos seus paroquianos. “Todos conheciam a minha mãe, sabiam que ela tinha ido à Itália para tentar uma operação e que voltou para casa curada, sem que nenhum médico a tivesse operado”.
O milagre estava transformando não só a vida da família Tudor, mas a de toda a comunidade ortodoxa da paróquia, que começou a conhecer e a amar o Padre Pio cada vez mais. “Líamos tudo o que encontrávamos sobre ele. A santidade dele nos conquistava”.
A conversão de toda uma paróquia
Outros enfermos da paróquia também receberam graças extraordinárias por intercessão do Padre Pio. Os quase 350 paroquianos, juntamente com seu pároco ortodoxo, decidiram então se tornar católicos. Hoje eles pertencem ao rito greco-católico da Romênia e, embora suas vidas tenham sido transformadas, ainda precisam enfrentar grandes provas de fé.
Em entrevista à Padre Pio TV, o pároco relata que ele e sua paróquia passaram por “numerosas dificuldades”, inclusive políticas e até policiais, quando resolveram se tornar católicos num país ortodoxo com passado comunista. Mas os novos católicos não só não se desanimaram como ainda começaram a construção de uma igreja dedicada ao Padre Pio – e enfrentaram novos desafios de todo tipo, de financeiros a burocráticos, além da própria ausência de igreja durante a construção (chegaram a celebrar a missa na rua sob as gélidas temperaturas do inverno).
O padre Victor recorreu novamente a Roma para pedir ajuda e relatou as dificuldades a um bispo, que lhe perguntou: “Quem será o padroeiro da sua igreja?”. Ao ouvir que seria o Padre Pio, o bispo sorriu e o tranquilizou dizendo: “O próprio Padre Pio vai fazer essa igreja”.
O milagre continua
De fato, o templo é hoje uma realidade – e, para o padre Victor, outro milagre: “Senti que o Padre Pio ajudou a mim, aos meus fiéis. É um sinal de fé”.
O sacerdote romeno foi além: fundou um hospital para doentes em fase terminal, pacientes sem recursos e idosos abandonados.
Se continua havendo dificuldades? Muitas. Enormes. Se o padre Victor continua contando com a intercessão do Padre Pio? Até agora, ele não falhou.

Fonte: WhatsApp

domingo, 12 de março de 2017

Como distinguir a vontade de Deus da minha?


Corresponder aos desígnios de Deus é sempre um desejo do coração daqueles que, de alguma forma, já experimentaram Seu amor. É por isso que frequentemente ouvimos alguém dizer: “Eu gostaria de saber qual é a vontade de Deus para minha vida”.

Esses dias, um jovem abriu o coração comigo, falando de seus sonhos, medos, lutas e conquistas. Ele parecia não estar satisfeito, nem demonstrava entusiasmo diante das últimas realizações. Havia uma sombra de tristeza e apreensão em seu olhar, o que me levou a lhe perguntar: “O que está lhe faltando agora?”. Ele prontamente respondeu: “Eu quero distinguir a vontade de Deus da minha”. Por providência, eu tinha acabado de ler alguns escritos de Chiara Lubich falando sobre isso, então, transmiti-lhe algumas palavras de incentivo. Depois, continuei pensando no assunto.
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Sei que aquele jovem não é uma exceção. Na verdade, descobrir a vontade de Deus é um anseio comum entre nós. Pois sabemos que estar na vontade de Deus é caminho certo para a felicidade, e ser feliz é tudo o que o ser humano mais almeja neste mundo.

Chiara Lubich, fundadora dos focolares, afirma que não é difícil saber qual é a vontade de Deus e nos indica o caminho:

“É preciso ouvirmos bem dentro de nós uma voz delicada, a qual, muitas vezes, sufocamos, e que se torna quase imperceptível. Mas se a ouvirmos bem, é a voz de Deus. Ela diz-nos que aquele é o momento de estudar ou ajudar quem tem necessidade, de trabalhar, vencer uma tentação ou cumprir um dever de cristão, de cidadão. Convida-nos a dar atenção a alguém que nos fala em nome de Deus, ou a enfrentar com coragem situações difíceis. Temos que a ouvir. Não façamos calar essa voz, ela é o tesouro mais precioso que possuímos. Sigamo-la!”

Depois dessa descoberta, temos uma segunda etapa, que também é muito importante: coragem de assumir a vontade de Deus, fazendo dela o nosso projeto de vida! A condição para isso é dar os passos exigidos a cada instante. Por vezes, são coisas bem simples no início, e, ao longo da caminhada, surgem exigências maiores, que, aliás, são sempre possíveis de realizar. Deus nunca nos pede algo que não podemos realizar com Sua graça.

Segundo Chiara, a vida nos oferece duas direções: fazer a nossa vontade ou fazer a vontade de Deus. A primeira opção, que logo vai ser decepcionante, é como escalar a montanha da vida só com as nossas ideias limitadas, com os poucos meios que temos, com os nossos pobres sonhos, contando só com as nossas forças. A partir daí, mais tarde ou mais cedo, chegar à experiência da rotina de uma existência cheia de tédio, de mediocridade, de pessimismo e, às vezes, até de desespero. Uma vida monótona, apesar do nosso esforço por torná-la interessante, que nunca chegará a satisfazer o nosso íntimo mais profundo. A segunda possibilidade é quando também nós repetimos com Jesus: «Não se faça a minha vontade, mas a Tua» (Lc 22, 42).

Para compreendermos isso melhor, podemos comparar Deus a um sol. Deste sol partem muitos raios que se projetam sobre cada um de nós. E esses raios representam a vontade de Deus. Durante a vida, somos chamados a caminhar em direção a esse “Sol”, seguindo a luz do raio, que nos é próprio, diferente e distinto de todos os outros. E podemos realizar o projeto maravilhoso, pessoal, que Deus tem para cada um de nós: a vontade d’Ele. Se assim o fizermos, vamos nos sentir envolvidos numa divina aventura, nunca antes imaginada.


Seremos, ao mesmo tempo, atores e espectadores de coisas grandiosas que Deus realizará em nós e, através de nós, na humanidade. Tudo o que vier a acontecer-nos, como os sofrimentos e as alegrias, graças e desgraças, fatos importantes ou insignificantes, tudo vai adquirir um significado novo, porque nos é oferecido pela mão de Deus, que é Amor. Tudo o que Ele quer ou permite é para o nosso bem. Se acreditamos nisso apenas com a fé, veremos depois, com os olhos da alma, que existe um fio de ouro a ligar acontecimentos e coisas, a compor um magnífico bordado: é o projeto de Deus para cada um de nós.

Pode ser que, diante disso, você se decida sinceramente a dar um sentido mais profundo à sua vida. Então, comece agora a fazer a vontade de Deus, pois, se pensarmos bem, o passado já não existe e não podemos voltar a tê-lo. Só nos resta colocá-lo na misericórdia de Deus. O futuro ainda não chegou. Havemos de vivê-lo quando se tornar atual. Em nossas mãos, só temos o momento presente. É nele que devemos optar por fazer a vontade de Deus. Como? Escutando aquela suave voz que nos fala ao coração, lembrando que Deus não nos pede algo irrealizável. Estaremos juntos!

http://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/como-distinguir-a-vontade-de-deus-da-minha/

sábado, 11 de março de 2017

OS DOZE GRAUS DO SILÊNCIO

No segundo dia da Quaresma, que o nosso espírito de mortificação seja o silêncio, como pedimos no Segundo Dia da Oração da Semana. E que o silêncio no nosso encontro com Deus neste tempo de penitência faça calar os gritos das multidões ensandecidas dos prazeres do mundo.


1º Falar pouco às criaturas e muito a Deus

Este é o primeiro passo, mas indispensável, nas vias solitárias do silêncio. Nesta escola é onde se ensinam os elementos que dispõe à união divina. Aqui a alma estuda e aprofunda esta virtude, no espírito do Evangelho, no espírito da Regra que abraçou, respeitando os lugares consagrados, as pessoas, e sobretudo esta língua na qual tão freqüentemente descansa o Verbo ou a Palavra do Pai, o Verbo feito carne. Silêncio ao mundo, silêncio às notícias, silêncio com as almas mais justas: a voz de um Anjo turbou Maria...


2º Silêncio no trabalho, nos movimentos

Silêncio no porte; silêncio dos olhos, dos ouvidos, da voz; silêncio de todo o ser exterior, que prepara a alma para passar a Deus. A alma merece tanto quanto pode, por estes primeiros esforços em escutar a voz do Senhor. Que bem recompensado é este primeiro passo! Deus a chama ao deserto, e por isso, neste segundo estado, a alma aparta tudo o que poderia distraí-la; se distancia do ruído, e foge sozinha Àquele que somente é. Ali ela saboreará as primícias da união divina e o zelo de seu Deus. É o silêncio do recolhimento, ou o recolhimento do silêncio.


3º Silêncio da imaginação

Esta faculdade é a primeira em chamar à porta fechada do jardim do Esposo; com ela vêm as emoções alheias, as vagas impressões, as tristezas. Mas neste lugar retirado, a alma dará ao Bem Amado provas de seu amor. Apresentará a esta potência, que não pode ser destruída, as belezas do céu, os encantos de seu Senhor, as cenas do Calvário, as perfeições de seu Deus. Então, também ela permanecerá no silêncio, e será a servente silenciosa do Amor divino.


4º Silêncio da memória

Silêncio ao passado... esquecimento. Há que saturar esta faculdade com a recordação das misericórdias de Deus... É o agradecimento no silêncio, é o silêncio da ação de graças.


5º Silêncio às criaturas

Oh, miséria de nossa condição presente! Com freqüência a alma, atenta a si mesma, se surpreende conversando interiormente com as criaturas, respondendo em seu nome. Oh, humilhação que fez gemer os santos! Nesse momento esta alma deve retirar-se docemente às mais íntimas profundezas deste lugar escondido, onde descansa a Majestade inacessível do Santo dos santos, e onde Jesus, seu consolador e seu Deus, se descobrirá a ela, lhe revelará seus segredos, e a fará provar a bem-aventurança futura. Então lhe dará um amargo desgosto para tudo o que não é Ele, e tudo o que é da terra deixará pouco a pouco de distrair-la.


6º Silêncio do coração

Se a língua está muda, se os sentidos se encontram na calma, se a imaginação, a memória e as criaturas se calam e fazem silêncio, se não ao redor, ao menos no íntimo desta alma de esposa, o coração fará pouco ruído. Silêncio dos afetos, das antipatias, silêncio dos desejos no que tem de demasiado ardente, silêncio do zelo no que tem de indiscreto; silêncio do fervor no que tem de exagerado; silêncio até nos suspiros... Silêncio do amor no que tem de exaltado, não dessa exaltação da qual Deus é autor, senão daquela na qual se mistura a natureza. O silêncio do amor, é o amor no silêncio...

É o silêncio diante de Deus, suma beleza, bondade, perfeição... Silêncio que não tem nada de chateado, de forçado; este silêncio não danifica a ternura, o vigor deste amor, de modo semelhante a como o reconhecimento das faltas não danifica tampouco o silêncio da humildade, nem o bater das asas dos anjos de que fala o profeta o silêncio de sua obediência, nem o fiat o silêncio de Getsemani, nem o Sanctus eterno o silêncio dos serafins...

Um coração no silêncio é um coração de virgem, é uma melodia para o coração de Deus. A lâmpada se consome sem ruído diante do Sacrário, e o incenso sobe em silêncio até o trono do Salvador: assim é o silêncio do amor. Nos graus precedentes, o silêncio era ainda a queixa da terra; neste a alma, por sua pureza, começa a aprender a primeira nota deste cântico sagrado que é o cântico dos céus.


7º Silêncio da natureza, do amor próprio

Silêncio à vista da própria corrupção, da própria incapacidade. Silêncio da alma que se compraz na sua baixeza. Silêncio aos louvores, à estima. Silêncio diante dos desprezos, das preferências, das murmurações; é o silêncio da doçura e da humildade. Silêncio da natureza diante das alegrias ou dos prazeres. A flor se abre no silêncio e seu perfume louva em silêncio ao criador: a alma interior deve fazer o mesmo. Silêncio da natureza na pena ou na contradição. Silêncio nos jejuns, nas vigílias, nas fadigas, no frio e no calor. Silêncio na saúde, na enfermidade, na privação de todas as coisas: é o silêncio eloqüente da verdadeira pobreza e da penitência; é o silêncio tão amável da morte a todo o criado e humano. É o silêncio do eu humano transformando-se no querer divino. Os estremecimentos da natureza não poderiam turbar este silêncio, porque está acima da natureza. 


8º Silêncio do espírito

Fazer calar os pensamentos inúteis, os pensamentos agradáveis e naturais; só estes danificam o silêncio do espírito, e não o pensamento em si mesmo, que não pode deixar de existir. Nosso espírito quer a verdade, e nós lhe damos a mentira! Agora bem, a verdade essencial é Deus! Deus é o bastante à sua própria inteligência divina, e não basta à pobre inteligência humana!

No que concerne a uma contemplação de Deus perene e imediata, não é possível na debilidade da carne, a não ser que Deus conceda um puro dom de sua bondade; mas o silêncio nos exercícios próprios do espírito consiste, em relação à fé, em contentar-se com sua luz escura. Silêncio aos raciocínios sutis que debilitam a vontade e dissecam o amor. Silêncio na intenção: pureza, simplicidade; silêncio às buscas pessoais; na meditação, silêncio à curiosidade; na oração, silêncio às próprias operações, que não fazem mais que entravar a obra de Deus. Silêncio ao orgulho que se busca em tudo, sempre e em todas as partes; que quer o belo, o bem, o sublime; é o silêncio da santa simplicidade, do desprendimento total, da retidão.


Um espírito que combate contra tais inimigos é semelhante a esses anjos que vêem sem cessar a Face de Deus. Esta é a inteligência, sempre no silêncio, que Deus eleva a si.


9º Silêncio do juízo

Silêncio quanto às pessoas, silêncio quanto às coisas. Não julgar, não deixar ver a própria opinião. Não ter opinião às vezes, ou seja, ceder com simplicidade, sem nada se opor a ele por prudência ou por caridade. É o silêncio da bem-aventurada e santa infância, é o silêncio dos perfeitos, o silêncio dos anjos e dos arcanjos, quando seguem as ordens de Deus. É o silêncio do Verbo encarnado!


10º Silêncio da vontade

O silêncio aos mandamentos, o silêncio às santas leis da regra, não é, por dizer assim, mais que o silêncio exterior da própria vontade. O Senhor tem algo que ensinar-nos de mais profundo e de mais difícil: o silêncio do escravo sob os golpes de seu amo. Mas, feliz escravo, pois o Amo é Deus! Este silêncio é o da vítima sobre o altar, é o silêncio do cordeiro que é despojado de sua pele, é o silêncio nas trevas, silêncio que impede pedir a luz, ao menos a que alegra.

É o silêncio nas angústias do coração, nas dores da alma; o silêncio de uma alma que se viu favorecida por seu Deus, e que, sentindo-se rechaçada por Ele, não pronuncia nem sequer estas palavras: Por que? Até quando? É o silêncio no abandono, o silêncio sob a severidade do olhar de Deus, sob o peso de sua mão divina; o silêncio sem outra queixa que a do amor. É o silêncio da crucifixão, é mais que o silêncio dos mártires, é o silêncio da agonia de Jesus Cristo. Se este silêncio é seu divino silêncio e nada é comparável à sua voz, nada resiste à sua oração, nada é mais digno de Deus que esta classe de louvor na dor, que este fiat no sofrimento, que este silêncio no trabalho da morte.

Enquanto esta vontade humilde e livre, verdadeiro holocausto de amor, se despedaça e se destrói para a glória do nome de Deus, Ele a transforma em sua vontade divina. Então o que falta para sua perfeição? O que requer ainda para a união? O que falta para que Cristo seja acabado nesta alma? Duas coisas: a primeira é o último suspiro do ser humano; a segunda é uma doce atenção ao Bem Amado cujo beijo divino é a inefável recompensa.


11º Silêncio consigo mesmo

Não falar-se interiormente, não escutar-se, não queixar-se nem consolar-se. Em uma palavra, calar-se consigo mesmo, esquecer-se de si mesmo, deixar-se só, completamente só com Deus; fugir, separar-se de si mesmo. Este é o silêncio mais difícil, e sem embargo é essencial para unir-se a Deus tão perfeitamente como possa fazê-lo uma pobre criatura que, com a graça, chega com freqüência até aqui, mas se detém neste grau, porque não o compreende e o pratica menos ainda. É o silêncio do nada. É mais heróico que o silêncio da morte.


12º Silêncio com Deus

No começo Deus dizia à alma: “Fala pouco às criaturas e muito comigo”. Aqui lhe diz: “Não me fales mais”. O silêncio com Deus é aderir-se a Deus, apresentar-se e expor-se diante de Deus, oferecer-se a Ele, aniquilar-se diante dEle, adorá-lo, amá-lo, escutá-lo, ouvi-lo, descansar nEle. É o silêncio da eternidade, é a união da alma com Deus.

Tradução livre de 'Los doce grados del silencio' de Soror Amada de Jesus. 

http://www.sendarium.com/2013/02/os-doze-graus-do-silencio.html